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Boas Práticas de Armazenamento, Transporte e Distribuição de Medicamentos: Contribuição para a Visão Integrada das Necessidades Artigo extraído da revista Fármacos & Medicamentos Edição 66 (Abril/Maio/Junho 2011) RCN Editora Uma Publicação www.racine.com.br

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Boas Prticas de Armazenamento, Transporte e Distribuio de Medicamentos:Contribuio para a Viso Integrada das Necessidades

Artigo extrado da revista Frmacos & Medicamentos Edio 66 (Abril/Maio/Junho 2011) RCN Editora

Uma Publicao

www.racine.com.br

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Boas Prticas de Armazenamento, Transporte e Distribuio de Medicamentos

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Instituto RacineEm atuao desde 1990, o Instituto Racine tem desempenhado um importante papel na formao de profissionais dos setores industrial, logstico, varejista e da sade. Com foco na educao profissional, seus programas educacionais so altamente adequados s necessidades das empresas e instituies. Um corpo docente altamente qualificado, com experincia acadmica e prtica, desenvolve os contedos utilizando um conjunto diversificado de tcnicas que, integradas, possibilitam a formao de profissionais autnomos para diferentes atividades profissionais. Alm de programas de formao, o Instituto Racine organiza, promove e realiza Seminrios Nacionais e Internacionais, em parceria com instituies e Universidades do Brasil, de Portugal e da Espanha que compreendem atividades tcnicas em sala de aula e visitas tcnicas a estabelecimentos pblicos e privados, complementados por atividades culturais.

Atividades Realizadas pelo Instituto RacineSeminrios InternacionaisCom oito edies j realizadas, o SIF Seminrio Internacional de Farmcia uma realizao do Instituto Racine, em cooperao com Universidades de Portugal (Faculdade de Farmcia da Universidade de Coimbra, Faculdade de Farmcia da Universidade de Lisboa e Faculdade de Farmcia da Universidade do Porto) e Universidades da Espanha (Faculdade de Farmcia da Universidade de Sevilha e Faculdade de Farmcia da Universidade de Granada), promovendo um intercmbio cientfico e cultural entre farmacuticos, estimulando o pensamento global da prtica profissional no mbito das Farmcias e Drogarias em Geral, da Farmcia Hospitalar, Seminrio Internacional de Farmcia da Ateno Farmacutica e da Farmcia Clnica.

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Visitas Tcnicas a IndstriasComo atividade complementar aos cursos intensivos e de ps-graduao, o Instituto Racine realiza visitas peridicas a unidades industriais, contemplando os setores administrativos, de produo e de logstica.

Conhea os Programas Educacionais do Instituto Racine nas reas de Transporte, Armazenamento e DistribuioCurso de Ps-Graduao Curso Intensivo Curso de Educao Continuada Seminrio

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Curso de Ps-Graduao Auditoria e Inspeo na Cadeia Industrial Farmacutica Fitoterpicos e Fitoterapia Clnica Gesto e Tecnologia Cosmtica - Engenharia Cosmtica Gesto e Tecnologia Industrial Farmacutica - Engenharia

Curso de Educao Continuada Boas Prticas de Armazenamento e Distribuio de

Medicamentos e de Produtos para a Sade (Correlatos)

Farmacutica Logstica de Produtos Sujeitos a Vigilncia Sanitria -

SeminrioSLOG2012 - Seminrio Nacional de Operaes Logstica e

Medicamentos e Produtos para a Sade Radiofrmacos e Aplicaes em Diagnstico, Terapia e

Logstica Farmacutica (www.racine.com.br/slog)

Pesquisa

Curso Intensivo Logstica Farmacutica

Mais informaes (11) 3670-3499 [email protected] www.racine.com.br/institutoracine

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SumrioIntroduo Definies, guias e normas Riscos para os produtos, operadores, usurios e meio ambiente - medidas para controle, conteno, reduo ou eliminao Circuitos e circulaes - pontos a considerar no desenho e construo Gesto de recursos (management): infraestrutura, profissionais, sistema de trabalho Normas Boas Prticas de Armazenamento e Distribuio (BPAD)

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Boas Prticas de Transportes (BPT) Boas Prticas Aplicadas Cadeia de Frio (BPCF) Competncia e treinamento do pessoal Controle de inventrio/estoque

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17Rastreabilidade em armazenagem e distribuio

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Auditorias e inspees: medio, anlise e aes para melhoria Concluso Referncias Bibliogrficas

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IntroduoO objetivo deste artigo apresentar aos diretores, gerentes, supervisores e demais interessados em armazenamento, transporte e distribuio de insumos qumicos ou farmoqumicos e medicamentos uma sntese do conhecimento atual para criar condies nas quais produtividade e inovao possam fazer a diferena e beneficiar tanto as organizaes como os indivduos. Sero mencionadas normas, regulamentos e oportunidades para que organizaes integrem viso e informao para a gesto sinrgica de armazenamento, transporte e distribuio de matrias-primas, medicamentos e padres de referncia. O propsito auxilia-los a comparar os trabalhos de rotina com a prtica avanada de gesto dos indicadores de qualidade. Sabendo-se em que momento a empresa se encontra e conhecendo as tcnicas de gesto integrada de administrao com qualidade os indivduos podero ser catalisadores da aplicao do conhecimento e desempenho.

Para o crescimento de qualquer organizao necessrio identificar e remover as barreiras que tolhem oportunidades. O crescimento deve ser visto dentro da filosofia de transformao no como castigo pelo no cumprimento das normas, mas pela consciente deciso de fazer melhor o que se imagina estar fazendo adequadamente. As boas obras no somente tero a apreciao das autoridades mas tambm traro louvor para a organizao. Aps esta leitura, os gerentes, supervisores e lderes tero os elementos para o alinhamento do cumprimento de boas prticas de qualidade atuais (CGMP) com a estratgia de concepo dos produtos, seleo dos fornecedores de insumos, decises sobre processo e local de fabricao, rotulagem, distribuio e gesto de segurana para transformar os resultados em poderosas ferramentas que beneficiem toda a cadeia produtiva, desde a concepo at o uso dos produtos.

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O desafio encontrar o ponto de equilbrio entre as infinitas necessidades e os limitados recursos. Parte da equao est em contar com um programa de desenvolvimento situacional para supervisores de alto nvel, agentes, brokers, empresas de transporte, distribuidores e agncias aduaneiras cujos conceitos e conhecimentos sobre qualidade farmacutica influenciam os resultados integrados para obter e manter o certificado de Boas Prticas de Fabricao (BPF) ou o status de fornecedor qualificado de produtos de baixo custo e qualidade assegurada. Para alcanar o objetivo das boas prticas de armazenamento, transporte e distribuio de produtos farmacuticos necessrio um movimento integrado de toda a malha de organizaes que operam nesta cadeia de servio e que possua como foco o bemestar da comunidade servida, solidarizando-se e tratando de maneira sinrgica os recursos e esforos. Em alguns casos necessrio criar o valor, em outros resgatar as prticas de melhoria nos servios e qualidade de modo geral. A criao de valor se aplica nos casos em que h novos participantes, novas rotas e novos desafios. O resgate se aplica aos casos em que houve uma boa inteno, mas que no resultou favorvel ainda por falta de trabalho integrado

(teamwork), falta de atualizao do conhecimento, falta de aplicao da cincia e sua atualizao aos compromissos em qualquer elo da cadeia. As oportunidades a considerar podem ser aquelas cujos sinais so visveis ou aquelas que necessitam de instrumentos apropriados para sua medio. As visveis incluem, entre outros: danos embalagem, erros de rotulagem, faltas, falsificaes e produtos trocados ou misturados. Entre os detectveis com instrumentos, incluem-se, mas no se limitam perda da estabilidade e contaminao microbiana ou cruzada. Graas ao progresso da cincia e aplicao de conhecimentos obtidos em vrias reas, a cadeia de distribuio de produtos farmacuticos converte os indicadores instrumentais em visveis (a olho nu) como o caso utilizado pela Organizao Mundial da Sade (OMS)/Fundo das Naes Unidas para a Infncia (UNICEF) para os monitores nos frascos de vacinas (vaccine vial monitor), em que h mudana cumulativa em um indicador colorido que selecionado em funo da estabilidade do produto. O progresso na aplicao da cincia requer a participao de todas as esferas, isto , governo, setor privado, sociedade, escolas e associaes.

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Definies, guias e normasOs leitores encontraro as definies atuais, guias e normas em documentos que incluem a srie de relatrios tcnicos (Technical Report Series - TRS) da OMS, especialmente o anexo 5 - TRS n 957, que trata de maneira abrangentes as boas prticas de distribuio de produtos farmacuticos. Este documento contm oito referncias que ajudaro os interessados a encontrar elementos para ampliar seus conhecimentos sobre armazenamento, distribuio, importao, e estabilidade de insumos e produtos terminados. Organizaes que operam no territrio nacional devem estar familiarizadas e atualizadas com as normas e guias nacionais, que podem ser encontradas nos sites dos Conselhos Regionais de Farmcia ou no site da Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (ANVISA).

Riscos para os produtos, operadores, usurios e meio ambiente medidas para controle, conteno, reduo ou eliminaoOs responsveis tcnicos pelas empresas de armazenamento, transporte e distribuio de insumos e produtos farmacuticos devem estar familiarizados com a anlise de risco e as Fichas de Segurana para Substncias e Produtos (FISPQ) das quais podero extrair dados importantes para preparar o plano de controle de riscos.

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Um dos pontos para a atuao integrada na cadeia de distribuio a estabilidade de insumos e dos produtos farmacuticos que requerem instrues claras dos fabricantes quanto s condies de temperatura, umidade, luz, oxignio e/ou condies especiais de transporte. Os riscos potenciais durante as operaes de armazenamento, transporte e distribuio incluem, entre outros: danos fsicos (furos, quebra, manchas etc.), misturas, contaminao microbiana e contaminao cruzada. Para que a qualidade original dos produtos seja mantida at o ponto de uso necessrio garantir que um produto apresente uma concepo adequada (responsabilidade dos fabricantes) e as operaes seguintes sejam mantidas conforme os princpios das BPFs (fabricantes), alm do armazenamento, estocagem, transporte e distribuio (fabricantes, empresas de logstica e clientes).

A anlise de risco auxilia todas a organizaes a criarem um fluxo lgico desde a seleo dos insumos e a converso em produto at a distribuio e entrega do produto ao usurio. H vrios documentos que podem auxiliar os interessados na anlise de risco e na qualificao dos fornecedores, entre eles as publicaes Sindicato da Indstria de Produtos Farmacuticos no Estado de So Paulo (SINDUSFARMA) n 2 e n 6. A proteo dos insumos e produtos requer a integrao da embalagem primria (responsabilidade do fabricante), com as instrues e condies para proteo contra agentes externos ou estranhos que possam influenciar negativamente ou afetar sua qualidade e/ou potncia (fabricante, empresas de logstica, distribuidores, farmcias, hospitais, clnicas e outras unidades de distribuio de produtos ao usurio).

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Circuitos e circulaes pontos a considerar no desenho e construoO zoneamento dos edifcios em reas apropriadas para seu uso um sistema ambiental desenhado para proporcionar um fluxo de trabalho eficiente e econmico. O layout apropriado em conjunto com o sistema de ar, as medidas de segurana patrimonial, a reviso constante e/ou a automatizao da informao ajudam a garantir a integridade do local de trabalho e, por consequncia, os produtos ali mantidos. O layout possui alta importncia sobre a eficcia de uma instalao seja na fabricao ou no armazenamento, sua flexibilidade, possibilidade de expanso com o mnimo de interrupo e a garantia de que os produtos estejam expostos mnima chance de erro.

As instalaes farmacuticas modernas no so uma mera sequncia de reas com mquinas, pallets e produtos, ligadas por corredores amplos para a passagem de indivduos e de veculos de transporte de carga. Atravs de novos conceitos desenvolvidos desde 1982 por Lhoest e colaboradores as instalaes se tornaram flexveis, eficientes e contribuem para reduo de custos (distncia as ser percorrida para atender um pedido, alocao por classe ABC, facilidade de limpeza e remoo de resduos, de fcil manuteno, preveno de perdas etc.).

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As normas nacionais e internacionais indicam que reas devem ser desenhadas e operadas de maneira que produto algum esteja diretamente em contato com o piso ou as paredes e devem ainda observar certa distncia dos tetos e de partes da estrutura para proteo de fogo e permitir a ao dos dispositivos contra-fogo, conforme os regulamentos nacionais ou as diretrizes da companhia de seguro. A distncia do piso e das paredes, alm de permitir a circulao do ar, deve ainda favorecer a limpeza e circulao dos indivduos. Os pallets devem ser mantidos em bom estado de limpeza e conservao. A empresa deve consultar as leis e regulamentos locais, bem como o corpo de bombeiros, para no apenas cumprir os regulamentos, mas tambm para criar condies adequadas para a conservao da propriedade. A diretriz TRS 937 da OMS, ao tratar do sistema de ar, indica que temperatura, umidade relativa e ventilao devem se adequadas e no devem afetar adversamente a qualidade dos produtos farmacuticos durante seu armazenamento.

Gesto de recursos (management): infraestrutura, profissionais, sistema de trabalhoAlgumas organizaes, como a United Nations Population Fund (UFFPA), exigem que os fabricantes de certos itens comuniquem, dentro de quatro semanas, qualquer assunto que afete a informao sobre a pr-qualificao obtida.

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As regras bsicas para trabalhar com segurana, segundo os regulamentos nacionais e procedimentos internos devem incluir: As FISPQ devem estar disponveis antes que os materiais cheguem e sejam manuseados;Deve ser proibido comer, fumar ou beber;

Todos os contineres devem estar rotulados com os

cuidados apropriados (e.g., Inflamvel, Radioativo, Veneno, etc.);Isolamento adequado para conexes eltricas que

possam gerar fascas, incluindo refrigeradores;Cuidados de segurana para o manuseio de cilindros com Os indivduos devem estar treinados no uso dos

equipamentos de combate a incndio e conteno de vazamentos (e.g., extintores, cobertores e mscaras, kits de conteno de vazamentos);Os indivduos expostos aos produtos ou resduos devem

gases comprimidos. Deve-se tambm estar familiarizado com o cdigo de cores de sinalizao e identificao;Os indivduos devem ser alertados para as operaes que

no devem desempenhar sozinhos; utilizar vestimenta para proteo, incluindo proteo dos olhos;Os indivduos devem ser treinados para o manuseio de Material de primeiros socorros deve estar disponvel e os

indivduos devem ser instrudos sobre seu uso, tcnicas, antdotos e cuidados de emergncia. Deve haver pessoal treinado para aplicar os primeiros socorros.

substncias altamente potentes, volteis ou material biolgico;

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NormasAs empresas sob a jurisdio da farmacopia oficial devem observar o que consta na monografia de cada insumo ou produto ou em seu rtulo. As condies de armazenagem, transporte e distribuio devem incluir informao sobre temperatura, umidade, proteo do congelamento ou calor excessivo, e se for necessrio, proteo da luz e uso de

No roteiro de inspeo para transportadoras de produtos farmacuticos e farmoqumicos a ANVISA apresenta uma srie de requerimentos sobre contrato, licena, regionalizao, e outros, abrangidos em parte por outros documentos e indica ainda que:Deve existir harmonizao nas condies de transporte,

armazenamento e distribuio com as condies estabelecidas pelo fabricante; vetado o transporte de medicamentos, drogas e/ou

insumos com produtos radioativos ou txicos (inseticidas, detergentes, lubrificantes, agrotxicos e outros);Os veculos devem estar em condies sanitrias e possuir

um programa de limpeza;As aberturas (janelas e portas) devem estar protegidas

contra entrada de aves, insetos, roedores e outros animais.

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Boas Prticas de Armazenamento e Distribuio (BPAD)Todos os indivduos envolvidos com o armazenamento, transporte e distribuio de insumos e medicamentos devem ser treinados e observar os nveis de higiene, tanto pessoal, como no local de trabalho e os processos de sanitizao. O vesturio utilizado pelos indivduos trabalhando no armazenamento, no transporte e na distribuio deve ser adequado s condies de trabalho e oferecer os elementos de proteo individual conforme o risco do material manuseado. Os contineres que apresentarem avarias no devem ser utilizados a menos que exista garantia de que o contedo no foi afetado. Produtos retornados farmcia por pacientes no devem ser devolvidos ao estoque, mas sim destrudos.

Boas Prticas de Transportes (BPT)O responsvel tcnico pelas empresas de armazenamento, distribuio e transporte de insumos e produtos farmacuticos, de posse do mapa de riscos preparado com o auxlio das FISPQ deve gerar a grade (grid) de cuidados e as BPT tanto para receber, estocar ou distribuir os produtos. Visto a dinmica tanto do perfil de produtos, como as possveis atualizaes das FISPQ, a reviso deste mapa, procedimentos, e instrues de uso dos EPIs um dos temas para reviso peridica das BPADT.

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As diretrizes nacionais e internacionais indicam que toda expedio e transporte de materiais e produtos devem ser documentados, indicando, quando necessrio, os cuidados e as precaues para o manuseio. A caixa de embarque ou transporte deve oferecer proteo contra os fatores externos e deve estar devida e claramente identificada. Os registros de expedio devem conter, ao menos, os seguintes dados:Data da expedio; Nome e endereo do cliente; Descrio do produto (nome, dosagem, forma, potncia -

Boas Prticas Aplicadas Cadeia de Frio (BPCF)A diretriz OMS TRS n 937 indica que deve ser oferecida especial ateno aos produtos que necessitam de gelo para seu transporte na cadeia de frio. Os produtos no devem estar em contato direto com gelo seco para evitar congelamento. Quando necessrio, deve-se utilizar instrumentos apropriados para o monitoramento da temperatura durante o transporte. Os registros devem estar disponveis para reviso. Especial ateno conferida distribuio de vacinas termolbeis e produtos que no podem ser congelados pois podem causar a ruptura do continer (ampolas ou prefilled syringes), perda da potncia ou ttulo ou alterao das caractersticas do produto.

pode ser em cdigo), lote e quantidade;As condies de transporte e estocagem.

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Competncia e treinamento do pessoalO responsvel tcnico pelas empresas que manuseiam insumos e produtos farmacuticos deve gerar a grade (grid) de cuidados e a necessidade de treinamento, bem como a quantidade e tipo de EPI tanto para receber, estocar ou distribuir os produtos. Com a dinmica tanto do perfil de produtos, como as possveis atualizaes das FISPQ e os regulamentos municipais, estaduais, nacionais ou internacionais, a reviso dos procedimentos, o treinamento do pessoal e as instrues de uso dos EPIs um dos temas para reviso peridica das BPADT.

Controle de inventrio/estoqueO inventrio do armazm ideal, segundo os especialistas, apresenta ocupao mdia de 80% e mxima de 90%. Portanto, o controle do estoque muito importante, e pode ser otimizado utilizando-se tcnicas manual ou computadorizada. A preciso da informao de inventrio possui relao direta com indivduos, processos e tecnologia. O processo funo gerencial e talvez o maior contribuinte para o sucesso ou fracasso de qualquer controle de inventrio. A aplicao de tecnologia, como cdigo de barras e etiquetas inteligentes pode ser parte da soluo, mas no tem maior valor se falta a gesto integrada. O processo, os indivduos e a tecnologia devem estar integrados para todas as atividades, que incluem, mas no se limitam a recebimento, amostragem, endereamento, estocagem, separao de pedidos e expedio, devolues, perdas por avaria ou erros de remessa e caducidade.

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Todas os envolvidos devem ser igualmente responsveis pelo fiel registro dos dados. Os supervisores devem rever as entradas de dados, sejam sistematizados ou manuais e o clculo dos saldos, bem como a reconciliao por contagem fsica, ou no trmino do uso de um lote. Os armazns ligados rede de informtica recebem os pedidos, com alocao dos lotes a usar e a sequncia de atendimento em funo da urgncia de atendimento. Coordenando as atividades de picking com a movimentao dos lotes e produtos, possvel, a qualquer momento, fazer a conciliao, sendo mais comum ao trmino de cada lote, ou ao menos diria, conforme o grau de controle e objetivos organizacionais. Para produtos terminados, espera-se 100% de preciso no inventrio e qualquer desvio deve ser investigado.

Rastreabilidade em armazenagem e distribuioA rastreabilidade ou cadeia de custdia a indicao da origem de um produto ou a habilidade de compor a histria, o uso, ou a localizao de um item por meio de identificao documentada ou registrada. A rastreabilidade torna possvel o seguimento de um produto ou servio ao longo da cadeia de custdia, desde a produo at o consumo. O sistema de rastreabilidade registra a histria, o processo ou transporte de um item com a finalidade de manter sua qualidade e proteger contra problemas de segurana. O processo de rastreamento engloba tanto o acompanhamento do percurso (tracking) como o registro ou medies (tracing).

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Auditorias e inspees: medio, anlise e aes para melhoriaNa bibliografia fornecida h vrios modelos de listas de verificao para a auditoria. As organizaes com menos no conformidades so aquelas que com a maior frequncia realizam autoinspees e auditoria de seus fornecedores. Entre os pontos a auditar est o estado de conhecimento e de atualizao dos manuais e procedimentos, o controle de desvios e no conformidades, aes corretivas e preventivas, o mapeamento e monitoramento de temperatura e umidade, avarias, sinistros, controle de pragas, devolues, recall, preciso e consistncia do inventrio, tipo e frequncia das perdas etc.

Um dos tpicos utilizados em auditoria o envio de uma ordem para um endereo sob controle dos auditores ou a interceptao de um envio para avaliar o ndice de acerto qualitativo e quantitativo do pedido, a preciso das informaes de etiquetagem, o cumprimento das normas e o estado geral da embalagem. As auditorias servem ainda para detectar a presena de produtos falsificados que so uma tendncia mundial crescente e que expe a populao ao risco de produtos de baixa qualidade ou adulterados intencionalmente.

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ConclusoAs leis e regulamentos que tratam das prticas de armazenamento, transporte e distribuio devem fazer parte da gesto integrada, visto que o no cumprimento por qualquer um dos elos da cadeia de qualidade expor os operadores e usurios a riscos. O conhecimento das normas deve-se traduzir em atos seguros. Sendo um esforo coletivo, a preocupao imediata deve ser identificar outros indivduos e organizaes que unidos em um mesmo sentido e em um mesmo parecer elaborem um plano comum e atuem para o bem da sade pblica. Adaptando, localizando e melhorando as sugestes de planos e auditorias, pode-se iniciar esta transformao nas organizaes e por meio dos rgos de classe iniciar sua disseminao. Ao incluir todos os fornecedores de insumos e produtos e os prestadores de servios para a cadeia de armazenamento, transporte e distribuio, possvel que se constate indivduos ou organizaes que no cuidam de certos aspectos inerentes ao seu papel nesta cadeia por falta de conhecimento ou acompanhamento. Enquanto esta integrao no ocorre a populao mundial continua a sofrer com a falta de qualidade e consistncia dos produtos que chegam aos lugares mais remotos onde geralmente esto as classes sociais menos favorecidas. Os supervisores, gerentes e diretores devem utilizar os relatrios de autoinspeo para aumentar o nvel de conhecimento sobre o que realmente ocorre nos processos de seleo dos fornecedores, instalar e manter as boas condies de armazenamento, distribuio, e transporte, especialmente quando o assunto est ligado aos riscos de no conformidades.

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As empresas com excelente desempenho frente s inspees por agncias de vigilncia sanitria de pases mais exigentes so aquelas que: Acreditam que a liderana em qualidade essencial;Reconhecem a importncia dos fornecedores e parceiros

Humberto Zardo graduado em farmcia industrial pela UniversidadeFederal do Paran (UFPR), mestre em tecnologia bioqumicofarmacutica pela Universidade de So Paulo (USP), especialista em embalagens pela Escola de Engenharia de Mau, especialista em administrao pela Fundao Getlio Vargas (FGV) e especialista em negcios internacionais pela National University, Irvine, Estados Unidos da Amrica (EUA). Atualmente consultor independente e Executive Affiliate da PRTM - Orange County, Califrnia (EUA).

e os incluem nos esforos de melhoria;Usam estrategicamente a tecnologia da informao; Tem medidas de desempenho claras e definidas e as

Referncias BibliogrficasLhoest WE, Vereken M. Twelve years of experience in pharmaceutical plant automation. Pharmaceutical Engineering Vol.14, No.2, Mar-Apr 1994, 36-43. Supplementary guidelines on good manufacturing practices for heating, ventilation and air-conditioning systems for non-sterile pharmaceutical dosage forms. In: WHO Experts Committee on Specifications for Pharmaceutical Preparations. Fortieth report. Geneva, World Health Organization, 2006, Annex 2 (WHO Technical Report Series, No.937).

revisam ao menos trimestralmente;Usam os resultados das inspees internas para revisar os

projetos de melhoria da qualidade. Deseja-se sucesso a todos. O tema de BPADT segue em evoluo, por isso mantenham-se curiosos e atentos s publicaes, treinamentos suplementares e grupos de trabalho dentro de sua atividade contribuindo para a melhora contnua.