Economia Solidaria Como Praxix Pedagogic A - Moacir Gadotti

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Economia Solidria como prxiS pEdaggica moacir gadotti

Economia Solidria como prxiS pEdaggica moacir gadotti

So paulo, 2009

Editora e Livraria Instituto Paulo Freire Rua Cerro Cor, 550 | lj. 01 | 05061-100 So Paulo | SP | Brasil T: 11 3021 1168 [email protected] | [email protected] www.paulofreire.org

instituto paulo Freire Moacir Gadotti Alexandre Munck ngela Antunes Paulo Roberto Padilha Salete Valesan Camba Raiane P. S. Assumpo Janaina Abreu Lina Rosa Maurcio Ayer Kollontai Diniz Presidente do Conselho Deliberativo Diretor Administrativo-Financeiro Diretora Pedaggica Diretor de Desenvolvimento Institucional Diretora de Relaes Institucionais Coordenadora de Educao Popular

Coordenadora Editorial Preparadora de Textos Revisor Capa, projeto grfico, diagramao e arte-final Brasilgrafia Grfica e Editora Impresso

Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) (Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Gadotti, Moacir Economia solidria como prxis pedaggica / Moacir Gadotti. -- So Paulo: Editora e Livraria Instituto Paulo Freire, 2009. -(Educao popular) Bibliografia. ISBN: 978-85-61910-26-6 1. Desenvolvimento sustentvel 2. Economia 3. Educao - Filosofia 4. Educao - Finalidades e objetivos 5. Educao popular 6. Solidariedade 7. Valores sociais I. Ttulo. II. Srie. 09-00191 ndices para catlogo sistemtico: 1. Economia solidria como prtica pedaggica: Educao 370.115 Copyright 2009 Editora e Livraria Instituto Paulo Freire CDD-370.115

A economia solidria um ato pedaggico em si mesmo, na medida em que prope uma nova prtica social e um entendimento novo dessa prtica. A nica maneira de aprender a construir a economia solidria praticando-a. Mas seus valores fundamentais precedem sua prtica. Paul Singer (2005, p. 19).

Agradeo a leitura atenta e as contribuies de Luana Vilutis e Huberlan Rodrigues

SumrioPrefcio Paul Singer ........................ 09 Economia solidria e desenvolvimento sustentvel .......... 17 Educar para a cooperao ............... 31 Qualificao socioprofissional e sistematizao ................................ 47 Redes de economia solidria ........... 69 Papel das organizaes da sociedade civil ................................ 83 Desafios atuais da economia solidria ............................ 101 Uma economia para o bem viver ......................................... 113 Bibliografia .......................................... 125

prefcio

Economia Solidria como Prxis Pedaggica do consagrado educador popular Moacir Gadotti apresenta nova e original sntese dos debates que vm sendo travados sobre a economia solidria no Brasil e na Amrica Latina. Para discutir a economia solidria como prtica pedaggica, Gadotti contextualiza a questo no plano histrico, produzindo desta forma um amplo e profundo estudo do que vem a ser a economia solidria no mundo de hoje, com considerao particular para o indito momento histrico que a Amrica Latina vem vivendo com a vitria de candidatos de esquerda na grande maioria dos pases que realizaram eleies neste sculo 21. O autor comea com o envolvimento de educadores latino-americanos com a economia solidria ainda no fim dos anos 1980, quando formularam um primeiro programa de economia popular de solidariedade para a Amrica Latina. Nesta ocasio, o educador

Paulo Freire (1921-1997) elaborou uma introduo para o programa em que demonstra sua extraordinria capacidade de desvendar o potencial desta nova maneira de praticar a economia, ao dizer que ela representa algo de novo e esperanoso para o futuro da educao popular da Amrica Latina e para uma nova ordem econmica mundial (p. 20). Desde ento, surge a viso de uma outra economia que constitui, na verdade, um projeto de sociedade, que implica novos valores, acentuando o papel da educao popular em seu carter participativo, contestatrio, alternativo e alterativo (p. 23). A ligao umbilical da educao popular com a economia solidria se deve ao fato de que esta se apoia em novos valores que, aplicados a atividades econmicas, exigem a inveno de novas prticas, que cabe educao popular difundir entre aqueles que a peculiar dinmica do capitalismo exclui do espao econmico que ele domina. Ao discutir a economia solidria em toda sua diversidade e complexidade, Gadotti resume o seu carter nas seguintes palavras: Trata-se, na verdade, de uma desmercantilizao do processo econmico, programa bsico de construo de um novo socialismo hoje. Essa desmercantilizao no significa uma desmonetarizao ou o fim do mercado, mas sim a eliminao do lucro como categoria (p. 26). Esta formulao muito interessante, pois sendo a economia10

solidria formada por empreendimentos autogestionrios, portanto autnomos tanto em relao ao Estado como em relao ao capital, no h dvida de que eles s podem atuar em mercados. Por isso, a economia solidria realmente um novo socialismo, que nada tem em comum com o velho socialismo realmente existente que se baseava no planejamento centralizado da produo, distribuio e consumo pelo Estado, ao qual estavam subordinados todos os empreendimentos, que, por no terem autonomia alguma, jamais puderam ser autogestionrios. Gadotti tem razo ao propor a eliminao do lucro como categoria, pois o lucro o rendimento do capital, que se ope ao salrio, como rendimento do trabalho. Nos empreendimentos da economia solidria, a propriedade dos meios de produo coletiva, dela participando todos os que neles trabalham. Portanto, onde se pratica a economia solidria no h lucros e nem salrios. A receita da venda dos produtos pertence integralmente aos trabalhadores associados, que democraticamente decidem cada cabea tendo um voto como ela deve ser dividida entre investimentos e gastos de consumo dos trabalhadores e como esta ltima parte deve ser repartida entre os scios. O crescimento da economia solidria efetivamente elimina o lucro como categoria de uma parte cada vez maior das atividades econmicas. Mas nas empresas capitalistas que continuam em atividade o lucro11

continuar vigorando, da mesma forma que o salrio. lgico que se algum dia a economia solidria abranger a totalidade das atividades econmicas dum pas, o capitalismo ter desaparecido e com ele a categoria do lucro. Esta hiptese no provvel no mundo em que vivemos, o que no impede que toramos para que um dia todos os trabalhadores optem livremente pela economia solidria, mandando o capitalismo ao museu da histria. O que importa que o exerccio desta opo no seja imposto por coao poltica ou econmica. Enquanto houver trabalhadores que queiram ser assalariados e empresrios que queiram empreg-los, essencial que uns e outros possam se organizar de acordo com os seus desejos, pois disso depende a autenticidade da economia solidria. Convm recordar que um dos princpios basilares do cooperativismo (e da economia solidria) que, a qualquer momento, novos trabalhadores tenham o direito de se associar a empreendimentos solidrios e que associados a tais empreendimentos tenham o direito de deix-los, levando consigo sua parte do capital dos mesmos. A autogesto s vlida enquanto os trabalhadores participarem dela por sua prpria vontade. Se a participao em empreendimentos solidrios se tornasse obrigatria pela eliminao de todos os outros modos de produo de determinado pas, os trabalhadores no seriam mais os donos do seu destino, que ficaria sujeito vontade dos que teriam poder12

para autorizar e impedir o funcionamento dos diversos modos de produo. A economia solidria antes de tudo um processo contnuo de aprendizado de como praticar a ajuda mtua, a solidariedade e a igualdade de direitos no mbito dos empreendimentos e ao mesmo tempo fazer com que estes sejam capazes de melhorar a qualidade de seus produtos, as condies de trabalho, o nvel de ganho dos scios, a preservao e recuperao dos recursos naturais colocados sua disposio. O aprendizado se estende naturalmente tambm prtica de comrcio justo entre os empreendimentos e aos relacionamentos solidrios com fornecedores e consumidores, sem esquecer as prticas de participao na poltica e na cultura do pas, da regio e do mundo. Pode-se objetar que cada pessoa est sujeita a tal processo contnuo de aprendizado, desde que seja economicamente ativa, em qualquer um dos modos de produo. Mas esta objeo desconhece que a maioria dos que trabalham como assalariados de empreendimentos capitalistas quase no tem possibilidade de participar de decises sobre o rumo da empresa que o emprega. Portanto, o escopo do seu aprendizado tende a ser insignificante. O aprendizado contnuo que a vida na economia solidria proporciona amplo e combina as dif

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