Economias de Escala, Concorrência Imperfeita e Comércio ...· Os casos extremos de concorrência

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  • Roland Saldanha Pgina 1 05/05/2005

    EEccoonnoommiiaass ddee EEssccaallaa,, CCoonnccoorrrrnncciiaa IImmppeerrffeeiittaa ee CCoommrrcciioo IInntteerrnnaacciioonnaall

    KRUGMAN & OBSTFELD, CAP. 6; WTP, CAP. 8

    OBS.: ESTAS NOTAS DE AULA NO FORAM SUBMETIDAS A REVISO, TENDO COMO NICA FINALIDADE A ORIENTAO DA APRESENTAO EM CLASSE. COMENTRIOS SO BEM VINDOS E PODEM SER ENVIADOS A rsaldanha@actiomercatoria.com.br. REPRODUO SOB QUAISQUER MEIOS OU DISTRIBUIO PROIBIDA SEM AUTORIZAO PRVIA DO AUTOR.

  • Roland Saldanha Pgina 2 05/05/2005

    INTRODUO

    o A compreenso da lgica subjacente ao comrcio internacional moderno exige que se avaliem, alm das motivaes tecnolgicas e de dotaes/qualidade dos recursos em um ambiente concorrencial, as estruturas no concorrenciais de mercado.

    o Efetivamente, existem e so importantes internacionalmente as estruturas de mercado em que os agentes no so meros tomadores de preos. Nestes casos, utilizam-se os elementos tericos bsicos da Organizao Industrial e da Microeconomia para ajudar a compreender a realidade.

    o As economias de escala, internas e externas, tm papel fundamental para justificar as diferentes estruturas de mercado domsticas e internacionais. O estudo inicia pela discusso desse conceito, associando-o ao comportamento no competitivo.

    o A seguir, uma breve anlise da concorrncia monopolstica em seu impacto no comrcio internacional e, por fim, a discusso do conceito e lgica de dumping, a prtica de venda de bens e servios no exterior a preos inferiores aos observados na economia domstica.

    Economias de Escala

    o O conceito de economias de escala se refere a uma classificao para o tipo de comportamento dos custos com o qual se defronta uma empresa medida em que sua escala de produo varia.

    o As economias de escala podem ser medidas pela elasticidade Custo da Escala (quantidade) de Produo, definida como na frmula abaixo:

    1)(

  • Roland Saldanha Pgina 3 05/05/2005

    aumenta. Lembre-se que os custos mdios estaro caindo sempre que forem maiores que os custos marginais.

    o Aproveitando o ensejo, haveriam deseconomias de escala se Ec > 1, ou seja, se os custos mdios aumentassem medida em que a escala de produo tambm aumentasse.

    o Presume-se que o aumento nas quantidades utilizadas de insumos seja timo, quer dizer, que as empresas estejam sempre escolhendo seus insumos de forma a minimizar os custos para as diferentes escalas de produo (sempre na tangncia da isocusto mais baixa com a isoquanta que define uma escala de produo ou quantidade produzida).

    o As economias de escala podem ser de dois tipos:

    Internas: a reduo de custos medida em que a escala de produo aumenta depende apenas de aspectos internos firma (tecnologia);

    Quando existem economias de escala internas, uma empresa consegue reduzir seus custos (e ter produtos mais baratos/competitivos), com o aumento de sua escala produtiva. Assim, as economias de escala estimulam a especializao e concentrao na produo: em vez de produzir muitos produtos em escala menor, a produo de um nico produto, sob as economias de escala, implica uma alternativa mais interessante.

    Externas: a reduo de custos da firma decorre do aumento no tamanho da indstria (conjunto de firmas), normalmente associada reduo nos preos dos insumos quando h mais fornecedores.

    O crescimento da indstria pode implicar redues de custos para a firma por diversos motivos:

    Especializao dos fornecedores de insumos;

    Agrupamento da mo de obra;

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    Transbordamentos tecnolgicos.

    o As economias de escala internas costumam determinar estruturas de mercado com um ou poucos fabricantes, operando em escalas bastante grandes, j as economias externas costumam implicar indstrias grandes, no necessariamente compostas por empresas grandes. possvel, entretanto, que haja simultaneamente economias de escala internas e externas.

    o Outra fonte possvel de reduo de custos, que no se confunde com as economias de escala, so os retornos com o aprendizado (learning by doing). Tratam-se de ganhos de produtividade dinmicos, que dependem da experincia na produo, nmero de unidade produzidas historicamente, e no da escala de produo, nmero de unidade de produo possveis.

    o Os ganhos dinmicos so transitrios, mas podem explicar a proteo que alguns pases do a determinadas indstrias sob a justificativa de se tratar de uma indstria nascente. De fato, este tipo de proteo presta-se a permitir que a indstria acumule experincia na produo, de forma que possa participar do comrcio internacional, quando a proteo for eliminada, de forma mais competitiva.

    Concorrncia Imperfeita: Aspectos Bsicos

    o Uma estrutura de mercado dita de concorrncia imperfeita quando os agentes envolvidos no so tomadores de preos, ou seja, conseguem afetar os preos de mercado propositalmente com suas aes. Os casos extremos de concorrncia imperfeita costumam ser associados ao monoplio, em que existe um nico ofertante no mercado, e ao monopsnio, em que h um nico demandante. Vale notar que a quantidade de agentes envolvidos importante, mas no condio suficiente para que possam interferir nos preos de mercado. De fato, um monopolista diante de uma demanda perfeitamente preo-elstica no tem poder de mercado algum.

  • Roland Saldanha Pgina 5 05/05/2005

    o Pelo lado da oferta, entre a concorrncia perfeita e o monoplio encontram-se duas outras estruturas de mercados tpicas: a concorrncia monopolstica e os oligoplios. A tabela abaixo apresenta as principais caractersticas destas diferentes estruturas de mercado, lembrando que se tratam de estruturas ideais, tericas, deve-se esperar na realidade estruturas de mercado intermedirias:

    Estrutura Nmero de Ofertantes

    Caractersticas Bsicas

    Concorrncia Perfeita

    Muitos, atomizados

    Agentes tomadores de preos, produtos homogneos, ausncia de barreiras entrada/sada.

    Concorrncia Monopolstica

    Alguns, especializados

    Produtos diferenciados, no curto-prazo agem como monopolistas, no longo-prazo, agem como firmas concorrenciais. Barreiras entrada/sada baixas.

    Oligoplio poucos Produtos homogneos ou diferenciados, altas barreiras entrada/sada, problemas estratgicos entre os participantes.

    Monoplio um Produto nico, altas barreiras entrada.

    Monoplio - Reviso

    o O problema tpico do monopolista o de encontrar a quantidade tima a ser produzida (aquela que maximiza seus lucros), dados:

    As caractersticas da demanda em seu mercado (a curva de demanda); e,

    Os custos de produo.

  • Roland Saldanha Pgina 6 05/05/2005

    o Graficamente, o problema posto na figura abaixo. O monopolista enxerga uma curva de demanda de mercado e seus custos, se deseja maximizar os lucros precisa encontrar a quantidade produzida (ou ofertada) que faz com que suas receitas marginais se igualem aos custos marginais.

    o Para encontrar a produo compatvel com o lucro mximo, o monopolista precisa levar em considerao o seu poder sobre o preo de mercado. O preo recebido por unidade vendida (receita mdia) definido pela quantidade que o monopolista oferta no mercado: o preo definido na curva de demanda para aquela quantidade ofertada pelo monopolista. De forma mais geral, a receita total do monopolista dada por RT = PQ, mas o preo funo da prpria quantidade ofertada, ou seja, RT = P(Q) Q. Assim, a Receita Marginal do monopolista dada por:

    PdQdQQ

    dQdP

    dQdRTRMg

    PQRT

    +==

    =

    ou, multiplicando e dividindo o primeiro termo do lado direito por P:

  • Roland Saldanha Pgina 7 05/05/2005

    PPQ

    dQdPP

    dQdRTRMg 1+==

    recordando a definio da elasticidade preo da demanda:

    +=+=

    =

    DD

    D

    PQPQ

    PQ

    PPPRMg

    PQ

    dQdP

    111

    logo, ,1

    assim, para maximizar os lucros, o monopolista deve ofertar a quantidade que faz valer a igualdade RMg = CMg:

    CMgPRMgDPQ

    =

    +=

    11

    o Note que o poder de mercado do monopolista decorre da faculdade de cobrar preos superiores aos custos marginais. A elasticidade-

    preo da demanda, DPQ

    , situa-se entre 0 (bens cuja demanda completamente inelstica aos preos), e - (bens de demanda completamente preo-elstica). Assim, se a elasticidade preo da demanda tender a - , mesmo que o produtor seja o nico ofertante do mercado (monoplio), no ter poder de mercado, vale dizer, cobrar um preo igual a seus custos marginais, ou, no mximo,

  • Roland Saldanha Pgina 8 05/05/2005

    igual aos seus custos totais mdios (caso de economias de escala). J se a demanda for pouco preo-elstica, digamos, com uma elasticidade igual a 4, o preo que maximiza os lucros ser igual a 1,33 vezes os custos marginais. (cheque os clculos!).

    o Note, ainda, que a Receita Marginal estar sempre abaixo da curva de demanda, que representa a Receita Mdia. Isto pode ser

    entendido diretamente pela frmula acima, onde DPQ

    a elasticidade preo da demanda (negativa), ou graficamente, pois quando a Receita Mdia est caindo, a Receita Marginal precisa ser menor do que a mdia.

    o Krugman & Obstfeld trabalham com uma funo demanda de mercado linear, da forma

    bPaQD =

    mas, o Preo funo da quantidade ofertada, pelo que a equao da demanda poderia ser reescrita como:

    Qbb

    aP 1=

    como a Receita Total produto entre preo e quantidade, multiplicando a expresso para P por Q:

    21Qb

    QbaPQRT ==

    de forma que, a receita marginal, para esta curva de demanda especfica dada por:

    Qb

    PQbb

    aQRT 112 ==

    o A firma maximiza os lucros quando RMg = CMg. De fato, o monopolista escolher a