Edição nº 260

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Edio n 260 do Jornal Universitrio de Coimbra - A CABRA

Text of Edição nº 260

  • 30 de abril de 2013 aNO XXii N. 260 QUiNZeNal GraTUiTOdireTOra aNa dUarTe ediTOra-eXeCUTiVa aNa mOrais

    jOrNal UNiVersiTriO de COimbraacabra

    @Mais informaes em acabra.net

    Segunda-moCoimbra adere ao conceito da compra e venda de usadosPg. 11

    Pg. 4

    Pg. 9

    O controlo de gesto requerido pela Universidade de Coimbra Agncia de Acreditao e Avaliao do Ensi-no Superior (A3ES) faz um ano de incio do processo. Algumas unida-des orgnicas e ciclos de estudo em questo j foram auditados e con-siderados acreditados pela A3ES. No entanto, o desconhecimento dos estudantes em relao ao sistema ainda significativo. E persistem problemas no que diz respeito car-ga horria e nmero insuficiente de docentes em alguns cursos. O segun-do grupo de cursos a ser avaliado s ter resultados no fim deste ano.

    Formao na UC mantm padres

    a3eS

    A Associao Acadmica de Coimbra (AAC) esteve presen-te na fase final dos Campeona-tos Nacionais Universitrios (CNUs), que decorreu entre 17 e 25 de abril, no distrito de Cas-telo Branco. As equipas da AAC obtiveram quatro medalhas de ouro, quatro de prata e uma de bronze. Os CNUs ficaram ainda marcados pela aco de protesto da equipa feminina de futsal da AAC.

    AAC regressa medalhada

    CnuS 2013

    Coimbra: Comemoraes 25 abril 49 entidades unem-se para celebrar a revoluo de abril com vrios eventos que se estendem at ao dia 3 de maioPg.12 e 13

    eduardo meloNeste momento a preocupao fundamental prende-se com o financiamento do ensino superiorPg. 5

    aNCios do tempoum projeto nascido nos olivais pretende uma maior ateno a esta faixa etria. testemunhos envelhecidos que se que-rem libertar da solidoPg. 2 e 3

    DANIEL ALVES DA SILVA DANIEL ALVES DA SILVA

    DANIEL ALVES DA SILVA

  • 2 | a cabra | 30 de abril de 2013 | tera-feira

    destaqueANA morAIS

    Ocupar um tempo que falta e o outro que sobra aos mais velhos

    SenSibilizao/Sinalizao de idoSoS

    Bancos de jardim esbatidos pelo tempo. O sol de pri-mavera, num abril que co-mea quente. Pombos irritantes e irrequietos. E uma praa vazia de movimento. A preench-la, alguns corpos gastos que se contam pe-los dedos. Presenas fortes e com muito para partilhar, afinal s querem falar. E ns demos-lhes tempo e voz. Idosos, velhos, velhi-nhos, seniores. No fundo, ancios de memrias e rostos envelhecidos pela vida. Apesar da imagem ser um lugar-comum, isso no lhe re-tira a intensidade e multiplicidade que tem. E verdica, um retrato de uma tarde de abril na Praa em frente Igreja de Santo Antnio dos Olivais.

    Isto tambm me ajudou a pas-sar o tempo. Este foi o sentimento geral de todos com quem falmos. Entre as respostas s questes do guio, escapam-se as vidas dos fi-lhos encaminhados, os anos fora do pas, os rduos tempos de tra-

    balho, os estudos dos descenden-tes, a vida do professor de ginsti-ca, e as crticas ao sistema poltico. Minutos que no so desperdcio, mas sim acrscimo mtuo. A eles ajuda-lhes a passar o tempo; para ns, so inspirao de sobrevivn-cia num futuro cada vez mais ne-buloso.

    Arrefeceu a cor dos teus cabelos/O tempo tudo apaga e des-figura.... J Miguel Torga escre-via sobre os guardies do tempo, no poema Vnus Envelhecida. E aos guardies, com novos con-tornos no rosto e novos tons nos cabelos, a quem a vida escasseia. O tempo, preciosidade que simul-taneamente lhes falta e sobra. preciso algo que os encha, ajudan-do a preencher os dias vagos que restam.

    Rede de parceirosNos Censos de 2011, segundo o portal estatstico PORDATA, 22 por cento da populao da Zona

    Centro tem mais de 65 anos. Retra-to que se repete ao longo do pas, numa populao cada vez mais en-velhecida. Contudo, na freguesia de Santo Antnio dos Olivais, mais do que se conhecer os nmeros de idosos residentes, quer-se um acompanhamento dos seus pro-blemas. Fazer estatstica muito vulgar, outra coisa ter conscin-cia dos problemas das pessoas, contesta o presidente da Junta de Freguesia de Santo Antnio dos Olivais - uma das maiores do pas - Francisco Andrade, para introdu-zir o recente projeto Sensibiliza-o/Sinalizao de idosos. O mote mais do que atentar aos nmeros, perceber a dinmica e a rotina dos mais velhos e se houver problemas, reencaminh-los.

    revoltante, enquanto junta de freguesia, no temos capacidade financeira para responder a todas as situaes que nos surgem, ad-mite Francisco Andrade. Para tal, houve a necessidade de criar uma

    rede que conta com mais de uma dezena de instituies, com vis-ta a encaminhar cada situao. E como desde cedo o interesse por dar mais ateno aos seniores se notou, o projeto foi evoluindo. A assistente social da Junta de Fre-guesia, Catarina Simes, explica que com o atendimento dirio fei-to nos Olivais se aperceberam das necessidades dos mais velhos. H muitas pessoas que vm apenas para falar, para quebrar a solido, conta.

    Como a junta de freguesia rece-be estagirias em Ao Social, do Instituto Superior Miguel Torga, juntou-se o til ao agradvel. Ini-cialmente, com a fase choque, como apelida Francisco Andrade, as estagirias sempre acompanha-das pela Polcia de Segurana P-blica percorrem as vrias zonas da freguesia com o intuito de sinalizar os casos mais prementes, atravs de um simples questionrios sobre os hbitos e rotinas.

    Este projeto no morre aquiSomos uma freguesia maior que muitas cmaras juntas, alerta Francisco Andrade para justificar que este ser um processo con-tnuo. No interessa dizer que acaba daqui a um ou dois meses, pois o que interessa encami-nhar as situaes para as devidas instituies e encontrar resposta para cada uma delas. Queremos que este projeto no morra aqui, admite a assistente social, ao subli-nhar a filosofia de favores em ca-deia e do encaminhamento para os vrios parceiros. Neste sentido, o presidente da freguesia avana j com algumas conquistas: j re-solvemos casos de internamento, j temos muita gente sinalizada, e at j temos pessoas que nos ligam a dar conta de situaes que pode-mos acompanhar.

    Contudo, nem sempre fcil chegar a casa das pessoas e ter-se a maior das simpatias. Como explica

    Numa populao cada vez mais envelhecida, os rostos carregados e as vidas maduras so frequentes. muitas vezes, alheios rotina inquieta dos demais, esperam que o tempo passe e algo os ocupe. a fazer esse trabalho est a Junta de Freguesia de santo antnio dos olivais, ao lanar um projeto destinada a esta faixa etria. por ana morais

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    destaque

    ANA morAIS

    ANA morAIS

    ANA morAIS

    Catarina Simes, h situaes em que os idosos no querem receber ajuda e a h que respeitar a liber-dade de cada um, observa, acres-centando que mesmo nessas situa-es fica sempre um contacto para se houver uma alterao serem os prprios a contactar a junta. Para Francisco Andrade, o truque para a confiana das pessoas neste pro-jeto o sigilo e respeito, pois s assim que as pessoas acreditam em ns.

    Exemplos j a dar frutosAs pessoas e as entidades podem contar com a nossa colaborao a 100 por cento, conta o elemento de uma das entidades parceiras, a instituio A, B, C e D de So Romo, Maria de Ftima Pires. Ainda assim, Maria de Ftima Pi-res perentria ao referir que no interessa s sinalizar, interessa tambm depois atuar. Como ins-tituio da zona e habituado ao contacto dirio com os seniores, proporcionar melhor qualidade de vida aos idosos intrnseco.

    Do lado do Centro de Acolhi-mento Joo Paulo II, outra das instituies parceiras, chegam-nos j exemplos desse carinho pelos ancios. Lado a lado e Presen-a amiga so dois projetos que permitem combater a solido. Em parceria com a Associao Acad-mica de Coimbra, Lado a lado conta j com seis idosos e seis estu-dantes lado a lado. Segundo Teresa Sousa, nunca houve tantos. Com os mesmos objetivos, mas noutros moldes, Presena amiga funciona em regime de voluntariado de re-as como enfermagem, cabeleireiro, esttica, fisioterapia, entre outros. Como explica Teresa Sousa, so pessoas que se disponibilizam a ir a casa dos mais velhos e ajud-los.

    Desabafos envelhecidosCom turmas de Chi Kung, Yoga, Ginstica e Hidro-ginstica para os seniores, a junta de freguesia v-se obrigada a ter candidatos em lista de espera. Maria Edite Marinheiro, de 76 anos, frequenta as aulas de ginstica. E, enquanto espera pela hora, conta-nos que uma dis-trao muito grande, o convvio umas com as outras. A recuperar de uma depresso, enaltece o tra-balho da junta por lhe proporcio-nar esta ocupao do tempo. J Isabel Maria, de 64 anos, no fre-quenta nenhuma atividade promo-vida pela junta, apesar de no lhes poupar elogios. Ainda assim, no dispensa um passeio at ao largo da Igreja para contrariar a solido que sente depois de ficar viva. Venho sempre aqui, conheo toda a gente e toda a gente me conhece, conta.

    Dentro da freguesia, o Centro Norton de Matos (CNM), onde mais se encontram as mos cale-jadas e os rostos maduros. Na sala de jogos, os sons das damas a bater no tabuleiro e das peas do domi-n a serem baralhadas so recor-rentes. Interrompendo a partida, Antnio Soares, de 70 anos, conta que passa alguns meses para os lados da Guarda, com familiares

    no campo. J por c, habituou-se a ir todos os dias at CNM para os jogos com os companheiros. Ainda assim, reconhece: neste momento no tenho problemas com a ocu-pao do tempo, porque acabo por estar ativo. Do lado do bar, Maria de Lurdes Pereira, de 67 anos, es-pera pelo marido, que joga com os parceiros. Tambm a recuperar de uma depresso, ganha um sorriso quando conta que passa os tempos livres com a neta. J frequentou algumas atividades promovidas pelo CNM e agora espera voltar a ganhar aquele nimo para poder retomar.

    Depois de uma caminhada, Lou-reno Fernandes, de 75 anos, re-pousa num dos bancos porta do CNM, antes de l passar para ir ler o jornal. O meu tempo este, vou at ao centro jogar umas cartas, dou umas voltas a p e sento-me aqu