EDMUND HUSSERL FILOSOFIA DA LINGUAGEM E EPISTEMOLOGIA FILOSOFIA DA LINGUAGEM E EPISTEMOLOGIA Resumo baseado em Edmund Husserl, V. Vellarde-Mayol, W. Künne

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    17-Apr-2015

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<ul><li> Slide 1 </li> <li> EDMUND HUSSERL FILOSOFIA DA LINGUAGEM E EPISTEMOLOGIA FILOSOFIA DA LINGUAGEM E EPISTEMOLOGIA Resumo baseado em Edmund Husserl, V. Vellarde-Mayol, W. Knne e, especialmente, em Wolfgang Stegmueller: Correntes Fundamentais da Filosofia Contermpornea, vol. 1 </li> <li> Slide 2 </li> <li> 1.DISTINES ONTOLGICAS </li> <li> Slide 3 </li> <li> Para comear, vejamos as respostas possveis ao problema dos universais (class. W. Stegmller) : 1)REALISMO DOS UNIVERSAIS a)Universalia ante res: Alm do mundo espaciotemporal existe um mundo dos seres ideais, a segunda esfera do ser (realismo platnico) Alm do mundo espaciotemporal existe um mundo dos seres ideais, a segunda esfera do ser (realismo platnico) b) Universalia in rebus: As idias existem, mas seu modo de ser no independente do real; elas se expressam nos seres reais concretos (realismo aristotlico) As idias existem, mas seu modo de ser no independente do real; elas se expressam nos seres reais concretos (realismo aristotlico) </li> <li> Slide 4 </li> <li> 2. CONCEITUALISMO: a)Coisas universais no pensamento: No mundo real s existem indivduos. No mundo real s existem indivduos. Mas dispomos de nomes de universais como tringulo, rvore. Mas dispomos de nomes de universais como tringulo, rvore. Para tal precisamos abstrair dos muitos objetos caractersticas universais, com algum esforo formando conceitos como o de tringulo universal, que no nem retngulo, nem escaleno, nem equiltero... Para tal precisamos abstrair dos muitos objetos caractersticas universais, com algum esforo formando conceitos como o de tringulo universal, que no nem retngulo, nem escaleno, nem equiltero... Mas que tudo isso e nada disso ao mesmo tempo (Locke). Mas que tudo isso e nada disso ao mesmo tempo (Locke). </li> <li> Slide 5 </li> <li> b) Conceitos abstratos Ao lado dos particulares tambm podemos significar universais, sendo que essa significao no deve ser reduzida abstrao de caractersticas singulares, como pensava Locke, sendo uma forma essencialmente nova de enfoque mental (Husserl). Para Husserl a sua existncia garantida pela evidncia. 3) POSIES ENTRE CONCEITUALISMO E NOMINALISMO: Formamos conceitos universais pelo pensamento de coisas singulares e concretas de forma mais ou menos indeterminada. Mas os nomes que se referem a abstratos no so conceitos, mas puras fices (Brentano) </li> <li> Slide 6 </li> <li> 4. NOMINALISMO (No existe nenhum conceito universal, apenas palavras universalmente empregadas, que simulam a existncia de conceitos universais, quando na verdade dispomos apenas de representaes singulares.) (No existe nenhum conceito universal, apenas palavras universalmente empregadas, que simulam a existncia de conceitos universais, quando na verdade dispomos apenas de representaes singulares.) a)A significao universal como ao da ateno: Pela ao da ateno destacamos de um objeto uma caracterstica, por exemplo, o vermelho e a ligamos a uma palavra. Pela associao assim adquirida empregamos o mesmo signo em toda a parte onde surgir a mesma caracterstica do objeto, dando assim palavra significao universal (Mill). Pela ao da ateno destacamos de um objeto uma caracterstica, por exemplo, o vermelho e a ligamos a uma palavra. Pela associao assim adquirida empregamos o mesmo signo em toda a parte onde surgir a mesma caracterstica do objeto, dando assim palavra significao universal (Mill). </li> <li> Slide 7 </li> <li> b) A universalidade como funo representativa de uma nica representao singular. Uma representao singular pode representar todas as outras da mesma espcie. Ex.: para provar um teorema um gemetra emprega um tringulo singular desenhado no quadro. A demonstrao universal porque esse tringulo singular representa todos os outros. A demonstrao universal porque esse tringulo singular representa todos os outros. A universalidade no est, pois, em um conceito prprio, mas na relao do singular com a soma das singularidades iguais (Berkeley) </li> <li> Slide 8 </li> <li> c) A universalidade como classe de semelhanas Nem numa coisa individual existem caractersticas (cor, forma etc). Na representao de uma coisa determinada entram na conscincia outras coisas semelhantes, e a coisa representada incorpora-se a determinadas classes de semelhanas, sendo que apenas essas classes existem propriamente. Devido incorporao de uma representao individual em tais classes de semelhana, esta pode valer como representante universal (Hume). </li> <li> Slide 9 </li> <li> Husserl rejeita tudo o que ou se aproxima do nominalismo: Eles cometem o erro metodolgico de no comear com a anlise descritiva do fenmeno, mas com a abstrao. Se digo Quatro um nmero par julgo sobre a espcie universal 4 e no sobre esse ou aquele quatro... E a verdade evidente de que par prova a existncia do universal quatro. Locke no viu que a idia universal de tringulo, a triangularidade, que possuida por cada tringulo, no ela prpria a idia de um tringulo. Mesmo que pensado de forma indeterminada, o singular permanece singular, e a caracterstica singular destacada atravs da ateno, permanece singular... A semelhana demanda explicao e a igualdade sempre igualdade de espcie, de modo que a cobra nominalista morde o seu prprio rabo. ----- Logo existem conceitos universais! </li> <li> Slide 10 </li> <li> 2. FENOMENOLOGIA DA CONSCINCIA </li> <li> Slide 11 </li> <li> significativos indicativos EXPRESSES so signos significativos, que diferem de signos meramente indicativos (ex: ossadas fsseis so signos indicadores de animais antediluvianos). complexos fonticos articulados significativos No discurso os complexos fonticos articulados tornam-se significativos atravs de ATOS que lhe do sentido, tornando-os EXPRESSO que exprimem a INTENO. correlativosum signo sensvel s se torna expresso atravs de ATOS DOADORES DE SENTIDO. Assim, EXPRESSO E SIGNIFICAO so conceitos correlativos, pois um signo sensvel s se torna expresso atravs de ATOS DOADORES DE SENTIDO. </li> <li> Slide 12 </li> <li> DISTINO IMPORTANTE: 1) H primeiro os ATOS OU INTENES DE SIGNIFICAO, que so essenciais expresso. (Bedeutungsintentionen) 2) Depois vem atos inessenciais expresso, mas que tem a funo de PREENCHER A INTENO DE SIGNIFICAO COM UM CONTEDO CONCRETO maior ou menor: as IMPLEIES DE SIGNIFICAO as IMPLEIES DE SIGNIFICAO ATOS PREENCHEDORES DE SIGNIFICADO. (bedeutungserfhlenden Akten) contemplao isado pela inteno de significao que aparece na expresso. Com esse ltimo ato samos da contemplao da representao para dirigirmos nosso interesse ao objeto que visado pela inteno de significao que aparece na expresso. </li> <li> Slide 13 </li> <li> A SIGNIFICAO permanece a mesma intemporalmente, independentemente do contexto no qual pronunciada: IDEAL-ATEMPORAL, A SIGNIFICAO permanece a mesma intemporalmente, independentemente do contexto no qual pronunciada: IDEAL-ATEMPORAL, Ex: Napoleo foi vencido em Waterloo. Mas... O OBJETO precisa ser diferenciado da SIGNIFICAO, Mas... O OBJETO precisa ser diferenciado da SIGNIFICAO, e a EXPRESSO SEMPRE DIRECIONADA A UM OBJETO. e a EXPRESSO SEMPRE DIRECIONADA A UM OBJETO. A diferena entre sentido ou significado e objeto manifesta- se principalmente em nomes que tem sentido- significado diferente, mas se referem a um mesmo objeto, como por exemplo tringulo equiltero x tringulo equingulo. tringulo equiltero x tringulo equingulo. </li> <li> Slide 14 </li> <li> o termo CONTEDO triplamente equvoco pois pode exprimir: 1) O SENTIDO VISADO (a INTENO DE SIGNIFICAO, Bedeutungsintention) 2) O SENTIDO de PREENCHIMENTO (a IMPLEIO DA SIGNIFICAO) (Bedeutungserfhlung) 3) O OBJETO VISADO </li> <li> Slide 15 </li> <li> Husserl distingue trs sentidos de conscincia: 1)CONSCINCIA TOTAL: Entrelaamento das vivncias psquicas empiricamente verificveis no fluxo das vivncias. 2)PERCEPO INTERNA das prprias experincias (autoconscincia). atos psquicos ou vivncias intencionais. 3)CONSCINCIA DE ALGO: A designao que resume todos os atos psquicos ou vivncias intencionais. ltimo nesse ltimo sentido que Husserl fala de conscincia: A essncia da INTENO que com ela um OBJETO INTENCIONADO/VISADO sem se encontrar ele prprio na conscincia......................................................................... O que importa o ATO INTENCIONAL, a VIVNCIA DO SIGNIFICAR. O OBJETO INTENCIONAL transcende essa vivncia e pode faltar sem que ela se altere! O OBJETO INTENCIONAL transcende essa vivncia e pode faltar sem que ela se altere! </li> <li> Slide 16 </li> <li> sensaes Distingue-se de Brentano ao admitir que sensaes reais so apreendidas por atos intencionais dirigidos ao objeto e animadas pelo objeto. representaointencional apreensointerpretaoapercepo Assim, a mesma coisa que, em relao a um objeto, forma uma representao intencional, em relao sensao uma apreenso, interpretao ou apercepo objetiva. As sensaes so VIVIDAS, mas no aparecem objetivamente, elas NO SO PERCEBIDAS. sensao Ex: se vejo um lpis vermelho, no vejo a sensao de vermelho que tenho, mas a cor vermelha externa. </li> <li> Slide 17 </li> <li> VIVNCIAS INTENCIONAIS Nas VIVNCIAS INTENCIONAIS (que de muitas maneiras esto unidas entre si em atos totais) podemos distinguir como aspectos abstratos, em oposio ao OBJETO INTENCIONAL, trs coisas: MATRIA a MATRIA INTENCIONAL, QUALIDADE a QUALIDADE INTENCIONAL e a ESSNCIA INTENCIONAL ESSNCIA INTENCIONAL. X OBJETO INTENCIONAL </li> <li> Slide 18 </li> <li> 1)A MATRIA INTENCIONAL no significa o objeto QUE intencionado, mas o objeto COMO intencionado. significao sentido As diferenas de matria com mesmo objeto intencional produzem diferenas de significao ou sentido como: tringulo equingulo e tringulo equiltero. Como a matria do ato uma relao com o objeto Husserl tambm a chama de SENTIDO DE APREENSO do objeto! </li> <li> Slide 19 </li> <li> 2) As diferenas das espcies de atos do origem a diferenas de QUALIDADE INTENCIONAL Que caracterizam um ato como sendo de REPRESENTAO, JUIZO, SENSAO... A matria pode alterar-se mantendo a mesma qualidade (ex: juzos de diferentes contedos) e a qualidade pode alterar-se mantendo a mesma matria (ex: inteno representativa, judicativa, volitiva com relao a um mesmo objeto). ESSNCIA INTENCIONAL A MATRIA + QUALIDADE do ato = ESSNCIA INTENCIONAL A essncia significativa a essncia intencional do ato que pode conferir significado expresso. </li> <li> Slide 20 </li> <li> Atos podem dirigir-se ao objeto de modo UNIRRADIAL, que ocorre no caso de simples percepes ou representaes, ex. o nome prprio Juan que simplesmente aponta para o objeto ou predicaes PLURIRRADIAL (sinttico), que ocorre no caso de predicaes. Atos plurirradiais podem ser transformados em atos unirradiais </li> <li> Slide 21 </li> <li> Atos sintticos podem ser modificados em unirradiais: sinttico Ex. ato sinttico: Juan est passando, pois vrias representaes so colocadas em relao entre si, deixando de lado a qualidade do juzo, Mas se digo Juan, que est passando, vem direto da praia, a expresso Juan, que est passando, um simples NOME, cujo entendimento no se realiza em uma conscincia sinttica, mas em um ato intencional simples do sujeito. No ltimo caso temos proposies que funcionam como NOMES DE ESTADOS DE COISAS (atos nominais, unirradiais), enquanto no primeiro elas so ENUNCIADOS SOBRE ESTADOS DE COISAS (atos proposicionais, sintticos). </li> <li> Slide 22 </li> <li> matria Como a qualidade permanece a mesma, a mudana apenas na matria.......................................................................... qualidadevariar Mas a prpria qualidade tambm pode variar: NEUTRALIZADA suspenso Se digo Juan, que est passando..., Juan entendido como EXISTENTE (crena no SER, afirmao de SER). Mas essa crena pode ser NEUTRALIZADA (suprimida) em atos nos quais o ser representado permanece em suspenso, deixa de ser acreditado como real: Imagine que Juan esteja passando. Husserl chama tudo isso usando o conceito genrico de ATOS OBJETIVANTES... </li> <li> Slide 23 </li> <li> 2. FENOMENOLOGIA DO CONHECIMENTO </li> <li> Slide 24 </li> <li> palavras entende Os mais diversos atos podem ser expressos em palavras, ex: Eu desejo que..., Maria est passando na rua... e o ouvinte entende sem sequer olhar para a rua... O que torna a expresso INTELIGVEL a: INTENO DE SIGNIFICAO prpria percepo confere PREENCHIMENTO COMPLETO Contudo s a prpria percepo confere PREENCHIMENTO COMPLETO ao ato: Aqui o ato que apenas conferesignificao, o ato puramente significativo, i.e. A PURA INTENO DE SIGNIFICAO FUNDE-SE com a INTENO QUE PREENCHE O SENTIDO em uma UNIDADE ESTTICA DE... COINCIDNCIA ! Aqui o ato que apenas confere, significao, o ato puramente significativo, i.e. A PURA INTENO DE SIGNIFICAO FUNDE-SE com a INTENO QUE PREENCHE O SENTIDO em uma UNIDADE ESTTICA DE... COINCIDNCIA ! </li> <li> Slide 25 </li> <li> DINAMICAMENTE Mas esse PREENCHIMENTO tambm pode se realizar DINAMICAMENTE: INTENO simblica INTUIO Quando a uma INTENO que no incio funciona de maneira puramente simblica se junta mais tarde uma INTUIO CORRESPONDENTE: Aqui a inteno originariamente vazia alcana a sua meta. VIVNCIA DO PREENCHIMENTO, do lado do ato, corresponde VIVNCIA DA IDENTIDADE do lado do objeto, ou seja, a conscincia de que o objeto pensado e o objeto intudo so idnticos. Aqui a VIVNCIA DO PREENCHIMENTO, do lado do ato, corresponde VIVNCIA DA IDENTIDADE do lado do objeto, ou seja, a conscincia de que o objeto pensado e o objeto intudo so idnticos. IDENTIDADEpensadointuido A IDENTIDADE objeto pensado = objeto intuido objetivo portanto o algo objetivo que se manifesta no ATO DO PREENCHIMENTO. </li> <li> Slide 26 </li> <li> vazias intenes totais. Como assim? Percepes e intenes vazias, assim como imaginaes que se aproximam do intuitivo (imagens de representao) enquanto intenes parciais podem unir-se em intenes totais. Como assim? Ex: Se vejo um objeto colorido diante de mim, a sua face dianteira me dada concretamente, certas faces de modo imaginativo, outras de modo puramente signitivo. Mas se viro o objeto, as intenes imaginativas e signitivas se transformam em intuies, enquanto o que era dado de modo intuitivo transforma-se no intencionado no- intuitivo. equilbrio O ganho e a perda da intuio se mantm em equilbrio. </li> <li> Slide 27 </li> <li> CONFLITO conflito entre inteno de significao e preenchimento. A contrapartida do PREENCHIMENTO o CONFLITO: conflito entre inteno de significao e preenchimento. (O conflito total impossvel, pois nesse caso seriam intencionados dois objetos distintos). decepocoincidnciaparciais Assim, o que existe decepo + coincidncia parciais. Assim, se digo Alfafa azul e posteriormente se evidencia que Alfafa vermelho, embora haja conflito, no h conflito quanto ao objeto Alfafa, com respeito ao qual coincidem inteno e intuio. inteno e preenchimento A diferena entre inteno e preenchimento de significao diz respeito s MATRIA, no qualidade do ato. O ato de preenchimento leva a inteno para perto da coisa, mas no muda a matria do ato. </li> <li> Slide 28 </li> <li> Com base nisso Husserl distingue 4 conceitos de verdade: 1)O conceito de verdad...</li></ul>