Educação a distância, o papel do educador na relação ...· A relação professor-aluno tem ocupado,

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Educao a distncia, o papel do educador na relaoEducao a distncia, o papel do educador na relaoEducao a distncia, o papel do educador na relaoEducao a distncia, o papel do educador na relaoEducao a distncia, o papel do educador na relaoprofessor-alunoprofessor-alunoprofessor-alunoprofessor-alunoprofessor-aluno

Wanderlucy A. Alves Corra CzeszakWanderlucy A. Alves Corra CzeszakWanderlucy A. Alves Corra CzeszakWanderlucy A. Alves Corra CzeszakWanderlucy A. Alves Corra CzeszakUniversidade Anhembi MorumbiUniversidade Anhembi MorumbiUniversidade Anhembi MorumbiUniversidade Anhembi MorumbiUniversidade Anhembi MorumbiBrasil

A relao professor-aluno tem ocupado, j h algum tempo, posio de grande impor-tncia para os estudiosos em educao. Ela um dos pontos mais relevantes quandoso apontadas questes que determinam o bom aproveitamento do aluno.

Em minha dissertao de mestrado, cujo tema a relao professor-aluno em salade aula (Czeszak, 1997), uma das principais concluses s quais cheguei foi da impor-tncia decisiva da empatia entre professor e aluno para que os resultados sejam al-canados. Paixo, prazer, entrega so, portanto, elementos fundamentais para que oprocesso ensino-aprendizado seja bem-sucedido, tornando, por vezes, a tarefa rdua,por conta da atmosfera vaga e intuitiva que envolve tais elementos.

Minha preocupao com a relao professor-aluno transferiu-se para os cursos on-line em decorrncia de meu contato com a Educao a Distncia, que teve incio em1998, na universidade onde trabalho, como professora de Comunicao e Expressotanto em turmas presenciais como em turmas on-line.

Tudo comeou com o convite de uma colega, que me props elaborarmos o mate-rial para o curso de Comunicao e Expresso on-line. Foi muito mais trabalhoso do queimaginvamos! A necessidade de pesquisa, de leitura de artigos de revistas e busca debibliografia a respeito de Educao a Distncia logo se fizeram evidentes. Logo no inciodo trabalho, demo-nos conta de que no bastaria simplesmente passar para o computa-dor nossas aulas presenciais.

E muitas outras dvidas viriam com a implantao do nosso curso on-line.Muitas perguntas surgiram. Para mim, sobretudo aquelas que envolviam meu objeto

de estudo do mestrado a relao professor-aluno -: possvel que o professor manten-ha proximidade com o aluno, em se tratando de um curso de educao a distncia? Quala importncia desse contato virtual entre professor e aluno? O que h em comum e emque difere os contatos virtual e presencial entre professor e aluno?

Alm disso, existe um fantasma que ronda os professores quando o assunto educao a distncia: o medo de perder a importncia dentro do cenrio do ensino-

aprendizagem. Afinal, qual deve ser o papel do professor em um ambiente de ensino-aprendizagem virtual? Um mero autor de contedos? Embora pesquisas venham mos-trando que o docente continua insubstituvel, muitas vezes o desconhecimento ou a falta defamiliaridade do professor frente tecnologia da informtica mantm vivos os temores.

Para falarmos sobre o papel do professor no ensino virtual, antes de mais nada, preciso que esbocemos uma definio de tutor e professor no contexto da Educao aDistncia. A literatura, exceto em um ou outro aspecto particularizante, define tutor eprofessor de forma objetiva, como aponta Maggio (2001): o professor o autor docontedo, o chamado conteudista, enquanto o tutor aquele que acompanha os alunosno seu dia-a-dia de sala de aula virtual. claro que o professor pode tambm desempen-har o papel de tutor (como no meu caso). Vem dessa definio inicial, de desempenhode funes, o medo de muitos professores: acredita-se que a expanso do ensino adistncia gerar demisso em massa de professores, j que, havendo um conteudistacompetente, qualquer tcnico pode desempenhar o papel de tutor. Isto uma grandeinverdade (Maggio, 2001). O tutor precisa ter a mesma competncia profissional de umconteudista, ou seja, ambos tm que ter domnio completo do contedo para que oacompanhamento do aluno seja consistente e bem pautado. Esta uma questo quedeve ser defendida a todo custo: a substituio do professor por um tcnico que checasseatividades de correo automtica levaria a educao a uma pasteurizao inadmissvel.

Alm disso, a sala de aula virtual no difere tanto da sala de aula presencial, comoafirma Simonson (2000) na medida em que o professor faz uso da literatura j existentepara ministrar suas aulas. A mediatizao feita pelos recursos cada vez mais modernos dainformtica assusta, mas a educaco a distncia apenas requer mais disciplina, atitudesmais bem delimitadas, previstas, organizadas. Em ambas as modalidades de ensino, a atuaode um educador experiente, conhecedor da matria, imprescindvel. Dessa forma, a pro-blemtica envolvida nesta questo a falta de critrios bem definidos que possibilitemmaior auto-confiana ao professor, para que ele desempenhe sua funo virtualmente, po-rm, calcado em princpios bsicos do ensino presencial com os quais ele lida to bem.

Com o advento do ensino on-line no universo da Educao a Distncia, o professorpassou a ser focalizado de forma mais atuante, j que a Internet possibilita uma inte-rao maior.

No entanto, trabalhos desenvolvidos desde o incio da dcada de 90, no Brasil,focalizam, sobretudo, o temor causado pela possibilidade de substituio do professorpelo computador. Guazelli (1991), em sua dissertao de Mestrado, muito oportuna-mente, preocupa-se com a diminuio de salrios e a explorao do docente, comoconseqncia da implementao do ensino on-line em larga escala. Aquino (1995), em

sua tese de Doutorado, faz uma leitura das representaes institucionais acerca dasrelaes instituidas/instituintes entre agente e clientela escolares e dos efeitos imagi-nrios na relao professor-aluno, levando-nos a uma reflexo enriquecedora a respeitodo que h de novo e do que se reproduz da relao presencial nesta relao virtual.

Garcia (2000), em um artigo, preocupa-se com o papel do e-teacher no contextoda educao on-line, apresentando ao professor as ferramentas disponveis em um cur-so on-line e orientando-o sobre como utiliz-las, procurando deixar claro que os compu-tadores dependem das pessoas.

Maggio (2001) nos revela que a preocupao com o papel do docente, bem comocom a sua possvel explorao tambm preocupa o educador argentino, sobretudo noque diz respeito a questes envolvendo a perda de liberdade por parte do docente noensino virtual: conectado (o tutor) de modo permanente com os alunos, o professorpassa a ser controlado de forma excessiva pelo sistema.

Alguns trabalhos importantes que tive oportunidade de conhecer at o presentemomento, envolvendo os vrios aspectos da relao professor-aluno na Educao aDistncia e o papel do professor, sugerem que muita contribuio precisa ser dada nosentido de criarmos mecanismos que possibilitem ao educador inserir-se neste novocontexto, sem sentir-se lesado pela instituio, tragado pelo sistema e perdido, enquan-to pea obsoleta e descartvel no processo virtual de ensino-aprendizagem.

A Educao a Distncia est a e ela veio para ficar. Ela interessante para asinstituies, como forma de diminuir os custos; ela interessante para o aluno, enquan-to modalidade que lhe possibilita maior liberdade de administrao do seu tempo e dimi-nuio de custos. preciso que o professor se situe de forma definida e organizadadentro desse contexto e tambm encontre maneiras de encaixar-se de forma a benefi-ciar-se com a Educao a Distncia.

Para tanto, preciso que desenvolvamos critrios que assegurem ao docente odesempenho de sua funo, de maneira satisfatria, gratificante e motivadora, atenuan-do ou contornando os prejuzos sofridos por este, gerados pela situao nova que se lheapresenta e que tm sido apontados por pesquisadores.

A boa atuao do educador enquanto professor a distncia est atrelada a umtreinamento adequado, que tenha como base, sobretudo, questes de ordem interacio-nal e psicopedaggica, e no meramente tcnica, como vem acontecendo.

A formulao de orientaes, bem como o treinamento de pessoal especializadoque subsidie o docente em sua atuao como professor a distncia, enfatizando ques-tes de ordem psicolgica e focalizando a relao professor-aluno, fazem-se necess-

rias. Tais orientaes podero dar origem ao desenvolvimento de um material pedaggi-co, como base de um curso presencial e/ou on-line - incluindo aulas expositivas efornecimento de material impresso, com o qual o professor poder contar para que eleadquira conhecimento o bastante para se sentir seguro e desempenhar de forma satis-fatria seu papel como professor de Educao a Distncia.

Tomando como base os estudos desenvolvidos por Simonson (2000) a respeito deEducao a Distncia, algumas observaes de grande relevncia apontam caminhosque merecem ser melhor explorados:

- Estudantes preferem no estudar a distncia, mas acabam optando por essa moda-lidade por outras questes envolvidas como, por exemplo, praticidade, distnciaentre sua casa e a instituio de ensino, falta de tempo.

- Estudantes no aprendem nem mais nem menos simplesmente porque so alunos adistncia. Outras consideraes exercem um impacto maior sobre o aprendizado doaluno, independente de este ensino ser virtual ou presencial.

A semelhana entre o ensino a distncia e o ensino presencial apontada pelo autor,sobretudo quanto aos resultados obtidos no processo ensino-aprendizado, difere doponto de vista normalmente encontrado na literatura a respeito de Educao a Distnciae nos remete a uma releitura de importantes teorias a respeito da educao tradicionala fim de que se faa um estudo sobre os elementos que se reproduzem e aqueles queso efetivamente novos nessa nova modalidade de ensino. Tal estudo ser de funda-mental importncia, possibiltando maior consistncia aos conceitos referentes Edu-cao a Distncia, derrubando tabus, afastando fantasmas e diminuindo a grande distnciaque ainda existe entre o