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Educação Física progressista - Paulo Ghiraldelli Jr

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GHIRALDELLI JÚNIOR, Paulo. Educação Física progressista: a pedagogia crítico-social dos conteúdos e a Educação Física brasileira. São Paulo: Loyola, 1991. 63 p.

Text of Educação Física progressista - Paulo Ghiraldelli Jr

COLEO "ESPAO 10

EDUCAO FSICA PROGRESSISTA

CONSELHO EDITORIALSelma Garrido Pimenta Helena Gemignani Peterossi Ivani Catarina Arantes Fazenda Maria Felisminda de Rezende e Fusari

Paulo G hiraldelli Jnior

COLEO ESPAO

REFLEXES SOBRE A PRATICA DOCENTE Maria Oly Pey ESCOLA NOVA, TECNICISMO E EDUCAO COMPENSATRIA Guiomar Namo de Mello (organizadora) CARTOGRAFIA BRASLIS OU: EST MAL CONTADA Norma Abreu Telles ESTA HISTRIA

O ESPAO DO DESENHO: A EDUCAO DO EDUCADOR Ana Anglica Albano Moreira UMA ORIENTAO EDUCACIONAL NOVA PARA UMA NOVA ESCOLA Eny Marisa Maia e Regina Leite Garcia ORIENTAO PROFISSIONAL UM DIAGNSTICO EMANCIPADOR Selma Garrido Pimenta e Nobuko Kawashita A LINGUAGEM NO TEATRO INFANTIL Marco Camarotti EDUCAO E DESIGUALDADE SOCIAL Lia Rosenberg ORIENTAO EDUCACIONAL NO COTIDIANO DAS l.as SRIES DO l 9 GRAU Maria das Graas de Castro Sena EDUCAO FSICA PROGRESSISTA A PEDAGO GIA CRTICQ-SOCIAL DOS CONTEDOS E A EDUCAO FSICA BRASILEIRA Paulo Ghiraldelli Jnior

Educao Fsica Progressista a Pedagogia Crtico-Social dos Contedos e a Educao Fsica Brasileira

cEdies Loyola

Paulo Ghiraldelli Jr. autor de Educao e Movimento Ope rrio, pela Cortez e Autores Associados e O que Pedagogia, pela Brasiliense. mestre-doutorando em Filosofia da Educa o pela PUC-So Paulo. Atualmente trabalha na UNESP (Uni versidade Estadual de So Paulo) onde leciona Didtica Geral.

Copidesque Marcos Marcionilo RevisoR osalina S iqueira I L cia A parecida V ie ira

Para o professor de Educao Fsica Paulo Ghiraldelli,Edies Loyola Rua 1822 n. 347 04216 So Paulo SP Caixa Postal 42.335 04299 So Paulo SP Tel.: (011) 914-1922

meu pai, que sempre soube sintetizar na sua prtica cotidiana o saber e o saber-fazer.

ISBN 85- 1 5 -0 0 3 0 7 -4 EDIES LOYOLA, So Paulo, Brasil, 1991

PALAVRAS INICIAIS

Este texto fruto de dois anos de trabalho na Universidade Estadual Paulista UNESP, em Rio Claro. Ele foi realizado em duas etapas. Num primeiro momento, junto com os alunos Pedro ngelo Pagni, Wanderley Marchi Jnior, Wilson Akira Nakata e Paulo Marcos Coelho, desenvolveu-se intenso trabalho de pesquisa histrica para obter uma classificao das tendn cias e correntes da Educao Fsica brasileira. Uma vez realiza do este trabalho, iniciou-se um ciclo de discusses que visavam vislumbrar as possibilidades de uma nova Educao Fsica, ou seja, uma Educao Fsica Crtico-Social dos Contedos. Tais discusses, alm de contar com o primeiro grupo de pes soas, foi enriquecida com a presena dos alunos Rogrio Ro drigues, Dagmar Aparecida Cynthia Frana Hunger, Gilmar Getlio Silveira Garagorry, Maria Elisete Brigatti, Edson Segamarchi dos Santos, Fernando Renato Caviolli, caro Brgamo Gannam, Miguel Arcanjo do Amaral e Ftima Regina Fer nandes. bvio que este texto no representa uma contribuio fechada e acabada. Pelo contrrio, apenas esboa as possibili dades de uma nova Educao Fsica, forjada sob a luz das diretrizes da Pedagogia Crtico-Social dos Contedos. Sendo assim, este trabalho pretende ser um ponto de partida para a superao das diversas concepes de Educao Fsica vincula das ideologia dominante e, tambm, um ponto de partida para a superao da prtica espontanesta da Educao Fsica Popular. E preciso sim, uma Educao Fsica que valorize os contedos, mas que saiba construir e reorganizar contedos 7

crticos e progressistas no sentido da construo de novos cida dos para uma outra sociedade, mais democrtica e mais justa. Todos os alunos aqui mencionados integraram um saudvel grupo de estudos na UNESP-Rio Claro, sendo que foram meus orientandos em suas respectivas monografias de fim de curso . distncia, mas tambm colaborando com o trabalho, esteve sempre a companheira professora Martha Christina Pe reira Martins, que discutiu horas e horas os presentes textos e que me indicou caminhos esclarecedores. A todos, o meu agradecimento. PAULO GHIRALDELLI JR. PREFACIO

O livro de Paulo Ghiraldelli Jr. que chega s mos dos leitores, alm de ser uma importante contribuio para o estudo da Educao Fsica escolar, surge num momento muito oportuno. Trata das tendncias e correntes que vm se manifestando na histria dessa disciplina no Brasil, oferecendo aos atuais e futu ros professores um valioso auxlio para a reflexo crtica de seus fundamentos tericos e metodolgicos. Surge em momento oportuno porque atende expectativa de muitos professores que desejam incutir na sua prtica docente uma marca pro gressista, ou seja, entender a educao escolar como efetiva contribuio para a ampliao da conscincia social e crtica dos alunos, tendo em vista sua participao ativa na prtica social (poltica, profissional, cultural e desportiva). Que consideraes algum preocupado com questes peda ggicas mais amplas poderia fazer sobre Educao Fsica, prin cipalmente no sendo um especialista nessa disciplina? A leitura do texto me sugere duas idias sobre as relaes entre a pe dagogia escolar e a Educao Fsica. A primeira que nenhuma disciplina do currculo escolar est desvinculada de objetivos poltico-pedaggicos. A segunda, que a especificidade de uma disciplina no lhe retira o carter de constituir-se num processo didtico, estando sujeita, portanto, a princpios didticos gerais. Qual a vinculao da Educao Fsica com os objetivos poltico-pedaggicos? De que forma ela cumpre exigncias histricas e sociais de uma sociedade e, ao mesmo tempo, deter minadas exigncias pedaggicas? A premissa bsica para res ponder a essas perguntas a seguinte: a atividade docente ocupa-se, intencional e sistematicamente, do desenvolvimento

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global de pessoas que vivem num sistema de relaes sociais em permanente transformao, cuja natureza eminentemente poltica em decorrncia do conflito de classes inerente a esse sistema de relaes sociais. Os objetivos da educao, portanto, so determinados politicamente, conforme os interesses em jogo nas relaes sociais. Muitos professores ainda se assustam quando ouvem falar da atividade docente como atividade poltica. Uns entendem o termo poltica na sua conotao mais vulgar de proselitismo poltico-partidrio, de esperteza e manipulao de pessoas em funo de interesses pessoais ou de grupos. Outros, ainda que compreendam a poltica como relaes de poder entre interesses de classes sociais antagnicas, guardam receio em tomar partido dos interesses majoritrios da sociedade, sem se dar conta de que seu silncio e seus receios j so uma tomada de partido. Na verdade, respiramos a vida poltica, pelo simples fato de vivermos em sociedade, de trabalharmos em instituies, de participarmos no modo de organizao e funcionamento da sociedade que, por sua vez, depende das relaes de poder e do confronto de interesses entre as classes sociais, especial mente entre classes dominantes e classes trabalhadoras. Portan to, se a educao em geral e a educao escolar, em particular, tm suas finalidades definidas a partir desses interesses, elas tm um carter poltico e seus objetivos dependem da compo sio de foras que sustentam esses interesses. A est a importncia da definio de objetivos poltico-pedaggicos no planejamento de ensino. Eles antecedem e orientam a prtica docente. Quando dizemos, por exemplo, educao para todos, tem-se como todos a populao majoritria da escola pblica, os filhos dos trabalhadores e os seus interesses de classe. Se os objetivos no so claros para o professor, ele acaba trabalhando com objetivos estabelecidos pela ideologia dominante na sociedade. Por exemplo, na viso liberal de educao e ensino (compromissada com as classes dominantes), a prtica escolar (e tambm a educao familiar, a educao profissional, a educao fsica e desportiva etc.) entendida como ajustamento do indivduo forma de orga -10

nizao social existente. A escola visa educar o aluno para ocupar um lugar na hierarquia social, isto , no lugar destinado sua classe social e de acordo com suas capacidades e aptides. A escola no deve colocar em questo o modo de organizao social, as desigualdades sociais e nem importam as condies materiais de vida que tornam diferenciadas as aptides e capa cidades e as oportunidades de acesso aos benefcios do desen volvimento econmico-social produzidos pelos prprios trabalha dores. Essa viso idealizada de educao, individualista e conformista, induz o professor a ver todos os alunos como iguais, sem perceber os determinantes de origem social que interferem na aprendizagem e, portanto, nos mtodos de ensino. Entretanto, se lutamos por uma sociedade mais justa, se achamos que no adiantam oportunidades iguais para todos sem as condies iguais de desenvolvimento de capacidades e aptides, se somos contra a discriminao das crianas mais pobres na sala de aula ou na quadra de esportes, ento pre cisamos optar por uma concepo progressista de educao. O ensino, nessa concepo, estar comprometido com uma com preenso crtica da realidade, atravs dos conhecimentos e habilidades que transmite. Essa atitude do professor comea por desenvolver um trabalho srio e competente na disciplina que leciona. Um professor de Educao Fsica, ao planejar suas aulas, deve se perguntar: que contedos e habilidades podem ajudar o aluno a ser um cidado participativo? Em que as condies materiais de vida, experincias, conhecimentos, valores afetam o desenvolvimento das aulas? Como a educao do corpo, do movimento e os esportes podem contribuir para o exerccio de uma prtica social consciente e menos alienada? Por que a Educao Fsica higienista, militarista, pedagogista ou competitivista no so suficientes ou imprprias para um bom programa de Educao Fsica e esportes? O leitor pode observar, assim, a importncia do conheci mento das tendncias da Educao Fsica e de sua superao para estabelecer objetivos e tarefas do ensino. Pode verificar a ntima relao entre as concepes vigentes e os interesses das elites econmicas e sociais refletidos nos programas e m todos de ensino. O estudo das tendncias e correntes ajuda o 11

professor a entender e questio