Click here to load reader

EJA Paulo Freire

  • View
    12.295

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of EJA Paulo Freire

Presidente da Repblica Federativa do Brasil Fernando Henrique Cardoso Ministro da Educao e do Desporto Paulo Renato Souza Secretria de Educao Fundamental Iara Glria Areias Prado Diretora do Departamento de Poltica da Educao Fundamental Virgnia Zlia de Azevedo Rebeis Farha Equipe da Coordenao Geral de Educao de Jovens e Adultos e de Orientao Formao de Professores

Educao de Jovens e AdultosA Experincia do Mova-SP

1996

Brasil. Ministrio da Educao e do Desporto. Instituto Paulo Freire. Educao de Jovens e Adultos - A Experincia do MOVA-SP/Elaborado por Moacir Gadotti (org.)...[et al] - So Paulo: Instituto Paulo Freire, 1996. 125 p. il. 1. Educao -1 Gadotti, Moacir

INSTITUTO PAULO FREIRE

Educao de Jovens e AdultosA Experincia do MOVA-SP

ngela Antunes Ciseski Eliseu Muniz dos Santos Joo Raimundo Alves dos Santos Jos Eustquio Romo Marcos Edgar Bassi Maria Jos Vale Ferreira Moacir Gadotti (org.) Paulo Roberto Padilha

Apoio Secretaria de Educao Fundamental/MEC

Rua Cerro Cor, 550 - 2o And. Conj. 22 CEP: 05061-100 - So Paulo - SP - Brasil Fone/FAX: (55-11) 873-0462

"Ns construmos a cidade e nela somos envergonhados " Alfabetizando Jos Reis, So Paulo, 1990.

"A grande questo ao avaliarmos nossas aes que no se faz o que se quer, mas o que se pode. Uma das condies fundamentais tornar possvel o que parece no ser possvel. A gente tem que lutar para tornar possvel o que ainda no possvel". Paulo Freire, So Paulo, 1991.

Loa ao EstudoEstuda a partir do mais simples! para aqueles cuja hora j chegou. No nunca demasiado tarde! Aprenda o ABC. No basta; porm, aprenda-o! No desanime! Comece de novo! Voc tem que conhec-lo todo! Voc ser um dirigente. Estuda, homem no asilo! Estuda, homem na priso! Estuda, mulher na cozinha! Estuda, sexagenrio! Voc ser um dirigente. V para a escola, desamparado! Persiga o saber, morto de frio! Empunha o livro, faminto: uma arma. Voc ser um dirigente. No tenha vergonha de perguntar, companheiro! No se deixe convencer. Comprova-o voc mesmo! As coisas que voc no conhece por voc mesmo, na realidade voc no conhece. Confira a conta. Voc ter que pag-la. Examina cada nmero. Aponte com o seu dedo cada coisa. E pergunte: e isto de qu? de onde? por que? Voc ser um dirigente. Bertold Brecht (1898-1956)

Sumrio1. Apresentao - Jos Eustquio Romo.................................................... 13 2. Programa MOVA-SP: Tornar Possvel o que Parece no ser Possvel - Moacir Gadotti....................................................................... 19 3. Programa MOVA-SP: Parceria entre Estado e Movimento Popular - Eliseu Muniz dos Santos, Joo Raimundo Alves dos Santos e Marcos Edgar Bassi.................................................................. 27 3.1. Antecedentes.................................................................................... 28 3.2. Objetivos, Estrutura e Funcionamento do MOVA-SP ..................... 30 3.3. A Parceria na Prtica: Aspectos Administrativos e Contratuais....................................................................................... 33 3.4. O Projeto Poltico-pedaggico do MOVA-SP .................................. 37 3.5. Momentos que Marcaram o MOVA-SP ........................................... 31 3.6. Dificuldades Enfrentadas................................................................. 43 4. Princpios Poltico-pedaggicos do MOVA-SP - Maria Jos do Vale Ferreira...................................................................................... 49 4.1.0 Papel da Educao na Construo de um Novo Projeto Histrico ............................................................................. 4.2. Teoria Dialtica do Conhecimento .................................................. 4.3. Partir do Conhecimento do Educando e Caminhar para a sua Superao ....................................................................... 4.4. Conceito de Alfabetizao...............................................................

49 51 55 59

5. Procedimentos Metodolgicos do Processo de Alfabetizao do MOVA -SP - Maria Jos do Vale Ferreira ........................................ 63 5.1. 5.2. 5.3. 5.4. Princpios Metodolgicos Gerais da Alfabetizao ......................... Os Diferentes Nveis do Conhecimento da Escrita .......................... Concepes de Aprendizagem ......................................................... As Variedades Lingsticas ............................................................. 65 68 73 76

5.5. Os Temas Geradores.................................................................. 80 5.6. Uma Variedade de Materiais Escritos ......................................... 82 5.7. Tipos de Letras, Linguagem, Leitura e Escrita.............................. 86 6.1 Congresso de Alfabetizandos da Cidade de So Paulo Os Alfabetizandos Apresentam sua Viso do Processo de Alfabetizao e fazem Propostas ............................................................................ 89 6.1. "No somos analfabetos porque queremos" ................................. 89 6.2. O Educando no Processo de Alfabetizao .................................. 93 6.3. Expectativas e Perspectivas........................................................ 94 7. Alguns Documentos Bsicos do MOVA-SP ..................................... 101 7.1. Decreto de Criao do MOVA-SP............................................. 7.2. Carta de Princpios do Frum dos Movimentos Populares........... 7.3. Termo de Convnio entre a PMSP e os Movimentos Populares................................................................................ 7.4. Procedimentos Relativos aos Convnios .................................... 7.5. Entidades e Movimentos que Participaram do MOVA-SP............ 101 103 105 110 114

8. Bibliografia ................................................................................... 117

Aos LEITORES

expanso da oferta de educao para jovens e adultos, a torn-los pessoas

com vistas

conscientes da sua cidadania, um

desafio que tem mobilizado esforos tanto do governo quanto da sociedade.

Com o objetivo de incentivar a renovao das prticas pedaggicas e a formulao e implementao de iniciativas corajosas nos demais nveis de governo, nas organizaes no-governamentais e nas instituies privadas, escolares ou empresariais, a Secretaria de Educao Fundamental do Ministrio da Educao e do Desporto tem grande satisfao em apresentar esta publicao comunidade educacional esperando, sobretudo, estar colocando nas mos dos educadores de jovens e adultos um exemplo de experincia vivida, que poder ser adaptado a outros contextos.

Secretaria de Educao Fundamental

1 Apresentao_____________________________________________________

maioria dos leitores lem as "apresentaes" das obras publicadas, delas se afastam ou mergulham em sua leitura, dependendo das informaes oferecidas e da motivao despertada pelo apresentador. Embora possa parecer uma afirmao gratuita, dizemos que este um dos mais importantes livros sobre Educao de Jovens e Adultos j publicados no pas. Ele trata da experincia do Programa "MOVA-So Paulo", desenvolvido pela gesto de Paulo Freire na Secretaria Municipal de Educao da capital paulista, no Governo de Luiza Erundina. o prprio chefe de gabinete daquela secretaria o coordenador geral do Programa, Moacir Gadotti, quem nos relata a reao de Paulo Freire, quando de sua concepo final e incio de implantao: o Programa MOVASP se constituiu numa grande ousadia para, como disse Paulo Freire, 'tornar possvel o que no parece ser possvel". Por que Paulo teria emitido essa expresso "o que no parece possvel"? Por que o alerta implcito para a necessidade de uma grande ousadia e, conseqentemente, para as dificuldades que sua equipe encontraria pela frente? No era outro o contexto nacional, bastante mais favorvel do que quando, na dcada de 60, sua audcia de implantar uma concepo libertadora de educao de jovens e adultos apenas lhe valera a priso e o exlio? Vejamos alguns dos elementos da nova conjuntura, para entendermos melhor a expresso de Paulo Freire. Passara a transio democrtica, o pas tinha uma nova Constituio - bem verdade que resultante de um processo constituinte esprio, mas que resultar numa Carta Magna bastante razovel para os padres da democracia burguesa - e realizaram-se eleies para Presidente da Repblica - a primeira direta, depois de vrias dcadas, para Senadores (2/3), Deputados Federais, Governadores e Deputados Estaduais dentro da

normalidade democrtica. Logo em seguida, eleies municipais se travaram e vrios partidos de oposio, como era o caso do PT, ganharam os pleitos em cidades importantes e seus prefeitos tambm foram empossados dentro de um clima de ordem e tranqilidade. Parecia que o regime de exceo estava definitivamente banido. Algumas nuvens ainda permaneciam no horizonte, porque a transio dos governos militares para a democracia se dera atravs da clssica "soluo prussiana" - acordo de cpula das elites - e nos presenteara com o Governo Sarney, cujas aventuras econmicas lanaram o pas na maior inflao de toda sua histria. Alm disso, o novo Governo, embalado pelos votos das elites e dos "descamisados", apresentava-se com forte conotao autoritria e messinica. No entanto, no setor educacional e, mais especificamente, no que diz respeito Educao de Jovens e Adultos, havia alguns sinais positivos: 1) Pela primeira vez, na Histria Legal da Educao Brasileira, o acesso ao Ensino Fundamental aparecia como direito, pblico e gratuito, independentemente da idade do candidato, o que significava a possibilidade dos que foram marginalizados da escola na idade prpria poderem ter reparada a dvida que a sociedade com eles contrara neste particular. 2o) Embora de modo cambaleante, o Pas se inseria na mobilizao mundial convocada pela UNESCO, UNICEF, Banco Mundial e Programa

das Naes Unidas para o Desenvolvimento (PNUD)