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Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária ainda esverdeado. Hermes Peixoto Santos Filho1 Francisco Ferraz Laranjeira Barbosa1 Antônio Souza do Nascimento1 1Pesquisador da Embrapa

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  • Nmero 31 Abril/2009

    Greening, a mais Grave e Destrutiva Doena dos Citros:Nova Ameaa Citricultura

    HISTRICOO greening, inicialmente chamado de doena do ramo amarelo, e posteriormente huanglonbing (HBL), doena do drago amarelo, considerada a doena doscitros de maior importncia no mundo, em funo da dificuldade de controle, da rpida disseminao e por ser altamente destrutiva.O primeiro relato da doena foi feito na China, em 1919, espalhando-se dai para pases da frica e Oceania. No incio do sculo 21, foi detectada no continenteamericano, exatamente nos dois pases e estados maiores produtores de citros; os Estados Unidos (Flrida) e o Brasil (So Paulo) onde foi relatada em Araraquaraem 2004, estando hoje em mais de 100 municpios produtores.

    O AGENTE CAUSAL uma bactria que se hospeda nos vasos de circulao da seiva elaborada, denominados floema. Antes da constatao no Brasil, existiam duas formas debactrias causadoras do greening: Candidatus Liberibacter africanus, associada forma africana da doena, e Candidatus Liberibacter asiaticus associada formaasitica. No Brasil, pesquisadores descobriram nas plantas doentes uma bactria diferente das causadoras das formas asiticas e africanas, porm bastantesemelhante a estas, que denominaram Candidatus Liberibacter americanus. Atualmente, no Brasil, prevalece a presena da forma asitica.

    OS SINTOMASPodem aparecer tanto em plantas jovens como em plantas em plena produo. Em ambos os casos os primeiros sintomas aparecem inicialmente nos ramos que seapresentam com folhas amareladas em contraste com a colorao verde das folhas dos ramos no afetados, e so visveis a distncia (Figuras 1 A e B). precisocuidado para no confundir os sintomas com deficincias de zinco, clcio ou nitrognio. Essa dificuldade pode ser contornada observando-se as folhas mais de pertoque apresentam colorao amarela plida, com reas de cor verde, formando manchas irregulares/mosqueadas (Figura 2 A). No muito comum, mas pode ocorrero engrossamento e clareamento das nervuras da folha, que ficam com aspecto de cortia (Figura 2 B). Geralmente, o amarelecimento da folha se d de formaassimtrica. Com a evoluo da doena, h intensa desfolha dos ramos afetados e os sintomas comeam a aparecer em outros ramos da planta, tomando toda acopa, inclusive com o secamento e e morte de ponteiros (Figuras 3 A e 3 B).Nos frutos, os sintomas externos so pequenas manchas circulares verde-claras que contrastam com o verde normal. Tambm ocorre reduo no tamanho dosfrutos que se tornam deformados ou murchos e com uma colorao acinzentada e fosca (Figuras 4 A, B e C). Internamente, ao cortar-se um fruto, no sentidolongitudinal, nota-se uma assimetria entre os lados, filetes alaranjados que partem da regio de insero com o pednculo (haste que segura o fruto) (Figura 5 A).O albedo, parte branca interna da casca, em alguns casos, apresenta uma espessura maior do que o normal e as sementes podem aparecer abortadas (Figura 5 B).Internamente, o fruto pode tambm apresentar diferena de maturao (mudana de cor) nas diferentes partes, ou seja, ter um dos lados maduro (alaranjado) e ooutro ainda esverdeado.

    Hermes Peixoto Santos Filho1Francisco Ferraz Laranjeira Barbosa1

    Antnio Souza do Nascimento1

    1Pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, Rua Embrapa, s/n - Caixa Postal 007, 44380-000, Cruz das Almas-BA.

    Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaEmbrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

    Ministrio da Agricultura, Pecuria e AbastecimentoRua Embrapa s/n - CP. 007 - 44380-000 - Cruz das Almas, BA

    Tel: (75) 3312-8000 - Fax: (75) [email protected]

    CITROS EM FOCO

    Fig. 1. (A) Plantas jovens e ( B) plantas adultas apresentando sintomas do greening: ramos comfolhas amareladas em contraste com a colorao verde das folhas dos ramos no afetados.

    Fig. 2. (A) Folhas afetadas pelo greening apresentando colorao amarela plida, com reas de cor verde,formando manchas irregulares (mosqueadas). (B) Sintoma pouco comum o engrossamento e clareamentodas nervuras da folha, que ficam com aspecto de cortia (seta).

    Fig. 3. (A) Com a evoluo da doena, os sintomas aparecem em toda a planta. (B) h intensa desfolha dos ramos afetadoscom o surgimento de seca e morte de ponteiros.

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    A TRANSMISSO DA DOENANo Brasil, as formas das bactrias encontradas so transmitidas pelo psildeo Diaphorina citri, um pequeno inseto de colorao cinza e com manchas escuras nasasas medindo de 2 a 3 milmetros de comprimento (Figura 6 A). Esse inseto comum nos pomares brasileiros, se hospedando em todas as variedades ctricas e,tambm, na planta ornamental conhecida como falsa murta - Murraya paniculata.A identificao do inseto pode ser facilitada pelo fato de ser visvel a olho nu e tambm pela sua posio ao se alimentar, levantando a parte posterior do corpo emum ngulo de aproximado 45. (Figura 6 B). Os adultos do psildeo se alimentam tanto em folhas maduras como em brotos novos e a bactria persiste neles em todasas suas formas.Outra forma de transmisso da doena o uso de borbulhas retiradas de plantas infectadas, que originam mudas contaminadas, importante meio de disseminaoda bactria a longas distncias.

    O QUE FAZER PARA REDUZIR O RISCO DE DISSEMINAO DO GREENING?Medidas de ConvivnciaPara os Estados em que a doena j est relatada, esto sendo recomendadas as medidas de controle utilizadas por pases em que a doena j se instalou h maistempo.Inspeo do pomar Recomenda-se fazer inspees constantes, planta a planta, pelo menos quatro vezes por ano;Monitoramento do inseto vetor - O monitoramento de Diaphorina citri pode ser realizado por meio de armadilhas adesivas e pela observao de brotos novos. Asarmadilhas devem ser posicionadas em pontos estratgicos da propriedade para detectar a presena e movimentao do inseto vetor. Devem ser vistoriados de 3a 5 ramos novos por planta, observando a presena de ovos, ninfas e/ou adultos. O controle qumico, com a aplicao de inseticidas, deve ser realizado quando forobservada a presena do vetor..Aquisio de mudas sadias essa a medida preventiva de maior importncia: as mudas devem ser adquiridas em viveiros protegidos e que sigam a legislaofitossanitria.

    Medidas de ExclusoConsiderando que:i - o greening a doenca dos citros mais grave e destrutiva no mundo, e em funo da dificuldade de controle e da sua rpida disseminao;ii - todos os estados brasileiros produzem ctricos e que em 88% das microregies brasileiras essa produo uma atividade comercial;iii atualmente, cerca de 33% dos plantios de ctricos no Brasil, esto fora da regio infectada pela doena (SP, PR e MG) eiv - todas as regies do pas, produzem e fornecem frutas ctricas para os mercados locais, o que caracteriza a cultura como de grande importncia socioeconmica,deve-se adotar medidas de controle por excluso e em sentido absoluto, quais sejam:

    Proceder o levantamento e diagnose da presena da doena em reas indenes, pelo menos duas vezes por ano, estabelecendo-se prioridades para Estadoscom citricultura mais importante e propriedades mais tecnificadas; nesta, a introduo de material contaminado mais esperada;

    Consolidar medidas na Legislao Fitossanitria por meio de Decretos e Leis com proibio de entrada de qualquer material vegetal, oriundo de reasinfectadas;

    Prover meios suficientes para uma efetiva fiscalizao, interceptao e destruio do material apreendido.

    Fig. 5. (A) Assimetria entre os lados do fruto e filetes alaranjados quepartem da regio de insero com o pednculo (seta). (B) O albedo,parte branca interna da casca, apresentando uma espessura maior queo normal.

    Fig. 6. (A) Diaphorina citri, pequeno inseto de colorao cinza e commanchas escuras nas asas medindo de 2 a 3 milmetros de comprimento.(B) Posio em que fica o inseto ao se alimentar, levantando a sua parteposterior em um ngulo aproximado de 45.

    Fig. 4. (A) Nos frutos os sintomas externos so pequenas manchascirculares verde-claras ou amareladas que contrastam com o verdenormal. (B) Tambm ocorre reduo no tamanho dos frutos que se tornamdeformados, (C) murchos e com uma colorao acinzentada e fosca.

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