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    Enfermaria de Pacientes Feminino

    Pavilho Julio de Matos.

    Enfermaria de Pacientes Masculinos

    Pavilho Emil Kraepelin.

    Enfermaria de Pacientes

    Masculino.

    Espao de assistncia a interno

    pensionista (quarto particular).

    Gabinete do Diretor-Geral Farmcia Central.

    (Fotos de Antonio B. Praguer - 1919.)

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    A Nao em maio de 1932 foi surpreendida com o falecimento

    do Professor Juliano Moreira no Rio de Janeiro.

    O Governo da Bahia, na poca sendo Interventor Juracy

    Magalhes, fi nalmente lembra-se de homenagear o genial baiano.

    Somente em 27 de agosto de 1936 por intermdio da Lei Estadual

    n.: 075 decidem transformar a denominao institucional.

    Surge o Hospital Juliano Moreira.

    Transcorria o ano de 1947, quando Anzio Teixeira assume a

    Secretaria Estadual de Sade e Educao. Naquele ano o mdico

    Oswaldo Camargo, sendo Diretor-Geral elabora o relatrio de

    atividades anual onde afi rmava:

    Ningum desconhece o extremo estado de abandono em que se encontra

    o Hospital, onde mais de 600 doentes se amontoam em srdidos pavilhes,

    sem higiene, sem roupas, sem alimentao sufi ciente, onde falta tudo desde

    o mais elementares princpio de solidariedade humana. A escabiose, as

    ftirases eram quase universais entre os doentes, desse modo encontramos

    grande nmero de pacientes em avanado estado de carncia, despidos,

    imundos, em ambientes que exalava cheiro ptrico (...) outros doentes

    cercados de grades e vigiados apenas pelo lado de fora por alguns soldados

    de polcia e, pelas informaes que obtivemos, saa quase que diariamente

    um cadver e somente nestas ocasies algum entrava no pavilho.

    Tentativas governamentais de reformas fsicas foram repetidas,

    mas o velho prdio de Brotas continuava se deteriorando.

    Ao fi nal dos anos setenta (sculo XX) a populao interna do

    hospital era em torno de 450 pacientes, provenientes dos diversos

    lugares do Estado da Bahia.

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    Registrava-se que um tero dos pacientes eram crnicos

    e estavam incapacitados para o desempenho de atividades e

    convivncia social. Destinados a viverem eternamente no interior do

    hospital, os outros dois teros eram pacientes que se reinternavam

    com freqncia dentro de um ciclo vicioso, tambm cronifi cador.

    A grande maioria dos pacientes vivia sujo, mal alimentado,

    precariamente medicado e sem privacidade.

    Os velhos tempos do Asylo se mantinham.

    As mesmas contradies presentes.

    Em 1964 aplicado um novo golpe de Estado, tendo como

    conseqncia o cerceamento da liberdade de expresso, a

    represso poltica. Concentrao de renda. Migrao interna

    acentuada. Exploso urbana. Expanso da violncia

    Acervo do Memorial JM

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    Nos anos setenta no se fazia mais presente a Sociedade de

    Cirurgia e Medicina da Bahia, mas agora existia a Associao

    Psiquitrica da Bahia (APB), com novas lideranas mdicas, porm

    mantendo o mesmo discurso e criticas realizada pelos seus antigos

    colegas da ento Sociedade Juliano, Tillemont e Aurlio Viana.

    A cultura imperial do Asylo continuava no republicano Hospital.

    A construo da democracia poltica foi mobilizando e engajando

    diversas categorias profi ssionais por intermdio de suas associaes

    e sindicatos. Foi o perodo do aparecimento do profi ssional de

    Sade Mental.

    Desencadeia-se uma ocupao permanente dos espaos

    existentes na sociedade nacional, mantidos ainda nos tempos

    atuais, denunciando a violncia, a segregao, a represso e as

    condies sub-humana nos hospitais psiquitricos e, a inexistncia

    de uma poltica nacional de Sade Mental.

    O novo tempo de redemocratizao permite nascer na vida

    institucional, um dos mais importantes movimentos de defesa e

    transformao histrica do hospital. Debates internos e assemblias

    mobilizando todas as categorias profi ssionais foram realizados

    sobre as precrias condies de vida dos pacientes, do trabalho

    dos tcnicos e o modelo estadual de assistncia psiquitrica.

    Uma Instituio centenria continuava catica, fruto da

    insensibilidade do poder pblico, distanciada da sociedade e

    carregando o peso da viso exclusivista e preconceituosa da

    doena mental.

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    Acesso principal

    ao Hospital no

    bairro de Brotas

    em 1980.

    rea Externa (Fundos) do Hospital no

    bairro de Brotas em 1980.

    Pavilho Demtrio Tourinho onde

    funcionavam Farmcia, Gab. Odontolgico,

    Laboratrio e Emergncia.

    Pavilho Ansio Circundes pacientes

    femininos.

    Pavilho Alfredo Britto pacientes

    femininos.

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    Pavilho Emil Kreapelin

    pacientes femininos.

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    Pavilho Manoel Vitorino.

    Manicmio Judicirio para

    pacientes masculinos.

    Pavilho Julio de Mattos pacientes

    femininos.

    Pavilho Antonio Simes Enfermarias Clnica

    Setor de Nutrio e Cozinha

    Pavilho Aristides Novis

    pacientes masculinos.

    Pavilho de Terapia Ocupacional

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    Aos dias fi nais de 1974 com a transformao das lideranas

    na APB, acelerava-se um debate crtico sobre a prtica e a teoria

    psiquitrica. A situao da poltica de Sade Mental vigente, bem

    como a assistncia psiquitrica adotada no Estado, origina na

    publicao do documento Memorial da APB. Em novembro de

    1979, numa assemblia geral dos Servidores, so eleitos os tcnicos

    Clia Maria Azevedo de Oliveira (Terapeuta Ocupacional), Dinalva

    Lordelo Almeida Costa Santos (Nutricionista), Edna Amado Nonato

    (Assistente Social), Gustavo Henrique Lopes Pinheiro (Mdico).

    Joo Melo Filho (Mdico), Maria do Carmo Rocha (Enfermeira) e

    Tnia Lucia Guanaes Gomes S (Psicloga) que elaboram o Plano

    para Reformulao do Hospital Juliano Moreira inserindo-o numa

    viso mais ampla, objetivando tambm a defi nio de uma poltica

    de Sade Mental para a Bahia.

    Iniciavam o texto do documento afi rmando:

    A simples reforma do hospital seria uma atitude incua. A desativao

    do Hospital, com a criao apenas de uma nova unidade, no aspecto da

    estrutura fsica, no passaria de repeties de erros anteriores com uma

    nova roupagem. Ou seja, a questo do Hospital Juliano Moreira no se

    resume ao arcasmo e inadequao de sua estrutura fsica, mas a toda

    uma problemtica das instituies psiquitricas em pases como o nosso, e

    a atual poltica em Sade Mental.

    A deciso unilateral do governo era destruir as construes e a

    total desativao do espao ocupado pelo Hospital Juliano Moreira

    no bairro de Brotas. Adaptar um prdio construdo no espao do

    recm inaugurado Hospital Central Roberto Santos e transferir

    todos os pacientes crnicos para a Colnia Agrcola localizada na

    cidade de Feira de Santana no interior do Estado.

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    Ao fi nal da manh de 18 de maro de 1982, repetindo os

    tradicionais eventos polticos ao som do hino nacional e hasteamento

    de bandeiras era inaugurado no bairro de Narandiba (zona oeste de

    Salvador), o novo prdio do Hospital Juliano Moreira.

    A mobilizao dos organismos profi ssionais e o engajamento dos

    Servidores do hospital mantiveram-se vigilantes continuamente.

    Os ventos da nascente democracia poltica brasileira no

    permitiram que a cultura do Asylo, com sua excrescncia medieval,

    segregacionista e obscurantista se mantivesse num outro prdio s

    pressas reformado e adaptado s caractersticas de um hospital

    psiquitrico.

    A liderana efetiva do Mestre Juliano Moreira, Deu origem a

    prmulgao da Lei Federal (Decreto n 1.132 de 22.12.1913) que permitiu

    e execuo das reformas iniciais de assistncia aos alienados.

    Dezenas de anos depois e fermentado pelo espao democrtico

    vigente, a Nao produziu por intermdio do Congresso Nacional a Lei

    nacional n.: 10.216, promulgada em 6 de abril de 2001, fruto das aes

    do Deputado, mineiro, Paulo Delgado. A nova lei vem dispor sobre a

    proteo e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais

    e redireciona o modelo assistencial em Sade Mental. Foi a segunda Lei

    brasileira de psiquiatria.

    Hoje, aps quase um sculo e meio como parte integrante na

    histria da cidade do Salvador, o Juliano Moreira da Bahia

    mesmo com muitas limitaes, difi culdades e contradies, ainda

    no superada, referncia em todo o Brasil na execuo das

    polticas pblicas em Sade Mental na regio norte e nordeste.

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