Ensino Magazine 158

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Edição em papel digital de Abril de 2011 do Ensino Magazine

Text of Ensino Magazine 158

  • ABRIL 2011 /// 01

    FiniclasseCARRO

    DO ANO

    Guarda Av. So Miguel, N 7 (junto ao Pingo Doce) Tel. 271 093 031Castelo Branco Parque Industrial, Lote 117 Tel. 272 326 493

    www. niclasse.com | ford.guarda@ niclasse.pt | ford.cb@ niclasse.com

    Ford C-Max

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    Abril 2011Director Fundador

    Joo Ruivo

    DirectorJoo Carrega

    Publicao Mensal Ano XIV K No158

    Distribuio Gratuita

    www.ensino.euAssinatura anual: 15 euros

    Mariano Gago no aniversrio da UBI

    C p 5

    UnIversIDADe

    polItcnIco

    C p 13

    Autorizado a circular em invlucro fechado de plstico.Autorizao n. DE03052011SNC/GSCCS

    Antnio Macedo, o jornalista que acorda Portugal na Antena1, crtica o facto de se continuar a premiar os maus alunos e a prejudicar os que tm mrito. Assegura que os professores nunca recusaram ser avaliados e que no meio de toda a confuso instalada quem sofre so os estudantes.

    leiria e vora investemnos recursos hdricos

    C p 14

    projecto trAnsFronteIrIo

    AcADeMIA

    semanas e Queimasentusiasmam alunos

    reformas do ensino sem

    avaliao

    C p 2 A 4Direitos reservados H

    IpcB adere a observatrio Ibrico

    ensIno joveM

    Um ndionos trilhosda Msica

    Direitos Reservados H

    Alberto ndio no acredita na fama fcil. Com o lbum de estreia no Top Ten nacio-nal, este jovem msico portugus vai par-tir para uma digresso pelo pas. Enquanto isso no sucede as suas mscicas continu-am a passar nas rdios e no Youtube.

    C p 22

    C p 8

    C p 9

    DIA MUnDIAl

    Dana com osQuorum Ballet

    C p 16

    pub

  • 02 /// ABRIL 2011

    pirata. como viveu este momento histrico?

    Eu estava descontente com a rdio, por ser de-masiado amadora, e a TSF correspondeu a um ressus-citar do meio radiofnico, com uma cultura completa-mente nova e profissional. Tratou-se de um fenmeno

    docentes e a tutela tenham ficado os alunos, os verda-deiros prejudicados com as convulses que continuam a abalar o sector.

    A 29 de Fevereiro, de 1988, lana, s 7 da ma-nh, a notcia paz no fisco durante trs meses. era o incio da tsF, ainda na era

    como o pas, nas mos dos gananciosos e dos capi-talistas. O jornalista reco-nhece ainda que o ensino melhorou substancialmen-te em termos de infraes-truturas, mas lamenta que os professores continuem a ser uma classe desvalo-rizada. Macedo denuncia que esquecidos no meio da guerra de palavras entre

    6 uma das mais in-confundveis vozes das manhs da rdio, primeiro nos mticos anos de funda-o da TSF e mais recen-temente at actualida-de, na Antena 1. Antnio Macedo mostra-se muito pessimista em relao ao futuro de Portugal, consi-derando que o Sporting, o seu clube do corao, est

    educao penaliza quem tem mritoAntnIo MAceDo, jornAlIstA

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    absolutamente extraordi-nrio, que comeou por ser uma rdio local pirata e depois progrediu, de forma imparvel, por esse pas fora. O dia 29 de Feverei-ro foi intensssimo, aps 2 meses a trabalhar con-tra a parede, como se diz na gria, testando diversos modelos. Naquele momen-to foi meter em prtica o modelo julgado ideal e co-loc-lo considerao do ouvinte.

    A equipa fundadora da tsF rdio era muito jovem na altura. Hoje, a maior parte, so jornalistas ou decisores de proa em di-versos meios de comuni-cao. Qual a explicao?

    De facto cerca de 95 por cento era gente nova, entre tcnicos, animado-res e jornalistas, formada integralmente pela prpria TSF, no curso ministrado pela rdio. Tirando os j veteranos de ento, o di-rector Emdio Rangel, que meteu a panela ao lume, David Borges, Carlos Andra-de, Francisco Sena Santos, Lus Marinho, Jernimo Pi-mentel e eu prprio, todos os outros eram midos de 21/22 anos formados no primeiro curso da TSF. Co-nheci-os ali. Estou a lem-brar-me do Miguel Barroso e do Jos Fragoso, hoje am-bos com cargos de direco na RTP, Joo Almeida, hoje na direco da Antena 2, Ana Margarida Pvoa e o Jos Manuel Mestre, dois reprteres de grande nvel hoje na SIC.

    emdio rangel foi o homem do leme de dois projectos decisivos no pa-norama audiovisual portu-gus, a tsF e a sIc. como o define?

    Rangel um vision-rio no melhor sentido da expresso. Um verdadeiro sonhador e aventureiro, com a caracterstica acres-cida de conseguir motivar como ningum as equipas que liderava, independen-temente das discusses e

    polmicas que foram ali-mentadas. Relativamente TSF viu muito mais longe do que toda a gente. Foi o seu trabalho de fundador, e a forma como a equipa por si escolhida executou o que ele idealizou que per-mitiu que a rdio de infor-mao, 23 anos depois de ter sido criada, se mante-nha uma referncia. Pode ter algumas oscilaes, mas conserva o registo e o ADN de sempre.

    A tsF marcou uma po-ca no incio dos anos 90, colocando polticos em antena s 7 da manh, es-palhando reprteres pelo mundo onde havia a no-tcia e com slogans muito chamativos. A diferena re-sidiu aqui?

    O paradigma da rdio em Portugal foi completa-mente alterado com o nas-cimento da TSF. Na altura existiam projectos de infor-mao com alguma quali-dade, mas demasiado aco-modados. Lembro-me da Renascena, da Comercial e tambm da Antena 1, que pecava por emitir informa-o algo estatizada e hie-rarquizada. A TSF rompeu com isso. O noticirio tanto podia abrir com um tema de poltica ou de interna-cional. Recorrendo a uma imagem de fcil apreenso, uma pedra solta na calada podia ser mais importante que uma audincia entre o primeiro-ministro e o lder da oposio. Era a materia-lizao do tal slogan que saiu da cabea do Paulo Bastos, um dos midos da fornada fundadora: Por uma boa histria, vamos ao fim da rua, vamos ao fim do mundo.

    A cobertura do incn-dio do chiado e da guerra do Golfo so dois aconte-cimentos de referncia na afirmao da rdio. como recorda esses momentos?

    Na guerra do Golfo lem-bro-me que quando acordei de madrugada o conflito j tinha rebentado e fui logo

  • ABRIL 2011 /// 03

    Antnio Macedo, a voz das manhs da Antena1

    para o estdio fazer o horrio da manh. A redaco do 7. andar da Torre das Amorei-ras fervilhava e fizemos uma emisso non-stop durante quase 24 horas. Mas recordo, em termos do que pode ser considerada uma emisso maratona, o buzino na pon-te 25 de Abril, no vero de 1994. E, no me-nos importante, e recuando s origens, a 2 de Maro de 1988, em pleno cavaquismo, 48 horas depois do incio da TSF, cobriu-se a greve geral durante todo o dia, de uma forma muito arrojada para a altura. Quando havia noticia que se justificasse os directos mantinham-se em permanncia, rompendo-se com a lgica dos noticirios de hora a hora, que se resumia leitura de comunicados e informaes impren-sa. Obviamente que o incndio do Chiado foi outro momento marcante. A TSF foi a primeira a dar a alarme, durante a madru-gada de 25 de Agosto de 1988, atravs do reprter Nuno Roby, que passa perto do local quando regressava a casa. O Rangel reuniu as tropas em pouco tempo e fez-se uma emisso memorvel.

    Ficou clebre a dupla que fez em ante-na com o jornalista Francisco sena santos, agora retirado do meio radiofnico. como foi trabalhar com ele na coordenao das manhs informativas?

    Costuma-se dizer que no h insubsti-tuveis, mas o Sena Santos insubstituvel. Tem qualidades e uma maneira nica de comunicar, aliado a um esprito vivssimo e culto, sempre atento aos detalhes. Ele conseguia a partir do nada construir uma noticia com interesse e fundamento. Em termos de comunho em antena, no te-nho dvidas em afirmar que foi o grande companheiro que eu tive.

    o advento das televises privadas mu-dou muito o panorama meditico. As r-dios perderam alguma da influncia e das audincias que tinham. concorda que se perdeu alguma da magia do ter?

    A magia e o mistrio da rdio foram perdidos h muito tempo. A ideia do ar-tista da rdio e da caixinha mgica que tem l dentro os senhores a cantarem e a falarem morreu h muito. A rdio hoje tem outra funo e utilidade, tem outras exigncias e responsabilidades. Se qui-ser deixou de ser um mero meio de puro entretenimento, mas foi-se refinando em termos de importncia e responsabilidade social. Dou-lhe o exemplo da tragdia da Madeira, a 20 de Fevereiro de 2010, onde foi a informao til e preciosa difundida pela rdio que salvou vidas, uniu pessoas e minorou razoavelmente o impacto dos fatais acontecimentos. A rdio ainda tem meios, alcance e uma genuinidade que outros rgos de comunicao social no dispem.

    A rdio j no se ouve apenas no rdio de pilhas, tambm possvel aceder atra-

    vs da internet. como v este novidade?

    A rdio no tem que temer o poder da internet, deve v-la como uma oportunida-de. S tem a lucrar com isso, pois poss-vel chegar com mais facilidade s pessoas, em directo ou em diferido, mantendo as suas caractersticas essenciais e adaptan-do-se especificidade da net. Hoje segu-ramente mais fcil sintonizar a Antena 1 em Washington do que h seis anos atrs.

    o servio pblico de rdio completou recentemente 75 anos. cumpre-se na pr-tica o que est no papel?

    O conceito de servio pblico mui-to vago. O que claro o contrato de concesso estabelecido entre o Estado e a empresa RDP, existindo nesse vnculo, direitos e deveres. Neste particular devo dizer que escrupulosamente respeitado e, em muitos casos, largamente superado, nomeadamente em termos informativos e na vertente cultural. Dou o exemplo da obrigatoriedade de emitir msica portu-guesa cumprindo as quotas mnimas es-tabelecidas.

    o director da rDp, rui pgo, chamou-

    lhe recentemente uma lenda viva da r-dio. Fica embaraado ou orgulhoso?

    J c estou h muitos anos (risos). No quero estar com falsas hipocrisias, mas depois da morte do Antnio Srgio sou provavelmente o ltimo radialista no activo e a tempo inteiro de uma gerao de ouro. Para se conseguir algum nome no meio rdio so precisos muitos anos, re-petir, insistir, etc. a repetio si