Ensino Magazine 161

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Edição em papel digital de Julho de 2011 do Ensino Magazine

Text of Ensino Magazine 161

  • JULHO 2011 /// 01

    pub

    Julho 2011Director Fundador

    Joo Ruivo

    DirectorJoo Carrega

    Publicao Mensal Ano XIV K No161

    Distribuio Gratuita

    www.ensino.euAssinatura anual: 15 euros

    Mais exames nacionais e nova avaliao

    C p 16 a 18

    NuNo crato, Novo MiNistro Da eDucao

    Direco geral De eNsiNo superior

    Autorizado a circular em invlucro fechado de plstico.Autorizao n. DE03052011SNC/GSCCS

    o Jornalismo no uma profisso das 9 s 5

    institutos politcnicos so mais eficientes

    eNsiNo JoveM

    Nouvelle vaguecanta txi,gNr, Madredeus e variaes

    O grupo francs Nouvelle Vague vai editar um l-bun de antigos xitos da msica Pop Portuguesa. O vocalista Olivier Libaux explica o porqu desta aposta.

    C p 19

    C p 9

    C p 20

    pub

    grupo FraNcs reaviva pop Dos aNos 80

    Maria Joo ruela eM eNtrevista

    Fundao Manuel dos santos H

    soFia escoBar coM loNDres a seus ps

    C p 26 e 27

    C p 2 a 4

    A jornalista da SIC, Maria Joo Ruela, afirma que o jornalismo uma profisso que exige muita paixo e lamenta que muitos estagirios que do os primei-ros passos nas redaces se recusem a trabalhar ao fim-de-semana por mera convenincia pessoal. Em entrevista ao Ensino Magazine diz que o conhecimen-to do portugus, escrito e falado, fundamental para a profisso.

  • 02 /// JULHO 2011

    ta com o livro viagens contadas, onde partilha com os leitores algumas das suas mais marcantes aventuras em lazer por esse mundo fora. como que se define enquanto viajante?

    paixo e lamenta que mui-tos estagirios que do os primeiros passos nas redac-es se recusem a trabalhar ao fim-de-semana por mera convenincia pessoal.

    estreia-se na escri-

    riu no Iraque em 2003 a fez parar de procurar experin-cias novas em paragens por esse mundo fora, que agora conta em livro. A pivot da SIC, com mais de 20 anos de profisso no currculo, afir-ma que o jornalismo uma profisso que exige muita

    6 Conhecida do grande pblico pelas reportagens marcantes do processo Casa Pia, da tragdia de Entre-os-Rios, e a morte da princesa Diana, Maria Joo Ruela longe das cmaras de televi-so uma viajante compulsi-va. Nem o acidente que a fe-

    o jornalismo no uma profisso das 9 s 5

    Maria Joo ruela, JorNalista

    Fujo um pouco ao mo-delo habitual. A minha con-cepo de viagem no tem propriamente a ver com uma planificao organi-zada e um guia. Viajo por prazer e normalmente sem um tempo definido, de for-ma a procurar viver expe-rincias mais livres e que consigam ser mais marcan-tes. No gosto de escolher destinos demasiado bvios para fazer frias. Ainda re-centemente escolhi visitar uma terra de frio em pleno Vero. No tenho receio do imprevisto e de descobrir coisas novas. Quando viajo, sempre com o meu marido, compro uma passagem de ida e de regresso, marco um hotel para a primeira noite e o resto fica ao sabor de como as coisas correrem.

    Da leitura do livro fica-se com a ideia que prefere os locais mais improvveis e exticos s cidades orga-nizadas. verdade?

    Gosto muito de cidades organizadas, mas no fa-zia sentido estar a descre-ver num livro de viagens, Londres, Paris ou Berlim. Pretendi abordar um n-gulo diferente e at as ci-dades de que falo, como so o caso de Kiev, Gdansk ou So Petersburgo, esto um pouco margem dos roteiros tursticos conven-cionais.

    Na introduo de via-gens contadas conta a histria do tcnico de fisio-terapia que a acompanha, o Joo Barata. um invisual para quem traz postais dos stios por onde passa. Quer falar-nos um pouco dele?

    O Joo, com quem con-vivo semanalmente, uma pessoa extraordinria, tan-to em termos profissionais como em termos pesso-ais. Houve um dia em que me pediu postais de uma viagem que eu ia fazer. E sabendo que ele cego

    achei, inicialmente, a soli-citao algo desconcertan-te, mas depois considerei fantstico que uma pessoa que est privada de ver co-lecciona postais tursticos. um sinal que as pessoas no tm necessariamente que ter regras apertadas e constrangimentos de qualquer espcie. Confes-so que um exerccio e um desafio pessoal esco-lher sempre que viajo um postal para o Joo, mesmo sabendo que os preferidos dele so vistas parciais de cidades.

    consegue escolher a viagem mais marcante?

    Todas elas que esto no livro, mas especialmente a do Nepal, em que escalei o Annapurna. At altu-ra em que tive o acidente no Iraque, em 2003, fazia alpinismo, escaladas mais tcnicas e corria que algo que eu adoro. Neste momento, devido minha incapacidade, consigo ca-minhar 2 ou 3 horas, mas impossvel estar 8 horas a faz-lo como no passado. Esse facto travou-me mui-tas das ambies que eu tinha.

    J tem planos para es-tas frias de vero?

    Como com este livro que agora publiquei j viajei tanto em palavras, decidi que este ano vou fi-car por c. Vou at Aveiro, onde nasci, desfrutar da praia e comer peixe. Mas como tenho amigos em vrias cidades europeias, provavelmente darei um salto at Copenhaga, na Dinamarca, uma das pou-cas capitais do velho continente que no tive oportunidade de visitar. Depois se ver se, at final do ano, surge uma ideia de alguma viagem desafiante l para o Inverno, aprovei-tando o facto de ser Vero no hemisfrio sul. ;

    Publicidade

  • JULHO 2011 /// 03

    tem a noo de quantos pases j vi-sitou?

    J testei aquela aplicao no Facebook sobre o nmero de pases visitados e posso dizer que, por via do privilgio que tenho de ser jornalista, e das viagens pro-fissionais que efectuei, juntando ainda as que fiz a ttulo, pessoal, conheo grande parte do mundo. Eventualmente, falta-me a frica negra, onde nunca estive.

    uma das fundadoras da sic, a pri-meira estao privada portuguesa, que comeou a emitir a 6 de outubro de 1992. como se sente por ter estado na origem de um dos projectos mais marcantes da comunicao social?

    Estar na gnese do primeiro canal pri-vado portugus sempre algo que marca e que fica para a histria. A primeira vez que entrei na SIC, ainda antes de o espa-o ser transformando numa televiso, as instalaes pertenciam a um armazm de bananas.

    Foi um prazer integrar uma equipa to jovem, originria de diversas provenin-cias, uns vinham directamente das facul-dades, enquanto outros se transferiram

    de rdios e jornais. Entrei na SIC como es-tagiria, depois de acabar a faculdade, e foi como um sonho, estar envolvida num projecto desta natureza.

    Quais as reportagens ou os aconteci-mentos que mais a tocaram em quase 19 anos de televiso privada?

    Lembro-me da primeira vez que fui ao estrangeiro, em 1997, quando morreu a princesa Diana. Foi uma emoo enorme. Tratou-se de um acontecimento planet-rio e foi uma experincia incrvel. Depois, em Maro de 2001, aconteceu a tragdia com o autocarro que caiu da ponte de En-tre-os-Rios. Cheguei ao local poucas horas depois e estive l durante uma semana. Este acontecimento significou uma vira-gem e obrigou a uma reflexo na forma como se fazia televiso e, curiosamente, coincidiu com o nascimento da SIC-Not-cias, em Janeiro. Por efeito das transmis-ses efectuadas por este canal de not-cias 24 horas/dia, os canais generalistas estiveram a emitir ininterruptamente um acontecimento que paralisou o pas. Para alm disso, acompanhei o processo Casa Pia desde o primeiro momento. Estive a noite toda no Tribunal de Instruo Crimi-nal (TIC) quando o Carlos Cruz foi detido, segui a evoluo deste longo processo e

    acabei por estar no dia da sentena, no Campus da Justia, numa espcie de sim-blico encerramento do mais meditico caso da justia portuguesa.

    os portugueses ainda hoje recordam o acidente em que esteve envolvida no ira-que, em 2003. como recorda esse servio como enviada especial?

    Estava cheia de vontade de experi-mentar um cenrio de guerra. Sabia que corria riscos, mas ainda assim quis ir ao Iraque. No correu da melhor maneira, porque regressei com uma leso gravs-sima que me afectar at ao ltimo dos meus dias, mas no estou arrependida e no olho para trs com amargura. Acon-tece. J tinha estado anteriormente em cenrios de guerra, como Sarajevo e na Macednia, mas nunca num pas, como o Iraque, onde no havia lei nem ordem.

    o acidente obrigou-a profissionalmen-te a ficar mais confinada ao estdio. sen-te-se fora do seu habitat que sair para a rua em reportagem?

    Desde 2005 que estou como editora executiva da SIC e da SIC-Notcias, coorde-

    no e apresento os telejornais do fim-de-semana. Mas confesso que estou sempre mortinha para ir para o terreno. Alis, acho que um jornalista que se preze nun-ca deve desligar-se da reportagem in loco. J levo mais de 20 anos de profisso e continuo a achar que o que mais gosto de fazer.

    exerce funes executivas na informa-o da sic. como responsvel no parti-lha da opinio que se cometem muitos exageros no jornalismo televisivo, impe-rando, por vezes, a lgica do vale tudo?

    Acho redutor afirmar que o jornalis-mo televisivo tabloide. Admito que h notcias com esse registo, mas existem programas de informao e de debate de grande interesse e profundidade. Veja que as grandes reportagens tm tido um enorme sucesso em todos os canais. Por-tugal vive uma situao nica: no conhe-o outro pas no mundo onde os jornais de televiso tenham 1h20m de durao mdia, por vezes at mais, e que se ofe-rea quase todas as noites, inclusive nos canais generalistas, debates, reportagens, entrevistas e opinio. A oferta informativa ganhou muito espao, especialmente em horrio nobre, e isso foi muito positivo para ns, jornalistas de televiso, e o ;

  • 04 /// JULHO 2011

    6 Maria Joo Ruela tem 41 anos e jornalista e pivot da SIC. Licenciada em Comunica-o Social pela Universidade Nova de Lisboa iniciou a carreira na rea da publicidade, como copy. Trabalhou como freelancer para jornais e revistas - Pblico, Independente e Marketing e Publicidade. Em 1992 integrou a equipa fundadora da