Ensino Magazine nº 157

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Ano XIV Publicação Mensal

Text of Ensino Magazine nº 157

  • MARCO 2011 /// 1

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    Consultores e Servios, Lda.

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    Maro 2011Director Fundador

    Joo Ruivo

    DirectorJoo Carrega

    Publicao Mensal Ano XIV K No157

    Distribuio Gratuita

    www.ensino.euAssinatura anual: 15 euros

    Salamanca ganha Campus Internacional

    C p 16 e 17

    entrevISta a DanIeL HernnDeZ rUIpreZ

    UnIverSIDaDe

    C p 7

    Autorizado a circular em invlucro fechado de plstico.Autorizao n. DE03052011SNC/GSCCS

    Silva Lopes, Ex-Ministro das Finanas e Ex-Governador do Banco de Portugal con-sidera que o sistema de incentivos que existe para a classe docente no o mais adequado. Em vez do mrito premeia-se a antiguidade, acusa.

    robtica mdica para cirurgia ortopdica

    C p 9

    CaSteLo branCo

    SUpLeMento

    polticas e polticos da educao reneentrevistas do Magazine

    Faltam incentivos aos bons professores

    C p 2 a 5 antnio pedro Ferreira / expresso H

    Direitos Reservados H

    Hipocondria dos Klepht enSIno

    jove

    M

    UbI e Gdansk lanam mestrados conjuntos

  • 2 /// MARCO 2011

    Falta disciplina nas escolas portuguesas

    SILva LopeS, eConoMISta

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    6 O ex-ministro das Fi-nanas no tem dvidas: Portugal no conseguir sair desta situao de cri-se to cedo e sem a ajuda externa. O endividamento continua a um ritmo ga-lopante, muito devido aos investimentos dispendio-

    sos em auto-estradas e estdios de futebol, mas o vcio de pedir dinheiro emprestado est a termi-nar. Silva Lopes diz que resta continuar a apertar o cinto e fazer com que os ricos contribuam de forma mais substancial para o

    sacrifcio nacional. Sobre a educao, o ex-Governa-dor do Banco de Portugal lamenta que peque, se-melhana de outros ser-vios pblicos, pela inefi-cincia. Crtico impiedoso dos pedagogos e da falta de disciplina nas escolas,

    Silva Lopes refere que so os grupos de interesse que dominam o Ministrio da Educao.

    Define-se como um pessimista. Diz mesmo que estamos a atravessar a pior crise econmico-

    financeira das ltimas d-cadas. era previsvel esta hecatombe?

    Esperava um cenrio negativo, mas confesso que no to mau como est a ser. Como que aqui chegmos? Basica-mente por duas razes: perdemos competitivida-de internacional e gast-mos muito e mal. Quanto questo da competitivi-dade, a Europa, para onde as nossas exportaes ti-nham acolhimento privile-giado, abriu as fronteiras aos pases de leste e s naes no europeias e a concorrncia aumen-tou bastante. Entretanto, o mercado nacional foi ocupado por empresas estrangeiras em reas em que tnhamos produo. Foram factores que contri-buram para que o cresci-mento fosse muito redu-zido de 2000 at aos dias de hoje. Por isso que o rendimento em mdia dis-ponvel pelos portugueses pouco ou nada progrediu.

    e como explica que tivssemos sido perdul-rios em perodo de vacas gordas?

    Apesar de no crescer-mos, o consumo no ces-sou. O consumo aumen-tou muito mais do que a produo. Por outro lado, o investimento registou uma tendncia de queda nos anos recentes, inclu-sive no domnio da habi-tao. Apostou-se muito em investimento pouco eficiente e com escassa perspectiva de futuro. Se-ria prefervel apostar na construo de uma fbri-ca competitiva com vista ao crescimento do pas.

    j para no falar dos grandes investimentos pblicos, os materializa-dos e outros idealizados, muitos deles com reduzi-da relao custo-benef-cio

    O pas encheu-se de auto-estradas, que reco-

    nheo um investimento que traz grande comodi-dade para quem gosta de passear de norte a sul, mas sem grandes repercusses para o crescimento econ-mico. Temos mais autom-veis por habitante que os holandeses e os belgas. Passmos directamente da carroa e do burro, para o automvel e a auto-es-trada, mas no resto fic-mos iguais. Cometeram-se disparates enormes. Por exemplo, os estdios do Euro 2004. Em Leiria querem deitar o estdio abaixo. Defendo, meio a brincar, meio a srio, que se mantenha o estdio, a ganhar erva, para servir de exemplo populao de como se gasta dinheiro de forma perdulria. Seria um monumento estupidez nacional. O endividamento foi muito grande. Anual-mente estamos a gastar, em mdia, mais de 10 por cento do que aquilo que podemos. Isto incompor-tvel. A soluo tem sido ir ao estrangeiro pedir em-prestado, mas qualquer dia fecham-nos a torneira.

    e sobre os investimentos que esto em projecto?

    O TGV Lisboa-Porto um disparate absoluto. Quanto linha de alta velocidade entre Lisboa e Madrid, aqui fala o econo-mista e o portugus, acei-to, j que no gostaria de ver o TGV acabar em Ba-dajoz. No tenho dvidas que vai dar prejuzo, mas Portugal pertence Unio Europeia e no pode alhe-ar-se disso. Pelo menos que sirva para transpor-tar mercadorias em bitola europeia, de Lisboa at Polnia ou Finlndia. Isso era de utilidade fun-damental.

    aos erros estratgicos do estado soma-se o des-controlo e desgoverno por parte dos particulares. H algum fenmeno de imi-tao?

    Depois de na ;

  • MARCO 2011 /// 3

    dcada de 80 termos tido uma alta taxa de poupana, especialmente quando os emigrantes enviavam para c dinheiro, a taxa de aforro dos particulares , prova-velmente, uma das mais baixas da Eu-ropa. O mesmo se passa com o aforro do Estado e das empresas. Um pas que insiste em viver custa do emprstimo externo no consegue sair deste ciclo vicioso. Eu sinceramente pensava que a crise estalava por volta de 2005, o que teria sido melhor para ns.

    teramos recuperado mais cedo?

    Em 2005 as condies econmicas mundiais eram melhores e a nossa d-vida ainda no era to avultada. Seria mais fcil recuperar. Agora a situao especialmente complexa. Os mercados esto a emprestar cada vez menos a Por-tugal que est a viver muito sombra do Banco Central Europeu. Temos de sa-crificar o investimento para no castigar demasiado o consumo. A taxa de investi-mento ameaa o crescimento econmico no futuro de modo preocupante. Perante este quadro, no h outro remdio que no seja apertar o cinto, tanto do lado do Oramento do Estado, das famlias e das empresas.

    Como se costuma dizer, o doente no morre da doena, acaba por morrer da cura?

    O grande problema do apertar o cinto que faz diminuir a produo nacional. Com a retraco do consumo, adquire-se menos produtos produzidos c, as fa-mlias vo menos aos restaurantes, fre-quentam menos hotis dentro de portas, etc. O resultado o que j conhecemos: menos produo, menos crescimento e mais desemprego. O desemprego vai continuar a subir.

    o dfice no o maior problema que enfrentamos?

    Fala-se muito do dfice oramen-tal, mas o desequilbrio externo que verdadeiramente gravoso e, pelo me-nos at final de 2010, ainda no estava a ser combatido como deve ser. No meu entender no samos disto to depressa.

    Quando acontecer, a nossa recupe-rao ser mais lenta que a dos outros pases europeus?

    Certamente, porque o nosso desequi-lbrio externo no tem paralelo. Temos perspectivas de crescimento econmico no mdio prazo francamente pessimistas face aos restantes parceiros europeus, exceptuando porventura a Grcia. Nos prximos 5/6 anos no vejo que a situa-o se altere. Talvez consigamos aumen-tar algo as exportaes. Internamente creio que se o Estado no tivesse cortado 5 por cento na funo pblica, dentro de

    alguns meses os funcionrios pblicos no receberiam o seu salrio.

    Colhe o argumento que se ouve da vox populi que so sempre os mais desfavorecidos a sofrerem a maior fatia dos sacrifcios?

    Quem sofre verdadeiramente com as restries oramentais so os desempre-gados e a parcela mais pobre da popu-lao que perde os apoios sociais que tinha. Disso no tenhamos dvidas. Se compararmos com as pessoas que man-tiveram o seu emprego, constata-se que estas at no sofrerem um abalo to forte. Os grandes protestos esto a vir de grupos bem organizados, que esto longe de ser os mais necessitados, mas que no querem abdicar de ceder o seu bocadinho. Hoje em dia ningum quer perder direitos adquiridos, toda a gente acha que deve ganhar mais. Os polcias, os professores, etc. Quando devia acon-tecer o contrrio, deviam ganhar menos.

    pensa que os portugueses j interio-rizam a crise nos actos concretos do dia-a-dia?

    Registou-se uma grande transforma-o cultural na sociedade portuguesa. A poupana um valor do passado. Aforra-se pouco ou nada. O poder do marketing e o firme desejo de querer manter apa-rncias faz disparar o consumo. O que

    censurvel que os portugueses se re-velem extremamente imprudentes visto que certas funes que o Estado Social garantia h uns anos atrs, em breve po-dem no existir.

    Subscreve que pagamos muitos im-postos, mas ao contrrio de outros pa-ses no temos contrapartidas reflectidas, por exemplo, na Sade, justia ou edu-cao?

    A carga fiscal em Portugal no ex-cessiva em relao mdia europeia. No isto que surpreende. Chocante a ineficincia dos servios pblicos. No domnio da educao devamos se calhar investir ainda mais dinheiro, e melhor, devido s tais razes de natureza so-cial que atrs referi. O sistema de Sa-de bem melhor que o da Educao e da Justia. Existe uma clara ineficincia, mas no dos piores no contexto euro-peu. Mas isto explica-se pelo paradigma cultural: Aqui, mnima dor de cabea, corre-se para as urgncias. Em Inglater-ra, sistema que conheo bem porque a minha filha trabalha l, os mdicos do aos doentes apenas aquilo que devem dar e no tudo aquilo que eles lhe pe-dem. Aqui os mdicos no tm autorida-de suficiente para se impor. Neste sector como na educao os lbis so ainda mais diversificados e qui mais podero-sos, mas no vejo outra alternativa que no seja racionar os medicamentos. ;

    antnio pedro Ferreira / expresso H

  • 4 /// MARCO 2011

    Cara Da notCIa

    6 Jos da Silva Lopes, nasceu em Seia, Ourm, a 10 de Maio de 1932. Licenciado em Finanas, pelo Instituto Superior de Cincias Econmicas e Financ