Ensino Magazine nº 178

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Edição em papel digital de Dezembro de 2012

Text of Ensino Magazine nº 178

  • DEZEMBRO 2012 /// 01

    Joaquim Mouratopreside ao Ccisp

    politCniCo

    Ensino Magazinefaz acordos em Moambique

    lusofonia

    C p 5 E 23

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    Boas Festas

    dezembro 2012Diretor fundador

    Joo Ruivo

    DiretorJoo Carrega

    Publicao Mensal Ano XV K No178

    Distribuio Gratuita

    www.ensino.euAssinatura anual: 15 euros

    Helena Sacadura Cabral admite no ter pa-chorra para a poltica e afirma que a partidari-te uma doena complicada. De permeio fala do seu ltimo livro e da irreparvel perda do seu filho, Miguel.

    hElEna saCaDura Cabral

    C p 2 a 4

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    Jos Carlos Pinheiro, LdaNova Zona Industrial Castelo Branco

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    partidarite uma doenacomplicada

    C p 15

    Boas Festas

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    Autorizado a circular em invlucro fechado de plstico.Autorizao n DE01482012SNC/GSCCS

    Viagem ao ano do brasil em portugal

    C p 25Joo Vasco H

    ana baio / Expresso H

  • 02 /// DEZEMBRO 2012

    particular confesso que me apaixonei por um monarca: D. Dinis. Ns pensamos sempre nes-te monarca pelo prisma de povoador e das lendas da D. Isabel, do po e das rosas, mas acabei por descobrir nele um rei que imps o portugus como lngua (fosse em tratados, contratos, etc, onde se usava o latim), que mandou compilar legislao que estava dis-persa e definiu administrativamente o pas. Pensar com esta amplitude naquela poca era de todo improvvel e surpreendente. Fundou, atravs de diploma rgio a Universidade de Coimbra e desenvolveu o ramo do Direito, para que pudssemos contar com os nossos prprios especialistas.

    os portugueses conhecem de modo sufi-ciente a sua histria e os seus heris?

    Conhecem mal, facto que comprova-do pela crise que vivemos. O momento que atravessamos no nada de novo na histria de Portugal. J passmos por diversas crises de dvida pblica. Para alm disso, perdeu-se o orgulho pelos nossos heris, e foram bas-tantes. Estou muito vontade, porque sou sobrinha de um heri nacional, o aviador Sa-cadura Cabral, do qual j quase no se fala. Se perguntar na televiso a qualquer criatura sada da universidade quem este homem, so capaz de lhe dizer que foi um Presidente da Repblica ou um ministro.

    sente alguma mgoa pessoal por esse facto?

    Claro. Veja que at o feriado do 1. de de-zembro foi nesta onda de crescente esqueci-mento. Constato que a nossa vizinha Espanha tem um orgulho nos seus e uma raa que eu gostava que nos contagiasse Eu que at acho que a Ibria podia ser um projeto a equacionar. O que acontece na Europa que so os maiores a comerem os mais pequenos. H muita memria curta no velho continente. A Alemanha no seria o que hoje se no tivesse sido ajudada por alguns pases.

    pensa que os egosmos nacionais esto a inviabilizar a construo europeia?

    Sempre fui euroctica. Sempre duvidei que fosse possvel fazer uma Europa com os grandes e os pequenos, com uma moeda ni-ca e mais nenhuma identidade em comum. Acredito que s ser possvel conciliar inte-resses se avanarmos num projeto federal. Os fenmenos separatistas em Espanha, na Bl-gica e na Esccia devem ser encarados com grande preocupao.

    a Europa nasceu torta e dificilmente se endireita?

    preciso lembrar que o projeto europeu nasce, no para criarmos uma Europa do fu-turo, mas para que no futuro no se repe-tissem as guerras do passado. Torna-se, por isso, impossvel construir um futuro assim. No mundo globalizado em que vivemos o ;

    6 Sempre rejeitou incurses na poltica, mas durante toda a sua vida viveu rodeada por familiares que nela se aventuraram. Em discurso direto, Helena Sacadura Cabral admi-te no ter pachorra para a poltica e afirma que a partidarite uma doena complicada. De permeio fala do seu ltimo livro e da irre-parvel perda do seu filho, Miguel.

    no seu ltimo livro, os nove magnficos (Edio Esfera dos livros) conta o lado mascu-lino do poder exercido, aps j ter escrito as nove magnficas, em que se debruou sobre como o lado feminino influencia o exerccio do poder. Qual foi o critrio usado para escolher estas nove personalidades?

    Foi uma escolha muito pessoal e subjeti-va. O meu critrio de magnificncia no ser o mesmo de outras pessoas, mas fiquei satisfei-ta quando o Dr. Bago Flix, que apresentou o meu livro, me confidenciou que se fosse ele a escolher, os nomes no seriam muito diferen-tes. Uns foram escolhidos pela forma esplen-dida como exerceram o seu cargo, enquan-to outros foram forados a aceitar um cargo para o qual no contavam. Creio que uma das boas maneiras de se ensinar histria falar das estrias da histria e, no meu caso,

    partidarite uma doena complicadahElEna saCaDura Cabral

    que sou economista, fiz uma histria divul-gativa. Trata-se de uma ferramenta extraordi-nria de enquadramento para os movimentos econmicos que nascem dos comportamen-tos da sociedade e das formas de pensar.

    h algum trao em comum aos nove reis que analisou?

    Imensos. Sabe, depois de me ter debrua-do, primeiro sobre as mulheres e depois so-bre os homens, fiquei a perceber o que que se diz do ADN portugus. Nestes sculos de histria temos caractersticas surpreendente-mente comuns: somos donos de uma grande-za e simultaneamente de um grande orgulho, mas com uma auto-estima mnima. Parece que h ciclos na histria de Portugal em que passamos do grande ao pequeno, sem se sa-ber bem como. No por acaso que o portu-gus profundamente marcado por uma can-o como o fado. Isto de ser portugus no fcil. Mas eu tenho uma teoria: Talvez por nos querermos sentir mais europeus do que portugueses que s vezes nos esquecemos dos nossos heris.

    todas os que retratou foram, sua manei-ra, bons governantes?

    Nem todos. Isso varia de poca para po-ca. Uns foram mais combativos, outros menos. Uns pensaram Portugal virado para o mundo, como o foi o caso da saga dos Descobrimen-tos, enquanto outros pensaram o pas terri-torialmente, outros definiram Portugal como pensamento e como histria, etc. Veja o caso particular de D. Jos, que se escudava na per-sonagem marcante do Marqus de Pombal, que executava a vontade do rei. No meu caso

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  • DEZEMBRO 2012 /// 03

    efeito domin pode mudar tudo, de um mo-mento para o outro. Podemos ser vtima de tsunamis financeiros ou econmicos ou sofrer o efeito domin de escndalos como foi o que aconteceu com Madoff, nos Estados Unidos. Perante este mundo de tremenda contingn-cia, era muito bom que tivssemos um teci-do nacional prova de bala. A comear pelo sentimento de gostar de ser portugus. Eu intitulo-me como uma mulher do sculo XXI que ama apaixonadamente o pas onde nas-ceu. Posso discordar das decises de algumas pessoas que nos comandam, mas que rem-dio eu tenho, se lhes deram o poder de forma legtima e democrtica? Com ditaduras que no vamos l

    Voltando aos nossos heris. Desconhecer a nossa histria ignorar o presente?

    Vamos por mau caminho se no transmi-tirmos o orgulho de termos tido uma determi-nada histria e persistirmos em limpar certas passagens que, por algum motivo, no agra-dam. Os prprios programas de ensino tm vindo a sofrer com isso. Quando que se fa-lar nestes pas, em termos normais, do per-odo do Estado Novo? Vejo que 40 anos passa-dos, ainda se fala dos bons e dos maus. Em termos polticos considero que as democra-cias quando no so personalizadas tornam vagas as culpas, tornam dispersos os orgu-lhos. Fica tudo muito diludo. As democracias diretas so melhores nesse aspeto, porque h algum a quem pedir contas. No regime que temos so os partidos o rosto da responsabi-lidade. Sabemos o nome do primeiro da lista, mas da para trs no fazemos ideia.

    Este livro que agora lanou foi escrito du-rante a doena do seu filho, que acabou por falecer em abril. Este um tributo a Miguel portas?

    A morte de um filho a dor maior a que um ser humano pode ser submetido. Este li-vro -lhe inteiramente dedicado e teria dado muito prazer ao meu filho. A escrita ajudou-me a colocar a cabea em ordem. Durante o perodo da doena do Miguel, tive dias de trabalhar 12 horas a fio. Talvez por isso editei 5 livros em apenas 2 anos e meio. A morte do Miguel teve um lado de exposio pblica to grande que eu no pude chorar o meu filho nos dias que se seguiram ao falecimen-to. Para alm disso fiquei imensamente grata e comovida com as mltiplas manifestaes de solidariedade que me chegaram. O Miguel faleceu a 24 de abril e no dia 1 de maio eu es-tava na Feira do Livro a dar autgrafos. A me-lhor homenagem que lhe podia fazer era dar seguimento ao seu pedido para que a minha vida continuasse no dia em que ele partisse.

    li que quer fazer um dos prximos livros de divulgao histrica sobre lderes polticos carismticos. o que nos pode revelar? h al-gum portugus?

    Estrangeiros gostaria de abordar Chur-chill, Mitterrand e De Gaule, por exemplo. Um poltico portugus seria Mrio Soares. um homem indubitavelmente corajoso e Portugal deve-lhe muito. Toda a histria ps-revolu-cionria poderia ter sido diferente se ele no tivesse intervindo. O problema que eu no gosto de biografias de vivos, logo agora que h muito esse hbito. J temos Sampaio, te-

    mos Marcelo, etcA poltica fascinante enquanto objeto de

    estudo e os polticos so pessoas muito curio-sas para se biografar. As duas dimenses, en-quanto atores da cena politica, e o seu lado mais pessoal, com os medos, as vidas familia-res, os dramas, etc.

    a anlise do exerccio do poder algo que a atrai fortemente?

    Odeio o poder, porque leva ao de cima tudo o que os seres humanos tm de menos bom, mas gostaria de me colocar na posio de um homem de poder. A autoridade nunca um exerccio agradvel, nem mesmo para quem a exerce. Quem toma medidas, sabe que vai sempre causar desagrado e descon