Epistemologia Introdução (Crayling)

  • Published on
    14-Oct-2015

  • View
    7

  • Download
    0

Embed Size (px)

Transcript

A EpistemologiaA. C. GraylingBirkbeck College, LondresSt Annes College, OxfordIntroduoA epistemologia, tambm chamada teoria do conhecimento, o ramo fa filosofia interessado na investigao da natureza, fontes e validade do conhecimento. Entre as questes principais que ela tenta responder esto as seguintes. O que o conhecimento? Como ns o alcanamos? Podemos conseguir meios para defend-lo contra o desafio ctico? Essas questes so, implicitamente, to velhas quanto a filosofia, embora seu primeiro tratamento explcito seja o encontrado em Plato (427-347 AC), em particular noTheaetetus. Mas primordialmente na era moderna, a partir do sculo XVII em diante - como resultado do trabalho de Descartes (1596-1650) e Locke (1632-1704) em associao com a emergncia da cincia moderna - que a epistemologia tem ocupado um plano central na filosofia.Um passo bvio na direo de responder a primeira questo tentar uma definio. A definio padro, preliminarmente, a de que o conhecimento crena verdadeira justificada. Esta definio parece plausvel porque, ao menos, ele d a impresso de que para conhecer algo algum deve acreditar nele, que a crena deve ser verdadeira, e que a razo de algum para acreditar deve ser satisfatria luz de algum critrio - pois algum no poderia dizer conhecer algo se sua razo para acreditar fosse arbitrria ou aleatria. Assim, cada uma das trs partes da definio parece expressar uma condio necessria para o conhecimento, e a reivindicao a de que, tomadas em conjunto, elas so suficientes.H, contudo, dificuldades srias com essa idia, particularmente sobre a natureza da justificao requerida para a crena verdadeira eqivaler a conhecimento. Propostas competidoras tem sido oferecidas para acolher as dificuldades, ou para acrescentar mais condies ou para achar um enunciado melhor para a definio posta. A primeira parte da discusso que se segue considera essas propostas.Paralelamente a esse debate sobre como definir o conhecimento h um outro sobre como o conhecimento adquirido. Na histria da epistemologia tivemos duas principais escolas de pensamento sobre o que constitui o meio mais importante para o conhecer. Uma a escola "racionalista", que mantm que a razo responsvel por esse papel. A outra a "empirista", que mantm que a experincia, principalmente o uso dos sentidos, ajudados, quando necessrio, por instrumentos, que responsvel por tal papel.O paradigma de conhecimento para os racionalistas a matemtica e a lgica, onde verdades necessrias so obtidas por intuio e inferncia racionais. Questes sobre a natureza da razo, a justificao da inferncia e a natureza da verdade, especialmente da verdade necessria, pressionam para serem respondidas.O paradigma dos empiristas a cincia natural, onde observaes e experimentos so cruciais para a investigao. A histria da cincia na era moderna d sustentao causa do empirismo; mas precisamente para esta razo, questes filosficas sobre percepo, observao, evidncia e experimento tem adquirido grande importncia.Mas para ambas tradies em epistemologia o interesse central se podemos confiar nas rotas que elas respectivamente denominam. Os argumentos cticos sugerem que no podemos simplesmente assumi-las como confiveis; certamente, elas sugerem que trabalho necessrio para mostrar que elas so confiveis. O esforo para responder ao ceticismo, portanto, fornece um modo distinto de entender o que crucial em epistemologia. A segunda parte est concentrada na anlise do ceticismo e algumas respostas a ele.H outros debates em epistemologia sobre, entre outras coisas, memria, julgamento, introspeco, raciocnio, distino "a priori- a posteriori", mtodo cientfico e diferenas metodolgicas, diferenas metodolgicas, se h, entre cincias da natureza e cincias sociais; as questes consideradas aqui so bsicas para todos esses debates.ConhecimentoDefinio de ConhecimentoH diferentes modos pelos quais algum poderia ser indicado como tendo conhecimento. Algum pode conhecer pessoas ou lugares, no sentido de estar familiarizado com eles. Isso o que se quer dizer quando algum fala "Meu pai conhecia Lloyd George". Agum pode conhecer como fazer algo, no sentido de possuir uma habilidade ou destreza. Isso o que se quer dizer quando algum fala "Eu sei jogar xadrez". E algum pode saber que algo o caso quando algum fala "Eu sei que o Everest montanha mais alta". Este ltimo modo s vezes chamado de "conhecimento proposicional", e a espcie que os epistemlogos mais desejam entender.A definio de conhecimento j mencionada - conhecimento crena verdadeira justificada - entendida como uma anlise do conhecimento no sentido proposicional. A definio obtida perguntando que condies tem de ser satisfeitas quando queremos descrever algum como conhecendo algo. Ao dar a definio enunciamos o que esperamos que sejam as condies necessrias e suficientes para a verdade da afirmao "S sabe quep", onde "S" o sujeito epistmico - o suposto conhecedor - e "p" a proposio.A definio sustenta um ar de plausibilidade, ao menos quanto aplicada ao conhecimento emprico, porque parece encontrar o mnimo que pode ser esperado como necessrio a partir de um conceito conseqente. Parece correto esperar que se S sabe quep, entopdeve, ao menos, ser verdadeira. Parece certo esperar que S deve no meramente supor ou esperar quep o caso, mas que deve ter um atitude epistmica positiva em relao ap: S deve acreditar que ela verdadeira. E se S acredita em alguma proposio verdadeira enquanto ela no tem nenhum fundamento, ou fundamentos incorretos, ou meramente fundamentos arbitrrios ou imaginrios, no diramos que S conhecep; querendo dizer que S deve ter bases para acreditar quepem algum sentido propriamente justificado de assim proceder.Dessas condies propostas para o conhecimento, a terceira que d mais problema. A razo simplesmente ilustrada com contra-exemplos. Esses toma a forma de casos em que S acredita em uma proposio verdadeira para o que so de fato razes erradas, embora elas so a partir dele prprio um ponto de vista persuasivo. Por exemplo, suponha que S tenha dois amigos, T e U. O ltimo est viajando, mas S no tem idia de onde ele est. Como para S, T disse estar comprado um carro e aps dirigir um Rolls Royce, portanto acredita-se que ele o dono de um. Agora, a partir de qualquer proposiopalgum pode validamente inferir a disjuno "pouq". Assim, S tem fundamentos para acreditar que "T proprietrio de um Rolls Royce ou U est em paris", mesmo embora,ex hypothesi, ele no tenha idia da localizao de U. Mas suponha que T de fato no tem seu prprio Rolls Royce - ele o comprou para uma outra pessoa, e ele dirigiu uma parte para ela. Alm disso, a suposio posterior fato, que U est, por ocasio, em Paris. Ento S acredita, com justificao, uma proposio verdadeira: mas no deveramos querer chamar sua crena de conhecimento.Exemplos como este so artificiais, mas eles cumprem sua funo; eles mostram que necessrio ser dito mais sobre justificao antes de afirmarmos tem um relato adequado de conhecimento.JustificaoPreliminarmente, uma questo sobre se tendo justificaes para acreditar que algumpimplica a verdade dep, pois, se assim , contra-exemplo do tipo mencionado nesse momento nada alcana e no precisamos persebuir modos de bloque-los. H certamente uma perspectiva, chamada "infalibiismo", que oferece exatamente um tal recurso. Ela estabelece que se verdadeiro que S conhecep, ento S no pode esta enganado em acreditar emp, e portanto sua justificao para acreditar empgarante sua verdade. A afirmao , em resumo, que algum no pode estar justificado na crena de uma proposio falsa.Essa perspectiva rejeitada pelos "falibilistas", cuja afirmao a de que algum pode de fato ter uma justificao para acreditar em algumpembora ele seja falso. Sua considerao para o infalibilismo volta-se sobre a identificao de um engano em no seu argumento sustentado . O engano que apesar de que a verdade de "S sabe quep" certamente nega a possibilidade de que S est em erro, isto est bem distante de dizer que S est situado de tal modo que ele no pode, possivelmente, estar errado sobrep. correto dizer: (1) " impossvelpara S estar errado sobrepse ele conhecep", mas no invariavelmente certo dizer (2) "se S conhecep, ento impossvelpara ele estar errado sobrep". O engano est em pensar que a leitura correta de amplo escopo (1) de " impossvel" autoriza a leitura de escopo estreito (2) que constitui o infalibilismo.Um infalibilista conta que fazer a definio de conhecimento parece simples: S sabe quepse sua crena emp justificada infalivelmente. Mas essa definio produz uma noo de conhecimento tambm restrita, pois ela diz que S pode justificar sua crena empsomente quanto a possibilidade da falsidade depestiver excluda. Embora parea ser um lugar comum da experincia epistmica que algum pode ter a melhor evidncia ao acreditar em algo e ainda assim estar errado (como a abordagem do ceticismo dada adiante lamenta mostrar), que dizer que o falibilismo parece somente explicar a justificao adequada aos fatos da vida epistmica. Precisamos, portanto, ver se as teorias falibilistas de justificao podem nos dar uma abordagem adequada do conhecimento.O problema da abordagem falibilista precisamente o exemplo ilustrado pelo exemplo do Rolls Royce e outros similares (os assim chamados exemplos de Gettier, introduzidos pro Gettier, 1963), a saber, que a justificao de algum para acreditar quepno conecta com a verdade depde um modo correto, e talvez absolutamente de modo algum. O que preciso um quadro claro de "crena justificada". Se algum pode identificar o que justifica uma crena, algum tem tudo para dizer, ou a maior parte, o que justificao; e nessa trilha esse algum ter mostrado a conexo correta entre justificao, de um lado, e crena e verdade, de outro. Em relao a essa conexo h vrios tipos padres de teorias.FundacionismoUma classe das teorias de justificao emprega a metfora de uma edifcio. A maioria de nossas crenas ordinrias requer sustentao de outras; temos de justificar uma dada crena apelando para outras e mais outras sobre a