Epistemologia Naturalizada Vs Epistemologia Especulativa

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Apresentação de Filosofia

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Durante meus estudos sobre epistemologia fiquei muito intrigado com debate entre a Epistemologia Naturalizada e a Epistemologia clssica Especulativa. Desde meus primeiros contatos com esta disputa idealizei um dilogo entre filsofos importantes representando e defendendo suas correntes epistemolgicas. Vi nos textos de Hilary Kornblith e Richard Feldman do livro Compndio de Epistemologia, exatamente o aquilo que estava buscando.

Minha ideia inicial era de apenas buscar as semelhanas entre ambas as vertentes para propor uma viso um pouco mais moderada de ambos os lados. Porm, conforme fui avanando na pesquisa comecei a desconfiar da sinceridade da conversa entre clssicos e naturalistas, visto que embora ambas as correntes tenham objetivos epistmicos aparentemente comuns, ambas as correntes conservam particularidades decisivas que caso forem enfraquecidas em prol de uma epistemologia moderada, colocam em risco toda a corrente epistemolgica. Alm disso, notei vrios traos de flame war1 na conversa e verifiquei que por mais imparcialmente que apresentasse minha opinio, eu no conseguiria chegar ao level2 desejado de sinceridade, pois o mximo que poderia fazer seria apresentar uma epistemologia moderada com tendncia para o lado que me fosse mais atraente.

Para evitar isso, dediquei-me a uma anlise metaepistemolgica3 com a inteno de verificar a sinceridade do dilogo entre as correntes analisadas e qual o caminho que este debate deve tomar. Gostaria de deixar claro que quando falo em Naturalismo e Especulativos Clssicos, estou me referindo ao naturalismo de Kornblith e a epistemologia especulativa de Feldman, a viso de outros filsofos pode ser diferente, mas este trabalho leva em conta apenas os textos de Kornblith e Feldman devido s limitaes da pesquisa.

O Naturalista Kornblith inicia sua defesa ao naturalismo epistemolgico com a seguinte anlise da tradio cartesiana: Descartes oferece uma teoria unificada que responde simultaneamente trs questes centrais para a epistemologia. A saber: (1) O que o conhecimento? (2) Como possvel conhecer? (3) O que devemos fazer para alcanar o conhecimento?

Para questo (1) conhecimento apresentado como uma crena sobre a qual no podemos conceber erro ou crena derivada de tais crenas fundacionais atravs de processos inferenciais adequados, por exemplo, que as crenas sobre nossos prprios estados mentais satisfazem tais exigncias para termos conhecimento acerca de Deus e da existncia.

Partindo do pressuposto que as crenas que constituem conhecimento so imunes ao erro e que possvel chegar a tais crenas a partir das inferncias citadas acima, Descartes responde a questo (2).

(3) O modelo cartesiano nos diz que para alcanar o conhecimento devemos abandonar nossas crenas sobre o mundo exterior, pois estas podem suceder duvida, e aceitar as crenas apenas se elas satisfizerem as exigncias fundacionais.

Dentro deste modelo a epistemologia a filosofia primeira e o conhecimento logicamente anterior a qualquer experincia emprica. Isso significa dizer que nenhuma cincia emprica pode ser feita sem que tenhamos uma teoria epistemolgica para direcionar nossas crenas.

A resposta de Descartes questo (1) possibilita e desencadeia as respostas das questes (2) e (3), por isso Kornblith diz que trata-se de um teoria unificada e diz que exatamente por isso que enfrenta srias dificuldades.

Para Kornblith, a resposta de Descartes aos cticos era seus altos padres. O filosofo que enfraquece estes padres destri a resposta tradicional a questo (2), claro que com os padres enfraquecidos ele poder enquadrar varias de nossas crenas como Conhecimento.

Neste exerccio de autocongratulao a resposta (3) tambm arruinada, Pois acaba nos levando a um statu quo epistemolgico no-crtico, onde a funo central de corrigir nossos erros pr-tericos surrupiada da epistemologia. Assim sendo, o fundacionismo de Descartes falha porque a tentativa de reconstruir nosso conhecimento a partir de uma base indubitvel se provou impossvel e qualquer tentativa de enfraquecer os padres necessrios para termos tal base nos leva a privao de significncia a teorizao epistemolgica.

Numa teoria naturalista o conhecimento encarado como um fenmeno natural e o papel fundamental da epistemologia no explicar o conceito conhecimento e sim de oferecer uma boa explicao acerca de tal fenmeno. Para isso, o filsofo deve abandonar a velha anlise conceitual e partir a investigao do prprio fenmeno do conhecimento4 atravs do exame de aparentes casos claros de conhecimento. medida que cresce nossa compreenso terica do fenmeno, casos que pareciam claros podem vir a se mostrarem casos de no conhecimento e outros no to claros podem ser considerado conhecimento de fato. Isso se d porque a verdadeira natureza do conhecimento pode no estar em suas caractersticas mais salientes.

Primeiramente devemos examinar os diversos mecanismos psicolgicos pelos quais o conhecimento produzido e retido, parece tambm haver um importante elemento social dentro destes mecanismos. Devemos investigar tais mecanismos em busca daquilo que eles possuem em comum, se que eles possuem este algo comum. Existem diversas linhas de investigao destes mecanismos que completam-se umas as outras. A investigao epistmica naturalizada pressupe que exista algo de comum nos casos de conhecimento, este pressuposto no trivial e poderia se mostrar falso, revelando que a ideia de conhecimento se mostrou baseada em erro, no entanto Kornblith cr que no h razo para tal pessimismo..

(1) Conhecimento crena verdadeira produzida de maneira confivel5. O que os casos de conhecimento possuem em comum tem a ver com o modo pelas quais nossas crenas so produzidas. Tal concepo exige apenas certa sensibilidade a caractersticas do ambiente (reflexo exato do ambiente do agente). (2) Para respondermos como possvel o conhecimento, precisamos saber como que nosso aparelho cognitivo permite a possibilidade de termos crena confiavelmente produzida. Todas as cincias envolvidas com esta investigao devem ser consideraras neste processo, a questo (2) transformar-se6 em at que ponto as criaturas com nossa condio fisiolgica, psicolgica, biolgica e social podem ser harmonizadas com seu ambiente e produzir conhecimento.

(3) Kornblith acredita que o nico conselho epistmico continuar o que j est sendo feito, pois nossa condio epistmica no precisa se aprimorada, mas se diz ciente que podemos cometer erros graves no processo cognitivo oriundos da aquisio irrefletida de crenas no-confiveis. Uma compreenso de nossos mecanismos ir revelar nossas foras e fraquezas, direcionado assim as reas que necessitamos de maior ateno para que possamos superar nossas deficincias no processo cognitivo. Da mesma maneira que o projeto cartesiano apresenta uma posio forte e unifica acerca destas trs questes centrais da epistemologia, o projeto naturalista tambm o faz. Porm Descartes encarava a epistemologia como a filosofia primeira e os naturalistas a encaram como mera parte do empreendimento cientifico7.

Kornblith cr que no h nada de errado com a investigao de nossos mecanismos cognitivos em busca da descoberta de nossas foras e fraquezas, ele diz que esta busca deve ser encarada como um til conselho epistmico. O problema que se pode questionar que tal investigao cientifica e no filosfica. Ao contrario da epistemologia especulativa clssica, os naturalistas no veem tal diferenciao entre filosofia e cincia, eles afirmam que toda epistemologia feita a priori imprudente, pois isola a epistemologia da informao importante para seus projetos. O que parece que o debate sobre se a epistemologia naturalizada ou no filosofia no sincero, pois h uma concepo diferenciada8 sobre o que investigao filosfica entre especulativos e

naturalistas.

O jogo entre naturalistas e clssicos est em saber se de fato existe uma rea legitima de investigao epistemolgica a priori. Casos os naturalista venam o projeto clssico mostrou-se fracassado, caso percam seus projetos podem continuar a ser empreendidos, porm devem ser encarados como filosofia aplicada 9. Os ant-naturalistas fazem a seguinte anlise acerca das trs questes do projeto de uma epistemologia naturalizada:

(1) No est relacionada s caractersticas do fenmeno conhecimento no mundo, mas sim sobre nosso conceito de conhecimento, que nos permite reconhecer que certas coisas so e outras no so instncias do conhecimento. (2) uma questo sobre a maneira como se deve responder ao ceticismo, uma questo que necessita de uma reconstruo lgica do conhecimento e no sobre os diversos mecanismos que tornam o conhecimento logicamente possvel. (3) Ao mesmo tempo em que existem questes empricas legtimas sobre a melhor maneira de treinar os indivduos para que sejam capazes de superar suas deficincias cognitivas. Filosoficamente esta questo deve estar voltada aos objetivos cognitivos que precisam ser atingidos para que possamos ter conhecimento.

Frente anlise clssica da questo (1), Kornblith diz que tal como o conceito de alumnio pouco relevante para a Qumica numa investigao acerca do fenmeno alumnio, o conceito conhecimento pouco relevante para uma investigao epistemolgica acerca do fenmeno conhecimento. Os naturalistas consideram o projeto de resposta ao ceticismo (2) um beco sem sada devido s questes apresentadas na fase 1-1 deste trabalho. E Por fim, para estabelecer alguma conexo com o fenmeno do conhecimento necessrio olhar para o empreendimento de obteno do conhecimento e ver quais objetivos esto nele agregados (3). A concluso do artigo que projetos epistmicos naturalistas e especulativos tm vises antagnicas acerca de quais questes so genuinamente interessantes ou importantes em suas pesquisas. Kornblith est confiante que a epistemologia naturaliza possui argumentos slidos para vencer este jogo.

Apenas com o artigo de Kornblith acredito que j s