Estenose de Carotida Ecografia Duplex Scan

  • Published on
    16-Jul-2015

  • View
    1.120

  • Download
    0

Embed Size (px)

Transcript

Duplex Scan Arterial

Alberto Sarquis

Mtodos no Invasivos: Duplex Scan ArterialAlberto Loureno Sarquis

DUPLEX SCAN DE CARTIDAS O Duplex Scan com o mapeamento a cores do fluxo das artrias cartidas o mtodo de diagnstico mais importante e largamente usado na avaliao da circulao extra craniana. A utilizao da informao anatmica e hemodinmica pelo Duplex Scan, particularmente com a imagem em tempo real e o mapeamento angiogrfico, faz deste um exame verstil e de alta acurcia, permitindo grande nmero de cirurgias (endarterectomia) somente com as suas informaes. Instrumental e princpios fsicos Para a obteno de exames acurados necessita -se de equipamentos especficos com transdutores lineares, sendo as freqncias para a imagem situadas entre 5,0 e 12 MHz. As freqncias Doppler variam de 3,0 a 5,0 MHz para o Doppler pulsado e de 5,0 a 7,5 MHz para o mapeamento a cores do fluxo. Familiaridade com os princpios elementares do Doppler e do ultra-som essencial para a realizao de um exame tecnicamente adequado.

As principais indicaes: a) pacientes com conhecida patologia arteriosclertica comprometendo o sistema cardiovascular; histria de ataque isqumico transitrio ou sintomas de insuficincia vascular cerebral; histria equvoca ou sintomas questionveis de insuficincia vascular cerebral; hipertenso arterial; diabetes; histria familiar; sopros na regio cervical principalmente na regio da cartida; endarterectomia operatrio pr, per e e ps

b)

c)

d) e) f) g) h)

Protocolo de investigao Com a realizao de varreduras em transversal e longitudinal so obtidas imagens para o estudo anatmico e hemodinmico. O estudo Doppler pulsado - para a quantificao das velocidades melhor realizado em Pgina 1 de 24

Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Macei: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponvel em: URL: http://www.lava.med.br/livro

16/05/2003

Duplex Scan Arterial cortes longitudinais e posicionamento ngulo entre 50 e 60 graus. Caracterizao da placa As placas podem ser caracterizadas basicamente em dois grandes grupos: homogneas e heterogneas. Estes dois grupos ainda podem ser subdivididos em cinco outros, estando os tipos I e II mais relacionados com o aparecimento de ulcerao e hemorragia intraplaca: a) tipo I - Placa ecolucente com ou sem fina camada ecognica; b) tipo II - Placa predominantemente ecolucente com rea ecognica maior que 50% da rea total da placa; c) tipo III - Placa predominantemente ecognica com rea ecolucente menor que 50% da rea da placa; d) tipo IV - Placa uniformemente ecognica; e) tipo V - Placa calcificada ocorrendo a formao de significativa sombra acstica. Com relao ao diagnstico de ulcerao, os mtodos de imagem podem no ser sensveis o suficiente para detectar estas regies que, s vezes, so menores que 1,0 mm em dimenso. As placas podem ter superfcie lisa ou irregular. Na presena de irregularidade, as que possuem profundidade maior que 2,0 mm so fortemente sujeitas a estarem ulceradas. Quantificao do grau de estenose Com a publicao dos estudos multicntricos mais recentes ECST, NASCET e ACAS vse que a simplificao de critrios para a quantificao da estenose das artrias cartidas pode conduzir o resultado final para valores que no correspondem realidade do grau de estenose. Sempre que possvel devese utilizar todos os parmetros de velocidade e de medida direta da estenose, informando tambm qual critrio est sendo usado naquela quantificao critrios do ECST ou critrios NASCET/ACAS. Quando utilizamos as velocidades na quantificao, os critrios de Bluth ainda fornecem dados que direcionam para a segmentao de uma estenose prxima dos 16/05/2003 do critrios utilizados multicntricos. nos

Alberto Sarquis grandes estudos

Estenose VPScm/s VDFcm/s VPS CI/CC VDF CI/CC Aliasing cm/s 0% < 110 < 40 < 40 < 40 > 40 > 100 < 1,8 < 1,8 < 1,8 < 1,8 > 3,7 < 2,4 < 2,4 < 2,4 > 2, > 5,5 < 30 < 40 < 40 > 40 > 80 01 a 39% < 110 40 a 50% < 130 60 a 79% > 130 80 a 99% > 250

Na atualidade, com o benefcio do mapeamento a cores do fluxo, passou-se a valorizar mais a medida direta do dimetro e, quando possvel, a quantificao da estenose em reduo da rea.

Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Macei: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponvel em: URL: http://www.lava.med.br/livro

Pgina 2 de 24

Duplex Scan Arterial

Alberto Sarquis

Figuras 1,2,3 e 4 - Mapeamento a cores do fluxo e mapeamento angiogrfico mostrando paredes normais e regulares da cartida interna direita em paciente de 76 anos. Notar longo segmento distal visibilizado da CID. O Doppler pulsado mostrando anlise espectral com fluxo caracterstico da Cartida Interna e velocidades normais.

Figuras 5 e 6 - Ultra-som bidimensional e mapeamento angiogrfico do fluxo. notar definio precisa da bifurcao da cartida comum direita, poro proximal da cartida interna direita e poro proximal da cartida externa direita sem evidncias de processo ateromatoso significativo. O segmento distal visibilizado da cartida interna direita tambm est sem evidencias de processo ateromatoso significativo.

Figuras 7,8 e 9 - Ultra-som bidimensional, mapeamento angiogrfico e Doppler pulsado com anlise espectral do fluxo, mostrando fluxo normal caracterstico na cartida comum, cartida interna e cartida externa. Notar alterao significativa do fluxo na cartida externa (setas) com a realizao de compresso na artria temporal.

Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Macei: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponvel em: URL: http://www.lava.med.br/livro

16/05/2003

Pgina 3 de 24

Duplex Scan Arterial

Alberto Sarquis

paredes internas regulares e sem evidncias de processo ateromatoso. Os dimetros distais da cartida interna podem ser medidos. Este dimetro ser comparado com o dimetro da luz estentica (critrio NASCET-ACAS), quando presente, quantificando o grau de estenose.

Figuras 14 e 15 - Mapeamento angiogrfico da bifurcao da Cartida Comum com definio rpida e confivel da anatomia. Fluxo na Cartida Interna Esquerda, Cartida Externa Esquerda e Artria Tireoidiana Superior.

Figuras 10,11,12 e 13 - Ultra-som bidimensional normal do bulbo e longo segmento visibilizado da Cartida Interna. Mapeamento angiogrfico (a cores) do fluxo mostrando

Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Macei: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponvel em: URL: http://www.lava.med.br/livro

16/05/2003

Pgina 4 de 24

Duplex Scan Arterial

Alberto Sarquis

Figuras 20 e 21 - Pequena placa ateromatosa na Cartida Interna Esquerda com luz estentica residual de aproximadamente 3,35 mm (mdia de 5 medidas). Estenose local (ECST) de aproximadamente 45% de reduo do dimetro (40 a 50%). Estenose de aproximadamente 15 a 25% de reduo do dimetro pelos critrios NASCET ACAS. Sem evidncias de repercusso hemodinmica significativa.

Figuras 16,17,18 e 19 - Mapeamento angiogrfico do fluxo na Cartida Interna Esquerda evidenciando estenose importante severa na sua poro proximal. A luz estentica residual no ponto de maior estenose foi de aproximadamente 1,6 mm (mdia de 5 medidas). Dimetros distais da Cartida Interna Esquerda de aproximadamente 4,2 mm. Estenose local (ECST comparado com o dimetro do vaso no local da estenose) de aproximadamente 75 a 85% de reduo do dimetro. Estenose de 55 a 65% de reduo do dimetro pelos critrios NASCET ACAS (comparado com os dimetros distais da Cartida Interna). Deve-se informar por qual critrio o grau de reduo do dimetros. O paciente apresenta ocluso total da Cartida Interna Direita. O Doppler pulsado com a anlise espectral e as velocidades do fluxo aps a estenose no so adequados para uma quantificao to precisa do grau da estenose.

Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Macei: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponvel em: URL: http://www.lava.med.br/livro

16/05/2003

Pgina 5 de 24

Duplex Scan Arterial

Alberto Sarquis

Direita e de 58% (55 a 65%) de reduo do dimetro na Cartida Comum Esquerda.

Figuras 22 e 23 - Placa ateromatosa pouco ecognica, lisa, localizada na poro bem proximal da Cartida Interna Direita. Luz estentica residual no ponto de maior estenose de aproximadamente 4,85 mm (mdia de 5 medidas). Notar mapeamento angiogrfico do fluxo delimitando bem a luz arterial no local da placa. Estenose local (ECST) de aproximadamente 25 a 35% de reduo do dimetro. Sem evidncias de estenose significativa pelos critrios NASCET ACAS. Os dimetros distais da Cartida Interna Direita foram estimados em aproximadamente 4,2 mm.

Figuras 26 e 27 - Corte transversal de placa ateromatosa localizada na poro proximal da Cartida Interna Direita (comprometimento maior das paredes lateral e posterior). A luz estentica residual no ponto de maior estenose pode ser medida em dimetro ltero-lateral (menor dimetro) e dimetro ntero-posterior (maior dimetro). O dimetro da cartida neste ponto de maior estenose de aproximadamente 6,5 mm. Dimetros distais da Cartida Interna Direita de aproximadamente 3,8 mm. Estenose local (ECST) de aproximadamente 70 a 80%. Estenose NASCET de aproximadamente 55 a 65%. As medidas so feitas utilizando o menor dimetro. O Doppler pulsado com a anlise espectral mostra aumento nas velocidades sistlica e diastlica, porm de pouca utilidade na quantificao precisa do grau de estenose. Notar a import ncia do estudo bidimensional e do mapeamento a cores do fluxo na determinao dos dimetros.

Figuras 24 e 25 - Placa ateromatosa extensa na Cartida Comum Direita e Cartida Comum Esquerda. Os critrios de quantificao da estenose pela velocidade no so aplicveis na Cartida Comum. Luz estentica residual de 3,3 mm na Cartida Comum Direita e de 3,6 mm na Cartida Comum Esquerda. Ocorre estenose local de 56% (50 a 60%) de reduo do dimetro na Cartida Comum Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Macei: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponvel em: URL: http://www.lava.med.br/livro

16/05/2003

Pgina 6 de 24

Duplex Scan Arterial

Alberto Sarquis

arterial. Corte transversal mostra luz estentica residual de aproximadamente 2,3 mm para uma luz normal do vaso de aproximadamente 5,0 mm. Ocorre estenose local (ECST) de aproximadamente 54% (50 a 60%) de reduo do dimetro. Quando baseado nos dimetros distais da Cartida Interna (NASCET-ACAS) a estenose de aproximadamente 40% (35 a 45%) de reduo do dimetro. O Doppler pulsado no evidenciou repercusso hemodinmica significativa estando as velocidades dentro dos limites normais.

Figuras 28,29,30 e 31 - Placa ateromatosa com pontos de calcificao focal. Em corte longitudinal esta placa aparenta no estar causando estenose significativa na luz

Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Macei: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponvel em: URL: http://www.lava.med.br/livro

16/05/2003

Pgina 7 de 24

Duplex Scan Arterial

Alberto Sarquis

Figuras 32,33,34 e 35 - Estenose severa pr bifurcao (poro bem distal da Cartida Comum Direita). Ocorre aumento significativo da resistncia vascular e diminuio das velocidades do fluxo (sistlico e diastlico) na Cartida Comum Direita. Fluxo acelerado e turbulento, com velocidades elevadas na Cartida Interna Direita e Cartida Externa Direita. Luz estentica residual pr bifurcao de aproximadamente 1,3 mm. Estenose local de 85 95 % de reduo do dimetro.

Figuras 36,37,38,39 e 40 - Paciente com sopro na regio da bifurcao da Cartida Direita. Eco-Color-Doppler evidenciou placa ateromatosa na bifurcao e com extenso para a poro proximal da Cartida Interna Direita e Cartida Externa Direita. Luz estentica residual de aproximadamente 2.1 mm da Cartida Externa Direita com estenose local de 50 a 60% de reduo do dimetro. Luz estentica residual de aproximadamente 3,2 mm da Cartida Interna Direita com estenose local de 45 a 55% de reduo do dimetro. No ocorre repercusso hemodinmica significativa na Cartida Interna Direita. Fluxo acelerado e turbulento na poro proximal da Cartida Externa Direita indicando ser o sopro carotdeo por esta alterao hemodinmica significativa.

Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Macei: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponvel em: URL: http://www.lava.med.br/livro

16/05/2003

Pgina 8 de 24

Duplex Scan Arterial

Alberto Sarquis

formao de sombra acstica no permitem a visibilizao da luz estentica residual para medio dos dimetros. Nestes casos a esti mao do grau de estenose dever ser feita baseando-se somente nos critrios hemodinmicos. Fluxo acelerado e turbulento na Cartida Interna Direita que apresenta velocidades de aproximadamente 3,00 / 0,83 m/s (sistlica / diastlica) indicando estenose hemodinamicamente significativa maior que 60 70% de reduo dos dimetros pelos critrios NASCET-ACAS.

Figuras 41,42,43 e 44 - Placa ateromatosa calcificada e gerando significativa sombra acstica na poro proximal da Cartida Interna Direita. A presena de clcio e a

Pitta GBB, Castro AA, Burihan E, editores. Angiologia e cirurgia vascular: guia ilustrado. Macei: UNCISAL/ECMAL & LAVA; 2003. Disponvel em: URL: http://www.lava.med.br/livro

16/05/2003

Pgina 9 de 24

Duplex Scan Arterial

Alberto Sarquis

DOENA ARTERIAL PERIFRICA As principais indicaes do duplex scan: a) b) c) d) e)Figuras 45,46,47 e 48 - Pequena placa ateromatosa tambm calcificada e gerando sombra acstica na poro proximal da Cartida Interna Direita. O mapeamento a cores do fluxo evidencia fluxo com base larga imediatamente aps o final da sombra acstica. O Doppler pulsado mostrou fluxo com velocidades normais indicando ausncia de repercusso hemodinmica significativa. Placa ateromatosa calcificada e sem evidncias de estenose hemodinamicamente significativa maior que 60 70% de reduo dos dimetros pelos critrios NASCET-ACAS.

pacientes com conhecida patologia aterosclertica cardiovascular; pacientes com claudicao intermitente ou dor nos MMII e MMSS a esclarecer; seleo do paciente para exame invasivo arteriografia; planejamento cirrgico; suspeita de pseudoaneurisma; aneurisma ou

f)

controle e seguimento de tratamento cirrgico, endovascular ou derivao.

Exame normal Um estudo normal mostra um vaso sem estruturas ecognicas em suas paredes, de dimetros regulares. Uma artria normal e patente evidenciada com tpica pulsatilidade sistlica quando vista em corte transverso. O Doppler pulsado detecta um sinal multifsico (trifsico) em todos os segmentos. O mapeamento a cores do fluxo mostra a cor preenchendo a luz arterial em todo o seu dimetro, facilitando a visibilizao do lume arterial e de seus ramos e bifurcaes. Exame patolgico Os achados patolgicos tanto no exame bidimensional como no estudo Doppler (pulsado e mapeamento a cores do fluxo) so extremamente variveis dependendo da morfologia, topografia e extenso da leso. Estenose Arteri...

Recommended

View more >