Estrat©gia Nacional sobre Esp©cies Ex³ticas Invasoras

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    Anexo

    MINISTRIO DO MEIO AMBIENTE

    SECRETARIA DE BIODIVERSIDADE E FLORESTAS COMISSO NACIONAL DE BIODIVERSIDADE - CONABIO

    ESTRATGIA NACIONAL SOBRE ESPCIES EXTICAS

    INVASORAS

    INTRODUO

    OBJETIVO

    DEFINIES

    DIRETRIZES

    Diretrizes Gerais

    1. Abordagem Precautria

    2. Abordagem Hierrquica esferas Federal, Estadual e Municipal

    3. Abordagem Ecossistmica

    4. Papel das Unidades da Federao

    5. Pesquisa e Monitoramento

    6. Educao e Sensibilizao Pblica

    Preveno

    7. Controle de Fronteiras e Medidas de Quarentena

    8. Intercmbio de Informaes interna e externa ao pas

    9. Cooperao interna e externa, incluindo Capacitao

    Introduo de Espcies

    10. Introduo Intencional

    11. Introduo No Intencional

    Mitigao de impactos

    12. Mitigao de Impactos interna e externa

    13. Erradicao

    14. Conteno

    15. Controle

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    IMPLEMENTAO DAS DIRETRIZES

    As Diretrizes sero Implementadas por meio de:

    Aes Prioritrias para Gesto

    1. Gesto da Estratgia Nacional

    2. Coordenao Intersetorial e Iniciativas Internacionais

    3. Infra-estrutura Legal

    Aes Prioritrias para Execuo da Estratgia

    4. Preveno, Deteco Precoce e Ao Emergencial

    5. Erradicao, Conteno, Controle e Monitoramento

    6. Gerao de conhecimento cientfico

    7. Capacitao Tcnica

    8. Educao e Sensibilizao Pblica

    INTRODUO

    As espcies exticas invasoras tm um significativo impacto na vida e no

    modo de vida das pessoas. O impacto sobre a biodiversidade to relevante que essas

    espcies esto, atualmente, sendo consideradas a segunda maior ameaa perda de

    biodiversidade, aps a destruio dos habitats, afetando diretamente as comunidades

    biolgicas, a economia e a sade humana. As espcies exticas invasoras assumem no

    Brasil grande significado como ameaa real biodiversidade, aos recursos genticos e

    sade humana. Vrias delas esto se disseminando e dominando, de forma perigosa,

    diferentes ecossistemas, ameaando a integridade e o equilbrio dessas reas, e causando

    mudanas, inclusive, nas caractersticas naturais das paisagens.

    De acordo com a Conveno sobre Diversidade Biolgica - CDB,

    espcies exticas invasoras so organismos que, introduzidos fora da sua rea de

    distribuio natural, ameaam ecossistemas, habitats ou outras espcies. Possuem

    elevado potencial de disperso, de colonizao e de dominao dos ambientes

    invadidos, criando, em conseqncia desse processo, presso sobre as espcies nativas

    e, por vezes, a sua prpria excluso.

    A crescente globalizao, a ampliao das vias de transporte, o

    incremento do comrcio e do turismo internacional, aliado s mudanas no uso da terra,

    das guas e s mudanas climticas decorrentes do efeito estufa, tendem a ampliar

    significativamente as oportunidades e os processos de introduo e de expanso de

    espcies exticas invasoras nos diversos ecossistemas da terra.

    A disseminao de espcies exticas leva a homogeneizao dos

    ambientes, com a destruio de caractersticas peculiares que a biodiversidade local

    proporciona e a alterao nas propriedades ecolgicas essenciais. Tais alteraes so

    exemplificadas pelas modificaes dos ciclos hdricos e de nutrientes, da produtividade,

    da cadeia trfica, da estrutura da comunidade vegetal, da distribuio de biomassa, do

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    acmulo de serrapilheira, das taxas de decomposio, dos processos evolutivos e das

    relaes entre plantas e polinizadores, alm da disperso de sementes. As espcies

    exticas podem, ainda, gerar hbridos com espcies nativas, colocando-as sob ameaa

    de extino.

    Em ecossistemas pobres em nutrientes, a presena de espcies invasoras

    cria, muitas vezes, condies favorveis para o estabelecimento de outras espcies

    invasoras, que normalmente no se estabeleceriam. As plantas invasoras, em seu

    processo de ocupao, aumentam sua rea de ocorrncia e dominam e eliminam a flora

    nativa por competio direta. Os animais so eliminados ou obrigados a sair do local

    procura de alimentos, antes abundantes pela diversidade de espcies existentes. Assim,

    lentamente as invases biolgicas vo promovendo a substituio de comunidades com

    elevada diversidade por comunidades monoespecficas, compostas por espcies

    invasoras, ou com diversidade reduzida.

    Outros efeitos resultantes da ocorrncia de plantas invasoras podem

    passar pela alterao de ciclos ecolgicos, como regime de fogo; quantidade de gua

    disponvel; alterao da composio e disponibilidade de nutrientes; remoo ou

    introduo de elementos nas cadeias alimentares; alterao dos processos

    geomorfolgicos; e mesmo pela extino de espcies.

    As invases biolgicas podem se originar de introdues intencionais ou

    no intencionais, e causam danos ecolgicos, econmicos, culturais e sociais. Ao longo

    dos ltimos sculos muitas espcies foram intencionalmente introduzidas pelo homem a

    novos ambientes. As introdues so realizadas sempre com boas intenes. Em muitos

    casos elas so benficas, a exemplo da maioria das espcies cultivadas, de muitas

    plantas ornamentais e de alguns organismos para controle biolgico. Muitas espcies,

    entretanto, se tornam invasoras, cujos impactos negativos se sobressaem a eventuais

    benefcios.

    Por meio de estudos realizados nos Estados Unidos da Amrica, Reino

    Unido, Austrlia, ndia, frica do Sul e Brasil, concluiu-se que os custos decorrentes da

    presena de espcies exticas invasoras nas culturas agrcolas, em pastagens e nas reas

    de florestas atingem cifras anuais da ordem de US$ 250 bilhes. Adicionalmente, os

    custos ambientais nesses mesmos pases chegam a US$ 100 bilhes anuais. Uma

    projeo mundial dessas cifras indica que as perdas globais anuais decorrentes do

    impacto dessas espcies ultrapassa US$ 1,4 trilhes, aproximadamente 5% do PIB

    mundial.

    Considerando-se esses valores, estima-se que no Brasil esse custo pode

    ultrapassar os US$ 100 bilhes anuais. Esse montante pode ainda sofrer aumento

    significativo, especialmente, se incluirmos os custos relacionados s espcies que

    afetam a sade humana. Nos Estados Unidos da Amrica, as estimativas de custo,

    considerando apenas os prejuzos e os gastos com o controle de espcies exticas

    invasoras, so da ordem de US$ 137 bilhes ao ano.

    Se valores monetrios pudessem ser atribudos extino de espcies,

    perda de biodiversidade e aos servios proporcionados pelos ecossistemas, o custo

    decorrente dos impactos negativos gerados pela presena das espcies exticas

    invasoras seria muitas vezes maior.

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    Dados indicam que mais de 120 mil espcies exticas de plantas, animais

    e microorganismos j foram introduzidas nos seis pases acima mencionados. Com base

    nesses nmeros, estima-se que um total aproximado de 480 mil espcies exticas j

    foram introduzidas nos diversos ecossistemas da Terra. Considera-se que mais de 70%

    dessas introdues ocorreram como resultado de aes humanas. Se imaginarmos que

    20 a 30% dessas espcies introduzidas so consideradas pragas e que estas so as

    responsveis pelos grandes problemas ambientais enfrentados pelo homem, fcil

    imaginar o tamanho do desafio que, forosamente, temos de enfrentar para o controle,

    monitoramento, mitigao e, eventualmente, a erradicao dessas espcies de ambientes

    naturais. Desde o ano de 1600, as espcies exticas invasoras j contriburam com 39%

    das extines de animais cujas causas so conhecidas.

    No caso das plantas, por exemplo, alguns autores, na dcada de 1970,

    quantificaram que os prejuzos econmicos na produo agrcola, decorrentes da ao

    de espcies invasoras eram da ordem de 11,5% em regies temperadas. J em regies

    tropicais, a reduo da produo se situava entre os 30 e 40%. Outros autores, na dcada

    de 1980, estimaram que essas perdas eram da ordem de 10% da produo agrcola

    mundial.

    Os prejuzos causados por espcies exticas invasoras s culturas,

    pastagens e reas de florestas na Amrica do Sul excedem a muitos bilhes de dlares

    ao ano. Na Argentina, por exemplo, o gasto relacionado ao controle da mosca das frutas

    ultrapassa os US$ 10 milhes de dlares anuais, alm da perda adicional anual de 15 a

    20% da produo de frutas. Essas perdas equivalem a US$ 90 milhes de dlares ao

    ano, sem contabilizar os impactos econmicos e sociais indiretos gerados com a reduo

    da produo e a perda de mercados de exportao. Na Nova Zelndia, por outro lado,

    onde todos os materiais postais so examinados visando prevenir a entrada de material

    biolgico, conseguiu-se reduzir a tal ponto os prejuzos decorrentes da mosquinha-das-

    frutas que o saldo positivo da produo agrcola paga todo o sistema de inspeo.

    No Rio Grande do Sul, a espcie Eragrostis plana (capim-annoni)

    ameaa os sistemas seculares de produo bovina em funo da perda da cobertura

    vegetal nativa, composta por diversas espcies de gramneas, leguminosas e outras

    famlias importantes na composio dos campos naturais. Estima-se que dos 15 milhes

    de hectares de campos naturais presentes no estado do Rio Grande do Sul, cerca de trs

    milhes j estejam invadidos por essa gramnea africana, com prejuzos de mais de US$

    75 milhes anuais pecuria do Estado. Atualmente essa espcie j est presente nos

    estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paran e vem se disseminando para

    outras regies.

    Ainda na Regio Sul do Brasil, as espcies Tecoma