Estudo da Doutrina Espírita (Grupo Espírita Caridade)

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  • ESTUDO DA

    DOUTRINA

    ESPRITA

  • I N D C E

    AULA 01 BIOGRAFIA DE ALLAN KARDEC PG. 1

    AULA 02 INTRODUO AO LIVRO DOS ESPRITOS PG. 7

    AULA 03 A IDIA DE DEUS - VISO HISTRICA COMPARADA PG. 13

    AULA 04 DEUS PG. 17

    AULA 05 ELEMENTOS GERAIS DO UNIVERSO PG. 23

    AULA 06 ESPRITO PG. 33

    AULA 07 PERISPRITO PG. 42

    AULA 08 CENTROS DE FORA PG. 55

    AULA 09 REENCARNAO PG. 60

    AULA 10 DESENCARNAO - RETORNO DA VIDA CORPORAL PARA VIDA ESPIRITUAL PG. 76

    AULA 11 INTERVENO DOS ESPRITOS NO MUNDO CORPORAL PG. 87

    AULA 12 LEI DIVINA OU NATURAL PG. 95

    AULA 13 LEI DE ADORAO PG. 100

    AULA 14 LEI DE TRABALHO PG. 107

    AULA 15 LEI DE REPRODUO PG. 111

    AULA 16 LEI DE CONSERVAO PG. 118

    AULA 17 LEI DE SOCIEDADE PG. 125

    AULA 18 LEI DE PROGRESSO PG. 131

    AULA 19 PERFEIO MORAL PG. 140

    AULA 20 OBSESSO PG. 148

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    ESTUDO DA DOUTRINA ESPRITA

    Aula 01

    Biografia de Allan Kardec

    Allan Kardec, cujo verdadeiro nome Hippolyte Leon Denizard Rivail, nasceu na cidade de Lion, Frana, a 03 de outubro de 1804 no seio de antiga famlia lionesa, de nobres e dignas tradies.

    Foram seus pais Jean-Baptiste Antoine Rivail, magistrado ntegro e Jeanne Louise Duhamel.

    Realizou seus primeiros estudos em Lion, sua cidade natal, completando-os em Yverdon, Sua, no famoso Instituto de Educao Pestalozzi. O Instituto de Yverdon, fundado em 1805, era visitado todos os anos por grande nmero de estrangeiros, citado, descrito, imitado, era, numa palavra, a escola modelo da Europa.

    O menino Denizard Rivail, ao qual os destinos reservariam sublime misso, logo se revelou um dos discpulos mais fervorosos do insigne pedagogista suo, j dobrado sob setenta anos de lutas, realizaes e decepes. Possuidor de inteligncia penetrante e alto esprito de observao, e, ainda mais, inclinado naturalmente para a soluo dos importantes problemas do ensino e para o estudo das cincias e da filosofia, Rivail cativou a simpatia e a admirao do velho professor, deste se tornando, pouco depois, eficiente colaborador. Os exemplos de amor ao prximo fornecidos por Pestalozzi norteariam para sempre a vida do futuro Codificador do Espiritismo.

    Com catorze anos, Rivail j legava Humanidade bela contribuio: para os seus condiscpulos menos adiantados abriu cursos, nos quais ensinava o que ia aprendendo, nos momentos que lhe eram reservados ao descanso.

    Procurando seguir as pegadas do mestre, cujo mtodo permitia ao povo e s crianas em geral uma educao mais adequada, mais racional e mais prtica, Rivail meteu mos obra e, em 1824 saa a lume o primeiro livro dele, a saber: Cours Pratique Et Thorique DArithmtique DApres La Mthode de Pestalozzi, Avec Des Modifications.

    O eminente Codificador do Espiritismo, em 1824, com apenas dezenove anos j tirava luz, para o bem de seus irmos em Humanidade, importante e utilssimo livro, fruto do seu prprio engenho. Foi esta a primeira obra de cunho pedaggico e a primeira entre todas as demais por ele publicadas.

    Obtendo iseno do servio militar, Rivail deixou a Sua e rumou para a cosmopolita capital francesa, onde, a princpio, por saber falar e escrever o alemo to bem quanto o francs, vertia para a Alemanha livros que mais lhe tocavam o corao, dando preferncia s obras de Fnelon. Alm de continuar seus estudos, dedicou-se educao, e suas obras alcanaram tal xito, que logo se tornou uma figura popular, querida e elogiada. Fundou tambm um Instituto Tcnico que obedecia aos moldes do extinto Instituto de Yverdon. At 1834, essa obra do esforado e laborioso discpulo de Pestalozzi, agora amparado por sua dedicada esposa Professora Amlia Boudet, abriu novos horizontes inteligncia de um punhado de alunos que ali iam em busca da gua lustral. Ao mesmo tempo em que lecionava, prosseguia escrevendo, nas poucas horas que lhe sobravam, pginas e mais pginas relacionadas com as questes educacionais.

    Em 1835, o Instituto que ele dirigia com proficincia e alto esprito missionrio teve que cerrar suas portas. A quantia que lhe coube da liquidao do referido

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    estabelecimento foi confiada a um amigo negociante, que, realizando maus negcios, entrou em falncia, deixando o pobre professor sem um nquel.

    Rivail, entretanto, demonstrando firme vontade e inquebrantvel energia, empregou-se como contabilista de casas comerciais, dedicando as noites organizao de novos trabalhos pedaggicos, traduo de obras do ingls e do alemo e preparao de todos os cursos de Levi-Alvars. Em sua prpria residncia, ministrou cursos gratuitos de Qumica, Fsica, Astronomia, Fisiologia e Anatomia Comparada.

    Rivail fora um destes homens, que, como Pestalozzi, regeu sua vida pelo lema: tudo para os outros, nada para si mesmo. Durante toda sua existncia procurou educar, educar sempre, intelectual e moralmente, objetivando a construo de um mundo melhor.

    Tudo fazia o jovem professor-filantropo para facilitar aos alunos o aprendizado das matrias que geralmente trazem queles certo cansao cerebral. Com engenho e arte, arquitetava, ento, mtodos e processos especiais, tendo em vista obter maior aproveitamento do aluno, com o menor dispndio de energias intelectuais por este ltimo.

    Atravs de sua carreira pedaggica, exercitou a pacincia, a abnegao, o trabalho, a observao, a fora de vontade e o amor s boas causas, a fim de melhor poder desempenhar a gloriosa misso que lhe estava reservada.

    Hyppolyte Leon Denizard Rivail, antes que o Espiritismo lhe popularizasse e imortalizasse o pseudnimo de Allan Kardec, j se havia, pois, firmado bem alto no conceito do povo francs, como distinguido mestre da Pedagogia moderna.

    Durante a vida inteira regeu suas aes por trs virtudes: Trabalho, Solidariedade, Tolerncia.

    Entre outras matrias, lecionou, como pedagogo de incontestvel autoridade: Qumica, Matemtica, Astronomia, Fsica, Fisiologia, Retrica, Anatomia Comparada e Francs. Era dado a estudos filolgicos e de gramtica da lngua francesa. Conhecia profundamente o alemo, o ingls, o holands, assim como eram slidos seus conhecimentos do latim e do grego, do gauls e de algumas lnguas novilatinas.

    O Consolador, consubstanciado no Espiritismo, vinha de alvorecer, e um homem extraordinrio fora destinado a preparar-lhe o advento e a consolidao. Denizard Rivail foi este homem. Os fatos observados por Rivail em 1855, com diferentes mdiuns, foram de tal ordem que o perspicaz e clarividente professor sentiu que algo de momentoso se estaria passando. Observando, comparando e julgando os fatos, sempre com cuidado e perseverana, concluiu que realmente eram os Espritos daqueles que morreram a causa inteligente dos efeitos inteligentes e deduziu as leis que regem esses fenmenos, extraindo admirveis conseqncias filosficas e toda uma doutrina de esperana e consolaes.

    Freqentando reunies inmeras onde, por meio da cesta, muitas vezes se obtinham comunicaes que deixavam fora de toda a dvida a interveno de entidades estranhas aos presentes, Rivail comeou a levar para as sesses uma srie de perguntas sobre problemas diversos, s quais os Espritos comunicantes respondiam com preciso, profundeza e lgica.

    Em 1856, a 30 de abril, em casa do Sr. Roustan, a mdium Japhet, utilizando-se da cesta, transmitiu a Rivail a primeira revelao positiva da misso que teria de desempenhar, fato que mais adiante, em circunstncias diferentes, seria confirmado, e com mais clareza, por outros mdiuns.

    uma pgina emocionante da histria da vida de Rivail. Humilde, sem compreender a razo de sua escolha para missionrio-chefe de uma doutrina que revolucionaria o pensamento cientfico, filosfico e religioso, pareceu duvidar. Mas o Esprito de Verdade lhe respondeu: Confirmo o que foi dito, mas recomendo-te discrio, se quiseres sair-te bem. Tomars mais tarde conhecimento de coisas que te explicaro o que ora te surpreende. No esqueas que podes triunfar, como podes falir. Neste ltimo caso, outro te substituiria, porquanto os desgnios de Deus no assentam na cabea de um homem.

    Rivail prosseguiu com devotamento exemplar seus estudos acerca da comunho entre o mundo dos encarnados e o dos desencarnados. Inicialmente, o professor Rivail esteve a ponto de abandonar as investigaes, porquanto no era positivamente um entusiasta das manifestaes espritas. Premido tambm por preocupaes de outra

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    ordem, quase deixou de freqentar as sesses, somente no o fazendo em ateno a pedidos reiterados dos Srs. Carlotti, Ren Taillandier e Didier.

    Pouco a pouco erigia-se a base de um monumento filosfico-religioso. Com o concurso de mais de uma dezena de mdiuns, auxiliado direta e indiretamente por uma pliade de Espritos Superiores superintendidos pelo Esprito de Verdade, ele desenvolvia, completava e remodelava aqui e ali o seu trabalho. Em 11 de setembro de 1856 recebia na casa do Sr. Baudin a seguinte comunicao medinica assinada por Muitos Espritos: Compreendeste bem o objetivo do teu trabalho. O plano est bem concebido. Estamos satisfeitos contigo. Continua; mas lembra-te, sobretudo quando a obra se achar concluda, de que te recomendamos que a mandes imprimir e propagar. de utilidade geral. Estamos satisfeitos e nunca te abandonaremos. Cr em Deus e avante.

    Corre o tempo e, em princpios de 1857, entrava para o prelo da Livraria E. Dentu a obra que seria o clarim do Consolador prometido por Jesus.

    A 18 de abril de 1857, finalmente era dado luz O Livro dos Espritos. No momento de public-lo, o autor ficou muito embaraado em resolver como o assinaria, se com o seu nome ou com um pseudnimo. Sendo o seu nome muito conhecido do mundo cientfico, em virtude dos seus trabalhos anteriores, e podendo originar confuso, talvez mesmo prejudicar o xito do empreendimento, ele adotou o alvitre de o assinar com o nome de Allan Kardec, nome que, segundo lhe