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Estudo de Caso Anemia Falciforme

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1 INTRODUOTrata-se de um estudo de caso apresentado disciplina Pratica de Campo de Ensino Clinico como requisito de avaliao do curso de Enfermagem Para o estudo foi escolhido o paciente A.A.G.M., sexo masculino, 07 anos portador da doena falciforme internado no Hospital So Jos para tratamento de pneumonia As crianas com Anemia Falciforme tm maior incidncia de infeco bacteriana, particularmente pneumonia, septicemia, meningite e osteomielite, que as crianas que no tm a doena (CASTELO, 2009). A Poltica Nacional de Ateno Integral as Pessoas com doena falciforme tem como objetivo promover a mudana na historia natural da doena falciforme no Brasil, reduzindo a taxa de morbimortalidade, promovendo longevidade com qualidade de vida as pessoas acometidas com a doena, instituindo aes de educao permanente para os trabalhadores de sade (BRASIL, 2008). O diagnostico da doena falciforme, bem como das suas manifestaes clinicas, tem um sentido universal, generalizado, que descreve uma regularidade. No entanto, esse diagnstico pode produzir uma igualdade ilusria entre sujeitos que experimentam de maneiras singulares essa doena (BRASIL, 2008). A assistncia as pessoas com doena falciforme, como toda doena crnica, deve privilegiar a ao MULTIPROFISSIONAL e MULTIDISCIPLINAR. Ate pouco tempo, a assistncia a essas pessoas se dava apenas na media complexidade (hemocentros, hospitais de referencia e emergncias) deixando-as fora da ateno bsica, portanto excludas dos programas da criana, da mulher, da sade bucal, da vigilncia nutricional e outros, alem de no privilegiar o autocuidado e a ateno integral (BRASIL, 2008). Estudamos o caso do paciente A.A.G.M., com o objetivo de adquirir conhecimento terico-prtico sobre doena, bem como suas complicaes. Listar os diagnsticos de enfermagem Planejar intervenes que visem uma melhor condio da sade do cliente. A relevncia em se realizar este estudo est em poder subsidiar a nossa formao, neste problema de sade pblica que requer os cuidados de enfermagem; tanto na promoo quanto na educao em sade do paciente falcemico.

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2- Histrico 2.1- AnamneseA.A.G.M. sexo masculino, 07 anos de idade, nascido e domiciliado na cidade de Nova Serrana MG, em 30 de maro de 2011, foi admitido no Hospital So Jos, com o quadro de tosse produtiva e febre, hospital esse onde o mesmo nasceu de parto normal, em 10/02/2004. Segundo dados coletados atravs de M.LC.M 29 anos, me da criana, A.A.G.M., foi submetido ao teste do pezinho no seu 5 dia de vida, sendo diagnosticado Anemia Falciforme. A me relata ter mais dois filhos, um de 9 anos e um de 11 anos, e que ambos apresentaram ao teste do pezinho, trao falciforme, porm ao procurar a Unidade de Sade, nada lhe foi esclarecido sobre o problema, apenas lhe foi dito que esse trao no era de importncia mdica e que era muito comum crianas apresentarem esse trao falciforme, que ela no deveria se preocupar com isso. A me ficou tranqila e somente aps o diagnstico de Anemia Falciforme para A.A.G.M., que ela e o marido, de 31 anos foram alertados sobre o que realmente era o trao falciforme, e que ambos deveriam fazer o teste, pois provavelmente um dos dois poderia tambm ser portador do trao falciforme. Fizeram ento o teste, e descobriram que ambos eram portadores do trao. Relata ter 4 sobrinhos (02 filhos de um irmo dela e 02 filhos de um irmo de seu marido) que tambm possuem o trao, e que aps o nascimento de A.A.G.M. os pais dessas crianas fizeram vasectomia, para evitarem ter mais filhos, agora que sabem que correm o risco de nascerem com anemia falciforme, temendo passar pelo o sofrimento que tem passado M.LC.M com o filho. A.A.G.M. uma criana ativa, comunicativa, adapta a escolinha, onde cursa a 2 srie do 1 grau e leva praticamente uma vida normal, apesar do grande numero de internaes que faz durante o ano, devido a quadros de pneumonia. A me relata que h 02 anos colocou o filho na natao, e que depois disso, houve uma diminuio na freqncia das internaes. Ele colabora muito com o tratamento! Cita a me; complementando que o filho est sempre atento aos horrios e s doses dos medicamentos que faz uso em casa cido flico 0,4mg, 2 ml ( toma desde os 6 meses de vida) e hidroxiuria 500 mg, 1 comprimido ao dia diludo em 2 ml de gua. Ao ser perguntado se sente dores fortes nas articulaes, A.A.G.M., diz que sente pouca dor, e que apenas uma vez teve uma crise fortssima de dor no joelho e que teve at mesmo que se internar por essa causa. Como os pais trabalham fora, A.A.G.M., juntamente com seus irmos, fica sob os cuidados da vizinha.

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Ao exame fsico: BEG, hipocorado, ictrico hidratado, aciantico, BNR/NF em 2T, presena de crepitaes ausculta respiratria, abdome livre e indolor palpao.Temperatura axilar mdia: 36,7, freqncia cardaca: 64 bpm, freqncia respiratria: 30 irpm.

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3- Diagnstico MdicoPNEUMONIA -ANEMIA FALCIFORME A anemia falciforme uma doena hereditria e gentica decorrente de anormalidade que ocorre em uma protena das hemcias, uma anemia hemoltica, autossmica recessiva, devido uma mutao da posio 6 do gene da globina beta da hemoglobina (Hb). Segundo DOVER, 1992 Este ponto de mutao promove a substituio do cido glutmico pelo aminocido valina, induzindo a produo de uma hemoglobina anmala. A doena falciforme resultante de uma alterao gentica, caracterizada pela presena de um tipo anormal de hemoglobina chamada hemoglobina S (HbS). A HbS faz com que as hemcias adquiram a forma de foice em ambiente de baixa oxigenao, dificultando sua circulao e provocando obstruo vascular. Como conseqncia, os pacientes apresentam isquemia, necrose, dor, disfuno e danos irreversveis a tecidos e rgos( MINAS GERAIS, 2005). O portador do trao falciforme o indivduo que apresenta a hemoglobina AS (HbAS). Ele no doente, no tem anemia e ter uma vida normal. Para cada 1.000 crianas triadas, espera-se encontrar 1 caso de doena e 30 casos de portadores Os portadores de trao falciforme no necessitam de cuidados especiais, exceto para aconselhamento gentico dos pais e, no futuro, para a criana, j que ela tem chance de gerar filhos com a doena, caso o parceiro tenha hemoglobina S, seja portador ou doente. Portanto, para os portadores de trao falciforme, importante esclarecer que: O trao no doena, e no h necessidade de qualquer tratamento ou encaminhamento. O trao no se transforma em doena falciforme, a sua condio no interfere em seus limites, no o impede de exercer suas atividades normais: trabalhar, praticar esportes, fazer sexo, ter filhos, etc. H possibilidade de gerar filhos com a doena, caso o parceiro seja portador ou doente ( MINAS GERAIS, 2005). Os glbulos vermelhos, na anemia falciforme perdem a forma discide, enrijecem-se e deformam-se, tomando o formato de "foice". Os glbulos deformados, alongados, nem sempre conseguem passar atravs de pequenos vasos, bloqueando-os e impedindo a circulao do sangue nas reas ao redor. Como resultado causa dano ao tecido circunvizinho e provoca dor. O curso da doena varivel. H doentes que apresentam problemas srios com mais freqncia e outros tm problemas espordicos de sade (BRASIL,1996). A anemia falciforme de origem desconhecida, porm de acordo com fatos histricos ela j se manifestava milhares de anos na sia Menor onde a mutao gentica

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causada por ela propiciava uma forma de defesa do organismo humano contra a malria, aqueles que tinham o gene anormal e os seus descendentes que tiveram suas hemoglobinas modificadas geneticamente apresentavam a capacidade de dificultar a evoluo da malria em seu corpo quando picados pelo mosquito transmissor (MOREIRA; ETAL, 2002). Por causa dessa modificao alguns descendentes de filhos de pais com alterao parcial, sem sintomas, geravam filhos com anemia falciforme. Com o passar do tempo e no rastro das grandes migraes que ocorreram na frica, as regies tropicais e equatoriais, passaram a ser o local preferencial da malria e os sobreviventes eram os que apresentavam as alteraes da hemoglobina. Isto fez com que certas populaes da raa negra da regio se apresentassem com percentuais extremamente elevados de alteraes na hemoglobina, mas adaptados ao seu meio em convvio com a malria. Foram estes contingentes populacionais africanos, a partir do Sculo XVII, os responsveis pela introduo do gene da hemoglobina S no Brasil."Estima- se que existam dois milhes de portadores da forma heterozigtica e mais de oito mil afetados com a doena (homozigotos), (BRASIL, 1996). O casamento entre portadores do gene, denominados como portadores do trao falcmico, pode gerar a cada 500 nascimentos, uma criana com anemia falciforme. Diante deste quadro possvel concluir que a diversidade racial existente no Brasil est gerando a continuidade desta anemia, conforme ratifica a literatura cientfica brasileira, apontando de forma contundente que anemias hereditrias no pas constituem um grave problema de sade pblica (MOREIRA, ETAL, 2002). A Triagem Neonatal, tambm conhecida como teste do pezinho, uma estratgia para o diagnstico precoce de algumas doenas congnitas que so quase sempre imperceptveis ao exame mdico no perodo neonatal, mas que evoluem desfavoravelmente, levando ao aparecimento de seqelas como, por exemplo, a deficincia mental. O diagnstico precoce possibilita intervenes tambm precoces que previnem seqelas e complicaes, reduzindo a morbimortalidade e permitindo que as crianas tenham uma melhor qualidade de vida. Toda criana nascida em territrio nacional tem direito ao Teste do Pezinho. O programa nacional de triagem neonatal prev o diagnstico de quatro doenas: hipotireoidismo congnito, fenilcetonria, doena falciforme e fibrose cstica. Em Minas Gerais, o programa j est implantado para a triagem das quatro doenas (Fase III de Implantao) e recebe o nome de Programa Estadual de Triagem Neonatal (PETN-MG) (MINAS GERAIS, 2005). As gestantes devem ser orientadas, ao final da gestao, sobre a importncia do Teste do Pezinho e a poca do procedimento. A coleta de sangue para o teste realizada na

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