Estudo dirigido

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  • REVISTA DO PROFESSOR, jan./mar. 200331

    (73):Porto Alegre, 19 31-35,

    CLASSE MULTISSERIADA

    Estudo dirigidoTcnica pode ser usada em sala de aula e fora do espao escolar

    Inmeros autores tm-nos en-sinado que os melhores professo-res talvez no sejam aqueles quetenham completo domnio dastcnicas de ensino mais refinadas,nem os que se utilizam dos recur-sos mais sofisticados da atuali-dade, mas os que entram na salade aula cheios de entusiasmo, boavontade, uma grande dose decriatividade para comunicar e sa-bedoria para ouvir e aprender.

    Especialmente s classes mul-tisseriadas, se adapta o perfil des-se mestre. No entanto, nunca demais a ele saber aplicar algumasestratgias de ensino que facili-tem o seu trabalho e oportunizemaos alunos uma aprendizagem dequalidade.

    Uma das estratgias que maisconvm ao trabalho docente e aosalunos, nessas classes, aquelaque conhecemos como EstudoDirigido.

    O estudo dirigido uma tcni-ca fundamentada no princpio di-dtico de que o professor no en-sina: ele o agilizador da aprendi-zagem, ajuda o aluno a aprender. o incentivador e o ativador doaprender. De maneira especial,essa tcnica pe em evidncia omodo como o aluno aprende. Podeatender, com vantagens, s exign-cias do processo de aprender, umavez que, utilizando-se de dados re-ais contidos nas diferentes reas doconhecimento, incentiva a ativida-de intelectual do aluno, fora-o descoberta de seus prprios recur-sos mentais, facilitando-lhe o de-senvolvimento das habilidades eoperaes de pensamento signifi-cativas identificar, selecionar,comparar, experimentar, analisar,

    NORA CECLIA BOCACCIO CINELEspecialista em Lingstica e emSuperviso de Sistemas Educacionais.Porto Alegre/RS.

    c o n c l u i r ,solucionarproblemas,aplicando oque apren-deu e pos-sibilitando-lhe ajustar-se s tarefas

    que deve executar para alcanar oprevisto nos objetivos.

    O estudo dirigido predispe oaluno criatividade, uma vez quea sua finalidade principal est vol-tada atividade da reflexo, e opensamento reflexivo, de acordocom as circunstncias do indiv-duo, provoca a necessidade de in-ventar, buscar modos pessoais deoperar com inteligncia e resol-ver o que lhe foi proposto.

    O produto do trabalho do alu-no pode adquirir, desse modo,forte cunho de autenticidade epessoalidade.

    Para aplicar essa tcnica, oprofessor solicita ao aluno umadeterminada tarefa, fornecendo-lhe instrues de como realiz-la. Principalmente nas sries dasclasses multisseriadas (1a 4a ou5a), essas instrues devem serclaras e simples. Sua aplicaoparte de um incentivo comum: umtexto, por exemplo, ou um cartazou a observao de um ambienteou cena. A partir desse incenti-vo, o professor dever elaborarinmeras e diversificadas tarefasou questes para que o aluno asresolva.

    Um estudo dirigido pode serdesenvolvido em sala de aula para,entre outros objetivos: oportunizar situaes para o alu-no aprender por meio de sua pr-pria atividade, de acordo com seuritmo pessoal; facilitar o atendimento das dife-renas individuais, pelo professor;

    favorecer o desenvolvimento dosentido de independncia e de se-gurana do aluno; possibilitar a criao, a correoe o aperfeioamento de hbitos deestudo, a fixao, a integrao e aampliao da aprendizagem.

    Um estudo dirigido pode serrealizado em sala de aula ou comotarefa para casa. Porm, em salade aula, com a presena do docen-te para esclarecer dvidas e orien-tar quando necessrio, a tcnicapode revestir-se de mais eficciae tornar-se mais eficiente para aaprendizagem de qualquer rea doconhecimento. importante queo professor acompanhe o trabalhoem todas as suas fases: na execu-o, na correo e na avaliao.

    O texto incentivador ou qual-quer outro recurso que desenca-deie a tarefa deve ser abrangente,na simplicidade, enfocando as-pectos relevantes rea do conhe-cimento em estudo, proporcionalaos diferentes nveis apresentadospor uma classe multisseriada, comquestes que exijam do aluno oraciocnio e a criatividade e queoportunizem o desenvolvimentodas suas capacidades de anlise,sntese, interpretao, ordenao,avaliao e concluso.

    Para exemplificar um traba-lho com a tcnica do estudo di-rigido, podemos buscar orienta-es nos Parmetros Curricula-res Nacionais, relacionados aos1o e 2o ciclos, usando o tematransversal Meio Ambiente co-mo contedo a ser desenvolvi-do numa classe multisseriada,em diferentes nveis.

    Inicialmente, preciso que oprofessor ( ou a professora) es-teja bem informado sobre a prin-cipal funo de um trabalho como tema Meio Ambiente: contri-buir para a formao de cida-

    CLASSE

    MULTISSERIADA

    Sem ttulo-2 01/06/2006, 17:5731Create PDF with GO2PDF for free, if you wish to remove this line, click here to buy Virtual PDF Printer

  • REVISTA DO PROFESSOR, jan./mar. 2003(73):Porto Alegre, 19 31-35,32

    CLASSE MULTISSERIADA

    dos conscientes, aptos para de-cidirem e atuarem na realidadesocioambiental de um modocomprometido com a vida, como bem-estar de cada um e da so-ciedade, local e global. Para queisso acontea, necessrio que aescola se preocupe mais com otrabalho relacionado a atitudes,formao de valores, ensino eaprendizagem de habilidades eprocedimentos ambientalmentecorretos, na prtica diria: gestossolidrios, hbitos de higiene pes-soal e ambiental e participaoativa em tarefas de valorizao epreservao da natureza e do mun-do que nos rodeia.

    Explorar o tema Meio Ambien-te, segundo os PCN, requer co-nhecimento e informao por par-te da escola. Isso no quer dizerque todos os professores deverosaber tudo sobre o assunto, masque devero dispor-se a aprendera aprender e a ensinar seus alu-nos, num verdadeiro e constanteprocesso de construo e de pro-duo de conhecimento (aluno/professor).

    Esse trabalho deve servir paraauxiliar os alunos a construremuma conscincia global das ques-tes relacionadas ao meio e a as-sumirem posies compatveiscom valores que se referem a suaproteo e melhoria de suas con-dies de vida.

    Sem dvida, o trabalho com arealidade local pode oferecer umuniverso acessvel e conhecido, aser explorado: sua casa, sua co-munidade, sua regio.

    Como tema transversal, oMeio Ambiente apresenta umconjunto de contedos que pode-ro ser tratados nas mais diversasreas do conhecimento. Cincias,Histria, Geografia, Lngua Por-tuguesa, Matemtica e Arte pare-cem ser, conforme os PCN, asprincipais parceiras para o de-senvolvimento dos contedos,pela prpria natureza dos seus ob-jetivos de estudo e por constitu-rem instrumentos bsicos de

    construo do saber e de expres-so do conhecimento construdo.

    A tcnica do estudo dirigidopresta-se aos propsitos expres-sos nas orientaes didticas re-lativas ao Meio Ambiente (PCN),especialmente a que define a ne-cessidade de estabelecer, para osalunos de todas as idades, umarelao entre a sensibilizao aomeio ambiente, a aquisio deconhecimentos, a atitude pararesolver os problemas e a clari-ficao de valores, procurando,principalmente, sensibilizar osmais jovens para os problemasambientais existentes na suaprpria comunidade.

    As trs sugestes de estudodirigido que apresentamos a se-guir podem auxiliar o professorou a professora no desenvolvi-mento de seu trabalho, numa salade aula de classe multisseriada.Podero, tambm, ser adaptadas ssituaes de classes de ensino porciclos (1a e 2a ; 3a e 4a sries), noEnsino Fundamental.

    ESTUDODIRIGIDO1(1O CICLO)

    n De onde vm os alimentos

    Contedos conceituais Identificar os alimentos consu-midos em casa e na escola.

    Identificar a procedncia e a ori-gem dos alimentos. Desenvolver habilidades de ob-servao, identificao, compara-o, classificao, descrio orale produo textual.

    Contedos procedimentais Um grande cartaz com diferen-tes gravuras de alimentos e peque-nas frases significativas podeconstituir-se no incentivo ao de-senvolvimento de uma tarefa bemvariada e rica em informaes so-bre os alimentos e a alimentao,em geral. A partir da explorao do cartaz,em sala de aula, o professor soli-citar aos alunos que faam umalista dos alimentos que so con-sumidos ou usados normalmenteem suas casas e, depois, os da es-cola. Num grande pedao de pa-pel pardo ou em folhas de ofcio(acritrio do professor), os alunossero orientados a representaremcom desenhos ou, ento, com gra-vuras coladas, seus alimentos pre-feridos e o que costumam consu-mir habitualmente, formando umpainel. A partir desse momento, os alu-nos devem ser incentivados a es-creverem frases ou palavras (con-forme o nvel do grupo) relacio-nadas aos desenhos e s gravuras

    Figodoc

    e?

    Mamo = sade

    Melancia gostosa!

    Cenoura faz bem.

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  • REVISTA DO PROFESSOR, jan./mar. 200333

    (73):Porto Alegre, 19 31-35,

    CLASSE MULTISSERIADA

    do painel. Essas frases ou palavrasdevero ser coladas no local con-veniente (abaixo do desenho, aolado da gravura, etc.). Em seguida, concluda essa eta-pa, o professor, no quadro-de-giz,listar todos os alimentos repre-sentados, incentivando os alunosa se expressarem sobre aqueles deque mais gostam, os de que me-nos gostam, como costumam co-mer (se fritos, assados, cozidosno molho, refogados, etc.), explo-rando os termos e explicando oque for necessrio. Familiarizados com a variedadee a diversidade dos alimentos, odocente lanar um problema: Osalunos devem descobrir de ondevm os alimentos. Do mercado?Da horta? Do galinheiro? Dopomar? Da fbrica? Do campo?Da padaria?... Os alunos devero procurar asrespostas entrevistando pessoas,observando seu meio ambiente,o local onde vivem; verificandode onde seus familiares trazemos alimentos para casa, isto , de-terminando a procedncia dosalimentos. A partir das respostas dos alu-nos, competir ao professor ou professora estabelecer as dife-renas entre os alimentos manu-faturados e os alimentos consu-midos in natura, propondo, en-to, a organizao de uma c