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Direito penal Criminologia & Bernd Schünemann Estudos de direito penal, direito processual penal e filosofia do direito Luís Greco (coordenador)

Estudos de direito penal, direito processual penal e ... · PDF fileEstudos de direito penal, direito processual penal e filosofia do direito Bernd Schünemann Coordenação Luís

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    Bernd Schnemann

    Estudos de direito penal, direito processual penal e filosofia do direito

    Lus Greco (coordenador)

  • MADRI | BARCELONA | BUENOS AIRES | SO PAULO

    Marcial Pons

    2013

    estudos de direito penal, direito processual penal e

    filosofia do direito

    Coordenador

    Lus Greco

    Bernd schnemann

  • Estudos de direito penal, direito processual penal e filosofia do direito Bernd Schnemann

    CoordenaoLus Greco

    TraduoAdriano Teixeira / Alaor Leite / Ana Claudia Grossi / Danielle Campos / Helosa estellita / Lus Greco

    CapaNacho Pons

    Preparao e revisoIda Gouveia

    Editorao eletrnicaOficina das Letras

    Todos os direitos reservados. Proibida a reproduo total ou parcial, por qualquer meio ou processo Lei 9.610/1998.

    Bernd Schnemann

    Lus Greco (Coordenador) MARCIAL PONS eDITORA DO BRASIL LTDA. Av. Brigadeiro Faria Lima, 1461, conj. 64/5, Torre Sul Jardim Paulistano CeP 01452-002 So Paulo-SP ( (11) 3192.3733 www.marcialpons.com

    Impresso no Brasil [07-2013]

    Schnemann, Bernd

    Estudos de direito penal, direito processual penal e filosofia do direito / Bernd Schnemann ; coordenao Lus Greco. -- So Paulo : Marcial Pons, 2013.

    Vrios tradutores.

    ISBN 978-85-66722-05-5

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil

    1. Direito penal 2. Direito processual penal 3. Filosofia do direito I. Greco, Lus. II. Ttulo.

    13-07764 CDU-343 -343.1

    ndices para catlogo sistemtico: 1. Direito penal 343 2. Direito processual penal 343.1

  • BernD SChnemann, PenaLISta e ProfeSSor.

    a ProPSIto DeSta CoLetnea

    Lus Greco

    I. INTRODUO

    Com grande alegria apresento ao pblico brasileiro o presente volume, que rene todos1 os estudos de Bernd Schnemann publicados em portugus e contm oito estudos inditos, em tradues realizadas pelos seus vrios disc-pulos brasileiros.

    A ideia de compilar as tradues j anteriormente publicadas e de acres-centar alguns estudos recentes surgiu por acaso. em novembro de 2012, o professor Schnemann acidentalmente tomou conhecimento do projeto de reforma do Cdigo Penal brasileiro que tramita no Senado Federal (PL 236/2012, Senado Federal) e assustou-se.2 Parece claro que isso no pode surpreender a ningum, porque raramente se viu na doutrina brasileira tamanha coeso e determinao em rechaar planos de mudana legislativa.3

    1 Com uma exceo, qual retornarei ao final, item V. 2 Com o que temos uma primeira confirmao de meu prognstico, segundo o qual o Projeto de Cdigo Penal seria uma vergonha internacional, cf. L. Greco, Princpios fundamentais e tipo no novo Projeto de Cdigo Penal, in: Revista Liberdades edio especial Reforma do Cdigo Penal, http://www.ibccrim.org.br/upload/noticias/pdf/revista_especial.pdf, p. 35 e ss. (p. 57). 3 Para anotar apenas alguns pontos mais salientes da enxurrada de manifestaes crticas: de incio, as entrevistas de Cirino dos santos, Somos o pas que mais pune no mundo, publicada no jornal Folha de Londrina, de 15.07.2012, p. 3; reaLe Jr., Novo Cdigo Penal obscenidade, no tem conserto, http://www.conjur.com.br/2012-set-02/entrevista-miguel-

    http://www.conjur.com.br/2012-set-02/entrevista-miguel-reale-junior-decano-faculdade-direito-usp

  • 6 Bernd Schnemann

    Mas o que assustou o professor Schnemann foi, principalmente, a previso do acordo (art. 105 Projeto: barganha), isto , da possibilidade de condenar um acusado unicamente com base na sua confisso, que dele extorquida sob a ameaa de uma pena mais grave (ou, o que d no mesmo, sob a promessa de uma pena reduzida), sem produzir, em um processo contraditrio, prova real de sua culpa. O professor Schnemann, que um dos mais intransigentes crticos do acordo, instituio que, infelizmente, nas ltimas dcadas se alastrou por todo o processo penal alemo, dirigiu-se a ns, seus discpulos brasileiros, e perguntou-nos como podamos permanecer calados diante da iminncia de tamanha calamidade. Alaor Leite e eu respondemos-lhe que no havamos permanecido inertes, mas que tnhamos publicado crticas aos primeiros cap-tulos do projeto, ainda que no ao dispositivo referente ao acordo.4 Acrescen-tamos agora vejo que com ingenuidade que o projeto j havia sido posto de lado no Senado, e que o perigo fora, assim, banido. Os acontecimentos das ltimas semanas, isto , o retorno do projeto pauta do Senado, so, sem dvida, preocupantes. Mas em novembro de 2012, quando ainda acredit-vamos estar o direito penal brasileiro livre do vergonhoso projeto, tivemos a ideia de, por via das dvidas, ao menos tornar conhecida no Brasil a crtica de Schnemann ao acordo. essa ideia maturou e transformou-se na de montar o volume que o leitor agora tem em mos. esse processo de maturao tambm levou a uma mudana: como acreditvamos banido o perigo do projeto, nosso foco no foi mais a crtica de Schnemann ao acordo. ela aparece, verdade, em vrios dos artigos processuais abaixo acolhidos e no artigo conclusivo, tambm jusfilosfico e sociolgico. Nossa preocupao foi, pelo contrrio, introduzir tambm alguns artigos de dogmtica da parte geral, de processo penal e de filosofia do direito, uma vez que a maior parte dos artigos at ento publicados e que aqui recompilamos dizia respeito aos fundamentos do direito penal material.

    Meu objetivo, na presente introduo, transmitir ao pblico brasi-leiro uma ideia geral do contedo e importncia da obra deste que um dos mais destacados e influentes penalistas alemes. Pretendo, e nisso talvez eu

    reale-junior-decano-faculdade-direito-usp; miranda coutinho/rocha de carvaLho, H vcios de origem, http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/512777-reforma-do-codigo-penal-ha-vicios-de-origem-entrevista-especial-com-jacinto-coutinho-e-edward-rocha-de-carvalho; depois o nmero Revista Liberdades edio especial Reforma do Cdigo Penal, citado na nota anterior; em seguida os estudos coletados na Revista da EMERJ vol. 15, n. 60 (2012), que reproduzem o contedo do Seminrio Crtica da Reforma Penal, promovido pela escola da Magistratura do Rio de Janeiro (eMeRJ) nos dias 11-13.09.2012, com manifestaes de, entre outros, Juarez tavares, Juarez Cirino dos santos; e, mais recentemente, Cirino dos santos, A reforma penal: crtica da disciplina legal do crime, Tribuna Virtual IBCCrim 1 (2013), p. 27 e ss. 4 Cf. os estudos L. Greco, Princpios fundamentais..., p. 35 e ss.; A. Leite, erro, causas de justificao e causas de exculpao no novo projeto de Cdigo Penal, p. 59 e ss., ambos publicados no nmero especial da Revista Liberdades citado nas notas anteriores.

    http://www.conjur.com.br/2012-set-02/entrevista-miguel-reale-junior-decano-faculdade-direito-usphttp://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/512777-reforma-do-codigo-penal-ha-vicios-de-origem-entrevista-especial-com-jacinto-coutinho-e-edward-rocha-de-carvalhohttp://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/512777-reforma-do-codigo-penal-ha-vicios-de-origem-entrevista-especial-com-jacinto-coutinho-e-edward-rocha-de-carvalho

  • 7a propsito desta coletnea

    viole conscientemente tradicionais cnones, falar no s do penalista Bernd Schnemann, mas tambm um pouco da pessoa desse grande professor, com quem tenho o prazer de trabalhar e conviver desde 2003 e de quem tanto pude aprender.

    II. VIDA

    Bernd Schnemann nasceu em 1. de novembro de 1944, em Brauns-chweig. estudou Direito em Gttingen, Berlin e Hamburg, entre 1963 e 1967, at o primeiro exame de estado, a saber, a primeira prova de concluso pela qual o jurista alemo tem de passar, em seguida doutorando-se em Gttigen, sob a orientao do jovem catedrdico Claus Roxin, com tese sobre o tema Fundamento e limites dos delitos de omisso imprpria, em 1971;5 e dedicou a sua tese de livre-docncia (Habilitation) a uma teoria geral da interpretao do direito e ao recurso especial no processo penal.6 em 1976, tornou-se catedrtico em Mannheim; em 1987 foi para Freiburg e, desde 1990, possui a ctedra de direito penal, direito processual penal, filosofia do direito e sociologia do direito da Faculdade de Direito da Universidade de Ludwig Maximilian, Munique. No fim de maro de 2013, tornou-se professor emrito. No curso de sua carreira de catedrtico, formou dois livre-docentes que hoje se tornaram professores catedrticos, Tatjana Hrnle e Roland Hefendehl, sendo que h mais trs pessoas, entre elas eu, que esto em vias de concluir a livre-docncia sob a orientao de Schnemann.

    Poucos autores no cenrio mundial apresentam uma produo literria comparvel.7 No curso de sua longa carreira, Schnemann escreveu quase duas centenas de artigos, sem contar as tradues para lnguas estrangeiras, e um nmero impressionante de monografias. Ele um dos colaboradores do mais tradicional e reputado comentrio ao Cdigo Penal alemo, o Leipziger Kommentar zum Strafgesetzbuch, e esto a seu encargo, entre outros dispo-sitivos, os referentes autoria e participao ( 25 e ss.) e o dispositivo central do direito penal econmico alemo, o 266, a Untreue (infidelidade

    5 Grund und Grenzen der unechten Unterlassungsdelikte, O. schwarz, Gttingen, 1971; o livro foi recentemente traduzido para o espanhol, Fundamentos y lmites de los delitos de omisin impropia, Madrid: Marcial Pons, 2009 (trad. Cuello Contreras/Serrano Gonzlez de Murillo).6 Die vier Stufen der Rechtsgewinnung, exemplifiziert am strafprozessualen Revisionsrecht, Mnchner jur. Habilitationsschrift 1975, 630p.; o livro no foi, contudo, oficialmente publicado. Uma espremida sntese de algumas ideias centrais encontra em schnemann, Die Gesetzesinterpretation im Schnittfeld von Sprachphilosophie, Staatsverfassung und juristischer Methodenlehre, in: KohLmann (coord.), Festschrift fr Klug, Kln: Deubner Verlag, 1983, p. 169 e ss. 7 Cf. a lista de publicaes periodicamente