ETNOCENTRISMO - sociologiacotil ?· Cristóvão Colombo: ... Trópicos", o mito de origem dos índios…

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  • ETNOCENTRISMO Umavisodomundoemqueonossogrupovisto

    comoocentrodetudo. Presentenoapenasemnossapocaousociedade,

    masumfenmenohumanogeneralizado. Noplanoafetivoseapresentapormeiode

    sentimentoscomoestranheza,medo,hostilidade Noplanointelectualpodeservistocomoa

    dificuldadedepensarmosadiferena.

  • ELEMENTOSINTELECTUAISDOETNOCENTRISMO.

    ExpansomartimanoSc.XVIooutrocomoselvagem.

    EvolucionismobiolgicoCharlesDarwinSec.XIX.

    Evoluo=desenvolvimentoobrigatriorumoaumestgiosuperior

    EvolucionismosocialSec.XIXPrimeiraformadaantropologiadetentarexplicaradiferena:

    Ooutrodiferenteporqueestemumestgioevolutivoanterior.

  • Sec.XVIContextodeemergnciadaAntropologia:

    Comeaaelaborarumdiscursosobreosselvagense,consequentemente,sobreoscivilizadoslanandomodosdocumentos,relatoscartasproduzidaspelosviajantesemissionrios.

    PrimeiroChoque(alteridade)OsSelvagenssoHumanos?ElestmAlma?Elessopassveisdeseremescravizados?

    Duasideologiasconcorrentes:Negaodooutro/estranhoxFascinaopelooutro/estranho

  • OmauSelvagem:Medidasdediferenciaodoshumanos:

    aparncia fsica, comportamentos, hbitos alimentares, linguagem,tecnologias,crenaemDeus

    Notendoalma,notendoumalinguagemcompreensvel,sendofeioealimentandosefeitoumanimal,oselvagemnoumhumano.

    Umtipodediscursosobreaalteridadeamparadonaausncia/falta:sem moral, sem religio, sem lei, sem escrita, sem Estado, semConscincia,semRazo,semobjetivo,semarte,sempassado,semfuturo(notemfuturoporquenoevolui)

  • Oselvagem

  • BomSelvagem:Ostermosdodiscursosoosmesmos:deumladoosujeito

    civilizadoedooutrooselvagem.

    Masaqui,anaturezadispensasuasbenfeitoriasparaumselvagemfeliz.

    Odiscursodosem(semescrita,semtecnologia,semeconomia,etc.)noconstituiumadesvantagem.

    Adecepoligadaaosbenefciosdacivilizaoedoprogressofezcomquealgunspensadoresinterpretassemtalmododevidaprimitivocomoumaalternativaaosdilemasvivenciadospelohomemcivilizado.

  • BomCivilizado

    FascniopeloEstranho:CristvoColombo:

    Eles so muito mansos e ignorantes do que o mal, eles no sabem se matar uns aos outros () Eu no penso que haja no mundo homens melhores, como tambm no h terra melhor

  • AntropologiaEvolucionistaSc.XIX:

    MedeseoatrasodasoutrassociedadesdestinadasaalcanaracivilizaoemrelaoaosnicoscritriosdoocidentedosculoXIX(quedecertamaneiracontinuamsendoosnossos):

    religiomonotesta

    produoeconmicamercantil

    propriedadeprivada

    famlianuclear/relaomonogmica

    moralcrist

    Estadodedireito

    Tecnologia

  • Aimagemqueoocidentalfezdaalteridade(edesimesmo)noparoudeoscilarentredoisplos.Pensousealternadamentequeoselvagem:

    1Eraummonstro,umanimalcomfigurahumana,mastambmqueosmonstrosramosns(ocidentaiscivilizados),sendoqueeletinhaliesdehumanidadeparanosdar.

    2Levavaumaexistnciainfelizemiservel,ouvivianumestadodebeatitude,adquirindosemesforos,osprodutosmaravilhososdanatureza, enquanto oOcidente tinhadeassumirasdurastarefasdaindstria.

    3Eratrabalhadorecorajoso,ouessencialmentepreguioso.

    4Notinhaalmaenoacreditavaemnenhumdeus,oueraprofundamentereligioso.

    5Vivianumeternopavordosobrenatural,ou,napazenaharmonia.

    6Eraadmiravelmentebonito,ouadmiravelmentefeio

    8 Era movido por uma impulsividade criminalmente congnita a se temer, ou devia serconsideradocomoumacrianaprecisandodeproteo.

  • CHOQUECULTURAL: Deumladoo

    NOSSOgrupo,ogrupodoEU

    Mesmoestilodevida:comeigual,vesteigual,acreditanosmesmosdeuses,distribuiopoderdeumamesmaformaeetc.

  • EISENTOQUESURGEOOUTRO!

    Grupodiferenteque,svezes,nemsequerfazcoisascomoasnossas().

    Emaisgraveainda,esteoutrotambmsobrevivesuamaneira,gostadela,tambmestnomundo(...)

  • MONLOGOETNOCNTRICO Espanto:Comoaquelemundodedoidospode

    funcionar? Curiosidade:Comoqueelesfazem? Dvidaameaadora:Elesspodemestarerrados,

    outudooqueeuseiesterrado! Hostilidade:No,avidadelesnopresta,

    selvagem,brbara,primitiva!

  • Encarandoadiferenacomoumaameaaanossaidentidadeogrupodoeu:

    Fazdasuavisoanicapossvelouamelhor,anatural,asuperior,acerta.

    Ogrupodooutroficasendoengraado,absurdo,anormal.

  • Reafirmaodanossasociedade:

    Asociedadedoeuamelhor,asuperior.representadacomooespaodaculturaedacivilizaoporexcelncia.ondeexisteosaber,otrabalhoeoprogresso.

  • Construodeumaesteritipoparaooutro:

    A sociedade do outro atrasada. o espao danatureza.Soosselvagens,osbrbaros. So qualquer coisamenos humanos, pois, estessomos ns.(...) O selvagemquevemdafloresta,daselva,lembra de alguma maneira, avida animal. O outro oaqum ou o alm, nuncaoigualaoeu.

  • Etnocentrismocomoumfenmenouniversal:

    Embora o etnocentrismo tenha historicamente se revelado em nossa sociedade (ocidental, branca, catlica/crist, capitalista, etc.) de maneira brutal (escravido/genocdio), ele no se manifesta exclusivamente nela. (...) No etnocentrismo, uma mesma atitude informa os diferentes grupos.

  • Exemplo 1Lvi-Strauss (antroplogo) relata, em seu livro "Tristes

    Trpicos", o mito de origem dos ndios mbai - guaicuru, cujo territrio situava-se em terras paraguaias e brasileiras. Eles

    aprenderam a montar a cavalos e adquiriram com isso grande mobilidade e poder, passando a dominar e explorar outros

    grupos indgenas da regio.

    O mito mbai diz o seguinte:"Quando o ser supremo, Gonoenhodi, decidiu criar os homens,

    tirou primeiro da terra os guan, depois as outras tribos; aos primeiros, deu a agricultura, e a caa s segundas. O Enganador, que outra entidade do panteo indgena,

    percebeu, ento, que os mbai tinham sido esquecidos no fundo do buraco e os fez sair; mas, como nada mais lhes restasse,

    tiveram o direito nica funo ainda disponvel, a de oprimir e explorar os outros."

  • Exemplo 2Os urubus, grupo tribal do vale do Pindar (Maranho), assim nomeados pelos vizinhos (civilizados e ndios) se autodenominam Kaapor (Kaa = madeira, mata, floresta e Pr - ser). Essa autodenominao sintetiza admiravelmente o mito ou a explicao da origem do grupo. "Todos os homens vieram das madeiras. Todos. S que, enquanto os Kaapor originaram-se das madeiras boas, os outros homens (a humanidade, para eles) nasceram das madeiras podres. ( do livro "Raa e diversidade", Lilia Moritz (org.), Joo Baptista Borges Pereira, Edusp, 1996, SP, pg. 18

  • Exemplo 3Durante a Guerra do Vietn, o comandante das Foras Armadas norte-americanas, vendo-se obrigado a explicar as sucessivas derrotas de suas tropas, declarou imprensa que os "amarelos comunistas" estavam ganhando a guerra porque, ao contrrio dos ocidentais, no davam valor vida e, por isso, lutavam sem nenhum temor. Segundo o militar, os destemidos vietnamitas sequer expressavam dor por ocasio da morte de amigos e parentes!

  • Exemplo 3Os Cheyene, ndios das plancies norte-americanas, se autodenominavam "os entes humanos; os akuwa, grupo tupi do sul do Par, consideram-se "os homens"; da mesma forma que os Navajo se intitulavam "o povo. Os aborgenes australianos chamavam as roupas dos brancos de "peles-de-fantasmas", pois no acreditavam que os ingleses fossem parte da humanidade; e os nossos xavantes acreditam que o seu territrio tribal est situado bem no centro do mundo."

  • Trsliessobreoetnocentrismo: 1) O etnocentrismo passa exatamente por um

    julgamentodevalordaculturadooutronos termosdaculturadoeu.

    2) Frequentemente o etnocentrismo implica em umaapreenso do outro que se reveste de uma formabastante violenta. Como ja vimos, pode coloclocomo primitivo, como algo a ser destrudo, comoatraso ao desenvolvimento (frmula, alis, muitocomum e de uso geral no etnocdio e matana dosndios).

  • Juan Gins de Seplveda Jurista e Filsofo Espanhol Sc. XVI

    queles que superam os outros em prudncia e razo, mesmo que no sejam superiores em fora fsica, aqueles so, por natureza, os senhores; ao contrrio porm, os preguiosos, os espritos lentos, mesmo que tenham as foras fsicas para cumprir todas as tarefas necessrias, so por natureza, servos. E justo e til que sejam servos, e vemos isso sancionado pela prpria lei divina. Tais so as naes brbaras e desumanas estranhas vida civil e aos costumes pacficos. E ser sempre justo e conforme o direito natural que essas pessoas estejam submetidas ao imprio de prncipes e de naes mais cultas e humanas, de modo que, graas virtude destas e prudncia de suas leis, eles abandonem a barbrie e se conformem a uma vida mais humana e ao culto da virtude. E se eles recusarem esse imprio, pode-se imp-lo pelo meio das armas e essa guerra ser justa, bem como o declara o direito natural que os homens honrados, inteligentes, virtuosos e humanos dominem aqueles que no tem essas virtudes

  • Trsliessobreoetnocentrismo: 3) () a histria ainda ensina que o outro e sua

    cultura, da qual falamos na nossa sociedade, soapenasumarepresentao,umaimagemdistorcidaque manipulada como bem entendemos. Ao outronegamosaquelemnimodeautonomianecessriaparafalardesimesmo.

    Cita o exemplo: de uma criana, de um grande centrourbano,que,detantoouvirabsurdossobreondiosejaem casa, seja nos livros didticos, seja na indstriacultural, acabou por definilos dizendo: O ndio omaioramigodohomem.

  • Mecanismosdereforodanossaidentidadepormeioderepresentaesnegativasdooutro

    Exemplolivrosdidticos:queapresentavamumavisodosndioscomopreguiosos,desleixadoseetc.

    (...), ocupam um lugar de supostos donos da verdade. Suainformaoobtmessevalordeverdadepelosimplesdatode que quem sabe seu contedo passa nas provas. Nessesentido,seusaber tendeaservistocomoalgorigoroso,srio e cientfico. Os estudantes so testados, via deregra, em face de seu contedo, o que faz com que asinformaesnelescontidasacabemsefixandonofundadamemriadetodosns.Comelasefixamtambmimagensextr