Exame Discursivo

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  • CADERNO DE PROVAEste caderno, com oito pginas numeradas sequencialmente, contm cinco questes de Lngua Portuguesa Instrumental e a proposta de Redao.

    No abra o caderno antes de receber autorizao.

    INSTRUES1. Verifique se voc recebeu mais dois cadernos de prova.

    2. Verifique se as seguintes informaes esto corretas nas sobrecapas dos trs cadernos: nome, nmero de inscrio, nmero do documento de identidade e nmero do CPF.

    Se houver algum erro, notifique o fiscal.

    3. Destaque, das sobrecapas, os comprovantes que tm seu nome e leve-os com voc.

    4. Ao receber autorizao para abrir os cadernos, verifique se a impresso, a paginao e a numerao das questes esto corretas.

    Se houver algum erro, notifique o fiscal.

    5. Todas as respostas e o desenvolvimento das solues, quando necessrio, devero ser apresentados nos espaos apropriados, com caneta de corpo transparente, azul ou preta.

    No sero consideradas as questes respondidas fora desses espaos.

    INFORMAES GERAISO tempo disponvel para fazer as provas de cinco horas. Nada mais poder ser registrado aps o trmino desse prazo.

    Ao terminar, entregue os trs cadernos ao fiscal.Nas salas de prova, os candidatos no podero usar qualquer tipo de relgio, culos escuros e bon, nem portar arma de fogo, fumar e utilizar corretores ortogrficos e borrachas.

    Ser eliminado do Vestibular Estadual 2016 o candidato que, durante a prova, utilizar qualquer meio de obteno de informaes, eletrnico ou no.

    Ser tambm eliminado o candidato que se ausentar da sala levando consigo qualquer material de prova.

    BOA PROVA!

    Lngua Portuguesa Instrumental com Redao

    29/11/20152 Fase Exame Discursivo

  • VESTIBULAR ESTADUAL 2016 2 FASE EXAME DISCURSIVO

    LNGUA PORTUGUESA INSTRUMENTAL COM REDAO

    NOMES DO HORRORUma reportagem de Philip Gourevitch na revista New Yorker mostra como, vinte anos depois da guerra de Ruanda, ocorrida em 1994, quando hutus assassinaram 800 mil tutsis em cem dias, ainda difcil chegar a um consenso sobre como chamar o que aconteceu.

    O pas discute se a melhor palavra para tanto est na lngua local, na lngua dos colonizadores, se basta preciso verbal (gutsemba, massacrar) ou se preciso a redundncia de um neologismo (gutsembatsemba, massacrar radicalmente) para descrever os atos de uma tragdia absoluta.

    Debates semelhantes acompanham qualquer trauma coletivo. H grupos judaicos que rejeitam a expresso consagrada holocausto, com seu carter sacrificial, de expiao de pecados, em nome da menos ambgua shoah (calamidade, aniquilao). Na Turquia, ainda tabu usar genocdio para a matana armnia iniciada em 1915. No Brasil, d-se algo semelhante na luta pelo reconhecimento do que foi e praticado contra comunidades indgenas.

    De qualquer forma, so batalhas pequenas dentro de uma guerra longa e difcil, de transmisso da memria para que o horror no se repita. Palavras so a primeira arma das vtimas de tentativas de extermnio, s vezes a nica, e preciso chegar a um modo eficiente que no se resuma a slogans com vocabulrio chancelado para que elas no traiam a natureza do que se viveu.

    Ou seja, preciso saber narrar. Discursos facilmente se banalizam, tornam-se solenes, sentimentais em excesso, causando o efeito contrrio do que pretendem. Chegar sensibilidade do pblico, causando empatia, desconforto e revolta ativa, o que objetivo de qualquer militncia antiviolncia, demanda no apenas reproduzir a verdade dos fatos. A mensagem no nada sem um receptor disposto a entend-la, por mais pungentes* que sejam as vtimas.

    Como isso no comum, o que ocorreu em 1994 continua sendo apenas um item numa lista atemporal e universal de genocdios, holocaustos, limpezas, extermnios, calamidades, aniquilaes, massacres e gutsembatsembas.

    Michel LaubAdaptado de Folha de So Paulo, 09/05/2014.

    *pungentes: comoventes

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    Chegar sensibilidade do pblico, causando empatia, desconforto e revolta ativa, o que objetivo de qualquer militncia antiviolncia, demanda no apenas reproduzir a verdade dos fatos. (l. 17-19)

    Transcreva dois outros elementos, presentes no penltimo pargrafo, que seriam necessrios para chegar sensibilidade do pblico, alm da reproduo da verdade dos fatos.

    QUESTO

    01COMENTRIO DA QUESTO 01

    Item do programa: Objetivos discursivos

    Subitem do programa: Opinar

    Objetivo: Apontar elementos centrais para a construo especfica de opinio do enunciado no texto.

    Comentrio:

    Conforme o penltimo pargrafo do texto, para chegar sensibilidade do pblico, preciso saber narrar e um receptor disposto a entender a mensagem. Ou seja, o emissor da mensagem precisa demonstrar competncia discursiva, enquanto o receptor precisa querer entender o que aconteceu, superando preconceitos e eventual apatia.

  • VESTIBULAR ESTADUAL 2016 2 FASE EXAME DISCURSIVO

    LNGUA PORTUGUESA INSTRUMENTAL COM REDAO

    A mensagem no nada sem um receptor disposto a entend-la, por mais pungentes que sejam as vtimas. (l. 19-20)

    Reescreva o trecho acima, substituindo o conectivo da parte sublinhada por outro de mesmo sentido e fazendo as adaptaes necessrias. Em seguida, aponte o sentido estabelecido pelo conectivo empregado.

    QUESTO

    03

    QUESTO

    02Na concluso apresentada no ltimo pargrafo, h uma enumerao de palavras.

    Considerando a leitura global do texto, explique de que maneira a enumerao contribui para a construo da concluso. Indique, ainda, o risco sugerido pelo autor nesse ltimo pargrafo.

    COMENTRIO DA QUESTO 02

    Item do programa: Fatores de coerncia

    Subitem do programa: Modos de organizao do texto

    Objetivo: Identificar modo especfico de construo e articulao da concluso.

    Comentrio:

    A enumerao de episdios de violncia extrema refora a concluso do texto, que apela para a necessidade de se falar abertamente sobre esses episdios para melhor entend-los. O risco de no se falar sobre tais acontecimentos trgicos justamente o de permitir que eles se repitam muitas vezes.

    COMENTRIO DA QUESTO 03

    Item do programa: Fatores de coeso

    Subitem do programa: Ligao

    Objetivo: Reconhecer elemento especfico de coeso textual na construo de sentido da frase.

    Comentrio:

    O sentido da expresso conectiva por mais que o de concesso. Entre as reescrituras possveis do perodo, mantendo-se o mesmo sentido de concesso, esto: Ainda que as vtimas sejam pungentes, a mensagem no nada sem um receptor disposto a entend-la. Os termos embora e mesmo que tambm poderiam ser utilizados para se manter a ideia de concesso.

  • VESTIBULAR ESTADUAL 2016 2 FASE EXAME DISCURSIVO

    LNGUA PORTUGUESA INSTRUMENTAL COM REDAO

    Ele nunca tinha ouvido falar em Inferno. Estranhando a linguagem de Sinh Terta, pediu informaes. Sinh Vitria, distrada, aludiu1 vagamente a certo lugar ruim demais, e como o filho exigisse uma descrio, encolheu os ombros.

    O menino foi sala interrogar o pai, encontrou-o sentado no cho, com as pernas abertas, desenrolando um meio de sola.

    Bota o p aqui.A ordem se cumpriu e Fabiano tomou medida da alpercata2: deu um trao com a ponta da faca atrs do calcanhar, outro adiante do dedo grande. Riscou em seguida a forma do calado e bateu palmas:

    Arreda3.O pequeno afastou-se um pouco, mas ficou por ali rondando e timidamente arriscou a pergunta. No obteve resposta, voltou cozinha, foi pendurar-se saia da me:

    Como ?Sinh Vitria falou em espetos quentes e fogueiras.

    A senhora viu?A Sinh Vitria se zangou, achou-o insolente e aplicou-lhe um cocorote.

    O menino saiu indignado com a injustia, atravessou o terreiro, escondeu-se debaixo das catingueiras4 murchas, beira da lagoa vazia. (...)

    Como no sabia falar direito, o menino balbuciava expresses complicadas, repetia as slabas, imitava os berros dos animais, o barulho do vento, o som dos galhos que rangiam na caatinga, roando-se. Agora, tinha tido a ideia de aprender uma palavra, com certeza importante porque figurava na conversa de Sinh Terta. Ia decor-la e transmiti-la ao irmo e cachorra. Baleia permaneceria indiferente, mas o irmo se admiraria, invejoso.

    Inferno, Inferno.No acreditava que um nome to bonito servisse para designar coisa ruim. E resolvera discutir com Sinh Vitria. Se ela houvesse dito que tinha ido ao Inferno, bem. Sinh Vitria impunha-se, autoridade visvel e poderosa. Se houvesse feito meno de qualquer autoridade invisvel e mais poderosa, muito bem. Mas tentara convenc-lo dando-lhe um cocorote, e isto lhe parecia absurdo. Achava as pancadas naturais quando as pessoas grandes se zangavam, pensava at que a zanga delas era a causa nica dos cascudos e puxavantes5 de orelhas. Esta convico tornava-o desconfiado, fazia-o observar os pais antes de se dirigir a eles. Animara-se a interrogar Sinh Vitria porque ela estava bem disposta: explicou isto cachorrinha com abundncia de gritos e gestos.

    Graciliano RamosVidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2003.

    1aludiu referiu-se a2alpercata tipo de sandlia3arreda afaste-se4catingueiras arbustos tpicos da caatinga nordestina5puxavantes puxes fortes

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  • VESTIBULAR ESTADUAL 2016 2 FASE EXAME DISCURSIVO

    LNGUA PORTUGUESA INSTRUMENTAL COM REDAO

    Alm da limitao de no saber falar direito, o texto sugere outros fatores que tornam a comunicao um problema para o menino.

    Explicite dois desses fatores.

    QUESTO

    04

    No ltimo pargrafo, apresenta-se a reflexo do menino sobre duas formas de convencimento que se opem, para tentar estabelecer aquela que o convena melhor.

    Identifique essas duas formas de convencimento. Em seguida, apresente um aspecto que, do ponto de vista do menino, tornaria uma das formas de convencimento mais vlida

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