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CADERNO DE ENCARGOS DE EDIFICAÇÕES ALVENARIAS E DIVISÓRIAS 1 6. ALVENARIA E DIVISÕES Versão: 25/07/00 6.1. ALVENARIA 6.1.1. Objetivo Partindo-se de algumas recomendações básicas para o projeto das vedações verticais, procura-se apresentar de maneira detalhada todas as etapas necessárias para a execução da alvenaria, desde a locação até o revestimento; neste aspecto, além do revestimento com argamassa, considera-se os revestimentos em cerâmica, fórmica, etc., normalmente empregado nas áreas molháveis da edificação e a pintura das paredes, sejam elas internas ou externas. 6.1.2. Metodologia de Execução a. Campo de Aplicação Este caderno aborda diversos aspectos relacionados ao projeto e a execução de alvenarias de vedação com blocos cerâmicos vazados, blocos de concreto, tijolos maciços e laminados, tijolos de vidro e cobogó, visando integrar este componente, de forma racionalizada, tanto a estrutura da obra, como a todos os demais elementos e componentes que a constituem. As alvenarias de vedação, isto é, aquelas que não são projetadas para resistirem a cargas verticais além daquelas resultantes do seu peso próprio e de pequenas cargas de ocupação, destinam-se ao preenchimento de espaços entre componentes da estrutura, conforme ilustrado na Figura 1, podendo ser empregadas na fachada da obra (alvenarias externas) ou na criação dos espaços internos (divisórias internas). A função dessas alvenarias, todavia, transcende em muito a simples divisão de espaços, desempenhando papel importante na isolação térmica e acústica dos ambientes, na segurança física dos usuários em casos de incêndio, na estanqueidade à água e, às vezes, até mesmo no contraventamento da estrutura ou parte dela. Por todas essas razões, particular atenção deve ser dada ao projeto e execução das alvenarias de vedação, procurando-se explorar, particularmente no caso dos blocos cerâmicos de vedação, as boas propriedades desse produto no tocante às mais diversas características de desempenho (durabilidade, resistência à ação do fogo, comportamento termo-acústico, etc.). Neste trabalho será por diversas ocasiões mencionada a palavra “bloco”, cujo termo abrange também os tijolos.

Execução de alvenarias

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Materiais, métodos e procedimentos para execução de alvenarias.

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    1

    6. ALVENARIA E DIVISES Verso: 25/07/00

    6.1. ALVENARIA

    6.1.1. Objetivo

    Partindo-se de algumas recomendaes bsicas para o projeto das vedaes verticais,

    procura-se apresentar de maneira detalhada todas as etapas necessrias para a execuo da

    alvenaria, desde a locao at o revestimento; neste aspecto, alm do revestimento com

    argamassa, considera-se os revestimentos em cermica, frmica, etc., normalmente

    empregado nas reas molhveis da edificao e a pintura das paredes, sejam elas internas ou

    externas.

    6.1.2. Metodologia de Execuo

    a. Campo de Aplicao

    Este caderno aborda diversos aspectos relacionados ao projeto e a execuo de alvenarias de

    vedao com blocos cermicos vazados, blocos de concreto, tijolos macios e laminados,

    tijolos de vidro e cobog, visando integrar este componente, de forma racionalizada, tanto a

    estrutura da obra, como a todos os demais elementos e componentes que a constituem.

    As alvenarias de vedao, isto , aquelas que no so projetadas para resistirem a cargas

    verticais alm daquelas resultantes do seu peso prprio e de pequenas cargas de ocupao,

    destinam-se ao preenchimento de espaos entre componentes da estrutura, conforme ilustrado

    na Figura 1, podendo ser empregadas na fachada da obra (alvenarias externas) ou na criao

    dos espaos internos (divisrias internas). A funo dessas alvenarias, todavia, transcende em

    muito a simples diviso de espaos, desempenhando papel importante na isolao trmica e

    acstica dos ambientes, na segurana fsica dos usurios em casos de incndio, na

    estanqueidade gua e, s vezes, at mesmo no contraventamento da estrutura ou parte dela.

    Por todas essas razes, particular ateno deve ser dada ao projeto e execuo das alvenarias

    de vedao, procurando-se explorar, particularmente no caso dos blocos cermicos de

    vedao, as boas propriedades desse produto no tocante s mais diversas caractersticas de

    desempenho (durabilidade, resistncia ao do fogo, comportamento termo-acstico, etc.).

    Neste trabalho ser por diversas ocasies mencionada a palavra bloco, cujo termo abrange

    tambm os tijolos.

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    Figura 1 - Alvenaria de Vedao

    b. Dados para Projeto

    b.1. Caractersticas tcnicas das alvenarias

    Considerando-se os casos mais comuns das alvenarias de vedao constitudas por blocos

    cermicos com larguras de 9cm e de 14cm, revestidas em ambas as faces com argamassa

    com 1,5cm de espessura, so apresentadas na Tabela 1 a seguir, como orientao para o

    projeto, algumas propriedades dessas alvenarias (valores mdios).

    Tabela 1.a - Caractersticas tcnicas das alvenarias de vedao com bloco cermico

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    Largura

    do bloco Largura Massa Resistncia Classe de

    cermico (cm) (kg/M2) trmica transmisso

    (cm) (m2 C/W) sonora (1) Isol. Trmica Estabilidade

    9 12 130 0,22 42 105 155

    14 17 180 0,30 39 (2) (2)

    Resistncia ao fogo (minutos)

    Caractersticas da parede revestida com argamassa

    (1) Indicador da resistncia da alvenaria transmisso dos sons em

    todas as faixas de freqncia de interesse, obtido da comparao de

    curva de isolaes da alvenaria com uma curva normalizada

    Tabela 1.b - Caractersticas tcnicas das alvenarias de vedao com bloco de concreto

    Largura

    do bloco Largura Massa Resistncia Classe de

    de concreto (cm) (kg/M2) trmica transmisso

    (cm) (m2 C/W) sonora (1) Isol. Trmica Estabilidade

    9 12

    14 17

    19 22

    Caractersticas da parede revestida com argamassa

    Resistncia ao fogo (minutos)

    (1) Indicador da resistncia da alvenaria transmisso dos sons em

    todas as faixas de freqncia de interesse, obtido da comparao de

    curva de isolaes da alvenaria com uma curva normalizada

    A fim de garantir-se um nvel satisfatrio de segurana contra ao de cargas laterais (por

    exemplo, cargas provenientes da ao do vento ou de impactos acidentais), as dimenses das

    alvenarias devero ser limitadas tanto na direo do seu comprimento como na direo da sua

    altura. Essa limitao ser imposta por elementos ditos contraventantes, sendo que os

    principais, so:

    - na direo do comprimento da alvenaria: pilares, enrijecedores e alvenarias transversais;

    - na direo da altura da alvenaria: vigas, lajes e cintas de amarrao.

    Em funo da largura do bloco ou do tijolo e da localizao da alvenaria no edifcio (alvenarias

    internas ou alvenarias de fachada), recomenda-se que no sejam superados os valores

    1indicados na Tabela 2.

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    Tabela 2 - Dimenses mximas recomendadas para alvenarias de vedao, entre elementos

    contraventantes.

    As alvenarias de blocos cermicos, a exemplo de qualquer outro tipo de alvenaria, so

    susceptveis fissurao em funo da deflexo do suporte. Assim sendo, recomenda-se que

    as flechas das vigas, e lajes que suportam as alvenarias no ultrapassem a L/300 (L = vo

    terico do componente estrutural devendo-se considerar no clculo das flechas das vigas os

    efeitos da fissurao e da deformao lenta do concreto).

    b.2. Juntas de controle

    Considerando-se ainda que h um risco de fissurao das alvenarias muito extensas, em

    funo de contraes ou dilataes provocadas por diversos fatores (retrao da argamassa

    de assentamento, movimentaes trmicas da alvenaria e da estrutura, etc.), recomenda-se

    que os trechos contnuos de alvenarias sejam limitados, principalmente no caso de alvenarias

    de fachada. Essa limitao pode ser conseguida com a insero de juntas de controle na

    alvenaria, recomendando-se que, em funo da largura do bloco cermico, no sejam

    ultrapassadas entre as juntas de controle as distncias indicadas na Tabela 3.

    Tabela 3 - Distncia mxima entre juntas de controle na alvenaria de blocos.

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    Sempre que existir junta de movimentao na estrutura dever haver na alvenaria uma junta

    correspondente, com mesma localizao e mesma largura, independentemente do

    comprimento da alvenaria. No havendo junta de movimentao, a junta de controle inserida

    na alvenaria dever ser executada com largura de aproximadamente 20mm.

    Para assegurar-se a vinculao entre os trechos da alvenaria separados pela junta de controle,

    devem ser introduzidas nas juntas de assentamento, a cada duas fiadas, barras de ao com

    5,0mm de dimetro, embutidas aproximadamente 40cm em cada trecho da alvenaria; esses

    ferros devero ter o formato de "S" (Figura 2), possibilitando as movimentaes da junta.

    A junta de controle poder ser acabada com qualquer material ou componente flexvel que

    absorva suas movimentaes, sem que isso venha a prejudicar as propriedades da alvenaria

    no tocante isolao termo-acstica e estanqueidade gua; nesse sentido podero ser

    empregados diversos componentes como perfis de PVC, chapas corrugadas de cobre ou

    alumnio, gaxetas de neoprene, etc.

    As juntas podero ainda ser calafetadas com material deformvel (cortia, isopor, poliuretano

    expandido, etc.). recebendo externamente camada com altura de 10 a 15mm de selante

    flexvel base de silicone ou poliuretano, conforme indicado na Figura 2.

    Figura 2 - Junta de controle: a) ligao com ferro a cada 2 fiadas; b)

    acabamento com material deformvel e selante flexvel

    A junta referenciada na Tabela 3 necessria nas situaes em que o processo construtivo

    proporcionou a existncia de panos contnuos, tal como mostrado adiante no item b.5.

    b.3. Coordenao modular horizontal e vertical

    A fim de evitar-se ao mximo a necessidade do corte de blocos, com conseqente

    racionalizao no uso de materiais e de mo-de-obra, toda ateno deve ser dada ao projeto

    a)

    b)

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    de arquitetura, buscando-se projetar os comprimentos e as alturas das alvenarias sempre com

    valores mltiplos, respectivamente, do comprimento e da altura do bloco a ser empregado na

    construo, considerando-se ainda a espessura da junta de argamassa; dessa maneira, ser

    constitudo um reticulado modular, conforme indicado na Figura 3 a seguir, onde cada bloco

    apresentar sempre duas de suas faces tangenciando duas linhas desse reticulado.

    Figura 3 - Reticulado modular

    Nesse sentido, as dimenses dos blocos, padronizadas pela norma brasileira NBR-7171 (1) -

    Bloco cermico para alvenaria e indicado na Tabela 4 a seguir, foram estabelecidas para

    constiturem reticulados cujos lados sejam mltiplos de 10cm, considerando-se que as juntas

    de argamassa de assentamento, tanto horizontais como verticais, devem apresentar espessura

    de 1cm. Em se tratando de paredes internas, dispensa-se o preenchimento das juntas verticais,

    observando o cuidado de se manter prximas as faces verticais dos blocos.

    Tabela 4 - Dimenses padronizadas dos blocos

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    Assim sendo, indicando o arquiteto ao calculista da estrutura quais dimenses de vigas e

    pilares devero ser fixas e quais podero sofrer variaes, os vos estruturais sero projetados

    de maneira compatvel com a coordenao modular prevista no projeto de arquitetura, ou seja,

    na quase totalidade dos casos no haver necessidade de corte de blocos.

    Nas extremidades das alvenarias, por exemplo no encontro com pilares ou com marcos de

    portas e janelas, o arquiteto poder especificar a prpria utilizao de blocos cermicos (1/2

    bloco) ou optar pelo emprego de tijolos macios de barro cozido; ressalte-se que. as

    dimenses padronizadas dos tijolos macios (comprimento - 190mm, largura - 90mm, altura -

    57mm) compatibilizam-se com a modulao dos blocos cermicos, conforme ilustrado na

    Figura 4.

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    Figura 4 - Arremates no canto da alvenaria com bloco ou com

    tijolos macios

    b.4. Coordenao modular com vos de portas e janelas

    Ainda do ponto de vista da modulao, o projeto de arquitetura dever prever a coordenao

    com os vos destinados a portas e janelas, tanto do ponto de vista das dimenses externas

    dos marcos como do posicionamento do vo na alvenaria e da necessidade de juntas (folgas)

    entre a alvenaria e o marco.

    Por exemplo, as portas de madeira, com dimenses padronizadas pela norma brasileira NBR-

    8052(2) -Porta de madeira de edificao -Dimenses apresentam as dimenses externas dos

    marcos compatveis com a quadrcula modular estabelecida para os blocos cermicos,

    conforme indicado na Tabela 5 a seguir, prevendo-se uma folga de 1,5cm entre os montantes e

    a alvenaria, e um espao de 6,5cm entre a travessa e a alvenaria, conforme indicado na Figura

    5; este espao superior de 6,5cm destina-se construo de uma verga com 5cm de altura,

    conforme ser visto no item-g.3.

    Tabela 5 - Dimenses padronizadas de portas de madeira e dimenses do vo inserido na

    alvenaria

    (*) Prevendo uma folga de 0,5cm entre a base da folha de porta

    instalada e o piso acabado

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    Figura 5- Coordenao do vo da porta no reticulado modular ( no

    exemplo, folha de porta com largura de 0,72m)

    As janelas de madeira mais usuais, do tipo veneziana, apresentam tambm dimenses

    compatveis com o reticulado modular conforme indicado na Tabela 6 a seguir, prevendo-se

    uma folga de 1,5cm entre os montantes do marco e a alvenaria; a altura do marco (medida

    externa) 13cm menor do que a altura do vo modular, espao este destinado construo de

    verga com 10cm de altura, como ser visto no item-g.3.

    Tabela 6 - Dimenses comerciais de janela de madeira tipo veneziana e dimenses do vo

    inserido na alvenaria

    J para os caixilhos de ferro, cujas dimenses no se encontram padronizados por norma

    brasileira, verifica-se que suas dimenses comerciais geralmente so mltiplas de 10cm, ou

    seja, encontram-se no comrcio caixilhos com dimenses de 0,60m x 0,80m, 0,80m x1,20m,

    etc. Essas dimenses comerciais seriam compatveis com um reticulado modular estabelecido

    para blocos aparentes, onde o marco do caixilho fosse, por exemplo, aparafusado alvenaria.

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    No caso das alvenarias revestidas, contudo, necessrio uma folga de 1,5cm a 2,0cm entre o

    marco do caixilho e a alvenaria, espao este necessrio para o revestimento do vo inserido na

    alvenaria em todo o seu contorno interno, conforme indicado na Figura 6.

    Em relao aos caixilhos de alumnio, devero ter um contramarco chumbado alvenaria, e

    posteriormente o caixilho parafusado no conjunto.

    Figura 6 - Caixilho de ferro inserido no reticulado modular: folga f de

    1,5 cm a 2,0cm entre o marco do caixilho e a alvenaria

    Considerando-se que os caixilhos de ferro e alumnio podero sempre ser comprados por

    encomenda, recomenda-se que sejam especificadas para os mesmos, dimenses 3cm

    inferiores s dimenses do vo modulado da alvenaria, conforme exemplificado na Tabela 7 a

    seguir.

    Tabela 7 - Dimenses recomendadas para caixilhos de ferro ou alumnio, em funo do

    reticulado modular (exemplos)

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    (*) No eventual emprego de contramarco, essas dimenses devem

    ser revistas

    b.5. Posicionamento das alvenarias no reticulado horizontal

    0 projeto de arquitetura dever ainda considerar as melhores opes para posicionamento das

    alvenarias (modulao horizontal), levando-se em conta as reas dos cmodos, as dimenses

    dos componentes estruturais, as dimenses padronizadas de componentes para pisos e para

    forros, os tratamentos arquitetnicos das fachadas, etc. A ttulo ilustrativo, sero analisados

    alguns casos de encontros entre alvenarias e pilares e encontros entre alvenarias, com suas

    respectivas implicaes.

    b.5.1. Encontros entre alvenarias e pilares:

    0 posicionamento das alvenarias em relao aos pilares, quando estes forem mais largos que

    as alvenarias, deve levar cm conta:

    - facilidade para posterior colocao do piso;

    - facilidade de limpeza do piso, durante a vida do edifcio;

    - diminuio de reentrncias e salincias provenientes da justaposio dos planos das

    alvenarias e dos pilares.

    As ilustraes da Figura 7 , a seguir, mostram as posies relativas entre pilares e alvenarias.

    Para o tratamento arquitetnico das fachadas, e mesmo para a colocao de componentes

    industrializados de pisos e forros, pode-se considerar:

    - no caso 1, o eixo da alvenaria coincide com o eixo dos pilares consecutivos; em ambas as

    faces as superfcies so descontnuas, dificultando a colocao posterior dos componentes

    de pisos e de forro;

    - no caso 2, as faces internas da alvenaria e dos pilares esto no mesmo alinhamento, o que

    facilita a colocao do revestimento do piso e do forro;

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    Figura 7 - Posies relativas entre alvenarias e pilares

    - o caso 3 menos comum devido dificuldade de construo da alvenaria, obtendo-se a

    variao na espessura da alvenaria pelo emprego de blocos de menor largura ou pela

    quebra de alguns blocos; assim como no caso 1, dificulta a execuo dos pisos e do forro;

    - o caso 4, no qual h o desvinculamento entre a alvenaria e os pilares deve ser considerado

    quando a distncia entre a face da alvenaria e as faces dos pilares for de tal dimenso que

    possa ter uma finalidade funcional; pequenas distncias, alm de dificultarem a colocao

    do piso e do forro, dificultaro a posterior limpeza do piso;

    - nos casos 1 e 2 deve-se tomar cuidado com a amarrao entre os panos das alvenarias e

    o pilares (vide item 7.1), enquanto que nos casos 3 e 4 deve-se prever a insero de juntas

    de controle, conforme analisado no item-b.2.

    b.5.2. Encontros entre alvenarias

    Para os encontros entre alvenarias, formando cantos, podem ser consideradas duas diferentes

    situaes, representadas na Figura 8.

    Caso 1

    Caso 2

    Caso 3

    Caso 4

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    Figura 8 - Encontro entre alvenarias

    Considerando-se o tratamento arquitetnico pode-se observar:

    - no caso 1, o mais conveniente, uma das superfcies resulta contnua e o menor nmero de

    cantos facilita a colocao do revestimento do piso. A amarrao entre as alvenarias deve

    merecer cuidados especiais para evitar-se o surgimento de destacamento vertical;

    - o caso 2 deve ser considerado quando se desejarem cmodos modulados de um mesmo

    lado da alvenaria, onde sero aplicados componentes tambm modulados como

    esquadrias, placas para revestimento de piso, etc.

    De maneira geral a marcao do alinhamento das alvenarias, dentro de um enfoque apenas

    funcional, deve ser considerada desde a fase de projeto, visando o menor nmero de cantos e

    esquinas formada, entre alvenarias e pilares ou entre duas ou mais alvenarias.

    A seguir so apresentadas duas solues de alinhamentos de alvenarias e pilares (Figuras 9 e

    10), resultando em menor ou em maior nmero de cantos.

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    Figura 9 - Alinhamento de alvenarias e pilares (soluo mais

    recomendada)

    Figura 10 - Alinhamento de alvenarias e pilares (soluo menos

    recomendada)

    c. Materiais e Componentes

    c.1. Blocos cermicos

    Os blocos cermicos de vedao so fabricados com argila e conformados por extruso,

    possuindo ranhuras nas suas faces laterais que propiciam melhor aderncia com a argamassa

    de assentamento ou de revestimento; esses blocos so fabricados com dimenses

    padronizadas, indicadas anteriormente na Tabela 4, geralmente com furos circulares ("tijolos

    baianos") ou com furos retangulares, conforme ilustrado na Figura 11.

    As propriedades mais importantes dos blocos cermicos de vedao, algumas delas

    especificadas na norma brasileira NBR- 7171(1) , so as seguintes:

    - tolerncias dimensionais: 3mm

    - desvio de esquadro: 3mm

    - empenamento: 3mm

    - absoro de gua: 10 a 20%

    - resistncia a compresso: 10 kgf /cm2 (classe A) ; 25 kgf / cm2(classe B)

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    15

    Figura 11 - Tipos mais correntes de blocos de vedao

    Os limites impostos para as variaes dimensionais e os desvios de forma asseguram a

    mxima economia no consumo de argamassa, tanto de assentamento como de revestimento,

    enquanto que a absoro de gua, em torno de 10 a 20%, proporciona uma aderncia

    adequada entre os blocos e a argamassa; em nveis excepcionalmente altos de absoro de

    gua, ou mesmo quando os blocos encontram-se muito ressecados, recomenda-se para o

    assentamento o prvio umedecimento dos blocos, como ser visto no item-f.3.

    Os blocos com furos retangulares geralmente apresentam resistncia compresso igual ou

    maior que 25 kgf/cm2, enquanto que nos blocos com furos circulares este valor

    acentuadamente menor (em tomo de 10 kgf/cm2). A rigor, as duas categorias de blocos podem

    ser empregadas na construo de alvenarias de vedao; a favor da segurana, contudo, para

    a execuo de alvenarias externas (fachadas) de edifcios altos, sujeitos ao de ventos

    fortes, recomenda-se o emprego de blocos com resistncia igual ou superior a 25 kgf/cm2, ou

    seja, blocos com furos retangulares.

    c.2. Argamassa de assentamento

    A argamassa empregada no assentamento de blocos cermicos deve ser plstica (argamassa

    gorda") e ter consistncia para suportar o peso dos blocos, mantendo-os no alinhamento por

    ocasio do assentamento. Deve ainda ter boa capacidade de reteno de gua, alm de

    promover forte aderncia com os blocos cermicos.

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    16

    Consideram-se, como adequadas as argamassas de traos 1:7 ou 1:2:9 (cimento + cal

    hidratada + areia, expresso em volume) ou quaisquer outras argamassas com propriedades

    equivalentes. Em locais onde haja disponibilidade, e no caso em que a parede seja revestida,

    pode-se empregar cal hidratada e produtos pozolnicos na preparao da argamassa de

    assentamento; a escolha da composio dever ser acordada em conjunto com a fiscalizao.

    O cimento empregado normalmente na argamassa de assentamento de blocos cermicos sem

    funo portante o cimento Portland Comum CP 32.

    A areia no deve conter sais solveis nem matria orgnica: recomenda-se, ento, a utilizao

    de areias de rio lavada, de granulometria mdia.

    A gua de amassamento deve ser potvel, ou seja, no devem ser empregadas guas

    contaminadas por impurezas orgnicas, altos teores de sais solveis, etc.

    A cal a ser empregada deve ser hidratada; tomando-se o cuidado para que no seja

    empregada uma cal com alto teor de impurezas inertes e xidos no hidratados.

    c.3. Blocos de concreto simples

    Fabricado com concreto constitudo de cimento Portland, agregados e gua. Os agregados

    podem ser areia e pedra, de acordo com a NBR-7211(3) Agregado para concreto,ou escria

    de alto forno, cinzas volantes, argila expandida ou outros agregados leves que satisfaam

    especificaes prprias a cada um desses materiais.

    Os blocos de concreto no devem apresentar defeitos sistemticos tais como trincas, fraturas,

    superfcies irregulares e deformaes. Devero ter arestas vivas e possuir a forma de um

    paraleleppedo.

    De acordo com a NBR-7173(4)- blocos vazados de concreto simples para alvenaria sem funo

    estrutural, dimenses reais que os blocos modulares e submodulares devem atender, esto

    apresentados na Tabela 7.

    c.4. Blocos de concreto com funo estrutural

    Os blocos de concreto com funo estrutural devem respeitar as especificaes contidas na

    NBR-6136(5) - Bloco vazado de concreto simples para alvenaria estrutural da ABNT que

    prope obedincia s dimenses dos blocos constantes da Tabela 7, com as seguintes

    tolerncias oriundas do processo de fabricao:

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    17

    - Largura, altura e comprimento = 3 mm

    - Desvio em relao ao esquadro = 3 mm

    - Flecha = 3 mm

    Tabela 7 Dimenses reais dos blocos de concreto

    Descrio

    Largura (cm)

    Altura (cm)

    Comprimento (cm)

    Blocos de 20 cm

    19

    19

    19

    19

    19

    19

    19

    19

    19

    9

    39

    29

    19

    9

    19

    Blocos de 15 cm

    14

    14

    14

    14

    19

    19

    19

    19

    39

    34

    29

    19

    Blocos de 10 cm

    9

    9

    9

    9

    9

    9

    19

    19

    19

    19

    19

    9

    39

    29

    19

    14

    9

    19

    Eles so classificados em duas classes, a saber:

    Classe A com resistncia mdia em torno de 4,5 MPa;

    Classe B com resistncia mdia em torno de 6,0 MPa.

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    18

    c.5. Blocos cermicos com funo estrutural

    Admiti-se a utilizao de blocos cermicos com funo estrutural, cujas dimenses, por vezes,

    no se enquadra naquelas previstas pela NBR-7171(1) da ABNT, fato que contudo no

    inviabiliza sua utilizao. Em relao aos ensaios a serem realizados estes devero respeitar

    as prescries contidas na NBR-8215(6) - Cimento Portland-Determinao da resistncia

    compresso da ABNT.

    Estes blocos devero atender aos requisitos de resistncia compresso propostos para os

    blocos de concreto vazado com funo estrutural, ou seja: 4,5 MPa ou 6,0 MPa dependendo

    ser classe A ou B.

    c.6. Tijolo cermico macio

    Devem respeitar as condies prescritas pela NBR-8041(7) Tijolo macio cermico para

    alvenaria-Forma e dimenses da ABNT, no tocante s dimenses, tipos e propriedades fsicas

    e mecnicas.

    c.7. Tijolo cermico laminado

    So tijolos com arestas vivas, bem acabados, comumente produzidos para utilizao em

    alvenarias de tijolos vista, e que respeitam as dimenses propostas pela norma NBR-8041(6).

    c.8. Tijolos de vidro

    Sero moldados em uma s pea de vidro extra-claro, translcido, mas no transparentes.

    Esses tijolos apresentam as seguintes dimenses e pesos:

    20 x 20 x 6 cm, pesando 2,00 kgf/ unidade;

    20 x 20 x 10 cm, pesando 2,70 kgf/ unidade.

    mister observar que exigida da CONTRATADA a realizao de todos os ensaios de

    recepo e controle dos blocos utilizados nas obras, bem como dos outros materiais envolvidos

    na execuo das alvenarias (argamassas, etc.).

    d. Manuseio e Estocagem dos Materiais e Componentes

    Os blocos devem ser estocados em pilhas com altura mxima recomendada de 1,80m,

    apoiadas sobre superfcie plana, limpa e livre de umidade ou materiais que possam impregnar

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    19

    a superfcie dos blocos (ver Figura 12), caso as pilhas sejam apoiadas diretamente sobre o

    terreno, este deve ser anteriormente apiloado.

    Quando a estocagem for feita a cu aberto, deve-se proteger as pilhas de blocos contra as

    chuvas por meio de uma cobertura impermevel, de maneira a impedir que os blocos sejam

    assentados com excessiva umidade.

    Figura 12 - Empilhamento de blocos

    Quando se dispuser de transportes mecnico na obra (horizontal e vertical), aconselhvel

    que os blocos sejam fornecidos em "pallets", sendo os mesmos embalados com o auxlio de

    fitas metlicas ou plastificados; dessa maneira os "pallets" podero ser transportados at o

    local de aplicao dos blocos, com considervel reduo na mo-de-obra e nas perdas.

    Qualquer que seja o sistema de transporte dos blocos, deve-se evitar que os mesmos sofram

    impactos que venham a provocar lascamentos, fissuras, quebras e outras condies

    prejudiciais.

    0 cimento, cal hidratada e os materiais pozolnicos fornecidos em sacos, devem ser

    armazenados em locais protegidos da ao das intempries e da umidade do solo, devendo as

    pilhas ficarem afastadas de alvenarias ou do teto do depsito. No se recomenda a formao

    de pilhas com mais de 15 sacos de cimento quando o perodo de armazenamento for de at 15

    dias e com mais de 10 sacos quando o perodo de armazenamento for superior a 15 dias.

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    20

    A estocagem da areia deve ser feita em local limpo, de fcil drenagem e sem possibilidade de

    contaminao por materiais estranhos que possam prejudicar sua qualidade.

    e. Impermeabilizao da Base das Alvenarias

    As alvenarias do pavimento trreo, em contato com a fundao, devem ter sua base

    impermeabilizada mediante aplicao de argamassa impermevel e pintura com emulso

    asfltica.

    Recomenda-se para a argamassa o trao 1:3 (cimento e areia, em volume), dosada com um

    impermeabilizante, em base qumica compatvel, sendo este impermeabilizante previamente

    dissolvido na gua de amassamento da argamassa: o consumo de impermeabilizante deve ser

    indicado pelo fabricante, adotando-se, em geral, a seguinte dosagem:

    1 lata de cimento (18 litros);

    3 latas de areia (54 litros);

    1,0 kg de impermeabilizante.

    Antes da aplicao da argamassa impermeabilizante, molham-se o respaldo e as laterais da

    fundao para remover a poeira. Deve-se evitar interrupes na execuo da

    impermeabilizao, de maneira a evitar-se qualquer descontinuidade que poder comprometer

    seu funcionamento. Quando no for possvel tal procedimento a camada de argamassa deve

    ser interrompida em chanfro de 45, retomando-se sua execuo aps pintura prvia da

    superfcie com nata de cimento, para garantir perfeita aderncia.

    A espessura da argamassa deve ser de 1,0 a 1,5cm, e deve-se tomar o cuidado de efetuarem-

    se dobras para cobrir as laterais da fundao, com cerca de 10cm de largura, conforme

    ilustrado na Figura 13.

    A camada de argamassa deve ser apenas desempenada para que sua superfcie fique semi-

    spera; aps sua secagem, aplica-se ento duas ou trs demos da emulso asfltica,

    iniciando-se aps aproximadamente 24 horas, a construo da alvenaria propriamente dita.

    As duas primeiras fiadas de blocos sobre a fundao, pelo menos, devem ser assentadas com

    argamassa impermeabilizante. A alvenaria ainda receber revestimento com a mesma

    argamassa at 60cm de altura com relao ao piso externo e 15cm com relao ao piso interno

    (Figura 13).

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    21

    Figura 13 - Impermeabilizao da base das alvenarias

    f. Execuo das Alvenarias

    f.1. Locao

    Constatada a correta locao dos componentes da estrutura em relao ao disposto no

    projeto, inicia-se a locao propriamente dita das alvenarias.

    Essa locao, baseada no projeto executivo de arquitetura, feita em funo da posio dos

    pilares e vigas, marcando-se os eixos dos pilares e/ou procedendo-se projeo vertical dos

    eixos das vigas superiores na laje de piso com o auxilio de uma rgua e do fio-de-prumo, a

    partir da so demarcadas na laje, com lpis ou giz de cera, as faces da alvenaria (sem

    revestimento) ou ento j so assentados alguns blocos que delimitaro posies das

    alvenarias conforme representado na Figura 14.

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    22

    Figura 14 - Locao das alvenarias atravs dos eixos dos pilares

    e/ou da projeo das vigas

    Na locao devero ser levadas em conta a posio das alvenarias em relao aos pilares e

    vigas (eixos coincidentes, faces coincidentes, etc.), as espessuras dos revestimentos e as

    posies dos vos de portas e janelas. Todos os distanciamentos entre alvenarias,

    comprimentos de alvenarias e posicionamento dos vos devero ser conferidos.

    (1) Cuidados especiais devero ser tomados no assentamento desses blocos, conforme

    indicaes do item f.2.

    No tocante perpendicularidade entre alvenarias, esta deve ser estabelecida com o auxilio de

    esquadro de obra (lados com dimenses de aproximadamente 50cm), conforme ilustrado na

    Figura 15.

    Figura 15 - Perpendicularidade entre as alvenarias, com auxlio de

    esquadro

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    23

    A perpendicularidade poder ainda ser estabelecida com o auxlio de duas linhas, conforme

    ilustrado na Figura 16, mediante os seguintes procedimentos:

    no ponto de cruzamento das duas alvenarias fixa-se uma das linhas (ponto A no desenho)

    e, a 60cm deste ponto, fixa-se a outra linha (ponto B no desenho);

    com duas linhas esticadas, marca-se o ponto C na primeira linha (a 80cm de A) e o ponto

    D na segunda linha (a 100cm de B);

    movimentam-se as duas linhas esticadas at que as duas marcas se encontrem (pontas C

    e D coincidindo) obtendo-se ento um ngulo de 90 conforme indica a Figura 16.

    Figura 16 - Obteno da perpendicularidade entre alvenarias com o

    auxlio de duas linhas

    f.2. Assentamento da primeira fiada de blocos

    Estando as alvenarias devidamente locadas, procede-se ao assentamento da primeira fiada de

    cada uma das alvenarias, operao esta que deve ser executada com o mximo de cuidado.

    Alm das recomendaes estabelecidas no item anterior (comprimento das alvenarias,

    distanciamentos, perpendicularidade, etc.), deve-se tornar todo o cuidado no nivelamento da 1

    fiada, da qual depender a qualidade e facilidade da elevao da alvenaria propriamente dita;

    vale lembrar que as lajes normalmente apresentam desnivelamentos e embarrigamentos que,

    se no forem compensados logo na primeira fiada, comprometero toda a execuo da

    alvenaria, com acentuado desperdcio de material e de mo-de-obra.

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    24

    Assim sendo, devem-se nivelar previamente as primeiras fiadas de blocos, utilizando-se rgua

    e nvel de bolha, ou ento partindo-se de pontos de nvel demarcados nos pilares com o auxlio

    de nvel de mangueira, conforme indicado na Figura 17 ou aparelho a laser, sendo o mais

    recomendado.

    Figura 17 - Nivelamento com mangueira

    No nivelamento com mangueira, que requer a participao de duas pessoas, deve-se

    empregar uma mangueira flexvel, transparente, e com dimetro interno de 1/2" ou,

    preferivelmente, 1/8"; deve-se tomar o cuidado de eliminarem-se as bolhas de ar do interior da

    mangueira, verificando-se se, na posio de repouso, os dois meniscos coincidem, conforme

    indicado na Figura 18.

    J o nvel a lazer, proporciona mecanismos mais confiveis e seguros para a definio do

    correto nivelamento das alvenarias e, sobretudo, para conferncia de prumos e distncias.

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    25

    Figura 18 - Nvel de mangueira: bolhas de ar eliminadas e meniscos

    coincidentes na posio de repouso

    Figura 19 - Nivelamento a laser

    A partir dos pontos de referncia determina-se, com o auxlio de trena, o nvel da 1 fiada,

    assentando-se os blocos das extremidades das alvenarias; em seguida, com o auxlio de uma

    linha esticada preenche-se toda a fiada, conforme Figura 20, corrigindo-se as irregularidades e

    os eventuais desnivelamentos presentes na laje.

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    26

    Figura 20 - Assentamento da 1 fiada

    Caso esteja prevista a fixao de rodaps de madeira na alvenaria em execuo, recomenda-

    se a utilizao de buchas apropriadas para tal, visando o posterior aparafusamento. Pode-se

    observar Figura 21 o detalhamento de uma bucha adequada denominada borboleta.

    Figura 21 Bucha Borboleta

    f.3. Levantamento das alvenarias

    As etapas para a elevao de uma alvenaria onde os elementos estruturais, (lajes, vigas e

    pilares) esto construdos, so apresentadas a seguir:

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    27

    - inicia-se a construo pelas extremidades, isto , nas junes com alvenarias principais

    e/ou pilares, estando a primeira fiada de cada uma das alvenarias assentadas de acordo

    com o item precedente;

    - assentam-se os blocos de maneira escalonada, aprumados e nivelados com os da primeira

    fiada; para a marcao das linhas das fiadas, que garantiro o alinhamento dos blocos,

    pode-se utilizar o escantilho (pea metlica ou de madeira com graduao em

    centmetro), conforme ilustrado na Figura 22, tomando-se como referncia a primeira fiada

    assentada;

    Figura 22 - Marcao das fiadas com escantilho

    - as linhas guias das fiadas so amarradas em blocos ainda no assentados, conforme

    Figura 23, ou ento so amarradas em pregos cravados na junta de argamassa, ou ainda

    no prprio escantilho;

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    28

    Figura 23 - Linha amarrada num bloco superior (no assentado),

    sendo esticada para o nivelamento da fiada

    Em reas molhadas, onde posteriormente ser aplicada impermeabilizao atravs de

    sistemas de mantas, dever ser o p da alvenaria rebaixado como forma de melhor

    acomodar os trespassos verticais das mantas. Uma sugesto se utilizar nas duas

    primeiras fiadas blocos de menor largura, criando a reentrncia desejada. Pode-se observar

    na Figura 24 um detalhe desta proposta;

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    29

    1- SUPERFCIE COMPACTA, LIMPA E SECA.

    2- MEIA-CANA : ARGAMASSA ( 1: 2 ), APS A LIMPEZA.

    3- CHAPISCO: ARGAMASSA ( 1 : 2 ) C/ IMPERMEABILIZANTE.

    4- a) 1 CAMADA : ARGAMASSA ( 1 : 3 ) C/ IMPERMEABILIZANTE.

    b) 2 CAMADA : ARGAMASSA ( 1 : 3 ) C/ IMPERMEABILIZANTE.

    CADA CAMADA DEVER TER DE 10 A 15 mm TOTALIZANDO

    25 A 30 mm.

    5- ACABAMENTO : ARGAMASSA E AREIA FINA, 1 : 1.

    6- CAMADA DE ADERNCIA 1 : 1 A 1 : 2 C/ IMPERMEABILIZANTE,

    SPERO VASSOURA, SOBRE A SUPERFCIE LIMPA E LAVADA.

    7- REVESTIMENTO: ARGAMASSA ( 1 : 3 ) C/ IMPERMEABILIZANTE.

    A ESPESSURA DEVER SER DE 20 A 35 mm ( PISO).

    8- MEIA CANA : ARREDONDADA GARRAFA.

    Figura 24 Aplicao de manta sobre rodap/alvenaria

    - os blocos a serem assentados, caso estejam muito ressecados, devem ser umedecidos,

    mas no encharcados;

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    30

    - a argamassa de assentamento deve ser estendida sobre a superfcie horizontal da fiada

    anterior e na face lateral do bloco a ser assentado (quando for o caso) em quantidade

    suficiente para que nenhuma poro seja expelida quando aplicado presso no bloco para

    o seu correto assentamento, observando-se a espessura prevista para a junta; as

    correes dos blocos (nvel e prumo) s podero ser feitas antes do incio da pega da

    argamassa, ou seja, logo aps o assentamento do bloco. Devero ser utilizados gabaritos

    norteadores de correto preenchimento de argamassa na face superior da fiada dos blocos,

    que padronizam e uniformizam as espessuras, evitando o desperdcio, conforme

    demonstra as Figuras 25 e 26 ;

    Figura 25 Vista em planta do de gabarito p/assentamento de

    argamassa sobre bloco

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    ALVENARIAS E DIVISRIAS

    31

    Figura 26 Vista lateral do gabarito

    - caso haja argamassa expelida durante o assentamento esta deve ser raspada com a

    colher de pedreiro podendo ser reutilizada;

    - as alvenarias executadas sobre vigas contnuas devem ser levantadas simultaneamente,

    no sendo aconselhvel diferenas de alturas superiores a 1 m entre alvenarias contguas;

    - a cada 3 ou 4 fiadas devem ser verificados o alinhamento, nivelamento e o prumo da

    alvenaria; o nivelamento da fiada pode ser verificado com rgua e nvel de bolha,

    conforme ilustrado na Figura 27, salientando-se a importncia dessa verificao na fiada

    que ficar imediatamente abaixo dos vos de janela;

    Figura 27 - Nivelamento da fiada com nvel de bolha

    - a verificao do prumo deve ser feita em trs ou quatro posies ao longo da alvenaria,

    sendo que nos casos de fachadas recomenda-se que a verificao seja efetuada na face

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    ALVENARIAS E DIVISRIAS

    32

    externa da alvenaria, conforme indicado na Figura 28; o prumo dever ser verificado

    ainda, com o mximo cuidado, nas laterais (ombreiras) dos vos de portas e janelas;

    Figura 28 - Verificao do prumo da alvenaria

    - na verificao do prumo deve-se lembrar que o fato de estarem encostados na alvenaria

    tanto a noz (pea de madeira) como o cilindro metlico no significa que a alvenaria esteja

    obrigatoriamente aprumada, ou seja, esta hiptese s ser verdadeira no caso de que um

    pequeno afastamento da noz (cerca de 1 mm) provoque tambm um pequeno afastamento

    do cilindro; na Figura 29 esto ilustradas as situaes possveis do fio de prumo em

    relao alvenaria.

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    ALVENARIAS E DIVISRIAS

    33

    Figura 29 - Verificao do prumo da alvenaria:

    a) no se tem certeza se a alvenaria est aprumada

    b) alvenaria est aprumada

    c) e d) alvenaria no est no prumo

    f.4) Encunhamento das alvenarias

    As alvenarias devem ser encunhadas (Figura 30) nos encontros com as faces inferiores de

    lajes e/ou vigas, utilizando-se argamassa convencional provida de aditivos expansores,

    evitando-se o uso de tijolos macios ou qualquer outro tipo de bloco. Para tanto dever ser

    deixada folga entre alvenaria e o fundo da viga ou laje, de no mximo 2,5cm

    Figura 30 - Encunhamento da alvenaria

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    ALVENARIAS E DIVISRIAS

    34

    A fim de evitar-se a transferncia de carga para as alvenarias de vedao durante a execuo

    da obra, recomenda-se que o encunhamento das alvenarias apenas seja iniciado aps estarem

    concludas as alvenarias de pelo menos 3 andares subsequentes.

    Sempre que houver suspeita sobre a rigidez do componente estrutural localizado no topo da

    alvenaria, a fim de evitar-se a transferncia de carga para a alvenaria por efeito da deflexo da

    laje ou da viga ao longo do tempo, recomenda-se evitar o encunhamento representado na

    Figura 30. Nesse caso, deve-se introduzir entre a alvenaria e a face inferior da viga ou da laje

    uma tira de material deformvel (cortia, madeira aglomerada, papelo betumado, etc.),

    vinculando-se a alvenaria ao componente estrutural atravs de ferros previamente chumbados,

    conforme representado na Figura 31.

    Figura 31 - Encontro de alvenaria com laje ou viga deformvel

    g. Detalhes Construtivos Gerais

    g.1. Ligao entre alvenaria e pilar

    A ligao da alvenaria com os pilares feita normalmente com a introduo de argamassa

    entre o bloco e o pilar, devendo a face do pilar ser previamente chapiscada.

    Recomenda-se que, alm do chapisco, a ligao seja feita atravs de barras de ao

    previamente chumbadas no pilar, conforme indicado na Figura 32; estas barras, com dimetro

    de 3,8mm ou 5,0mm, devero ser dispostas a cada duas fiadas de blocos e devero avanar

    para o interior da alvenaria aproximadamente 40cm.

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    ALVENARIAS E DIVISRIAS

    35

    Figura 32 - Ligao da alvenaria com o pilar atravs de barras de ao

    (cabelos)

    g.2. Ligao entre alvenarias

    As ligaes entre alvenarias geralmente so feitas com os blocos assentados com juntas em

    amarrao; nos cantos entre duas alvenarias perpendiculares esta ligao ajusta-se

    perfeitamente coordenao modular, desde que o comprimento do bloco seja o dobro de sua

    largura, conforme representado na Figura 33.

    Figura 33 - Assentamento dos blocos no canto constitudo por duas

    alvenarias

    Quando isto no ocorrer, por exemplo quando forem empregados blocos com comprimento de

    19cm e largura de 14cm, os cantos devero ser erguidos normalmente, podendo-se fazer o

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    36

    acerto das fiadas que no obedecem ao reticulado modular com o emprego de tijolos macios,

    conforme ilustrado na Figura 34.

    Figura 34 - Canto de alvenarias com blocos de 19x14cm e acerto do

    reticulado modular com tijolos macios

    Tambm quando ocorrerem cruzamentos entre alvenarias em "T" ou em cruz haver uma

    defasagem de juntas em relao ao reticulado modular, podendo-se acertar as fiadas com

    tijolos macios como no caso anterior. Em qualquer circunstncia, contudo, as juntas devero

    ser defasadas (em amarrao), conforme ilustrado na Figura 35.

    Figura 35 - Ligao T entre duas alvenarias, com juntas em

    amarrao

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    37

    Para projetos onde as alvenarias apresentem comprimentos modulados nas duas direes, e

    caso no se deseje quebrar a modulao das juntas, existe a possibilidade de que todos as

    encontros entre alvenarias (canto, "T" ou cruz) sejam executados com juntas aprumadas, isto

    , no haver amarrao entre os blocos no cruzamento. Nesse caso, a ligao entre as

    alvenarias dever ser efetuada atravs de barras de ao com dimetro de 5,0mm, introduzidas

    na argamassa de assentamento dos blocos a cada duas fiadas; o comprimento dessas barras,

    medido a partir da face da alvenaria, deve ser de aproximadamente 40cm.

    g.3. Execuo de vergas e contravergas

    Embaixo das aberturas de janelas pode-se construir uma vigota de concreto armado (contra-

    verga), ou simplesmente utilizar duas barras de ao corridas, como tambm est representado

    na Figura 36. Recomenda-se a utilizao de duas barras de ao com dimetro de, no mnimo,

    5,0mm, introduzidas na argamassa de assentamento dos blocos, avanando no mnimo 30cm

    para cada lado do vo.

    Figura 36 - Verga de concreto armado sobre o vo de janela

    e barras de ao corridas embaixo do vo

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    ALVENARIAS E DIVISRIAS

    38

    Para os vos de portas ou janelas com largura superior a 1,50m devero ser adotadas tanto a

    verga como a contra-verga, conforme Figura 37, devendo nesse caso a verga ser calculada

    como viga; o apoio da verga, em ambos os lados da abertura, deve ser igual ou maior que 1/5

    do vo. Quando numa mesma alvenaria existirem diversos vos sucessivos, a verga dever ser

    contnua, abrangendo todos os vos, e dever apresentar barras de ao superiores e inferiores

    (verga calculada como viga contnua).

    Figura 37 - Verga e contra-verga de concreto armado em vos com

    largura maior que 1,50m

    Nos casos mais comuns de portas e janelas de habitaes, cujas larguras dos vos

    normalmente no ultrapassam 1,50m, a altura da verga pode ser estabelecida de forma a

    compatibilizar-se a altura do vo com o reticulado modular, conforme havia sido previsto no

    item-b.4. Para os vos de porta, por exemplo, a verga resultaria com 5cm de altura,

    empregando-se nos apoios tijolos macios de barro cozido para acerto da altura, conforme

    indicado na Figura 38.

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    39

    Figura 38 - Verga com altura de 5,0cm sobre o vo de porta (folga de

    1,5cm entre o marco e o contorno do vo)

    J para o caso das janelas de madeira tipo veneziana h uma diferena maior entre a altura do

    marco da janela e a altura modulada do vo (mltiplo de 20cm). Esta diferena presta-se

    inclusive para a colocao de peitoril embaixo do marco, situao em que a altura da verga

    ser estabelecida descontando-se a altura do peitoril; no caso de acabamento simples, isto ,

    revestimento do vo com argamassa (sem peitoril), a verga resultar com altura de 10cm,

    conforme representado na Figura 39

    Figura 39 - Verga com altura de 10,0cm sobre o vo da janela (folga

    de 1,5cm entre o marco e o contorno de vo)

    As janelas de ferro e alumnio normalmente podero ser encomendadas com vos modulares,

    isto , com medidas que sejam mltiplas das dimenses dos blocos, descontando-se, as folgas

    necessrias para o revestimento; nesse caso, para a execuo da verga e contra-verga

    podero ser empregados blocos tipo canaleta, conforme Figura 40, dispensando-se o emprego

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    40

    de formas para a execuo da verga.

    Figura 40 - Emprego de canaletas de cermica para a execuo de

    vergas e contra-vergas

    Figura 41 Detalhe da seo transversal da verga em concreto

    armado

    g.4. Embutimento de tubulaes

    As tubulaes tanto para instalao hidrulica, eltrica e outras, em geral so embutidas aps

    a execuo da alvenaria. Como j foi dito anteriormente, em alguns locais onde estaro

    presentes estas tubulaes, poder-se- empregar tijolos macios de barro cozido, onde os

    rasgos para colocao da tubulao sero executados com maior facilidade.

    Caso no sejam utilizados tijolos macios, recomenda-se que na execuo das alvenarias, os

    blocos cermicos sejam assentados com a direo dos seus furos coincidindo, sempre que

    possvel, com a direo da tubulao (Figura 42), o que facilitar no s a execuo dos

    rasgos como tambm a posterior recuperao da alvenaria; nas juntas aprumadas resultantes

    (vide Figura 42). podero ser empregadas barras de ao de 5,0mm de dimetro a cada duas

    fiadas, para garantir a continuidade da alvenaria.

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    41

    Figura 42 - Blocos assentados com furos paralelos direo da

    tubulao

    No caso de embutimento de tubulaes para vlvula de descarga (com dimetro geralmente de

    2 polegadas) em alvenarias com espessura relativamente pequena (9cm), no se recomenda o

    corte da alvenaria, sugerindo-se o seguinte procedimento:

    - no local onde ser instalada a tubulao, inserir um pontalete de 6cm x 6cm, como

    representado na figura 43;

    - assentar os blocos faceados com o pontalete, introduzindo nas juntas de assentamento a

    cada 2 fiadas, barras de ao com 5,0mm de dimetro e comprimento de aproximadamente

    60crn.

    - retirado o pontalete, inserir a tubulao e recompor a alvenaria com argamassa e cacos de

    blocos cermicos ou tijolos macios.

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    42

    Figura 43 - Embutimento de tubulao de 2 em folga previamente

    deixada na alvenaria

    h. Controle Executivo

    Confrontar a locao e as dimenses das alvenarias de alvenaria com as definidas em projeto,

    bem como das aberturas dos vos (portas e janelas, etc.) e de eventuais salincias,

    reentrncias e/ou de rasgos, ranhuras ou furos previstos em projeto e destinados passagem

    ou insero de tubulaes, caixas de passagem, conexes ou de outros elementos ou

    componentes construtivos de quaisquer naturezas.

    Verificar, sistemtica e permanentemente, a qualidade dos materiais e/ou componentes a

    serem utilizados na obra, confrontando-os com a especificaes dos projetos, eventualmente

    exigindo da contratada, se e quando pertinente, sua submisso a testes e ensaios, em

    laboratrio qualificado e idneo, e de conformidade com as normas tcnicas correspondentes,

    caso a caso.

    Verificar, sistemtica e permanentemente, a qualidade dos materiais e da preparao das

    argamassas a serem empregadas na obra, confrontando suas caractersticas intrnsecas e seu

    trao com as definies do memorial descritivo e das planilhas de especificaes dos projetos,

    bem como com os preceitos e recomendaes da boa tcnica.

    Verificar, sistemtica e permanentemente, a regularidade do prumo, do esquadro e do

    alinhamento das diversas fiadas da alvenaria, assim como da espessura das juntas, conforme

    definido nas especificaes do projeto arquitetnico-construtivo e tendo em vista as

    caractersticas intrnsecas dos materiais empregados na conformao da mesma alvenaria.

    Verificar, sistemtica e permanentemente, a qualidade da imbricao e da amarrao entre os

    diversos elementos da alvenaria, com especial ateno para com as junes e os cantos de

    alvenarias (externos ou internos).

    Nos vos (de portas, janelas, etc.), e sempre que pertinente, verificar a adequada execuo de

    contra-vergas e vergas, conforme as indicaes e especificaes dos projetos.

    Na juno de alvenarias novas com alvenarias preexistentes, ou com pilares e/ou vigas da

    superestrutura, fiscalizar atentamente a adequada execuo das juntas de dilatao ou dos

    elementos de solidarizao previstos em projeto e/ou discriminados no memorial descritivo ou

    nas especificaes tcnicas da obra.

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    43

    Quando houver instalao hidro-sanitria, de gs ou de vapor embutida, as alvenarias s sero

    vedadas aps exame, testes e liberao, por escrito, da fiscalizao.

    No ser tolerado, em hiptese alguma, o uso de saibro ou areia comum na composio das

    argamassas, que s podero ser de cimento e areia lavada ou cimento, areia lavada e cal.

    Para segurana das alvenarias sero deixados esperas de ferro, alm de vigota acima das

    portas na circulao.

    Usar cambotas e vergas em concreto para execuo dos vos circulares, se houver.

    6.1. 3. Alvenaria Portante

    a. Conceituao

    Pode ser definida como sendo alvenaria estrutural, alvenaria auto portante ou parede portante,

    podendo ser constituda de blocos de concreto ou cermico, conforme anteriormente

    referenciado no item 1.2.3 deste caderno de encargos. Deve respeitar as prescries contidas

    na NBR- 8798(8) Execuo e controle de obras em alvenaria estrutural de blocos vazados de

    concreto , inclusive para as alvenarias construdas com blocos cermicos estruturais, que at

    a presente data ainda no foi objeto de normalizao.

    b. Materiais a Serem Utilizados

    Pode-se utilizar na construo de paredes portantes, argamassas de assentamento

    constitudas de cimento, cal area hidratada e areia, em propores previamente acordadas

    com a FISCALIZAO, podendo ser:

    trao volumtrico 1 : 2 : 6 (cimento + cal + areia mdia grossa);

    trao volumtrico 1 : 6 (cimento + areia mdia grossa).

    A critrio da FISCALIZAO pode-se tambm utilizar argamassas pr-misturada, seca e

    ensacada, fornecida por empresa idnea, e que estar sujeita a todo controle de recepo

    prescrito pela normalizao em vigor. Uma outra alternativa a utilizao de argamassas

    usinadas, prontas para a utilizao, fornecidas por empresas concreteiras especializadas.

    Toda argamassa produzida na prpria obra dever ser base de mistura mecnica, no se

    admitindo mistura manual.

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    44

    c. Asssentamento

    Deve-se obedecer a seguinte seqncia:

    - a base para assentamento da alvenaria deve ser executada plana e em nvel, exigindo-se

    discrepncia do plano horizontal inferior a 0,5 cm em 2 m;

    - cada fiada deve ser assentada com auxlio de fios flexveis esticados horizontal e

    paralelamente ao plano da parede, de modo que um observador situado prximo a uma

    das extremidades do fio no constate, a olho nu, curvatura resultante do efeito da

    gravidade ou do vento;

    - a fixao dos fios deve ser feita em guias perfeitamente aprumadas nas extremidades das

    paredes, podendo as guias serem os prprios cantos das mesmas executados com

    antecedncia;

    - o alinhamento vertical das juntas deve ser obtido com auxlio de fio de prumo ou gabarito

    modular;

    - efetua-se a limpeza dos blocos para o recebimento da argamassa de assentamento. A

    quantidade de argamassa a ser aplicada no deve corresponder a um tempo de colocao

    dos blocos que supere o incio da pega ou perda de trabalhabilidade;

    - para formao da junta horizontal utiliza-se o gabarito idntico quele referenciado

    alvenaria de vedao. Entretanto para formao da junta vertical aplica-se a argamassa em

    dois cordes verticais nos bordos de uma das extremidades do bloco;

    - em dias de muito vento, calor ou secos, a superfcie de assentamento dos blocos devero

    ser ligeiramente umidecidas com brocha de pintor;

    - a argamassa no deve avanar para o interior do bloco;

    - retira-se o excesso de argamassa das juntas, podendo ser remisturado com a argamassa

    fresca. Entretanto, toda argamassa que, por ventura, tenha cado no cho ou no andaime

    no dever ser reaproveitada;

    - assenta-se os blocos sobre as fiadas j compostas de forma que a movimentao dos

    mesmos para os ajustes de posio seja a mnima possvel, utilizando-se para tanto um

    martelo;

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    45

    - caso a alvenaria no seja revestida necessrio que seja efetuado o acabamento das

    juntas, mediante a utilizao de ferramentas especiais em forma de V;

    - no caso da presena de vazios ou ninchos, e aps uma cuidadosa inspeo visual, pode-

    se efetuar o fechamento mediante a utilizao de argamassas especiais, graute, tomando-

    se a preocupao de proporcionar a aderncia. Para tanto, recomenda-se a insero de

    ferragens (fios de ao de dimetro 5 mm);

    - terminada a alvenaria, procede-se a execuo de uma viga contnua na poro superior,

    como forma de melhor acomodar as tenses resultantes da descarga das lajes sobre as

    alvenarias. Pode-se utilizar formas de madeira convencionais, com tbuas ou

    compensados, e sobretudo blocos especiais, no formato de um J, que daro condies

    para que a futura laje seja adequadamente posicionada. Todos os detalhamentos do tipo

    de vigamento a ser utilizado deve estar contemplado no projeto executivo.

    6.1.4. Critrios de Medio e Pagamento

    a. Alvenaria de Blocos

    a.1. Medio

    A medio dever ser feita por metro quadrado (m2). A quantidade a ser medida ser a

    constante nos projetos. Independente da espessura no sero descontados as aberturas de

    portas, descontando-se apenas, no caso das janelas, a rea que exceder em cada vo, a

    2,00m2 (dois metros quadrados). Vos com rea igual ou inferior a 2,00m2 (dois metros

    quadrados) no sero descontados, bem como eventuais elementos estruturais de concreto

    inclusos na alvenaria (at 20cm de largura). Este critrio deve-se ao trabalho de requadrao

    dos vos e/ou execuo do encontro da alvenaria com elementos estruturais.

    a.2. Pagamento

    O pagamento ser feito conforme preos unitrios contratados, multiplicados pela quantidade

    medida, segundo critrio descrito acima. A remunerao contempla os custos de materiais e

    mo de obra necessrios, de acordo com a Metodologia de Execuo da SUDECAP.

    b. Vergas e Contravergas

    b.1. Medio

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    46

    A medio dever ser feita por metro cbico (m3). A quantidade a ser medida ser o produto

    do comprimento estabelecido no item g.3 da Metodologia de Execuo pela espessura da

    alvenaria

    b.2. Pagamento

    O pagamento ser feito conforme preos unitrios contratados, multiplicados pela quantidade

    medida, segundo critrio descrito acima. A remunerao contempla os custos de materiais e

    mo de obra necessrios, de acordo com a Metodologia de Execuo da SUDECAP.

    6.2. DIVISRIAS

    6.2.1. Abrangncia:

    (Itemizao e Servio)

    07.32.00a Divisria em Pedra

    07.32.01a Divisria em mrmore branco E= 3cm

    07.32.03a Divisria em ardsia E=3 cm

    07.32.05a Divisria em granito cinza andorinha E=3 cm

    07.34.00a Divisria em Painel Removvel

    07.34.01a Div.c/ncleo alveolar rev.c/lam.mad.aglom.,pr-pintada

    07.34.03a Div.c/ncleo alveolar rev.c/lam.melamnico liso

    07.34.11a Div.c/ncleo comp.naval rev.c/lam.mad.aglom.,pr-pintada

    07.34.13a Div.c/ncleo comp.naval rev.c/lam.melamnico liso

    07.34.51a Ferragens p/confeco de porta de divisria

    6.2.2. Objetivo

    Busca-se apresentar, de maneira detalhada, todas as etapas necessrias para execuo da

    divisria, desde a locao at o assentamento.

    6.2.3. Metodologia de Execuo

    Entende-se por divisrias um sistema modulado, de perfis e painis, montados por simples

    processo de encaixe ou fixao.

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    47

    a. Painis Removveis

    Sistema composto de painis revestidos por chapas duras de fibra de madeira, laminado

    melamnico e perfis de alumnio, ao ou madeira, obedecendo aos detalhes de projeto. O

    sistema construtivo dever possibilitar diversas modulaes e permitir o acoplamento dos

    painis em X, L ou T.

    A fixao das divisrias no solo, teto, forro ou em alvenaria ser efetuada atravs de parafusos

    comuns, dispensando-se o pressionamento quer dos painis, quer dos montantes de fixao.

    Caso seja necessrio, a correo dos desnveis de piso ser obtida pelo emprego de suportes

    regulveis.

    A seleo ou escolha do tipo de divisria removvel e do respectivo fabricante, ter que

    obedecer as seguintes condies:material do ncleo ou miolo; revestimento do painel;

    isolamento acstico; espessura do painel; modulaes e dimenses dos painis.

    Os montantes, batentes, rodaps e guias de teto devero, sempre que possvel, permitir a

    passagem de fiao eltrica e telefnica e colocao de tomadas e interruptores. Os batentes

    sero guarnecidos de amortecedores plsticos para eliminao de rudos. O assentamento dos

    vidros ocorrer com emprego de gaxetas de EPDM ou mangueira cristal, no se admitindo o

    emprego de massa de vidraceiro.

    Pode-se observar na Figura 1 um detalhe de uma divisria removvel, visualizando os seus

    componentes construtivos, bem como os detalhe de montagem.

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    48

    1- ventilao

    2- montantes, sadas em L X T

    3- vidro

    4- porta com reparo de alumnio

    5- rodap removvel

    6- passagem de fiao

    7- remoo frontal

    8- fuso ( acabamento de montante )

    9- nivelamento de piso

    Figura 1 Detalhe de uma divisria removvel.

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    49

    07.00.00

    b. Painis Fixos

    Sistema constitudo de painis de pedra natural, artificial ou concreto pr-moldado e perfis de

    alumnio, ao ou madeira, obedecendo aos detalhes de projeto. Os painis sero fixados na

    alvenaria atravs de colagem, completados com ferragens apropriadas. Os painis tero suas

    arestas arredondadas e faces planas afeioadas. Nestes tipos podem ser includas as

    divisrias padronizadas, que devem obedecer aos detalhes previstos no projeto executivo.

    Ressalta-se que caso o painel padro for muito longo, dever ser previsto mdulos de

    contraventamento.

    No caso de painis de pedra, no ser aceito, em nenhuma hiptese, a ligao de duas placas

    simplesmente colocadas com massa plstica ou qualquer outro tipo de cola. O correto , que

    alm deste procedimento, deve-se utilizar peas metlicas apropriadas em forma de um L,

    com a devida proteo contra corroso. Estas peas preferencialmente devem ser cromadas

    ou produzidas em ao inoxidvel.

    Figura 2 Detalhe de uma divisria fixa em pedra natural

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    50

    07.00.00

    Na Figura 2 pode-se observar um detalhe de uma divisria fixa em pedra natural.

    6.2.4. Critrios de Medio e Pagamento

    Os servios de divisrias sero medidos por m2, remunerados ao preo do custo unitrio

    referenciado pela SUDECAP, compreendendo todas as aes inerentes sua execuo e

    controle, bem como os acessrios que por ventura venham a ser utilizados.

    No tocante s ferragens para confeco de porta de divisria, no caso de divisrias removveis,

    estas sero medidas por unidade do conjunto efetivamente utilizado.

    6.3. REFERNCIA DE ITENS ABRANGENTES (Itemizao e Servio)

    Este item abrange os seguintes servios da Tabela de Preo Unitrio da SUDECAP e

    respectivos cdigos numricos:

    07.00.00 ALVENARIAS E DIVISES

    07.01.00 Alvenaria de Tijolo Macio Requeimado

    07.01.03 E= 10 cm, a revestir

    07.01.07 E= 20 cm, a revestir

    07.01.13 E= 10 cm, aparente

    07.01.17 E= 20 cm, aparente

    07.03.00 Alvenaria de Bloco Cermico Furado

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    51

    07.00.00

    07.03.03 E= 10 cm, a revestir

    07.03.05 E= 15 cm, a revestir

    07.03.07 E= 20 cm, a revestir

    07.05.00 Alvenaria de Bloco de Concreto

    07.05.03 E= 10 cm, a revestir, vedao

    07.05.04a E= 10 cm, a revestir, portante

    07.05.05 E= 15 cm, a revestir, vedao

    07.05.06a E= 15 cm, a revestir, portante

    07.05.07 E= 20 cm, a revestir, vedao

    07.05.08a E= 20 cm, a revestir, portante

    07.05.13 E= 10 cm, aparente, vedao

    07.05.14a E= 10 cm, aparente, portante

    07.05.15 E= 15 cm, aparente, vedao

    07.05.16a E= 15 cm, aparente, portante

    07.05.17 E= 20 cm, aparente, vedao

    07.05.18a E= 20 cm, aparente, portante

    07.05.24a E= 10 cm, a revestir, portante, tipo U p/cintamento

    07.05.26a E= 15 cm, a revestir, portante, tipo U p/cintamento

    07.05.28a E= 20 cm, a revestir, portante, tipo U p/cintamento

    07.05.34a E= 10 cm, aparente, portante, tipo U p/cintamento

    07.05.36a E= 15 cm, aparente, portante, tipo U p/cintamento

    07.05.38a E= 20 cm, aparente, portante, tipo U p/cintamento

    07.05.44a E= 10 cm, a revestir, portante, tipo J p/cintamento

    07.05.46a E= 15 cm, a revestir, portante, tipo J p/cintamento

    07.05.48a E= 20 cm, a revestir, portante, tipo J p/cintamento

    07.05.54a E= 10 cm, aparente, portante, tipo J p/cintamento

    07.05.56a E= 15 cm, aparente, portante, tipo J p/cintamento

    07.05.58a E= 20 cm, aparente, portante, tipo J p/cintamento

    07.07.00 Alvenaria de Tijolo Laminado

    07.07.10 18 furos, E= 10 cm, aparente

    07.07.20 18 furos, E= 20 cm, aparente

    07.09.00 Alvenaria de Tijolos de Vidro

    07.09.01 Tijolinho de vidro 20x20x10 cm

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    52

    07.00.00

    07.11.00 Alvenaria de Cobog Cermico

    07.11.07 18x18x7 cm, E= 7 cm

    07.13.00 Alvenaria de Cobog de Concreto

    07.13.05 Tipo veneziana 20x20x40 cm

    6.4. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    Sugere-se para complementao deste captulo a seguinte bibliografia especfica:

    1. NBR-7171 -Bloco cermico para alvenaria;

    2. NBR-8052 -Porta de madeira de edificao Dimenses;

    3. NBR-7211 - Agregado para concreto;

    4. NBR-7173- blocos vazados de concreto simples para alvenaria sem funo estrutural;

    5. NBR-6136 - Bloco vazado de concreto simples para alvenaria estrutural;

    6. NBR-8215 - Cimento Portland-Determinao da resistncia compresso;

    7. NBR-8041 - Tijolo macio cermico para alvenaria-Forma e dimenses;

    8. NBR-8798 - Execuo e controle de obras em alvenaria estrutural de blocos vazados de concreto.