EXOPOLÍTICA: AS RELAÇÕES INTERNACIONAIS E A ?· movimento da corrida espacial, derivado da corrida…

  • Published on
    18-Nov-2018

  • View
    212

  • Download
    0

Embed Size (px)

Transcript

  • 50

    Revista de Anlise Internacional, Curitiba, edio especial n.1, maro, 2018, p. 50-64. ISSN: 2594-3839.

    EXOPOLTICA: AS RELAES INTERNACIONAIS E A HIPTESE

    EXTRATERRESTRE, UMA INTERPRETAO TERICA

    EXOPOLITIC: INTERNATIONAL RELATIONS AND EXTRATERRESTRIAL HYPOTHESIS,

    A THEORICAL INTERPRETATION

    Jean Pierre Pego1

    Leonardo Mrcher2

    RESUMO

    Este artigo tem por objetivo responder ao questionamento sobre de que forma os Estados, como tambm o sistema internacional, responderiam a uma civilizao inteligente extraterrestre? Qual seria o comportamento dos Estados, suas respostas e suas aes a este fato? Para responder a essa problemtica de um agente externo ao sistema, utiliza-se as leituras tericas da perspectiva realista e da perspectiva construtivista das Relaes Internacionais, embasado no mesmo exerccio de Alexander Wendt sobre exopoltica, mas agora interpretando o comportamento dos Estados diante do conceito de cooperao.

    Palavras-chave: Exopoltica; Sistema Internacional; Cooperao.

    INTRODUO

    A cincia a cada dia descobre novos planetas, estrelas, galxias e se lana a

    uma descoberta do que h alm das fronteiras do planeta Terra. Uma pequena

    mostra, porm significativa dessas buscas, so o aparecimento de inmeros planetas

    e tambm luas que contm gua e que conforme os estudos continuarem podero

    constatar se nestes ambientes possvel abrigar vida ou constituir vida como a que

    temos no nosso planeta. Esse importante movimento da cincia, capitaneado por

    astrnomos, fsicos, bilogos, qumicos e de instituies como a NASA (National

    Aeronautics and Space Administration) e a ESA (European Space Agency) nos

    1 Graduando em Relaes Internacionais, Centro Universitrio Internacional UNINTER, Curitiba, Brasil. E-mail: je.pierre.7@gmail.com 2 Professor Doutor Orientador, Centro Universitrio Internacional UNINTER, Curitiba, Brasil. E-mail: lmercher@uol.com.br

  • 51

    Revista de Anlise Internacional, Curitiba, edio especial n.1, maro, 2018, p. 50-64. ISSN: 2594-3839.

    colocam a uma ocasio de que pouco se debate sobre as possibilidade futuras de

    contato com outras civilizaes.

    Para todos as especialidades e campos de estudo que compe a nossa

    cincia, deve-se fazer o mesmo exerccio, no sentido de se perguntar de que forma

    cada rea do conhecimento auxiliar o comportamento dos indivduos diante de uma

    nova realidade. Utilizando este contexto como ponto de partida, tem-se o intuito de se

    aprofundar e realizar uma anlise das teorias encontradas nas Relaes

    Internacionais diante da Exopoltica, da mesma forma que encontrada no artigo de

    Alexander Wendt: Sovereignty and the UFO (2008). Contudo, o conceito em questo

    aqui ser a do comportamento cooperativo entre os Estados.

    Para o nosso campo de atuao, as Relaes Internacionais, este

    questionamento, se faz ainda mais pertinente, pois as primeiras reaes advenham

    dos Estados e do Sistema Internacional (WENDT, 2008). Se a cincia encontrar uma

    forma de vida e esta for inteligente e quiser manter contato conosco, como os Estados

    reagiriam e ser que apenas os Estados seriam os grandes responsveis pelo

    comportamento final da humanidade? Objetivamente, se um contato ocorresse essa

    civilizao exopoltica corresponderia s relaes internacionais como um novo

    agente ao sistema, ou seja, um novo agente em que os Estados tero que estabelecer

    relaes, e a singularidade desta situao o que realmente interessa para a nossa

    rea e para este estudo.

    Em busca de respostas para o comportamento do Sistema Internacional,

    compreendido aqui mais do que relaes entre Estados, mas valores compartilhados

    (BULL, 2002), escolhe-se os tericos Kenneth Walts (neorrealismo) e Alexander

    Wendt (construtivismo) para instrumentalizar suas teorias diante do comportamento

    cooperao dos Estados. Contudo, antes dessa aplicao, preciso compreender

    quais so os mecanismos j existentes sobre exopoltica no mbito internacional.

    Tratados internacionais da ONU para assuntos do espao

    H exatos 60 anos atrs, em outubro de 1957, a ex-Unio Sovitica inaugurava

    a Era Espacial com o lanamento do satlite Sputnik I, o primeiro satlite artificial a

    orbitar o planeta Terra. Aps o lanamento do satlite Sputnik I, se intensificou o

    movimento da corrida espacial, derivado da corrida armamentista entre a ex-Unio

    Sovitica e os Estados Unidos no ps Segunda Guerra Mundial. Havendo a

  • 52

    Revista de Anlise Internacional, Curitiba, edio especial n.1, maro, 2018, p. 50-64. ISSN: 2594-3839.

    necessidade de mediar a relao e comportamento dos pases no nesse novo

    ambiente do espao, onde no havia leis para tal, foi se necessrio atravs da ONU

    criar instrumentos que orientassem a conduta dos Estados no espao. Para isso

    foram criados instrumentos, tratados para que pudessem estabelecer de que forma

    se daria o uso do espao pelos Estados.

    Dentre os instrumentos criados, se destaca a criao do Tratado do Espao

    Exterior - Resoluo 2222 (XXI) - aberto assinatura em 27 de janeiro de 1967, entrou

    em vigor em 10 de outubro de 1967. Oficialmente intitulado o Tratado de Princpios

    que Governam as Atividades dos Estados na Explorao e Uso do Espao Exterior,

    incluindo a Lua e Outros Corpos Celestiais, o principal referencial do direito espacial

    internacional. Nele os Estados se colocam como responsveis pela ordem espacial

    e sua paz.

    Todavia, a corrida armamentista existente desde a Guerra Fria, levou com que

    diversas naes investissem em tecnologias espaciais. Msseis, satlites e

    espaonaves, pouco a pouco, foram ganhando espao nos debates bilaterais e

    multilaterais internacionais. Como uma realidade presente, o espao passou a ser

    debatido tanto como uma agenda de desenvolvimento como uma agenda de

    segurana e defesa. A preocupao comercial e de defesa, ainda hoje, leva

    investimentos de diversos governos, como o estadunidense, russo e o chins.

    A China, por exemplo, lanou em 2016, o primeiro satlite de comunicao

    quantica2 que permite comunicao codificada (inviolvel), podendo servir tanto para

    questes comerciais como para fins blicos. Dessa forma regimes que tratam da

    segurana e da defesa internacionais, passam a ser debatidos. Todavia, como as

    teorias de regimes internacionais advm de bases tericas mais amplas, como o

    realismo de Stephen Krasner (advindo do neorrealismo) e do construtivista de John

    Ruggie (advindo dos construtivistas reflexivos), faz-se aqui a aplicao direta das

    teorias sobre o comportamento dos Estados diante da cooperao com o agente

    exopoltico (extraterrestre) e entre si (internacional).

    2 Disponvel em . Acesso em 15/10/2017.

    http://www.unoosa.org/oosa/en/ourwork/spacelaw/treaties/outerspacetreaty.htmlhttp://www.unoosa.org/oosa/en/ourwork/spacelaw/treaties/outerspacetreaty.htmlhttps://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/china-lanca-primeiro-satelite-mundial-de-comunicacao-quantica-19930391

  • 53

    Revista de Anlise Internacional, Curitiba, edio especial n.1, maro, 2018, p. 50-64. ISSN: 2594-3839.

    A perspectiva da ameaa e o paradigma realista

    Evidentemente se o agente exopoltico fosse indiferente Terra, da mesma

    forma que os Estados ao agente exopoltico, a relao no existiria apenas o

    conhecimento mtuo das existncias. Contudo, caso houvesse interesses em comum

    seria possvel a cooperao dos Estados e at mesmo do sistema