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Exposição Fotográfica Saúde Mental: Novo Cenário, Novas Imagens

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  • 1

    MINISTRIO DA SADE

    Secretaria-Executiva

    Secretaria de Ateno Sade

    Exposio Fotogrfi ca Sade Mental: Novo Cenrio, Novas Imagens

    Cartilha de Monitoria

    Braslia DF

    2009

    Programa De Volta para Casa

  • 2009 Ministrio da Sade.Todos os direitos reservados. permitida a reproduo parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que no seja para venda ou qualquer fi m comercial.A responsabilidade pelos direitos autorais de textos e imagens desta obra da rea tcnica.A coleo institucional do Ministrio da Sade pode ser acessada, na ntegra, na Biblioteca Virtual em Sade do Ministrio da Sade: www.saude.gov.br/bvs

    Tiragem: 1. edio 2009 100 exemplares

    Elaborao, distribuio e informaes:MINISTRIO DA SADESecretaria-ExecutivaSubsecretaria de Assuntos AdministrativosCoordenao-Geral de Documentao e InformaoCentro Cultural da SadePraa Marechal ncora, s/n., Praa XVCEP: 20021-200, Rio de Janeiro RJTel.: (21) 2240-5568 E-mail: [email protected] page: www.ccs.saude.gov.br

    Secretaria de Ateno SadeDepartamento de Aes Programticas EstratgicasCoordenao Nacional de Sade MentalEsplanada dos Ministrios, bloco G, 6. andar, sala 606CEP: 70058-900, Braslia - DFTel.: (61) 3315-2313Fax: (61) 3315-3920E-mail: [email protected]

    Poltica Nacional de HumanizaoEsplanada dos Ministrios, Edifcio-Sede, bloco G, 9. andar, sala 954CEP: 70058-900, Braslia - DFTel.: (61) 3315-3685E-mail: [email protected] page: www.saude.gov.br/humanizasus

    Organizao:Jussara Valladares

    Capa e Projeto Grfi co:Rita Loureiro

    Texto:Ana AmstaldenEduardo Passos

    Fotografi as:Radilson Carlos Gomes

    Editora MSDocumentao e InformaoSIA, trecho 4, lotes 540/610CEP: 71200-040, Braslia DFTels.: (61) 3233-1774 / 2020Fax: (61) 3233-9558E-mail: [email protected] page: http://www.saude.gov.br/editora

    Equipe Editorial:Normalizao: Heloiza SantosReviso: Fabiana Rodrigues e Khamila Christine P. SilvaEditorao: Gleidson de Azevedo CruzImpresso, acabamento e expedio: Editora MS

    Impresso no Brasil / Printed in Brazil

  • Apresentao 5

    Objetivo da Mostra 6

    Objetivo do Programa De Volta para Casa 6

    Pblico-Alvo 6

    Um breve histrico da psiquiatria 7

    A Reforma Psiquitrica brasileira e aPoltica de Sade Mental 9

    O Programa De Volta para Casa 11

    Residncias Teraputicas 12

    Quem pode se benefi ciar? 14

    Barbacena: um recorte do caso 15

    Retratos - Joo Gonalves dos Santos 21

    Retratos - Snia Maria Costa 25

    O Centro Cultural da Sade 28

    Sumrio

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    Apresentao

    De Volta para Casa leva ao visitante um recorte geogrfi co da histria da sade mental no Brasil. Por meio de textos e fotografi as, a mostra relata os antigos mtodos teraputicos que eram aplicados dentro do hospital psiquitrico de Barbacena, o impacto das primeiras iniciativas da reforma antimanicomial e tem como desfecho a instituio do Programa De Volta para Casa (Lei Federal n 10.708, de 31 de julho de 2003).

    O De Volta para Casa teve um impacto muito signifi cativo nas vidas de mais de 2.500 pacientes e tambm nos municpios onde foi implantado, transformando-se em smbolo da mudana do modelo de ateno em sade mental. Por suas peculiaridades e amplitude o Programa vem mobilizando diversos atores governamentais e da sociedade civil, como o Ministrio do Desenvolvimento Social, Ministrio do Trabalho, Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Caixa Econmica Federal, Ordem dos Advogados do Brasil, associaes de familiares e representantes de movimentos sociais.

    Na primeira parte da exposio Da Casa da Loucura o visitante ter uma ideia da dimenso do drama vivido pelas pessoas internadas no maior dos hospitais psiquitricos de Barbacena, fundado no incio do sculo XX e hoje administrado pela Fundao Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig). Grande parte destas pessoas chegaram ao hospital ainda crianas, vindas de todo o Brasil apinhadas numa locomotiva que fi cou conhecida como Trem de Doido. E nunca mais se encontraram com suas famlias ou saram de l, chegando a fi car 60 anos internadas.

    J no segundo espao da exposio De Volta para Casa o visitante vai poder conhecer o dia-a-dia de ex-moradores de hospitais psiquitricos contemplados. Os pacientes atendidos pelo Programa De Volta para Casa recebem auxlio-reabilitao psicossocial para assistncia, acompanhamento e integrao social fora da unidade hospitalar. Institudo h quatro anos, o programa contempla atualmente quase trs mil pessoas. Alm do benefcio, os assistidos recebem tratamento nos Centros de Ateno Psicossocial (Caps) do municpio.

  • 6

    Objetivo da Mostra

    Ampliar os princpios bsicos que norteiam as polticas pblicas na rea de sade mental e fomentar a discusso sobre o tema, visando humanizao dos tratamentos psiquitricos, bem como contribuir na desmistifi cao da doena mental.

    Objetivo do Programa De Volta para Casa

    Contribuir no processo de insero social de pessoas que tenham permanecido em longas internaes psiquitricas, incentivando a organizaode uma rede ampla e diversifi cada de recursos assistenciais e de cuidados, e facilitando o seu convvio social, onde exercero os seus direitos e os seus deveres como qualquer cidado.

    Pblico-Alvo

    Gestores Federais, Estaduais e Municipais da esfera do SUS, profi ssionais e estudantes da rea de sade, usurios dos Centros de Ateno Psicossocial (Caps), estudantes dos ensinos mdio e fundamental e pblico interessado na temtica abordada.

  • 77

    Um breve histrico da psiquiatria

    A humanidade convive com a loucura h sculos e, antes de se tornar um tema essencialmente mdico, o louco habitou o imaginrio popular de diversas formas. De motivo de chacota e escrnio a possudo pelo demnio, at marginalizado por no se enquadrar nos preceitos morais vigentes, o louco um enigma que ameaa os saberes constitudos sobre o homem.

    Na Renascena, a segregao dos loucos se dava pelo seu banimento dos muros das cidades europeias e o seu confi namento era um confi namento errante: eram condenados a andar de cidade em cidade ou colocados em navios que, na inquietude do mar, vagavam sem destino, chegando, ocasionalmente, a algum porto.

    No entanto, desde a Idade Mdia, os loucos so confi nados em grandes asilos e hospitais destinados a toda sorte de indesejveis invlidos, portadores de doenas venreas, mendigos e libertinos. Nessas instituies, os mais violentos eram acorrentados; a alguns era permitido sair para mendigar.

    No sculo XVIII, Phillippe Pinel, considerado o pai da psiquiatria, prope uma nova forma de tratamento aos loucos, libertando-os das correntes e transferindo-os aos manicmios, destinados somente aos doentes mentais. Vrias experincias e tratamentos so desenvolvidos e difundidos pela Europa.

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    O tratamento nos manicmios, defendido por Pinel, baseia-se principalmente na reeducao dos alienados, no respeito s normas e no desencorajamento das condutas inconvenientes. Para Pinel, a funo disciplinadora do mdico e do manicmio deve ser exercida com fi rmeza, porm com gentileza. Isso denota o carter essencialmente moral com o qual a loucura passa a ser revestida.

    No entanto, com o passar do tempo, o tratamento moral de Pinel vai se modifi cando e esvazia-se das ideias originais do mtodo. Permanecem as ideias corretivas do comportamento e dos hbitos dos doentes, porm como recursos de imposio da ordem e da disciplina institucional. No sculo XIX, o tratamento ao doente mental inclua medidas fsicas como duchas, banhos frios, chicotadas, mquinas giratrias e sangrias.

    Aos poucos, com o avano das teorias organicistas, o que era considerado como doena moral passa a ser compreendido tambm como uma doena orgnica. No entanto, as tcnicas de tratamento empregadas pelos organicistas eram as mesmas empregadas pelos adeptos do tratamento moral, o que signifi ca que, mesmo com uma outra compreenso sobre a loucura, decorrente de descobertas experimentais da neurofi siologia e da neuroanatomia, a submisso do louco permanece e adentra o sculo XX.

    A partir da segunda metade do sculo XX, impulsionada principalmente por Franco Basaglia, psiquiatra italiano, inicia-se uma radical crtica e transformao do saber, do tratamento e das instituies psiquitricas. Esse movimento inicia-se na Itlia, mas tem repercusses em todo o mundo e muito particularmente no Brasil.

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    A Reforma Psiquitrica brasileira e a Poltica de Sade Mental

    Nesse sentido que se inicia o movimento da Luta Antimanicomial que nasce profundamente marcado pela ideia de defesa dos direitos humanos e do resgate da cidadania dos que carregam transtornos mentais.

    Aliado a essa luta, nasce o movimento da Reforma Psiquitrica que, mais do que denunciar os manicmios como instituies de violncias, prope a construo de uma rede de servios e estratgias territoriais e comunitrias, profundamente solidrias, inclusivas e libertrias.

    No Brasil, tal movimento inicia-se no fi nal da dcada de 70 com a mobilizao dos profi ssionais da sade mental e dos familiares de pacientes com transtornos mentais. Esse movimento se inscreve no contexto de redemocratizao do pas e na mobilizao poltico-social que ocorre na poca.

    Importantes acontecimentos como a interveno e o fechamento da Clnica Anchieta, em Santos (SP), e a reviso legislativa proposta pelo ento Deputado Paulo Delgado por meio do Projeto de Lei n 3.657, ambos ocorridos em 1989, impulsionam a Reforma Psiquitrica Brasileira.

    Em 1990, o Brasil torna-se signatrio da Declarao de Caracas a qual prope a reestruturao da assistncia psiquitrica, e, em 2001, aprovada a Lei Federal n 10.216 que dispe sobre a proteo e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em sade mental.

    Dessa lei origina-se a Poltica de Sade Mental

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