Exposição "Uniformes e Memórias"

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Exposição integrada no 1.º Mercado Oitocentista de Arruda dos Vinhos - 7 e 8 de junho 2014

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  • UNIFORMES E MEMRIASNo tempo da 3. Invaso Francesa a Portugal

    Estamos no concelho de Arruda dos Vinhos no incio do sculo

    XIX, a populao foi convocada para a defesa da cidade de Lisboa

    a uma 3. invaso do Imperador Napoleo Bonaparte a Portugal,

    atravs da construo de estruturas militares de defesa e

    tambm para o abandono das suas casas e propriedades, quando

    a chegada das tropas inimigas.

    Por se situar na pennsula e a Norte de Lisboa, integra a 1. Linha de

    Defesa que ficar conhecida por Linhas de Torres. As freguesias de

    Arruda dos Vinhos e Cardosas situam-se fora da linha de defesa, sendo

    palco da estadia ora de ingleses, ora de franceses, enquanto que as

    freguesias de Arranho e So Tiago dos Velhos se situam dentro das Linhas

    e apoiam o exrcito Portugus e Ingls.

    Dois anos antes, em Novembro de 1808, a corte Portuguesa abandona

    Portugal, instalando-se no Brasil. O Pas no perde a soberania, mas o

    General Wellington (exrcito ingls) organiza a defesa de Lisboa e

    implementa a Poltica da Terra Queimada, destruindo a economia e a

    subsistncia da populao Portuguesa por largos anos.

    A exposio aqui patente d-nos conta de parte dos prejuzos havidos, ficando

    muitos outros por avaliar.

    Damos conta de algumas memrias dessa poca e de episdios ocorridos

    durante a estadia das tropas em Arruda, assim como se apresentam uniformes

    militares de poca.

    Convidamos a conhecer a histria e memria dos nossos antepassados!

  • CONSTRUO DE REDUTOS

    EM ARRUDA

    Em 1809 o General Wellington decide pela

    construo de uma linha defensiva do

    Tejo at ao mar, protegida pelas posies

    avanadas de Torres Vedras e de Monte

    Agrao, fornecendo ao exrcito aliado

    meios de defesa suplementares contra o

    inimigo.

    Decidido o plano de defesa e determinada

    a localizao dos redutos, as obras

    iniciam-se em Outubro de 1809. Em

    Fevereiro de 1810, aps a passagem de

    Wellington pela regio a norte de Lisboa,

    inicia-se a construo de outros redutos,

    nos quais se incluem os de Arruda, a 17

    de Maro de 1810.

    COMO SO OS REDUTOS

    No incio das obras, os redutos adotam

    uma forma de estrela, com o objetivo de

    proporcionar uma defesa de flanco sobre

    os fossos, como caso do Forte da

    Carvalha (Obra Militar n.10), mas esta

    disposio diminui o espao interior, pelo

    que posteriormente a forma dos redutos

    passa a ser determinada em funo do

    terreno. Todos os redutos so reforados

    com um fosso de cerca de 15 ps de

    largura e 10 ps de profundidade,

    protegidos por paliadas de estacas,

    construdas com troncos de rvores, de 4

    a 8 polegadas de dimetro, colocados

    verticalmente no solo. Os parapeitos so

    de pedra. No interior dos redutos, so

    instaladas plataformas, sobre as quais

    so colocadas as peas de artilharia,

    construdas com simples madeiros,

    colocados sob rodas de carretas para se

    tornarem posteriormente num verdadeiro

    sobrado.

    Mais de 50 mil rvores foram abatidas

    para as obras de fortificao entre 7 de

    Junho e 7 de Outubro de 1810.

    Planta do Forte da Carvalha

    UNIFORMES E MEMRIASNo tempo da 3. Invaso Francesa a Portugal

  • UNIFORMES E MEMRIASNo tempo da 3. Invaso Francesa a Portugal

    Diviso Ligeira do Exrcito Britnico, comandada pelo General Craufurd,

    chega vila de Arruda na noite de 10 de Outubro de 1810

    Capito John Kincaid descreveu, aps a Batalha do Buaco, a 27 de Setembro de 1810, a

    retirada do exrcito anglo-portuguspara as Linhas de Torres:

    MEMRIAS

    A nossa longa retirada terminou meia-

    noite, com a chegada pitoresca vila de

    Arruda, destinada a ser o posto de piquete da

    nossa diviso, em frente das linhas

    fortificadas.

    Como em todos os outros lugares da linha de

    marcha, encontrmos Arruda totalmente

    deserta, mas com a diferena de que os seus

    habitantes tinham fugido com tanta pressa,

    que as chaves das portas de sua casa foram

    as nicas coisas que eles levaram; de modo

    que, quando ns entrmos, atravs da nossa

    chave de costume (a bala da espingarda abre

    qualquer fechadura de porta), ficmos muito

    surpreendidos ao descobrir que as casas

    estavam, no s perfeitamente mobiladas, como a maioria delas tinha comida na despensa e uma

    abundante proviso de bons vinhos na adega; e que, efectivamente, elas s necessitavam de

    alguns hspedes, capazes de apreciarem as coisas boas que os deuses haviam providenciado. ()

    Infelizmente para ns mesmos, e ainda mais para os proprietrios, nunca sonhmos com a

    possibilidade de manter a posse da vila: ns pensmos, evidentemente, que o inimigo iria atacar

    as linhas e, como este era o nico posto fora das linhas, que deveria cair em suas mos, em

    conformidade com o sistema que tivemos ao longo de toda a retirada pelo reino de Portugal,

    teramos de destruir tudo o que ns no poderamos usar, para impedir o benefcio do inimigo.

    Mas, quando percebemos que amos permanecer no local para alm do perodo previsto, a nossa

    indiscrio pesou-nos na conscincia, como se tivssemos destrudo num dia o que nos faria

    luxuosos por meses.

    Vivemos no trevo, enquanto ficmos l: tudo o que vimos

    era nosso, no havendo ningum que tivesse uma

    reivindicao mais legtima; e cada campo era uma vinha.

  • UNIFORMES E MEMRIASNo tempo da 3. Invaso Francesa a Portugal

    A Vila de Arruda estava totalmente

    desprotegida, a norte das Linhas de

    Torres, e quando o Marechal Massena, do

    Exrcito Francs, alcanou a posio de

    frente s Linhas, mandou efectuar os

    primeiros reconhecimentos, com alguma

    esperana de que elas pudessem ser

    vulnerveis pelos vales de Calhandriz e de

    Arruda onde estacionou um posto de

    Cavalaria ligando os 2. e 3. Corpos -,

    verificou a existncia de redutos, todos

    eles cortados com defesas ciclpicas,

    enormes abatizes de carvalhos e

    castanheiros arrancados da terra todos

    inteiros, com as suas enormes razes,

    transportados com esforos sobre-

    humanos, vendo gorada a sua expetativa

    de transpor a Linhas de Defesa.

    Ficou clebre o reconhecimento que

    efetuou no dia 16 de Outubro de 1810, em

    que deixou num muro, a pequena distncia, o seu

    culo de campanha. Nisto, de uma bateria de

    qualquer dos redutos aliados, manifestamente

    disparado na direco do grupo, caiu uma granada

    que bateu no referido muro, a poucos passos onde

    se encontrava o mencionado culo do clebre

    marechal de Napoleo. Compreendendo este o

    claro aviso de retirar-se, tirando chapu,

    cortesmente saudou o inimigo e, implicitamente, a

    prpria formidvel linha de redutos, que, pela voz

    potente da sua artilharia, tambm acabara de o

    cumprimentar, ainda que de forma um pouco

    brusca Apesar da Vila se encontrar

    desprotegida, o vale de Arruda estava

    maravilhosamente defendido (As famosas

    Linhas de Torres in A HORA).

    MEMRIAS

    Durante 4 semanas estiveram

    as tropas francesas

    acampadas junto s entradas

    da vila, nomeadamente na

    Quinta do Alcambar. O

    General Massena no

    concebeu qualquer ataque s

    Linhas, pois aguardava

    reforos, mas como as suas

    tropas foram rapidamente

    desfazendo-se em doenas e

    necessidades, comearam a

    retirada para mais perto da

    sua fonte de abastecimento.

    Ele abandonou a sua posio, contrria

    nossa, na noite de 9 de Novembro [de 1810],

    deixando alguns colegas de palha recheada

    ocupando seus postos habituais. Alguns

    deles eram de cavalaria, outros de

    infantaria, e pareciam respeitveis como

    representantes dos seus especiais

    antecessores, que na neblina da manh

    seguinte, pensvamos que tinham sido

    apoiados por alguns mais bem alimentados

    a partir da retaguarda; e foi no final do dia

    que ns descobrimos o erro e avanmos em

    sua perseguio. (in John Kincaid)

  • UNIFORMES E MEMRIASNo tempo da 3. Invaso Francesa a Portugal

    Uma morte da Igreja Matriz

    () No dia depois de nossa chegada [a 11

    de outubro de 1810], o capito Simmons e eu

    [John Kincaid] tivemos a curiosidade de ver

    a igreja por dentro, que foi danificada,

    construda num estilo de magnificncia

    para tal vila. O corpo de uma pobre mulher

    velha estava l, morta diante do altar.

    Parecia que ela estava demasiado fraca

    para se juntar na debandada geral e apenas

    se arrastou para este local por um ltimo

    esforo da natureza e a expirou. Ns

    imediatamente determinmos, como ela foi a

    nica pessoa que havamos encontrado na

    vila, vivo ou morto, que ela deveria ter mais

    glria na sepultura do que parecia ter tido

    fora dela; com os nossos esforos unidos,

    conseguimos levantar uma laje de mrmore,

    num salto monumental, lindamente

    enfeitada com braso armorial, colocmos o

    corpo dentro, e tapmos novamente com

    cuidado. () (in John Kincaid)

    EPISDIOS DURANTE A INVASO E A RESISTNCIA

    A queda de um boi

    Em clima muito quente ou muito hmido, era

    costume fazermos cobertura vila durante o dia,

    mas fomos sempre levados de volta para nosso

    acampamento, no alto, durante a noite; e foi

    bastante divertido observar as diferentes noes

    do conforto individual, na escolha dos mveis, que

    permitiam