Falando-- [microform] : discursos na Camara, discursos l .*-9-^ ComochegaramosnormandosdeGuilhermeo

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  • COELHO NETTO

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  • COELHO HETTO

    Falano..Discursos na Camar

    Discursos Litterarios

    Rio de JaneiroLeite Ribeiro & Maurillo Rua Santo Antnio, 3 1919

    I

  • C 6 o

    Primeira Parte

    Discursos na Camar

  • Na Sesso de 29 de Julho de 1909

    o SR. COELHO NETTO (Movimento de atien-o) Sx. Presidente, no actual momento eu nome atreveria a occupar esta tribuna, frequentada, combrilho, por oradores de vulto, se no fosse solicitado

    por dois sentimentos, qual delles mais poderoso oculto da Arte e o exaltando amor da, minha Ptria.

    Foi a Arte que aqui me introduziu e, como al-tista, ta'ago, e sempre, trarei, a esta Casa a minha pa-

    lavra pequena;, por que na disciplina litteraria ini-

    ciei a minha carreira t, conto leval-a a termo sempre

    fiel s suas normas.

    Lendo o parecer que diz com um pedido do di-rector do Instituto Nacional de Musica, relativamen-

    te letra do nosso Hymno Nacional, parecer redigidopor um dos espirites mais lcidos que tenho tido afortuna d,e encontrar em meu paiz... (Apoiados.)

    O S.R. GERMANO HASSLOCHER Obriga-do a V. Ex,

    O S,R. COELHO NETTO entendi do meudever contestar desta tribuna as idas nelle emitti-

    d!as. Entende S. Ex. refutando, com uma leve pontade ironia, a^ 'proposta do director do Instituto Nacional

    d.e Musica, que se no deve substituir a letra, ou me-

    lhor a monstruosidiade que comprom^tte a manifesta-

  • 6

    o mais alta d,a inspirao da musica emi nossa P-

    tria, que o Hymno de Francisco Manuel. (Muito

    bem.)

    Os fundamentos apresentados por S,. Ex. no

    parecem d.erivar de um homem' de prognie germ-nica. A AUemanha construid,'a sObre alicerces po-ticos a sua tradio um vastissimo folk-lofe emque se confundem barditlos e canes de amor, hym-

    nos propheticos e vozes d!e suave lyr^ismo, epopas

    altisonantes e endeixas apaixonad^as.

    Desde os tempos obscuros, quando as suas em-

    ma'ranhadas e paludosas florestas, percorridas por

    brbaros de longas cabelleirs fulgurantes, resoavam

    passagem do carro de Hertha, at os dias serenos,

    quando Goethe, pensativo, compunha os Ikder en-cantadores, a AUemanha mantmi o culto da Poesiacomo fonte original de amor: amor da Natureza eda Ptria, da tradio e dos heres. (Muito bem.)

    Tcito, escrevendo sobre os costumfes dos ger-

    manos, j alludia a esse vivb sentimento potico nahrrida regio appellidada por elle de provindaferox.

    Os hymnos ejam b incitamento os homenscantavam-nos nas .marchas guerreiras ou em tornodas aras; cantavam-nos alegres nas ep^ocas da flo-rescncia e da colheita, louvando a uberdade texreale o brilho ^as estrellas, a sereniidade do mar e adoce mansuetude da vida nos lares.

    Mas no nos demoremos no periodo obscuro,cujas noticias vem sempre abrumadas na fabula,

  • 7 cheguemos Idade Mdia, e, entretanto na Suabia,

    subamos as escaleiras do grande pao de Wartburgo.

    Deixando de piarte Frederico Barba-roxa e Hen-

    ique VI, dedicados protectores das letras, temos umalonga dymnastia de prncipes, na qual avulta a fi-

    gura de Hermann, landgrave thuringio, em cuja pre-sena emptenha-se a grande luota potica dos mlnne-

    singer, cujo echo ainda resa na historia litteraria.

    Depois dos poetas cavalleiros surgiram os poe-

    tas populares com Hans Saclis frente, renovando atradio nacional. Por fim, em dias tristemente lem-brados, a grande e solidaria Ptria germnica es-

    tremeceu em mpeto ardoroso, quando os regimentosdesabridos de Napoleo chegaram s ribas acasteUa-

    das do Rheno, ameaando, com as garras, da agiiia>vulturina, a integridade do sagrado imprio. Masa Alma Germnica abalou-se ao som de uma vozpartida do povo, estrugindo, em clangor mais forteque o dos clarins, o avocamento hferoico.

    Essa voz foi a de Theodoro Koerner, o poeta

    soldado.

    Melhor do que ieu conhece o Dr. Germano Hass-locher a historia, gloriosa dessie ultimo scaldo. Assuas poesias, taes por exemplo A espada, A Ptria,foram pelo povo ^dapt.das a musicas hericas e

    assim tornaram-se verdadeiros hymnos nacionaes, que

    fizeram mais pela victoria da Ptria do que o tflsse-

    pt, porque iam ,de aldeia em aldeia, de pvoa empvoa, de casal em casial, alliciando voluntrios paraa defesa do territrio amado. ^Z)eu-se o grande xo-

  • 6

    do patritico da Allcmanha e .ciuem o 'moveu? a Poe-

    sia, ella s! (Muito bem.) '

    E' preciso haver vivido na Allcmanha, diz Phi-

    larte Chasles, para comprehender, pela popularida-

    de do canto, a mesma popula^ridade da poesia e aintima alliana de um e de outra e a Iputura dos qu2vem na poiesia uma arte nastida n,os sales, feitapara as recamaras.

    Ao longo das sebes de lilazes, sob as tlias dascollinas, como nas aldeias de Nuremberg e de Koe-

    nigsberg, o artfice ambulante, a donzella, o grave

    doutor redizem os mesmos cantos c de tal assumpto,te,ndo-o por muito serio, falam todos com' seriedade.

    Na Allemanha, como na Grcia, o canto nadatem de frvolo um sopro que eleva os coraese liga intimamente as almas, no por uma regula-ment^-o ajrtificial e s :olastica, que manda escrevertal cano para os sales, tal outra para as peixeiras,

    ainda outra) para os humildes das ruas.,

    Todo o mundo b,ebe na mesmia taa, ouve 3,mesma lngua, extasia-sie com os accentos de Goethee robu'steoe-se repetindo as msculas oraes de Lu-

    thero.

    Que riqueza para um povo e que recurso enr-gico c essa voz nica e commum, que emana das pro-fundezas e pe'rtence massa de uma nao po-tencia activa e inspirada que a congrega, torna-a umsolido conjuncto, liga o passado ao porvir, faz cir-

    cular em todas as veias a mesma seiva sympathicrecordando-lhe a solidariedade dos seus direitos e dos

    Seus amores!

  • *- 9 -^

    Como chegaram os normandos de Guilherme oconquistador s terras bretans? Ao som da voz dojogral Taillefer que, frente das tropas, cantava os

    feitos de Carlos Magno e de Rolando, no dizer deWace,

    Um exemplo friztmte de que os cantos naclonaesdevem ser impostos ao povo, para estabelecer umacorrente de sympathia entre as 'al,m,s, acaba de dar

    o governo francs.

    Peo licena para ler Camar o que hontemescreveu um dos seus mais illustres membros na secoque redige na Gazeta de Noticms, com o titulo va-rio: Aqui, ali, acol. Diz Medeiros e Albuquerque:

    O governo francs acaba de abrir um concursorealmente curioso : para a escolha de letra e musica

    de canes.

    Escolha para que? Os nossos patrcios diffi-cilmente podero imaginar o fim dessa escolha. Com-prehendendo a necessidade de distrahir o soldado

    da vida sedentria que temj, o governo da Frana re-

    solveu abrir esse concurso, para que se exercitem os

    soldados a entoar canes,'

    No Brasil, se o governo descesse a cogitaesdessa ordem, seria, sem duvida, largamente ridicula-

    rizado.

    L, entretanto, a civilisao j permitte que os

    poderes pblicos deixem de se preoccupar, por alguns

    momentos, com as graves questes da politica e da ad-ministrao para cuidar de pequenos detalhes que,

    entre ns, dariam pretexto a interminveis commenta-

    rios, fornecendo aos caricaturistas um assumpto ex-

    f

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    cellente com que eJles, por semanas ou mezes, deli-

    ciariam o Z Povinho...

    AM tem o illustre relator do parecer uma elo-*quente resposta sua exposio.

    Diz mais Sj. Ex.:'

    No parece que a historia consigne cantos na-

    cionaes, adoptados como hymnos, feitos por via de

    concurso, em que a inspirao vem da esperana dealcanar o premio nessa espcie de justa.

    Os hymnos so exploses dos grandes sentimen-

    tos em horas solemnes da vida nacional; cahindo nosentimento publico, onde se fazem populares, criam

    razes, antes dos decretos legislativos que os ado^

    ptem officialmente.

    Citramos, se o caso fosse de citaes, todos os

    cantos populares, que os povos transformaram emhymnos, enfileirando aqui a Canho de Riego, a Mar-

    selheza, a Heil Dir im Siegeskranz, o God Save theKifig,\ct. Marcha Real Ualiana, a Marcha de Garibatdi,etc, 'que nasceram da espontaneidade dos sentimen-

    tos 'de seus autores e por isto mQsmo tinham as vi-braes 'que emocionavam as massas.

    No 'est bem informado o meu illustre colle-ga. Trago Camar a resposta que, em tempos, foidada a S. Ex. pelas columnas do Jornal do Corrtmer-

    cio, em artigo largamente documentado:O hymno austraco foi encommendado a Haydn,

    como 'encommendadas foram as palavras, e destinadoto 'somente a commemorar o anniversario nataliciodo Imperador. Para a melodia desse hymno foiescripta 'a letra do Deuischland, Deutschtand uber

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    alies, que, como sabe muito bem' o relator, ex^rc^

    impresso 'profunda jat nos allemes nascidos fora

    da Allemanha. Foi ainda para essa melodia de

    Haydn que Ludwig Auerbach' escreveu as palavras

    do hymno imperial Deuischland riof in dunklen Tag.O hymno sueco uma velha melodia da Sucia, paraa qual escreveu versos o archeologo Dybeck, e, pe-

    zar da nenhuma importncia do momento histricoem que foram escriptos, verdadeiramente suggestio-nador o enthusiasmo dos suecos ao cantarem o Dugamla, du friska.,. O mesmo se d com o hymnonoruegus, cuja letra de Bjrnson e a musica deR.

    Nordraack. O lactual 'hymno imperial russo foi en-commendado, lem 1833, ao general Lwoff pelo Czar

    Nicolo e sua popularidade passou muito alm das

    fronteiras da Rssia.

    Quantas victima