Fazendo 88

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o boletim do que por c se faz Jornal Cultural Aoriano

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  • 2Este o nmero com que o Fazendo retoma as suas edies mensais e tambm um nmero de sorte e bem-aventurana para a cultura chinesa. Nesse ano do sculo passado, o escritor micaelense, Joo de Melo, escreve: Nuno Miguel sentiu-se levado ao contrrio: o seu esprito saiu das horas diurnas de Lisboa para a noite pesada da provncia. Atravessou o pas na diagonal, em companhia de dois homens sorridentes que durante trs horas se esforaram em vo por entender o seu discurso aoriano e o vencedor da edio do Grande Prmio de Romance e Novela da Associao Portuguesa de Escritores (APE), com o romance Gente Feliz com Lgrimas. Na freguesia de Gualupe, na Ilha Graciosa, d-se um encontro de vinte e quatro tocadores de viola da terra que decidem tocar todos juntos as suas violas de arame. As eleies aorianas, que resultaram na vitria do PSD de Mota Amaral, obtm a absteno de 41,15%, ou seja, dos 180.214 eleitores recenseados votaram 106.049. Na arquitectura o prmio Mies van der Rohe, institudo nesse ano, atribudo ao arquitecto portugus lvaro Siza Vieira, com o edifcio Borges& Irmo em Vila do Conde. O cinema mundial obsequiado com os filmes Dead Ringers, de David Cronenberg, Dangerous Liasions, de Stephen Frears, Bird, de Clint Eastwood.

    8 8

    a m b a s a s d u a s

    ed

    ito

    ria

    l

    c a p a

    d i r e c o

    aurora ribeiro

    toms melo

    c a p a

    ambas as duas

    c o l a b o r a d o r e s

    ana alves

    ana lcia almeida

    andr nogueira de melo

    antnio de nvada

    carlos alberto machado

    carolina furtado

    cristina lourido

    milie beffara

    fernando nunes

    ins ribeiro

    joo stattmiller

    lia goulart

    mauro santos pereira

    micael nunes

    miguel machete

    miratecarts

    paulo vilela raimundo

    sandra cristina sousa

    slvia lino

    victor rui dores

    a m i g o s f a z e n d omaria nomia pacheco

    terry costa

    zumo massimo gelich

    d e s i g n e d i t o r i a lambas as duas

    p a g i n a o

    ambas as duas

    r e v i s o

    aurora ribeiro

    p r o p r i e d a d e

    associao cultural fazendo

    s e d e

    rua conselheiro medeiros

    n 19 9900 horta

    p e r i o d i c i d a d e

    mensal

    t i r a g e m

    500 exemplares

    i m p r e s s o

    grfica o telgrapho

    d i s t r i b u i o n o f a i a lassociao cultural fazendo

    d i s t r i b u i o n o p i c omiratecarts

    d i s t r i b u i o n a t e r c e i r aexec eventos

    d i s t r i b u i o e m s o m i g u e l agecta

    registado na erc com o n125988

    O F a z e n d O e s t v i v O ,

    g r a a s a t O d O s .

    O Fazendo, jornal comunitrio, gratuito

    e independente sobre aquilo que por c se faz

    regressa agora s ruas. E esse retorno foi possvel

    graas a apoiantes privados, pblicos, individuais

    e colectivos

    Aps trs anos de financiamento continuado pela

    DRAC (Direco Regional de Cultura do Governo

    dos Aores), a Associao Cultural Fazendo viu

    ser recusada a sua candidatura de 2013 para

    publicao do Jornal Fazendo. Duas solues

    pareciam possveis: a primeira era deixar o projecto

    por aqui, a segunda passar a uma verso livre

    de custos - publicao exclusivamente on-line.

    Aps milhares de exaustivas sondagens nas quais

    ambas as hipteses foram liminarmente rejeitadas,

    surgiu ento uma ltima: a angariao de fundos

    entre os interessados no jornal - colaboradores,

    leitores, simpatizantes, instituies, empresas

    Mais importante do que a contabilizao em Euros

    do sucesso desta campanha para ns a motivao

    que nos chega por ver tanta gente empenhada em

    garantir o futuro de um pedacinho de papel com

    tinta Esperamos que o novo formato (j se sabe

    que mudamos todos os anos) agrade e que se nos

    junte mais gente para enriquecer os contedos

    deste testemunho do que se faz e pensa nos Aores.

    A d i r e c o

    Joana Tavares e Cristina Viana, ambas Designers de Comunicao, tm trabalhado com diversas plataformas de produo cultural, estruturas criativas e clientes individuais.

    Juntas desenvolvem estratgias de investigao e projecto especficas para cada desafio - profissional ou onrico, promovendo sociedades criativas com outros colaboradores.

    w w w. A m b A s A s d u A s . c o m

    JOO DE MELO

    Gente Feliz com Lgrimas

    este jornal comunitrio,

    no-lucrativo e independente

    est a ser financiado pela

    comunidade de leitores,

    colaboradores e parceiros.

  • 3o l h a n d o e m r e d o r

    c r n i c a d o m s

    Q u e m g a n h a c O m O F a c t O d e O s p O r t u g u e s e s s e r e m

    O s p i O r e s c O n s u m i d O r e s d e c u l t u r a d a u n i O

    e u r O p e i a ?

    Um inqurito vindo recentemente a pblico elaborado pelo Eurosat, demonstra que num universo de vinte sete pases que constituem a U.E., em Portugal que a participao da populao em eventos culturais menos significativa, equiparando-se apenas ao Chipre e Grcia.

    Para esse estudo quantificaram-se comparativamente, e para uma temporalidade anual, dados to diversificados como n de livros lidos, idas ao cinema, ao teatro, a espetculos de dana ou pera, a visita de museus e/ou monumentos enfim, caracterizando-se exaustivamente todos estes aspetos e deixando claro que (em certos casos no existem coincidncias!) os pases do sul da Europa associam a sua situao politico-financeira frgil a uma maior indiferena para com os aspetos e produtos culturais.

    Perante estas concluses, no podemos deixar de nos sentir incomodados pelo risco que a aculturao da nossa sociedade poder acarretar para o nosso futuro coletivo. Pois, como sabido, sempre foi mais fcil manobrar rebanhos que liderar cidados conscientes e cultos.No quero com isto almejar a que toda a polis portuguesa se torne culta e interessada de um momento para o outro. Apenas acredito que a cultura ser obrigatoriamente o mecanismo de valorizao individual e identitria que, potenciando o alargamento das elites resultantes do desenvolvimento e valorizao do mrito individual (e no das condies politico-financeiras do meio social, partidrio, religioso ou outros), poder contribuir claramente para o reerguer do nosso pas, com vista recuperao da sua independncia e em defesa do seu direito inalienvel de decidir (conscientemente) o futuro.Esta obrigao, contrariamente ao que sectorialmente se pratica no nosso pas, no exclusiva dos governos, nem das escolas, nem das famlias por si s, mas transversal a toda a nossa sociedade e misso de todos ns.

    Ter de assumir-se que, no sendo obrigatoriamente oneroso o acesso cultura (veja-se a panplia de eventospromovidos na Regio, e um pouco por todo o territrio nacional pelos diferente governos [central, regionais ou autrquicos], bem como pelos numerosos e generalizadamente disseminados agentes culturais associativos) obrigao de todos ns consumir esses contedos e incentivar o prximo a faz-lo.

    Que essa obrigao cultural e formativa seja assumida por todos, como um dos mecanismos de recuperao nacional, o desafio que vos deixo.

    no podemos deixar de nos sentir

    incomodados pelo risco que a aculturao

    da nossa sociedade poder acarretar para

    o nosso futuro coletivo.

    PA u l o V i l e l A r A i m u n d o

  • 4a i l h a d o s n u f r a g o s(L'Isola dei Naufraghi) de Lorenzo Brunetti

    t e a t r o e c i n e m a

    A Ilha dos Nufragos (LIsola dei Naufraghi) de Lorenzo

    Brunetti um documentrio sbrio e intimista, com uma

    viso muito particular da Ilha das Flores e a merecer toda

    a nossa ateno. O filme germina enquanto documento

    familiar, j que foi filmado e realizado por Raffaele Brunetti

    no fim do sculo passado, contou posteriormente com

    a montagem da sua companheira Ilaria de Laurentiis, tendo

    sido concludo e editado j neste sculo pelo filho do casal,

    Lorenzo Brunetti, todos eles ligados pela empresa familiar

    B&B Films, ainda hoje em franca actividade.

    O documentrio assume de imediato que estamos perante

    uma ilha longnqua, reconhecendo o desconhecimento

    e esquecimento a que foi votada a histria da Ilha das Flores,

    sendo esta desde os tempos das descobertas povoada por

    piratas e nufragos, necessitando por isso de ser contada

    e revelada ao mundo inteiro. No perodo das descobertas,

    esta era a primeira terra que as naus avistavam na sua

    rota de regresso Europa e por ali ainda hoje permanece

    nas casas e nas memrias das pessoas essa histria rica

    de aventuras martimas.

    A pergunta, no entanto, mantm-se: o que ter levado

    Raffaele Brunetti a interessar-se por realizar um documentrio

    sobre a Ilha das Flores? O filme encontra-se, portanto,

    dividido em captulos e percebe-se desde o incio que

    a principal razo seguir o trajecto de Pierluigi Bragaglia,

    viajante e escritor, durante os seus primeiros momentos

    na ilha, o realizador ir percorrer com ele os recantos da ilha

    ao mesmo tempo que se ir descobrindo o passado recente

    e misterioso desta mtica terra a meio caminho entre Lisboa

    e Nova Iorque. A narrao principia por situar a remota ilha

    aoriana, citando assim o Timeu do grego Plato para

    reavivar o mito da atlntida, esse continente perdido no

    fundo do mar, salientando o provvel conhecimento que

    os fencios e cartagineses teriam obtido das ilhas aorianas,

    indicando ainda a passagem histrica e aventureira por

    estes mares de Cristvo Colombo a caminho das ndias

    e das Amricas. A partir desse perodo, c