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Universidade Presbiteriana Mackenzie 1 POSIÇÃO EM PÉ NO TRABALHO DOS AUXILIARES EDUCACIONAIS E AGENTES DE SEGURANÇA E SUAS PERCEPÇÕES QUANTO À ACESSIBILIDADE NA ÁREA EXTERNA DO CAMPUS ITAMBÉ DA UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE. Fernando de Souza Carvalho (IC) e Raquel Cymrot (Orientadora) Apoio: PIBIC Mackenzie Resumo O presente trabalho é baseado nos conceitos de ergonomia, desenho universal e saúde do trabalhador. O estudo busca estimar a incidência de desconforto/dor nos membros superiores, inferiores e coluna vertebral dos auxiliares educacionais e agentes de segurança que trabalham na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), campus Itambé uma vez que estes profissionais devem permanecer na posição em pé por longos períodos. Outro objetivo é conhecer a percepção destes mesmos profissionais quanto à questão da acessibilidade na área de circulação externa entre os prédios do campus. Para tanto, foi realizada uma pesquisa anônima com tais profissionais, por meio de um instrumento de pesquisa em forma de formulário. O funcionário não era obrigado a participar da pesquisa, sendo cumpridos os procedimentos éticos necessários. Setenta e seis por cento dos funcionários participaram da pesquisa. Após coletados, os dados foram consolidados sendo então realizada uma análise descritiva destes. Foram realizados alguns testes estatísticos não- paramétricos tais como para independência de pares de variáveis aleatórias (teste Quiquadrado ou teste exato de Fisher) e teste para a comparação de vários níveis de um fator, originários de um mesmo elemento experimental (teste de Friedman). Os resultados obtidos foram interpretados e conclusões foram obtidas. Dentre alguns resultados relevantes destaca-se que quase 70% dos funcionários relataram sentir desconforto ou dor nos membros superiores, coluna ou membros inferiores. Palavras-chave: saúde do trabalhador, acessibilidade, análise estatística. Abstract This work is based on the concepts of ergonomics, universal design and employees’ health. The study aims at estimating the incidence of discomfort / pain in upper and lower limbs and spine of educational assistants and security officers working at Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) at Itambé campus, once these professionals must remain standing for long periods. Another aim is to know the perception of such professionals on accessibility in the area of external circulation among buildings in the campus. For such purpose, an anonymous survey was made with these professionals, through a survey form. The employee was not compelled to participate in the survey, and the necessary ethical procedures were met. Seventy-six percent of the employees participated in the survey. Once collected, the data were consolidated and then a descriptive analysis of the same was made. Some statistics nonparametric tests were done such as independence test for pairs of random variables (Chi-Square test or Fisher's exact test) and test for comparison of various levels of a factor, originating from the same experimental element (Friedman test). The results obtained were interpreted and conclusions were drawn up. Among some relevant results, it should be highlighted that nearly 70% of the employees reported discomfort or pain in their upper limbs, spine or lower limbs. Key-words: employees’ health, accessibility, statistics analysis

Fernando de souza

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Em parceria com a Professora Helena Abascal, publicamos os relatórios das pesquisas realizados por alunos da fau-Mackenzie, bolsistas PIBIC e PIVIC. O Projeto ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA difunde trabalhos e os modos de produção científica no Mackenzie, visando fortalecer a cultura da pesquisa acadêmica. Assim é justo parabenizar os professores e colegas envolvidos e permitir que mais alunos vejam o que já se produziu e as muitas portas que ainda estão adiante no mundo da ciência, para os alunos da Arquitetura - mostrando que ARQUITETURA TAMBÉM É CIÊNCIA.

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  • 1. Universidade Presbiteriana MackenziePOSIO EM P NO TRABALHO DOS AUXILIARES EDUCACIONAIS EAGENTES DE SEGURANA E SUAS PERCEPES QUANTO ACESSIBILIDADE NA REA EXTERNA DO CAMPUS ITAMB DAUNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE.Fernando de Souza Carvalho (IC) e Raquel Cymrot (Orientadora)Apoio: PIBIC MackenzieResumoO presente trabalho baseado nos conceitos de ergonomia, desenho universal e sade dotrabalhador. O estudo busca estimar a incidncia de desconforto/dor nos membros superiores,inferiores e coluna vertebral dos auxiliares educacionais e agentes de segurana que trabalham naUniversidade Presbiteriana Mackenzie (UPM), campus Itamb uma vez que estes profissionaisdevem permanecer na posio em p por longos perodos. Outro objetivo conhecer a percepodestes mesmos profissionais quanto questo da acessibilidade na rea de circulao externa entreos prdios do campus. Para tanto, foi realizada uma pesquisa annima com tais profissionais, pormeio de um instrumento de pesquisa em forma de formulrio. O funcionrio no era obrigado aparticipar da pesquisa, sendo cumpridos os procedimentos ticos necessrios. Setenta e seis porcento dos funcionrios participaram da pesquisa. Aps coletados, os dados foram consolidadossendo ento realizada uma anlise descritiva destes. Foram realizados alguns testes estatsticos no-paramtricos tais como para independncia de pares de variveis aleatrias (teste Quiquadrado outeste exato de Fisher) e teste para a comparao de vrios nveis de um fator, originrios de ummesmo elemento experimental (teste de Friedman). Os resultados obtidos foram interpretados econcluses foram obtidas. Dentre alguns resultados relevantes destaca-se que quase 70% dosfuncionrios relataram sentir desconforto ou dor nos membros superiores, coluna ou membrosinferiores.Palavras-chave: sade do trabalhador, acessibilidade, anlise estatstica.AbstractThis work is based on the concepts of ergonomics, universal design and employees health. The studyaims at estimating the incidence of discomfort / pain in upper and lower limbs and spine of educationalassistants and security officers working at Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) at Itambcampus, once these professionals must remain standing for long periods. Another aim is to know theperception of such professionals on accessibility in the area of external circulation among buildings inthe campus. For such purpose, an anonymous survey was made with these professionals, through asurvey form. The employee was not compelled to participate in the survey, and the necessary ethicalprocedures were met. Seventy-six percent of the employees participated in the survey. Oncecollected, the data were consolidated and then a descriptive analysis of the same was made. Somestatistics nonparametric tests were done such as independence test for pairs of random variables(Chi-Square test or Fishers exact test) and test for comparison of various levels of a factor, originatingfrom the same experimental element (Friedman test). The results obtained were interpreted andconclusions were drawn up. Among some relevant results, it should be highlighted that nearly 70% ofthe employees reported discomfort or pain in their upper limbs, spine or lower limbs.Key-words: employees health, accessibility, statistics analysis 1
  • 2. VII Jornada de Iniciao Cientfica - 20111 INTRODUONa vida cotidiana, indivduos podem assumir posturas que causem algum impacto em suasade. H, em especial, algumas classes de profissionais cuja atividade torna necessrio manuteno de uma dada posio que pode no ser a ideal.No Brasil, assim como em outros pases com o mesmo grau de desenvolvimento, aincidncia de doenas ocupacionais, segundo as estatsticas oficiais, muito baixa.Possivelmente, isso se deve falta de diagnostico e ao sub-registro (MENDES, 1988;FORA SINDICAL, 2002).A atividade profissional obriga muitos indivduos a passar grande parte de seu expedienteem uma nica posio, em p. Entretanto, poucos dentre estes profissionais, tmconhecimento das possveis conseqncias de tal postura em sua sade. A nota tcnica060 de 2001 do Ministrio do Trabalho e Emprego ressalta que todo esforo de manutenopostural leva a uma tenso muscular esttica que pode ser nociva sade. Os efeitosfisiolgicos dos esforos estticos se devem compresso dos vasos sangneos, uma vezque o sangue deixa de fluir, fazendo com que o msculo no receba oxignio nemnutrientes, acarretando a manuteno dos resduos metablicos que ao se acumularprovocam dor e fadiga muscular. As manutenes estticas prolongadas podem tambminduzir ao desgaste das articulaes, discos intervertebrais e tendes. (BRASIL, 2001).A Ergonomia uma disciplina cientfica relacionada ao entendimento das interaes entreseres humanos e outros elementos de um sistema. Nela, aplica-se teoria, princpios, dadose mtodos, a fim de proporcionar o bem estar do ser humano e o desempenho global dosistema de forma otimizada (INTERNATIONAL ERGONOMICS ASSOCIATION, 2008).Embora a ergonomia tenha nascido durante a Segunda Guerra Mundial, somente a partir dadcada de 90, os conhecimentos por ela proporcionados vm sendo utilizados para fins desegurana, conforto e eficincia no trabalho (IIDA, 2005; DUL; WEERDMEESTER, 2000).Neste artigo, os profissionais em estudo sero os auxiliares educacionais e os agentes desegurana cujas respectivas ocupaes os levam a manter-se na posio em p por umtempo relativamente longo, devido ao fato desta funo necessitar, entre outras atividades,de deslocamentos contnuos.Segundo Ramos [1998?], a partir da promulgao da Constituio de 1988, a SociedadeCivil e o Estado no Brasil passaram a priorizar o homem como ser de direitos uma vez queesta estabeleceu em seu texto que a cidadania e a dignidade da pessoa humana devemnortear toda e qualquer conduta dos cidados e autoridades de modo a viabilizar aconstruo de uma sociedade livre, justa e solidria, capaz de promover o bem de todos,sem preconceitos de origem, raa, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de 2
  • 3. Universidade Presbiteriana Mackenziediscriminao (BRASIL 1988 apud RAMOS [1998?], no paginado). Neste contexto, odireito de acesso aos espaos culturais e artsticos aos portadores de deficincia representaa implementao, a efetivao dos princpios e objetivos traados pela prpria Constituio(RAMOS [1998?], no paginado) e o acesso Universidade faz parte deste universocultural.O Desenho Universal teve sua origem na dcada de 1970 visando a [...] simplificar a vidade todos, elaborando produtos, informaes e ambientes construdos mais utilizveis pormaior nmero possvel de pessoas, a baixo custo ou sem nenhum custo extra. (CENTERFOR UNIVERSAL DESIGN, 1997 apud LOPES, 2005, p.11). O desenho universal devecontemplar todos os cidados, inclusive os com deficincias fsicas, sensoriais ouintelectuais e os que se enquadram na categoria de mobilidade reduzida que incluindoobesos e gestantes. Muitos locais, ainda hoje, no se mostram preparados para recebertodas as pessoas, dificultando as atividades cotidianas para parte da populao. fundamental que a acessibilidade seja analisada sob o prisma do desenho universal.Esta pesquisa realizou um levantamento de dados com os auxiliares educacionais e agentesde segurana que trabalham no Campus Itamb da Universidade Presbiteriana Mackenzie,uma vez que eles permanecem grande parte de seu expediente de trabalho na rea externadentro do Campus, observando a movimentao na rea. O presente estudo abordou apercepo destes funcionrios com respeito questo da acessibilidade, dentro doCampus.1.1 OBJETIVOO objetivo deste trabalho identificar o perfil e conhecer os problemas de sade que afetamos auxiliares educacionais e agentes de segurana da Universidade PresbiterianaMackenzie, Campus Itamb, bem como pesquisar suas percepes a respeito da questoda acessibilidade na rea externa dentro do Campus. O trabalho considerou aspectosrelativos segurana ocupacional, em especial a ergonomia.1. 2 JUSTIFICATIVATem-se como foco principal o levantamento das condies de trabalho e agravos saderelatados pelos auxiliares educacionais e agentes de segurana da Universidade para que,desta forma, medidas preventivas possam ser tomada a fim de lhes proporcionar melhorqualidade de vida.Tendo em vista que a Universidade Presbiteriana Mackenzie tem uma grande circulao depessoas, no s alunos, como tambm professores, funcionrios e visitantes, a percepodos auxiliares educacionais e agentes de segurana quanto acessibilidade na reaexterna do Campus suma importncia, uma vez que no exerccio de suas atividades 3
  • 4. VII Jornada de Iniciao Cientfica - 2011profissionais estes funcionrios entram em contato direto com quem circula pela reaexterna do Campus. Estes funcionrios testemunham diversas situaes que, uma vezconhecidas, podem sinalizar a necessidade de mudanas a fim de garantir, da forma maisampla possvel, o acesso a todos os cidados ao Campus, levando em conta o desenhouniversal.2 REFERENCIAL TERICOPara a realizao desta pesquisa alguns tpicos foram especialmente estudados. Estesesto apresentados a seguir:2.1 SADE DO TRABALHADORA Engenharia da Segurana do Trabalho, segundo a resoluo 359 de 1991 do ConselhoFederal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA), deve voltar-se precipuamentepara a proteo do trabalhador em todas as unidades laborais, no que se refere questode segurana, inclusive higiene do trabalho. (CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA,ARQUITETURA E AGRONOMIA, 1991, p. 1).Segundo a Norma Regulamentadora n 4 do Ministrio do Trabalho e Emprego, asempresas privadas e pblicas que possuam empregados regidos pela Consolidao dasLeis do Trabalho (CLT) devem manter Servios Especializados em Engenharia deSegurana e em Medicina do Trabalho, visando promover a sade e proteger a integridadedo trabalhador no local de trabalho. Tais servios devem ter em seus quadros defuncionrios pelo menos um Engenheiro de Segurana do Trabalho. (BRASIL, 2008). Oestudo da sade e integridade do trabalhador deve ser, portanto, um tema relevante dentroda Engenharia.Segundo a nota tcnica 60 de 2001 do Ministrio do Trabalho e Emprego, a manuteno dapostura em p imvel apresenta as seguintes desvantagens: (BRASIL, 2001, p. 3). tendncia acumulao do sangue nas pernas o que predispe ao aparecimento de insuficincia valvular venosa nos membros inferiores, resultando em varizes e sensao de peso nas pernas; sensaes dolorosas nas superfcies de contato articulares que suportam o peso do corpo (ps, joelhos, quadris); a tenso muscular permanentemente desenvolvida para manter o equilbrio dificulta a execuo de tarefas de preciso; a penosidade da posio em p pode ser reforada se o trabalhador tiver ainda que manter posturas inadequadas dos braos (acima do ombro, por exemplo), inclinao ou toro de tronco etc.; a tenso muscular desenvolvida em permanncia para manuteno do equilbrio traz mais dificuldades para a execuo de trabalhos de preciso. 4
  • 5. Universidade Presbiteriana Mackenzie2. 2 ERGONOMIAO termo ergonomia deriva dos termos gregos ergon (trabalho) e nomos (leis naturais). Aergonomia estuda as relaes do homem com o seu ambiente de trabalho, levando emconta a segurana e o conforto. O aperfeioamento de projetos de mquinas, ambientes eprodutos foi possvel levando em conta a anlise de dados obtidos em experincias delaboratrio que medem o desempenho do ser humano em diferentes atividades (IIDA, 2005).Os conhecimentos ergonmicos so bastante amplos e sua aplicao pode gerar grandesbenefcios tanto no ambiente de trabalho, reduzindo o sofrimento dos trabalhadores emelhorando sua produtividade, quanto na qualidade de vida da populao em geral. Taisbenefcios so possveis uma vez que a ergonomia engloba uma grande variedade detemas, como antropometria, biomecnica, fisiologia, toxicologia, engenharia mecnica,desenho industrial, eletrnica e informtica entre outros, estudando a postura e osmovimentos corporais, os fatores ambientais, controles, cargos e tarefas. Uma vez que osprojetos so elaborados para atender a 95% da populao, pessoas com medidas bemdiferentes da mdia acabam tendo dificuldade de adaptao a equipamentos, sistemas etarefas projetados para uso coletivo (IIDA, 2005; DUL; WEERDMEESTER, 2000).Projetos que levam em conta a ergonomia devem respeitar, segundo Gurin et al. (1997,apud ROCHA, 2002) quatro princpios, a saber: a diferenciao entre tarefa (prescrio dotrabalho a ser realizado) e atividade (trabalho efetivamente realizado), reconhecimento dadiversidade do interior das situaes produtivas (variabilidade), carga de trabalhoenvolvendo as diferentes dimenses humanas e o modo operatrio, relacionado comresposta individual de acordo com as situaes de trabalho.2.3 O DESENHO UNIVERSALA expresso de desenho universal foi utilizada pela primeira vez em 1985 nos EstadosUnidos, por Ron Mace o qual afirmou que o desenho universal deve criar ambientes ouprodutos de modo que possam ser utilizados pelo maior nmero de pessoas possvel, combaixo custo ou sem nenhum custo extra. O conceito de desenho universal surgiu dasexigncias e necessidades de dois grupos sociais distintos: dos movimentos dos que tinhamalguma deficincia e sentiam suas necessidades postas de lado pelos profissionais da reade construo e arquitetura, e da iniciativa de alguns arquitetos, urbanistas e designers quebuscavam uma maior igualdade dos valores e uma viso maior na criao dos projetos(CAMBIAGHI, 2007).O Desenho Universal prope um uso democrtico para o espao, adaptando-se assim aosmais variados perfis de usurios: apregoa que todas as pessoas, crianas ou idosos, oumesmo quem tenha alguma limitao fsica (temporria ou permanente), tenham condies 5
  • 6. VII Jornada de Iniciao Cientfica - 2011igualitrias na qualidade de uso de um ambiente construdo, seja este interno ou externo. Deacordo com os dados do XI Censo Demogrfico realizado pelo Instituto Brasileiro deGeografia e Estatstica (IBGE) no ano 2000, 14,5% da populao brasileira enfrenta algumabarreira, dificultando o acesso a residncias, ruas, meios de transporte, mobilirio urbano,escolas entre outros. Ultrapassar estes obstculos uma meta proposta pelo DesenhoUniversal, que pode ser associado aos conceitos de projetos arquitetnicos em que h aremoo de barreiras (BERNARDI, 2007).Campos ([2000-?]) destaca que o desenho universal um novo paradigma que surgiu dasidias de inexistncia de barreiras, desenho acessvel e tecnologia assistiva. O autorassocia os conceitos de Desenho Inclusivo e Desenho para todos. Tal desenho leva a umenfoque diferenciado para produtos, servios e ambientes de modo que possam ser usadospor todas as pessoas, independentemente da idade, habilidade ou condio de sade. Estaidia est ligada diretamente ao conceito poltico de uma sociedade inclusiva e suaimportncia vem sendo reconhecida por governos, indstria e comrcio, devendonecessariamente ser levada em conta tambm por arquitetos, engenheiros e designers.Cambiaghi (2007), em acordo com a Comisso Permanente de Acessibilidade (CPA) daSecretaria Especial da Pessoa com Deficincia ou Mobilidade Reduzida (SEPED) doMunicpio de So Paulo, apresentou de forma mais detalhada os sete princpios bsicos doDesenho Universal, conforme desenvolvido nos Estados Unidos da Amrica pelo Center forUniversal Design, a saber: equiparao nas possibilidades de uso; flexibilidade no uso; usosimples e intuitivo; informao perceptvel; tolerncia ao erro; mnimo esforo fsico edimensionamento de espaos para acesso de todos os usurios.Lanverly (2010) destaca que apesar da criao dos sete princpios do desenho universal jter duas dcadas, estes s comearam a ser praticados no Brasil a partir da publicao dalei 10098/2000 de 2000 que tem por finalidade a eliminao de barreiras nas vias pblicas.Tal lei estabelece critrios bsicos para a promoo da acessibilidade dos indivduos comdeficincia e mobilidade reduzida. O objetivo desta lei a superao de barreiras eobstculos em vias pblicas, espaos pblicos, mobilirio urbano, construo e reforma deedificaes, nos meios de transporte e comunicao (LANVERLY, 2010, p. 44). A autoraafirma ser o desconhecimento tcnico do tema uma grande dificuldade para a aplicao dosreferidos princpios.2.4 ALGUNS TESTES NO-PARAMTRICOSA seguir sero apresentados os testes no-paramtricos utilizados neste trabalho. 6
  • 7. Universidade Presbiteriana Mackenzie2.4.2 Teste QuiquadradroO teste Quiquadrado usado para testar se dois grupos diferem quanto a algumacaracterstica, quando os dados consistem em freqncias em categorias discretas(SIEGEL; CASTELLAN, 2008, p. 134), isto , serve para testar se duas variveis aleatriasso independentes.Os dados so ento dispostos em uma tabela de contingncia com uma varivel nas linhase a outra nas colunas. Neste caso tem-se uma tabela de dupla entrada (as duas variveis).Seja r o n de nveis da primeira varivel e c o n de nveis da segunda varivel. Tem-se queo grau de liberdade ser igual a (r-1) (c-1) e o valor do Quiquadrado observado ser igual a: r c (o ij eij ) 2 r c 2 oij = 2 = n i =1 j =1 eij i =1 j =1 eij(1)Com eij igual ao produto das marginais da observao oij dividido pelo tamanho da amostran.Quando a tabela de contingncia no for 2 x 2, a prova que Quiquadrado pode ser aplicadasomente se o nmero de clulas com freqncia inferior a 5 for menor que 20% do total declulas e se nenhuma clula tiver freqncia esperada inferior a 1. Se essas condies noforem satisfeitas pelos dados na forma em que foram coletados originalmente, opesquisador deve combinar categorias de modo a aumentar as freqncias esperadas nasdiversas clulas. Se em uma tabela 2 x 2, houver alguma freqncia esperada inferior a 5, oteste Quiquadrado no poder ser usado. Neste caso recomenda-se a utilizao do testeno-paramtrico exato de Fisher (COSTA NETO, 2002).2.4.2 Teste exato de FisherO teste exato de Fisher usado para testar independncia entre pares de variveisaleatrias com dois nveis cada uma (tabela de contingncia 2 x 2). Tal teste utilizadoquando as suposies para o uso do teste Quiquadrado no se verificam.O teste exato de Fisher baseado na distribuio hipergeomtrica. Calcula-se aprobabilidade do resultado ocorrido acrescida das probabilidades dos resultados ainda maisextremos. Este ser o nvel descritivo do teste e a hiptese de independncia das variveisaleatrias dever ser rejeitada se seu valor for inferior ao nvel de significncia do teste(SIEGEL; CASTELLAN, 2008). 7
  • 8. VII Jornada de Iniciao Cientfica - 20112.4.3 Teste de FriedmanO teste de Friedman deve ser usado quando se deseja saber se as classificaes dosdiversos aspectos foram extradas da mesma populao ou de populaes com mesmamediana. Neste caso s devem ser utilizados os dados cuja totalidade de aspectos foiclassificada (SIEGEL; CASTELLAN, 2008). Os dados consistem k amostrascorrespondentes (mesmo grupo com N indivduos em k condies) e devem ter no mnimoem escala ordinal. Para este teste, os dados so colocados em uma tabela de dupla entradacom N linhas (cada linha corresponde a um indivduo) e k colunas (cada coluna correspondea uma das condies).Atribui-se postos dentro de cada linha (medidas de um mesmo elemento, isto , para cadaindivduo, atribuem-se postos para as k condies). O teste de Friedman determina se ostotais dos postos para condio j (indicados por Rj), com 1 j k diferem significativamentedos valores que seriam esperados devido ao acaso. (SIEGEL; CASTELLAN, 2008). Deve-seento calcular: k 12 2 r = ( R j ) 2 3 N (k + 1) Nk ( k + 1) i =1 (2)Se k = 3 e N 10 ou se k = 4 e N 5 ou se k 5, 2 ter distribuio Quiquadrado com (k r 1) graus de liberdade. Rejeita-se a hiptese de que as k amostras foram extradas damesma populao se 2 for maior que o quiquadrado crtico observado com (k 1) graus rde liberdade.3 METODOLOGIAFoi construdo um instrumento de pesquisa annimo. Para elaborao das questespertinentes, contou-se com a colaborao dos funcionrios Instituto PresbiterianoMackenzie, entidade mantenedora da UPM: a Engenheira de Segurana Maria YolandaTrindade Pinheiro e o mdico do trabalho Dr. Aldemir Natucci Rizzo. O instrumento foiaplicado na forma de formulrio, isto , o aluno fazia as perguntas e anotava as respostas.Por envolver pesquisa com seres humanos, o projeto desta pesquisa foi submetido eaprovado pelo Comit de tica em Pesquisa (CEP) da Universidade PresbiterianaMackenzie.Os agentes de segurana e auxiliares educacionais foram avisados previamente por seussuperiores, da realizao desta pesquisa. Foi ento fornecida uma listagem de todos osagentes educacionais e de segurana que trabalham no Campus Itamb. Em um segundo 8
  • 9. Universidade Presbiteriana Mackenziemomento, Aps a manifestao do aceite e autorizao por escrito dos agentes desegurana e auxiliares educacionais, foi realizada a coleta dos dados por meio da aplicaodo formulrio de pesquisa annimo e no obrigatrio para os agentes de segurana eauxiliares educacionais. Tal formulrio foi composto por vinte e uma perguntas.As questes de 1 a 3 caracterizam o respondente quanto ao gnero, faixa etria e funo(auxiliar educacional ou agente de segurana). As questes de 4 a 7 caracterizam orespondente quanto ao tempo que exerce a funo, qual a carga horria semanal noMackenzie, se h outra carga horria semanal resultante de outra ocupao e qual operodo em trabalha na funo.Na questo 8 pede-se ao pesquisado para assinalar quais os elementos que podem trazeralguma insegurana, no espao do Campus Itamb, bem como determinar a rea prxima adeteco destes problemas, caracterizando assim a percepo sobre a acessibilidade esegurana dos mesmos. Desta forma, a questo 8 tratou dos problemas verificados pelosrespondentes no exterior e no contorno dos prdios. As alternativas foram definidas tendocomo base as normas tcnicas e de segurana do trabalho NR 8 (BRASIL, 2001), NR 17(BRASIL, 2007). As normas regulamentadoras (NR) so estabelecidas pelo Ministrio doTrabalho e Emprego e se referem sade e segurana dos trabalhadores.A NR 8, sobre edificaes, considera as condies de circulao como pisos, escadas,passagens, rampas, paredes e coberturas de edifcios. Esta NR [...] estabelece requisitostcnicos mnimos que devem ser observados nas edificaes, para garantir segurana econforto aos que nelas trabalhem. (BRASIL, 2001, p. 1).A NR 17, norma regulamentadora que trata de ergonomia, estabelece no item 17.5 que [...]as condies ambientais de trabalho devem estar adequadas s caractersticaspsicofisiolgicas dos trabalhadores e natureza do trabalho a ser executado. (BRASIL,2007, no paginado).As questes 9 e 10 solicitam ao respondente que quantifiquem o nmero mximo de horasque permanecem em p fora do expediente e esclarecer qual o tipo de atividade que oimpede de se sentar neste tempo.As questes 11, 12 e 13 pedem ao respondente para identificar se atualmente sente algumdesconforto nos membros superiores, coluna ou membros inferiores e no caso dopesquisado no sentir nenhum desconforto solicita-se que o mesmo v para a questo 19.No caso afirmativo pede-se para que o respondente determine h quanto tempo sente estesdesconfortos, quais os desconfortos e suas intensidades. A questo 14 descreve assituaes em que h alguma melhora destes desconfortos. As questes 15 e 16caracterizam a freqncia com que o entrevistado usa algum medicamento ou acessrio 9
  • 10. VII Jornada de Iniciao Cientfica - 2011para aliviar o desconforto. A questo 17 procura avaliar quantos destes que afirmam teralgum desconforto procuraram algum profissional e qual o tipo de profissional procurado(pblico, convnio etc.). Na questo 18 solicita-se ao respondente que diga se j teve algumdistrbio nos membros inferiores, coluna ou inferiores e em caso afirmativo, arguido qual odistrbio e qual o tratamento realizado.A questo 19 pergunta ao funcionrio se ele pratica alguma atividade fsica e em casoafirmativo, solicita-se que determine a frequncia desta atividade. As questes 20 e 21 sodissertativas e respectivamente pergunta qual a sugesto do funcionrio para minimizar odesconforto e solicita um resumo das atividades dirias na funo.A pesquisa foi realizada nos meses de novembro e dezembro de 2010. No foi possvelrealizar a pesquisa com a totalidade dos auxiliares educacionais e agentes de segurana.Alguns funcionrios no foram localizados, pelo pesquisador, no perodo estabelecido paraa execuo da pesquisa. Ressalta-se tambm, que coube ao funcionrio aceitar ou noparticipar da pesquisa, assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido apsconhecimento da Carta de Informao ao Sujeito de Pesquisa. Durante o processo de coletade dados no houve recusas em responder o formulrio, entretanto foi um processo umpouco descontinuado. Algumas vezes o formulrio estava sendo preenchido quando oprofissional em questo era solicitado para a execuo de alguma tarefa, tornando-senecessrio continuar o preenchimento em outro horrio.Segundo Bolfarine e Bussab (2005, p. 14) O propsito da amostra o de fornecerinformaes que permitam descrever os parmetros do universo, da maneira maisadequada possvel. A boa amostra permite a generalizao de seus resultados dentro delimites aceitveis de dvidas. A amostra foi, portanto no probabilstica, mas porindepender do pesquisador poder ser considerada uma amostragem criteriosa. O critriode amostragem foi objetivo uma vez que seu protocolo descritivo foi inequvoco, produzindoamostras com as mesmas propriedades, independente de quem as selecionou(BOLFARINE; BUSSAB, 2005).Depois de realizada a pesquisa, os dados foram tabulados, consolidados sendo entorealizada uma anlise estatstica dos dados por meio de anlise descritiva e construo deintervalos com 95% de confiana (I.C.) para as variveis pertinentes.Nvel descritivo de um teste de hiptese a probabilidade de se obter, luz da hiptesealternativa, estimativas mais desfavorveis ou extremas do que a fornecida pela amostra(MAGALHES; LIMA, 2010). Todos os testes de hiptese foram realizados utilizando-se umnvel de significncia de 5%, sendo tambm calculados seus respectivos nveis descritivos(valor-P). Desta forma foram rejeitadas as hipteses cujos nveis descritivos apresentaram 10
  • 11. Universidade Presbiteriana Mackenzievalores inferiores a 0,05. Para todos os testes de hiptese foram calculados seusrespectivos nveis descritivos, P.A fim de testar se existe independncia entre um par de variveis aleatrias, foi utilizado oteste Quiquadrado de independncia, Quando este no pode ser usado em funo dosdados no satisfazerem as suposies necessrias, foi utilizado o teste Exato de Fisher. Oteste de Friedman foi usado para anlise da questo 13 do instrumento de pesquisa.Os dados foram analisados com a utilizao do programa estatstico Minitab, disponvel noLaboratrio de Simulao de Processos de Produo HSBC do prdio 4 da Escola deEngenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.4. RESULTADOS E DISCUSSOA amostra foi composta de 52 dentre os 68 auxiliares educacionais e agentes de seguranao que representa 76,47% da populao. A validao da amostra foi realizada baseando-sena varivel disponvel, funo exercida, havendo independncia entre as variveis participarda pesquisa e funo exercida (P = 0,355).O grfico 1 apresenta os grficos de setor para as variveis caractersticas do pesquisado,tais como a idade, o gnero, a funo e o perodo de trabalho. Idade Faixa Etr ia Gnero de 2 0 a 2 9 anos Gner o 7 ,7 % 9 ,6 % de 3 0 a 3 9 anos masculino de 4 0 a 4 9 anos feminino 1 5 ,4 % de 5 0 a 5 9 anos 3 0 ,8 % 6 9 ,2 % 6 7 ,3 % Funo Perodo Funo P er odo auxiliar educacional matutino/vesper tino agente de segur ana vesper tino/notur no 3 4 ,6 % 4 4 ,2 % 5 5 ,8 % 6 5 ,4 % Grfico 1 Grficos de setor para as variveis: faixa etria, gnero, funo exercida e perodo de trabalhoVerifica-se que a idade predominante est entre 30 e 39 anos, sendo quase 70% dosfuncionrios do gnero masculino, aproximadamente dois teros exercendo a funo deagente de segurana e pouco mais da metade trabalhando no perodo matutino / vespertino. 11
  • 12. VII Jornada de Iniciao Cientfica - 2011A Tabela 1 apresenta algumas estatsticas descritivas para as variveis: tempo na funo(em anos), carga horria semanal na UPM, carga horria semanal em outras ocupaes enmero de horas em p fora do expediente.Tabela 1 Mdia, desvio padro, coeficiente de variao mnimo e mximo para algumas variveis de interesseVarivel mdia desvio padro coeficiente de variao mnimo mximoTempo na funo 4,37 2,84 64,92 0,2 17Carga horria na UPM 46,36 1,68 3,62 42,25 48Carga horria em outras ocupaes 0,15 1,11 721,11 0 8n de horas em p fora do expediente 2,91 1,98 67,95 1 12Nota-se que o tempo mdio na funo foi de 4,37 anos (I.C. = [3,57; 5,17]) indicando queno h muitos funcionrios recm-contratados. A carga horria dentro da UPM pouco variou(obteve o menor coeficiente de variao, igual a 3,62), uma vez que variou de 42,25 horasat 48 horas, com I.C. = [45,89; 46,83]. A carga horria mdia em outras ocupaes foimuito pequena (igual a 0,15 horas) uma vez que um nico funcionrio possui outraocupao com carga horria semanal igual a 8 horas. Esta situao gerou o maiorcoeficiente de variao (igual a 721,11), retratando a grande heterogeneidade ocorrida. Onmero mdio de horas que o funcionrio fica em p em um dia, fora do expediente da UPMfoi de 2,91 horas (I.C. = [2,36; 3,47]). relevante apontar que houve funcionrio que relatoupassar at 12 horas a mais em p, alm do expediente, valor este pouco provvel de serusual, uma vez que o funcionrio necessita dormir algumas horas diariamente.Foi perguntado aos auxiliares educacionais e agentes de segurana, baseando-se em suaspercepes, se eles notavam algum elemento que dificultasse a movimentao ou quepudesse trazer alguma insegurana no espao do Campus Itamb. As respostas estoapresentadas abaixo nos grficos 2 e 3: 12
  • 13. Universidade Presbiteriana Mackenzie Grfico 2 Grficos de setor para problemas relatadosA ausncia de piso ttil para deficientes visuais foi o problema mais indicado (98,1%),seguido de problemas no piso (material escorregadio, trincas) e desnvel no piso, ambosrelatados em 84,6% das respostas. Vale ressaltar que a pesquisa foi realizada no ano de2010, antes das mudanas de piso realizadas no campus. Iluminao insuficiente esinalizao deficiente tambm foram problemas bastante apontados (respectivamente em40,4% e 34,6% das respostas). 13
  • 14. VII Jornada de Iniciao Cientfica - 2011 Grfico 3 Grficos de setor para outros problemas relatadosPara cada um dos problemas observados, foi pedido que fossem assinalados os prdiosprximos s reas de deteco dos mesmos e no caso deste problema se repetir por todocampus, pedia-se que o espao fosse preenchido com a palavra campus. Como resultadoos prdios mais mencionados foram os prdios 6, 11 e 24, bem como a entrada da RuaPiau. Durante as entrevistas algumas situaes merecem ser mencionadas como, porexemplo: um dos funcionrios mencionou que existem reas de embarque/desembarque nocampus, mas estas so destitudas de uma cobertura. Se estiver chovendo e um cadeirantenecessitar desembarcar, se sua cadeira for eltrica o funcionrio que estiver auxiliando odesembarque corre o risco de levar um choque. Outra meno importante o fato de queestes profissionais presenciaram vrias quedas de alunos, professores, funcionrios evisitantes nas escadas externas, estando ou no chovendo. De acordo com alguns dosauxiliares educacionais e agentes de segurana deveria haver antiderrapante nestasescadas.O formulrio perguntou tambm qual atividade, fora do expediente, que o funcionrio realizaem p. Foi permitido assinalar mais de uma resposta. Os resultados obtidos foram osseguintes: 86,54% afirmaram ficar em p no transporte, 57,69% em funes domsticas,7,69% em atividades de esporte/lazer, 1,92% ficam em p durante o exerccio de outroemprego/atividade e 1,92% durante a execuo de outras atividades. 14
  • 15. Universidade Presbiteriana MackenzieUm dos tpicos principais abordados no instrumento de pesquisa foi no quesito seatualmente o funcionrio sente algum desconforto nos membros superiores, coluna oumembros inferiores e qual a localizao deste desconforto. Trinta e cinco funcionrios dentreos cinqenta e dois pesquisados (67,31%) relataram sentir desconforto ou dor em algumlocal (I.C.p= [0,5455; 0,8006]. O grfico 4 apresenta a proporo de problemas relatados,dentre aqueles que responderam afirmativamente sentir algum desconforto ou dor. Grfico 4 Grfico de setor para o relato de desconforto ou dor nas diversas localizaesTornozelo e ps (55,8%) e pernas (53,8%) foram os locais mais apontados, seguidos porcoluna, ombros e pescoo (todos com 25%) e joelhos (17,3%). Quadril, braos e coxasforam apontados por menos de 10% dos pesquisados que sentiam desconforto ou dor. Nohouve relatos de desconforto ou dor nos cotovelos, antebraos, punho e mos. Os dadosindicam que os problemas esto relacionados com a posio em p de trabalho. O nmeromdio de queixas foi igual a 2,12 (I.C. = [1,53; 2,89]), apontando que tal nmero devesuperar uma queixa. O valor mximo encontrado foi de dez locais diferentes nos quais ofuncionrio sentia desconforto ou dor.Com relao varivel tempo com desconfortos/dores, as respostas obtidas foram que40,0% dos entrevistados no sabem dizer a quanto tempo tem estes desconfortos/dores,14,29% relatam ter tais sintomas h no mximo um ms, 17,14% os tem de 1 a 3 meses,20% entre 3 e 6 meses e 8,57% acima de 6 meses.Ainda com relao aos desconfortos e dor, o grfico 5 apresenta a intensidade sentida nosvrios tipos de desconforto ou dor e o grfico 6 mostra os intervalos com 95% de confiana 15
  • 16. VII Jornada de Iniciao Cientfica - 2011para a intensidade dos desconfortos e dor. Vale ressaltar que 0 corresponde a no sinto, 1a muito leve, 2 a leve, 3 a moderado, 4 a forte e 5 a muito forte. Grfico 5 Grfico de setor para a intensidade dos vrios desconfortos e dores relatadas Grfico 6 intensidade desconforto/dor com usando intervalo com 95% de confianaNota-se que cansao e dor alcanaram na escala um valor mdio que quase corresponde intensidade moderada. No houve desconforto ou dor que em mdia alcanasse a escala deforte ou muito forte, porm individualmente, cansao, estalos, dor, formigamento ou 16
  • 17. Universidade Presbiteriana Mackenzieadormecimento, peso e limitao de movimento alcanaram as escalas de forte ou muitoforte.Foi realizado o teste no paramtrico de Friedman a fim de testar se as intensidades mdiasatribudas aos vrios desconfortos e dor foram iguais. Tal hiptese foi rejeitada (P = 0,000),tendo cansao e dor obtidos as maiores soma dos postos Rj, respectivamente iguais a 296,5e 287,0, enquanto choques, limitao de movimento, perda de fora e outros alcanaram asmenores somas de postos Rj, respectivamente iguais a 130,0, 128,5, 122,5 e 121,5.Quando solicitados que respondessem quando havia melhora no desconforto ou dor comoresultado tem-se que 88,57% responderam que h melhora com repouso durante a noite,45,71% responderam que a melhora proveniente do repouso em fins de semana, 11,43%com repouso nas frias e 8,57% com repouso durante o revezamento em outras tarefas. Orespondente podia escolher mais de uma alternativa. Salienta-se a importncia do descanso noite e nos finais de semana.Quanto ao uso de remdio, emplastros ou compressas, dentre os que sentem algumdesconforto e dor, 62,86% nunca os utilizam, 5,71% os utilizam raramente, 11,43% osutilizam s vezes e 20% os utilizam quase sempre. Ressalta-se que a opo sempreutilizo no foi escolhida por nenhum auxiliar educacional ou agente de segurana. Dos 13funcionrios (25%) que alegaram usar medicamento, a totalidade informou que este foiprescrito por um mdico.Quanto ao uso de algum acessrio (meia elstica, palmilha etc.) para tentar aliviar odesconforto, 48,57% nunca o utiliza, 8,57% o utiliza raramente, 20,00% o utiliza s vezes,8,57% o utiliza quase sempre e 14,29% sempre o utiliza, mostrando que praticamente ametade dos que sentem desconforto ou dor no se utilizam de acessrios para melhora deseu estado.Quanto aos que procuraram algum servio mdico para resolver o desconforto 93,30%utilizaram algum plano de sade/convnio, 13,33% procuraram servios particulares, 6,67%procuraram o servio pblico de sade e 6,67% se dirigiram ao servio mdico doMackenzie. Outra vez era permitido marcar mais de uma alternativa.Somente os 35 funcionrios que sentem algum desconforto/dor responderam questo sefizeram algum tratamento devido a distrbios nos membros superiores, inferiores ou coluna,e destes, apenas quatro (11,43%) responderam afirmativamente a esta questo. Osdistrbios citados foram: deslocamento do joelho, hrnia de disco, rompimento do tendo,artrose e tendinite no joelho. Entre os quatro funcionrios que relataram j ter tido taisdistrbios, a totalidade utilizou medicamentos, fisioterapias e acupuntura, sendo que trsdeles (75,00%) utilizaram outros recursos: dois procedimentos cirrgicos e um RPG. 17
  • 18. VII Jornada de Iniciao Cientfica - 2011Com relao a pratica de atividade fsica 61,54% dos entrevistados disseram no praticaratividade fsica, 26,92% vo academia e 11,54% jogam futebol. Entre os que tm algumaatividade fsica, as frequncias relatadas da referida atividade foram as seguintes: 30,00%uma vez por semana, 20,00% duas vezes por semana, 40,00% trs vezes por semana e10,00% relataram fazer atividades fsicas com outras frequncias.Com relao s sugestes para minimizar os desconfortos/dores, algumas das principaisrespostas obtidas foram: reduo da carga horria semanal, utilizar compressas de gua,leo de massagem, descansar um pouco, manter os ps para cima durante um curtointervalo de tempo, fazer alguns alongamentos, descansar durante a noite ou fins desemana, permanecer algum tempo sentado e fazer revezamentos entre os setores.O relato das atividades desempenhadas em um dia normal de trabalho pouco variou, tantopara auxiliares educacionais quanto para agentes de segurana e pode ser resumido como:atuao na segurana patrimonial, auxlio na locomoo de pessoas e veculos dentro docampus e orientar, bem como zelar, pelo bem estar de alunos, visitantes, professores etc.A seguir foram realizados alguns teste de hiptese com a finalidade de testar se haviaindependncia entre pares de variveis aleatrias pertinentes. Por motivo de espao, serorelatados apenas os testes que resultaram em dependncia estatstica, utilizando-se umnvel de significncia de 5%.Para poder se realizar o teste de independncia envolvendo a varivel faixa etria, asclasses foram agrupadas em dois nveis, a saber: menos de 40 anos e 40 anos ou mais. Foiento utilizado o teste exato de Fisher. Houve dependncia entre percepo de problemasrelacionados a puxadores de portas inadequados (tipo/altura) (P = 0,010) e outrosproblemas detectados (P = 0,034), sendo que nos dois casos os mais velhos detectaramproporcionalmente mais os problemas mencionados. Cabe realar que nenhum tipo dedesconforto ou dor foi dependente da varivel faixa etria.Quanto ao gnero, houve dependncia entre esta varivel e percepo de problemas comrespeito iluminao insuficiente (P = 0,007) com funcionrios do gnero masculinodetectando proporcionalmente mais tal problema. Esta dependncia pode ser devido a umavarivel de confundimento que o perodo de trabalho uma vez que h proporcionalmentemais funcionrios do gnero masculino no perodo vespertino / noturno (P = 0,017).A varivel gnero foi dependente de algumas variveis utilizando-se um nvel designificncia de 10% e no de 5%. Como a amostra pequena, um aumento do tamanhoda amostra em trabalhos futuros pode levar a confirmao de dependncia entre asvariveis aleatrias gnero e outros problemas detectados no campus (P = 0,081), comfuncionrias do gnero feminino detectando proporcionalmente mais outros problemas, em 18
  • 19. Universidade Presbiteriana Mackenzieacordo com resultados do trabalho de Mackpesquisa Acessibilidade e seguranaocupacional nos edifcios da Escola de Engenharia da Universidade PresbiterianaMackenzie: estudo de caso e proposta de projeto piloto, no qual alunas, professoras efuncionrias tambm detectaram proporcionalmente mais vrios problemas quandocomparado aos respondentes do gnero masculino. Tambm em relao a outro local paradesconforto ou dor, o gnero feminino assinalou esta opo proporcionalmente mais (P =0,090).Tambm somente ao nvel de significncia de 10% houve dependncia entre gnero e sentirpeso (moderadamente ou mais), sendo o nvel descritivo P igual a 0,061, com asfuncionrias relatando proporcionalmente mais tal desconforto.A varivel funo exercida foi dependente de sentir estalos, moderadamente ou mais, (P =0,044) e de sentir peso, moderadamente ou mais, (P = 0,014), com em ambos os casos,auxiliares de ensino sentindo proporcionalmente mais o desconforto. Nem sempredependncia estatstica implica em causa e efeito, sendo neste caso, difcil a interpretaodos resultados. Novas pesquisas podero esclarecer se estas relaes foram fortuitas ouno.Quanto varivel perodo (matutino/vespertino ou vespertino/noturno), esta no foiindependente das variveis: ausncia de instalaes (outras) adaptadas aos deficientesfsicos (rampas, telefones etc.), com valor-P igual a 0,036; iluminao insuficiente (P =0,000), sinalizao deficiente (P = 0,000), Em todos os casos, funcionrios do perodovespertino/noturno detectaram proporcionalmente mais tais problemas. Os problemas deiluminao insuficiente e sinalizao deficiente ficam mais evidentes quando escurece, fatoque deve ter contribudo para tal dependncia estatstica.Somente ao nvel de significncia de 10%, houve dependncia entre as variveis corrimo(falta ou inadequao) e puxadores de portas inadequados (tipo/altura), ambos com valor-Pigual a 0,080, tendo proporcionalmente mais deteco destes problemas entre osfuncionrios do perodo vespertino/noturno. Novas pesquisas com maior tamanho deamostra podem confirmar tais resultados.Ainda analisando a varivel perodo, esta no foi independente das variveis: sentircansao, moderadamente ou mais (P = 0,024) e sentir dor, moderadamente ou mais (P =0,024). Em ambos os casos, funcionrios do perodo vespertino/noturno relataramproporcionalmente mais tais alternativas.CONCLUSESOs problemas no campus mais detectados pelos auxiliares de ensino e agentes desegurana foram relativos ao piso como ausncia de piso ttil para deficientes visuais, 19
  • 20. VII Jornada de Iniciao Cientfica - 2011problemas no piso (material escorregadio, trincas) e desnvel no piso, seguidos poriluminao insuficiente e sinalizao deficiente, estes ltimos detectados proporcionalmentemais por funcionrios do perodo vespertino/noturno.As atividades que exigem postura em p, fora do expediente, mais relatadas foram notransporte e nas funes domsticas.Quanto a sentir desconforto ou dor nos membros superiores, coluna ou membros inferiores,quase 70% dos funcionrios responderam tal questo afirmativamente, sendo talporcentagem bastante expressiva. Os tornozelos, ps e pernas foram os locais maisapontados, em acordo com a funo exercida que sobrecarrega os membros inferiores.Menos de 15% relatam sentir este desconforto/dor a menos de um ms, indicando que assolues no so encontradas rapidamente.Cansao e dor foram os sintomas de maiores intensidades, correspondendoaproximadamente intensidade moderada. Os desconfortos/dores melhoram em suamaioria com repouso a noite, sendo o repouso de fim de semana tambm importante paraminimizar tais sintomas.Quase 63% dos que sentem algum desconforto e dor alegaram nunca usar remdios,emplastros ou compressas. J acessrios como meia elstica e palmilha so usados porpouco mais das metade dos funcionrios que sentem algum desconforto/dor.O plano de sade ou convnio o servio procurado por quase a totalidade dos funcionriosque relatam sentir algum desconforto/dor sendo que menos de 7% dos funcionrios se dirigeao servio mdico do Mackenzie, o que dificulta o diagnstico pela instituio, da existnciade funcionrios com tais desconfortos.Outro dado relevante que aproximadamente 60% dos funcionrios no fazem atividadefsica.Novas medidas j esto sendo tomadas para melhorar a qualidade de vida dos auxiliares deensino e agentes de segurana, como o uso de banquinhos. Espera-se que esta pesquisapossa contribuir para tomadas de decises que beneficiem tais funcionrios.Medidas de substituio do piso j foram tomadas. Espera-se que o conhecimento dapercepo a respeito da questo da acessibilidade na rea externa dentro do Campustambm possa auxiliar s tomadas de deciso para melhoria de acessibilidade no CampusItamb. 20
  • 21. Universidade Presbiteriana MackenzieAGRADECIMENTOSOs autores agradecem a colaborao da engenheira de segurana Maria Yolanda TrindadePinheiro, do mdico do trabalho Dr. Aldemir Natucci Rizzo, do gerente administrativo Sr.Marco Antonio Cardoso do Nascimento, de Lus Verssimo de Souza Neto, de Antonio deLima Alves e de Giane Alves, funcionrios do Instituto Presbiteriano Mackenzie, entidademantenedora da Universidade Presbiteriana Mackenzie.REFERNCIASBERNARDI, N. A aplicao do conceito do desenho universal no ensino de arquitetura: ouso de mapa ttil como leitura de projeto. Tese (Doutorado em Engenharia Civil)-Faculdadede Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Universidade Estadual deCampinas, Campinas, 2007. Disponvel em. Acesso em: 09 fev. 2011.BOLFARINE, H.; BUSSAB, W. O. Elementos de amostragem. ABE-Projeto Fisher, SoPaulo: Edgard Blcher, 2005.BRASIL. Ministrio do Trabalho e Emprego. Nota Tcnica 060 / 2001 Ergonomia indicao de postura a ser adotada na concepo de postos de trabalho. Braslia: MTE,2001. Disponvel em: .Acesso em: 15 out. 2009.BRASIL. Ministrio do Trabalho e Emprego. NR 4 Servios Especializados em Engenhariae Segurana e em Medicina do Trabalho. Braslia: MTE, 2008. Disponvel em:. Acesso em: 16out. 2009.BRASIL. Ministrio do Trabalho e Emprego. NR 8. - Edificaes. Braslia: MTE, 2001.Disponvel em: .Acesso em: 18 abr. 2010.BRASIL. Ministrio do Trabalho e Emprego. NR 17. Ergonomia. Braslia: MTE, 2007.Disponvel em: .Acesso em: 18 abr. 2010.CAMBIAGHI, S. Desenho Universal. Mtodos e tcnicas para arquitetos e urbanistas. SoPaulo: Senac, So Paulo, 2007. 21
  • 22. VII Jornada de Iniciao Cientfica - 2011CAMPOS, I. Design Universal na Arquitetura. [200-?]. Disponvel em:. Acesso em: 20 fev.2011.CONSELHO FEDERAL DE ENGENHARIA, ARQUITETURA E AGRONOMIA. Resoluo N359, de 31 de Julho de 1991. Braslia, 2004. Disponvel em:. Acesso em: 16 out. 2009.COSTA NETO, P. L. O. Estatstica. 2 ed. So Paulo, Edgard Blcher, 2002.DUL, J.; WEERDMEESTER, B. Ergonomia Prtica. So Paulo: Edgard Bltcher, 2000.FORA SINDICAL A Fora Sindical e a Segurana e Sade do Trabalhador. Sade emDebate, Rio de Janeiro, v. 26, n. 62, p. 290-373, set./dez. 2002.IIDA, I. Ergonomia Projeto e Produo. 2. ed. rev. So Paulo: Edgard Bltcher, 2005.INTERNATIONAL ERGONOMICS ASSOCIATION What is Ergonomics. Hsinchu, 2008.Disponvel em . Acesso em:17 out. 2009.LANVERLY, L. C. S. Acessibilidade em espaos pblicos: o caso do centro de Macei.Dissertao (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo)Faculdade de Arquitetura e Urbanismoda Universidade Presbiteriana Mackenzie, So Paulo, 2010. Disponvel em . Acesso em: 09fev. 2011.LOPES, M. E. Metodologia de anlise e implantao de acessibilidade para pessoas commobilidade reduzida e dificuldade de comunicao. 2005. Tese (Doutorado em Arquitetura eUrbanismo)Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de So Paulo, SoPaulo, 2005.MAGALHES, M. N.; LIMA, A. C. P. Noes de Probabilidade e Estatstica. 7 ed. So Paulo:Edusp, 2010.MENDES, R. O impacto dos efeitos da ocupao sobre a sade de trabalhadores. I -Morbidade. Revista de. Sade Pblica, So Paulo, v. 22, p. 311-26, 1988.RAMOS, P. R. B. Portador de deficincia: direito de acesso aos espaos culturais eartsticos. Braslia, [1998?]. Disponvel em. Acesso em: 17out. 2009.ROCHA, J.C. Modelo de gesto para programas de ergonomia industrial. 2002. Dissertao(Mestrado em Cincia no curso de Engenharia Aeronutica e Mecnica na rea de 22
  • 23. Universidade Presbiteriana MackenzieProduo)Instituto Tecnolgico de Aeronutica, So Jos dos Campos, 2002. Disponvelem . Acesso em: 09 fev.2011.SIEGEL; S.; CASTELLAN JR., N. J. Estatstica no-paramtrica para cincias docomportamento. Mtodos de Pesquisa. 2 ed. Porto Alegre: Bookman, 2008.Contato: [email protected] e [email protected] 23