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Financiamento Das MPE

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financiamento na pequena empresa

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1 INTRODUOJos Mauro de Morais*PROGRAMAS ESPECIAIS DE CRDITO PARA MICRO, PEQUENAS E MDIAS EMPRESAS: BNDES, PROGER E FUNDOS CONSTITUCIONAIS DE FINANCIAMENTOCAPTULO 10* Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada (Ipea). O autor agradece o apoio estatstico de Geovane de Oliveira, Leonardo Aguirre, Aurlio de Arajo e Nayara Lopes.Este captulo analisa os principais programas de apoio fnanceiro a empresas de pequenoportenoBrasil,implementadospeloBancoNacionaldeDesenvolvi-mento Econmico e Social (BNDES), pelo Programa de Gerao de Emprego e Renda (Proger), e pelos Fundos Constitucionais de Financiamento. A anlise tem como objetivos levantar os montantes de fnanciamentos que essas instituies direcionam s micro e pequenas empresas (MPEs) e s mdias empresas indus-triais,comerciaisedeservios,assimcomoavaliarascondiesparaoacesso das frmas s linhas de crdito, como as taxas de juros, os limites de porte de em-presas, o pblico-alvo, as garantias exigidas, entre outras condies e benefcios previstos nas normas dos programas de fnanciamento. Dada a importncia dos sistemas institucionais de crdito para o incentivo pes-quisa e inovao tecnolgica nas empresas, o estudo procurou ainda avaliar se as diretrizes que orientam as aplicaes de crdito nas instituies citadas prev-em a oferta de fnanciamentos para a inovao tecnolgica nas frmas de peque-no porte, bem como os montantes de crdito que aplicam nessa modalidade. No Brasil, a adoo da modalidade de crdito direcionado para apoio s empre-sas de pequeno porte iniciou-se, em 1965, com a criao, no BNDES, do Progra-ma de Financiamento Pequena e Mdia Empresa (Fipeme) uma linha de crdito que tinha como objetivo facilitar a aquisio de mquinas e equipamentos pelas empresas de pequeno porte, e, ao mesmo tempo, incentivar o desenvolvimento do parque nacional produtor de bens de capital (Barros e Modenesi, 1973). Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil390Apartirdessainiciativa,diversosprogramasdecrditodirecionadoforamins-titudos ao longo do tempo, alguns deles dispondo de fundos de aval para a co-bertura de parte das garantias reais exigidas das empresas nos emprstimos, como forma de facilitar a aprovao dos pedidos de crdito. Por utilizar recursos de origem fscal, os programas especiais oferecem condies de prazo para fnanciamentos de investimentos que podem chegar a 20 anos, e emprstimos para capital de giro com prazos mais longos que os disponveis no mercado de crdito livre, alm de apli-carem taxas de juros relativamente baixas se comparadas s adotadas no mercado fnanceiro nacional.AsfalhasnomercadodecrditoprivadonoBrasil(Morais,2006a)realama necessidadedeaprofundar-seoconhecimentodecomovmsendoutilizados osrecursosdosprogramasespeciaisnoapoioaossegmentosempresariaisde menor porte, alm da discusso de aes para o seu aprimoramento. Esse tipo de avaliao ainda mais necessrio em razo da reduo recente dos recursos exce-dentes do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que irrigam o crdito para as empresas de pequeno porte no Proger. Os dados e as informaes utilizados na anlise dos programas foram levantados junto ao BNDES, ao Ministrio do Tra-balho e Emprego (MTE/FAT), e ao Ministrio da Integrao Nacional (MI). O trabalho apresenta, na seo 2, os critrios de porte de empresas utilizados para o enquadramento das empresas nos programas de crdito. Na seo 3, realizada uma apreciao geral dos recursos de crdito direcionado utilizados no Brasil, no contexto do sistema fnanceiro, alm de uma breve descrio dos principais pro-gramas de crdito implementados nas ltimas cinco dcadas. Nas sees 4, 5 e 6 so analisados os programas de crdito, e na seo 7 so apresentados o sumrio das anlises e os comentrios fnais.2 CONCEITOS DE MICRO, PEQUENA E MDIA EMPRESAParaa avaliao do potencial econmico e da capacidade geradora de empregos e de renda das empresas de pequeno porte, assim como para o levantamento de informaesquepermitammensuraraparticipaodosegmentonosvolumes de crdito aplicados nas atividades produtivas seja com recursos fnanceiros de origem governamental, seja com recursos de origem privada , importante dis-por de critrios uniformes de classifcao ou de defnio de porte de empresa (microempresa, pequena, mdia e grande empresa). No obstante sejam utilizados vrios critrios com esses fns no Brasil, ainda no se dispe de um conceito nico que seja consensualmente utilizado pelas instituies bancrias e pelos programas governamentais de crdito, para a classifcao das empresas segundo o tamanho. Aadoodeumcritrionicopermitiriaavaliarosvolumesdecrditoqueos mercados fnanceiros disponibilizam s pequenas empresas, comparado com a sua capacidadeprodutivanaeconomia,bemcomomediesmaisprecisassobrea Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil391sua contribuio na gerao de riqueza do Pas. Para exemplifcar, o instituto of-cial de estatsticas econmicas e sociais, o IBGE, ainda nodispe, em sua base de informaes estatsticas, de indicador referente participao das empresas de pequeno porte no Produto Interno Bruto (PIB), que representa uma informao econmica das mais relevantes.OsvrioscritriosdeporteadotadosnoBrasil utilizam duasvarveis principais para a classifcao de frmas por tamanho:onmerodepessoasocupadasea receita anual. A primeira varivel tem sido geralmente utilizada em pesquisas e em levantamentos estatsticos estruturais destinados avaliao da participao das pequenas e mdias empresas na produo setorial de bens e servios, na gerao de empregos, na participao na massa de salrios e rendimentos, nas exportaes, entre outros indicadores econmicos e sociais bsicos1.A segundo varivel de classifcao a receita anual das empresas adotada com dois objetivos principais: (i) na fxao das condies de enquadramento de MPEs em programas de tributao simplifcada do governo federal e dos estados (Sistemas Simplesdearrecadaodeimpostos);e(ii)naclassifcaodasempresasparao acesso a programas de crdito direcionado governamentais e a linhas regulares de crdito de bancos pblicos e privados.A Tabela 1 apresenta os principais limites de receita anual adotados no Brasil, a saber: no Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte2, naslinhasdecrditodoBNDES,emprogramasefundosgovernamentaisde crdito e em bancos privados, nesse ltimo caso representando alguns exemplos levantados juntos a grandes bancos (Morais, 2005).Fontes: Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, e normas para emprstimos dos fundos e programas de crdito e de bancos privados.TABELA 1Conceitos de portes de empresa em programas de crdito governamentais e em bancos privadosPrograma / bancoPorte de empresa (valor da receita anual em R$)MicroPequenaMdiaGrandeEstatuto da Microempresa eda Empresa de Pequeno Porte 240 mil240 mil a 2,4 milhes BNDES1,2 milho1,2 milho a 10,5 milhes 10,5 milhes a 60 milhes acima de 60 milhesFundos Constitucionaisde Financiamento240 mil240 mil a 2,4 milhes 2,4 milhes a 35 milhes acima de 35 milhesProger120 mil5 milhes 500 mil a at 5 milhes b at 10 milhes c at 15 milhes a - at 80 milhes b - at 150 milhes c - at 180 milhes a partir dos valores da coluna anterior Bancos pblicos e privados(limites de receita mais utilizados)1 Como fontes principais de dados para esse tipo de levantamento encontram-se as pesquisas estatsticas setoriais do IBGE, os registros anuais do MTE sobre o nmero de trabalhadores nas empresas contidos na Relao Anual de Informaes Sociais (Rais), e os levantamentos das exportaes, por porte de empresas, da Fundao Centro de Estudos do Comrcio Exterior (Funcex) para o Servio Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).2 Lei Complementar n 123/2006. Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil3922.1 Emprego Gerado pelas Micro, Pequenas e Mdias Empresas Em2005,encontravam-seematividade5,6milhesdeempresasdetodosos portes na economia urbana brasileira, das quais 99,5% podem ser consideradas frmas de pequeno porte (at 99 pessoas ocupadas), que empregavam 59,4% do total de 31,8 milhes de empregos gerados nas empresas formais (Tabela 2). As frmas consideradas grandes, isto , aquelas com mais de 500 empregados, man-tinham 26,8% dos empregos. TABELA 2Emprego nas empresas formais, por faixas de pessoal ocupado()Fonte: Cadastro Central de Empresas Cempre / IBGE. 1Exclusiveasempresasdosetoragropecurioeosrgosdasadministraespblicasfederais,estaduaise municipais.Faixa de pessoalocupado EmpresasPessoal ocupadoN%N% De 1 a 95.185.44692,410.168.72731,9 De 10 a 49368.0276,66.642.26420,9 De 50 a 9930.7000,52.101.5096,6 De 100 a 24915.9890,32.426.5587,6 De 250 a 4995.6380,11.958.6116,2 De 500 e mais4.9890,18.548.55526,8 Total5.610.789100,031.846.224100,0 A Tabela 3 mostra a distribuio dos empregos em quatro grandes setores in-dstria,construo,comrcioeservios,segundofaixasdepessoalquerepre-sentam os segmentos micro, pequenas, mdias e grandes empresas. O setor com maior gerao de empregos o de servios, que emprega 42,3% do total de 31,8 milhesdeocupaes,ouseja,13,48milhesdepessoas.Emsegundolugar encontram-seasfrmascomerciais,com28,9%,ou9,2milhesdeempregos; em terceiro esto as frmas industriais, que empregam o correspondente a 24,1% dototal,representando7,67milhesdetrabalhadores.Asmicroempresaseas pequenasempresasempregammaiorcontingente detrabalhadoresnossetores de comrcio (83,5% do total do setor) e de servios (52,8%).Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil393TABELA 3Emprego na indstria, construo, comrcio e servios, por faixas de pessoal ocupadoIndstriaConstruoComrcioServios % 1.060.268 2.328.505 1.479.619 2.808.489 7.676.881 13,8 30,3 19,3 36,6 100,0 247.424 460.473 374.355 391.020 1.473.272 16,8 31,3 25,4 26,5 100,05.110.150 2.583.047 573.522 948.047 9.214.766 55,5 28,0 6,2 10,3 100,0 3.750.885 3.371.748 1.957.673 4.400.999 13.481.30527,8 25,0 14,5 32,6 100,0 Faixa depessoalocupadoPessoalocupado% Pessoalocupado% Pessoalocupado% Pessoalocupado De 1 a 9 De 10 a 99 De 100 a 499 De 500 a mais Total 3VISO GERAL DO CRDITO DIRECIONADOO mercado de crdito no Brasil constitudo por dois grandes

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