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Financiamento Das MPE

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financiamento na pequena empresa

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1 INTRODUOJos Mauro de Morais*PROGRAMAS ESPECIAIS DE CRDITO PARA MICRO, PEQUENAS E MDIAS EMPRESAS: BNDES, PROGER E FUNDOS CONSTITUCIONAIS DE FINANCIAMENTOCAPTULO 10* Pesquisador do Instituto de Pesquisa Econmica Aplicada (Ipea). O autor agradece o apoio estatstico de Geovane de Oliveira, Leonardo Aguirre, Aurlio de Arajo e Nayara Lopes.Este captulo analisa os principais programas de apoio fnanceiro a empresas de pequenoportenoBrasil,implementadospeloBancoNacionaldeDesenvolvi-mento Econmico e Social (BNDES), pelo Programa de Gerao de Emprego e Renda (Proger), e pelos Fundos Constitucionais de Financiamento. A anlise tem como objetivos levantar os montantes de fnanciamentos que essas instituies direcionam s micro e pequenas empresas (MPEs) e s mdias empresas indus-triais,comerciaisedeservios,assimcomoavaliarascondiesparaoacesso das frmas s linhas de crdito, como as taxas de juros, os limites de porte de em-presas, o pblico-alvo, as garantias exigidas, entre outras condies e benefcios previstos nas normas dos programas de fnanciamento. Dada a importncia dos sistemas institucionais de crdito para o incentivo pes-quisa e inovao tecnolgica nas empresas, o estudo procurou ainda avaliar se as diretrizes que orientam as aplicaes de crdito nas instituies citadas prev-em a oferta de fnanciamentos para a inovao tecnolgica nas frmas de peque-no porte, bem como os montantes de crdito que aplicam nessa modalidade. No Brasil, a adoo da modalidade de crdito direcionado para apoio s empre-sas de pequeno porte iniciou-se, em 1965, com a criao, no BNDES, do Progra-ma de Financiamento Pequena e Mdia Empresa (Fipeme) uma linha de crdito que tinha como objetivo facilitar a aquisio de mquinas e equipamentos pelas empresas de pequeno porte, e, ao mesmo tempo, incentivar o desenvolvimento do parque nacional produtor de bens de capital (Barros e Modenesi, 1973). Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil390Apartirdessainiciativa,diversosprogramasdecrditodirecionadoforamins-titudos ao longo do tempo, alguns deles dispondo de fundos de aval para a co-bertura de parte das garantias reais exigidas das empresas nos emprstimos, como forma de facilitar a aprovao dos pedidos de crdito. Por utilizar recursos de origem fscal, os programas especiais oferecem condies de prazo para fnanciamentos de investimentos que podem chegar a 20 anos, e emprstimos para capital de giro com prazos mais longos que os disponveis no mercado de crdito livre, alm de apli-carem taxas de juros relativamente baixas se comparadas s adotadas no mercado fnanceiro nacional.AsfalhasnomercadodecrditoprivadonoBrasil(Morais,2006a)realama necessidadedeaprofundar-seoconhecimentodecomovmsendoutilizados osrecursosdosprogramasespeciaisnoapoioaossegmentosempresariaisde menor porte, alm da discusso de aes para o seu aprimoramento. Esse tipo de avaliao ainda mais necessrio em razo da reduo recente dos recursos exce-dentes do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que irrigam o crdito para as empresas de pequeno porte no Proger. Os dados e as informaes utilizados na anlise dos programas foram levantados junto ao BNDES, ao Ministrio do Tra-balho e Emprego (MTE/FAT), e ao Ministrio da Integrao Nacional (MI). O trabalho apresenta, na seo 2, os critrios de porte de empresas utilizados para o enquadramento das empresas nos programas de crdito. Na seo 3, realizada uma apreciao geral dos recursos de crdito direcionado utilizados no Brasil, no contexto do sistema fnanceiro, alm de uma breve descrio dos principais pro-gramas de crdito implementados nas ltimas cinco dcadas. Nas sees 4, 5 e 6 so analisados os programas de crdito, e na seo 7 so apresentados o sumrio das anlises e os comentrios fnais.2 CONCEITOS DE MICRO, PEQUENA E MDIA EMPRESAParaa avaliao do potencial econmico e da capacidade geradora de empregos e de renda das empresas de pequeno porte, assim como para o levantamento de informaesquepermitammensuraraparticipaodosegmentonosvolumes de crdito aplicados nas atividades produtivas seja com recursos fnanceiros de origem governamental, seja com recursos de origem privada , importante dis-por de critrios uniformes de classifcao ou de defnio de porte de empresa (microempresa, pequena, mdia e grande empresa). No obstante sejam utilizados vrios critrios com esses fns no Brasil, ainda no se dispe de um conceito nico que seja consensualmente utilizado pelas instituies bancrias e pelos programas governamentais de crdito, para a classifcao das empresas segundo o tamanho. Aadoodeumcritrionicopermitiriaavaliarosvolumesdecrditoqueos mercados fnanceiros disponibilizam s pequenas empresas, comparado com a sua capacidadeprodutivanaeconomia,bemcomomediesmaisprecisassobrea Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil391sua contribuio na gerao de riqueza do Pas. Para exemplifcar, o instituto of-cial de estatsticas econmicas e sociais, o IBGE, ainda nodispe, em sua base de informaes estatsticas, de indicador referente participao das empresas de pequeno porte no Produto Interno Bruto (PIB), que representa uma informao econmica das mais relevantes.OsvrioscritriosdeporteadotadosnoBrasil utilizam duasvarveis principais para a classifcao de frmas por tamanho:onmerodepessoasocupadasea receita anual. A primeira varivel tem sido geralmente utilizada em pesquisas e em levantamentos estatsticos estruturais destinados avaliao da participao das pequenas e mdias empresas na produo setorial de bens e servios, na gerao de empregos, na participao na massa de salrios e rendimentos, nas exportaes, entre outros indicadores econmicos e sociais bsicos1.A segundo varivel de classifcao a receita anual das empresas adotada com dois objetivos principais: (i) na fxao das condies de enquadramento de MPEs em programas de tributao simplifcada do governo federal e dos estados (Sistemas Simplesdearrecadaodeimpostos);e(ii)naclassifcaodasempresasparao acesso a programas de crdito direcionado governamentais e a linhas regulares de crdito de bancos pblicos e privados.A Tabela 1 apresenta os principais limites de receita anual adotados no Brasil, a saber: no Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte2, naslinhasdecrditodoBNDES,emprogramasefundosgovernamentaisde crdito e em bancos privados, nesse ltimo caso representando alguns exemplos levantados juntos a grandes bancos (Morais, 2005).Fontes: Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, e normas para emprstimos dos fundos e programas de crdito e de bancos privados.TABELA 1Conceitos de portes de empresa em programas de crdito governamentais e em bancos privadosPrograma / bancoPorte de empresa (valor da receita anual em R$)MicroPequenaMdiaGrandeEstatuto da Microempresa eda Empresa de Pequeno Porte 240 mil240 mil a 2,4 milhes BNDES1,2 milho1,2 milho a 10,5 milhes 10,5 milhes a 60 milhes acima de 60 milhesFundos Constitucionaisde Financiamento240 mil240 mil a 2,4 milhes 2,4 milhes a 35 milhes acima de 35 milhesProger120 mil5 milhes 500 mil a at 5 milhes b at 10 milhes c at 15 milhes a - at 80 milhes b - at 150 milhes c - at 180 milhes a partir dos valores da coluna anterior Bancos pblicos e privados(limites de receita mais utilizados)1 Como fontes principais de dados para esse tipo de levantamento encontram-se as pesquisas estatsticas setoriais do IBGE, os registros anuais do MTE sobre o nmero de trabalhadores nas empresas contidos na Relao Anual de Informaes Sociais (Rais), e os levantamentos das exportaes, por porte de empresas, da Fundao Centro de Estudos do Comrcio Exterior (Funcex) para o Servio Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).2 Lei Complementar n 123/2006. Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil3922.1 Emprego Gerado pelas Micro, Pequenas e Mdias Empresas Em2005,encontravam-seematividade5,6milhesdeempresasdetodosos portes na economia urbana brasileira, das quais 99,5% podem ser consideradas frmas de pequeno porte (at 99 pessoas ocupadas), que empregavam 59,4% do total de 31,8 milhes de empregos gerados nas empresas formais (Tabela 2). As frmas consideradas grandes, isto , aquelas com mais de 500 empregados, man-tinham 26,8% dos empregos. TABELA 2Emprego nas empresas formais, por faixas de pessoal ocupado()Fonte: Cadastro Central de Empresas Cempre / IBGE. 1Exclusiveasempresasdosetoragropecurioeosrgosdasadministraespblicasfederais,estaduaise municipais.Faixa de pessoalocupado EmpresasPessoal ocupadoN%N% De 1 a 95.185.44692,410.168.72731,9 De 10 a 49368.0276,66.642.26420,9 De 50 a 9930.7000,52.101.5096,6 De 100 a 24915.9890,32.426.5587,6 De 250 a 4995.6380,11.958.6116,2 De 500 e mais4.9890,18.548.55526,8 Total5.610.789100,031.846.224100,0 A Tabela 3 mostra a distribuio dos empregos em quatro grandes setores in-dstria,construo,comrcioeservios,segundofaixasdepessoalquerepre-sentam os segmentos micro, pequenas, mdias e grandes empresas. O setor com maior gerao de empregos o de servios, que emprega 42,3% do total de 31,8 milhesdeocupaes,ouseja,13,48milhesdepessoas.Emsegundolugar encontram-seasfrmascomerciais,com28,9%,ou9,2milhesdeempregos; em terceiro esto as frmas industriais, que empregam o correspondente a 24,1% dototal,representando7,67milhesdetrabalhadores.Asmicroempresaseas pequenasempresasempregammaiorcontingente detrabalhadoresnossetores de comrcio (83,5% do total do setor) e de servios (52,8%).Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil393TABELA 3Emprego na indstria, construo, comrcio e servios, por faixas de pessoal ocupadoIndstriaConstruoComrcioServios % 1.060.268 2.328.505 1.479.619 2.808.489 7.676.881 13,8 30,3 19,3 36,6 100,0 247.424 460.473 374.355 391.020 1.473.272 16,8 31,3 25,4 26,5 100,05.110.150 2.583.047 573.522 948.047 9.214.766 55,5 28,0 6,2 10,3 100,0 3.750.885 3.371.748 1.957.673 4.400.999 13.481.30527,8 25,0 14,5 32,6 100,0 Faixa depessoalocupadoPessoalocupado% Pessoalocupado% Pessoalocupado% Pessoalocupado De 1 a 9 De 10 a 99 De 100 a 499 De 500 a mais Total 3VISO GERAL DO CRDITO DIRECIONADOO mercado de crdito no Brasil constitudo por dois grandes segmentos, que apresentam diferentes especifcidades segundo a origem dos recursos e as condi-es aplicadas nos emprstimos e nos fnanciamentos: o crdito livre e os recur-sos direcionados. No crdito livre, as taxas de juros, prazos e demais condies aplicadas nos emprstimos so determinados pelo banco emprestador, ou esta-belecidas por meio de negociaes entre o banco e o tomador de crdito, com baseemrecursossupridospelomercado.Nocrditodirecionado,osrecursos provm de fontes institucionais3, e as condies para a concesso dos emprsti-mos como as taxas de juros, os segmentos econmicos atendidos e o porte de benefcirios so previamente defnidas nas normas dos respectivos fundos e programas de crdito. Humadiferenaimportantequantoaotipodeagentefnanceiroquepartici-padaintermediaodos recursos do crdito direcionado, seja paraasMPEs e mdias empresas,seja para as grandes empresas. Enquanto os bancos privados podemparticipar, comoagentes fnanceiros, daintermediaodosrecursosde crdito direcionado administrados pelo BNDES, no caso dos Fundos Constitu-cionais de Financiamento e do Proger somente participam as instituies fnan-ceiras federais. 3 A fonte primria do crdito direcionado aplicado nos setores da indstria, comrcio e servios, alm de parte dos recursos destinados agropecuria, encontram-se nos seguintes dispositivos da Constituio Federal: (i) no artigo 159, I, C, que determina a destinao de 3% dos Impostos sobre a Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI)paraaplicaonasregiesNorte,NordesteeCentro-Oeste,e(ii)noartigo239,quedispesobreosrecursos doFundode Amparoao Trabalhador(FAT)destinadosaoBNDESeaProgramasdeGeraodeEmpregoeRenda (Proger). Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil394ATabela4apresentaumavisogeraldasaplicaestotaisdecrditonosseg-mentos de recursos livres e de recursos direcionados, em 2003 e 2007. Do total de R$ 574,5 bilhes de saldos de emprstimos e de fnanciamentos aplicados em dezembro de 2007 (excludos os fnanciamentos habitao), R$ 230,4 bilhes (40,1%) constituam-se de recursos direcionados. A modalidade vem diminuindo suaparticipaonosistemadecrditonoBrasil,principalmenteemrazoda maior expanso, aps 2003, dos saldos de emprstimos no mercado de crdito livresempresas(expansorealde94%em2004-2007)emcomparaoaos saldos de fnanciamentos do BNDES a maior fonte de crdito direcionado , queapresentarammenorestaxasdecrescimentonoperodo(expansorealde 43% em 2004-2007). TABELA 4Emprstimos do sistema nanceiro a pessoas jurdicas e a empresrios individuais: recursos direcionados e recursos livres 2003 e 2007 (Valores constantes em R$ bilhes de dez. 2007)(3)Fonte: Elaborao do autor, a partir de dados obtidos no Banco Central do Brasil (Bacen).1 Os recursos para a agropecuria e do BNDES incluem nanciamentos a pessoas fsicas.2 Os recursos domsticos incluem operaes de. 3 ndice de preos: IPCA/IBGEModalidade de crdito Saldo dos emprstimos (dezembro) 20032007 Valor%Valor% Recursos direcionadosAgropecuria(1) BNDES(1) Outros crditos direcionados Recursos livresRecursos domsticos(2) Recursos externosTotal 171,6 55,0 111,6 5,0 177,8 119,0 58,8 349,4 49,115,7 31,9 1,4 50,9 34,1 16,8 100,0 230,4 63,4159,87,2344,1275,668,5574,5 40,111,027,8 1,3 59,9 48,0 11,9 100,0 3.1Condies de Acesso ao Crdito DirecionadoOs programas de crdito direcionado representam as nicas fontes de recursos no sistema de crdito brasileiro para fnanciamentos de investimentos de mdio e de longo prazos nas empresas. Na modalidade de capital de giro, os programas dispem de emprstimos com prazo superior a um ano, que pode variar at cerca de trs anos (uma oferta no existente no mercado de crdito livre), seja associa-do com fnanciamentos para investimentos, seja como crdito para giro puro. Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil395Nas anlises das solicitaes de crdito nos programas especiais, os bancos que participam como agentes fnanceiros exigem, alm das avaliaes dos dados ca-dastrais e da classifcao de risco de crdito segundo as normas do Bacen informaes mais completas do requerente em razo dos prazos maislongos, do risco de crdito assumido na aplicao dos repasses dos fundos (de origem fscal ou do FAT), e das taxas mais baixas de juros, bem como a apresentao, por parte das empresas, de um projeto de viabilidade econmico-fnanceira que demonstreacapacidadedepagamentodosemprstimosparainvestimentos, conforme defnem as instrues e as normas dos fundos e dos programas. Essas exignciasdedocumentaes,muitasvezes emexcesso segundoosprprios agentesfnanceiros,comosooscasosdascertidesrelativassobrigaes tributrias e trabalhistas, acabam por impor difculdades e demoras na liberao das solicitaes de crdito.Outra condio que difculta o acesso ao crdito para investimentos so as exi-gncias de apresentao de garantias reais, equivalentes, normalmente, a um per-centual varivel de 100% a 130% do valor do crdito. Essa barreira tem sido par-cialmente contornada pela utilizao de fundos de garantia de crdito, ou fundos de aval, institudos no mbito do governo federal, tais como o Fundo de Garantia dePromoodaCompetitividade(FGPC),administradopeloBNDES(atual-mente em processo de rpido esvaziamento em razo da diminuio dos recursos oramentrios para a cobertura das garantias); o Fundo de Aval para a Gerao de Emprego e Renda (Funproger), administrado pelo Banco do Brasil; e o fundo do aval do Servio Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). 3.2Evoluo dos Programas e Fundos Especiais de Crdito s Micro, Pequenas e Mdias EmpresasNuma viso retrospectiva, a alocao de crdito de fontes institucionais s MPEs e s mdias empresas representada pelos seguintes principais programas e fun-dos, segundo o ano em que foram institudos. Alguns desses programas e fundos se encontram em vigor, enquanto outros, mais antigos, j foram desativados. a)Criao,noBancoNacionaldeDesenvolvimentoEconmico(BNDE),em 1965, da primeira importante fonte de recursos para o fnanciamento de investi-mentos das empresas de menor porte: a linha de crdito Programa de Financia-mento Pequena e Mdia Empresa (Fipeme).b) Instituio, pelo Conselho Monetrio Nacional (CMN), em 1970, de linha de crdito para capital de giro para micro, pequenas e mdias empresas, cuja fonte de recursos era constituda pela liberao de uma parcela dos depsitos compul-sriosmantidospelosbancospblicoseprivadosnoBancoCentral.Astaxas mximas de juros cobradas nos emprstimos e a parcela dos depsitos compul-Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil396srios liberados para aplicao eram previamente defnidas em normas especf-cas do Banco Central. Essa medida permaneceu em vigor at 1990 (Resolues n 388, de 1976, e 695, de 1981, e outras, do Banco Central).c) Criao, pela Constituio Federal de 1988, dos Fundos Constitucionais de Fi-nanciamento do Centro-Oeste (FCO), do Norte (FNO), e do Nordeste (FNE), para a concesso de crdito a empresas de todos os portes das trs regies, com prioridade para as MPEs. d) Instituio, em 1991, do Programa de Financiamento s Exportaes (Proex), paraapoiode crdito namodalidade ps-embarque s exportaes, e a equali-zaodetaxasdejurosemfnanciamentosdeexportaesdemicroempresas, pequenas e mdias empresas (MPMEs).e) Instituio, em 1995, do Programa de Gerao de Emprego e Renda (Proger), com recursos do FAT, para a concesso de crdito a MPEs, a microempreende-dores informais e a outros segmentos com difculdades de acesso ao crdito, por meio de instituies fnanceiras ofciais federais.f)ImplementaodoProgramaBrasilEmpreendedor,entre1999a2002. O Programa coordenou as atividades de emprstimos de cinco bancos pblicos federais(BNDES,CaixaEconmicaFederal,BancodaAmaznia,Bancodo Nordeste e Banco do Brasil) e tinha como objetivo ampliar, de forma acelerada, a oferta de crdito s MPMEs, acompanhado de assistncia tcnica e gerencial s empresas, alm da concesso de garantias por meio de fundos de avais do gover-no federal e do Sebrae (Morais, 2005). g) Instituio, em 2003, na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Pro-grama Pr-Inovao, com base em recursos do FAT, para fnanciamentos de pro-jetos de pesquisa, desenvolvimento e inovao (PD&I ) de empresas de mdio e de grande portes, com taxas de juros subsidiadas; criao na Finep, em 2004, do Programa Juro Zero, para fnanciamentos de PD&I de micro e pequenas empre-sas, tambm com recursos do FAT. h) Adoo, a partir de 2003, das seguintes medidas de apoio ao crdito para mi-croempreendedores:(i)liberaode2%dosdepsitoscompulsriosmantidos pelo sistema bancrio no Banco Central, para ampliao dos recursos para mi-crocrdito e microfnanas; (ii) instituio do Programa Nacional de Microcrdito Produtivo Orientado (PNMPO), em 2005, para emprstimos a microempreen-dedores com renda bruta anual de at R$ 60 mil, destinados a investimentos fxos e a capital de giro, no valor de at R$ 10 mil; o programa utiliza recursos do FAT e parte dos 2% liberados dos depsitos compulsrios (Lei n 11.110/2005).ATabela5apresentaaevoluodosrecursosdesembolsadosoucontratados pelos trs programas analisados, no perodo de 2002 a 2006. Foram excludos os Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil397fnanciamentos agropecuria nos trs programas, uma vez que a presente anali-se voltada s atividades de crdito das empresas de pequeno porte da indstria, comrcio e servios. Do total de R$ 60,5 bilhes em fnanciamentos a todos os portes de empresas, em 2006, R$ 12,2 bilhes foram emprestados a empresas de micro e pequeno portes, que correspondem a 20,1% de participao no total. Por programa, a participao corresponde a 8,3% nos fnanciamentos totais do BN-DES, a 14,5% nos Fundos Constitucionais e a 100% no Proger Urbano, segundo as anlises nas sees especfcas deste trabalho.TABELA 5Programas especiais de crdito nanciamentos indstria, comrcioe servios 2002-2006(Valores em R$ milhes de 2007)(1)Fontes: BNDES, Ministrio do Trabalho e Emprego (Brasil, 2007a), Ministrio da Integrao Nacional (Brasil, 2007b). 1 ndice de preos: IPCAProgramaBNDES Proger Urbano Fundos Constitucionais de Financiamento Total 2002 46.2021.699 80548.706 2003 35.3333.128 1.39539.856 2004 37.7385.233 3.04446.015 2005 45.8396.671 3.23255.742 2006 49.4787.624 3.34860.450 4FINANCIAMENTOS DO BNDESS MICRO, PEQUENAS E MDIAS EMPRESASOBNDESfoiinstitudoem1952,comoobjetivodeconcederapoiofnancei-roaodesenvolvimentodainfra-estruturaeconmicadoPaseampliaodos investimentosfxosdasempresasbrasileiras.Comobancodedesenvolvimento, representa a principal instituio para o fnanciamento de investimentos no Brasil. O saldo dos seus fnanciamentos indstria, ao comrcio, aos servios e ao setor rural alcanou, em dezembro de 2007, R$ 160 bilhes, equivalentes a 25,8% do saldo total de emprstimos e de fnanciamentos do sistema bancrio brasileiro a esses setores (Banco Central do Brasil, 2008). As operaes de fnanciamento so realizadas tanto diretamente, nos casos de cr-ditodevaloracimadeR$10milhes,comoindiretamente,porintermdiode instituies fnanceiras credenciadas, constitudas por bancos privados e pblicos, nas operaes de qualquer valor. Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil398Desde 1965, com a criao da linha de crdito Fipeme, o BNDES vem atuando na concesso de fnanciamentos s empresas de pequeno porte. A partir de 1974, obancopassouareceberosrecursosarrecadadosnoProgramadeIntegrao Social(PIS)enoProgramadeFormaodoPatrimniodoServidorPblico (Pasep), para aplic-los em programas especiais de desenvolvimento4. A Consti-tuio Federal de 1988 modifcou a alocao dos recursos dos referidos fundos ao determinar o direcionamento dos recolhimentos dos dois programas para o FundodeAmparoaoTrabalhador(FAT),eorepassedepelomenos40%ao BNDES para a aplicao em programas de desenvolvimento.Na dcada de 1980, o BNDES passou a incentivar o microcrdito coma criao do Programa de Apoio Microempresa (Promicro). Atualmente, apia o desen-volvimento do microcrdito com base nas diretrizes do PNMPO. O apoio s MPMEs, assim como s empresas de maior porte, efetivado ou por meio de linhas de fnanciamento, como o Finame-Mquinas e Equipamentos, o BNDES automtico e as linhas de apoio exportao; ou por meio de progra-mas especfcos de fnanciamento, com vigncia temporria. Os fnanciamentos destinam-se a diversas fnalidades: inverses fxas em instalaes em geral; aqui-sies de bem de capital; capital de giro associado a investimentos; importaes de equipamentos sem similar nacional; leasing; aquisies de nibus e caminhes; e inovao e desenvolvimento tecnolgico, entre outras modalidades de investi-mentos. Desde a segunda metade da dcada de 1990, o BNDES vem adotandodiretrizes especiaisparaelevaraparticipaodasMPMEsnosseusfnanciamentos,me-diante oferta de condies de crdito mais favorveis em relao s concedidas s empresas de maior porte, como a concesso de maior percentual de adianta-mento de crdito e a criao de um fundo de garantia de crdito (FGPC) para complementar as garantias exigidas s empresas fnanciadas, alm da cobrana de menor taxa de spread bsico5. Diversos instrumentos de crdito especfcos para as MPMEs vem sendo adotados, com condies diferenciadas e favorecidas, com o objetivo de ampliar as oportunidades de acesso a fnanciamentos de investimento e de capital de giro, e apoiar as exportaes do segmento. O principal dos novos instrumentos de crdito o Carto BNDES, uma linha de crdito rotativa pr-aprovada, de uso automtico, lanada em 2003, que fnancia a aquisio de bens de capital e de bens de produo em geral, no valor de at R$ 250 mil, por operao, com prazo de at 36 meses, e taxa de juros em torno de 1% ao ms. O mecanismo dispe de cerca de 5.400 fabricantes credenciados, que vendem por meio do carto, o qual vem sendo operacionalizado por trs bancos credenciados: Banco do Brasil, Bradesco e Caixa Econmica Federal. Em 2006 o carto apresentou crescimento de 214% nos desembolsos em comparao aos 4 Para as origens do fundo PIS/Pasep, ver nota 14. 5 BNDES (2000) e BNDES (Relatrio Anual de 2005).Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil399doanoanterior,ouR$225milhes,correspondendoa17,6miloperaesde crdito; em 2007, o crescimento foi de 126% nos desembolsos, que alcanaram R$ 509 milhes. O nmero de cartes emitidos at janeiro de 2008 alcana um total de 130 mil, que corresponde a crdito total aprovado de R$ 3,3 bilhes. Outro mecanismo especial consiste na linha para exportaes Pr-Embarque Em-presa ncora, voltada ao fnanciamento de empresa de maior porte que viabiliza a exportao indireta de bens produzidos por MPMEs. A empresa ncora pode ser uma trading company, uma comercial exportadora, ou uma empresa industrial que se encarregue da logstica e da gesto fnanceira das operaes, alm da exporta-o dos bens produzidos por empresa de menor porte.Uma ao especfca para a concesso de crdito para capital de giro consiste no Programa de Apoio ao Fortalecimento da Capacitao de Gerao de Emprego e Renda (Progeren), com vigncia at 31 de dezembro de 2008, destinado a em-presaslocalizadasemmunicpiosselecionados,quecontamcomaglomeraes produtivas (arranjos produtivos locais APLs).No apoio inovao tecnolgica nas empresas, as diretrizes de aplicao de re-cursosdoBNDESalinharam-se,de2004a2007,PolticaIndustrial,Tecno-lgicaedeComrcioExterior(PITCE) dogovernofederal6. Comesse objeti-vo,foramlanadosoureforadosdiversosprogramasparaodesenvolvimento tecnolgicodesetoresespecfcos,comooProgramaparaoDesenvolvimen-todaIndstriaNacionaldeSoftwareeServiosdaTecnologiadaInformao (Prosoft),oProgramadeApoioaoDesenvolvimentodoComplexoIndustrial da Sade (Profarma); o Criatec, fundo de investimentos para a capitalizao de empresas nascentes de base tecnolgica (capital semente); e o Programa de apoio implantao do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD-T), entre outros. Uma linha de atuao mais geral, destinada ao apoio modernizao tec-nolgica da produo industrial, representada pelo Programa de Modernizao da Indstria Nacional (Modermaq), que oferece ao setor industrial e ao setor de sade fnanciamento para a aquisio de mquinas e equipamentos com taxa de juros fxa de 12% ao ano. Na reviso das suas polticas operacionais, o BNDES reafrmou como uma das suas prioridades o apoio pesquisa e inovao nas empresas (BNDES, Rela-trios Anuais de 2005 e 2006). Como resultado, foi reativado, em 2006, o Fun-doTecnolgico(Funtec),voltadoconcessoderecursosnoreembolsveis para o desenvolvimento de energias renovveis, semicondutores, medicamentos, insumosparadoenasnegligenciadasefrmacos,almdeteremsidocriadas duas novas linhas de fnanciamento inovao (Linha Inovao: PD&I e Linha Inovao: Produo). No incio de 2008, essas duas linhas e o Funtec foram sus-pensos para reformulao, no contexto da nova poltica industrial lanada pelo governo federal em maio de 2008. Ainda para esse ano, seguindo a deciso de 6 Para uma descrio das diretrizes da PITCE, ver o captulo 2 deste livro. Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil400maior apoio ao desenvolvimento tecnolgico, foram alocados maiores volumes de recursos para o fnanciamentos indstria de software e de servios correlatos (dotao de R$ 1 bilho para 2008) e cadeia produtiva farmacutica (dotao de R$ 3 bilhes). 4.1Condies nos Financiamento O BNDES adota os seguintes limites de valor de receita operacional anual para a classifcao das empresas por porte: Microempresa: at R$ 1,2 milho; Pequena empresa: de R$ 1,2 milho a R$ 10,5 milhes; e Mdia empresa: de R$ 10,5 milhes a R$ 60 milhes.Algumasdascondiesdiferenciadasqueconcedenosfnanciamentoss MPMEs so as seguintes:a) Spread bsico do BNDES de 1% para as MPMEs, na linha BNDES Autom-tico, e iseno da taxa de intermediao fnanceira de 0,8%. Fixao do limite de spread a ser cobrado pelo agente fnanceiro nos fnanciamentos s MPMEs7.b)LinhaBNDESautomtico:nosemprstimosparacapitaldegiroassociado a investimentos, as microempresas recebem at 70% do valor dos demais itens fnanciados do projeto; as pequenas e as mdias empresas, at 40%; e, as grandes empresas,15%.Nositensdeinvestimentos,excetomquinaseequipamentos, as MPEs podem receber at 100% do valor do projeto, e, as grandes empresas, 70%.c)LinhaFiname:nosfnanciamentosparaaaquisiodemquinaseequipa-mentosnacionais,asMPMEspodemreceberat100%dovalordosbens,e, as grandes empresas, 70%. Nos emprstimos para capital de giro associado ao investimento, as microempresas recebem at 50% do valor das mquinas e equi-pamentos, e, as pequenas e mdias empresas, 30%.7 As condies de nanciamento mostradas nesta seo eram as prevalecentes em maio de 2008, ms de lanamento do plano Poltica de Desenvolvimento Produtivo (PDP), que dever alterar prazos e encargos nanceiros de alguns programas e linhas de crdito do BNDES.A taxa de juros dos nanciamentos dos agentes nanceiros cobrada das empresasoresultadodosseguintescomponentesdecusto:(i)ocustonanceirodacaptaodosrecursosdo BNDES; (ii) o spread bsico do BNDES e a taxa de intermediao nanceira; e (iii) a remunerao (spread) do agente nanceiro. Nos nanciamentos produo e comercializao para o mercado interno, o custo da captao do BNDES corresponde Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que remunera os recursos do FAT repassados ao BNDES. Em 2004 e 2005, a TJLP foi de 9,75%; e a partir do segundo semestre de 2007 foi xada em6,25%. A respeito do custo dos recursos repassados pelo FAT, ver notas no site da instituio: O FAT e o BNDES, e BNDES (2005a). Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil401d) Utilizao do Fundo de Garantia de Promoo da Competitividade (FGPC) para complementar as garantias exigidas s MPEs e s mdias empresas exportadoras. O risco coberto pelo FGPC de 70% a 80% do fnanciamento. e) No exigncia da apresentao de garantias reais s MPEs quando a operao for garantida pelo FGPC, nos fnanciamentos de at R$ 500 mil. Nas operaes de apoio exportao,asgarantiasreaispoderoserdispensadasnosfnanciamentosdeat US$ 500 mil.4.2Participao das Micro, Pequenas e Mdias Empresas nos Desembolsos do BNDES Conformesecomentou,oBNDESvemimplementando,desdeadcadapas-sada,diversaslinhasdecrditoeprogramasespeciaisdirigidossempresasde pequenoporte,comoobjetivodemelhorarascondiesdeacessoaosseus fnanciamentos. Essa poltica tem como base o fato de a fonte principal de seus fundosfnanceiros,oFAT,determinarcomometaprincipalnautilizaodos recursos que excedem reserva mnima de liquidez do FAT os quais repassa aos bancos ofciais federais sob a forma de depsitos especiais remunerados a concessodecrditoemprogramasquegeremempregoerendanaeconomia (ver nota 14). Paralelamente, o BNDES adotou, durante alguns anos da primeira metade desta dcada, diversas medidas para estimular os seus agentes fnanceiros a direcionarem maiores volumes de crdito s empresas de pequeno porte (Mo-rais, 2006b). A importncia do crdito para a ampliao do emprego foi avaliada em estudo recente do BNDES, que procurou medir o efeito do apoio fnanceiro nas empre-sas que receberam fnanciamentos, entre os anos de 2001 e 2005, em comparao comasempresasnofnanciadas.Aavaliaoconcluiuque:(i)ocrescimento do emprego foi maior nas empresas fnanciadas, tendo alcanado 5,1% ao ano; enquanto nas no fnanciadas foi de 3,3%; e (ii) a taxa anual de crescimento do emprego foi maior nas empresas menores, registrando-se 3,7% nas grandes em-presas, 6,2% nas mdias, 8,2% nas pequenas, e 19% nas microempresas (Torres Filho e Puga, 2006). Concluiu-se, assim, que os fnanciamentos do BNDES aju-dam a promover o emprego, alm de apresentarem impactos positivos maiores nas empresas de menor porte. Os fnanciamentos s pequenas empresas so efetivados, principalmente, por in-termdio dos agentes fnanceiros do BNDES, uma vez que as operaes diretas se realizam nos fnanciamentos de maior porte, de valor acima de R$ 10 milhes. H, contudo, algumas excees para a negociao de fnanciamentos diretos me-nores com o BNDES, a partir de R$ 1 milho. Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil402ATabela6mostraaevoluodosdesembolsosdefnanciamentosdosistema BNDES, de 2002 a 2007, distribudos por portes de empresa. Em 2007, foram desembolsados R$ 59,9 bilhes para empresas de todos os portes, na indstria, comrcio e servios. Esse valor representa crescimento de 29,6% em compara-oaosdesembolsosefetivadosnoano-basedatabela,isto,2002,quehavia registrado um forte crescimento em comparao aos dos anos anteriores, e, por esse motivo, foi utilizado como referncia para a avaliao dos desembolsos em 2007. Analisando-seaevoluodosdesembolsosnosanosiniciaisdasrie,de2002 para2003,observam-secomportamentosdistintosnosmontantesdefnancia-mentos para as empresas de micro e de pequeno portes em comparao aos rea-lizados para as de grande porte: enquanto caem fortemente os desembolsos para as grandes frmas, como decorrncia da crise econmica que ento se verifcou, e que afetou sensivelmente as intenes de investimento e a confana dos empre-srios no desempenho da economia8, cresceram os recursos para os segmentos de menor porte. No perodo mais longo, isto , de 2002 a 2007, os desembolsos s MPEs passaram de R$ 2,9 bilhes para R$ 6,1 bilhes, o que indicou expan-so acumulada de 109,2%; os desembolsos para as mdias empresas cresceram 80,1%e,paraasgrandesempresas,19,8%.OsdesembolsosparaasMPEsse aceleraram de 2006 para 2007, passando de R$ 4,1 bilhes para R$ 6,1 bilhes.TABELA 6BNDES desembolsos indstria, comrcio e servios, por porte de empresa 2002-2007(Em R$ milhes de 2007)(1)Fonte: elaborao do autor, a partir de dados obtidos no BNDES. 1 ndice de preos: IPCA.Porte Valor dos desembolsos anuais 200220032004200520062007 2007 / 2002 % Micro 1.060 1.561 1.404 1.865 1.767 2.680 152,8 Pequena1.837 2.176 1.962 2.322 2.302 3.381 84,1 MPE2.897 3.737 3.366 4.188 4.069 6.061 109,2 Mdia3.245 3.124 3.330 3.956 4.150 5.845 80,1 Grande 40.061 28.473 31.042 37.694 41.258 47.988 19,8 Total46.202 35.333 37.738 45.839 49.478 59.894 29,6 8 O ano de 2003 foi marcado por taxa elevada de inao (12,5%); estagnao das atividades econmicas o PIB apresentoucrescimentoreduzidode1,1%;einseguranasobreosrumoseconmicosdonovogovernoento empossado.Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil403Comoresultadodasdiferentestaxasdeexpansonosdesembolsosentre2002 e 2007 podem-se observar as alteraes ocorridas nas participaes relativas de cada um dos portes de frmas no volume total de recursos do BNDES (Tabela 7). Verifca-se, preliminarmente, que a participao mxima das MPEs ocorreu em 2003, com 10,6%. Nesse ano, a ao fnanciadora do BNDES foi marcada por atuao anticclica, ao direcionar volume maior de recursos para as pequenas empresas, como forma de contrabalanar a reduo das atividades econmicas e infuenciar a retomada do crescimento econmico. Os dados para o ano de 2007 indicamcrescimentoexpressivodaparticipaodasempresasdemenorporte emcomparao ao verifcado no ano de 2002: as MPEs absorveram 10,1% dos desembolsos,asmdiasreceberam9,8%,easgrandestiveramaparticipao diminuda de 86,7% para 80,1%.TABELA 7BNDES participao nos desembolsos indstria, comrcio e servios, por porte de empresa 2002-2007Fonte: Elaborao do autor, a partir de dados obtidos no BNDES.Porte Participao (%) MicroPequena MPE Mdia GrandeTotal 2002 2,3 4,0 6,3 7,0 86,7 100,0 2003 4,4 6,2 10,6 8,8 80,6 100,0 2004 3,7 5,2 8,9 8,8 82,3 100,0 2005 4,1 5,1 9,2 8,6 82,2 100,0 2006 3,6 4,6 8,2 8,4 83,4 100,0 2007 4,5 5,6 10,1 9,8 80,1 100,0 4.2.1Desembolsos por porte e setorAvalia-se, a seguir, como evoluram os desembolsos s empresas, por porte, se-gundo os setores de atividade. A Tabela 8 mostra os valores setoriais, dispostos em ordem decrescente de valor, para os quatro tamanhos de empresas. Analisan-do-se o perodo como um todo, observa-se que os desembolsos para transportes, que j se destacavam em 2002, passaram a ocupar posio proeminente em 2007 para os segmentos das micro, pequenas e mdias empresas, dado o grande cres-cimento real, no perodo, de 451% para microempresas, de 218% para pequenas, e de 258% para as mdias. Contrariamente, os desembolsos para os segmentos depequenoportenaindstriadetransformaoapresentarambaixodinamis-mo quando observados ao longo do perodo, mas voltaram a crescer no ano de 2007.Paraasgrandesempresas,osdadosmostramqueocorreu,noperodo, crescimento real acima de 200% em trs setores: construo (263%), transportes (234%) e indstria extrativa (226%). Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil404Avaliando-se a evoluo dos desembolsos em 2007, observa-se que o setor com maior crescimento para a micro e a pequena empresa foi o de comrcio, que re-gistrou taxas de expanso de 132% e de 120%, respectivamente. Tambm foram elevadas as taxas de expanso em servios, 85% e 50%, respectivamente, para os dois portes de empresas. Ocorreu queda nos desembolsos s grandes empresas da indstria de transformao, em 2007, como resultado da forte diminuio dos fnanciamentos para exportao, que caram de US$ 6,4 bilhes, em 2006, para US$ 4,2 bilhes em 2007, especialmente nos setores de veculos automotores e de aeronaves. TABELA 8BNDES desembolsos de crdito por setor e por porte de empresa 2002-2007(Valores em R$ milhes de 2007)(1)Fonte: Elaborao do autor, a partir de dados obtidos no BNDES.1 ndice de preos: IPCA mdio anual. 2 Incluem transportes terrestres, aquavirios, areos e atividades anexas. 3Incluemalojamentoealimentao;correiosecomunicao;atividadesimobiliriaseserviossempresas; educao;sadeeserviosocial;intermediaonanceira;administraopblicaeseguridadesocial,entre outros.PorteSetor Desembolsos Micro Pequena Mdia Grande 200220032004200520062007 Transportes(2)322 627 994 1.369 1.191 1.775Comrcio209 400 116 97 128 297Ind. de transformao238 292 144 181 182 234Servios(3)200 160 85 104 122 226Construo66 55 38 80 113 117Indstria extrativa22 25 23 32 28 30Energia eltrica 1 1 4 3 3 1Total 1.060 1.561 1.404 1.865 1.767 2.680Transportes(2)599 777 1.111 1.345 1.337 1.904Ind. de transformao 493 544 374 385 336 558Servios(3)257 235 155 173 198 296Comrcio310 451 172 114 139 306Construo139 108 98 209 215 242Indstria extrativa31 48 26 57 54 68Energia eltrica7 1326 40 23 7Total 1.837 2.176 1.962 2.322 2.302 3.381Transportes(2)906 1.369 1.682 1.774 2.101 3.240Ind. de transformao 975 937 942 1.201 946 1.268Servios(3)289 245 178 297 395 431Construo152 124 152 274 309 366Comrcio197 349 222 175 234 262Energia eltrica702 78 118 195 134 230Indstria extrativa22 21 38 40 31 48Total 3.245 3.124 3.330 3.956 4.150 5.845Ind. de transformao22.413 17.721 16.395 23.121 25.217 23.336Energia eltrica11.767 6.304 7.672 6.767 5.025 7.818Transportes(2)1.884 1.701 2.456 2.923 3.819 6.293Servios(3)2.005 1.074 2.678 2.751 3.376 5.564Construo714 702 1.115 1.246 954 2.401Comrcio1.001 872 532 651 1.467 1.671Indstria extrativa277 98 193 236 1.399 904Total 40.061 28.473 31.042 37.694 41.258 47.988Desembolso total46.202 35.333 37.73845.839 49.478 59.894Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil405A Tabela 9 complementa os resultados comentados na Tabela 8, ao apresentar as alteraes relativas nas participaes setoriais em comparao aos totais desem-bolsados para cada porte de empresa. Conforme se comentou, o setor de trans-portes que engloba as empresas fnanciadas pelo sistema BNDES nos ramos de transportes terrestres, aquavirios, areos e atividades anexas aos transportes aumentou a sua participao nos quatro segmentos de empresas, passando a par-ticiparcomosseguintespercentuaisdosdesembolsos:microempresas,66,2%; pequenas empresas, 56,3%; mdias empresas, 55,4%; e grandes empresas, 13,1%. Quanto participao nos desembolsos indstria de transformao, reduziu-se, em2007,emcomparaoaosde2002,paraasmicro,pequenasemdiasem-presas para, respectivamente, 11,1%; 16,5% e 21,7%, enquanto para as grandes empresas a participao caiu de 55,9% para 48,6% entre os dois anos. TABELA 9BNDES distribuio dos desembolsos de crdito por porte de empresa e setor 2002-2007Fonte: Elaborao do autor, a partir de dados obtidos no BNDES.1 Incluem transportes terrestres, aquavirios, areos e atividades anexas; 2Incluemalojamentoealimentao;correiosecomunicao;atividadesimobiliriaseserviossempresas; educao; sade e servio social; intermediao nanceira; administrao pblica e seguridade social entre outros.PorteSetor %Micro Pequena Mdia Grande Transportes(1)30,4 40,2 70,8 73,4 67,4 66,2Comrcio19,8 25,6 8,3 5,2 7,2 8,7Ind. de transformao22,5 18,7 10,3 9,7 10,3 11,1Servios(2)18,9 10,2 6,1 5,6 6,9 8,5Construo6,3 3,5 2,7 4,3 6,4 4,4Indstria extrativa2,1 1,6 1,6 1,7 1,6 1,1Energia eltrica 0,1 0,10,3 0,1 0,1 0,0Total 100 100 100 100 100 100Transportes(1)32,6 35,7 56,7 57,9 58,1 56,3Ind. de transformao26,9 25,0 19,1 16,6 14,6 16,5Servios(2)14,0 10,8 7,9 7,5 8,6 8,8Comrcio16,9 20,7 8,8 4,9 6,1 9,1Construo7,6 5,0 5,0 9,0 9,3 7,2Indstria extrativa1,7 2,2 1,3 2,4 2,4 2,0Energia eltrica0,4 0,6 1,3 1,7 1,0 0,2Total 100 100 100 100 100 100Transportes(1)27,9 43,8 50,5 44,8 50,6 55,4Ind. de transformao30,1 30,0 28,3 30,3 22,8 21,7Servios(2)8,9 7,9 5,3 7,5 9,5 7,4Construo4,7 4,0 4,6 6,9 7,5 6,3Comrcio6,1 11,2 6,7 4,4 5,6 4,5Energia eltrica21,6 2,5 3,5 4,9 3,2 3,9Indstria extrativa 0,7 0,7 1,1 1,0 0,7 0,8Total100 100 100 100 100 100Ind. de transformao55,9 62,2 52,8 61,3 61,1 48,6Energia eltrica29,4 22,1 24,7 18,0 12,2 16,3Transportes(1)4,7 6,0 7,9 7,8 9,3 13,1Servios(2)5,0 3,8 8,6 7,3 8,2 11,6Construo1,8 2,5 3,6 3,3 2,3 5,0Comrcio2,5 3,1 1,7 1,7 3,6 3,5Indstria extrativa0,7 0,3 0,6 0,6 3,4 1,9Total 100 100 100 100 100 100200220032004200520062007 Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil4064.2.2Evoluo das contrataes de nanciamentoUma anlise complementar avaliao do comportamento dos desembolsos de crditoconsistenoacompanhamentodonmeroanualdecontratosdefnan-ciamentos. Variaes positivas no nmero de operaes de crdito representam umindicadorrelevantedeacessoafnanciamentos;mostram,ainda,aimpor-tncia relativa de setores, de atividades ou de estratos de empresas no acesso ao crdito.oquemostraaTabela10,naqualseverifcaqueascontrataestotaisdo sistema BNDES passaram de 29.234 para 111.050 operaes de crdito, de 2002 a 2007, o que representou 82 mil operaes adicionais no perodo. A informao setorialnatabelamostrataxasdecrescimentosmaioresnascontrataespara os setores de servios, de transportes e do comrcio. A indstria de transforma-oapresentoutaxadecrescimentode115%,ouseja,emboratenhamaisque dobrado suas contrataes, fcou muito aqum dos trs setores citados. TABELA 10BNDES nmero de operaes de nanciamentos, por setor 2002-2007Fonte: Elaborao do autor, a partir de dados obtidos no BNDES.1 Incluem transportes terrestres, aquavirios, areos e atividades anexas.2Incluemalojamentoealimentao;correiosecomunicao;atividadesimobiliriaseserviossempresas; educao;sadeeserviosocial;intermediaonanceira;administraopblicaeseguridadesocial,entre outros.Setor N de operaes 200220032004200520062007 2007 / 2002%Transportes(1)7.43611.08616.74622.90923.96438.461417,2 Comrcio5.6439.9633.5924.91410.70827.076379,8 Ind. de transformao10.76411.3678.60811.55514.59023.157115,1 Servios(2)2.4793.1122.2663.8977.00016.323558,5 Construo2.1161.6521.1912.0862.7064.971134,9 Ind. extrativa38142329639938663767,2 Energia eltrica4152653914944414252,4 Total29.23437.86833.09046.25459.795111.050279,9 A seguir, na Tabela 11, as contrataes de crdito mostradas na tabela anterior so discriminadas por porte dos benefcirios. O aumento no nmero de operaes, de 2002 a 2007, concentrou-se nas micro e pequenas empresas, que absorveram 59 mil das 82 mil operaes adicionais do perodo, mas as taxas de crescimento foram expressivas para todos os portes de empresas. Esse resultado mostra a in-Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil407funcia dos novos instrumentos de crdito desenvolvidos pelo BNDES para as empresas de pequeno porte aps 2002, como as linhas para facilitar a aquisio earenovaodasfrotasdenibusecaminhesparaempresasdetransportes rodovirios de carga e de passageiros, com prazos longos (de 60 a 72 meses), e o Carto BNDES, o qual ampliou o acesso das MPMEs nas aquisies de bens de capital e de outros tipos de bens de produo. relevanteobservar,tambm,ocomportamentodascontrataesem2003: contrariamente s quedas verifcadas para as grandes empresas, registrou-se for-te crescimento das operaes com as micro, pequenas e mdias empresas; esse resultado est aderente com a atuao do BNDES nesse ano, conforme se co-mentou no incio desta seo, no sentido de estimular os investimentos em ano marcado por recesso econmica. TABELA 11BNDES nmero de operaes de nanciamentos, por porte de empresa 2002-2007Fonte: Elaborao do autor, a partir de dados obtidos no BNDES.Porte N de operaes 2002200320042005200620072007 / 2002% Micro 8.63814.36210.88217.14524.14749.854477,1 Pequena8.35811.1808.49611.54614.64226.184213,3 MPE16.99625.54219.37828.69138.78976.038347,4 Mdia5.0755.9916.4928.1219.49716.002215,3 Grande 7.1636.3357.2209.44211.50919.010165,4 Total29.23437.86833.09046.25459.795111.050279,9 4.2.3Desembolsos indstria de transformaoAanliseaseguiravaliaaevoluodaparticipaorelativadasempresasdepe-queno porte nos desembolsos indstria de transformao como um todo e, em seguida, sua participao nos desembolsos de cada setor da indstria de transfor-mao. Para essa avaliao, os valores de desembolsos indstria de transformao da Tabela 8 foram reproduzidos na Tabela 12. Os dados mostram que, aps 2003, somenteem2007osdesembolsosvoltamacrescerparaasmicro,pequenase Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil408mdias empresas industriais, depois de fcarem praticamente estagnados ou com tendncia de queda de 2003 a 2006. TABELA 12BNDES indstria de transformao valor dos desembolsos de crdito por porte de empresa 2002-2007(Valores em R$ milhes de 2007)Fonte: Elaborao do autor, a partir de dados obtidos no BNDES.Porte Desembolsos 200220032004200520062007 2007 / 2002%Micro 238 292 144 181 182 234 -1,7 Pequena493 544 374 385 336 558 13,2 MPE7318365185665187928,3 Mdia975 937 942 1.201 946 1.267 30,1 Grande 22.413 17.721 16.395 23.121 25.217 23.336 4,1 Total24.11919.49417.85524.88826.68125.3955,3 Na Tabela 13 mostrada a distribuio percentual dos desembolsos totais, ao lon-go do perodo 2002-2007, para a indstria de transformao. As grandes empresas absorveram, em 2007, 91,9% dos desembolsos totais do BNDES ao setor; as m-dias, 5,0%; as pequenas, 2,2%; e as microempresas 0,9%. A participao mxima dasmicroepequenasempresasocorreuem2003;diminuiu,apartirdeento, inclusive em termos absolutos, como se verifcou na tabela anterior, mas voltou a se elevar em 2007.TABELA 13BNDES indstria de transformao participao nos desembolsos, por porte de empresa 2002-2007Fonte: Elaborao do autor, a partir de dados obtidos no BNDES.Porte200220032004200520062007 Micro1,0 1,5 0,8 0,7 0,7 0,9 Pequena 2,0 2,8 2,1 1,6 1,3 2,2 MPE 3,0 4,32,9 2,3 2,0 3,1 Mdia 4,0 4,85,3 4,8 3,5 5,0 Grande 93,090,991,892,994,591,9 Total100,0100,0100,0100,0100,0100,0 Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil409A seguir, para a avaliao da participao relativa dos quatro portes de frmas nos desembolsos setoriais da indstria de transformao, os dados por setor foram dispostos na Tabela 14, em ordem decrescente de valor a partir das posies re-lativas das grandes empresas para o ano de 2007. TABELA 14BNDES indstria de transformao distribuio dos desembolsos por portes de empresa e setores industriais 2007Fonte: Elaborao do autor, a partir de dados obtidos no BNDES.Setores industriais Participao por porte de empresa MicroPequenaMdiaGrande Total Outros equipamentos de transporte0,0 0,1 0,0 99,9 100,0Metalurgia0,1 0,4 1,7 97,7 100,0Fumo0,2 2,2 97,6 100,0Veculo, reboques e carroceria0,2 0,4 1,9 97,5 100,0Celulose e papel0,3 0,6 1,7 97,4 100,0Equip. informtica, eletrnico e tico0,3 0,8 3,3 95,6 100,0Qumica0,4 1,0 4,1 94,5 100,0Farmoqumico, farmacutico0,2 2,1 4,1 93,6 100,0Petrleo e lcoolcombustvel 0,2 0,4 7,1 92,3 100,0Produtos alimentcios0,8 2,0 5,1 92,1 100,0Mquinas e aparelhos eltricos0,2 3,5 4,4 91,9 100,0Mquinas e equipamentos0,7 2,6 4,9 91,8 100,0Bebidas1,2 2,4 5,6 90,8 100,0Madeira4,8 7,9 7,9 79,5 100,0Couro, artefatos e calados3,8 4,7 12,0 79,5 100,0Borracha e plstico2,3 7,1 12,7 77,9 100,0Txtil2,6 5,8 20,1 71,5 100,0Produtos de metal3,4 10,3 15,7 70,5 100,0Minerais no metlicos7,6 12,0 16,1 64,3 100,0Manuteno, reparao e instalao16,2 25,9 2,2 55,7 100,0Confeces, vesturio e acessrios13,9 19,7 19,3 47,1 100,0Produtos diversos15,1 20,9 19,2 44,8 100,0Mveis7,0 15,4 34,9 42,7 100,0Grca16,4 27,7 34,1 21,8 100,0Total0,9 2,2 5,0 91,9 100,0Desembolsos totais em R$ milhes 233,6 557,9 1.267,623.336,425.395,4Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil410Como se nota, a distribuio dos desembolsos encontra-se fortemente concen-trada nas grandes empresas. Em alguns setores, como nos oito primeiros cons-tantes na tabela, essa distribuio esperada em razo da sua estrutura produtiva sercaracterizadaporaltaparticipaodasgrandesempresasnovalortotalda transformao industrial setorial. Porm, vrios outros setores na tabela, apartir deprodutosalimentcios,cujaparticipaodasempresasdepequeno porte no valor total da produo setorial mais signifcativa, participam com baixa densi-dade dos desembolsos do BNDES. Sua participao mais signifcativa somente nos seguintes setores: editorial e grfca (44,1%), confeces e vesturio (33,6%), manuteno (42,1%), diversos (36%), mveis (22,4%) e minerais no metlicos (19,6%),pormessessetores,emconjunto,representamparcelapequenados desembolsos totais do sistema BNDES indstria de transformao, incluindo todos os portes de empresas.4.2.4Desembolsos indstria de transformao, por intensidade tecnolgica das indstrias e portes de empresaForam descritas na parte inicial desta seo as linhas de crdito e demais aes do BNDES direcionadas ao suporte fnanceiro inovao tecnolgica no setor empresarial. A anlise a seguir procura avaliar como se posicionam as empresas de pequeno porte nos fnanciamentos do BNDES inovao, adotando como critrio a participao das frmas nos desembolsos dos setores industriais, agru-pados segundo sua intensidade tecnolgica. Esse indicador refete os gastos em P&D das indstrias como proporo da sua produo, segundo metodologia da Organization for Economic Cooperation and Development (OECD). Indstrias com altas propores de gastos em P&D so classifcadas como produtoras de bens e servios de alta tecnologia ou de mdia-alta tecnologia; propores meno-res de gastos em P&D classifcam a indstria como de mdia-baixa ou de baixa tecnologia (OECD, 2007). o que mostra a Tabela 15, em que os setores indus-triais esto reunidos por grupos de intensidade tecnolgica9.Conformeosdadosdatabela,aparticipaodasMPEsnosdesembolsosaos setoresdealtaemdia-altatecnologia,em2007,fcouabaixode4%;eadas mdias empresas abaixo de 5%. A maior participao das MPEs nos setores de alta tecnologia ocorreu no setor de produo de frmacos (2,3%), que vem sendo fortementeapoiadopelalinhadefnanciamentosProfarma(RelatriosAnuais do BNDES de 2005 e 2006).9Natabela15osetoroutrosequipamentosdetransportesfoisubdivididoemfabricaodeavies, equipamentosparaferroviaseconstruonaval,cadaumdelescomintensidadetecnolgicadistinta. Osetordeautoveculoseautopeasnofoiclassicadocomodemdia-altatecnologia,comoocorrenaOCDE, uma vez que parte dos nanciamentos do BNDES ao setor consistiram de recursos para capital de giro, e no para investimentos no processo produtivo.Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil411TABELA 15BNDES desembolsos indstria de transformao, por intensidade tecnolgica e portes de empresa 2007(Valores em R$ milhes)Fonte: Elaborao do autor, a partir de dados obtidos no BNDES. 1n.e= no especicados. Setor industrial Micro/pequenaMdia Grande Total Valor %Valor %Valor %Valor % Alta tecnologia Aeronutica Informtica, eletrnica, equipamentosmdicos e ticos, automao industrialFarmoqumico, farmacuticoMdia-alta tecnologiaProdutos qumicos, excl. farmacuticos Mquinas e equipamentos mecnicosMquinas e aparelhos eltricosEquip. para ferrovia e transp. n.e.(1)Mdia-baixa tecnologiaMetalurgia Deriva de petrleo e biocombustveis Borracha Produtos de metal Construo e reparo naval Outros produtos minerais no metlicos Baixa tecnologiaAlimentos, bebidas e fumo Madeira, papel e celuloseTxteis, couros e calados Demais indstrias Outros (veculos e autopeas) Total 241,29141132656310,3 2901710106720,6 863461365939111197921,0 0,1 1,1 2,3 2,4 1,4 3,2 3,7 0,1 3,9 0,5 0,5 9,4 13,8 0,1 19,6 4,5 2,8 2,8 8,4 30,7 0,6 3,1 520,12824199788437047854128143820,171479245588095591.2682,2 0,0 3,3 4,1 4,2 4,1 4,9 4,4 0,0 6,4 1,7 7,1 12,7 15,7 0,0 16,1 6,2 5,1 2,7 17,2 26,3 1,9 5,0 2.3219717935564.3761.7791.5767692516.7123.0491.6608773684752836.9404.4052.0323481562.98823.33696,8 99,9 95,6 93,6 93,3 94,5 91,8 91,9 99,8 89,7 97,7 92,3 77,9 70,5 99,9 64,3 89,4 92,0 94,5 74,4 43,0 97,5 91,9 2.3979728305954.6871.8831.7168372517.4813.1201.7981.1255224764407.7654.7862.1494673633.06525.395100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Deve-se observar que a abordagem acima capta somente uma parte do esforo do BNDES no apoio fnanceiro inovao, uma vez que as indstrias de mdia-baixa e de baixa tecnologia tambm realizam inovaes sejam as que introdu-zem novidades em bens e servios para a prpria empresa ou para o mercado, sejamasinovaesincrementaisalmdeinvestimentosemmquinasparaa modernizaoeoaumentodaprodutividade.Noentanto,oquediferenciaas indstrias de alta e de mdia-alta tecnologia das demais, e nisso reside a sua im-portncia,seencontranoprocessodedifusotecnolgicaquepromovem,ao incorporarem inovaes e novas tecnologias nos bens de capital, equipamentos einsumosqueproduzem,quesoutilizadospelasdemaisindstriasdebens de produo e de bens de consumo, e pelos setores de comrcio e de servios. Comotransmitemnovastecnologiassindstriasemgeral,eaoutrossetores que utilizam seus produtos, as indstrias de alta tecnologia tm papel determi-nante no aumento da produtividade e da capacidade competitiva do conjunto da economia (Ferraz et al, 1996). Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil4124.3Taxas de Juros e Prazos Para a informao sobre os spreads cobrados pelos agentes, acima do custo dos recursosrepassadospeloBNDES,soutilizadosdadosde2002constantesde estudodoIpeaedispostosnaTabela16(Morais,2006b).Observe-sequeos spreadsalcanam8,1%paraasmicroeaspequenasempresas,ediminuemem relao inversa ao porte das empresas, em conformidade com o que ocorre nas condies de acesso ao crdito no mercado fnanceiro como um todo.Fonte: Elaborao do autor, a partir de dados obtidos no BNDES.Setor Indstria Comrcio/servios Total Micro 8,2 8,1 8,1 Pequena 8,2 8,1 8,1 Mdia 6,8 7,0 6,9 Grande 4,7 5,6 5,1 Quanto ao prazo mdio dos fnanciamentos, de 37 meses para as microempre-sas; de 40 meses para as pequenas; de 44 meses para as mdias, e de 53 meses para as grandes empresas. O prazo mximo regular de 60 meses para os fnan-ciamentos do BNDES, como os da linha Finame; mas h excees, com prazos maiores (Tabela 17).Fonte: Elaborao do autor, a partir de dados obtidos no BNDES.TABELA 17BNDES prazo mdio dos nanciamentos 2006(Em meses)Setor Indstria Comrcio/serviosTotal Micro 32 38 37 Pequena 36 40 40 Mdia 45 44 44 Grande 52 54 53 4.4O Fundo de Garantia de Promoo da Competitividade e os Financiamentos do BNDESO Fundo de Garantia de Promoo da Competitividade (FGPC) comeou a ope-rar em 1998, com o objetivo de ampliar as oportunidades de acesso das MPMEs aos fnanciamentos do BNDES, por meio do fornecimento de garantia de crdito Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil413nas linhas Finame, Finem, BNDES automtico e nas de apoio exportao10. O FGPC garante parte do risco de crdito nos fnanciamentos s MPEs e s mdias empresasexportadorasquenodispemdegarantiasreaisparaapresentar,em-boraapresentemviabilidadeeconmico-fnanceira.Acoberturamximacorres-ponde a 80% do valor fnanciado, vlido para as MPEs de todas as regies, assim comopara as mdias empresas exportadoras e suas fornecedoras de mdio porte localizadas em municpios de microrregies abrangidas pelo Programa de Desen-volvimento Regional (PDR), do BNDES11.Para as mdias empresas exportadoras e suas fornecedoras de mdio porte localiza-das em microrregies no abrangidas pelo PDR, a cobertura equivalente a 70%. Os percentuais mencionados so reduzidos conforme a classifcao de risco da operao. O risco mximo admitido corresponde classifcao C. O agente fnan-ceiro cuja carteira apresente inadimplncia superior a 12% impedido de utilizar o FGPC para novas garantias12. Nocasodeinadimplncia,ofundotransfereaoBNDES,ouaoagentefnan-ceiro, por meio do Tesouro Nacional, os valores correspondentes s prestaes atrasadas acumuladas no ano anterior, aos juros do fnanciamento e ao montante do saldo devedor. Havendo acordo posterior para pagamento dos atrasados pela empresacredora, o BNDES repassar ao FGPC os valores pagos. Como foi observado, duas condies que benefciam as MPEs, quando essas uti-lizam o FGPC, so o spread mximo de 4% ao ano que o agente fnanceiro pode cobrar, e a no exigncia de garantias reais nas coberturas de valor at R$ 500 mil. Esses benefcios, contudo, esto sendo pouco utilizados, em razo das restries oramentrias nos recursos do fundo, a partir de 2003, determinadas pelo governo federal, no contexto dos controles dos gastos pblicos. A Tabela 18 mostra o nmero de contrataes e o valor dos fnanciamentos co-bertoscomoFGPC,de1998a2006,indicandoevoluocrescenteat2002. A partir de 2003, as contrataes cobertas comeam a decrescer de forma acelera-da, at se tornarem irrelevantes em 2006. O esvaziamento do FGPC como meca-nismoredutor de risco dos agentes fnanceiros pode ter infuenciado a estagnao nas operaes de fnanciamento de empresas de pequeno porte a partir de 2004, conforme analisado na subseo 4.213. 10 O FGPC foi institudo pela Lei n 9.531, de 12.12.1997, e regulamentado pelo Decreto Presidencial n 3.113/1999. A regulamentao atual regida pelas Circulares n 190/2004 e 181/2003, do BNDES. 11 PDR-Critrio de Classicao de Microrregies, BNDES. 12 Todas as operaes de crdito s pessoas fsicas e jurdicas devem ser classicadas, pelas instituies nanceiras, segundo seu risco e atraso nos pagamentos, em nove nveis, de AA a H, conforme normas do Banco Central (Resoluo n 2.682/1999, do Conselho Monetrio Nacional).13 BNDES (2006).Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil414Fonte: Lopes et al (2007).TABELA 18FGPC nmero de contrataes e valor dos nanciamentos garantidos 1998-2006Ano 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 Nde contrataes 276 1.010 3.404 4.188 4.051 2.938 1.094 483 65 Valor dos nanciamentoscobertos com o FGPC(em R$ milhes correntes) 32,3 150,0 528,0 702,3 878,5 791,6 373,4 101,4 11,8 AimportnciadoFGPCnoapoioaosfnanciamentosdasMPMEspodeser avaliada pelos dados da Tabela 19, que mostram os percentuais de cobertura mdia do fundo em comparao ao valor dos fnanciamentos concedidos s empresas. Os percentuais so crescentes de 1999 a 2002, mas diminuem de forma acentua-da a partir de 2004. Em 2006 a cobertura do FGPC foi de apenas 0,3% dos f-nanciamentos. Fonte: Elaborao do autor, a partir de dados obtidos no BNDES.TABELA 19FGPC percentual de cobertura nos nanciamentos s micro, s pequenas e s mdias empresas 1999 a 2005(Em %)Ano Microempresa Porte de empresa PequenaMdia exportadora 1999451332 2000625055 2001705127 2002755349 2003663969 2004371758 2005 91732 Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil415Noperodo1998-2006,oFGPCcobriuasgarantiasde17.509operaesde crdito, permitindo fnanciamentos totais no valor de R$ 3,6 bilhes, dos quais foram cobertos 73%, ou R$ 2,6 bilhes. No auge do apoio do fundo, de 2001 a 2003, foram benefciados, em mdia, 3.881 projetos por ano, que viabilizaram fnanciamentos anuais de, em mdia, R$ 702 milhes. 4.5Diculdades na Expanso dos Financiamentos s Micro, Pequenas e Mdias Empresas Industriais no BNDESAanlisedosdadossobreosfnanciamentosdoBNDES,apresentadosnas Tabelasde6a15,mostrouqueoacessodasempresasdepequenoporteaos fnanciamentosdobancoapresentouevoluofavorvelquandoavaliadopelo comportamento das operaes de crdito no perodo analisado (2002-2007): as operaes dos agentes fnanceiros com as MPEs, que alcanaram cerca de 17 mil em 2002, evoluram para 76 mil em 2007. Para as mdias empresas as operaes de crdito passaram de 5,1 mil, em 2002, para 16mil em 2007. Osresultadosfavorveiscomentadosdecorreramdosnovosinstrumentosde-senvolvidos pelo BNDES para facilitar o crdito para aqueles segmentos, como so os casos do Carto BNDES e das linhas de crdito para a aquisio de nibus e caminhes. No entanto, sob o aspecto da participao nos volumes totais de desembolsos, a presena das MPEs ainda bastante reduzida em comparao sua importncia na economia. Essa observao especialmente vlida no caso da indstria de transformao, setor em que as MPEs no absorveram mais do que 1,9% dos recursos totais desembolsados em 2006 em comparao aos 3,0%, em 2002, e aos 4,3% em 2003 (Tabela 13).Em 2007, os desembolsos s MPEs e s mdias empresas voltaram a apresentar crescimento, tendo alcanado 3,1% e 5% de participao no total da indstria de transformao, respectivamente; acompanhando, assim, o aumento generalizado dos desembolsos do BNDES. Participao mais expressiva das MPEs poderia ser obtida caso as frmas pudes-sem contar com o suporte das garantias oferecidas pelo FGPC. Como foi analisa-do na subseo 4.4, a diminuio dos recursos do oramento federal alocados ao FGPC levou o instrumento a perder capacidade de alavancagem de novos fnan-ciamentos (BNDES, 2006). O contingenciamento dos recursos pelo governo fe-deral reduziu drasticamente a capacidade do FGPC de honrar os compromissos com avais, levando os agentes fnanceiros a perderem o interesse ou a possibilida-de de utilizar aquele mecanismo de aval (Lopes et al., 2007). As receitas do FGPC com as comisses de garantias nos novos fnanciamentos, que eram sufcientes para os pagamentos de crditos em inadimplncia, reduziram-se a partir de 2004, resultando,em2006, emcoberturaequivalente aapenas5%dasdespesas para Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil416honrar as garantias contratadas. Assim, as receitas novas no so mais sufcientes para os pagamentos das garantias dos fnanciamentos antigos. Outra restrio, que contribui para difcultar a expanso dos fnanciamentos s pequenas empresas, encontra-se nos procedimentos burocrticos das homologa-es de crdito, segundo agentes fnanceiros entrevistados. As anlises das soli-citaes de crdito encaminhadas pelos agentes so realizadas caso a caso pelo BNDES, oque contribui para prolongar o prazodas aprovaes dos fnancia-mentos. Liberaes em volumes maiores (tranches), como ocorre com os recursos do FAT e dos Fundos Constitucionais de Financiamento transferidos aos bancos federais, agilizariam as liberaes dos recursos para os empresrios sem resultar em maiores riscos para o BNDES, uma vez que os riscos de crdito cabem ao agente fnanceiro. Outra difculdade encontra-se nas exigncias de apresentao de extensa docu-mentaoreferenteregularidadefscaletrabalhistacomosrgosetributos federais,que,almdeaumentaroscustosburocrticos,representamfatorde alongamento dos prazos de aprovao dos crdito, dada a burocracia envolvida nas entregas dos documentos pelos rgos expedidores. Essas exigncias repre-sentam fator de aumento dos custos nas solicitaes de crdito, que poderiam ser superadas por meio de normas simplifcadoras, uma vez que o risco de crdito cabe integralmente ao agente fnanceiro ao aprovar o crdito empresa. Como as exigncias na apresentao de documentos valem para todos os bancos federais que operam programas especiais de crdito, e no somente para o BNDES, a im-plementao de procedimentos simplifcadores dependeria da adoo de normas gerais, vlidas para todos os programas de crdito direcionado.Finalmente, na avaliao das difculdades de acesso aos recursos do BNDES so ainda citadas, pelos agentes fnanceiros, as falhas gerenciais e estruturais que ca-racterizam uma expressiva parcela das MPEs. Entre as defcincias sobressaem: a informalidade na conduo dos negcios, abaixatransparncia nos registros contbeisenasdocumentaes legais, e a inadequada administraofnanceira dos negcios. Essas defcincias aumentam as assimetrias de informaes entre a empresa e os bancos, contribuindo para aumentar os riscos e encarecer o custo do crdito. 5PROGRAMA DE GERAO DE EMPREGO E RENDA5.1Linhas de Crdito do Proger O Programa de Gerao de Emprego e Renda (Proger) consiste em um conjunto de programas e de linhas de crdito direcionados a pequenos empreendedores e a produtores das reas urbana e rural, institudo em 1994 no mbito do FAT, um fundo voltado implementao de programas de proteo ao trabalho e gerao Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil417de emprego e renda, vinculado ao Ministrio do Trabalho e Emprego14. A modalidade urbana do Proger o Proger Urbano foi instituda com o objeti-vo de facilitar o acesso ao crdito de segmentos empreendedores com difculda-des de obteno de emprstimos no mercado de crdito bancrio, como o caso dos pequenos empresrios informais, profssionais liberais, empreendedores ini-ciantes e associaes e cooperativas de pequenos produtores, bem como das mi-cro e pequenas empresas. A concesso de crdito acompanhada de capacitao gerencial do empresrio e de assistncia tcnica empresa, quando consideradas necessrias pelo agente fnanceiro do programa, alm da previso de acompanha-mento da evoluo do empreendimento pelo agente15 O critrio de classifcao de pequenas empresas observa o limite de receita bruta anual de R$ 5 milhes.O Proger Urbano dispe das seguintes linhas de crdito, com diferentes pbli-cos-alvo16: MPE Investimentos; MPE Capital de Giro; Proger Turismo Investimento; Proger Turismo Capital de Giro; Cooperativas e Associaes; Profssional Liberal e Recm-Formado; FAT Empreendedor Popular; Proger Professor (aquisio de equipamentos de informtica); e Proger Exportao.14OFATgeridopeloConselhoDeliberativodoFundodeAmparoaoTrabalhador(Codefat),rgoformadopor representantes dos trabalhadores, dos empregadores e do governo, que estabelece diretrizes para a alocao de recursos do fundo e administra o custeio do Programa do Seguro-Desemprego e o pagamento de abono salarial aos trabalhadores. OsrecursosdoFATprovm,primariamente,dacontribuiomensalincidentesobreafolhadesalriosdasempresas privadas e pblicas a dois fundos: o PIS, criado em 1970, e o Pasep, de 1970 (unicados em 1975 no Fundo PIS-Pasep). Compem ainda os recursos do FAT os rendimentos das aplicaes dos programas de crdito nos bancos federais. Para aplicao em programas de desenvolvimento, a Constituio de 1998, em seu artigo 239, determinou que o FAT deve alocar,nomnimo,40%dasuaarrecadaoaoBNDES. Almdisso,osrecursosqueexcedemReservaMnimade Liquidez, que garantem os benefcios do seguro-desemprego e o abono salarial aos trabalhadores, so repassados extra-oramentariamente, por meio de convnios, a instituies nanceiras federais para aplicao em programas de crdito para a gerao de emprego e renda (conforme o dispositivo dos depsitos especiais remunerados, da Lei n 8.019/1990 e modicaes, que incluiu o BNDES em programas de crdito adicionais aos 40% alocados primariamente).15 Costanzi e Oliveira (2005).16 Informe Proger Informaes Gerenciais dos Programas de Gerao de Emprego e Renda.Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil418Os agentes fnanceiros do Proger Urbano so o Banco do Brasil, a Caixa Eco-nmica Federal, o Banco da Amaznia e o Banco do Nordeste. Outras agncias ofciais que participam como agentes fnanceiros das demais linhas de apoio f-nanceiro do Proger so o BNDES e a Finep. Os bancos remuneram os recursos recebidos do FAT taxa de juros correspondente TJLP (fxada em 6,25% ao ano para o primeiro trimestre de 2008)17, qual adicionam spread na intermedia-oaotomadordosrecursos.NaslinhasdoProgerUrbanoosspreadsvariam, atualmente,de3% a6,0% aoano, ealcanam14% aoanonalinhade crdito Proger Turismo para capital de giro (Tabela 20). Uma exigncia aos bancos, con-tida nas normas do Proger, a de que no podem ser solicitadas reciprocidades aos tomadores de crdito. 5.2Caractersticas do Crdito s Micro e Pequenas Empresas no Proger UrbanoO Proger Urbano concede emprstimo para investimentos em capital fxo e para capital de giro; nessa segunda modalidade associado ao investimento ou conce-didoisoladamente.Sofnanciadasaaquisiodemquinaseequipamentos, instalaes eltricas e hidrulicas, mveis e utenslios de escritrio, instalaes comerciaiseaquisiodeveculosautomotoresutilizadosnonegcio,entre outrositens.ATabela20apresentaasprincipaiscaractersticasdaslinhasde crditodoProgerUrbano,onmerodeoperaeseovalortotalfnanciado em 2007. Comoseobserva,osprazosparaaamortizaonalinhadecrditoMPEs Investimentosalcanamat96meses,comlimitedecrditoestabelecidoem R$ 400 mil; para capital de giro o teto para fnanciamento de R$ 100 mil. As demais linhas que oferecem crdito para investimentos so o Proger Turismo Investimento, Cooperativas e Associaes, Profssional Liberal, Recm-Forma-do, FAT Empreendedor Popular, Professor e Proger Exportao. Na rea do microcrdito, a linha FAT Empreendedor Popular concede emprsti-mos s pessoas fsicas de baixa renda que desenvolvem pequenos negcios com receita anual de at R$ 120 mil. Os emprstimos nessa linha so limitados a R$ 3 mil para capital de giro. UmdosobjetivosdoProgerincentivaraformalizaodasMPEs,pormeio doregistrodaempresanoCadastroNacionaldasPessoasJurdicas(CNPJ)da Receita Federal, passando a empresa a recolher as contribuies e os impostos devidos nas esferas federal, estadual e municipal. Para contribuir com o objetivo da regularizao das frmas, o Proger determina que pelo menos 30% da linha MPEInvestimentossejaaplicadoemempresascontribuintesdoregimeSim-17 A forma de reembolso dos bancos, ao FAT, dada pela Resoluo n 439/2005, do Codefat.Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil419ples de pagamento unifcado de tributos e contribuies, regulamentado pela Lei Complementar n 123/2006.Fonte: Ministrio do Trabalho e Emprego. 1 Banco do Brasil (BB); Banco da Amaznia (Basa); e Caixa Econmica Federal (CEF).TABELA 20Proger Urbano linhas de crdito, condies de acesso, total de operaes e valor dos nanciamentos 2007Linhade crditoFinanciamentoBeneciriosTetonancivelEncargos nanceiros(1) PrazoN deoperaesValor(em milhes)MPEInvestimentoMPEs comfaturamentoanual de atR$ 5 milhesR$ 400 milBB: TJLP + 5,33% a.a.Basa:TJLP + 5,33% a.a CEF: TJLP + 5% a.a.BB: at 96 mesesBasa: at 96 mesesCEF: at 48 meses 85.142 2.898 MPE Capitalde giroMPEs comfaturamentoanual de atR$ 5 milhesR$ 100 milBB: 2,49% a.m.CEF: TJLP + 6% a.a.;12% a.a. para valoracima de R$ 30 mil.At 18 meses1.684.865 3.769 Proger Turismo Investimento MPEs comfaturamentoanual de atR$ 5 milhesR$ 400 milTJLP + 5,33% aa. At 120 meses.1.574 72,5 Proger Turismo Capital de Giro MPEs comfaturamentoanual de atR$ 5 milhesDe 8% a 10% do faturamento TJLP + 14% a.a. BB: at 180 diasCEF: 12 meses232 4 Cooperativas e Associaes Cooperativasformadas pormicro e pequenosempreendedoresBB: R$ 1 milho. Basa: R$ 960 mil.CEF: R$ 50 mil.BB: TJLP + 4% a.a.Basa: TJLP + 4% a.a. CEF: TJLP + 5% a.a.BB: at 96 mesesBasa: at 96 mesesCEF: at 48 meses1.068 25 ProssionalLiberal eRecm-Formado Prossionaisliberais de nvelmdio e superiorR$ 10 mil;R$ 20 mil na reade sade; eR$ 30 mil paraequip mdicos.TJLP + 6% a.a.BB: at 36 mesesBasa> at 36 mesesCEF: at 36 meses paraprossionais formadosa mais de 4 anos. Pararecm-formado: at24 meses 3.492 37 FATEmpreendedorPopularPessoas fsicas debaixa renda: fatu-ramento anual deat R$ 120 milR$ 3 milTJLP + 3% a.a. CEF: at 18 meses BB: at 36 meses 5.750 27 ProfessorProfessores darede pblica eprivada de ensinobsico, com rendade at R$ 2 milR$ 3 milTJLP + 3% a.a. BB: at 36 mesesCEF: at 18 meses 10.279 26 ProgerExportao 232 30 Total 1.793.118 6.916 Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil420Para solucionar a falta de garantias reais dos empreendedores, foi criado, em 1999, o Fundo de Aval para a Gerao de Emprego e Renda (Funproger), cujas perdas porinadimplnciadocredorsocobertascomrecursosdoFAT18.Autilizao desse mecanismo de aval levou a um expressivo crescimento nos emprstimos do Proger a partir de 2000, como se comenta nas duas subsees seguintes.5.3Fundo de Aval para a Gerao de Emprego e Renda O Fundo de Aval para a Gerao de Emprego e Renda (Funproger) foi institudo com o objetivo de oferecer garantia aos riscos dos fnanciamentos concedidos pelo Banco do Brasil com os recursos repassados pelo FAT, no mbito do programa de crdito Brasil Empreendedor, que vigorou de 1999 a 2002 (Morais, 2005). Aps o trmino desse programa, o Funproger continuou a garantir as linhas de crdito do Proger Urbano no Banco do Brasil e nos demais agentes fnanceiros, e, mais recentemente,doProgramaNacionaldeMicrocrditoProdutivoOrientado. O nvel mximo de risco do fundo foi estabelecido em 80% do valor fnanciado, fcando os 20% restantes por conta do muturio19.A Tabela 21 mostra o nmero de contratos de crdito benefciados com o Funpro-ger, o valor dos fnanciamentos, o valor garantido, e quanto esse valor representa, percentualmente, dos fnanciamentos totais, que se encontra prximo do mximo de cobertura permitido, 80%. Observa-se que os fnanciamentos garantidos apre-sentam valores crescentes em todos os anos, demonstrando a importncia do me-canismo na expanso do crdito s MPEs.Fonte: Banco do Brasil, Diretoria de Micro e Pequenas Empresas. TABELA 21Funproger nmero de contrataes e valor dos nanciamentos garantidos 2000-2005Ano No de contratos (em unidades) Valor dos nanciamentos(em R$ milhes correntes) Valor garantido(em R$ milhes correntes) Percentual garantido(em %) 200040.884172,5133,177,2 200148.684356,2267,275,0 200280.231576,6441776,6 200378.791818,1650,179,5 200472.6631.206,4962,0879,7 200571.6521.305,31.021,478,2 200685.2221.615,11.252,977,6 200740.2402.137,11.658,977,6 18 O Funproger foi institudo pela Lei n 9.872, de 23 de novembro de 1999. Como funding, as instituies nanceiras federais podem destinar ao Funproger o valor da diferena entreataxabsicadejurosdoBancoCentral(Selic)ea Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) na remunerao dos saldos disponveis dos Depsitos Especiais do Proger ainda no liberados aos tomadores de crdito (Resoluo Codefat n 573, de 28 de abril de 2008). 19 Lei n 10.360, de 27 de dezembro de 2001, que alterou a Lei n9.872/1999.Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil4215.4Evoluo dos Emprstimos do Proger Entre as linhas de crdito do Proger Urbano, as que apresentaram maior dina-mismo na aplicao de recursos foram a linhade crdito para investimento de MPEs, que passou de R$ 695 milhes, em 2002, para R$ 2,9 bilhes, em 2007; e a linha MPE-Capital de Giro, que realizou cerca de 1,7 milho de operaes em 2007. Nessa ltima linha, criada em 2002, os agentes fnanceiros participam com recursos prprios equivalentes a 30% do capital de giro fnanciado.OsemprstimosdoProgerUrbanoatendem,predominantemente,afrmasde menor porte no conjunto das MPEs com receita anual de at R$ 5 milhes, con-forme indicam os valores mdios dos emprstimos em 2007, que alcanaram va-lores reduzidos, equivalentes a R$ 2,2 mil na linha MPE-Capital de Giro; e a R$ 34 mil na linha MPE-Investimentos. Fonte: Ministrio do Trabalho e Emprego (Brasil, 2007a).1 ndice de preos: IPCA. TABELA 22Proger Urbano evoluo dos emprstimos s micro e pequenas empresas 2001-2007 (Valores em R$ milhes de 2007)(1)Linha de crdito 2002 Valor Noperaes Valor Noperaes Valor Noperaes Valor Noperaes 200420062007 MPE-Investimento21.702695 53.9261.533 68.3692.257 85.142 2.898 MPE-Capital de Giro3912 1.496.0683.268 2.132.4645.105 1.684.865 3.769 MPE-Turismo-Investimento43728 1.57475 2.058 100 MPE-Turismo-Capital de Giro540 4432 232 4 Cooperativas e Associaes5.747220 2.918147 57429 1.068 25 Prossional Liberal e Recm-Formado16.151195 6.77468 5.65453 3.492 37 Empreendedor Popular e Microcrdito163.103541 108.520150 6.64838 5.750 27 Professor aquisio de equipam. de informtica11.58335 20.59356 10.279 26 Proger Exportao13.80447 332 2429 232 30 Total220.8981.699 1.680.3135.233 2.236.5617.624 1.793.1186.916 AlmdaslinhasdecrditoapresentadasnaTabela22,oProgerdesenvolveu uminteressanteprogramadecrditoparafnanciamentosdeprojetosdeino-vao nas empresas e dois programas para a promoo da difuso tecnolgica: FAT-Inovao, Proger Professor e FAT Incluso Digital. O primeiro programa, voltadoaofnanciamentodeprojetosdeinovao,compeumadaslinhasde crdito do conjunto de aes de apoio a PD&I, implementadas pelo Ministrio daCinciaeTecnologia,porintermdiodaFinep,conformeanalisadonoca-ptulo2.Osdoisoutrosprogramastmcomoobjetivofacilitaraaquisiode equipamentos de informtica por parte de professores do ensino fundamental e Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil422mdio, bem como de pessoas fsicas, respectivamente, por intermdio de linhas especfcas de crdito, no Banco do Brasil e na Caixa Econmica Federal.O al-cance do Programa Pr-Inovao no apoio ao setor empresarial ainda apresenta impactoreduzido,noobstantevenhaapresentandocrescimentonosltimos anos:omecanismoaprovou,em2005-2007,142projetosdeempresasinova-doras, no valor total de R$ 1,6 bilhes em crditos. Quanto aos programas para fomentar a aquisio de microcomputadores, esses responderam pela concesso de 12.145 fnanciamentos em 2007, representando crdito aprovado no valor de R$ 28,1 milhes.5.5Avaliao do Proger Urbano A taxa de inadimplncia no Proger Urbano varia muito entre as diversas linhas e pblicos atendidos, de acordo com dados para 2006, tendo alcanado percentuais elevados nas linhas de crdito destinadas a microempreendedores, a saber: Pro-fssional liberal: 24,4%; Empreendedor Popular: 35,7%; e Novo Empreendedor, 55,2%. Na linha MPE-Capital de Giro foi de 12%. Nas demais linhas direciona-das a empresas, a taxa atinge nveis normais, como nos casos seguintes: MPE-In-vestimento; 5,4%; Proger Turismo Investimentos, 2,8%; Proger Turismo-Capital de Giro, 3,3% (Proger, 2007). Os bancos federais agentes fnanceiros do Proger Urbano consideram que esse programadecrditoserevestedecaractersticasextremamentefavorveisaos empresrios de pequeno porte, tanto por suas condies operacionais desburo-cratizadas,quantopelas condies fnanceiras que oferece aosempresrios. As liberaes de recursos do FAT aos bancos agentes fnanceiros so realizadas por meio de convnios envolvendo montantes anuais, implicando o fato de as deci-ses sobre as aprovaes de crdito s empresas no dependerem da aprovao individual de cada operao pelo supridor dos recursos; condio essa que agiliza as aprovaes das solicitaes de fnanciamentos. Outra caracterstica importante que distingue o Proger Urbano dos demais pro-gramasespeciaisdecrditoasuadisponibilidadederecursosparacapitalde giro, em volumes expressivos, sob taxas de juros menores e prazos mais longos que os oferecidos no mercado fnanceiro. O programa conta ainda com um fun-do de aval, o Funproger, que cobre 80% do crdito. A expanso do Proger Urba-no encontra-se ameaada, porm, em razo da diminuio das disponibilidades do FAT para a aplicao em programas de crdito, dado o crescimento dos gas-tos com o seguro-desemprego, que vm reduzindo os excedentes para aplicao em programas de desenvolvimento. No caso do Banco do Brasil, a alocao total reduziu-se de R$ 1,4 bilho, em 2007, para R$ 800 milhes em 2008. Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil4236FUNDOS CONSTITUCIONAIS DE FINANCIAMENTO DO CENTRO-OESTE, DO NORDESTE E DO NORTE Os Fundos Constitucionais de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), do Nor-deste(FNE)edoNorte(FNO)foramcriadosemcumprimentoadispositivo daConstituiode1988,quedeterminouaaplicaode3,0%daarrecadao do IR e do IPI em programas de fnanciamento do setor produtivo dessas trs regies,pormeiodasrespectivasinstituiesfnanceirasregionais20.Concedem fnanciamentos a empresas, a pessoas fsicas e a cooperativas, nos setores agro-pecurio,mineral,industrial,agroindustrial,deturismo,comercial,deservios, de exportaes e de infra-estrutura das trs regies. Os recursos so distribudos na proporo de 60% para a Regio Nordeste, e de 20% para cada uma das outras duas regies. Alm dos repasses anuais de recursos do Tesouro Nacional, os fun-dos contam com os retornos dos fnanciamentos concedidos. Em 2006 o Tesouro Nacional repassou ao FCO, ao FNE e ao FNO R$ 4,6 bilhes. Acrescidas dos retornos das operaes de crdito e dos recursos no emprestados emexercciosanteriores,bemcomodeoutrosajustescontbeis,asdisponibili-dades para 2006 alcanaram cerca de R$ 7,8 bilhes para aplicao em todos os setores. As micro e pequenas empresas da indstria, do comrcio e de servios so fnanciadas em 100% do valor do projeto; as mdias de 85% a 95%; e, as grandes, de 70% a 90%. Opercentual depende do grau de desenvolvimento ou de dinamis-mo da microrregio em que se localiza o empreendimento21. OFNEatuanosnoveestadosdaRegioNordesteenonortedosestadosde Minas Gerais e do Esprito Santo, e seu agente fnanceiro o Banco do Nordeste (BNB), que atua em 1.989 municpios por meio das agncias e correspondentes bancrios. No planejamento das aplicaes para 2008, 55% das disponibilidades foram alocadas para apoio a projetos no rurais, nos setores de infra-estrutura, indstria, agroindstria, turismo, exportao, comrcio e servios. Para os micro epequenosprodutores,industriaiserurais,estoprevistos40%dototaldos recursos. Com a fnalidade de apoiar a pesquisa e a inovao tecnolgica, o FND desenvol-veu uma linha de crdito especfca o Programa de Apoio ao Desenvolvimen-to Tecnolgico (Prodetec) , para o fnanciamento de investimentos fxos e de capital de giro. As linhas de atuao do programa so voltadas ao apoio integral do processo de inovao, desde as fases de construo de prottipos e plantas-piloto,compradetecnologias,atofnanciamentodaimplantaodemicroe 20 ConstituioFederal,artigo159,incisoI,alneaC;eLeisn7.827/1989e9.126/1995.Osrecursosrecolhidos, correspondentes aos 3% do IR e do IPI so repassados, pelo Tesouro Nacional, ao Ministrio da Integrao Nacional, que os distribui ao Banco da Amaznia, ao Banco do Brasil e ao Banco do Nordeste, os agentes nanceiros dos fundos.21 Brasil (2007a). Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil424pequenas empresas em incubadoras e de nova planta industrial para a fabricao de novo produto.O FCO tem como rea de atuao a Regio Centro-Oeste do Brasil, abrangen-do os estados de Gois, do Mato Grosso do Sul, do Mato Grosso e o Distrito Federal. O agente fnanceiro o Banco do Brasil, que conta com cerca de 1.600 pontos de atendimento. Para 2008, o planejamento da aplicao de recursos re-servou 46% para emprstimos rurais, e 44% para indstria, agroindstria, comr-cio, servios, turismo e infra-estrutura, e para os setores do comrcio e servios foramprevistosemprstimosde,nomximo,10%dototalderecursos.Oteto para fnanciamentos por empresa de R$ 10 milhes. Entre as prioridades como ofnanciamentoaprojetosqueaumentemageraoderendaeoemprego,e objetivem a preservao ou a recuperao do meio ambiente encontra-se o apoio a projetos que utilizem tecnologias inovadoras ou contribuam para a gerao e a difuso de novas tecnologias.O FNO atua nos sete estados da Regio Norte Par, Amazonas, Amap, Ro-raima, Tocantins, Acre e Rondnia , que abrange 45% da rea territorial do Pas. Tem como agente fnanceiro o Banco da Amaznia, que desenvolve o planeja-mento anual de aplicaes por meio de dois programas: Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (FNO-Pronaf) e Programa de Financia-mento do Desenvolvimento Sustentvel da Amaznia, este ltimo voltado para empreendimentos rurais e no rurais. A aplicao de recursos para 2008 prev fnanciamentos equivalentes a 39,5% do total da programao para empreendi-mentos no rurais. A concesso de crdito para projetos de inovao tecnolgica est prevista nas diretrizes do FNO, especialmente para a incubao de empresas em parques tecnolgicos, o apoio a instituies de ensino e pesquisa voltadas ao desenvolvimentotecnolgicodaRegioNorte,eacapacitaotecnolgicade setores tradicionais. No obstante a previso de apoio fnanceiro s atividades de inovao, o atual grau de desenvolvimento das economias das trs regies, ainda fortemente baseadas nautilizaoderecursosnaturais,levaconcentraodosfnanciamentosem projetos voltados s vocaes regionais, como o turismo e as agroindstrias pro-dutorasdealimentosprocessados,almdoapoioaodesenvolvimento da infra-estrutura econmica,Outras prioridades incluem o incentivo a projetos e a setores que complementam a base industrial, a busca do adensamento de cadeias produtivas, a incorporao de tecnologias e de novos mtodos de gesto, bem como o apoio moderniza-o de empresas e capacitao da mo-de-obra. Os projetos fnanciados devem contar com assistncia tcnica, incluindo os apoios ao desenvolvimento geren-cial, tecnolgica e contbil.Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil425O apoio s micro e pequenas empresas constitui uma das prioridades nas diretrizes e nas programaes anuais de aplicao dos recursos do FCO, do FNE e do FNO; asmdiasempresastambmsebenefciamcomtaxasdejurosmaisbaixasem comparao s das grandes empresas. Alm disso, apresentam boas condies de fnanciamentos, como taxas de juros e prazos de pagamentos amplamente diferen-ciados, possibilitados pela base de recursos de origem fscal. Em 2006, as taxas de juros cobradas nos setores da indstria, do comrcio e dos servios foram fxa-das em 8,75% ao ano para microempresas, em 10,0% para pequenas empresas, em 12% para mdias empresas, e em 14,0% para grandes empresas; no entanto essas taxas foram reduzidas em 2007 e em 2008. A Tabela 23 informa o nvel atual das taxas anuais segundo os portes de empresa.TABELA 23Fundos Constitucionais de Financiamento critrios de portes de empresas e taxas de juros, ao ano, nos emprstimos para indstria, comrcio e servios 2008Fonte: Elaborao do autor, a partir de dados obtidos no Ministrio da Integrao Nacional (Brasil, 2007a).Porte FCOFNEFNO Receita anualJurosReceita anualJurosReceita anualJuros MicroAt 2406,75At 2406,75At 2407,25 Pequena240 a 2.4008,25240 a 2.4008,25240 a 2.4008,25 Mdia2.400 a 35.000 9,52.400a 35.0009,52.400 a 35.000 10,0 GrandeAcima de 35.00010,0Acima de 35.00010,0Acima de 35.00011,5 Os juros efetivos so ainda menores do que os mostrados na Tabela 23, pois, em um esforo para tentar diminuir os atrasos e as inadimplncias, as normas dos fundos estabelecem a concesso de bnus de adimplncia de 15% nas taxas, para os muturios que pagarem suas parcelas da dvida at a data do vencimen-to. Para os fnanciamentos concedidos aos empresrios localizados na regio do Semi-rido Nordestino o bnus de adimplncia de 25%. 6.1Participao das Micro, Pequenas e Mdias Empresas nos Financiamentos dos Fundos ConstitucionaisA Tabela 24 mostra a evoluo do valor anual dos fnanciamentos e do nmero das operaes de crdito dos Fundos Constitucionais das trs regies, de 2001 a 2006, assim como a taxa de crescimento dessas variveis em 2006, tendo como-base a mdia dos anos 2001-2002. O valor dos fnanciamentos anuais acumulou taxa real de 348% no perodo, em razo da maior elevao dos fnanciamentos do FNE, a partir de 200322.22OaumentodosemprstimosdoBancodoNordeste(BNB),apartirde2003,foipossibilitadopelacapitalizao que o governo federal efetivou no capital desse banco, que at ento estava impossibilitado de elevar a aplicao dos recursos recebidos do Tesouro, em razo, entre outros fatores, da elevada inadimplncia nos emprstimos realizados na segunda metade da dcada de 1990 (Almeida et al., 2006). Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil426TABELA 24Fundos Constitucionais de Financiamento evoluo das operaes de crdito e do valor anual dos nanciamentos indstria, comrcio e servios 2001-2006(Valores em R$ milhes de 2006)Fonte: Elaborao do autor, a partir de dados obtidos no Ministrio da Integrao Nacional (Brasil, 2007a).1 Valores atualizados, na fonte dos dados, pela variao da Taxa de Referncia (TR).Ano FCOFNEFNOTotal NValor(1)NValor(1)NValor(1)NValor(1) 2001 989342297 182286141 1.572 664 20021.71345176068596257 3.069 776 20031.0343151.673603784427 3.4911.346 20041.6534442.1722.023643469 4.4682.936 20051.7946646.1832.136435318 8.4123.117 20062.60250310.9822.28831543813.8993.229 2006/(2001-2002) %92,626,91.978,01.730,4-28,6120,1499,0348,5 Os fnanciamentos totais concedidos pelos fundos aos setores da indstria, do comrcio e dos servios, para investimento fxo e capital de giro, em 2006, esto discriminados na Tabela 25. Os valores contratados alcanaram R$ 3,2 bilhes, dos quais 48% foram destinados a atividades industriais e, o restante, infra-es-trutura, ao comrcio e aos servios. Considerando-se os totais do FNO, do FCO e do FNE, as micro e pequenas empresas receberam 14,5% e, as mdias, 24,1%. Por regio, observa-se que na Centro-Oeste as MPEs receberam percentual maior do total de fnanciamentos, isto , 32,9%, um resultado que refete a deciso do conselho deliberativo do FCO, em 2003, de reservar 51% dos emprstimos para MPEs e pequenos produtores rurais, a fm de evitar a concentrao dos fnancia-mentos em grandes empresas e em projetos agrcolas de maior porte23. Tambm oFNEestabeleceu,apartirde2007,percentualdedirecionamentodecrdito de,nomnimo,40%paramicroepequenasempresasepequenosprodutores rurais.TABELA 25Fundos Constitucionais de Financiamento nanciamentos, por portes de empresa 2006(Valores em R$ milhes)Fonte: Ministrio da Integrao Nacional (Brasil, 2007a).Ano FCOFNEFNOTotal % Valor % Valor % Valor % ValorMicro/Pequeno16532,926111,44410,147014,5 Mdio8416,756324,613029,777824,1 Grande25450,414646426460,21.98161,4 Total5031002.2881004381003.229100 23 Resoluo n 197/2003 do Conselho Deliberativo do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste. Polticas de Incentivo Inovao Tecnolgica no Brasil4276.2Importncia do Crdito dos Fundos Constitucionais de Financiamento para as Micro, Pequenas e Mdias EmpresasParaaspequenasempresasdasregiesCentro-Oeste,NordesteeNorte,aim-portncia dos Fundos Constitucionais de Financiamento decorre diretamente das condiesfavorveisemqueocrditoconcedido,especialmentequantos baixas taxas de juros. Os prazos de amortizao podem chegar a doze anos para investimento, e a trs anos para capital de giro24. Os adiantamentos podem chegar a at 100% das necessidades de recursos de investimento.As normas dos fundos prevem a conjugao do crdito com assistncias tc-nica,gerencial,tecnolgicaecontbil,seconsideradasnecessriaspelobanco porocasiodaanlisedapropostadecrdito.Paraatenderamaiornmerode empresas, o crdito limitado por cliente, segundo as normas especfcas de cada fundo.Osfnanciamentosconcedidosabrangeminvestimentosemmquinas, equip