Flauta Celso Woltzenlogel

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  • 8/14/2019 Flauta Celso Woltzenlogel

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    Capitulo IA EVOLUQAO DA FLAUTA

    A ftauta e urn dos instrumentos de sopro mais antigos e urn dos primeiros instrumentos musicais ~ N a i a ~ . . .

    Os historiadoresda antiguidade atribufam suas origensaobra do acaso ou a personagens da mitologia. A c:ilnr:irlpnrn. calculaque tenha surgido M mais de 20.000 anos, a julgar pela analise de alguns exemplares encontrados, talaadeosso

    Provavelmente, a flauta foi inventada, paralelamente, por povos distantes, sem nenhum contato entre si, podendoser comprovado atraves das flautas de bambu ou de argila achadas no Peru, de formas e de sonoridades semelhantes st.dzadas pelos gregos e egfpcios.Uma das vers6es rnais aceitas sobre a sua origem e a de que o homem primitivo, quando vagava pelos bosques

    na Ansia de imitar os sons dos passaros, teria aprendido a assobiar. Posteriormente, ouvindo o som produzido pelo ventonos canaviais, tomou urn pedacto de cana e levando o aos Jabios conseguiu emkir sons semelhantes ao assobio, porem mais fortesA partir dessa descoberta, o homem aperfeic;oou a flauta de bambu, modificando nao s6 as suas forrnas, mastambem a qualidade dos materiais empregados na sua construc;ao. Ate a primeira metade do seculo XVII, as flautas n opossuram nenhum mecanismo. Eram providas apenas de oriffcios, e sup5e-se que a primeira chave (Re#) tenha surgidopor volta de 1660.Hoje e diffcil acreditar que as grandes obras da literatura classica do instrumento, como as sonatas de Bach, deHaendel e os concertos de Vivaldi, entre outros, pudessem ter sido executadas com flautas tao simples.Ate princfpios do seculo XIX, verificaram-se poucos progressos. As flautas continuavam com pouca sonoridade ecom muitos problemas de afinac;ao, apesar de novas chaves terem sido acrescentadas ao seu mecanismo. Somente po

    volta de 1840, ela tornou-se, realmente, urn instrumento quase perfeito, semelhante ao utilizado hoje em dia, grac;as a urnmecanisrno revolucionario inventado por Theobald Boehm, flautista, compositor e fabricante de flautas.Esse novo mecanismo, conhecido como "sistema Boehm", aumentou a extensao da flauta, facilitou o dedilhadopermitindo a execuyao de obras de virtuosidade ate entao impraticaveis com as flautas antigas.Foi Louis Lot, celebre fabricante de flautas, da "Maison lot" de Paris, quem a tornou o instrumento definitivoConstruiu-as com uma Jiga especial de prata, enriquecendo sobremaneira a qualidade sonora do instrumento. Foram as rna sperfeitas fabricadas na Europa, servindo, posteriormente, de modelo para as flautas americanas e japonesas, taorequisitadas atualmente.Entusiasmados com os novos progressosalcanc;ados e como crescenta interesse pelo instrumento, os compositorescomeyaram a escrever, explorando o novo carater virtuosistico da flauta. Foi o perfodo aureo dos grandes solos de concerto

    das arias de bravura e dos temas com varia96es, quando se destacaram os grandes flautistas e compositores ToulouDemerssemann, Briccialdi, Doppler, e o pr6prio Boehm.A partirde 1950, comec;a uma grande disputa entre os fabricantes, principalmente nos Estados Unidos. Procurandoaperfeic;oar ainda mais o instrumento, descobrem-se novas Iigas metalicas e sao produzidas as primeiras flautas de ouroe de platina. Atualmente, as flautas mais procuradas sao: Haynes, Powell, Brannen (americanas) e Muramatsu, SankyoYamaha e Miyazawa Oaponesas), fabricadas em prata e em ouro, cujos pre

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    Para complementar ainda mais os progressos do instrumento os fabricantes dedicam-se agora em aumentarextensao dos sons graves tendo surgido as flautas baixo e contrabaixo em varias tonalidades.No Brasil ha mais de urn seculo a flauta vern sendo difundida atraves de notaveis mestres como o celebre flautis

    belga Andre Reichert o qual chegou no Rio de Janeiro em 1859 trazido pelo lmperador D Pedro II. Nessa epoca destacouse outro exfmio flautista o brasileiro Joaquim Antonio da Silva Callado o primeiro professor do Imperial Conservat6rde Musica hoje Escola de Musica da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

    Ainda nessa cidade no princfpio do seculo o legendario Patapio Silva falecido prematuramente em 1907 ao27 anos alcan

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    Capitulo VRESPIR C O EXERC[CIOS RESPIR TORIOS

    0 simples fato de sopra r nao significa produzir som. Para que a emissao seja correta, com a fluidez e perfei;ao necessarias aboa execu;aode uma obra, e indispensavel, alem do dominio da tecnica da embocadura, urn perfeito conhecimento da respirac;ao, base substancial para os nossosprop6sitos artisticos.

    A respirac;ao mais recomendada para os ins trumentistas de sopro e a diafragmatica. Ela perm ite a execuc;ao de longas frases, o aumento daamplitude do som e a emissao afinada das notas em pianissimo na regiao aguda, porque grac;as a ela os pulmoes podem desenvolver toda a suacapacidade e o diafragma pode impulsionar de maneira mais controlada a coluna de ar.Se observarmos alguem deit ado em decubito dorsal, notaremos que a sua respira;ao e naturalmente diafragmatica. Epor esta razao queaconselhamos nossos alunos a se exercitarem primeiramente nessa posi;ao. Em seguida, poderao comec;ar os exercicios de pe ou sentados.

    INSPIR C OA INSPIRACAO EM TRES FASESDe pe ou sentado, com o busto e a cabec;a erguidos, exalar todo oar que puder, contraindo o diafragma, como se este fosse urn fole.lmaginar que os pulmoes estao divididos em trlls partes: base, parte media e parte superior.lnspirar lentamente pelo nariz sem levantar os ombros, enchendo primeiramente a base.Deter a inspirac;ao por alguns segundos e continuar enchendo a parte media. Deter novamente a inspirac;ao e encher finalmente a partesuperior ate esgotar a capacidade pulmonar.Repetir este exercicio varias vezes, ate conscientizar o seu mecanisme.B INSPIRACAo NUMA SO FASElnspira r lentamente pelo nariz, enchendo primeiramente a base, em seguida a parte media e finalmente a parte superior, ate esgotar acapacidade pulmonar.

    EXPIR C OExalar lentamente pela boca, contraindo o diafragma e os musculos intercostais. A medida que o ar vai sendo expulso, estes voltam aposic;ao de repouso, empurrando a coluna de ar.Para melhor compreensao desse mecanisme comparar o t6rax a urn cilindro aberto. 0 diafragma seria representado por urn pistao que sedesloca de baixo para cima dentro desse cilindro. fig. 1 . Outro exemplo seria comparar o trabalho do diafragma com os movimentos de urn fole. figs

    2 e 3 .Aconselhamos aos nossos alunos, antes de pegarem o instrumento, praticarem estes exercicios durante alguns minutes num local bernarejado.Como eles servem tambem para relaxar-se, sao muito uteis antes das apresentac;oes publicas.

    EXERCiCIOS RESPIR TORIOS SEM 0 INSTRUMENTOEstes exercicios tllm como objetivo aumentar a capacidade pulmonar. Por essa razao, e indispensavel pratica-los regularmente.

    EXERCiCIO IEste exercicio deve ser feito inicialmente deitado em decubito dorsal. A fim de melhor sentir e controlar os movimentos do diafragma, econveniente colocar urn livro pesado sobre o ventre.Uma vez compreendido o mecanisme do exercicio, prossegui-lo de pe, da seguinte maneira:a Colocar a palma da mao sobre o abdome, bern abaixo das costelas.b) lnspirar lentamente pelo nariz. Dever-se-ll se sentir que o diafragma empurra a mao.c Continuar inalando lentamente, expandindo o t6rax, de maneira a inspirar uma boa quantidade de ar.d) Sustentar a respira;ao por alguns segundos.e Exalar lentamente pela boca.

    EXERCiCIO IIa Proceder como nos trlls primeiros itens do exercicio I.b Exalar lentamente, interrompendo a expirac;ao com freqOentes pausas, a fim de fortalecer os musculos empregados no contro le da col unadear.

    EXERCiCIO Illa Sentado ou em pe, inalar lentamente, ora pelo nariz, ora pela boca.b Esgotada a capacidade pulmonar, reter oar durante alguns segundos.

    EXERCiCIO IVa) lnalar rapidamente pela boca.b Exalar lenta e constantemente pela boca, produzindo o som correspondente a urn S prolongado sssss ... . Desta forma sera mais facilverificar a regularidade da expira;ao.Os flautistas respiram a maior parte do tempo pela boca; se insistimos em respirar pelo nariz eporque desta maneira se inspira uma maior --. .:....1-....1 1 ............ o t ...... in.r . . o .nto. n :tol nn c.o o c f n r r ~ ~ r ~ a m roc:.nir::tr r t n i r l ~ ~ m ~ n t p nP.I h o c ~

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    Capitulo VIRESPIRACAO CONTINUA OU CIRCULAR

    Nocoes BaslcasA respiraft8o contrnua ou circular e urn recurso que permite tocar urn instrumento de sopro sem interrompero fluxo

    Consiste em expulsar o ar armazenado na boca enquanto inspira-se, simultaneamente, pelo nariz.lnciamente, queremos ressaltar que ela nao e absolutamente indispensavel para o flautista. ~ apenas urn recursoa pemti a e x e ~ o de frases excessivamente longas especialmente, na musica do seculo XX impraticaveis com attpra;io normal. A falta de criterios no seu emprego no entanto podera acarretar urn certo mal estar entre os ouvinteshatJiuados com esse tipo de r e s p i r a ~ o~ iq)ortante ressaltar que esta tecnica deve ser somente praticada quando o flautista ja tiver urn domfnio completodiafragmatica.Apesar de sua popularidade recente entre os adeptos da musica contemporanea, a r e s p i r a ~ o contrnua e no

    .....,, uma tecnica milenar empregada, principalmente, entre os povos orientais na f a b r i c a ~ a o artesanal do vidro.Oentre todos os instrumentos de sopro a flauta e a que oferece maiores dificuldades para a sua p l i c a ~ o em razaogrande volume de ar empregado e da pouca pressao utilizada na p r o d u ~ a o do som.Com os instrumentos de palheta ou de bocal obtem-se melhores resultados ja que ao contrario da flauta, elesde muita pressao e oferecem p