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Ford Toyota Volvo

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artigo sobre modelos de produçao

Text of Ford Toyota Volvo

ARTIGO

FORDISMO, TOYOTISMO E VOLVISMO: '" OS CAMINHOS DA INDUSTRIA EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO Thomaz Wood, Jr.Engenheiro Qumico pela UNICAMP, Mestrando em Administrao de Empresas da EAESP/FGV e Profissional do Setor Fibras e Polmeros da Rhodia S.A.

PALAVRASCHAVE: Reestruturao da indstria, organizao do trabalho, mtodos de produo..,f(- ABSTRACT: After the 70's, the american-european supremacy in the industrial world has been chalenged by the Japan rising economy. It is said that this fact is dose linked to the production methods and work organization dominant in the companies of industrialized western countries. This paper will investigate tree aspects of the question: the rise and fall of the mass production - the "Fordist System"; the birth and caractheristics of the "Toyota System" and the emergence of the "Volvo System". It is intended, at the end of the work, to produce a general view of the transformation process and the restructuring of industry over this century.

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RESUMO: A partir dos anos setenta, a supremacia euroamericana no mundo industrial tem sido desafiada pela crescente economia japonesa. Liga-se este fato aos mtodos de produo e forma de organizao do trabalho dominante nas companhias dos pases industrializados ocidentais. Este trabalho investigar trs pontos da questo: a ascenso e queda da produo em massa - o "Sistema Fordista"; o nascimento e as caractersticas do "Sistema Toyota" e o surgimento do "Sistema Volvo". Pretende-se, ao final do trabalho, ter produzido uma viso geral sobre o processo de transformao e reestruturao da indstria neste sculo.

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KEY WORDS: Restructuring ization, methods of production. So Paulo, 32(4): 6-18

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of industry,

work organSet,/Out. 1992

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Revista de Administrao de Empresas

FORDISMO, TOYOTISMO E VOLVISMG...

A nous la libert o ttulo de um filme do diretor francs Ren (Jair. A estria mostra dois companheiros de fuga da priso; um s deles bem-sucedido, assinale-se que em detrimento do outro. Eles so os protagonistas de uma stira indstria - sociedade - que reduz o homem a uma mquina. O bem-sucedido na fuga, interpretado por Raymond Cordy, sobe rpida e habilmente no mundo industrial, tornando-se um importante empresrio. O outro, Henri Marchand, aps cumprir sua pena, perambula inocentemente pela narrativa, conservando o ar alegre e um desapego sincero, tentando sempre aceitar o inesperado. O reencontro dos dois amigos, agora habitando mundos diametralmente opostos, d incio a uma reviravolta na estria. Henri vai trabalhar na fbrica de Raymond e suas aes vo potencializar a reconverso do amigo. Na seqncia final, a fbrica - um quase personagem - entregue por Raymond aos operrios, que no tm outras atividades que no sejam pescar ou distrair-se em jogos. Enquanto isso, a produo feita por autmatos. Os dois amigos seguem seu caminho, pela estrada, com uma trouxa de roupas nas costas e cantarolando a cano que d ttulo ao filme. O diretor usa o vasto complexo industrial como moldura para uma crtica bem humorada aos processos desumanizadores. Em essncia, defendem-se, de maneira por vezes ingnua, mas sempre potica, os valores bsicos do ser humano. O filme de 1931. INTRODUO: OS SISTEMAS GERENCIAIS E SUAS IMAGENS A partir da dcada de setenta, a liderana industrial at ento incontestvel dos Estados Unidos e da Europa Ocidental passou a ser desafiada pelo Japo. Advoga-se que este fato est estreitamente ligado ao declnio da forma de organizao do trabalho dominante nas empresas ocidentais. O modelo de produo fordista estaria, por isso, sendo substitudo na indstria manufatureira em todo o mundo por novos conceitos e princpios.

Este trabalho abordar este tema a partir de trs metforas desenvolvidas por Garet Morgan no livro Images of Organizaton.' Para criar um campo analtico, estas metforas sero contrapostas a trs diferentes sistemas gerenciais. Assim, na primeira parte, ser descrita a imagem da organizao como mquina e, em seguida, abordado o tema da produo em massa a partir do caso da Ford. Na segunda parte a empresa analisada ser a Toyota e a imagem escolhida, a da organizao como organismo. Na terceira parte, finalmente, ser tomada a metfora do crebro e abordado o caso da Volvo. ORGANIZAES COMO MQUINAS: FORO E A PRODUO EM MASSA As origens da organizao mecnica2

A palavra organizao vem do grego organon, que significa instrumento. Organizaes so, portanto, uma forma de associao humana destinada a viabilizar a consecuo de objetivos predeterminados. Mas este conceito perdeu fora prtica em algum ponto do desenvolvimento capitalista, quando as organizaes passaram a ser fins em si mesmas. Pode-se afirmar que esta transformao est de alguma forma ligada mecanizao do trabalho e suas conseqncias. Passamos, a partir de um certo estgio do processo de industrializao, a usar mquinas como metforas para ns mesmos e a moldar o mundo de acordo com princpios mecnicos. O trabalho nas fbricas passou a exigir horrios rgidos, rotinas predefinidas, tarefas repetitivas e estreito controle. A vida humana sofreu profunda transformao. A produo manual deu lugar produo em massa; a sociedade rural deu lugar urbana e o humanismo cedeu ao racionalismo. Todo o sistema de valores e crenas foi afetado. "...Tudo que era slido desmanchou no ar... "3 Max Weber observou o paralelo entre a mecanizao da indstria e a proliferao das formas burocrticas de organizao. Segundo ele, a burocracia rotiniza a administrao como as mquinas rotinizam a produo. Weber definiu a organizao burocrti-

1. MORGAN, Gareth. Images of Organization. Beverly Hills, Sage, 1986. Alm das imagens utilizadas no presente trabalho, Morgan tambm desenvolve as seguintes imagens para organizaes: culturas, sistemaspolticos,prisespsquicas, fluxo e transformao e instrumentos de dominao. 2. Idem, ibidem, capo2, pp. 19-37. 3. A frase original de Karl Marx: "Tudo que slido desmancha no ar, tudo que sagrado profanado, e os homens so finalmente forados a enfrentar com sentidos mais sbrios suas reais condies de vida e sua relao com outros homens". Citado em BERMAN, Marshal. Tudo que

slido desmancha no ar -a aventurada modernidade. So Paulo, Schwarcs, 1990, p. 93.

1992, Revista de Administrao de Empresas / EAESP / FGV, So Paulo, Brasil.

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ARTIGO

ca pela nfase na preciso, velocidade, clareza, regularidade, confiabilidade e eficincia atingidas atravs da criao de uma diviso rgida de tarefas, superviso hierrquica e regras e regulamentos detalhados. As organizaes burocrticas so capazes de rotinizar e mecanizar cada aspecto da vida humana, minando a capacidade de uma ao criadora. A origem da Teoria Clssica da Administrao est ligada combinao de princpios militares e de engenharia. O gerenciamento, sob este prisma, visto como um processo de planejamento, organizao, comando, coordenao e controle.

segundo, um maior reconhecimento do lado humano, ainda que o princpio seja o de adaptar o homem s necessidades da organizao, e no o contrrio. A idia central continua sendo que as organizaes so sistemas racionais que devem operar da forma mais eficiente possvel. Um engenheiro americano, dotado de um carter obsessivo, que ganhou a reputao de "inimigo do trabalho humano", tido como o grande mentor do gerenciamento cientfico. Seu nome: Frederick Taylor.' Taylor desenvolveu uma srie de princpios prticos baseados na separao entre trabalho mental e fsico e na fragmentao das tarefas. Estes princpios so aplicados at hoje tanto nas fbricas como nos escritrios. O efeito direto da aplicao desses princpios foi a configurao de uma nova fora de trabalho marcada pela perda das habilidades genricas manuais e um aumento brutal da produtividade. Por outro lado, passaram a surgir problemas crnicos como absentesmo e elevado turnover. A utilizao desses princpios marcou a expanso industrial americana e foi uma das suas chaves de sucesso durante muito tempo. Enfocar e administrar as organizaes como mquinas significam fixar metas e estabelecer formas de atingi-las; organizar tudo de forma racional, clara e eficiente; detalhar todas as tarefas e, principalmente, controlar, controlar, controlar ... Aps dois sculos de industrializao e desenvolvimento capitalista, temos estes valores j interiorizados. Quando do seu surgimento, o gerenciamento cientfico foi visto como soluo para todos os problemas. Ainda hoje muitas indstrias, ou mesmo unidades ou departamentos dentro de empresas, encontram na administrao cientfica uma resposta para os seus problemas. Mas isto pressupe condies ambientais estveis, produtos com poucas mudanas ao longo do tempo e previsibilidade do fator humano. Ocorre que a acelerao das mudanas scioculturais e econmicas tem levado ao desaparecimento dessas condies. Alm disso, as organizaes orientadas pelo enfoque gerencial mecanicista tendem a

Ainda hoje muitas indstrias, ou mesmo unidades ou departamentos dentro de empresas, encontram na administrao cientfica uma resposta para os seus problemas. Mas isto pressupe condies ambientais estveis, produtos com poucas mudanas ao longo do tempo e previsibilidade do fator humano.

O desenvolvimento conceitual foi marcado pelos trabalhos do francs Fayol, do americano Mooney e do ingls Urwick. Eles interessaram-se pelos problemas prticos de gerenciamento e codificaram as experincias de organizaes de sucesso para que servissem de exemplo. Princpios como unidade de comando, diviso detalhada do trabalho, definio clara de responsabilidade, disciplina e autoridade passaram a ser chaves para o xito das organizaes. O respectivo projeto organizacional considera a empresa como uma rede de partes interdependentes, arranjadas numa seqncia especfica, e apoiada em pontos definidos de rigidez e resistncia. A modernizao dos conceitos originais inclui dois pontos-chave: primeiro, uma flexibilizao do princpio de centralizao, visando a dotar as organizaes de maior capacida

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