~$Formacion Profesores Educacion Profesional Inep

  • View
    258

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of ~$Formacion Profesores Educacion Profesional Inep

EDUCAO SUPERIOR EM DEBATEVolume 8

Formao de Professores para Educao Profissional e Tecnolgica

EDUCAO SUPERIOR EM DEBATEVolume 8

Formao de Professores para Educao Profissional e Tecnolgica

Braslia, 26, 27 e 28 setembro de 2006

Braslia-DF 2008

Coordenao-Geral do Simpsio Educao superior em debate Dilvo Ristoff Jaqueline Moll Palmira Sevegnani de Freitas Organizao do Simpsio Avaliao participativa: perspectivas e debates Dilvo Ristoff

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Ansio Teixeira (Inep) permitida a reproduo total ou parcial desta publicao, desde que citada a fonte.

ASSESSORA DE EDITORAO E PUBLICAES Lia Scholze PROGRAMAO VISUAL Mrcia Terezinha dos Reis EDITOR EXECUTIVO Jair Santana Moraes REVISO E NORMALIZAO BIBLIOGRFICA Focalize Eventos e Servios Ltda. CAPA Marcos Hartwich DIAGRAMAO Celi Rosalia Soares de Melo TIRAGEM 1.000 exemplares EDITORIA Inep/MEC Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Ansio Teixeira Esplanada dos Ministrios, Bloco L, Anexo II, 4 Andar, Sala 414 CEP 70047-900 Braslia-DF Brasil Fones: (61) 2104-8438, 2104-8042 Fax: (61) 2104-9812 editoria@inep.gov.br DISTRIBUIO Inep Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Ansio Teixeira Esplanada dos Ministrios, Bloco L, Anexo II, 4 Andar, Sala 404 CEP 70047-900 Braslia-DF Brasil Fone: (61)2104-9509 publicacoes@inep.gov.br http://www.publicacoes.inep.gov.br/ A exatido das informaes e os conceitos e opinies emitidos so de exclusiva responsabilidade dos autores. Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Ansio Teixeira Formao de Professores para Educao Profissional e Tecnolgica : Braslia, 26, 27 e 28 de setembro de 2006. Braslia : Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Ansio Teixeira, 2008. 304 p. (Coleo Educao Superior em Debate ; v. 8) 1. Educao profissional e tecnolgica. 2. Formao docente. 3. Ensino superior. I. Srie. CDU 377.8

SUMRIOApresentao Eliezer Pacheco ................................................................................. Introduo Jaqueline Moll .................................................................................. Parte I Contribuies Mesa-redonda Formao de professores para a educao profissional e tecnolgica: perspectivas histricas e desafios contemporneos. ........................................................ Acacia Zeneida Kuenzer ....................................................................... Maria Ciavatta Franco ........................................................................ Luclia Regina de Souza Machado .........................................................

9 11

17 19 41 67

Mesa-redonda Formao de professores para a educao profissional e tecnolgica no mbito da legislao educacional brasileira e do ensino superior no Brasil .................................................... 83 Bertha de Borja Reis do Valle ....................................................... 85 Regina Vinhaes Gracindo .............................................................. 109 Eloisa Helena Santos ..................................................................... 125 Olgamir Francisco de Carvalho ...................................................... 141

Mesa-redonda: A Rede Federal de Educao Profissional e Tecnolgica e a Formao de Professores para a Educao Profissional e Tecnolgica .................................................................................... Maria Rita Neto Sales Oliveira ...................................................... Cibele Daher Botelho Monteiro e Luiz Augusto Caldas Pereira ..... Dante Henrique Moura ...................................................................

157 159 173 193

Parte II Debates ..................................................................... 225 26/9/2006 .................................................................................... 227 27/9/2006 .................................................................................... 259 28/9/2006 .................................................................................... 281

APRESENTAO

Eliezer Pacheco*

O debate Formao de Professores para a Educao Profissional e Tecnolgica est conectado ao conjunto de debates dos grandes temas de Educao Profissional e Tecnolgica, no Brasil de hoje. Na ordem direta das nossas preocupaes est a formao docente, que necessita ir alm da Resoluo 02/97, do CNE, mas, sobretudo, est o debate acerca da matriz de conhecimentos que poder constituir processos formativos que aproximem cincia, tecnologia, arte e cultura. Impe-se perguntar de que pedagogia (ou andragogia) estamos falando, quando pensamos em educao para o mundo do trabalho. O que importante em termos de saberes pedaggicos para a formao de professores para a educao profissional e tecnolgica? Para qual sociedade e para que tipo de insero profissional preparamos nossos alunos? Faz-se necessrio retomar um iderio perdido ao longo dos anos 90, porque as prticas sociais e polticas e seus discursos introduzem, nestes anos, alm de toda ideologia do estado mnimo, um contedo narcsico e individualista no campo do trabalho docente. No cotidiano das instituies, muitos professores e professoras sequer percebem que cumprem uma funo social. preciso retomar o debate curricular, pedaggico, as matrizes histricas e polticas nos seus condicionantes.* Secretrio de Educao Profissional e Tecnolgica (Setec/MEC).

|9

Alm disso, faz-se necessrio refletir sobre o lugar da rede federal de Educao Profissional e Tecnolgica (EPT) neste cenrio de formao docente para a EPT. H um papel especfico desta rede como ator social na construo de parmetros para essa discusso. importante que no trabalhemos com o ou, mas com e em termos de possibilidades formativas: da licenciatura tecnolgica aos programas de ps-graduao lato sensu e aos programas especiais de formao. Assumimos, enquanto Setec, o compromisso de constituirmos um grupo de trabalho e desencadear o dilogo com o CNE, a Anfope, a ANPEd e outros organismos. Reunindo pesquisadores deste campo de conhecimento, propomos o debate com a participao de todas as representaes, construindo em conjunto formas que nos possibilitem enfrentar o desafio de oferecer sociedade polticas pblicas para uma Educao Profissional e Tecnolgica de qualidade. Agradecemos o empenho e a disponibilidade do Inep para que este Simpsio pudesse acontecer, bem como o empenho dos participantes em permanecerem conosco neste trs dias, para avanarmos no debate sobre a formao de professores para Educao Profissional e Tecnolgica.

10|

INTRODUO

Jaqueline Moll*

A realizao do VIII Simpsio da srie Educao Superior em Debate com o tema Formao de Professores para a Educao Profissional e Tecnolgica resultado do fecundo dilogo entre o Inep e a Setec. Honra-nos a presena das professoras-pesquisadoras Acacia Kuenzer (UFPR), Lucilia Machado (Una) e Maria Ciavatta (Uerj), pois elas representam o pensamento sobre educao profissional e tecnolgica, produzido no Brasil nos ltimos 20 anos. Honra-nos, tambm, a presena de representantes da Anfope, do Conselho Nacional de Educao, de diretores e professores da rede federal de Educao Profissional e Tecnolgica (EPT)1, e de colegas professores universitrios. No mbito da Setec, o debate sobre a formao de professores para educao profissional e tecnolgica impe-se no atual contexto de expanso da rede que passar de 144 unidades (final de 2005) para 354, at o final de 2010. Trs critrios balizam a expanso que ocorrer nos prximos anos: implantao de escolas nos Estados onde no existiam,2 a interiorizao das*

Professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e diretora do Departamento de Polticas e Articulao Institucional da Secretaria de Educao Profissional e Tecnolgica (Setec/MEC). E-mail: Jaqueline.moll@mec.gov.br Esta composta por Centros Federais de Educao Profissional e Tecnolgica, por Escolas Agrotcnicas, Escola Tcnica de Palmas (TO) Escolas Tcnicas e Agrcolas vinculadas s universidades federais, Colgio Pedro II e Universidade Tecnolgica Federal do Paran. Amap, Acre, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.

1

2

|11

escolas para chegarmos ao corao do Pas, aos lugares desprovidos desse aparato da educao pblica, inclusive como estratgia para diminuir a migrao para os grandes centros urbanos e colaborar para o desenvolvimento local e regional, e, ainda, a instalao das escolas em regies perifricas, sobretudo, das grandes cidades. O pressuposto que acompanha a expanso o da indissociabilidade entre formao geral e profissional. Acreditamos que este um n importante para ser desatado: como integrar elementos da formao geral dos campos da cincia, da cultura e das artes com a formao tecnolgica especfica para determinados campos profissionais? Entendemos que nos debates proporcionados por este Simpsio se coloca, entre outros, um problema epistemolgico que tem que ser enfrentado. No campo da proposta educativa, tal problema se traduz no desafio de construo de estratgias pedaggicas para a leitura e compreenso do mundo, no s do mundo do trabalho, mas para a insero laboral e social qualificada e cidad. Outro pressuposto o da indissociabilidade entre a universalizao da educao bsica e a educao profissional e tecnolgica. Dados apontam cerca de 60 milhes de brasileiros e brasileiras com 18 anos e mais que no concluram a escolaridade bsica. Ento, no se pode continuar dissociando educao tcnica e escolarizao, conforme propunha o Decreto n 2.208/97, sob pena de alimentarmos, na histria da educao brasileira, a dualidade perversa que reservou para alguns um conhecimento mais elaborado e, para a maioria, o acesso aos rudimentos do ler, escrever e contar e o iniciar-se em alguma instruo profissionalizante. Nas polticas pblicas propostas pelo governo Lula,