Função Pública-Regime de Vinculação

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Lei n. 12-A/2008 de 27 de Fevereiro Estabelece os regimes de vinculao, de carreiras e de remuneraes dos trabalhadores que exercem funes pblicas A Assembleia da Repblica decreta, nos termos da alnea c) do artigo 161. da Constituio, o seguinte: TTULO I Objecto e mbito de aplicao Artigo 1. Objecto 1 - A presente lei define e regula os regimes de vinculao, de carreiras e de remuneraes dos trabalhadores que exercem funes pblicas. 2 - Complementarmente, a presente lei define o regime jurdico-funcional aplicvel a cada modalidade de constituio da relao jurdica de emprego pblico. Artigo 2. mbito de aplicao subjectivo 1 - A presente lei aplicvel a todos os trabalhadores que exercem funes pblicas, independentemente da modalidade de vinculao e de constituio da relao jurdica de emprego pblico ao abrigo da qual exercem as respectivas funes. 2 - A presente lei tambm aplicvel, com as necessrias adaptaes, aos actuais trabalhadores com a qualidade de funcionrio ou agente de pessoas colectivas que se encontrem excludas do seu mbito de aplicao objectivo. 3 - Sem prejuzo do disposto na alnea a) do n. 1 do artigo 10., a presente lei no aplicvel aos militares das Foras Armadas e da Guarda Nacional Republicana, cujos regimes de vinculao, de carreiras e de remuneraes constam de leis especiais. 4 - As leis especiais de reviso dos regimes de vinculao, de carreiras e de remuneraes referidas no nmero anterior obedecem aos princpios subjacentes aos artigos 4. a 8., n.os 1 a 3 do artigo 9., artigos 25. a 31., 40. e 41., n.os 1 a 4 do artigo 42., n.os 1 e 2 do artigo 43., n. 1 do artigo 45., artigos 46., 47. e 50., n.os 1 e 3 do artigo 66., artigo 67., n.os 1 e 2 do artigo 68., n. 1 do artigo 69., artigos 70., 72., 73., 76. a 79., 83. e 84., n. 1 do artigo 88., artigos 101. a 103., n.os 1 a 3 do artigo 104., artigo 109., n. 1 do artigo 112., artigos 113. e 114., n.os 1 a 3 e 6 a 10 do artigo 117. e artigo 118., com as adaptaes impostas pela organizao das Foras Armadas ou da Guarda Nacional Republicana e pelas competncias dos correspondentes rgos e servios. Artigo 3. mbito de aplicao objectivo 1 - A presente lei aplicvel aos servios da administrao directa e indirecta do Estado. 2 - A presente lei tambm aplicvel, com as necessrias adaptaes, designadamente no que respeita s competncias em matria administrativa dos correspondentes rgos de governo prprio, aos servios das administraes regionais e autrquicas. 3 - A presente lei ainda aplicvel, com as adaptaes impostas pela observncia das correspondentes competncias, aos rgos e servios de apoio do Presidente da Repblica, da Assembleia da Repblica, dos tribunais e do Ministrio Pblico e respectivos rgos de gesto e de outros rgos independentes. 4 - A aplicabilidade da presente lei aos servios perifricos externos do Estado, quer relativamente aos trabalhadores recrutados localmente quer aos que, de outra forma recrutados, neles exeram funes, no prejudica a vigncia:

a) Das normas e princpios de direito internacional que disponham em contrrio; b) Dos regimes legais que sejam localmente aplicveis; e c) Dos instrumentos e normativos especiais de mobilidade interna. 5 - Sem prejuzo do disposto no n. 2 do artigo anterior, a presente lei no aplicvel s entidades pblicas empresariais nem aos gabinetes de apoio quer dos membros do Governo quer dos titulares dos rgos referidos nos n.os 2 e 3. TTULO II Gesto dos recursos humanos Artigo 4. Planificao da actividade e dos recursos 1 - Tendo em considerao a misso, as atribuies, a estratgia, os objectivos superiormente fixados, as competncias das unidades orgnicas e os recursos financeiros disponveis, os rgos e servios planeiam, aquando da preparao da proposta de oramento, as actividades, de natureza permanente ou temporria, a desenvolver durante a sua execuo, as eventuais alteraes a introduzir nas unidades orgnicas flexveis, bem como o respectivo mapa de pessoal. 2 - Os elementos referidos no nmero anterior acompanham a respectiva proposta de oramento. Artigo 5. Mapas de pessoal 1 - Os mapas de pessoal contm a indicao do nmero de postos de trabalho de que o rgo ou servio carece para o desenvolvimento das respectivas actividades, caracterizados em funo: a) Da atribuio, competncia ou actividade que o seu ocupante se destina a cumprir ou a executar; b) Do cargo ou da carreira e categoria que lhes correspondam; c) Dentro de cada carreira e, ou, categoria, quando imprescindvel, da rea de formao acadmica ou profissional de que o seu ocupante deva ser titular. 2 - Nos rgos e servios desconcentrados, os mapas de pessoal so desdobrados em tantos mapas quantas as unidades orgnicas desconcentradas. 3 - Os mapas de pessoal so aprovados, mantidos ou alterados pela entidade competente para a aprovao da proposta de oramento e tornados pblicos por afixao no rgo ou servio e insero em pgina electrnica, assim devendo permanecer. 4 - A alterao dos mapas de pessoal que implique reduo de postos de trabalho fundamenta-se em reorganizao do rgo ou servio nos termos legalmente previstos. Artigo 6. Gesto dos recursos humanos em funo dos mapas de pessoal 1 - Face aos mapas de pessoal, o rgo ou servio verifica se se encontram em funes trabalhadores em nmero suficiente, insuficiente ou excessivo. 2 - Sendo insuficiente o nmero de trabalhadores em funes, o rgo ou servio, sem prejuzo do disposto na alnea b) do n. 1 e nos n.os 3 e 4 do artigo seguinte, pode promover o recrutamento dos necessrios ocupao dos postos de trabalho em causa. 3 - O recrutamento referido no nmero anterior, para ocupao dos postos de trabalho necessrios execuo das actividades, opera-se com recurso constituio de relaes jurdicas de emprego pblico por tempo indeterminado, excepto quando tais actividades sejam de natureza temporria, caso em que o recrutamento efectuado com recurso constituio de relaes jurdicas de emprego pblico por tempo determinado ou determinvel. 4 - O recrutamento para constituio de relaes jurdicas de emprego pblico por tempo indeterminado nas modalidades previstas no n. 1 do artigo 9. inicia-se sempre

de entre trabalhadores com relao jurdica de emprego pblico por tempo indeterminado previamente estabelecida. 5 - O recrutamento para constituio de relaes jurdicas de emprego pblico por tempo determinado ou determinvel nas modalidades previstas no n. 1 do artigo 9. inicia-se sempre de entre trabalhadores que: a) No pretendam conservar a qualidade de sujeitos de relaes jurdicas de emprego pblico constitudas por tempo indeterminado; ou b) Se encontrem colocados em situao de mobilidade especial. 6 - Em caso de impossibilidade de ocupao de todos ou de alguns postos de trabalho por aplicao do disposto nos nmeros anteriores, o rgo ou servio, precedendo parecer favorvel dos membros do Governo responsveis pelas finanas e pela Administrao Pblica, pode proceder ao recrutamento de trabalhadores com relao jurdica de emprego pblico por tempo determinado ou determinvel ou sem relao jurdica de emprego pblico previamente estabelecida. 7 - O sentido e a data do parecer referido no nmero anterior expressamente mencionado no procedimento de recrutamento ali em causa. 8 - Nas condies previstas no n. 4 do artigo anterior, sendo excessivo o nmero de trabalhadores em funes, o rgo ou servio comea por promover as diligncias legais necessrias cessao das relaes jurdicas de emprego pblico constitudas por tempo determinado ou determinvel de que no carea e, quando ainda necessrio, aplica s restantes o regime legalmente previsto, incluindo o de colocao de pessoal em situao de mobilidade especial. 9 - O recrutamento previsto no n. 5 pode ainda ocorrer, quando especialmente admitido na lei, mediante seleco prpria estabelecida em razo de aptido cientfica, tcnica ou artstica, devidamente fundamentada. Artigo 7. Oramentao e gesto das despesas com pessoal 1 - As verbas oramentais dos rgos ou servios afectas a despesas com pessoal destinam-se a suportar os seguintes tipos de encargos: a) Com as remuneraes dos trabalhadores que se devam manter em exerccio de funes no rgo ou servio; b) Com o recrutamento de trabalhadores necessrios ocupao de postos de trabalho previstos, e no ocupados, nos mapas de pessoal aprovados e, ou, com alteraes do posicionamento remuneratrio na categoria dos trabalhadores que se mantenham em exerccio de funes; c) Com a atribuio de prmios de desempenho dos trabalhadores do rgo ou servio. 2 - Sem prejuzo do disposto no n. 6 do artigo 47., a oramentao dos tipos de encargos referidos nas alneas b) e c) do nmero anterior efectuada de forma equitativa entre os rgos ou servios e tem por base a ponderao: a) Dos objectivos e actividades do rgo ou servio e da motivao dos respectivos trabalhadores, quanto ao referido na alnea b) do nmero anterior; b) Do nvel do desempenho atingido pelo rgo ou servio no ano anterior ao da preparao da proposta de oramento, quanto ao referido na alnea c). 3 - Compete ao dirigente mximo do rgo ou servio, ponderados os factores referidos na alnea a) do nmero anterior, decidir sobre o montante mximo de cada um dos tipos de encargos referidos na alnea b) do n. 1 que se prope suportar, podendo optar, sem prejuzo do disposto no n. 6 do artigo 47., pela afectao integral das verbas oramentais correspondentes a apenas um dos tipos. 4 - A deciso referida no nmero anterior tomada no prazo de 15 dias aps o incio de execuo do oramento. 5 - Quando no seja utilizada a totalidade das verbas oramentais destinadas a suportar o tipo de encargos referido na alnea b) do n. 1, a parte remanescente

acresce s destinadas a suportar o tipo de encargos referido na alnea c) do mesmo nmero. TTULO III Regimes de vinculao CAPTULO I Constituio da relao jurdica de emprego pblico SECO I Requisitos relativos ao trabalhador Artigo 8. Requisitos A constituio da relao jurdica de emprego pblico depende da reunio, pelo trabalhador, alm de outros que a lei preveja, dos seguintes requisitos: a) Nacionalidade portuguesa, quando no dispensada pela Constituio, conveno internacional ou lei especial; b) 18 anos d