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Fundamentos Bíblicos de um autêntico Avivamento - CPAD

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  • Claudionor Corra de Andrade

    FUNDAMENTOS BBLICOS DE UM

    AUTNTICO

    AVIVAMENTO

    OCPAD

  • Todos os direitos reservados. Copyright 200 4 para a lngua portuguesa da Casa Publicadora das Assemblias de Deus. Aprovado pelo Conselho de D outrina.

    Capa e projeto grfico: Eduardo Evangelista Editorao:Josias Finam ore Santos

    C D D : 269 - Avivamento Espiritual ISB N : 8 5 -2 6 3 -0 6 0 2 -2

    Para maiores inform aes sobre livros, revistas, peridicos e os ltimos lanamentos da CPAD, visite nosso site: http://www.cpad.com.br

    As citaes bblicas foram extradas da verso Almeida Revista e C orrigida, edio de 1995, da Sociedade B blica do Brasil, salvo indicao em contrrio.

    Casa Publicadora das Assemblias de Deus Caixa Postal 3312 0 0 0 1 -9 7 0 , R io de Janeiro, R J, Brasil

    P edio/2004

  • DEDICATRIA

    \ todos os que oram e suplicam a Deus por um autntico avivam ento espiritual.

  • ro

    SUMRIODedicatria................................................................................................... 5I. A Chama Arder continuamente............................................. ............ 91 O que o Avivamento....................................................................... 393. O Avivamento e a Soberania das Sagradas Escrituras..................... 474 O Avivamento e a Proclamao da Palavra de Deus....................... 655.0 Avivamento e a Orao...................................................................776 .0 Avivamento Produz a Santificao e a Integridade...................... 87 O Avivamento e o Batismo com o Esprito Santo.............................99S. O Avivamento e os Dons Espirituais............................................1079 .0 Avivamento e a Operao de Milagres........................................ 117

    10.0 Avivamento e o Formalismo...................................................... 12511.0 Autntico Avivamento Pentecostal Tem o Esprito Santo..............13312. O Verdadeiro Avivamento Tem Equilbrio....................................141

    . O Avivamento no E meramente Mstico.E, acima de tudo, Espiritual...........................................................153

    14. O Avivamento e a Perspectiva Histrica...................................... 16515. Somente uma Igreja Avivada Pode Mudar a Histria do Brasil.... 17116.0 Avivamento e a Iminncia da Volta de Cristo............................17917. Aviva, Senhor, a tua Obra!...........................................................187

  • IA CHAMA ARDER CONTINUAMENTE

    I

    SUMRIO: Introduo; I. O Avivamento nos Primeiros Sculos; n . O Avivamento na Idade Mdia; III. O Avivamento na Era Pr- Reforma; IV. O Avivamento durante a Reforma; V. O Avivamento Ps-Reforma; VI. O Avivamento Wesleyano; VII. Os Grandes Avi- vamentos Americanos; VIII. O Avivamento Pentecostal; Concluso; Questionrio.

    INTRODUO

    Em junho de 2001, tive o privilgio de participar, na acalorada e encantadora Belm do Par, das com em oraes dos noventa anos de fundao das A ssem blias de Deus no Brasil. Em m eio a tantos m onum entos histricos e espaos de m em ria; em m eio s recordaes que os antigos diluam entre os m ais novos; em m eio quelas caravanas vindas do Sul, chegadas do N ordeste, procedentes do Centro-Oeste e do Sudeste; em meio queles hom ens,

  • FUNDAMENTOS BlBLICOS DE UM AUTNTICO AVIVAMENTO

    m ulheres e crianas que m archavam pela cidade que, no in c io do Scu lo X X , aco lh era D an ie l Berg e G un nar Vingren, senti-m e com o se estivesse no Cenculo quando da descida do Esprito Santo.

    Durante aqueles dias de intensas celebraes, dei-me conta da grandeza, do alcance e da pujana do Avivamento Pentecostal. Alis, que avivam ento no pentecostal?

    N oventa anos se haviam passado desde que D aniel Berg e Gunnar Vingren chegaram a Belm dispostos a im plantar, em terras brasileiras, o Evangelho Pleno de Nosso Senhor, proclam ando a todos que Jesus Cristo salva, batiza no Esprito Santo, cura os enferm os, opera m aravilhas e, em breve, vir buscar a sua Igreja. Em bora os historiadores seculares no o reconheam , o Avivam ento Pentecostal im prim iu novo ritm o ao Brasil. Desde aquele j distante junho de 1911, com eam os a desvencilhar-nos das am arras do Catolicism o Rom ano, a fim de viverm os uma nova realidade espiritual.

    As razes do A vivam ento Pentecostal rem ontam ao cenculo em Jerusalm . Ao contrrio do que dizem os cessacionistas, o batism o no Esprito Santo, os dons espirituais e as m aravilhas do Senhor no se lim itaram ao perodo apostlico; so to atuais hoje quanto h dois m il anos.O pentecostes jamais deixou de existir; so recursos que sempre estiveram disposio da Igreja.

    Neste captulo, veremos um pouco da histria dos grandes avivamentos que, reprisando a efuso do Esprito Santo em Jerusalm , vm despertando a Igreja, im pulsionando-a a agir como a agncia por excelncia do Reino de Deus.

    I. 0 AVIVAMENTO NOS PRIMEIROS SCULOS

    Apesar da preocupao dos primeiros doutores da Igreja em fazer a apologia dos cristos diante dos potentados romanos que, arbitrria e discricionariam ente, perseguiam- nos, no deixaram aqueles telogos de registrar os diversos

  • arr.entos que se iam alastrando entre o povo de Deus.'sztl tempo de grandes visitaes dos cus; eram pero-

    rc s i e inefveis refrigrios.1 Igncio. Revivendo a expanso da m ensagem crist~rus prim rdios, Igncio fala dos pastores que, no

    : - : : r ~e as perseguies que lhes m oviam as autoridades : manas, foram abrindo igrejas at aos confins da terra. Que rcra os movia? A mesm a que, efundida no Pentecostes, le-

    : _ os primeiros discpulos a evangelizar a Judia, a odia- ' Samaria, a cosmopolita Antioquia e a orgulhosa Roma.

    2. Tertuliano. Nascido em Cartago, no Norte da frica, 7 7 r volta de 160, teve ele uma esmerada educao. Vivendo r Tensamente a prom essa da efuso do Esprito Santo, fez-

    se arauto da m ensagem pentecostal. Testemunha ele que, entre os cristos daquela poca, no eram poucos os que r^avam lnguas, interpretavam -nas e profetizavam.

    Tertuliano, que tambm foi um brilhante advogado, discorre sobre o avano da Igreja aos potentados de Roma:

    Embora sejamos novios de no longa data, temos enchido todos os lugares de vossos domnios - cidades, ilhas, com unidades, conclios, exrcitos, tribos, senado, o palcio, as cortes de justia. E se os crentes tivessem esprito de vingana, seu grande nm ero seria ameaador, pois aprecivel, no s nessa ou naquela provncia, m as em todas as regies do m undo".

    3. Agostinho (354-430). Bispo de Cartago, Agostinho considerado um dos maiores telogos de todos os tempos. Sua influncia estende-se tanto aos catlicos quanto aos protestantes. Acerca da doutrina pentecostal, estava ele suficientemente seguro quanto atualidade do batism o no Esprito Santo e dos dons espirituais: "N s faremos o que os apstolos fizeram quando im puseram as m os sobre os samaritanos, pedindo que o Esprito Santo casse sobre eles: esperamos que os convertidos falem novas lnguas".

    Tal era o avivamento da Igreja que o historiador Harnack calculou que, por volta de 303, o nmero de crentes, s na

    n w JUtDBlA CONTINUAMENTE

  • FUNDAMENTOS BBLICOS DE UM AUTNTICO AVIVAMENTO

    sia Menor, j beirava os 50 porcento de toda a populao dessa rica e representativa provncia. Impressionado com o vigor da comunidade crist, o imperador Constantino resolve fazer-se discpulo de Cristo. Sua converso, porm jamais comprovada, traria uma srie de problemas Obra de Deus.

    II. 0 AVIVAMENTO NA IDADE MDIA

    O Im prio Romano estava fadado a desaparecer, como desapareceram outros imprios e reinos da antigidade. Em sua longa e orgulhosa existncia, dom inou povos e naes, e destruiu formidveis potncias militares. De tal forma dilatou suas fronteiras que, avanando em sucessivas ondas desde o Latium , veio a alcanar os confins da terra. Mas, agora, depois de todos aqueles sculos de dissoluo, despotism o, violncia e soberba, jazia fraco; no mais possua o vigor dos prim eiros romanos que, forjados no crisol das lutas, construram um reino que se faria repblica e desem bocaria no imprio sublim ado por Virglio em sua Eneida.

    Foi justam ente este im prio que se ergueu feramente contra o povo de Deus. Primeiro, hum ilhou e avassalou os israelitas, destruindo-lhes o Santo Templo e dispersando- lhes as tribos. Em seguida, ps-se a oprimir a Igreja de Cristo; prende os discpulos do Senhor, m ete-os nos crceres, desterra-os como se fossem crim inosos comuns e coloca-os nas arenas para satisfazer a bestialidade de Roma. Os cristos eram executados aos milhares.

    As autoridades rom anas, porm , no conseguem destruir a Igreja de Cristo. Quanto mais a perseguem , mais ela cresce. Se os seus membros so executados s centenas, aos m ilhares se m ultiplicam. As portas do inferno no logram prevalecer contra os santos do Senhor. Com respeito ao Im prio Romano, retratado por Daniel como o ferro da esttua que Nabucodonosor vira em seus sonhos, e tipificado como aquele terrvel animal contem plado pelo profeta, desaparece em 476. A Igreja, entretanto, sobrevive. E, de avi-

  • ARDER CONTINUAMENTE

    a~_ento em avivam ento, no se deixa dom inar quer pela _: ade Mdia, quer pelo sistema papal que se ia plasm ando n : s formalismos e indiferenas dos cristos nominais.

    1. O avivam ento na Igreja Britnica Primitiva. No ano 500, enquanto a Europa O cidental m ergulhava na Idade M dia, a Obra de Deus expandia-se nos territrios que passariam a ser conhecidos como as Ilhas Britnicas. Gildas, um sbio m issionrio de origem galesa, d este testem unho, confirm ando o pentecostes que varria aquela regio: ' A Igreja est espalhada pela nao inteira. Alm disso, ela se espalhara na Irlanda e Esccia. Era tam bm uma Igreja instruda; tinha sua prpria verso das Sagradas Escrituras e a sua prpria liturgia".

    Patrcio, que dedicara trinta anos de sua vida a evangeli- zar a Irlanda, confirma o quanto crescia a Igreja: "Eu fui formado de novo pelo Senhor, e ele me capacitou a ser nesse dia o que antes estava mui longe do meu alcance, para que eu me interessasse pela salvao dos outros, quando eu costumava no pensar nem mesmo na minha prpria salvao".

    Ia o Senhor, assim, levantando obreiros fervorosos e plenos de ousadia, a fim de encher aquelas ilhas do Evangelho de Cristo. O irlands Columba, por exemplo, foi a lona onde fundou uma igreja que, em pouco tem po, se faria m issionria. Ele estabeleceu congregaes desde Orkneys e Sul das Hbridas at ao Humter.

    2. O avivam ento dos Valdenses. Esta confisso evanglica, iniciada por Pedro Valdez em 1170, no territrio abrangido pela m oderna cidade francesa de Lyon, tinha como ideal pregar a m ensagem de Cristo em toda a sua pureza. A princpio, foram os valdenses favorecidos pelo papa Alexandre III. Todavia, devido sua independncia em relao ao clero romano e sua fidelidade s Sagradas Escrituras, tornaram-se abominveis ao sistema papal que acabaria por interdit-los.

    De tal forma viviam os valdenses o pentecostes que, at mesmo em sua morte, propagavam a mensagem do cenculo;

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    eis o que relata um historiador: "N o h uma rocha que no seja um monumento, uma campina que no tenha presenciado uma execuo, nem uma vila que no registre os seus m rtires". O avivamento, comandado pelo prprio Valdo, abalou a Europa do Sculo XII. Escreve o pastor Clarke: "O s valdenses espalharam-se com extraordinria rapidez e esten- deram-se desde Aragon Pomernia e Bomia, embora mais numerosos no sul da Frana, Alcia e nos bairros montanhosos de Savia, Sua e Norte da Itlia".

    No foram poucos os avivamentos que surgiram na Idade Mdia. A Igreja Romana, porm , no somente buscou abaf-los, quer atravs da infm ia e da calnia, quer por meio da tortura e da espada, como tam bm esforou-se por apagar qualquer indcio histrico da existncia desses m ovim entos do Esprito. Felizm ente, a verdade sempre acaba prevalecendo.

    III. 0 AVIVAMENTO NA ERA PR-REFORMA

    Por mais que o sistema papal tentasse, no conseguiu sufocar o avivam ento espiritual que, desde o Sculo XIV, vinha se traduzindo num a ampla reforma da Igreja. O m ovim ento, nascido nos conventos e nas congregaes subterrneas, no tinha qualquer conotao poltica; sua principal demanda era espiritual, como espiritual, o seu alvo: conduzir os crentes a um com promisso maior com a Palavra de Deus. Pois todos j estavam cansados dos tentculos cada vez mais opressos do Catolicism o que, trocando a cruz pelos favores do Estado, tornara-se uma m era instituio.

    Neste perodo, temos a destacar trs grandes avivalistas: Joo Huss, Joo Wickliffe e Jernim o Savonarola.

    1. Joo Huss. Historiadores atestam que, por volta de 1315, havia na Bom ia 80 m il crentes em Jesus Cristo. Este grande m ovimento do Esprito, que em nada diferia do Avivam ento Pentecostal do Brasil, comeou a sacudir os alicerces do sistema papal. Para incendiar aquele pas europeu,

  • JE R CONTINUAMENTE

    : - : territrio hoje ocupado pela Checoslovquia, Deus _ s : u trs hom ens: C onrado de W aldhausen, M ilic da

    : fvia e Matias de Janov. Todos eles abriram caminho para rande despertam ento que haveria de ser desencadeado

    por um dos mais proeminentes precursores da Reforma Protestante do Sculo XVI.

    Joo Huss (1369-1415) foi professor na Universidade de Praga e capelo da corte. Culto, eloqente e convicto das reivindicaes apresentadas pelas Sagradas Escrituras, arrebatava a audincia com os seus sermes e homlias. No :emia ele esbravejar contra os desmandos da Igreja Catlica nem contra a idolatria que, de Roma aos mais escondidos recantos da Europa, vinha afastando o povo de Deus da salvao em Cristo Jesus.

    Intimado a com parecer ao Concilio de Constana, solicitou um salvo-conduto ao im perador Sigismundo. Mas o documento de nada lhe serviria. Num ato de escandalosa arbitrariedade, os membros do concilio condenaram -no fogueira.

    Se a Igreja Catlica pensava que, com a m orte de Huss, o grande avivam ento da Bom ia iria gorar, enganaram-se. Quando da Reform a Protestante, havia no pas quatrocentas igrejas e uma verso com pleta da Bblia em lngua checa. A obra de Joo Huss sobreviveu atravs da Igreja dos Irmos Unidos.

    Conta-se que Joo Huss, no m om ento de sua morte, proferiu uma das mais famosas elocues profticas da Igreja Crist: "H oje, vs queimais um ganso. Daqui a cem nos, porm, nascer um cisne; contra ele nada podereis fazer". Huss, cujo significado em lngua checa "gan so", havia de fato profetizado; um sculo depois de sua m orte, M artinho Lutero deflagrava a Reform a Protestante; no houve quem calasse a voz do cisne alemo.

    2. Joo Wikcliffe. Quando a Igreja Catlica arvorava-se como dona absoluta de todas as coisas, inclusive das Sagra

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    das Escrituras; quando o papa arrogava-se como o vigrio de Cristo, achando-se no direito de proibir a leitura da Palavra de Deus; quando o romanismo colocava-se acima dos profetas hebreus e dos apstolos de Nosso Senhor, eis que se ergue um hom em que ousa declarar:

    "A s Sagradas Escrituras so uma propriedade do povo, e uma possesso que ningum pode arrancar do povo. Cristo e seus apstolos converteram o m undo para fazer conhecidas as Escrituras, e eu oro de todo corao que, por obedecermos ao que est contido neste livro, possamos provar a vida eterna". Tem incio o avivam ento de John W ickliffe (1330-1384).

    A fim de que o povo viesse a conhecer a Palavra de Deus, traduziu ele a Bblia para o ingls, colocando o Santo Livro disposio de seus evangelistas. Seu maior anelo era educar os britnicos no Evangelho de Cristo. Em virtude de sua obra, Wickliffe pode ser considerado, com justa razo, o patrono dos tradutores do texto sagrado. Alm disso, empreendeu ele uma luta renhida e sem quartel contra a corrupo do clero romano que, ao invs de cuidar das pobres almas, deleitava-se em gastar as ofertas e os dzimos dos fiis em festas e orgias. Para Wickliffe, a Igreja somente haveria de m elhorar quando deixasse de lado as influncias de Roma.

    O historiador Pedro R. Santidrin assim resume a b iografia do reformador ingls:

    "A vida, a obra escrita e a atividade de Wickliffe devem ser entendidas a partir da exigncia de limpar a teologia e a prtica crists das degeneraes e excrescncias de sua poca. Queria levar conscincia e ao nimo dos fiis a diferena entre a igreja como e o ideal da Igreja como devia ser. Isso pressupe uma viso crtica e histrica ao mesmo tempo: ambas esto presentes em Wickliffe, como o esto, mais ou menos claramente, em muitos outros contemporneos seus".

    3. Jernimo Savonarola (1452-1498). Tinha Savonarola vinte e trs anos quando resolveu entregar-se vida mons-

  • ARDER CONTINUAMENTE

    n S u a convico, eloqncia e fervor espiritual tornaram- : ramoso como pregador. A semelhana dos primeiros dis- pulos, proclamava o Evangelho de Cristo em toda a sua r-ireza, m ostrando a todos ser este o nico caminho que nos pede conduzir a Deus. Embora alguns historiadores no o admitam, era Savonarola um autntico pentecostal. Doutra :: nua, como haveria de protestar com toda aquela veemncia e uno contra a imoralidade que grassava em Florena?

    Ouamos como Villari descreve o avivam ento desencarnado por Savonarola:

    "A pregao do Superior do Convento confundiu os seus inimigos, pois mudou completamente o aspecto da cidade. As mulheres largavam o uso de jias e passavam a trajar com simplicidade. Os moos libertinos eram transformados em ressoas sbrias e espirituais e as igrejas ficavam repletas nas horas de orao. Tambm a Bblia era lida com diligncia.

    "A fama deste m aravilhoso pregador divulgou-se ento por todo o m undo, por meio dos seus sermes im pressos. O prprio sulto da Turquia ordenou que fossem traduzidos para o turco, para o seu prprio estudo. Sem dvida, o alvo de Savonarola era ser m eram ente o regenerador da religio. Como um dos primeiros protestantes e um dos arautos da Reforma, Savonarola logo entrou em conflito com o papa e como resultado disso foi executado em 1498".

    Em seu sermo do advento, Savonarola conclam a a todos os seus com patriotas a que sirvam a Deus na beleza de sua santidade:

    "N ossa Igreja tem muitas belas cerimnias externas para dar so le n id a d e aos o fc io s e c le s i s t ic o s , com b ela s vestimentas, com m uitos estandartes, com candelabros de ouro e prata. Tu vs ali aqueles grandes prelados com m aravilhosas mitras de ouro, e esses hom ens te parecem de grande prudncia e santidade. E no acreditas que possam esquivar-se, seno que tudo o que dizem e fazem deve observar-se no Evangelho. Eis como est construda a Igreja moderna. Os homens contentam-se com essas folhagens. Os

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    que te odeiam, Senhor, so os pecadores e os falsos cristos, e principalm ente os que esto constitudos em dignidades. E estes so glorificados hoje por terem acabado com a rigidez e a severidade dos cnones, com as instituies dos santos homens de Deus, com a observncia das boas leis. Vs hoje os prelados e os pregadores prostrados com seu afeto em terra, o cuidado das almas j no lhes inquieta o corao, somente pensam em tirar proveito".

    Savonarola muito com bateu o papa Alexandre VI e sua corte m undanizada, desptica e mpia. Por causa de sua coragem, foi excomungado pela Igreja Catlica em 1497. No ano seguinte, o grande pregador, o arauto que Deus tinha em Florena era queimado num a fogueira; seu testemunho continua a arder at aos dias de hoje.

    IV. 0 AVIVAMENTO DURANTE A REFORMA

    A profecia de Joo Huss cumpriu-se. Se os adversrios da Obra de Deus conseguiram queimar o ganso da Bomia, no haveriam de calar a voz do cisne de Eisleben. A partir de M artinho Lutero, iria a Igreja de Cristo voltar aos tem pos de refrigrio dos Atos dos Apstolos. No seria uma m era reforma; deflagrar-se-ia um grande avivamento que, a partir da Alemanha, haveria de mudar radicalmente a vida da Europa e do mundo.

    No Sculo XVI, temos a destacar dois grandes avivalistas que, por fora das circunstncias, entraram para a histria como reformadores: M artinho Lutero e Joo Calvino. M uito devemos ao trabalho destes campees de Deus. Sua obra influenciou profundam ente a vida poltica, econmica, social, cultural e espiritual de seus contem porneos. M ax Webber, por exemplo, afirma que, sem a Reform a Protestante, o M undo Ocidental jam ais teria alcanado o atual estdio de desenvolvimento.

    Considerem os, porm , Calvino e Lutero como dois frgeis vasos que Deus, em sua insondvel graa, usou pode-

  • : samente para reformar e avivar a sua Igreja que jazia des- ~ r_irada pelos desmandos, pecados e iniqidades do sistema t?apal.

    1. M artinho Lutero (1483-1546). Lutero oriundo de -m a famlia hum ilde e operria da antiga cidade alem de z_~.eben. Em 1505, j doutor em filosofia, entrou para a or- :e m dos agostinianos, onde, em profundo recolhimento, mergulhou nas obras de Agostinho. Todavia, nas epsto- :-i de Paulo que o disciplinado e piedoso monge encontra-

    a to esperada paz com Deus. Na Epstola aos Romanos, : - - :obre ele que o hom em jam ais ser justificado por suas : rras; quem o justifica Deus atravs da f em Cristo Jesus

    A vida de Lutero no era s estudo; dedicava-se ele a : ngas e profundas oraes. Escreve William E. Allen: "Lutero

    orava, horas seguidas cada dia. Certa vez um espia o acompanhou a um hotel. No dia seguinte contou ao patro que Lutero tinha orado por quase toda a noite e que ele jamais poderia vencer uma pessoa que orava daquele jeito".

    Foi esse gigante que Deus usou para deflagrar a maior reforma da Igreja. No dia 31 de outubro de 1517, fixou ele nas portas da catedral de W itemberg suas Noventa e Cinco Teses, nas quais condenava os desmandos papais quanto s indulgncias. Com igual m peto, realava a doutrina da salvao pela f nos m ritos de Cristo Jesus.

    M artinho Lutero foi um autntico pentecostal. De conformidade com alguns telogos e historiadores, entre os quais o pastor batista norte-am ericano Jack Deere, era ele batizado no Esprito Santo, falava lnguas, profetizava e possua todos os dons espirituais. A final, com o poderia Lutero haver executado um trabalho to rduo e difcil quanto Reforma Protestante? Infelizmente, como salienta Deere, os revisores que se encarregaram de atualizar a linguagem dos grandes clssicos evanglicos, substituram a sem ntica original de m uitas obras por um vocabulrio liberal, hum anista e sem a fora que os seus autores lhes haviam imprimido. Ao invs de dizer, por exemplo, que Martinho

    d m m a a r d e r c o n t in u a m e n te

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    Lutero era cheio do Esprito Santo e profetizava, escreveram ter sido ele um hom em pleno de entusiasmo pela reforma que empreendia, e que era dotado de um agudo senso de oportunidade para com preender o seu tempo. Na verdade, o que M artinho Lutero e outros cam pees de Deus possuam era a uno que levou Pedro e os demais apstolos a levar a m ensagem de Cristo at aos confins da terra.

    2. Joo Calvino (1509-1564). A cidade sua de Genebra era um antro de iniqidades. Ali, a porta do inferno achava-se escancarada. Calvino, porm , resolveu provar que, atravs do Evangelho de Cristo, possvel mudar no somente pessoas como cidades e civilizaes. Com base nas Escrituras Sagradas, im plantou ele em Genebra um regime teocrtico to eficiente que, passados alguns anos, a cidade j era contada entre as melhores da Europa.

    Nos vinte anos em que Joo Calvino esteve em Genebra, testem unharam os suos o que pode fazer um hom em que tem a Bblia como a sua nica regra de f e prtica. As tavernas tiveram suas portas cerradas; os casamentos foram regularizados; os pecados contra a castidade, severamente punidos. As m odas escandalosas e ofensivas moral e aos bons costumes, substitudas pela modstia.

    Genebra, agora, era a cidade de Deus. Universidades so criadas; o ensino fundamental torna-se modelo para toda a Europa. Quanto ao trabalho, encaravam -no todos como ddiva dos cus, e no como a m aldio im posta sobre os filhos de Ado e Eva. E foi exatam ente a, conform e opinam alguns historiadores, que nasce o capitalismo. Um capitalismo, alis, que nada tem a ver com o capitalism o selvagem de nossos dias; era um capitalismo que gerava riqueza e distribua eqanim em ente a renda.

    Telogo, reformador, avivalista. Mas, acima de tudo, um homem usado poderosamente por Deus para expurgar a Igreja dos erros e tradies romanistas que, h sculos, vinham enfermando o corpo mstico de Cristo. Teve o seu avivamento um alcance to grande que, decorridos cinco sculos, Ge-

  • n e b ra ainda conserva, apesar de todos os excessos do mundo ~ :dem o, sua austeridade, progresso e cultura.

    Xeste perodo, temos a destacar tambm a Joo Knox 1:13-1572), que, diante da situao em que vivia o seu pas, : a a incessantemente: "Oh, Senhor, d-me a Esccia, ou eu

    rro!" Desde 1559, quando comeou ele a percorrer o pas, ao momento de sua morte, milhares de pessoas converteram-se ao Senhor Jesus. E a Esccia, dantes to agregada a ornai religiosidade sem vida, foi convertida f crist.

    V. 0 AVIVAMENTO PS-REFORMA

    Os sucessores de Lutero e Calvino, infelizm ente, no souberam m anter o m peto da Reform a Protestante. Ignorando as bases do avivam ento bblico; m enosprezando o xerccio da piedade; deixando de lado as poderosas armas >iv*s reformadores: a orao e o jejum ; desviando-se da rota raquela gerao que, embora am eaada por foras to superiores, ousaram tremular o estandarte da f; e fraquejando ar te as dem andas m ais legtim as das Escrituras, acabaram por cair naqu ilo que os h istoriad ores d enom inam de E scolstica Protestante.

    1. O que a Escolstica Protestante. Assim conhecida a teologia dos reformadores elaborada nos seminrios e universidades ao longo do Sculo XVII. A Escolstica Protestante tinha como principal objetivo dirimir as dvidas que ainda persistiam acerca dos princpios que levaram Martinho Luterano, no sculo anterior, a deflagrar a Reforma Protestante. Embora minuciosa em suas definies, e apesar de tratar os temas com preciso, lgica e coerncia, a Escolstica Protestante pouca importncia dava teologia prtica.

    E claro que os cristos necessitam os de doutrinas claras e bem definidas. No podem os, contudo, nos perder em conceitos e discusses estreis. uma tragdia quando a Igreja considera a teologia mais im portante que Deus, ou quando coloca as definies acima do objeto a ser definido.

    U M A ARDER CONTINUAMENTE

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    Tais querelas levaram os crentes reformados a perder a fora do primeiro amor.

    O Esprito Santo, porm , j estava preparando o terreno para outros avivam entos e reformas.

    2. A devoo germana. Assim conhecido o m ovim ento desencadeado na Igreja Luterana, em 1666, pelo pastor Spenner. J no podendo m ais suportar a religiosidade amorfa e aptica dos herdeiros de Lutero, clamou ele a Deus, pedindo-lhe uma interveno mais que urgente. Orando e jejuando, milhares de crentes luteranos puseram -se a estudar a Bblia e a evangelizar os estados alemes. Cada leigo transform ou-se num poderoso evangelista.

    Relegando a segundo plano as discusses travadas nos seminrios e universidades, os crentes dem onstraram , na prtica, que a igreja, quando verdadeiram ente pentecostal, sempre acaba por triunfar sobre o reino de Satans.

    3. O avivamento dos Morvios. At a chegada do Conde Zinzendorf a Herrnhut, os colonos dessa regio no conseguiam viver em paz. Achavam-se eles, semelhana dos corntios, divididos em partidos e grupos. Zinzendorf, contudo, ps-se a orar para que aqueles irmos vivessem de fato com o irmos.

    No dia 12 de maio de 1727, todos os grupos, deixando de lado suas diferenas e velhas rixas, resolveram agir como Igreja de Cristo. Tinha incio, naquele m om ento, um dos maiores avivam entos de todos os tempos. Eis o que escreve o historiador A. Bost: "D esde aquele tem po houve adm irvel efuso do Esprito Santo sobre esta venturosa Igreja, at o dia 13 de agosto, quando a m edida da graa divina parecia transbordar com pletam ente". Prossegue o historiador: "Todo o dia trazia alguma nova bno. O Conde se ps a visitar os irmos. Este foi o comeo daqueles pequenos agrupam entos que foram depois cham ados 'grupos de orao'".

    C o ro a n d o a q u ele a v iv a m e n to , D eu s le v a n ta os morvios. A semelhana dos prim itivos cristos, saram eles

  • 5-3ER CONTINUAMENTE

    a : : r.quistar o mundo para Cristo. Chegaram Groenlndia, b ndias Ocidentais, s Am ricas, frica do Sul, sia e - - r rrlia. Os morvios arrebataram multides de almas das srras de Satans.

    VI. 0 AVIVAMENTO WESLEYANO

    A reforma protestante abraada pela Inglaterra no era em reforma nem protestante. Era mais um ato poltico de- t 'ri que VIII. A fim de se vingar do papa que lhe no havia : t rrritido divorciar-se, resolvera criar sua prpria igreja. Atra- ws iesta no somente ele, como vrios de seus descenden-

    contariam sempre com o devido suporte teolgico para B vemar de acordo com as suas convenincias e caprichos. Deus, porm, levantaria um homem para reverter essa situa- : Desafiando o poder da igreja estatal, haveria ele de con- : _zrr os ingleses a um poderoso avivamento.

    Joo Wesley (1703-1791) uma prova incontestvel do ruanto pode Deus operar na vida daqueles que, sem reser-

    as, se entregam a Ele. Insuspeitos historiadores so unni- rn.es em afirmar que, no fora o avivam ento wesleyano, a mglaterra certam ente enfrentaria um a provao to calamitosa quanto Revoluo Francesa. Eis o que escreve Pedro

    5antidrin:"A pregao e a obra de J. W esley inspiram -se no m o

    vim ento 'revivalista' ingls im budo no pietism o e no pu~ ritanism o da poca. Sua doutrina fundam ental baseada na justificao pela graa por m eio da f individual. Da a insistncia na converso. 'O sincero desejo de salvar-se do pecado pela f em Jesus Cristo e de dar provas disso na vida e na conduta' a condio nica para ser adm itido r a Igreja.

    "S u a exp erin cia e sua a tiv id ad e de m ission rio dnerante esto reunidas em seus Dirios de Campanha. Sua

    o bra de organizador e legislador est nas Regras (1743) para as sociedades m etodistas. O Livro dos Ofcios, de carter

  • FUNDAMENTOS BBLICOS DE UM AUTNTICO AVIVAMENTO

    anglicano, guarda seu esprito e insiste na prdica da Palavra e no canto de hinos, em sua m aior parte com postos por ele. Desta forma, Wesley e seus 'evangelizadores' pregaram e cantaram a f em Cristo. Nesta obra, seu irmo Charles tem o m rito de ser o principal colaborador, sobretudo na com posio de hinos, dos quais considerado com o o m aior com positor em lngua inglesa.

    "O m ovimento 'revivalista' de Wesley influiu muito nas cham adas Igrejas L ivres da In glaterra: p resbiterianos, congregacionalistas e batistas. A prpria Igreja Anglicana, embora oposta prdica m etodista, sofreu sua influncia. A vida inglesa passou por uma profunda transform ao em sua moral privada e pblica. O nom e de Wesley ficar para sempre como o do grande pregador que 'revitalizou a vida religiosa e moral dos ingleses"'.

    O evangelista Joo Wesley considerado um dos mais autnticos pais do pentecostalismo. A experincia do corao ardente foi, na verdade, o recebim ento do batism o no Esprito Santo.

    VII. OS GRANDES AVIVAMENTOS AMERICANOS

    Grandes foram as provaes enfrentadas pelos Estados Unidos ao longo de sua histria. Todavia, os americanos, educados na Palavra de Deus, haveriam de vencer todos os obstculos; sabiam que bem-aventurada a nao cujo Deus o Senhor. Se as provaes foram grandes, os avivam entos foram maiores. O que dizer do Grande Despertamento conduzido por Jnatas Edwards?

    1. O grande despertamento. Tendo incio em 1735, o avivam ento alastrou-se por toda a Amrica, preparando o povo para as tem pestades que j apareciam no horizonte d aq u ele im en so co n tin en te . N este em p reen d im en to , Edwards contou com a ajuda do eloqente pregador ingls Jorge W hitefield . Sobre este perodo, d iscorre W illiam Conant:

  • C H A M A ARD ER CO N TIN U A M EN TE

    "A pregao do Evangelho era acom panhada do poder mais adm irvel em toda a parte de Nova Inglaterra; e os avivamentos deram nova vida e m ultiplicaram membros para as igrejas, em maior nmero de cidades do que podemos assinalar neste pequeno espao, por todo o Estado de X ova Inglaterra e Estados do Centro.

    "O s novos convertidos eram fervorosos em esprito. Eles tinham paixo pela salvao de alm as. Em preendim entos nunca vistos foram em pregados im ediatam ente para a divulgao do Evangelho. A lguns iam de casa em casa, em suas respectivas v izinhanas, adm oestando a todo o hom em , exortando a todos a voltar-se ao Senhor. Pastores piedosos eram despertados a um esforo fora do com um , e crentes antigos renovavam a m ocidade. O Senhor dava a m ensagem e grande era o nm ero dos que a anunciavam ".

    Este o testemunho de Edwards: "H avia notveis sinais da presena de Deus em quase toda casa. Era um tempo de alegria nos lares por causa da salvao que neles entrava; pais se regozijavam pela converso dos filhos; esposos, pelas esposas; e esposas pelos esposos. Os passos de Deus eram visveis em seu santurio. Os domingos eram um deleite, e os seus tabernculos eram cativantes".

    2. O avivam ento de B rain erd . Enquanto se dedicava converso dos ndios, Brainerd ps-se a orar por um avivam ento que viesse a sacudir os am ericanos da letargia em que se encontravam . Suas oraes foram ouvidas. Em 1745, com eou a relatar em seu dirio as etapas do que D eus com eou a operar no som ente entre os aborgenes da A m rica com o tam bm entre os hom ens brancos; afinal, todos precisavam desesperadam ente de C risto. N o fora o despertam ento de D avid Brainerd, a tragdia entre os ndios am ericanos teria sido bem maior. M as aprouve a D eus intervir, a fim de que m uitos hom ens de pele verm elha v iessem receber a C risto com o seu pessoal salvador.

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    3. Outros avivamentos na Amrica. Tivssemos mais espao, certamente poderamos discorrer sobre o avivam ento puritano e acerca dos quakers. O que dizer de Finney? Moody? Todavia, estava o Senhor preparando o terreno para um grande, poderoso e irresistvel despertam ento que, tendo incio na Amrica do Norte, iria logo espraiar-se por todo o mundo.

    VIII. 0 AVIVAMENTO PENTECOSTAL

    Para discorrer acerca do Avivamento Pentecostal, franquearemos a palavra ao jornalista Emlio Conde reconhecido como o apstolo da imprensa evanglica do Brasil:

    "O s historiadores que se ocupam do Avivamento Pentecostal do sculo 20 so unnim es em m encionar a Rua Azusa, em Los Angeles, Califrnia, em 1906, como o centro irradiador de onde o avivam ento se espalhou para outras cidades e naes.

    Em verdade, a Rua Azusa transform ou-se em poderosa fogueira divina, onde centenas e milhares, de todos os pontos da Am rica, atrados pelos acontecim entos, iam ver o que se passava, eram batizados com o Esprito Santo, e levavam para suas cidades essa cham a viva - o batism o com o Esprito Santo.

    "P orm quem levou a m ensagem pentecostal a Los Angeles, foi uma senhora m etodista, que, por sua vez, a recebeu na cidade de Houston, quando a fora visitar seus parentes. Podam os citar aqui os avivam entos na Sucia em 1858, e 1740 na Inglaterra. Na Am rica do Norte, podem -se m encionar os avivam entos nos Estados de Nova Inglaterra em 1854, e na cidade de M oorehead, em 1892, seguidos dos de Galena, Kansas, em 1903, e Orchard e Houston, em 1904 e 1905 respectivamente.

    "Reportem o-nos, pois, aos acontecim entos do ano de 1906, na Rua Azusa. Em um edifcio de forma quadrangular, que anteriorm ente servira como arm azm de cereais, reuni

  • A C H A M A A R D ER CO N TIN U A M EN TE

    am-se milhares de hom ens e mulheres sedentos pela graa divina, clamando por um avivam ento, intercedendo pelos pecadores, desejosos de vida abundante, vida de triunfo sobre o pecado.

    "O pastor W. J. Seymour, que servia nessa igreja, no era pregador eloqente; porm seu corao ardia de zelo pela pu reza da obra do Senhor, e sua m en sagem era vivificada pelo Esprito Santo. O pastor Seym our pregava a Palavra de Deus, anunciava a prom essa divina, o batism o com o Esprito Santo, e, a seguir, sentava-se no plpito, tendo o rosto entre as m os, e orava para que Deus operasse nos coraes dos ou vintes. O que acon tecia , en to , inexplicvel: O poder de Deus pousava sobre a congregao; a convico das verdades divinas inundava os coraes; o desejo de santidade dom inava as almas; e, repentinam ente, brotavam os louvores dos coraes; m uitos eram batizados com o Esprito Santo, falavam em lnguas; outros profetizavam ; outros ainda cantavam hinos espirituais.

    "A notcia desses acontecimentos foi anunciada em toda a cidade, inclusive nos jornais seculares, que enviaram reprteres para descreverem os fatos.

    "O s membros das vrias igrejas, uns por curiosidade, outros por desejo de receber mais graa do cu, iam ver com os prprios olhos, o que parecia ser obra de fanticos; todos saam convencidos de que era um movimento divino, e transformavam-se em testemunhas e propagandistas do Movimento Pentecostal que estava em ao em Los Angeles.

    "Sim ultaneam ente com o de Los Angeles, outros avivam entos aconteciam na Inglaterra e na ndia. De vrias cidades da Amrica do Norte, crentes e ministros, atrados pelos fatos, foram at Los Angeles, para constatarem a veracidade destes. Quando esses visitantes voltavam s suas cidades, eram como tochas a arder e a espalhar o fogo de Deus.

    "D entro em pouco os grandes centros urbanos norte- americanos foram alcanados pelo avivamento. Um a das cidades que mais se destacaram e se projetaram no M ovi

  • FUNDAMENTOS BBLICOS DE UM AUTNTICO AVIVAMENTO

    mento Pentecostal foi Chicago. As boas-novas do avivam ento alcanaram, praticam ente, todas as igrejas evanglicas da cidade. Em algum as, houve oposio da parte de uns poucos, porm o avivam ento triunfou.

    "O avivamento, alm de outras caractersticas que o recomendavam, destacava-se pelo esprito evangelstico e pelo interesse que despertava por outros povos, isto , cada um que se convertia, transformava-se, tambm, em missionrio.

    "Enquanto o avivamento conquistava terreno e dom inava a vida religiosa de Chicago, fatos de alta im portncia envolviam dois jovens que esto intimamente ligados Histria das Assemblias de Deus do Brasil. Na cidade de South Bend, no Estado de Indiana, que dista cerca de cem quilmetros de Chicago, m orava um pastor batista que se chamava Gunnar Vingren. Atrado pelos acontecim entos do avivamento de Chicago, o jovem , originrio da Sucia, foi a essa cidade a fim de certificar-se da verdade; ante a dem onstrao do poder divino, ele creu, e foi batizado com o Esprito Santo.

    "Pouco tem po depois, Gunnar Vingren participava de uma conveno de igrejas batistas, em Chicago, que aceitaram o M ovim ento Pentecostal, onde conheceu outro jovem sueco que se cham ava Daniel Berg que tam bm fora batizado com o Esprito Santo.

    "O s dois jovens trocaram idias, e descobriram, ento, que Deus os guiava no mesmo sentido, isto , que o Senhor desejava envi-los com a m ensagem a terras distantes, mas no sabiam aonde seria.

    "A lgum tem po depois, Daniel Berg foi visitar o pastor Gunnar Vingren em South Bend. Nessa ocasio, em uma reunio de orao, Deus, atravs de uma m ensagem proftica, falou ao corao de Daniel Berg e Gunnar Vingren, que partissem a pregar o Evangelho, e as bnos do Avivamento Pentecostal. O local fora m encionado na profecia: Par. N enhum dos presentes conhecia tal lugar. Aps a orao, os dois jovens foram a uma livraria a fim de consultar um mapa

  • A CHAMA ARDER CONTINUAMENTE

    que lhes m ostrasse onde estava localizado o Par. Descobriram , ento, que se tratava de um estado do Norte do Brasil. Ambos ardiam de zelo pela causa de Cristo; eram tochas dessa fogueira que ardia em Chicago.

    "A cham ada divina foi confirm ada, mais tarde, quando se reuniam para orar nesse sentido, no uma vez, m as trs dias seguidos. Tratava-se de uma cham ada de f, e s a f poderia conduzi-los vitria. Eles no tinham qualquer promessa de auxlio, quer de igrejas, quer de particulares, mas tinham o corao cheio de confiana em Deus, e isso lhes dava mais segurana do que qualquer prom essa hum ana que acaso lhes fosse feita.

    "G unnar Vingren e Daniel Berg despediram -se da igreja e dos irmos em Chicago, pois a ordem divina era marchar para onde lhes fora designado ir. A igreja levantou uma coleta para auxiliar os m issionrios que partiam; a quantia que lhes fora entregue, dava exatam ente para a passagem at Nova Iorque. Mas no sabiam como conseguirem dinheiro para com prar a passagem at o Par. Esse pensamento, parece, no os preocupava, pois eles no se detiveram espera de recursos.

    "A prim eira etapa da viagem foi iniciada com orao. Na estao da estrada de ferro, antes de embarcarem para Nova Iorque, ante os olhares da m ultido, ajoelharam-se, deram graas a Deus, e pediram direo para a jornada, e partiram para uma terra que no conheciam.

    "C hegaram grande m etrpole, N ova Iorque, sem conhecerem ningum , e sem dinheiro para continuar a viagem. Naquela cidade, tudo era grande e m ajestoso e impressionante. O m ovimento das grandes avenidas; os edifcios im ponentes e m ais altos do que quaisquer outros, pareciam alheios m isso dos dois viajores. As multides apressadas, e as grandes lojas poderiam causar admirao aos dois provincianos recm-chegados, porm no lhes ofuscava a viso da grandeza da misso de que haviam sido incumbidos.

  • FUNDAMENTOS BBLICOS DE UM AUTENTICO AVIVAMENTO

    "N o sabemos o que pensavam os dois forasteiros ao contem plarem o esplendor da babel m oderna, na expectativa de uma viagem que lhes custaria 90 dlares, e sem terem tal importncia. Supomos que eles, entre aquele vaivm da m ultido, oravam ao Senhor que os protegesse e guiasse.

    "Cam inhavam os nossos irmos por uma das ruas de Nova Iorque, quando encontraram um negociante que conhecia apenas o jovem Gunnar. Na noite anterior, enquanto estava em orao, o negociante sentira que devia enviar certa im portncia ao irmo Vingren. Pela m anh colocou a referida im portncia em um envelope, para m and-la pelo correio, mas logo a seguir encontrou-se com os dois enviados do Senhor; contou-lhes o que Deus lhe fizera sentir, isto , que m andara entregar aquela quantia ao irmo Vingren, e entregou-lhe o envelope.

    "Q uando o irmo Vingren abriu o envelope, quase no podia acreditar; nele havia 90 dlares - exatam ente o custo da viagem at ao Par. Quantas glrias a Deus os nossos irmos deram, naquela hora, no sabem os, mas que foram m uitas, disso temos certeza.

    "Aquela oferta de 90 dlares tinha grande significao, no s porque era suficiente para a passagem, mas tambm porque confirmava, mais uma vez, que os novos missionrios estavam, de fato, na vontade de Deus. No se encontravam eles empenhados em uma obra de f? A f tinha de ser provada para ter valor. Por isso Deus lhes enviara 90 dlares; nem mais nem menos do que o necessrio, mas o suficiente.

    "N o dia 5 de novem bro de 1910, a bordo do Clement, os m issionrios deixavam a frgida Nova Iorque, com destino clida Belm do Par. A m isso dos nossos irm os ini- ciou-se ali m esm o, a bordo do navio, entre tripulantes e passageiros. Eles distriburam folhetos e evangelhos; falaram a Palavra de Deus e testificaram a todos. Claro est que nem todos receberam a m ensagem, porm os m issionrios tiveram o privilgio de ver um dos tripulantes aceitar a Cristo, o qual, mais tarde, foi batizado nas guas, e, com eles,

  • A CHAMA ARDER CONTINUAMENTE

    por m uito tempo, m anteve correspondncia. Era o prim eiro fruto de sua m isso; mais uma prova de que o Senhor estava com os seus servos.

    "N o dia 19 de novem bro de 1910, em um dia de sol causticante dos trpicos, os dois m issionrios desembarcaram em Belm. No possuam eles amigos ou conhecidos nessa cidade; no traziam endereo de algum que os encaminhasse; vinham , unicam ente, encom endados graa de Deus; tinham a proteg-los o Deus de Abrao.

    "Carregando suas malas, enveredaram por uma rua. Ao alcanarem uma praa, sentaram-se em um banco para descansar; e a fizeram a primeira orao em terras brasileiras. Oraram por um povo que lhes era desconhecido, mas que j amavam, e pelo qual estavam dispostos a sacrificar-se.

    "N o fcil imaginar-se quais foram as prim eiras im presses dos jovens m issionrios, naquela tarde em uma praa de Belm , sentindo o sol a aquecer-lhe as roupas grossas e pesadas. Naquela poca, Belm no possua muitas atraes; alm disso, fora invadida por m ultides de leprosos vindos at de naes limtrofes com o Am azonas, atrados pela notcia da descoberta de uma erva que, diziam, curava a terrvel doena. A pobreza do povo tam bm contrastava com o padro de vida da outra Amrica. Aproveitou-se de tudo isso o diabo para desanim ar os recm-chega- dos. Estes, contudo, vieram por ordem do Rei dos reis: nada os amedrontaria nem os faria recuar".

    Emlio Conde narra, a seguir, como foi solidificado o M ovimento Pentecostal do Brasil e a fundao da Assem blia de Deus em nossa ptria:

    "P or insistncia de alguns passageiros com os quais viajaram, os m issionrios Gunnar Vingren e Daniel Berg hospedaram -se num m odesto hotel, cuja diria completa era de oito mil ris. Em uma das mesas do hotel, o irmo Vingren encon trou um jo rn a l que tin ha o endereo do p astor metodista Justus Nelson. No dia seguinte, foram procur- lo, e contaram-lhe o que Deus fizera com eles.

  • FUNDAMENTOS BBLICOS DE UM AUTNTICO AVIVAMENTO

    "Com o Daniel Berg e Gunnar Vingren estivessem at aquele momento ligados Igreja Batista na Amrica (as igrejas que aceitavam o avivamento perm aneciam com o m esm o nome), Justus N elson acom panhou-os igreja batista, em Belm , e apresentou-os ao responsvel pelo trabalho, Raim undo Nobre. E, assim , os m issionrios passaram a m orar nas dependncias da igreja.

    "A lguns dias depois, Adriano Nobre, que pertencia igreja presbiteriana, e m orava nas ilhas, foi a Belm avistar- se com o prim o Raimundo Nobre. Este apresentou os m issionrios a Adriano que, de imediato, m ostrou-se interessado em ajud-los. Adriano, que falava ingls, convidou-os, ento, a passarem alguns meses nas ilhas.

    "E fo i u m a su rp resa p ara os m o ra d o re s do R io Tajapur a chegada dos m issionrios suecos em com panhia de A driano que possua vrias propriedades na regio. O local em que se hospedaram cham ava-se Boca do Ipixuna.

    " de se supor que os m issionrios ficassem surpresos com a exuberncia e armadilhas da selva.

    "E les passaram a m orar no quarto de A drio, irmo de Adriano. A drio, que nesse tem po ainda no ra crente, contou que ficara im pressionado com a vida de orao dos jovens m issionrios. A qualquer hora da noite que despertasse, l estavam os jovens orando, a ss com Deus, em voz baixa, para no incom odar os que dorm iam .

    "A o fim de algum tempo, os m issionrios voltaram a Belm, e continuaram a freqentar a igreja batista. Agora j podiam falar portugus. Vingren continuou a estudar a lngua, enquanto Daniel trabalhava como fundidor. Passado algum tempo, Berg comeou a dedicar-se ao trabalho de colportagem.

    "O s avivamentos nascem na orao, e aqueles que v ivem nos avivam entos alim entam -se da orao. Como os jovens m issionrios tinham o corao avivado pelo Esprito Santo, oravam de dia e de noite. Eles oravam sem cessar.

  • HAMA ARDER CONTINUAMENTE

    "Esse fato chamou a ateno de alguns membros da igre-a, que passaram a censur-los, considerando-os fanticos

    por dedicarem tanto tempo orao. Mas isso no os abala-a. Com desenvoltura e eloqncia, pregavam a salvao

    em Cristo Jesus e o batism o com o Esprito Santo, sempre baseados nas Escrituras.

    "E , assim, alguns membros daquela igreja batista cre- ram nas verdades do Evangelho Com pleto que os m issionrios anunciavam. Os primeiros a declararem publicamente sua crena nas prom essas divinas foram as irms Celina Albuquerque e Maria Nazar. Elas no somente creram, mas determinaram perm anecer em orao at que Deus as batizasse com o Esprito Santo conform e o que est registrado em Atos 2.39.

    "N um a quinta-feira, uma hora da m anh de dois de junho de 1911, na Rua Siqueira M endes, 67, na cidade de Belm, Celina de Albuquerque, enquanto orava, foi batizada com o Esprito Santo. Com earia a, tam bm , a luta acirrada contra uma verdade doutrinria to bem docum entada nas Sagradas Escrituras - a atualidade do batism o com o Esprito Santo e dos dons espirituais.

    "Logo que amanheceu, a irm Nazar apressou-se em ir casa de Jos Batista de C arvalho, na A venida So Jer n im o , 224 , a lev ar as boas n o v as de que C elin a Albuquerque recebera a promessa. Na casa de Jos Batista, achavam-se reunidos vrios irm os, entre eles, M anoel Rodrigues, que at ento era dicono da igreja batista. Mais tarde, testemunharia o irm o Manoel: Foi nesse momento que passei a crer no batism o do Esprito Santo.

    "O acontecim ento foi im ediatam ente divulgado. Na igreja batista, alguns creram, porm outros no se predispuseram a, sequer, a com preender a doutrina do Esprito Santo. Dois partidos estavam criados.

    "N esse dia, o culto mais parecia um campo de disputas, um duelo de palavras. A lguns crentes, aferrados a um tradicionalismo sem qualquer base bblica, ameaavam exal-

  • FUNDAMENTOS BBLICOS DE UM AUTNTICO AVIVAMENTO

    tadam ente os partidrios da doutrina que tanto caracterizara a Igreja Prim itiva e os grandes avivam entos que se sucederam.

    "Aps o culto, vrios irmos resolveram ir casa da irm Celina a fim de verificarem, pessoalmente, o que estava acontecendo. Entre aqueles que foram rua Siqueira M endes, encontrava-se Jos Plcido da Costa, Antnio Marcondes Garcia e esposa, Antnio Rodrigues e Raim undo Nobre.

    "N o dia 10 de junho, a igreja estava em efervescncia. Ningum faltou. A irm Celina, que fora batizada com o Esprito Santo, com pareceu, porm no lhe perm itiram que dirigisse a classe de Escola Dominical. O irmo Jos Plcido da Costa, conquanto superintendente desta, nada pde fazer a respeito.

    "A ig re ja a in d a no tin h a p astor. Foi en to que Raimundo Nobre, sem qualquer autoridade legal, convocou a igreja para reunir-se extraordinariam ente no dia 12.

    "N esse dia, Raim undo Nobre apoderou-se do plpito, e atacou os partidrios do M ovim ento Pentecostal. O grupo atacado reagiu com o outrora reagiram os discpulos quando am eaados pelo Sindrio. E l estava a irm Celina exaltando a Cristo em lnguas estranhas. No havia m ais o que se discutir; as posies estavam definidas. N esse m om ento, Raim undo N obre, de form a arbitrria, props que ficassem de p todos aqueles que aceitavam a doutrina do Esprito Santo.

    "A m aioria ps-se de p."Imediatamente Raimundo Nobre props minoria que

    exclusse a maioria. No poderia haver ilegalidade mais flagrante. Os membros atingidos, porm , no se atem orizaram . O irm o M anoel R od rigu es levan tou -se e, ou sadamente, leu em Atos dos Apstolos 2.39, onde claramente est escrito: Porque a prom essa voz diz respeito a vs, a vossos filhos, e a todos os que esto longe; a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar. O irmo Plcido tam bm se levantou, e leu em 2 Corntios 6.17,18. A seguir, os "rebeldes"

  • HAMA ARDER CONTINUAMENTE

    oraram, e, de m os erguidas, dando glria ao Cristo am ado, abandonaram o local.

    "Para conhecim ento da posteridade, registram os aqui os nomes dos que, arbitrariam ente, foram excludos daquela igreja batista por haverem recebido a f apostlica: Celina e seu marido Henrique de Albuquerque; Maria Nazar; Jos Plcido, Piedade e Prazeres da Costa, estas, respectivamen- te esposa e filha daquele; M anoel M aria Rodrigues e esposa, Jerusa Rodrigues; Emlia Dias Rodrigues; M anoel Dias Rodrigues; Joo Dom ingues; Joaquim Silva; Benvindo Silva, Teresa Silva de Jesus e Isabel Silva, respectivam ente esposa e filhos; Jos Batista de Carvalho e esposa, M aria Jos de Carvalho; Antnio M endes Garcia. Dessa lista, 17 eram membros, e os outros, m enores de idade.

    "A ps os em polgantes acontecim entos que duraram exatamente dez dias, o pequeno grupo, no dia 18 de junho de 1911, convidou Daniel Berg e Gunnar Vingren a com parecerem na rua Siqueira M endes, 67, em Belm. Com estas 17 pessoas, expulsas arbitrariam ente da igreja batista, fun- dava-se a Assemblia de Deus que, nas dcadas seguintes, espantaria o mundo com a pujana de seu crescimento.

    "E m tudo isso, pode-se notar a mo de Deus operando atravs de hom ens e mulheres hum ildes. Como se v, esta obra no pertence a hom em algum, m as a Deus somente.

    "A n o va ig re ja estav a liv re p ara ev an g elizar. E, ousadamente, anunciava a salvao, a cura divina, o batismo com o Esprito Santo e a volta de Jesus. Estavam todos cheios do poder de Deus. Em resposta s suas oraes, o Senhor operava sinais e maravilhas. Vivificando cada testemunho e sermo, o Esprito Santo convencia os mais vis pecadores.

    Emlio Conde reala o esprito missionrio da nova igreja:"H aviam -se passado apenas dois anos desde que a As

    semblia de Deus iniciara suas atividades em terras brasileiras. Talvez algum pensasse ser ainda muito cedo para enviar m issionrios a outros pases. M as, para Deus, o tem po oportuno sempre hoje. O agora o tempo de Deus.

  • FUNDAMENTOS BBLICOS DE UM AUTNTICO AVIVAMENTO

    "A o iniciar-se o ano de 1913, Gunnar Vingren sentiu que devia falar a Jos Plcido da Costa sobre a necessidade de se levar as Boas Novas a outras terras. O missionrio Vingren foi direto ao assunto: Irm o Plcido, por que no vai pregar o Evangelho ao povo portugus? Em bora no pudesse responder afirmativamente naquele momento, Plcido da Costa com preendeu que esta era a vontade de Deus.

    "A m ensagem pentecostal traz, em si, o esprito m issionrio. Com o resistir ao apelo da Grande Com isso? Foi assim na Igreja Prim itiva, e no poderia ser diferente em nossos dias. Por este motivo, o irmo Plcido no pde resistir ao cham ado divino.

    "N o dia 4 de abril de 1913, Jos Plcido da Costa e fam lia embarcaram no navio Hildebrand, na cidade de Belm, com destino a Portugal. Essa foi a prim eira dem onstrao viva e prtica do esprito missionrio de uma igreja que contava apenas dois anos de organizao.

    "Segundo o relatrio prestado por Plcido da Costa, o trabalho em Portugal foi estabelecido logo no ms seguinte. Ou seja: em maio de 1913. A m ensagem pentecostal j era triunfante em terras lusitanas".

    CONCLUSO

    A orao de Habacuque no foi esquecida: "Senhor, aviva a tua obra". Desde aqueles dias at hoje, vem Deus reavivando sua obra. No obstante nossas fraquezas, seu poder vem operando eficazm ente em cada um de seus filhos. Operando Ele, quem impedir?

    No podem os viver sem avivamento.Ore por um urgente despertar na casa de Deus; em bre

    ve, vir Cristo buscar a sua Igreja. E se no estivermos preparados? O que acontecer conosco? No podemos perder as visitaes que nos quer mandar o Senhor da Seara. Avivamento no privilgio; acima de tudo, o sopro que impulsiona a Igreja de Cristo. Todavia, o que , realmente, um avivamento? E o que entraremos a ver no prximo captulo.

  • :h a m a a r d e r c o n t in u a m e n t e

    QUESTIONRIO

    1. Que testemunho nos d Tertuliano acerca do avivam ento?

    2. O que disse Agostinho sobre os dons espirituais?

    3. Podemos considerar Martinho Lutero um verdadeiro pentecostal?

    4. Por que Wesley considerado um dos pais do M ovim ento Pentecostal?

    5. Discorra sobre o avivam ento nos Estados Unidos?

    6. Quando teve incio o m oderno M ovimento Pentecostal?

    7. Faa um resumo da histria do M ovim ento Pentecostal no Brasil.

  • 0 QUE EO AVIVAMENTO

    SUMRIO: Introduo; I. Definindo o Avivamento; II. O Objetivo do Avivamento; III. O Avivamento no Antigo Testamento; IV. O Avivamento no Novo Testamento; Concluso; Questionrio.

    INTRODUO

    Quando M oody chegou Inglaterra, talvez no im aginasse o que tencionava fazer o Senhor naquelas ilhas. Bastaram, porm , os prim eiros dias de labor, e agora j com preendia estar sendo usado para conduzir um dos maiores avivamentos da histria da Igreja Crist. Se tom arm os em prestada a figura cristalizada pelo pastor Boanerges Ribeiro, diramos ter-se incendiado a seara naquele pedao de Europa, que j com eava a perder a pujana dos avivam entos anteriores.

    Recuemos no tempo, e perguntem os a Moody: "O que o avivam ento?"

  • FUNDAMENTOS BBLICOS DE UM AUTNTICO AVIVAMENTO

    Vivendo-o intensamente, o evangelista norte-americano responder-nos- tratar-se de um m ovim ento do Esprito Santo. Que um m ovimento do Esprito, no h dvida. O difcil, entretanto, definir esse poderoso mover do Esprito Santo que tem muito do vento mencionado pelo Senhor. Um vento que sopra onde quer; ouvim os-lhe a voz; no sabem os porm de onde vem , nem para onde vai.

    Como as perguntas recusam-se a calar, garimpemos uma definio.

    I. DEFININDO 0 AVIVAMENTO

    No busco aqui discutir qual a term inologia mais correta: avivam ento ou reavivam ento? Difiram embora quanto ao timo, sinonim izou-as a histria da Igreja Crist. Hoje, ambos os vocbulos so usados quase que indiferentem ente. Como avivamento tornou-se um termo mais comum nos arraiais evanglicos luso-brasileiros, optemos por ele.

    O avivam ento pode ser definido com o o retorno aos princpios que caracterizavam a Igreja Primitiva. o retorno Bblia com o a nossa nica regra de f e prtica. o retorno orao com o a mais bela expresso do sacerdcio universal do cristo. o retorno s experincias genunas com o Cristo, sem as quais inexistiria o corpo mstico do Senhor. o retorno Grande Com isso, cujo lema continua a ser: "...at aos confins da terra..." O avivam ento, enfim, o reaparecimento da Igreja como a agncia por excelncia do Reino de Deus.

    De acordo com Arthur Wallis, o avivam ento a interveno divina no curso norm al das coisas espirituais: " o Senhor desnudando o seu brao e operando com extraordinrio poder sobre santos e pecadores".

    Depois de haver reanim ado tantas igrejas que jaziam m orte, Charles Finney j tinha condies de afirmar ser o avivam ento um novo comeo de obedincia a Deus. Onde buscaram os outras definies? Em Lutero? Wesley? Ou,

  • E O AVIVAMENTO

    quem sabe, naqueles puritanos que procuravam alicerar 'u a f em experincias cada vez m ais vividas?

    Infelizmente, no podemos esquecer-nos dos cticos. Ao invs de estudarem o avivamento como um todo, vem-no apenas como um "movimento dentro da tradio crist que enfatiza o apelo da religio natureza emotiva e afetiva dos indivduos". No! O avivamento no s emoes. No s carga afetiva, nem aquela euforia que hoje nos embala, e amanh desaparece como que por taumaturgia. Leve-nos embora s mais ruidosas m anifestaes, no este o seu objetivo primacial, conforme acentuaria Ernest Baker: "U m avivamento pode produzir barulho, mas no nisso que ele consiste. O fator essencial a obedincia de todo o corao".

    Ficssemos aqui a rebuscar outras definies, ver-nos-amos obrigados a produzir volumosa antologia do que disseram e afirmaram os campees do Evangelho. Seguindo, contudo, o conselho de Horatius Bonar, lancemo-nos a clamar pelo movimento do Esprito Santo. Vejamos, em primeiro lugar, qual o seu real objetivo.

    II. 0 OBJETIVO DO AVIVAMENTO

    O principal objetivo do avivamento manter a Igreja com o a ag n cia p or exce ln cia do R eino de D eus. E preservar-lhe as caractersticas de movimento. E arranc-la ao denominacionalismo. E compungi-la a reassumir aquela misso que lhe deu o Cristo de forar as portas do inferno. E conscientiz-la de que , na verdade, um organismo e no uma organizao que jaz sepultada em tradies meramente humanas.

    Segundo J. Edwin Orr, o avivam ento visa reconduzir a Igreja aos tempos de refrigrio. Tempos estes que, estar no cenculo, no era privilgio apenas daqueles que com partilhavam da experincia readquirida na rua Azuza no princpio do sculo XX; era um privilgio de todo o povo de Deus. Mas para que estejam os no cenculo com os 120, faz-se ne

  • FUNDAMENTOS.BBLICOS DE UM AUTNTICO AVIVAMENTO

    cessrio vigiarm os com o Senhor no Getsm ani. Faz-se urgente chorar por um avivam ento at que este ressurja apesar dos olhos pesados e do corao sonolento.

    Enfim , o objetivo prim ordial do avivam ento levar a Igreja a agir como Reino de Deus. Igreja avivada no institu i o ; o R ein o em m o v im en to . E n ca ra v a assim Habacuque a Obra de Deus.

    III. 0 AVIVAMENTO NO ANTIGO TESTAMENTO

    Foi num momento de profunda crise, que Habacuque lanou o pungente e inadivel clamor: "Aviva a tua obra, Senhor, no decorrer dos anos, e no decurso dos anos faze-a conhecida" (Hc 3.2). Se nos detivermos nos sucessos im ediatos da histria do povo de Deus, seremos forados a concluir: a splica do profeta no foi ouvida, porquanto Jud estava prestes a desaparecer com o reino. Com a herana de Jac, pereceriam Jerusalm e o Santo Templo. No obstante tais contrrios, a alma do profeta persistia a gritar: "Aviva a tua obra, Senhor".

    De uma form a ou de outra, o Senhor ouviu-lhe a prece. E certo que os tempos de refrigrio no vieram de imediato; o exlio j campeava pelas cercanias da Cidade Santa. Mas quem disse ser o avivam ento s bonana? No fora a deportao Babilnia; no fora esta amarga disciplina que, em tudo, se m ostrava castigo; no fora este aoite de Jeov que levou Jerem ias a escrever as Lamentaes, o s hebreus teriam desaparecido com o povo, e com o congregao do Senhor haveriam de desaparecer para sempre.

    A orao do profeta no deixou de ser ouvida; seu grito jam ais se perderia no vazio.

    Habacuque no foi o nico representante da Antiga Aliana a preocupar-se com o avivamento. Im plcita ou explicitam ente, os profetas todos de outra coisa no se ocuparam que no fosse em m anter reavivada a flama da Obra de Deus. Logo nos prim rdios da raa, vem os brotar e flores

  • : QUE 0 AVIVAMENTO

    cer um avivam ento: "A Sete nasceu-lhe tam bm um filho, ao qual ps o nome de Enos: da se com eou a invocar o nome do Senhor" (Gn 5.26). Deste m ovim ento, do qual sabem os to pouco, dependeria a sobrevivncia do plano divino naqueles idos j to obscuros. No com eassem os antigos a invocar o Senhor, no teram os um Enoque piedoso nem um N o incorruptvel. A semente de Ado no teria vingado, nem arca algum a teria sido construda para flutuar no dilvio de Deus.

    Os avivam entos no pararam a.Com o as ondas da praia, os avivam entos flu am e

    refluam. Avivamento a luta de Jac com o anjo em Jaboque. E o fogo do altar que arde contnua e incessantemente. a lira de Davi que se nega a calar mesmo refugiada. E a presena de Deus que enche o Santo Templo, e empana de Salomo a singular glria. Elias que desafia os profetas de Baal no atnito Carmelo. E Eliseu que mantm a escola de profetas num Israel que se paganizava. Avivamento a coragem de Ams e o amor sofrido de Osias; a intemperana missionria de Jonas e o servio de Ageu e Zacarias.

    A inda que outros casos possam ser citados, no haveram os de esquecer o exem plo clssico de Josias. O avivam ento prom ovido por este piedoso m onarca jud ata foi essencialm ente evangelical. Em nada difere dos m ovim entos desencadeados por Moody, Finney ou Spurgeon. Tudo com eou quando o Livro da Lei foi achado no Santo Templo (2 Cr 34.14-17). In felizm ente, a revoluo espiritual encetada por esse santo rei seria insuficiente para salvar a nao da tragdia de 586 a.C. O avivam ento durou enquanto viveu Josias; m orrendo este, foi sepultado o avivam ento.

    No encerramento do cnon do Antigo Pacto, contudo, d Malaquias a entender que, apesar das am eaas todas que pairavam sobre a verdadeira religio, o Reino de Deus jamais seria inumado. O Sol da Justia haveria de refulgir e trazer salvao sob suas asas (Ml 4).

  • FU N D A M EN TO S BBLICOS DE UM A U TN TIC O A V IV A M EN TO

    IV. 0 AVIVAMENTO NO NOVO TESTAMENTO

    D esde a derradeira profecia do A ntigo Testam ento, passar-se-iam cerca de quatrocentos anos at que a voz de um arauto do Senhor ecoasse por toda a Judia. Voz solitria; em tudo, singular. Tinha, porm, muito do Testamento Antigo. As cores do sacerdcio e os matizes do profetismo de Moiss, Samuel e Elias, tinha aquela voz. Dir-se-ia que os profetas todos ali aportaram, para dar incio ao novo pacto.

    No Novo Testamento, no encontramos a palavra avivamento. E para qu? A essncia da aliana nova justamente a vida que se refaz em cada um dos evangelhos, espalhando-se em Atos, nas epstolas e na revelao de Patmos. O avivamento jamais esteve ausente do organismo que, concebido na Galilia dos Gentios, veio luz no cenculo no Dia de Pentecostes. Na clebre declarao de Cesaria, j havia afirmado o Cristo: "Bem-aventurado s tu, Si- mo Barjonas, porque to no revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que est nos cus. Tambm eu te digo que tu s Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno no prevalecero contra ela" (Mt 16.17,18).

    Em essncia, o que significa esta declarao? Que a Igreja haveria de ser no uma mera organizao; e, sim um organismo! E, como tal, a vida jamais a deixaria; renovar-se-ia em suas Escrituras e revelaes, em suas ordenanas e ministrios, em suas celebraes e adorao, em seus dons e carismas; em sua prp ria natu reza, renovar-se-ia . Os A tos e ep sto las despertam-nos a viver no uma nova religio; e, sim, um movimento em expanso permanente. Um movimento que no pde ficar em Jerusalm, nem se deter na Judia. Um movimento que invadiria Sicar. E, agora, em Antioquia, prepara-se a conquistar o imprio do Tibre. E, de fato, tomou o mundo vassalo!

    CONCLUSO

    Na Epstola aos Efsios, sintetiza Paulo como deve andar a Igreja de Cristo: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus

  • O AVIVAMENTO

    Cristo, o qual nos abenoou com todas as bnos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Ef 1.3). Sim, para o apstolo que era to ntimo de Deus, a Igreja de Cristo no haveria de trafegar r.outro lugar que no fossem as regies celestiais. Isto implica num viver de vida em vida. Renovando-se sempre. Avivando-se continuamente. Reavivando-se a cada estao.

    O avivamento evanglico implica num viver contnuo nas regies celestiais em Cristo Jesus. Implica em nunca deixar morrer o amor primeiro. Mas se tal vier a ocorrer, o avivamento j no tem de esperar. Se este no for buscado, a advertncia do Cristo toma-se mais que enrgica: "Tenho, porm, contra ti que deixas te o teu prim eiro amor. Lem bra-te, pois, de onde caste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando no, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castial, se no se arre- penderes" (Ap 2.4.5).

    Avivamento retomo. um retomo ao amor primeiro e sofrido do Calvrio. Sem ele, pode haver at igreja enquanto instituio, jamais porm como Reino de Deus.

    QUESTIONRIO

    1. O que o avivamento?

    2. Qual o objetivo do avivamento?

    3. Cite os nomes de trs grandes avivalistas?

    4. Qual o prim eiro indcio de avivamento no Gnesis?

    5. Que Rei de Jud prom oveu um grande avivamento?

    6. Qual a durao do avivam ento prom ovido por Josias?

    7. Voc pode citar outros indcios de avivamento no Antigo Testamento?

    8. Que profeta do Antigo Testamento usou o verbo avivar?

    9. A palavra avivamento encontrada no Novo Testamento?

    10. Que igreja do Novo Testamento vivia nas regies celestes?

  • III

    0 AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS

    SUMRIO: Introduo; I. A Bblia a Inspirada Palavra de Deus; II. A Palavra de Deus Inerrante; III. A Palavra de Deus Infalvel; IV. A Palavra de Deus a Suprema Autoridade em Matria de F, Prtica, Conduta e tudo o que Diz Respeito ao Relacionamento do Homem com o seu Criador e com o seu Semelhante; V. A Clareza dsx Escrituras Sagradas; VI. A Necessidade das Sagradas Escrituras; VII. A Suficincia da Palavra de Deus; Concluso; Questionrio.

    INTRODUO

    Algum afirmou, certa vez, que o Pentecostalismo um movimento procura de uma teologia. Todavia, se estudarmos atentamente o avivamento pentecostal, deparar-nos- emos com outra realidade: os pentecostais, desde o seu nascedouro, sempre se preocuparam com a doutrina bblica, e jamais descuraram de suas bases teolgicas. Haja vista as

  • FUNDAMENTOS BBLICOS DE UM AUTNTICO AVIVAMENTO

    Assemblias de Deus. Anunciando o Evangelho Pleno de Cristo, nossos pioneiros, sempre com base nas Sagradas Escrituras, ensinavam fervorosamente que Jesus salva, batiza no Esprito Santo, cura as enfermidades, opera sinais e maravilhas e que, em breve, voltar para arrebatar a sua Igreja.

    Fssemos, de fato, um m ovim ento procura de uma teologia, estaram os, hoje, no rol das seitas. Acham o-nos, porm , entre as igrejas mais bblicas, ortodoxas e conservadoras. Segundo Hank Hanegraaf, presidente do Instituto Cristo de Pesquisas, encontram-se os telogos pentecostais entre os mais bblicos, conservadores e coerentes. Isto no significa, entretanto, que no haja desvios doutrinais isolados na com unidade de f pentecostal; infelizm ente h como o h nas demais confisses evanglicas. Todavia, sempre fizemos questo de confessar, particular e publicamente, ser a Bblia Sagrada a inspirada, infalvel, inerrante e completa Palavra de Deus. Quanto aos desvios, so devidam entes corrigidos.

    Neste captulo, haverem os de m ostrar que uma das caractersticas do verdadeiro avivam ento ter a Bblia como irrecorrivelmente soberana. Se a no elegermos como a nossa nica regra de f e prtica, jam ais viveremos um autntico avivam ento; pois este no pode ser dissociado das Sagradas Escrituras.

    I. A BBLIA A INSPIRADA PALAVRA DE DEUS

    Realando a inspirao e a singular beleza da Bblia, escreveu Thomas Browne: "A Palavra de Deus, pois o que creio serem as Sagradas Escrituras; se se tratasse de obra do homem, seria a mais singular e sublim e, desde o primeiro instante da C riao". Diante da assertiva de Browne, no podemos evitar a interrogao: No fosse a Bblia a inspirada Palavra de Deus, teria ela todos esses donaires e encantos? Os livros das outras religies, apesar de toda a aparncia de piedade, so desestim ulantes justam ente por no

  • O AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS

    possurem os enlevos dos profetas hebreus e a devoo dos apstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sendo porm a Bblia, o Livro dos livros, pode ser continuamente lida sem jam ais perder os seus mpares e celestiais atrativos.

    Alis, a Bblia a causa da beleza dos idiomas mais desenvolvidos e admirados por sua exatido. Se o alemo at Lutero era contado entre as lnguas brbaras, a partir da traduo que o reformador fez das Sagradas Escrituras, passou a figurar, em que pese suas idiossincrasias, como o mais perfeito instrumento da teologia, da filosofia e das cincias. E a Bblia da Inglaterra? Macaulay, extasiado pelas peregrinas formosuras desta traduo, que teve no rei Tiago o seu maior incentivador, d-nos este testemunho sobre a influncia espiritual e literria da Palavra de Deus: "A Bblia inglesa - um livro que se todo o resto escrito em nossa lngua perecesse, seria ainda suficiente para mostrar toda a extenso de sua beleza e poder". Prova-nos isto serem as Sagradas Escrituras a inspirada Palavra de Deus; sem esta inspirao seria impossvel a sua beleza.

    1. O que inspirao. Proveniente do vocbulo latino inspiratione, a palavra "inspirao" evoca o ato de inspirar-se ou de ser inspirado. Fisiologicamente, a ao de introduzir o ar nos pulmes, de inspirar.

    2. Sentido original da palavra grega. Se nos voltarmos ao grego koin, verificaremos que a palavra inspirao, proveniente de dois vocbulos: Theo, Deus e pneustos, sopro, encerra um altssimo significado. Literalmente, significa, no idioma no qual foi escrito o Novo Testamento, aquilo que dado pelo sopro de Deus.

    3. D efinio teolgica. J que sabem os o significado original da palavra inspirao, podem os dar-lhe a seguinte definio teolgica: "A o sobrenatural do Esprito Santo sobre os escritores sacros, que os levou a produzir de m aneira inerrante, infalvel, nica e sobrenatural, a Palavra de Deus - a Bblia Sagrada" (D icionrio Teolgico da CPAD).

    Embora largamente ensinada em todos os seminrios conservadores, vem esta verdade sofrendo repetidos ata

  • FU N D A M EN TO S BBLICOS DE UM A U TN TIC O A V IV A M EN TO

    ques de Satans. Alguns buscam igualar a inspirao da Bblia a uma inspirao literria qualquer como a tiveram Homero, Virglio, Cames e Castro Alves. Estam os, contudo, lidando com uma singularssima inspirao: divina e no hum ana; nica e de m aneira alguma comum; achamo- nos diante de um milagre na rea do conhecimento que, com eando a atuar em Moiss, foi encerrado no evangelista Joo na ilha de Patmos.

    Observem os que, em todos os avivam entos, foi a inspirao da Bblia destacada excelsam ente. Tomemos como exemplo, uma vez mais, o M ovimento Pentecostal. De seu nascedouro aos dias de hoje, jam ais transigim os em relao a este artigo de f.

    4. A inspirao plenria e verbal da Bblia Sagrada. Assegura esta verdade ser a Bblia, em sua totalidade, produto da inspirao divina. Quando proclam amos que a inspirao da Bblia plenria, afirmamos, explicitamente, que todos os seus livros, sem qualquer exceo, foram totalmente inspirados por Deus. E quando asseveram os que a sua inspirao tam bm verbal, queremos deixar bem claro que o Esprito Santo guiou os seus autores no somente quanto s idias, m as tam bm quanto s palavras dos arcanos e concertos do Altssim o (2 Tm 3.16).

    A inspirao plenria e verbal da Bblia no elim inou, porm , a participao dos profetas e apstolos de N osso Senhor no processo de sua produo. Porque foram todos eles usados de acordo com seus traos personais, experincias e estilos literrios. M as, sem pre guiados e inspirados pelo Esprito Santo, atuaram de m aneira absolutam ente inerrante. E por isto que aceitam os, sem quaisquer reservas, a Bblia Sagrada com o a nossa nica regra de f e prtica.

    5. Declarao doutrinria das Assem blias de Deus no Brasil. queles que nos acusam de sermos um m ovimento procura de uma teologia, deixamos aqui um dos mais im portantes artigos de nosso credo: "Cremos na inspirao ver

  • O AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS

    bal da Bblia Sagrada, nica regra infalvel de f normativa para a vida e o carter cristo".

    Pode um m ovim ento sem teologia ou doutrina ser to cristalino quanto o Pentecostalism o? C onquanto acreditem os nos dons espirituais, entre os quais o da profecia, no os colocam os acim a da Bblia; acham -se subm issos a esta e por esta so ju lgados conform e no-lo recom enda o apstolo Paulo. Som ente as Sagradas Escrituras possuem a necessria inerrncia e in falibilidade para ju lgar todas as coisas.

    James H. Rayley, Jr., um dos mais abalizados telogos pentecostais expe, mui apropriadamente, como estes encaram a Bblia Sagrada: "Reconhecemos tambm que somente a Bblia, por ser a Palavra de Deus, tem a resposta definitiva. Todas as palavras meramente humanas so, na melhor das hipteses, meros ensaios, e s so verdadeiras medida que se harmonizam com a revelao da Bblia. No nos consideramos superiores em virtude de nossas experincias. Pelo contrrio: somos companheiros que, ao longo da viagem, desejam compartilhar o que tm aprendido a respeito de Deus e de suas diversas maneiras de lidar conosco".

    II. A PALAVRA DE DEUS INERRANTE

    No so poucos os telogos que, aparentando piedade, e m ostrando-se fervorosos defensores da Bblia Sagrada, afirm am que esta, de fato, inerrante, mas apenas quanto s questes doutrinais e teolgicas. Quanto s outras questes, no desfruta ela da m esm a inerrncia. Ora, quem de ns confiaria o seu destino eterno a um livro parcialm ente inerrante? E se parcialm ente inerrante, no estaria toda a sua in errn cia com p rom etid a? M eio in errn cia no inerrncia; meia verdade, e meia verdade no passa, s vezes, de uma m entira completa. Pode acaso Deus mentir? Ou faltar com a verdade? Que seja Deus verdadeiro e todo hom em mentiroso!

  • FU N D A M EN TO S BBLICOS DE U M A U TN TIC O A V IV A M EN TO

    O s p e n te c o s ta is sem p re d e fen d e m o s a a b so lu ta inerrncia da Bblia. Sem este preciosssimo instituto da teologia evanglica, seria ela um adm irvel livro, jam ais a Palavra de Deus. Quem pode negar as belezas de Homero, Virglio e Shakespeare? Eles, todavia, no eram inerrantes como inerrantes no so os escritores atuais. No passavam de poetas que, desfrutando de uma inspirao natural, produziram obras perfeitam ente estticas, mas espiritualm ente im perfeitas e eivadas de erros filosficos e teolgicos.

    Vejamos, pois, o que significa inerrncia no mbito b- blico-teolgico.

    1. O que a inerrncia. A palavra inerrncia oriunda do vocbulo latino inerrantia, e significa "qualidad e do que in errante"; que no contm quaisquer erros. Sendo, pis, a Bblia inerrante, logo se conclui que ela tam bm perfeita. Q uanto aos que a rejeitam , para a sua p rpria runa e danao eterna a rejeitam . A cerca dos tais, afirm a W alter B. Knight: "O s hom ens no rejeitam a B blia porque ela se contradiz, m as porque ela contradiz os hom ens". Pode haver contradio m aior do que aceitar a Bblia com o a inspirada Palavra de D eus, e rejeit-la com o inerrante?

    2. Definio teolgica. Em nosso Dicionrio Teolgico, damos a seguinte definio de inerrncia da Bblia: "D ou trina, segundo a qual a Bblia Sagrada no contm quaisquer erros. Ela , pois, inerrante em todas as inform aes que nos transm ite, e, nos propsitos que esboa. O testem unho da arqueologia e das cincias afins tem confirm ado a inerrncia da Bblia. Por conseguinte, a inerrncia da Bblia Sagrada plena e absoluta".

    Som ente aqueles que se deixam contam inar pelo v rus do m odernism o teolgico ousariam negar a inerrncia das Sagradas Escrituras. Pois esta doutrina acha-se patente em toda a Bblia. Foi exatam ente isto o que nos transm itiram os fundadores do M ovim ento Pentecostal. E ja m ais transigirem os quanto a este princpio: a nossa f e

  • 3 AVIVAMENTO E A SO BERANIA DAS SA G R A D A S ESCRITURAS

    segurana dependem de com o encaram os a Palavra de Deus. W ayne G ruden a este respeito m ais do que categrico: "A Bblia sem pre diz a verdade a respeito de todas as coisas de que trata".

    Os telogos pentecostais, quer os prim eiros, quer os ltim os, sempre defenderam , ardentem ente, a inerrncia das Sagradas Escrituras. John R. H iggins discorre sobre o im p re sc in d v e l a rtig o de f: "C o n se q e n te m e n te , a inerrncia a qualidade que se espera da Escritura inspirada. O crtico que insiste em haver erros na Bblia (em algum as passagens difceis) parece ter outorgado para si m esm o a infalibilidade que negou s Fscrituras. Um padro passvel de erros no oferece nenhum a m edida segura da verdade e do erro. O resultado de negar a inerrncia a perda de um a Bblia fidedigna. Se for adm itida a existncia de algum erro nas Sagradas Escrituras, estaremos alijando a veracidade divina, fazendo a certeza desaparecer". M ais adiante, aduz o irm o Higgins: "A verdade de Deus expressada com exatido, e sem quaisquer erros, nas prprias palavras das Escrituras ao serem usadas na construo de frases. A verdade de Deus expressada com exatido atravs de todas as palavras da totalidade das Escrituras, e no m eram ente atravs das palavras de contedo religioso ou teolgico".

    3. O testemunho da prpria Bblia quanto sua inerrncia. Muitas so as assertivas da Bblia quanto prpria inerrncia. O salmista, enaltecendo a Deus por sua Palavra, compe este belssimo cntico: "A s palavras do SENHOR so palavras puras como prata refinada em forno de barro e purificada sete vezes" (SI 12.6). Se recorrermos ao hebraico, constataremos que este versculo poderia ser desta forma vertido: "As declaraes do eterno so confiveis e sinceras". Que outra literatura poderia erguer-se de forma to sobranceira, e falar de sua prpria autoridade e inerrncia?

    Nos Lusadas, Luis de Cames declara que o seu objetivo cantar a glria daqueles "bares assinalados" que, de

  • FU N D A M EN TO S BBLICOS DE U M A U TN TIC O A V IV A M EN TO

    safiando os mares, dilatou o im prio de Portugal. Todavia carece o poeta, como ele m esm o o reconhece, de engenho e arte, a fim de que o seu poem a atinja os objetivos propostos. J o sbio Salom o, que tam bm foi poeta, pe-se a versejar a pureza das Sagradas Escrituras: "Toda palavra de Deus pura; escudo para os que confiam nele" (Pv 30.5). Afiana o autor sagrado ser toda a Palavra de Deus refinada como se estivera no m ais perfeito dos crisis. Tudo nela perfeito e inerrante. Houvesse na Bblia algum erro, de que forma viram os a acreditar que ela a mais completa e absoluta verdade? Eis porque Moiss afirmou de m aneira contundente: "D eus no homem , para que minta; nem filho de homem , para que se arrependa; porventura, diria ele e no o faria? Ou falaria e no o confirm aria?" (Nm 23.19).

    Acredito que "perfeio" o mais pleno sinnimo de "inerrncia". Achando-se algo isento de erros, esse algo s pode ser perfeito. Foi por isto que o salmista cantou: "A toda perfeio vi limite, mas o teu mandamento amplssimo" (SI 119.96).

    Nas Sagradas Escrituras, por conseguinte, no h quaisquer erros, quer doutrinrios, quer teolgicos, sejam culturais, sejam geogrficos, cronolgicos ou lgicos. A Bblia absolutam ente perfeita; logo inerrante. Ora, se de fato inerrante, ela tam bm infalvel.

    III. A PALAVRA DE DEUS INFALVEL

    Professando a infalibilidade da Bblia, asseverou Henry More: "A s Escrituras so infalveis e, como Palavra de Deus, so tam bm suficientes para conduzir o hom em Salvao em C risto". Ressalvamos, desde j, que os pentecostais sem pre nos destacam os na defesa desta doutrina; de sua observncia depende o nosso progresso e desenvolvim ento na santssima f que nos entregou o Senhor Jesus. Alis, no pode haver avivam ento sem uma crena forte e m ui cristalina acerca da infalibilidade da Bblia Sagrada. O que vem a ser, porm , esta doutrina?

  • O AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS

    1. O que a infalibilidade. Infalibilidade um atributo exclusivo de Deus e de sua Palavra. a qualidade, ou virtude, daquilo que, sob hiptese alguma, pode falhar; algo que no pode ser atingido pelo engano ou pelo erro. Se no pode falhar, esse algo tam bm sum amente perfeito. Louvando a Deus pela perfeio de sua Palavra, escreveu o presidente norte-am ericano, Abraham Lincoln: "E u creio que a Bblia a m elhor ddiva que Deus ofertou ao homem . Toda a bondade do Salvador do m undo nos com unicada atravs deste livro". Conta-se que Lincoln, durante a Guerra Civil dos Estados Unidos, apegou-se de tal forma Bblia, e m ui particularm ente ao livro de J, pois tinha uma singular f na infalibilidade das Escrituras Sagradas. E foi assim, que achou todos os consolos durante aquele perodo de lutas e de intensas agonias.

    2. D efinio teolgica. A final, com o poderam os definir teologicam ente a doutrina da infalibilidade da B blia? A tenham o-nos a esta definio: "D ou trina que ensina ser a Bblia in falvel em seus propsitos. Eis porque a Palavra de D eus pode ser assim considerada: 1) Suas prom essas so rigorosam ente observadas; 2) Suas profecias cum prem -se de form a detalhada e clara (haja vista as Setenta Sem anas de D aniel); 3) E o Plano de Salvao executado apesar das oposies satnicas. N enhum a de suas palavras jam ais caiu, nem cair, por terra" (D icionrio Teolgico da CPAD).

    Uma das m aiores provas da infalibilidade da Bblia Sagrada o derram amento do Esprito Santos nestes ltimos dias. De repente o que parecia distante, e j histria, comea a ocorrer e a assombrar o mundo. Cum prem -se as profecias de Joel, Isaas, Joo Batista e do prprio Cristo. E, a partir da, ningum mais foi capaz de conter as ondas do avivamento pentecostal que, na plenitude do Esprito Santo, leva- nos a anunciar o Evangelho de Cristo at aos confins da terra. A Obra Pentecostal uma realidade, porque a Palavra de Deus infalvel.

  • FU N DA M EN TO S BBLICOS DE U M A U TN TIC O A VIV A M EN TO

    3. A B b lia d testem unho de sua infalibilidade. Osescritores sagrados sempre estiveram cientes de que a m ensagem que Deus transm itia por seu intermdio era absolutamente infalvel. Escreveu Moiss, fazendo ntida distino entre a verdadeira e a falsa profecia: "Q uando o tal profeta falar tem nome do SENHOR, e tal palavra se no cum prir, nem suceder assim, esta palavra que o SENHOR no falou; com soberba a falou o tal profeta; no tenhas temor dele" (Dt 18.22).

    Sam uel foi de tal modo despertado a profetizar, que a Escritura d-lhe este testemunho: "E crescia Sam uel, e o SENH OR era com ele, e nenhum a de todas as suas palavras deixou cair em terra" (1 Sm 3.19). E o testemunho dos outros profetas? Todos eles inquestionavelm ente infalveis. Discorrendo sobre os arcanos proferidos por Jerem ias, pres- ta-lhe Daniel este inequvoco testemunho de sua infalibilidade: "N o ano prim eiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o nm ero de anos, de que falou o SENHOR ao profeta Jerem ias, em que haviam de acabar as assolaes de Jerusalm , era de setenta anos" (Dn 9.2).

    Se os escritores do Antigo Testamento tinham convico de que aquilo que escreviam era a mais pura verdade, o que no diremos dos escritores do Novo que viam o Antigo se cum prir de maneira to fidedigna e fiel? Vejamos o testemunho de Mateus: "Tudo isso aconteceu para que se cum prisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta" (Mt 1.22). O prprio Cristo fala da infalibilidade de sua Palavra: "Passar o cu e a terra, mas as m inhas palavras no passaro" (Mc 13.31). J no livro de Atos, testifica Lucas acerca da ressurreio de Jesus: "A os quais tam bm , depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalveis provas, sendo visto por eles por espao de quarenta dias e falando do que respeita ao Reino de D eus" (At 1.3).

    Eis porque os pentecostais temos a Bblia Sagrada como a nossa nica regra de f e prtica: ela em tudo infalvel. Por isto tem ela toda a autoridade sobre todos os negcios humanos.

  • 0 AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS

    IV. A PALAVRA DE DEUS A SUPREMA

    AUTORIDADE EM MATRIA DE F, PRTICA,

    CONDUTA E TUDO O QUE DIZ RESPEITO AO

    RELACIONAMENTO DO HOMEM COM O SEU

    CRIADOR E COM O SEU SEMELHANTE

    Ao contrrio dos judeus do tempo de Cristo e dos catlicos rom anos, guiados mais por suas tradies do que pela Palavra de Deus, os pentecostais proclam amos ser a Bblia a nossa nica regra de f e prtica. Isto significa que a Palavra de Deus, e somente ela, a nossa inquestionvel autoridade. Um dos mais fortes artigos de f das Assem blias de Deus, tanto nos Estados Unidos como em outros pases, justam ente este: "A s Escrituras Sagradas, tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, so inspiradas verbalmente por Deus. Elas so a revelao de Deus hum anidade, e nossa infalvel e autorizada regra de f e prtica".

    Vejamos, antes de mais nada, o que significa autoridade.1. Autoridade. Oriunda do vocbulo latino autoritatem, a

    p alav ra "a u to r id a d e " s ig n ifica : "D ire ito ab so lu to e inquestionvel de se fazer obedecer, de dar ordens, de estabelecer decretos e, de acordo com estes, tomar decises e agir, a fim de que cada decreto seja rigorosamente observado". Ora, sendo a Bblia Sagrada a suprema autoridade em matria de f e conduta, em hiptese alguma haver de ser questionada. Os telogos pentecostais no poderamos v-la doutra forma.

    2. Definio teolgica. Teologicamente, assim podemos definir a autoridade da Bblia Sagrada: "Poder absoluto e inquestionvel reivindicado, demonstrado e sustentado pela Bblia em m atria de f e prtica. Tal autoridade advm-lhe do fato de ela ser a inspirada, inerrante e infalvel Palavra de D eus". (Dicionrio Teolgico da CPAD).

    Por que a Bblia assim considerada? Stanley Horton e W illiam W. M enzies, dois dos maiores expoentes do Avi-

  • FU N D A M EN TO S BBLICOS DE U M A U TN TIC O A V IV A M EN TO

    vam ento Pentecostal, respondem-nos: "A origem divina e autoridade das Escrituras asseguram -nos ser a Bblia tam bm infalvel, ou seja: incapaz de erro, ou de orientar de m aneira enganosa, ludibriadora ou desapontadora a seus leitores. A lguns eruditos estabelecem distino