Fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa .às pessoas plantas curativas e assinalou as tóxicas

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  • Fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa

    Prof. Alexander Raspa da Silva alexraspa@ig.com.br

    "...pois nenhuma grande descoberta jamais foi aceita de imediato. Pelo contrrio, na Medicina, parece que o reverso verdadeiro, e todos devem passar por um perodo de aprovao e at censura antes que o que parece ser a verdade bvia seja reconhecido por todos...Mas essas aceitao to lenta impede que as descobertas verdadeiras sejam conhecidas e amplamente aceitas mais cedo, e muitas vidas so assim sacrificadas desnecessariamente."

    Frank Slaughter

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    Sobre o Autor: Prof. Alexander Raspa da Silva

    - Fisioterapeuta graduado pela Unicid - Cirurgio-dentista graduado pela Umesp - Mestre em fisiopatologia pela faculdade de medicina USP - Especialista em dor orofacial e DTM pelo Conselho Federal de

    Odontologia - Lato Senso em Fisiologia pela faculdade de medicina ABC - Lato Senso em Patofisiologia pela faculdade de medicina ABC - Especializao em acupuntura pelo IBRAHO - Professor de Patologia geral e sistmica da UNICID - Professor do primeiro estgio supervisionado em dor e disfuno

    crvico-crnio-mandibular em curso de graduao para fisioterapeutas no Brasil

    - Coordenou o primeiro curso de lato sensu em Atm, cabea e pescoo para fisioterapeutas no Brasil

    - Professor da Associao Brasileira Cientfica de Fisioterapia - Presidente da Associao Brasileira Cientfica de Fisioterapia - Professor de Tai Chi Chuan, Chi Kung e Yoga - Mestre em Hapkido (4. DAN) pela World Hapkido Association

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    1.1. Introduo A Medicina Tradicional Chinesa se baseia em conceitos Taostas e energticos, os quais enfocam o indivduo como um todo e como parte integrante do universo. Para ela, o indivduo constitudo por um conjunto de energias, provenientes do cu e da terra, que fluem por todo do corpo, e que devem estar em constante equilbrio; quando isso no ocorre, temos ento a manifestao de Patologias. O teraputica objetiva reestabelecer o fluxo da energia vital pelo organismo, e para isso, lana mo de vrios recursos, tais como a acupuntura, a moxabusto, a farmacopia, a diettica, o tai chi chuan, e o qi gong.

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    1.2 Histrico da MTC : A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) to antiga quanto a humanidade. Pode-se dizer que ela existe desde quando o primeiro homem pressionou e massageou seu corpo instintivamente ao sentir dor. O primeiro nome que a tradio guardou foi Fu Hi (2953 ac) fundador da civilizao chinesa, ao qual foi atribudo a inveno da caa, e do cozimento dos alimentos. Atribui-se a ele a criao dos oito hexagramas do livro das mutaes-I Ching. Seu sucessor foi o Imperador Cheng Nong (2838 ac) o qual ensinou s pessoas plantas curativas e assinalou as txicas. Os conhecimentos foram transmitidos por meio oral at a dinastia Chou (1122 a 256 ac) quando do aparecimento do Huang Di Nei Jing Su Wen. No se sabe quem foi seu autor, mas supe-se que tenha sido escrito por muitos mdicos, cuja autoria fora atribuda ao legendrio Imperador Huang Di . Esse livro contm toda base filosfica, cincia do diagnstico e tratamento por meio de agulhas e moxa. Quase toda MTC se baseia no Nei Jing, o qual desfruta de grande autoridade, pela riqueza de observaes que contm seus ensinamentos sobre preveno e tratamento de doenas. Quase todas obras posteriores foram inspiradas nesse livro. Nesse mesmo perodo, o famoso mdico Pien Chueh descreveu a ressuscitao de uma pessoa considerada morta, com o uso de agulhas. Numerosas passagens difceis foram retomadas no Nin Jing, atribudo a Pienn Tsio (300 ou 500 ac). Outra bibliografia que resistiu ao tempo foi a de Chouen yu yi, contemporneo de Pien Tsio. Ele soube diagnosticar especificamente uma cirrose heptica, uma hrnia estrangulada, um ataque de gota, uma hemoptise justificando a teraputica indicada em cada caso. No perodo de desunio (221 - 589) foi descrita a regra de diagnose pelo pulso radial.

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    No incio da dinastia Han, assinala-se a existncia de uma mulher mdica, e as primeiras mulheres mdicas foram reconhecidas oficialmente no incio do sculo XIV da dinastia Yuan. Esse fato mostra-se de suma importncia, uma vez que uma paciente do sexo feminino no podia despir-se diante de um mdico. Normalmente, as chinesas utilizavam esttuas ou bonecas para indicar a ele o local onde sentiam dor. No final da dinastia Han, foi escrito Chang Tsung Jing, livro que descreve o tratamento da malria pela acupuntura, moxa, ervas e de quimioterpicos. Na dinastia T'ang (sec. VII a VIII) a medicina atingiu seu apogeu, dividindo-se em quatro especialidades. Primeiro vinham os mdicos e pulslogos que tratavam da medicina interna e externa, doenas pediatricas , da boca, nariz e garganta. Depois vinham os acupuntores, seguidos dos massagistas, que tambm utilizavam tcnicas respiratrias e de reduo de fraturas; e por ltimo, os geomancistas e mestres em sortilgios. Na dinastia Sung (960 - 1279) o Rei Sung Jen Tsung foi curado pela acupuntura e passou a dar-lhe grande importncia. Ordenou a um mdico famoso, Wang Wei Yi, organizar escritos sobre o assunto, bem como mapas e diagramas dos meridianos. Instituiu a primeira faculdade de acupuntura e foi confeccionado esttuas de bronze para exame dos estudantes. Na dinastia Ming (1368 - 1643 dc) foi publicado o Zhen Jiu Da Cheng (grande perfeio das agulhas e da moxa) escrito por Yang jizhou, que fornece resumos de todas as obras conhecidas, desde o Nei Jing at seu aparecimento. Na dinastia Chin (l649 - l9l0 d.c.) Fan Pei Lan escreveu sobre tratamentos combinados das ervas e moxabusto e selecionando pontos simples. Os governantes desta dinastia baniram a pratica da acupuntura, a qual continuou a ser praticada clandestinamente. A medicina ocidental provou sua eficincia em assuntos como epidemia e operaes cirrgicas, o que atraa os estudantes. As escolas de medicina tradicional foram aos poucos, sendo abandonadas, e aps a revoluo de 1912 s restavam oito. De 1945 a 1949 ocorreram lutas entre as duas foras que disputavam o poder poltico: Chiang Kai Shek (revolucionrio) e Mao tse tung (comunista). Em primeiro de outubro de 1949 foi proclamada a Repblica Popular da China sob a liderana de Mao Ts.

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    No ano seguinte, desencadeou-se uma revoluo sanitria pelo I congresso Panchins dos trabalhos da sade pblica, onde preconizou-se a profilaxia, a ateno mdica voltada principalmente a operrios, camponeses e soldados, e ainda uma colaborao entre mdicos de formao ocidental e oriental. Dessa maneira, a medicina tradicional era oficialmente reconhecida. Com a china saneada, reorganizaram estudos mdicos, construram faculdades, escolas e colgios mdicos nas grandes cidades, e Mao ts definiu que a linha a ser seguida era a coexistncia da medicina popular e a medicina moderna. "Embora Mao ts tenha promovido a associao da MTC com a medicina do oeste, a china atual no adimite os conceitos taostas, que esto descritos nos textos clssicos sinomdicos, muito antigos, e no entanto, to atuais ...." (Dulcetty). Em l974, foi criado em Pequim um instituto de pesquisa cientfica em medicina tradicional, e at 1958 j haviam 27 institutos semelhantes com objetivo de determinar o valor da medicina popular atravs de metodos cientficos modernos. Em 1958 comeou-se a praticar analgesia por acupuntura. Realizou-se a primeira amigdalectomia sob analgesia por acupuntura, com sucesso. O mtodo extendeu-se para cirurgias bucais, tireoidectomia, herniorrafia, remoo de tumores cerebrais, cirurgias de trax, abdomem, pelvis e extremidades. Os chineses surpreenderam o mundo ao mostratem pela TV um de seus compatriotas sorrindo sobre a mesa cirrgica enquanto era submetido a uma gastrectomia atravs da analgesia acupuntural.

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    1.3 As teorias bsicas da MTC 1.3.1 Dao ou Tao Tao a realidade e a energia primordial do universo, o fundamento do ser e do no ser. Conforme escreveu Chuang ts: "O Tao possui realidade e clareza, mas nenhuma ao ou forma. Pode ser transmitido, mas no recebido. Pode ser atingido, mas no visto. Existe por si e atravs de si. Existia antes do cu e da terra, na verdade, por toda a eternidade. Ele a razo da divindade dos Deuses e da criao do mundo. Est acima do znite, mas no lhe inferior. Embora mais velho do que o mais idoso, no velho". Os chineses acreditavam na existncia de uma realidade ltima que subjacente e que unifica todas as coisas e fatos que observamos, denominada de Tao. O Tao o processo csmico no qual se achavam envolvidas todas as coisas; o mundo visto como um fluxo contnuo, uma mudana contnua. Existem padres constantes nessas mudanas, que podem ser observados pelos homens. O sbio reconhece esses padres e dirige suas aes de acordo com eles. Assim, ele se torna "Uno com o Tao", vivendo em harmonia com a natureza e obtendo sucesso em tudo que realiza. Lao ts ensina que Tao (cujo significado pode ser "caminho") no passa de um termo aceitvel para o que fora melhor chamado "o Inominado". Nada lhe predica sem comprometer sua integridade. Dizer que existe excluir o que no existe, apesar de o vazio ser sua verdadeira natureza. As palavras limitam, e Tao no tem limites. A caracterstica principal do Tao a natureza cclica de seu movimento e sua mudana incessantes. Essa idia a que todos os acontecimentos na natureza apresentam padres cclicos de ida e vinda, de expanso e contrao. A idia de padres cclicos no movimento do Tao recebeu uma estrutura precisa com a introd