Gas Natural

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CONCURSO BAHIAGS - Noes de Gs NaturalDefinio, Origem, Composio, Caractersticas e Aplicao do Gs Natural;O gs natural , como o prprio nome indica uma substncia em estado gasoso nas condies ambiente de temperatura e presso. Por seu estado gasoso e suas caractersticas fsicoqumicas naturais, qualquer processamento desta substncia, seja compresso, expanso, evaporao, variao de temperatura, liquefao ou transporte exigir um tratamento termodinmico como qualquer outro gs. Apresentamos a seguir as caractersticas do gs natural que permitem a compreenso sob o enfoque da sua condio de substncia no estado gasoso.

OrigemO gs natural uma mistura de hidrocarbonetos leves encontrada no subsolo, na qual o metano tem uma participao superior a 70 % em volume. A composio do gs natural pode variar bastante dependendo de fatores relativos ao campo em que o gs produzido, processo de produo, condicionamento, processamento, e transporte. O gs natural encontrado no subsolo, por acumulaes em rochas porosas, isoladas do exterior por rochas impermeveis, associadas ou no a depsitos petrolferos. o resultado da degradao da matria orgnica de forma anaerbica oriunda de quantidades extraordinrias de microorganismos que, em eras pr-histricas, se acumulavam nas guas litorneas dos mares da poca. Essa matria orgnica foi soterrada a grandes profundidades e, por isto, sua degradao se deu fora do contato com o ar, a grandes temperaturas e sob fortes presses.Histria do Gs Natural

O gs natural conhecido pela humanidade desde os tempos da antiguidade. Em lugares onde o gs mineral era expelido naturalmente para a superfcie, povos da antiguidade como Persas, Babilnicos e Gregos construiram templos onde mantinham aceso o "fogo eterno". Um dos primeiros registros histricos de uso econmico ou socialmente aproveitvel do gs natural, aparece na China dos sculo XVIII e IX. Os chineses utilizaram locais de escape de gs natural mineral para construir auto-fornos destinados cermica e metalurgia de forma ainda rudimentar. O gs natural passou a ser utilizado em maior escala na Europa no final do sculo XIX, com a inveno do queimador Bunsen, em 1885, que misturava ar com gs natural e com a construo de um gasoduto prova de vazamentos, em 1890. Porm as tcnicas de construo de gasodutos eram incipientes, no havendo transporte 1

de grandes volumes a longas distncias, conseqentemente, era pequena a participao do gs em relao ao leo e ao carvo. Entre 1927 e 1931, j existiam mais de 10 linhas de transmisso de porte nos Estados Unidos, mas sem alcance interestadual, no final de 1930 os avanos da tecnologia j viabilizavam o transporte do gs para longos percursos. A primeira edio da norma americana para sistemas de transporte e distribuio de gs (ANSI/ASME B31.8) data de 1935. O grande crescimento das construes ps-guerra, durou at 1960, foi responsvel pela instalao de milhares de quilmetros de gasodutos, dado os avanos em metalurgia, tcnicas de soldagem e construo de tubos. Desde ento, o gs natural passou a ser utilizado em grande escala por vrios pases, dentre os quais podemos destacar os Estados Unidos, Canad, Japo alm da grande maioria dos pases Europeus, isso se deve principalmente as inmeras vantagens econmicas e ambientais que o gs natural apresenta.O gs natural no Brasil

A utilizao do gs natural no Brasil comeou modestamente por volta de 1940, com as descobertas de leo e gs na Bahia, atendendo a indstrias localizadas no Recncavo Baiano. Aps alguns anos, as bacias do Recncavo, Sergipe e Alagoas destinavam quase em sua totalidade para a fabricao de insumos industriais e combustveis para a RELAM e o Plo Petroqumico de Camaari. Com a descoberta da Bacia de Campos as reservas provadas praticamente quadruplicaram no perodo 1980-95. O desenvolvimento da bacia proporcionou um aumento no uso da matria-prima, elevando em 2,7% sua participao na matriz energtica nacional. Com a entrada em operao do Gasoduto Brasil-Bolvia em 1999, com capacidade de transportar 30 milhes de metros cbicos de gs por dia (equivalente a metade do atual consumo brasileiro), houve um aumento expressivo na oferta nacional de gs natural. Este aumento foi ainda mais acelerado depois do apago eltrico vivido pelo Brasil em 2000-2001, quando o governo optou por reduzir a participao das hidreltricas na matriz energtica brasileira e aumentar a participao das termoeltricas movidas gs natural. Nos primeiros anos de operao do gasoduto, a elevada oferta do produto e os baixos preos praticados, favoreceram uma exploso no consumo tendo o gs superado a faixa de 10% de participao na matriz energtica nacional. Nos ltimos anos, com as descobertas nas bacias de Santos e do Esprito Santo as reservas Brasileiras de gs natural tiveram um aumento significativo. Existe a persepctiva de que as novas reservas sejam ainda maiores e a regio subsal ou "pr-sal" tenha reservas ainda maiores. Apesar disso, o baixo preo do produto e a dependncia do gs importado, so apontados como um inibidores de novos investimentos. A insegurana provocada pelo rpido crescimento da demanda e interrupes intermitentes no fornecimento boliviano aps o processo de do gs na Bolvia levaram a Petrobrs a investir mais na produo 2

nacional e na construo de infra-estrutura de portos para a importao de GNL (Gs Natural Liquefeito). Principalmente depois dos cortes ocorridos durante uma das crises[1] resultantes da longa disputa entre o Governo Evo Morales e os dirigentes da provncia de Santa Cruz, obrigaram a Petrobrs reduzir o fornecimento do produto para as distribuidoras de gs do Rio de Janeiro e So Paulo no ms de outubro de 2007. Assim, apesar do preo relativamente menor do metro cbico de gs importado da Bolvia, a necessidade de diminuir a insegurana energtica do Brasil levou a Petrobrs a decidir por uma alternativa mais cara porm mais segura: a construo de terminais de importao de GNL no Rio de Janeiro [2] e em Pecm, no Cear[3][4] Ambos os terminais j comearam a funcionar e permitem ao Brasil, importar de qualquer pas praticamente o mesmo volume de gs que hoje o pas importa da Bolvia. Para ampliar ainda mais a segurana energtica do Brasil, a Petrobrs pretende, simultaneamente, ampliar a capacidade de importao de gs construindo novos terminais de GNL no sul e sudeste do pas at 2012, e ampliar a produo nacional de gs natural nas reservas da Santos. Composio do Gs A composio do gs natural bruto funo de uma srie de fatores naturais que determinaram o seu processo de formao e as condies de acumulao do seu reservatrio de origem. O gs natural encontrado em reservatrios subterrneos em muitos lugares do planeta, tanto em terra quanto no mar, tal qual o petrleo, sendo considervel o nmero de reservatrios que contm gs natural associado ao petrleo. Nestes casos, o gs recebe a designao de gs natural associado. Quando o reservatrio contm pouca ou nenhuma quantidade de petrleo o gs natural dito no associado. Composio do Gs Natural Bruto Os processos naturais de formao dos gs natural so a degradao da matria orgnica por bactrias anaerbias, a degradao da matria orgnica e do carvo por temperatura e presso elevadas ou da alterao trmica dos hidrocarbonetos lquidos. A matria orgnica fssil tambm chamada de querogneo e pode ser de dois tipos: querogneo seco, quando proveniente de matria vegetal e querogneo gorduroso, quando proveniente de algas e matria animal. No processo natural de formao do planeta ao longo dos milhes de anos a transformao da matria orgnica vegetal, celulose e lignina, produziu o querogneo seco que ao alcanar maiores profundidades na crosta terrestre sofreu um processo gradual de cozimento, transformando-se em linhito, carvo negro, antracito, xisto carbonfero e metano e dando origem s gigantescas reservas de carvo do planeta. A transformao da matria orgnica animal ou querogneo gorduroso no sofreu o processo de cozimento e deu origem ao petrleo. Nos ltimos estgios de degradao do querogneo gorduroso, o petrleo apresenta-se como condensado voltil associado a 3

hidrocarbonetos gasosos com predominncia do metano. Por esta razo muito comum encontrar-se reservas de petrleo e gs natural associados. Assim, o gs natural como encontrado na natureza uma mistura variada de hidrocarbonetos gasosos cujo componente preponderante sempre o Metano. O gs natural no associado apresenta os maiores teores de Metano, enquanto o gs natural associado apresenta propores mais significativas de Etano, Propano, Butano e hidrocarbonetos mais pesados. Alm dos hidrocarbonetos fazem parte da composio do gs natural bruto outros componentes, tais como o Dixido de Carbono (CO2), o Nitrognio (N2), Hidrognio Sulfurado (H2S), gua (H2O), cido Clordrico (HCl), Metanol e impurezas mecnicas. A presena e proporo destes elementos depende fundamentalmente da localizao do reservatrio, se em terra ou no mar, sua condio de associado ou no, do tipo de matria orgnica ou mistura do qual se origino, da geologia do solo e do tipo de rocha onde se encontra o reservatrio, etc. Para exemplificar a diversidade e a variabilidade da composio do Gs Natural Bruto, bem como a predominncia do gs Metano, apresentamos a seguir a Tabela 1 Composio do Gs Natural Bruto em Alguns Pases. Tabela 1 Composio do Gs Natural Bruto em Alguns Pases

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Composio do Gs Natural Comercial A composio comercial do gs natural variada e depende da composio do gs natural bruto, do mercado atendido, do uso final e do produto gs que se deseja. Apesar desta variabilidade da composio, so parmetros fundamentais que determinam a especificao comercial do gs natural o seu teor de enxofre total, o teor de gs sulfdrico, o teor de gs carbnico, o teor de gases inertes, o ponto de orvalho da gua, o ponto de orvalho dos hidrocarbonetos e o poder calorfico. Apresentamos seguir as normas para a especificao do Gs Natural a ser comercializado no Brasil, de origem interna e externa, igualmente aplicveis s fases de produo, de transporte e de distribuio desse produto, determinadas pela Agncia Nacional