GEOMORFOLOGIA E MORFOESTRUTURA DA CARTA JACUMÃ, ESTADO DA ...· da rede de drenagem e o seu reflexo

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  • XIII Congresso da Associao Brasileira de Estudos do Quaternrio ABEQUA III Encontro do Quaternrio Sulamericano

    XIII ABEQUA Congress - The South American Quaternary: Challenges and Perspectives

    GEOMORFOLOGIA E MORFOESTRUTURA DA CARTA JACUM, ESTADO DA PARABA, REGIO NORDESTE DO BRASIL

    Max Furrier1; M Emanuella F. Barbosa1, 2 mariaemanuellaf@gmail.com 1Universidade Federal da Paraba (UFPB); 2Instituto Federal de Educao, Cincia e Tecnologia do Estado da Paraba (IFPB) Departamento de Geocincias, CCEN/UFPB, 58059-900 - Joo Pessoa (PB) Palavras-chave: rio Guruji, rio Gra, Alto Estrutural Coqueirinho, Grupo Barreiras 1. INTRODUO O presente trabalho tem como objetivo investigar, principalmente, o arranjo do padro da rede de drenagem e o seu reflexo na morfologia do relevo, a partir da abordagem morfoestrutural da regio compreendida pela carta topogrfica Jacum, com escala de 1:25.000, estado da Paraba, nordeste do Brasil. Essa rea j possui alguns estudos referentes a movimentos tectnicos recentes, onde todos eles evidenciam o forte controle estrutural na configurao e ordenamento do relevo e no arranjo do padro da rede de drenagem. A utilizao de tcnicas de geoprocessamento para avaliao morfotectnica fundamental, pois os produtos gerados so formidveis para se evidenciar a morfologia do relevo onde a influncia da tectnica na sua configurao e arranjo conspcua. 2. LOCALIZAO DA REA DE ESTUDO A rea de estudo corresponde carta topogrfica Jacum (SB-25-Y-C-III-3-NE) e possui uma rea emersa de aproximadamente 119 km. Est localizada no estado da Paraba, regio nordeste do Brasil, entre as coordenadas 345230W, 71500S e 344500W, 72230S, e seu relevo predominante foi esculpido sobre os sedimentos areno-argilosos mal consolidados do Grupo Barreiras. (Fig.1)

    Figura 1 - Localizao da rea de estudo.

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    3. MTODOS E TCNICAS O material cartogrfico produzido nesse trabalho foi confeccionado com auxlio do software Spring 5.1.7. Todo o material confeccionado foi gerado de forma automtica a partir dos dados topogrficos extrados da imagem de radar SRTM (Shuttle Radar Topography Mission), com resoluo de 90 m (folha SB-25-Y-C) e tambm da carta topogrfica Jacum 1:25.000, com equidistncia das curvas de nvel de 10 m. As coordenadas utilizadas foram UTM e o Datum o de Crrego Alegre. O trabalho consistiu na confeco e anlise dos seguintes materiais: cartas hipsomtrica, clinogrfica, de orientao de vertentes, rugosidade do relevo e do modelo em 3D da rea. Anlises morfomtricas e modelos numricos do terreno so modelagens matemticas computacionais do relevo que apresentam grande aplicao em estudos morfotectnicos e podem ser obtidas a partir do processamento de cartas topogrficas vetorizadas ou digitais e, mais recentemente, de dados do radar SRTM (Hartwig e Riccomini, 2010). 4. CONTEXTO GEOLGICO E GEOMORFOLGICO A rea de estudo est inserida, em quase sua totalidade, sobre os sedimentos areno-argilosos mal consolidados do Grupo Barreiras, uma cobertura residual de plataforma capeadora de vrias bacias marginais brasileiras, entre elas, a Bacia Pernambuco-Paraba, que abrange toda rea de estudo e constituda pelas formaes Maria Farinha, Gramame e Beberibe, sendo as duas primeiras formaes carbonticas, e a ltima, clstica. Sobre o Grupo Barreiras, so desenvolvidos, predominantemente, baixos tabuleiros com topos aplainados, ora soerguidos, ora rebaixados ou basculados por evidente atuao da tectnica recente (Furrier et al, 2006). As cabeceiras de drenagem de vrios cursos da regio e entorno apresentam-se com elevadas declividades, estando os cursos dgua bastante encaixados e suas cabeceiras de drenagem apresentando acelerado recuo. A Formao Maria Farinha aflora numa pequena rea no baixo curso do rio Guruji, nas proximidades da linha de costa, formando uma elevao proeminente e que se destaca na paisagem. Essa formao representa a continuao da sequncia calcria da Formao Gramame, sendo diferenciada apenas por seu contedo fossilfero, que considerada de idade paleocnica-eocnica inferior (Mabesoone, 1994). Foi erodida em parte pela exposio subarea anterior deposio dos sedimentos do Grupo Barreiras (Leal e S, 1998). 5. ANLISE MORFOESTRUTURAL O primeiro produto a ser analisado foi a imagem sombreada do terreno (Fig. 2a), onde se pode observar nitidamente o forte entalhamento dos canais das duas maiores bacias localizadas na rea (Guruji e Gra). Outro elemento que pode ser muito bem visualizado atravs da anlise da imagem sombreada a rugosidade do relevo. Distinguiram-se dois compartimentos bastante diferenciados separados pelo Alto Estrutural Coqueirinho; um ao norte, com formas tabulares, e outro ao sul onde a morfologia muda bruscamente passando de tabular para colinoso. Neste ltimo compartimento, as altitudes so geralmente maiores e os cursos dgua entalham fortemente os canais chegando a exumar as formaes sedimentares sotopostas da Bacia Pernambuco-Paraba, o que no ocorre no compartimento localizado ao

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    norte do alto estrutural, onde os cursos fluviais tambm entalham fortemente o relevo, mas no exumam as formaes sedimentares sotopostas. A carta de orientao de vertentes (Fig. 2b) tambm mostra a diviso da rea em dois compartimentos morfolgicos distintos divididos pelo Alto Estrutural Coqueirinho. O compartimento localizado ao norte, onde est situada a bacia do rio Guruji, possui a maioria das vertentes voltadas, principalmente, para N NW. O compartimento localizado ao sul do alto estrutural, onde est localizada a bacia do rio Gra composto principalmente por vertentes voltadas para S SW (Fig. 2b). Na carta clinogrfica (Fig. 2c) observa-se que as maiores declividades esto nas cabeceiras de drenagem da poro oeste e sul da bacia do rio Guruji e em praticamente toda extenso do rio Gra. A maior porcentagem em rea possui declividades em torno de 0 - 12% que corresponde aos topos aplainados dos tabuleiros e as plancies e terraos fluviais. A maior concentrao de declividades elevadas (>45%) encontra-se ao sul do rio Gra (Fig. 2c). Uma poro bastante peculiar a sub-bacia do riacho Pau Ferro, que pertence bacia hidrogrfica do rio Guruji, onde os ndices de declividade atingem valores de at 100%, principalmente nas proximidades de suas cabeceiras e no seu alto curso evidenciando um recuo de cabeceira mais acelerado. Outra caracterstica peculiar sua direo S-N, destoante do padro de drenagem principal da rea que W-L. Analisando a carta hipsomtrica (Figura 2d), pode-se constatar vrios patamares e dimenses morfolgicas distintas, dentre eles a porcentagem de rea que cada categoria altimtrica abrange. O resultado obtido foi que a classe altimtrica que varia entre 60 - 80 m predomina com aproximadamente 29,66 km; e o menor valor, com menos de 1% de rea (0,028km), a classe altimtrica que varia entre 100 - 120 metros de altitude. O ponto culminante do Alto Estrutural Coqueirinho na rea de estudo de 104 m, embora fora da rea alcance altitudes superiores. Os patamares mais elevados dentro da rea de estudo esto localizados ao sul do rio Gra com altitudes de at 121 m (ponto culminante), onde se observa, tambm, que os topos diferem-se significantemente do restante da rea com morfologias e dimenses reduzidas se comparadas aos topos encontrados no compartimento ao norte do alto estrutural. Nessa poro se observa um maior entalhamento mdio dos vales, elevadas declividades das vertentes, o que faz o relevo ser bastante dissecado, com uma alta densidade da rede de drenagem, diferenciando-se, praticamente, de todas as outras superfcies da rea de estudo. As formas predominantes so constitudas por colinas ou, s vezes, aproximando-se de formas colinosas pouco evoludas. Essa ltima morfologia, segundo Kaizuca (1963, apud. Suguio, 1999), representaria uma sequncia evolutiva de superfcies geomorfolgicas, equivalente fase intermediria entre as superfcies tabular e colinosa. Com o Modelo Digital do Terreno (Fig. 3) construdo e analisado, pode-se verificar, com maior clareza, o forte controle estrutural exercido pelo Alto Estrutural Coqueirinho na regio. No compartimento norte, h patamares mais elevados a oeste, declinando a altimetria em direo a leste, obedecendo inclinao predominante das formaes sedimentares da Bacia Pernambuco-Paraba. Esse fato no pode ser aplicado em toda a rea, visto que os riachos do Caboclo e Pau Ferro apresentam direo S-N, perpendiculares direo predominante do relevo desse compartimento. Percebe-se, tambm, que outros cursos dgua que possuem uma pequena parte de seus caudais na rea de estudo no obedecem inclinao predominante do compartimento que de W-L, possuindo, tambm direo S-N. Quanto ao compartimento ao sul do alto estrutural, visualiza-se uma acentuada inflexo do rio Gra

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    mudando sua direo de forma brusca de W-L para NNW-SSE, evidenciando neste ponto um acentuado controle tectnico-estrutural (Fig. 3).

    Figura 2 - (a) Imagem sombreada (azimute de 45). (b) Carta de orientao de vertentes (em graus). (c) Carta clinogrfica. (d) Carta hipsomtrica.

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    Figura 3 - Modelo Digital do Terreno (MDT), elaborado a partir da imagem SRTM.