Governança Pública, Inovação e Desenv .Resumo: Governança Pública, Inovação e Desenvolvimento

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Jair Santana www.jairsantana.com.br

Governana Pblica, Inovao e

Desenvolvimento

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Governana Pblica, Inovao e Desenvolvimento (*)

Jair Eduardo Santana Especialista em Governana Pblica

Jurista. Consultor de entidades pblicas e privadas Professor e autor de obras e artigos publicados em revistas especializadas

Mestre em Direito do Estado pela PUC de So Paulo www.jairsantana.com.br

jairsantana@jairsantana.com.br

Resumo:

Governana Pblica, Inovao e Desenvolvimento so pilares sobre os quais se edifica

uma sociedade mais justa, digna e, por isso mesmo, desejada. Delimitar o que venha a

ser Desenvolvimento para materializ-lo dentro de um dado territrio ocupado por uma

sociedade poltica algo que hoje requer forte Inovao porquanto as estruturas e os

mtodos ortodoxos existentes (diretivas) no se mostram satisfatoriamente responsivos

para solver as demandas para as quais foram concebidas. Referida Inovao , assim,

um componente talvez um dos pressupostos da Governana Pblica. Para difund-la

(a Governana Pblica) tomamos como ponto de aplicao pragmtica deste estudo a

situao atual (e geral) das aquisies governamentais no Brasil e, considerado todo o

respectivo ciclo, propomos o abandono da estrutura linear-vertical em que se

fundamenta; sugerimos o cmbio desse eixo terico por algo mais abrangente e

compreensivo a fim de tornar mais eficaz as aes desencadeadas no Setor, ainda

carente de resultados timos. Valemo-nos, para tanto, dos pensamentos complexo e

sistmico aplicveis s referidas aquisies, as quais esto assentadas na denominada

Governana Pblica.

Palavras-chave: Governana Pblica. Inovao. Desenvolvimento. Sustentabilidade.

Aquisies Governamentais. Ciclo das Aquisies Governamentais. Pensamento

Sistmico. Pensamento Linear. Pensamento Cartesiano. Pensamento Complexo.

Eficcia. Resultados timos.

(*) Reflexo a partir do nosso escrito intitulado Pensamentos Linear-Cartesiano, Sistmico e Complexo

aplicados Governana Pblica: As aquisies governamentais.

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1. Introduo

Os trs assuntos referenciados no ttulo (Governana pblica, Inovao e

Desenvolvimento) - todos eles e de uma s vez encerram realidades inesgotveis,

sedutoras, desafiadoras e inapropriveis em sua inteireza. So termos fludos que atraem

nosso esforo para o devido conhecimento; devem, assim, ser desvendados.1

Apesar da opacidade dessas palavras, sempre tive a certeza de que so elas importantes

pilares sobre os quais se edifica uma sociedade mais justa, digna e, por isso mesmo,

desejada.

Observando h dcadas os fenmenos existentes em torno do ser-humano2 (e do ser

humano, sem o hfen) noto que sob viso caleidoscpica estamos buscando desde

sempre 3 a mesmssima coisa.

A palavra Desenvolvimento, no contexto do ser-humano (e do ser humano, sem o

hfen), pode ser de fato desejo e meta, como insinuei h pouco. Mas tambm pode

ser mera iluso, como ensina ARRIGHI4.

Com maior ou menor intensidade, o assunto Desenvolvimento surge tona de tempos

em tempos adjetivado evidente das perspectivas multifacetrias que o conformam.

A todo modo, sempre evito por razes mais do que bvias o reducionismo do pensar

e a ocasio apropriada para lembrar a feliz observao de BOFF quando registrou que

1 Tive oportunidade de escrever, h mais de uma dcada (texto nunca antes dado a pblico): qual o 2 Reporto-me aos aspectos endgenos e exgenos. Veja, para melhor compreenso da assertiva, alguns dos nossos escritos a exemplo de O legado do passado para as geraes futuras em Direito, Justia e Espiritualidade (SANTANA, Jair Eduardo. Belo Horizonte: Indita, 2.000). 3 Uma (re)visita filosofia no particular no seria sem sentido. Dentre tantas possibilidades, uma bem interessante est expressa na obra de Comte-Sponville: A Felicidade, Desesperadamente. So Paulo, Martins Fontes, 3a ed., 2005. 4 Confira nota de rodap adiante que cita referido autor.

4

Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um l com os olhos

que tem. E interpreta a partir de onde os ps pisam.

Todo ponto de vista a vista de um ponto. Para entender como algum

l, necessrio saber como so seus olhos e qual a sua viso do mundo.

Isso faz da leitura sempre uma releitura.

A cabea pensa a partir de onde os ps pisam. Para compreender,

essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como algum

vive, com quem convive, que experincias tem, em que trabalha, que

desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que

esperana o anima. Isso faz da compreenso sempre uma interpretao.

Sendo assim, fica evidente que cada leitor co-autor. Porque cada um l

e rel com os olhos que tem. Porque compreende e interpreta a partir do

mundo que habita.5

Enfim, seja l o que signifique para voc, em seu mais profundo ntimo6, a palavra

Desenvolvimento ela certamente se imbrica com as duas outras que esto no ttulo deste

escrito (Governana Pblica e Inovao).

Por outro modo de dizer, Desenvolvimento (humano, econmico, social, cultural,

espiritual, etc.) so variveis resultantes de olhares plurais (possivelmente) derivadas de

fundamentos e elemento nico.

Desejo ou iluso, como ressaltei anteriormente, o Desenvolvimento de que aqui me

ocupo faz parte de uma jornada que h muito no pode ser feita a no ser de modo

comunitrio.

5 BOFF, Leonardo. A guia e a galinha: Uma metfora da condio humana. Petrpolis: Editora Vozes, 1997, p. 9-10. 6 Fao aqui um convite para que reflita sobre tal ponto e dimensione e limite, a partir do seu prprio imaginrio, o campo e as fronteiras do que venha a representar a palavra Desenvolvimento.

5

E se o tema Desenvolvimento comea a resvalar num outro (sociedade ou agrupamento

humano7) hora de dizer que em boa parte o Desenvolvimento perpassa e at

depende da Governana Pblica.

Tal premissa considera por certo que a vida humana e suas exteriorizaes (dentre elas o

Desenvolvimento) ocorrem num territrio ocupado por uma sociedade politicamente

estruturada. dizer, referida sociedade se corporifica sob uma dada forma estatal

comandada (ou gerenciada) segundo mecnica que aqui descabe referir.

O certo que para o ponto que nos importa a estrutura estatal necessita cada vez

mais de uma forte Governana Pblica8 a fim de que ela possa cumprir os seus

propsitos.

Governana Pblica, tal qual propugnamos9, sempre realidade transcendente e

completamente desapegada dos modelos ortodoxos do pensar.

Nesse passso (e estou propositalmente ingressando no terceiro tema a que me propus

enfrentar: Inovao), inovar passa a ser uma constante necessidade j que as diretivas do

passado e da atualidade no so responsivas e aptas a solver as demandas para as quais

foram concebidas.

A Inovao em tal sentido um componente (ou talvez um dos seus pressupostos)

da Governana Pblica.

Derivada do latim innovatio, a etimologia da palavra carrega at hoje em seu interior

a noo de novidade ou algo do gnero. Aqui importante que assuma a roupagem de

7 No estou preocupado com a cientificidade de uma melhor catalogao para me expressar em relao ao corpo social e poltico. 8 Que muitos (se no a maioria) insistem em reduzir a simples gesto ou administrao. 9 Mais adiante explicarei com profundidade do que estou tratando.

6

soluo em torno de processos (ou procedimentos) que objetivam dar maior efetividade

e eficcia ao antigo modelo de gesto pblica (expresso hoje descabida10).

Mas prefiro falar disso fora do abstrato e mostrar como que na prtica possvel (e

necessrio) trocar um modelo arcaico (de aquisies pblicas) que se mostra pernicioso

para toda a Sociedade. Alis, a Governana Pblica que propugno j traz em si essa

ideia motriz.

Inmeros casos podem ser agregados para demonstrar a validade do conceito. Aqui

limito-me no momento a abordar o caso das Compras ou Aquisies Governamentais.

2. Superando a letargia.

Antes de enfrentar qualquer situao-de-fato (entendida esta como necessidade de

resolver para a comunidade - atravs da prestao de servios e de utilidades pblicas

as demandas que ela no pode suportar por si mesma) preciso superar a letargia que

nos envolve.

Entendi que uma boa reflexo e timo apoio vem do lusitano que invoco em seguida.

Ele escreveu:

a vida!

A frase no raro constitui por si s toda uma viso do mundo e,

mais importante, toda uma viso de ns mesmos, da nossa vida enquanto

(tele) espectadores do mundo. O telespectador colocado dentro do

mundo mas ao mesmo tempo acima dele, como se o vivesse no o

vivendo. a vida! A nossa, a de todos, aquela que vivemos - e, no

10 Por isso que venho lutando, h tempos, pela compreenso dos componentes e elementos do conceito de Governana Pblica para a partir dele abandonar as formas e mtodos suprfluos do gerenciamento da coisa pblica. Sempre aproveito para registrar que no se trata pura e simplesmente de simples cmbio de signos. dizer, trocar gesto pblica, administrao