Gravidez na Adolescência e Sexualidade

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  • Uma conversa franca com educadores e educadoras

    1 verso - 2008

    Gravidez naGravidez naAdolescnciaAdolescnciae Sexualidadee Sexualidade

  • G777Gravidez na adolescncia e sexualidade: uma conversa franca comeducadores e

    educadoras/Maria Luiza Heilborn ... [et al]. Rio de Janeiro : CEPESC/REDEH, 2008.

    48p. Il.

    ISBN 978-85-89737-09-8Material oriundo da Pesquisa GRAVAD Gravidez na Adolescncia: Estudo

    Multicntrico sobre Jovens, Sexualidade e Reproduo no Brasil. (IMS/UERJ), ISC/UFBA, NUPACS/UFRGS).

    1.Gravidez na adolescncia. 2. Brasil. 3. Gnero. 4. Educao em sexualidade. I. Heilborn, Maria Luiza. II. Centro Latino Americano em Sexualidade e Direitos Humanos. III. Rede de Desenvolvimento Humano. IV Ttulo.

    Ficha catalogrfica Sandra Infurna CRB-7 4607

    FICHA CATALOGRFICA

    UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO UERJ

    INSTITUTO DE MEDICINA SOCIAL IMS

    PROGRAMA EM GNERO, SEXUALIDADE E SADE

    CENTRO LATINO AMERICANO EM SEXUALIDADE E

    DIREITOS HUMANOS CLAM

    Endereo: R. So Francisco Xavier, 524,Pavilho Joo Lyra Filho, 6 andar, Bl. ECEP:20550-013 - Rio de Janeiro - RJBrasil - tel: (21)2568-0599E-mail: sexgen@uerj.brSite: www.clam.org.br

    REDEH REDE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO

    Endereo: Rua lvaro Alvim, 21/16 andarCentro - CEP 20031-010Rio de Janeiro - RJ BrasilTel.: 55-21-2262-1704 E-mail: redeh@redeh.org.brSite: www.redeh.org.br

    Coordenao Editorial

    Maria Luiza Heilborn

    Coordenao Executiva

    Schuma Schumaher

    Contedo Cientfico

    Maria Luiza Heilborn, Joo Francisco de Lemos, Cristiane S. Cabral, Elaine Reis Brando

    Leitura Crtica

    Leila Arajo; Rachel Aisengart Menezes

    Texto Didtico-pedaggico

    Paulo Corra Barbosa

    Design

    Bete Esteves Complexo D

    Assistente de design

    Violeta dos Campos - Complexo D

    Material oriundo da Pesquisa GRAVAD Gravidez na Adolescncia: Estudo Multicntrico sobre Jovens, Sexualidade e Reproduo no Brasil

  • Na prpria pele...

    Em relao pesquisa, saiba professor/a, que quase 1/3 dos/as entrevistados/as passaram pela experincia da gravidez na adolescncia.

    Prezado/a Professor/a

    No d para fechar os olhos. A questo est a, por todos os lados. Tanto dentro, quanto fora da escola, a gravidez na adolescncia , de fato, uma realidade.

    Sobre isso, queremos conversar com voc. Contudo, antes de iniciar nosso bate-papo importante destacar dois aspectos, pontos centrais desse material que tem em mo. O primeiro relaciona-se ao fato de que no temos aqui a inteno de lhe apresentar um manual, um receiturio mgico sobre como tratar do assunto em sala de aula. Isso porque, tanto quanto voc, desacreditamos das propostas que assim se apresentam. Nosso convite para uma reflexo conjunta.

    E, quanto ao segundo ponto, importante dizer que os dados aqui apresentados so resultados da pesquisa Gravidez na Adolescncia: Estudo Multicntrico sobre Jovens, Sexualidade e Reproduo no Brasil (Gravad), desenvolvida por trs univer-sidades (IMS/UERJ, ISC/UFBA e NUPACS/UFRGS) 1. Realizada em 2002, ouviu 4.634 jovens, de diferentes segmentos sociais e econmicos, em trs importantes capitais brasileiras: Porto Alegre, Rio de Janeiro e Salvador.

    1 IMS/UERJ Instituto de Medicina Socia

    l da Universidade do Estado do Rio de Ja

    neiro;

    ISC/UFBA Instituto de Sade Coletiva

    da Universidade Federal da Bahia;

    NUPACS/UFRGS Ncleo de Pesquisa em

    Antropologia do Corpo e da Sade da U

    niversidade Federal do Rio Grande do Su

    l.

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    A Escola, um importante espao para a

    abordagem da questo. Mas no o nico!Falar sobre sexo e sexualidade na escola, apesar dos avanos experimentados nos ltimos anos, no ainda to comum e simples. Muitas e diferentes resistncias se apresentam, concorda? Por extenso, tambm torna-se complexa a abordagem da gravidez na adolescncia. No tarefa fcil, e sabemos disso.

    Alis, em relao gravidez, o trato da questo pressupe aes integradas, nunca isoladas, exi-gindo portanto, articulao conjunta dos diferentes canais sociais. Acredite: fugimos, igualmente, daquela viso ingnua de que cabe apenas educao a soluo de todos os problemas sociais enraizados de longa data na sociedade brasileira.

    Na verdade, falar da sexualidade implica repensar preconceitos, quebrar velhos paradigmas e, so-bretudo, superar hipocrisias presentes h muito tempo. Contudo, professor/a, de uma coisa tanto ns como voc temos certeza: o silncio, o preconceito ou a indiferena social so as maiores dificuldades no dilogo entre pais, responsveis, professores e os jovens.

    Assim, embora seja um desafio comum a toda a sociedade brasileira, o assunto encontra na esco-la, por seu papel e clientela a qual se destina, espao privilegiado para reflexo.

    Esteja certo/a de que ao lhe apresentar tal afirmativa, de uma escola comprometida com a quali-dade de sua ao pedaggica e preocupada com a construo da cidadania, no desconsideramos os problemas de todos os tipos e que no so poucos, diga-se de passagem que configuram nosso quadro educacional.

    O que defendemos a importncia do espao escolar, instituio da sociedade propagadora de valores e conhecimentos, configurar-se e fortalecer-se como canal de reflexo sobre as respon-sabilidades que envolvem a sexualidade e, por conseqncia, mtodos contraceptivos, gravidez, aborto, Aids e preveno de outras doenas sexualmente transmissveis (DSTs).

    Afinal, a escola um lugar privilegiado para os primeiros encontros, primeiros namoros, pri-meiros amores. Olhar com intolerncia para esse fato real perder a grande oportunidade de participar da formao dos jovens a partir de uma nova perspectiva.

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    E o/a educador/a nessa histria? Abrir portas e janelas da sala de aula e da escola para o assunto da gravidez na adolescncia mais que apenas falar da questo.

    Na verdade, para uma abordagem sem preconceitos e contextualizada com o momento em que vivemos, dois aspectos so indispensveis, repare...

    O primeiro deles, relaciona-se ao domnio do assunto que ns, professores/as, temos e/ou senti-mos necessidade de buscar/aprofundar. Esse comprometimento com a fundamentao terica tambm compromisso com o que chamamos de funo social do(a) educador(a), no engajamento por uma sociedade mais justa.

    J o segundo aspecto, que no pode ser desconsiderado, relaciona-se ao fato de que muitos/as de ns ficamos pouco vontade e, algumas vezes, at preocupados em abordar assuntos ntimos, seja por vergonha ou receio da reao das famlias dos/as alunos/as. A questo que, assim agindo, abrimos mo tanto das possibilidades que a ns se apresentam, bem como de uma parcela de nossa responsabilidade como educadores/as.

    Convidando-o/a para essa reflexo ao mesmo tempo em que individual, tambm coletiva, com os/as demais educadores/as e com a turma , e abordagem no espao escolar sobre a vivncia da sexualidade na adolescncia e juventude, lhe apresentamos esse material, no qual sua participa-o e envolvimento so fundamentais. Convite aceito? Mos obra, ento!

    Para comear, o que acha de pensarmos juntos sobre quem so os/as adolescentes e jovens? Conhec-los essencial para uma aproximao que propicie o debate sobre sexualidade.

    necessrio estar atento s mudanas sociais que acontecem nesta etapa da vida que os adoles-centes atravessam, na qual a escola e tambm a famlia, os servios de sade e os projetos so-ciais/culturais de ONGs, para citar alguns exemplos tm importante papel. Repare que falamos do que acontece no momento em que meninos e meninas saem da infncia e, por isso mesmo, fundamental conhecer os aspectos que envolvem a juventude, ou melhor, as juventudes assim mesmo, no plural.

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    Comeando do comeo.Quando mudam os corpos e as cabeas... As transformaes fsicas que ocorrem nessa fase da vida geralmente so apontadas como o prin-cipal acontecimento experimentado. Decorrentes de processos biolgicos a primeira menstrua-o, crescimento dos seios, plos, aumento do pnis e testculos, dentre outras so mudanas marcantes para a maioria dos adolescentes. Contudo, preciso estar atento que no apenas os hormnios identificam a puberdade e adolescncia. um estgio perpassado por conflitos, dvi-das, inquietaes. um momento de mutao, de oportunidades, de entender que o crescimento faz parte dos ciclos da vida, de comear a pensar em que carreira profissional gostaria de seguir, de se apaixonar e, tambm de perigos: drogas, violncia e sexo sem preveno.

    De fato, difcil saber, com exatido, quando termina a infncia e comea a adolescncia, ou mesmo, quando a fase adulta se inicia. Muitos livros e manuais determinam faixas de idade como marcas dessas etapas. o indicador oficial utilizado para realizar pesquisas, formular polticas pblicas e definir legislao especfica.

    A Organizao Mundial de Sade (OMS), por exemplo, entende por adolescente a populao que se encontra entre 10 e 19 anos. Contudo, possvel encontrar outras interpretaes que amar-ram como jovens aqueles/as entre os 15 e 24 anos, classificao que, mais recentemente, tem sido ampliada at os 29 anos.

    O fato que, dependendo de cada pas e do critrio de classificao, a identificao das idades que compreendem a juventude pode variar, evidenciando ento, que se configu-ra muito mais enquanto categoria cultural, incluindo ainda, o desenvolvimento pessoal e social, no qual alm dos fatores culturais, tambm aqueles histricos, econmicos, dentre outros, determinam experincias de vida. Voc j parou para pensar sobre isso, professor/a?

    Resumindo: podemos afirmar que se in-formaes sobre mudanas corporais so fundamentais para organizar nosso conheci-mento a respeito dos jovens, devemos estar atentos tambm para as outras variveis que influenciam esta etapa da vida. Certamente, as mudanas fsicas so de fato mais percep-tveis,