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Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 1 ADITAMENTO Herdade da Alápega Estudo de Impacte Ambiental (Estudo Prévio) Aditamento Março de 2010

Herdade da Alápega - CCDRA · 2015. 3. 30. · Elevada Procura Turística no concelho de Alcácer do Sal – Viabilidade económica do projecto Os Empreendimentos Turísticos da

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Microsoft Word - Herdade-Alapega_Aditamento-EIA-03-2010Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 1
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2.1. INTRODUÇÃO 4
2.2. PROJECTO 4
2.4. FACTORES AMBIENTAIS 63
2.4.2. Sistemas Ecológicos 69
2.4.3. Recursos hídricos 77
Índice de Anexos
Anexo II – Análise dos impactes cumulativos
Anexo III – Pedido de Informação Prévia - Relatório Ambiental (Análise Hidrogeológica)
Anexo IV – Peças Desenhadas
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1. INTRODUÇÃO
O presente documento constitui um Aditamento ao Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do
Estudo Prévio do Empreendimento Turístico na Herdade da Alápega, tendo como objectivo
apresentar os elementos adicionais solicitados pelo parecer da Comissão de Avaliação (CA),
relativo à análise da conformidade do EIA, veiculado pelo Fax 410-DAS/DAAmb/09 da
Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, datado de 28 de
Dezembro de 2009, o qual se apresenta no Anexo I.
O pedido de elementos adicionais enquadra-se na verificação da conformidade do EIA,
entregue em Outubro de 2009, de acordo com o disposto no nº 4 do Artigo 13º do Decreto-
Lei nº 69/2000, de 3 de Maio, com a redacção que lhe é dada pelo Decreto-Lei nº 197/2005,
de 8 de Novembro.
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2.1. INTRODUÇÃO
Nos pontos seguintes pretende-se dar resposta à solicitação dos elementos adicionais por
parte da CA. Para tal, optou-se por respeitar a estrutura do parecer da CA, reproduzindo-se
os comentários produzidos pela comissão e apresentando de seguida a resposta aos
elementos adicionais solicitados. O parecer da CA, na sua íntegra, pode ser consultado no
Anexo I do presente documento.
2.2. PROJECTO:
1- Demonstrar a sustentabilidade sócio económica e ambiental do projecto
Enquadramento
O conceito de Desenvolvimento Sustentável é, normalmente, definido como o
desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração actual, sem
comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias
necessidades, possibilitando que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório
de desenvolvimento social e económico e de realização humana e cultural, fazendo, ao
mesmo tempo, um uso razoável dos recursos naturais existentes e preservando as espécies
e os habitats naturais.
O conceito de sustentabilidade aplicado à actividade turística de acordo com a OMT, refere
que "o desenvolvimento do turismo sustentável atende às necessidades dos turistas de hoje
e das regiões receptoras, ao mesmo tempo em que protege e aumenta as oportunidades
para o futuro. É visto como um fio condutor para a gestão de todos os recursos, de tal forma
que as necessidades económicas, sociais e estéticas possam ser satisfeitas sem desprezar a
manutenção da integridade cultural, dos processos ecológicos essenciais, da diversidade
biológica e dos sistemas que garantem a vida.”
Existem inúmeros estudos e relatórios que provam que a taxa actual de consumo de
recursos não é sustentável. Ainda assim, porque esta ideia tem sido tratada a um nível
demasiado abstracto, a sua comunicação tem-se revelado difícil, pelo que é necessário um
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conceito, ou um conjunto de dimensões suficientemente claras, que permitam tornar a ideia
mais concreta e operacional. Se tal for conseguido obter-se-á um bom meio de comunicação
que permite transmitir de forma condensada uma boa imagem da utilização dos recursos e
dos objectivos necessários a atingir, de modo a viver no planeta consumindo parte de
recursos que permita a renovação dos mesmos.
O projecto da Herdade da Alápega, tem como finalidade a prossecução desses objectivos de
impacte ambiental de uma forma que pretende ser adaptável aos diferentes contextos de
vida e situações.
O desenvolvimento do projecto do Empreendimento Turístico da Herdade da Alápega teve
assim em consideração nas suas várias vertentes, a compatibilização entre a protecção do
ambiente e a vertente sócio-económica, no sentido da prossecução de um objectivo de
sustentabilidade para todo o empreendimento, promovendo a utilização sustentável dos
recursos e a manutenção da diversidade biológica e cultural.
O turismo e os impactes ambientais
No que concerne aos impactes sobre os recursos é necessário determo-nos sobre o caso
concreto do país e do tipo de projecto.
Portugal, tal como outros países europeus, está a viver acima do seu limite de consumo de
recursos. Adicionalmente, o país possui algumas particularidades no que respeita à sua
pegada ecológica. Por exemplo, a separação entre a taxa de crescimento dos transportes, da
energia, do consumo de recursos, e a taxa de crescimento socio-económico é praticamente
impossível, constituindo o cenário português um dos piores da Comunidade Europeia (ex.
para aumentar em 1 euro o PIB, a sua grande parte terá de ser gasta em energia).
No que concerne ao tipo de projecto é de apontar que o chamado sector Turístico é
considerado um sistema completamente dependente do conceito de sustentabilidade. A sua
base reside maioritariamente na qualidade dos recursos ambientais, culturais e económicos
do destino turístico em questão. Assim, se não pensado e gerido de um modo a manter
elevados os níveis de qualidade destes recursos de que depende tão explicitamente, corre o
risco, como consequência da sua actividade, de deteriorar e consumir irreversivelmente os
referidos recursos, tornando-se a curto prazo, insustentável.
Em franca expansão, o Turismo é um dos sectores reconhecidos como dos mais significantes
na economia mundial, com inegável potencial na contribuição directa para os objectivos de
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Desenvolvimento Sustentável, transposto recentemente no plano estratégico nacional para o
desenvolvimento sustentável.
O plano de implementação de Joanesburgo (World Summit on Sustainable Development)
identificou uma necessidade urgente para a criação de orientações especificas para o sector
do turismo a fim de vencer a inércia dos padrões insustentáveis de produção e consumo.
Desde então que a Europa sente a necessidade de encontrar modelos de planeamento
estratégico adequados a operacionalidade de um turismo sustentável, específico para cada
destino turístico.
Assim as características do país e o facto do Turismo ser cada vez mais encarado como uma
indústria estruturante, impõe dificuldades ambientais específicas que necessitam de ser
abordadas de forma frontal.
Linhas orientadoras da Sustentabilidade na Herdade da Alápega
Para a diminuição do nível de impacte ambiental de qualquer empreendimento, ou, mais
globalmente, de qualquer actividade humana, dever-se-á seguir uma série de premissas. As
porventura mais importantes serão:
gestão da procura versus gestão da oferta (i.e., centrar primariamente no controlo e
gestão das necessidades, e só depois na solução tradicional para a sua satisfação);
análise de todas as alternativas, construtivas ou outras, em termos de impactes
ambientais de modo a encontrar a mais favorável;
reconhecimento sistemático da importância do comportamento humano e das dimensões
sociais na obtenção de qualquer objectivo ambiental seja directamente, na redução do
consumo do recurso, seja indirectamente na escolha da “infra-estrutura” mais adequada
à sua poupança;
considerar o empreendimento do ponto de vista da ecologia industrial, i.e., tentar
acompanhar todo o influxo e refluxo de materiais, energia e resíduos e tentar
transformar outputs em inputs (por exemplo transformando resíduos em adubo e
energia para ajudar a produzir recursos a consumir no empreendimento).
Apresentam-se seguidamente algumas das características do projecto que contribuem para a
sua sustentabilidade ambiental, económica e social:
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ADITAMENTO
Elevada Procura Turística no concelho de Alcácer do Sal – Viabilidade económica do projecto
Os Empreendimentos Turísticos da Herdade da Alápega localizam-se no concelho de Alcácer
do Sal (Alentejo), numa região com uma posição privilegiada no que se refere ao turismo,
tendo em conta a sua proximidade territorial à Área Metropolitana de Lisboa, a contiguidade
com o Algarve, a orla marítima de grandes dimensões e as relações de vizinhança com
Espanha.
Apesar destes factores verifica-se que esta região não tem recebido muitos turistas nos
últimos anos, sobretudo quando comparada com a região do Algarve, sendo que para esta
realidade contribui também o facto da oferta de Alojamento no Alentejo ser ainda reduzida.
Neste sentido, e de acordo com os dados recolhidos pelo INE em 2007, a capacidade de
alojamento do concelho de Alcácer do Sal correspondia a 193 camas, sendo que, o
desenvolvimento deste projecto, por si só acarreta um acréscimo da capacidade de
alojamento concelhio na ordem dos 1 823% (mais 3 519 camas). Também ao nível da
região, a implantação do projecto trará grandes benefícios, uma vez que a construção do
mesmo implicará um acréscimo de cerca de 35% na capacidade de alojamento da região, o
que considerando o facto desta ser a região do Portugal Continental com um menor número
de camas, se considera como sendo um factor de relevante interesse estratégico.
Na figura que se segue é possível visualizar a capacidade de alojamento do concelho de
Alcácer do Sal, região do Alentejo, e a capacidade de alojamento total para o concelho e
região com a implantação do projecto em análise.
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Figura 1 – Capacidade de alojamento no concelho de Alcácer do Sal e região do Alentejo , em 2007, e
para os empreendimentos turísticos da Herdade da Alápega.
Verifica-se ainda que o concelho de Alcácer do Sal registava, à mesma data, a taxa de
ocupação-cama anual mais elevada da sub-região (cerca de 42,2%), sendo esta bastante
satisfatória quando comparada com outras zonas do país. Estes dados demonstram que
Alcácer do Sal é um concelho com uma procura turística bastante razoável o que viabiliza a
construção de novos empreendimentos turísticos no concelho.
O projecto prevê-se a criação de 880 unidades de alojamento, correspondendo 170 a quartos
de hotel, sendo a restante área construída destinada a equipamentos complementares.
Quanto ao número de Camas, está prevista a existência de 4.420 camas totais, das quais
340 camas são inerentes à componente hoteleira e as restantes 4.080 camas aos
aldeamentos. A este quantitativo que corresponderá, numa situação de ocupação plena, à
existência de 4.420 habitantes, há que adicionar os visitantes e o pessoal dos serviços de
apoio, que se admite corresponderem a cerca de 20% dos habitantes, ou seja, 884
habitantes. Os consumos desta população não residente correspondem, entretanto, a cerca
de 1/3 dos consumos da população residente, pelo que aquela percentagem de população
não residente corresponde a uma população residente 295 habitantes equivalentes. Assim
sendo, a população máxima diária possível para o Empreendimento rondará os 4.715
habitantes equivalentes.
No entanto, considerou-se, para efeitos de dimensionamento das infraestruturas, que a Taxa
de Ocupação média anual ronde os 50%, naturalmente que variável ao longo do ano,
apontando-se para valores da ordem dos 30% em Janeiro, até perto dos 70% no Verão.
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Nestas condições, é expectável uma população média anual da ordem dos 2.360
habitantes equivalentes, sendo que em Janeiro ficará, em média, nos 1.400 habitantes
equivalentes, valor que subirá para cerca de 3.300 habitantes equivalentes nos meses de
Verão.
Em síntese, considera-se que, face à reduzida oferta turística da região, este projecto
assume um carácter estruturante para o desenvolvimento do sector turístico, proporcionando
um efeito de redistribuição, decorrente da sua capacidade em criar uma massa de consumos
turísticos que permite o desenvolvimento do tecido económico da região, sub-região e
concelho, proporcionando oportunidades de dinamização económica e criação de empresas e
empregos, a montante e a jusante na fileira de produção. Igualmente importante é o facto
do projecto em análise poder induzir novas procuras turísticas, ligadas essencialmente ao
património cultural (edificado, artesanal e manifestações culturais).
Trata-se portanto de um empreendimento rentável e economicamente viável.
Contributos para o desenvolvimento da região
O empreendimento incrementará o desenvolvimento da região, reforçando a economia local,
empregando mão-de-obra da região, utilizando bens de consumo de fornecedores locais, e
criando novos e mais serviços/equipamentos, que irão favorecer a população local, e
valorizar a componente cultural e ecológica da região.
Estima-se que o impacto económico do Projecto da Herdade da Alápega seja considerável,
tanto no que se refere ao seu impacto directo referente ao investimento e criação de
emprego, como no que se refere ao seu impacto indirecto, nomeadamente na contribuição
para a concretização dos objectivos estratégicos do Plano Estratégico Nacional do Turismo
(PENT) e para a consolidação da zona de Alcácer do Sal enquanto destino internacional de
referência.
Refira-se que o concelho de Alcácer do Sal se encontra no Litoral Alentejano, definido no
PENT como um dos 6 novos pólos de desenvolvimento turístico, para os quais as apostas no
sector devem ser prioritárias (sendo que os PROT vêm confirmar a prioridade de
investimento turístico nestas áreas).
Relativamente aos impactos económicos directos, o Projecto representará um investimento
aproximado de 310 a 330 milhões de euros, sendo as suas principais componentes as
seguintes:
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Hotel (H1) + spa + Centro de Saúde e Bem Estar: 10 a 15 milhões de euros;
Hotel (H2): 20 a 25 milhões de euros;
Unidades de Alojamento Turístico: 150 a 160 milhões de euros;
Infra-estruturas: 20 a 25 milhões de euros;
Clube de Golfe e Centro Agrícola: 10 a 12 milhões de euros.
O Projecto da Herdade da Alápega contribuirá também para a criação de cerca de 350 a 400
novos empregos na região, distribuídos da seguinte forma:
Gestão/manutenção da componente de alojamento turístico: 180 a 200
Hotelaria: 90 a 100;
Actividades de lazer: 80 a 100.
Indirectamente, o Projecto da Herdade da Alápega pretende contribuir de forma decisiva
para os objectivos centrais do PENT, nomeadamente:
Introdução de um conceito inovador e distintivo, suportado na capitalização da
vocação natural do interior alentejano;
Desenvolvimento de um conjunto de conteúdos inovadores e distintivos, que visam
recuperar/revitalizar as culturas e tradições associadas à História de Portugal, com
representatividade na oferta cultural e gastronómica (a desenvolver no centro de
aprendizagem de artes, ofícios e culturas locais a criar nos empreendimentos
turísticos da Alápega);
Desenvolvimento de uma oferta de inquestionável qualidade, expressa (1) na
abrangência de actividades/conteúdos propostos (que permitirá salvaguardar o
Projecto dos efeitos de sazonalidade), (2) na preservação do meio natural envolvente,
(3) nos baixos índices de construção e ocupação preconizados para a Herdade);
Desenvolvimento de uma oferta diversificada orientada para os mercados-emissores
estratégicos (nomeadamente Portugal, Reino Unido, Espanha e Alemanha), e para os
mercados a desenvolver (países escandinavos, Holanda, Irlanda e Bélgica);
Desenvolvimento do Conceito global com enfoque nos factores “Clima e luz”,
“História, Cultura e Tradição”, “Hospitalidade” e “Diversidade concentrada”;
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Disponibilização de pelo menos 6 dos 10 produtos estratégicos nacionais, a saber:
i. Touring Cultural e Paisagístico; (alavancando também na proximidade a
Alcácer do Sal, Évora, Montemor-o-Novo)
ii. Turismo de Natureza;
iii. Saúde e bem-estar;
vi. Gastronomia e Vinhos;
Adicionalmente, este Projecto contribuirá em definitivo para, em conjunto com outros
projectos já aprovados/anunciados para o concelho de Alcácer do Sal, consolidar esta região
enquanto destino turístico internacional de referência, com tudo o que tal implica em termos
de benefícios económicos indirectos para o Concelho.
O conceito proposto terá ainda como impacto económico indirecto a revitalização de alguns
ofícios/actividades económicas locais, a explorar na vertente de “Vida Interior” do
empreendimento turístico acima descrita, na qual se pretende promover a gastronomia local,
artesanato e tapeçaria.
Refere-se ainda que a Herdade da Alápega produzirá indubitavelmente um impacto
económico significativo na localidade de Santa Susana, que apresenta uma população
extremamente envelhecida e em declínio, sem factores de ancoragem para a fixação da
população mais jovem, podendo contribuir para a sua revitalização.
Em termos de constrangimentos de um acréscimo de turistas à região, e da sua capacidade
de resposta em termos de acesso a alguns serviços, refere-se que o empreendimento
contempla posto médico e de enfermagem, postos de multibanco, posto de correio,
supermercado, restaurantes, bares, etc, que permitirão satisfazer as necessidades dos
turistas da Herdade, não induzindo pressão acrescida sobre os serviços já existentes nas
localidades envolventes, como seja, a povoação de Santa Susana.
Design do Projecto (adaptação às características naturais do terreno, escolha de soluções naturais e integradas paisagisticamente)
A Herdade da Alápega é actualmente atravessada por uma série de vales que conduzem a
uma ribeira que corre de norte para sul a leste da área do empreendimento. A principal
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estrada norte-sul que atravessa a área do empreendimento conduz a Espanha o que cria
uma dicotomia que se procurou explorar como elemento principal do design e como
elemento essencial do projecto.
O primeiro lado desta dicotomia é definido pela zona a nascente da estrada nacional EN253 e
do caminho municipal (CM1063-1), que parte desta em direcção a noroeste. O uso actual do
solo nesta área é eminentemente florestal: destacando-se uma percentagem significativa de
áreas de sobreiros, alguns eucaliptais e áreas para a produção de mel em pequena escala. A
nascente existe ainda uma significativa área menos humanizada, predominada por
pastagens. O carácter do terreno dentro do seu contexto regional tornou-se uma
grande influência na evolução do conceito de ocupação desenvolvido. Por isso,
procurou-se criar um conceito turístico integrado, baseado na autenticidade da
região, preservando e valorizando os valores naturais.
Destaca-se que o projecto não esqueceu a apetência natural e histórica da Herdade para a
produção florestal e que inclusivamente a maior parte da superfície da Herdade continua
afecta à produção florestal com todas as vantagens que isso apresenta em termos de
diversificação de receitas (contribuindo para a sustentabilidade económica) e de
enquadramento ambiental.
O povoamento rural genuíno do Alentejo apresenta-se tipicamente sob a forma de “aldeias”
ou de aglomerados de pequenas dimensões. O desenho urbano desenvolvido no
projecto em estudo utilizou esta abordagem, em oposição à habitual solução comum nos
resorts de golfe, de residências espalhadas ao longo da periferia do campo, ou de outros
equipamentos e serviços. Nesta zona do empreendimento, cada “aldeia” proposta tem um
carácter único que se relaciona directamente com a sua função e uso da paisagem
adjacente.
É de realçar que, algumas destas “aldeias” confrontam com a grande área natural, que será
acessível a partir de uma rede de caminhos para nascente e um extenso campo de golfe bem
inserido na natureza, para poente. Outra “aldeia” ficará defronte de um grande Centro
Equestre, enquanto outra “aldeia” irá estar diante de uma Quinta, que irá mostrar e
vender os produtos da agricultura da região.
Cada “aldeia” será composta por uma combinação de unidades de alojamento turístico com
as tipologias urbanísticas de apartamentos, moradias em banda ou geminadas e moradias
isoladas. Estas unidades estão cuidadosamente agrupadas, para maximizar a sensação de
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comunidade, mantendo simultaneamente a privacidade e maximizando as vistas da
paisagem “emprestada" pela envolvente do empreendimento. Estas vistas são variadas e vão
desde espaços de golfe a natureza, passando por espaços agrícolas, como é o caso dos
olivais ou das vinhas.
A segunda metade da dicotomia é constituída pela zona poente do caminho municipal
(CM1063-1). Esta zona é essencialmente constituída por uma série de cumes que se
estendem em direcção a poente e proporcionam excelentes vistas, particularmente
apelativas, em especial ao pôr-do-sol. Esta parte da Herdade tem um carácter mais natural,
e pretende-se que as unidades de alojamento turístico se assemelhem a montes alentejanos,
preservando toda a envolvente natural. Refere-se igualmente que estes alojamentos serão
projectados para se implantarem em harmonia com o terreno, com o mínimo de alterações à
topografia. Os edifícios serão envolvidos por terraços e espaços ao ar livre, criando espaços
exteriores ou pequenos jardins privados, com as restantes grandes parcelas mantidas no seu
formato original de modo a manter o carácter natural da área do empreendimento.
Nas “aldeias” poder-se-á caminhar livremente minimizando a dependência em relação ao
carro através da disponibilização de buggies de golfe. No adensamento vegetal e na
utilização ornamental serão utilizadas espécies autóctones, de forma a reduzir a
dependência da irrigação. A utilização da água será devidamente planeada e gerida, e o
recurso à reciclagem incentivado.
A implantação e localização dos edifícios foi tida em consideração no desenvolvimento
do Masterplan, na medida em que tem influência no desenvolvimento sustentável,
nomeadamente no que diz respeito aos recursos energéticos utilizados e aos impactes
regionais e globais na atmosfera, no solo, na água, na flora, na fauna e na população, entre
outros.
À escala urbana, o planeamento e a gestão urbanística têm consequências bastante
significativas para o ambiente e para as condições de conforto nos edifícios. Em termos
urbanísticos, para a Herdade da Alápega foram tidos em consideração os seguintes aspectos:
Meteorológicos (como radiação solar, temperatura do ar, vento, luminância, etc.);
Geográficos (como orientação, morfologia do terreno, etc.);
Biológicos (como fauna e flora do local).
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ADITAMENTO
As formulações existentes em Portugal ao nível destes factores apenas são focadas no RGEU,
onde se refere o dever de serem asseguradas, para a construção ou reconstrução de
edificações, a salubridade dos terrenos, arejamento, iluminação natural e exposição
prolongada à acção directa dos raios solares, bem como o abastecimento de água potável e
evacuação de esgotos.
A iluminação natural é garantida pela formulação de um limite máximo de altura das
edificações, definido por uma linha recta a 45º, traçada em todos os planos perpendiculares
à fachada, e a intersecção do seu plano com o terreno exterior, independentemente da
localização ou orientação da edificação.
Face ao exposto, verifica-se que o empreendimento foi definido a priori tendo em
consideração a preservação e valorização dos recursos naturais e paisagísticos existentes na
herdade.
Zonamento da Herdade tendo em consideração a definição da Estrutura
Ecológica Principal (restrições à implantação de equipamentos, à integração
paisagística, desmatação, terraplenagens, etc)
Para a definição das áreas a incluir na Estrutura Ecológica Principal-EEP (áreas que
praticamente não irão ser intervencionadas no desenvolvimento do empreendimento) foram
tidos em conta os seguintes objectivos:
Garantir a salvaguarda e a manutenção dos sistemas ecológicos de maior valor
e a conservação da natureza, em áreas com dimensão suficiente para que
sejam sustentáveis, por si e permitindo ligações às áreas exteriores de maior
interesse;
Seleccionar para a EEP as áreas com maior potencialidade para instalação de
matos e vegetação que conformem habitats estruturalmente diversificados e
ecologicamente equilibrados e que constitua uma mais-valia ambiental para o
empreendimento e áreas envolventes.
Em termos estatísticos, a Estrutura Ecológica Principal (EEP) totaliza a área de 445,2 ha, a
Estrutura Ecológica Secundária (EES) totaliza a área de 71,2 ha, o que considerando que a
área total da herdade é de cerca de 713 ha, corresponde respectivamente a 62,5% e 10%
da mesma.
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ADITAMENTO
Os factores biofísicos identificados na delimitação da EEP não têm todos o mesmo valor e
sensibilidade, no que se refere ao ordenamento do espaço não intervencionado da herdade,
sendo classificada em duas classes – Muito Condicionada e Pouco Condicionada. A Estrutura
Ecológica Secundária, complementar da Primária integra também duas classes de espaços
distintas: Espaços Agro-silvo-pastorís e Espaços de Transição e Enquadramento.
Os Habitats da Rede Natura 2000 – Sítio Cabrela, integram as Estrutura Ecológica Principal
e incidem sobre Espaços de Ocupação muito Condicionada e Espaços de Ocupação Pouco
Condicionada, de acordo com o grau de protecção identificado como necessário.
Foram incluídos nos espaços de Ocupação Muito Condicionada, as áreas com Relevância
Fitocenótica Alta, as Áreas com Riscos de Erosão incluídas na REN e as áreas em que
estas duas condicionantes se sobrepõem.
Caracterizam-se pela presença de valores naturais ou condicionantes biofísicas que, pelas
suas características, devem prosseguir objectivos de protecção e conservação da natureza,
numa perspectiva de protecção do solo e dos ecossistemas, bem como da promoção da
biodiversidade sendo a sua função dominante a conservação da natureza e a biodiversidade.
Desta forma, não são permitidos quaisquer usos não compatíveis com a conservação da
natureza e a biodiversidade, sendo apenas admitidos usos e acções que não coloquem em
causa as funções de conservação do solo, a manutenção do equilíbrio dos processos
morfogenéticos e pedogenéticos e a regulação do ciclo da água, promovendo a infiltração em
detrimento do escoamento superficial.
Simultaneamente à conservação da natureza, poderão ser realizadas acções e actividades
pouco intensivas (trilhos ou percursos pedestres, equestres e cicláveis), desde que
complementadas com acções que favoreçam a estabilização e protecção do solo
nomeadamente adensamento de vegetação.
Pela importância histórica e cultural prevê-se a recuperação do “trilho” que percorre de
forma paralela a margem da Ribeira de São Cristóvão, já na área do regolfo da Albufeira de
Pego do Altar.
Nestas áreas, o uso preferencial é a floresta de protecção, cujas funções principais são as de
assegurar a continuidade da estrutura verde e proteger a diversidade ecológica. As
plantações irão privilegiar as espécies autóctones e as espécies adaptadas às
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em áreas continuas, com espécies de crescimento rápido e/ou consideradas invasoras.
No que respeita aos Espaços de Ocupação Pouco Condicionada, constituem os restantes
espaços identificados com valor natural e biofísico, englobando as manchas de Montado de
Sobro, que inclui povoamentos recentes, e de matos. A salvaguarda do Montado de Sobro
é legalmente obrigatória por se constituir de um elevado valor ecológico.
Em geral, nestas áreas, sem prejuízo no disposto em legislação específica de protecção do
sobreiro, são interditas as acções que coloquem em causa a concretização das funções do
montado e a sua sustentabilidade, pelo que devem ser seguidas as seguintes orientações:
impedir o corte, abate e arranque de sobreiros e azinheiras;
promover plantações ou a regeneração natural de sobreiros e azinheiras;
em situações de consociação de povoamentos de sobro com outras espécies como o
eucalipto, pinheiro manso ou matos, deve-se promover a substituição progressiva
destas espécies, no sentido de constituir montados ou azinhais, onde dominem as
quercíneas, para que estas áreas sejam bem beneficiadas na sua estrutura e
equilíbrio ecológico.
O uso preferencial destas áreas é o montado, mais ou menos denso, consoante as restantes
características do território, devendo também o coberto sub-arbóreo ajustar-se a estas.
Assim, os usos admissíveis devem ter em conta as especificidades do sistema e as
características biofísicas do território, e promover o seu uso múltiplo, quer seja produtivo
(extracção de cortiça, produção de lenha, apicultura, colheita de plantas aromáticas e
medicinais, produção de pastagens para gado) ou recreativo (percursos pedestres, equestres
e cicláveis, educação ambiental, caça).
Promoção da Gestão Sustentável dos Recursos Naturais, e da utilização de
soluções ecológicas
As soluções desenvolvidas no projecto em causa, no que respeita à gestão dos consumos de
água e energia e no destino final das águas residuais e resíduos, são ambientalmente
correctas, promovendo activamente a poupança de recursos, a utilização de energias
renováveis e de recursos endógenos.
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ADITAMENTO
A boa política ambiental leva, necessariamente, à procura de soluções de minimização dos
consumos hídricos e de adequação desses consumos à qualidade dos recursos existentes.
Esta preocupação traduz-se na aplicação de um conjunto de medidas que permitem aqueles
desideratos, sendo que a primeira respeita à adequação dos consumos aos recursos.
De acordo com o estabelecido no projecto, a utilização de água potável será reduzida às
funções indispensáveis, nomeadamente aquelas em que há contacto humano directo
(banhos, cozinha) ou indirecto (máquinas de lavar roupa e louça). Para os restantes
consumos, incluindo nestes os gastos nos autoclismos dos sanitários e os consumos
exteriores, nomeadamente abastecimento de piscinas, lavagem de pavimentos, rega de
jardins e campos de golfe, etc., recorrer-se-á, sempre que possível, a água não potável.
No que se refere à utilização de água potável, é adoptado um conjunto de medidas
minimizadoras dos consumos, como seja:
Utilização de torneiras misturadoras e oxigenadoras de baixo débito, que permitem
uma redução significativa dos consumos sem por em causa a qualidade do serviço
prestado;
Opção por máquinas de lavagem de roupa e louça e outros equipamentos utilizadores
de água, de eficiência máxima;
Controle em tempo real da pressão da rede, mantendo a pressão de conforto mas não
permitindo a sua elevação, fruto de redução do caudal total pedido, que leva a
acréscimos significativos de caudal nos equipamentos em funcionamento.
É expectável um consumo de água potável na ordem dos 138.000 m3/ano, tendo origem
exclusiva dos furos existentes no empreendimento, que permitirão satisfazer as
necessidades em ano médio e seco.
No total do Empreendimento, é expectável um volume total anual médio de água não
potável de cerca de 489.000 m3/ano (387.000 m3 em anos secos, derivado da redução de
consumo que se fará à custa da redução da rega do campo de golfe, nomeadamente ao nível
dos fairays e do drivin range).
Para fazer face aos consumos referidos, o Empreendimento dispõe das seguintes origens de
água:
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 18
ADITAMENTO
Águas pluviais recolhidas em cisternas a instalar localmente, no interior dos
lotes – 38.000 m3/ano (sendo nula em ano seco)
Efluentes domésticos tratados derivados da ETAR – cerca de 124.000 m3/ano a
utilizar na rega dos campos de golfe.
Águas subterrâneas, derivadas de captações existentes na propriedade –
102.000 m3/ano
Barragem do Pego do Altar – Tendo em consideração as necessidades de água
bruta, serão utilizados cerca de 175.000m3/ano (sendo zero em ano seco).
Águas superficiais próprias recolhidas nos lagos e albufeiras de barragens a
construir. Estes lagos, que constituirão reservas estratégicas de água,
apresentam uma área total da ordem dos 15 ha, e terão uma capacidade de
armazenamento total da ordem dos 470.000 m3, que se manterá totalmente
preenchida nos anos normais ou húmidos, através dos escoamentos próprios
das suas bacias e do reforço com águas da barragem do Pego do Altar. Nos
anos médios será utilizada cerca de 50.000 m3/ano de água proveniente das
afluências da bacia de drenagem.
Nos anos secos, será usada a reserva estratégica de água armazenada nestes
lagos, correspondendo a cerca de 1/3 da sua capacidade, ou seja, cerca de
161.000 m3, em substituição da água da barragem, e das cisternas.
Neste sentido, o sistema integrado preconizado no projecto, considerando diversas origens
de água, onde se privilegia a reutilização das águas das chuvas e dos efluentes domésticos
tratados, apresenta-se ambientalmente sustentável, satisfazendo as necessidades de água
em períodos de seca através do recurso a reservas estratégicas de água inerentes ao próprio
projecto.
Refere-se igualmente que para obtenção de água potável, está prevista, como solução base,
a construção de uma ETA, no interior do Empreendimento, usando, como origem de água
preferencial, os caudais derivados das captações subterrâneas. Poderá no entanto ser
adoptada uma solução comum com o fornecimento de água à povoação de Santa Susana.
Nesta hipótese, a solução passa pela conclusão e reforço da ETA já parcialmente instalada na
barragem do Pego do Altar que, por razões várias, ainda não está em funcionamento.
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 19
ADITAMENTO
Para o tratamento das águas residuais domésticas, está prevista a construção de uma ETAR,
no interior do Empreendimento, como posterior aproveitamento dos efluentes tratados na
rega e consumos afins.
Entretanto, e tal como acontece com a água potável, a povoação de Santa Susana tem uma
ETAR do tipo fitoETAR, cujo funcionamento não será o mais desejado. Assim sendo, o
Promotor está disponível para estudar uma solução comum, promovendo a sustentabilidade
da região. Nesta hipótese, a solução passaria pela instalação de uma ETAR mais tradicional,
e que permita uma variação acentuada das afluências, no local da ETAR actual.
Os resíduos produzidos no Empreendimento serão triados e recolhidos por equipamentos
próprios montados em camiões, que os transportarão para o exterior e os entregarão nos
respectivos Ecocentros, para reciclagem e valorização, seguindo os restantes para aterro.
Admite-se ser possível conseguir uma percentagem de reciclagem e valorização da ordem
dos 50%, o que se considera positivo, sendo os restantes 50% destinados a aterro:
Os resíduos verdes provenientes da gestão e manutenção dos espaços naturais, das áreas
ajardinadas comuns e privadas e do campo de golfe, serão objecto de reutilização e
reciclagem. O material lenhoso pesado poderá ser escolhido, cortado e acondicionado,
constituindo a biomassa para posterior aproveitamento nas lareiras a instalar nas habitações,
hotel, etc.
O aproveitamento deste material lenhoso, derivado de podas de manutenção e não de abate,
traduz-se em energia de Carbono 0, aspecto importante a realçar, no âmbito de uma
correcta política ambiental que se pretende seguir.
Em termos de consumos energéticos, refere-se que serão utilizadas técnicas construtivas,
materiais e equipamentos que permitam a sua efectiva poupança. Dentro desta componente
estrutural, ressaltam os consumos energéticos inerentes à climatização
(aquecimento/arrefecimento) como aqueles onde se deve intervir, nomeadamente ao nível
das soluções passivas.
Outra área onde a capacidade de poupança é potencialmente significativa é a iluminação,
nomeadamente ao nível dos espaços comuns exteriores e das unidades hoteleiras e outras
edificações de uso comum, onde a utilização, por exemplo, de leds, tem provado permitir
poupanças energéticas superiores a 80%. Também a nível das habitações esta poupança é
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 20
ADITAMENTO
possível, substituindo os diversos tipos de lâmpadas por outras de menor consumo, com
poupanças potências da ordem dos 30% a 40%.
Uma terceira área em que se irá intervir refere-se aos diferentes equipamentos,
nomeadamente máquinas de lavar, equipamentos de frio, audiovisuais, etc., onde a opção
por equipamentos de maior eficiência permite poupanças energéticas superiores a 25% em
relação ao cenário tradicional.
No cômputo de todas estas intervenções, considera-se que se conseguirá, indo ao encontro
das preocupações ambientais associadas à energia, nomeadamente no que se refere à
produção de carbono, uma poupança energética da ordem dos 30% em relação ao cenário
usual.
A nível do Empreendimento, e tendo em consideração a população expectável e a sua
variação ao longo do ano, e os demais consumos, nomeadamente os inerentes aos espaços
comuns, à rega, etc., admite-se que os consumos energéticos globais deverão rondar os
8.300.000 kWh/ano.
Quanto ao tipo de energia em jogo, daquele quantitativo total anual de, sensivelmente,
8.300.000 kWh/ano, cerca de 60%, 5.000.000 kWh/ano, corresponderá, em princípio, a
energia eléctrica, gasta na iluminação, frigorífico, equipamentos audiovisuais, etc., cobertos
pela electricidade da rede pública, e por equipamentos de produção local, nomeadamente
painéis fotovoltaicos.
Os colectores solares térmicos, destinados ao aquecimento de águas e, eventualmente, ao
aquecimento ambiente, poderão cobrir cerca de 18% das necessidades energéticas totais.
Os painéis fotovoltaicos, com uma área semelhante à dos colectores solares térmicos, mas
destinados à produção de electricidade, poderão cobrir perto de 15% das necessidades
energéticas.
A biomassa, ou seja, a lenha derivada da manutenção da mata e demais espaços verdes,
responderá por cerca de 5% dos consumos energéticos totais.
Cerca de 38% das necessidades energéticas do Empreendimento poderão ser garantidos
com o recurso a energias renováveis locais, com reduzida produção de carbono.
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 21
ADITAMENTO
Entretanto, o gás, importado, será responsável pela cobertura de 17% das necessidades
totais de energia.
Finalmente, a energia eléctrica a fornecer a partir do exterior, cobrirá os restantes 45% do
consumo energético total.
Neste sentido, verifica-se que a gestão dos recursos, água e energia, e dos resíduos, é
efectuada de forma sustentável, considerando práticas ambientais adequadas e inovadoras e
a integração de diferentes soluções que permitem o equilíbrio entre a implementação do
empreendimento, e a protecção dos recursos naturais.
Preocupações com os edifícios
A preocupação em construir edifícios com condições mínimas de salubridade já se faz sentir
há algum tempo.
Neste sentido foi elaborado o ‘Regulamento Geral das Edificações Urbanas’1 (RGEU). Este
regulamento resulta da necessidade de intervenção neste sector, tendo em conta não só as
condições de salubridade dos edifícios, mas também a necessidade de os construir com os
exigidos requisitos de solidez e defesa contra alguns riscos (como incêndios ou derrocadas),
para garantia da sua segurança. Visa também a necessidade dos edifícios serem construídos
tendo em conta condições mínimas de natureza estética.
No que respeita à regulamentação energética nacional na área dos edifícios, esta constitui
um instrumento legislativo capaz de influenciar a sua eficiência energética, impondo um
conjunto de requisitos mínimos, quer em termos construtivos (especificamente no que diz
respeito à qualidade da sua envolvente), quer em termos dos sistemas energéticos
(incidindo, especialmente, no que se refere à utilização dos sistemas energéticos de
climatização).
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 22
ADITAMENTO
Os regulamentos mais relevantes nesta área são, pois, o ‘Regulamento das Características de
Comportamento Térmico dos Edifícios’2 (RCCTE) e o ‘Regulamento dos Sistemas Energéticos
de Climatização em Edifícios’3 (RSECE), respectivamente.
O RCCTE, publicado em 1990, constitui uma primeira base regulamentar que visa
directamente a melhoria da qualidade térmica da envolvente dos edifícios, no sentido da
‘melhoria das condições de conforto sem acréscimo do consumo de energia’ (Gonçalves,
Joyce, & Silva, 2002).
Este primeiro regulamento, ainda que considerado muito moderado em termos de exigências,
teve um grande significado na construção de edifícios em Portugal, uma vez que, na
actualidade, já praticamente todos utilizam isolamentos térmicos, muitos deles incorporando
ainda vidros duplos, tendo-se, para além disto, generalizado como prática corrente na
construção nacional.
A revisão deste regulamento impõe ainda que ‘o recurso a sistemas de colectores solares
térmicos para aquecimento de água sanitária nos edifícios abrangidos pelo RCCTE4 é
obrigatório sempre que haja uma exposição solar adequada5’. Em alternativa aos colectores
para aquecer a água, os edifícios podem optar por outras formas renováveis de energia com
capacidade equivalente.
No que concerne ao segundo regulamento apontado, o RSECE, este foi publicado em 1998,
aplicando-se, fundamentalmente, aos edifícios com sistemas de climatização e apresentando
como principal objectivo melhorar a sua eficiência energética. Este regulamento estabelece
um conjunto de regras de modo a que ‘as exigências de conforto e de qualidade do ambiente
impostas no interior dos edifícios, possam vir a ser asseguradas em condições de eficiência
energética’ (ADENE/INETI, 2002).
2 Decreto-Lei 40/90, de 6 de Fevereiro
3 Decreto-Lei 118/98, de 7 de Maio
4 O RCCTE aplica-se aos edifícios novos de habitação e aos de serviços que não tenham sistema central de
climatização. As suas normas são também válidas para grandes remodelações de edifícios já existentes
5 Na prática, os colectores solares são obrigatórios nos edifícios cuja cobertura esteja genericamente orientada a
Sul, desde que não sombreada nas horas de maior insolação
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 23
ADITAMENTO
À semelhança do que foi dito para o RCCTE, este regulamento foi igualmente revisto, com o
objectivo de ir ao encontro das exigências da Directiva Comunitária 2002/91/CE que impõe
aos Estados-membros o estabelecimento e actualização periódica de regulamentos
existentes, por forma a contribuir para a redução dos consumos energéticos nos edifícios
novos e reabilitados, impondo a implementação de todas as medidas com viabilidade técnica
e económica que visem a sua redução efectiva.
No que concerne, mais especificamente, aos materiais de construção, a regulamentação
nacional em vigor ainda não incorpora, de forma significativa, legislação, normas, etc. no
que diz respeito à sua prestação ambiental (nomeadamente medidas que cada indústria deve
tomar para minimizar os impactes ambientais associados à produção, etc.).
Existem apenas, a este nível, algumas normas sobre reciclagem do betão e incorporação de
resíduos na sua constituição, nomeadamente a NP EN 450, referente à classificação e
conformidade de incorporação de cinzas volantes no betão.
A intervenção edificada na Herdade da Alápega cumprirá escrupulosamente as regras e
orientações contidas nos regulamentos referidos, sendo ainda muito provável que o projecto
venha a suplantar estas exigências.
Impactes Ambientais dos Materiais de Construção
A situação ambiental do sector da construção em Portugal é mal conhecida, não sendo
sequer referida no Plano Nacional da Política do Ambiente (Ministério do Ambiente e
Recursos Naturais [MARN], 1995). No entanto, poderá salientar-se que as actividades
incluídas na construção que mais impacte têm no ambiente são as produções de cimento e
de aço (desde a extracção de matérias-primas, até ao consumo energético para
processamento, etc.).
Para além disto, as diminutas soluções de programas de reciclagem para os resíduos da
construção e demolição6 (RCD’s), bem como o total desconhecimento e vontade empresarial
para incluir nos materiais de construção matérias recicladas, faz do sector da construção, de
6 Que são, praticamente na sua totalidade, reutilizáveis ou recicláveis
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 24
ADITAMENTO
entre os restantes sectores da indústria portuguesa, o mais descuidado e atrasado em
termos ambientais.
Só para exemplificar, a produção de Cimento Portland Normal (CPN), uma vez que envolve a
obtenção de altas temperaturas para a formação do clínquer, corresponde a uma actividade
industrial altamente consumidora de energia, apresentando valores de consumo da ordem de
5GJ/ton (Pentalla, 1997), mesmo tendo em conta que o progresso tecnológico no seu
processo de fabrico, de 1960 a 1990, já permitiu reduzir o consumo inicial para
aproximadamente metade. Para além desta questão, há ainda a considerar a extracção de
matérias-primas para fabrico do mesmo. Actualmente rochas calcárias e margas são
extraídas em grandes quantidades, reduzindo habitats e empobrecendo paisagens, quando
há a possibilidade de se substituir parte do cimento utilizado para produzir betão por
resíduos provenientes de outras indústrias, nomeadamente cinzas volantes.
Nos últimos 50 anos, a indústria da construção civil em Portugal tem assentado
essencialmente no betão armado.
O aço é genericamente remetido para estruturas industriais, apresentando pouca relevância
no sector da habitação e escritórios, e a madeira como material de construção é, por seu
lado, praticamente inexistente em Portugal, embora ambos figurem na construção
portuguesa actual.
A abordagem a adoptar, numa fase futura do projecto, no que concerne aos materiais de
construção a utilizar no empreendimento turístico da Herdade da Alápega, privilegiará a
adopção daqueles que no cômputo geral se revelem menos nocivos para o ambiente,
optando-se quando viável, por materiais reciclados. Na figura seguinte apresenta-se a
caracterização típica dos entulhos das demolições (Ribeiro, 1999).
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 25
ADITAMENTO
Figura 2 – Caracterização dos entulhos das demolições
Os valores apresentados, apesar de grosseiros, permitem tirar conclusões acerca dos
principais materiais que são utilizados tipicamente na construção de edifícios em Portugal
(bem como das suas respectivas quantidades relativas), se tivermos em conta que a
esmagadora maioria dos mesmos apresenta como destino final o vazadouro7.
Desempenho Passivo
Ao nível do desempenho passivo importa referir que as unidades de alojamento na Herdade
da Alápega terão em consideração uma articulação entre a arquitectura exterior e interior e a
orientação solar, de modo a promover um intervalo de temperaturas de conforto de: 18ºC-
26ºC.
Em função dos resultados que se vierem a obter irá analisar-se a quais os tipos de sistemas
energéticos de climatização que deverão equipar as unidades de alojamento, para alcance do
padrão de conforto desejado
7 De salientar apenas, como já referido aliás, que uma percentagem significativa do aço é tipicamente
reencaminhada para reciclagem, no final do ciclo de vida deste material. Por esta razão, o valor apresentado deverá
ser tomado como (muito) inferior aos reais resíduos de demolição deste material
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 26
ADITAMENTO
Em termos de iluminação natural, apresentam-se, nas figuras seguintes, a posição do sol,
relativamente a uma unidade de alojamento, para os dias maior (21 de Junho) e mais
pequeno (21 de Dezembro) do ano, respectivamente.
Figura 3 – Posição do sol, relativamente a uma unidade de alojamento, no dia 21 de Junho
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 27
ADITAMENTO
Figura 4 – Posição do sol, relativamente a uma unidade de alojamento, no dia 21 de Dezembro
É possível concluir, por observação das figuras anteriores, que soluções de sombreamento
como palas, ou outras, são eficazes, já que permitem, no Verão (período mais luminoso e,
tipicamente, mais quente), barrar a entrada da radiação solar para o interior das unidades
de alojamento. Deste modo, minimizam-se o excesso de luz e o sobreaquecimento nas
unidades de alojamento, aumentando-se, consequentemente, o nível de conforto no seu
interior. Por outro lado, no Inverno, este tipo de soluções permite a entrada da radiação
solar na unidade de alojamento, tornando-a mais luminosa e, simultaneamente,
termicamente mais confortável (mais quente).
Este tipo de soluções passivas serão tomadas em consideração numa fase posterior do
projecto da Herdade da Alápega.
2- Caracterizar todos os elementos de projecto que constituem os
empreendimentos Turísticos na Herdade da Alápega, designadamente, o
campo de golfe, os charcos e as albufeiras, as piscinas e o centro náutico.
No Anexo IV são apresentadas as peças desenhadas que permitirão uma mais adequada
percepção das características dos elementos de projecto que constituem o empreendimento
turístico, e que seguidamente se descrevem.
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 28
ADITAMENTO
Campo de golfe
O campo de golfe apresenta uma área de implantação de cerca de 646.258 m2, com um
circuito de 18 buracos e um par de 72 com uma boa variação de buracos., desenhado pela
Mackenzie & Ebert, correspondente a um percurso total de 6.400 metros de jogo. Este
campo que se pretende perfeitamente enquadrado na paisagem envolvente – Figura 5, é
constituído por 4 lotes (G1, G2, G3 e G4) – Figura 6, estruturados pela rede viária definida,
que se articulam entre si.
Figura 5 – Enquadramento dos campos de golfe na paisagem envolvente
A área para este projecto é um antigo terreno agrícola utilizado para pastagem. O local
integra pradarias, bosques e árvores individuais a maioria das quais são protegidas.
Grandes partes da terra têm ondulação significativa como mostra o levantamento topográfico
do local. O solo fica compactado e, portanto, retém a água durante os períodos húmidos do
inverno. Por isso o campo necessitará da instalação de um sistema de drenagem intensiva.
As saídas deste sistema serão os cursos de água existentes e os lagos que serão construídos
no local do campo de golfe.
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 29
ADITAMENTO
O projecto envolve a criação de 18 buracos, um driving range8, três buracos de academia,
uma área de jogo curto e putting green9. Haverá duas voltas de nove buracos irradiando da
clubhouse. Nas imagens seguintes apresentam-se as paisagens associadas aos vários locais
do campo de golfe.
tee
1º green
tee
green
5º tee
tee
8º tee
tee
8 Driving range: área para treinar golfe
9 Putting green: campo de golfe muito pequeno e sem nenhum obstáculo
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 30
ADITAMENTO
Em determinadas áreas críticas, o afastamento entre as linhas centrais dos buracos e os
limites das áreas destinadas à implantação de unidades de alojamento, são de
aproximadamente 80 metros, distância que é suficiente para garantir a segurança dos
turistas.
A delimitação desta área engloba também alguns lagos e charcas propostos e desenvolvidos
no âmbito do conceito global proposto para o golfe e plano hídrico para a Herdade. A
concepção do campo de golfe assentou em algumas premissas relevantes, inerentes à
preservação das áreas integradas na Estrutura Ecológica que, apesar de integradas nos lotes
do golfe, permanecerão intocadas; à preservação dos sobreiros protegidos existentes na
área do empreendimento; à utilização das características da paisagem existente; e à criação
de um campo que seja ambientalmente responsável e relativamente fácil de manter.
A localização preferencial para a implantação do clube de golfe com cerca de 10.087 m2 de
área, é no topo de um pequeno planalto com vistas privilegiadas em todas as direcções, mas
com foco para sul e oeste.
A área global ocupada pelos lotes de golfe foi contemplada com uma área de construção de
50 m2 para a provável necessidade de construção de instalações sanitárias em pontos chave
do percurso.
Será necessário um sistema abrangente de drenagem dos fairways. Serão necessários dois
tipos de drenagem. Um deles será um sistema de bocas de esgoto para capturar fluxos de
superfície nos fairways durante períodos de chuvas fortes. O outro será um sistema de
infiltração composto por tubos perfurados cercados por pedra que serão utilizados para
reduzir o nível de água do solo em determinados lugares. Ambos os sistemas serão
emissários para os cursos de água existentes e os novos lagos.
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 31
ADITAMENTO
Para o estabelecimento de tees, fairways, área semi inculta e envolvente dos greens, serão
usadas relvas das espécies Lolium, Festuca, Poa pratensis e Agrostis. Estas são resistentes à
seca na medida em que se pode permitir que fiquem pardas durante períodos muito secos.
Assim que voltam a receber chuva a cor verde regressa.
Para os greens, serão necessárias superfícies de alta qualidade constituídas por espécies
que irão produzir uma superfície muito lisa com baixa altura de corte. Esta será uma das
espécies de Agrostis stolonifera.
Como os greens deverão ser cortados muito rentes, é desejável controlar o equilíbrio hídrico
da mistura de enraizamento com cuidado e, portanto, estas serão criadas de acordo com a
especificação USGA. Será instalado um sistema de drenagem sob os greens. Acima da base
drenada, haverá uma camada de 100mm com 2 a 6 mm de cascalho seguida pela zona de
enraizamento de areia/turfa com a profundidade de 300mm. A zona de enraizamento não
deve conter drenagem, mantendo no entanto uma mistura ideal de água, nutrientes e ar,
essenciais para o crescimento saudável. Esta zona será composta por uma mistura de areia
importada misturada com turfa importada. Para melhorar o estabelecimento das relvas nos
greens de forma a promover a máxima resistência a doenças, e diminuir a necessidade de
fertilizantes / água, pode ser recomendável que haja uma incorporação de fungos
micorrízicos arbusculares na mistura de enraizamento antes da sementeira.
O processo passo a passo para a construção dos greens, será o seguinte:
a. Retirar e amontoar o solo de topo numa única pilha numa área de um lado ou outro
do green que não será remodelada.
b. Dar nova forma ao subsolo para criar as formas especificadas pelo arquitecto para
formar a base do green.
c. Drenar a base do green com tubo de drenagem flexível, com 100 milímetros de
diâmetro e perfurado e cercar o tubo com pedra.
d. A camada de cascalho será adicionada a uma profundidade de 100 milímetros.
e. A camada final será então a de 300 milímetros de zona de enraizamento, como
descrito acima, que se estenderá por 60 centímetros para os lados para cobrir os
contornos da envolvente do green.
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 32
ADITAMENTO
f. Todo o solo superior previamente retirado será então recolocado para cobrir o subsolo
em torno das bordas dos greens.
Os tees seguirão a mesma especificação, mas não haverá uma camada de cascalho e a zona
de raiz terá apenas 150 milímetros de profundidade.
Os fairways serão construídos da seguinte forma:
a. Na maioria das áreas o design do campo não exigirá movimentação de terras, mas
alguns dos vales mais íngremes terão de ser elevados e haverá algumas outras áreas de
movimentação de terras para criar áreas de jogo bastantes planas.
b. Onde os níveis tiverem que ser alterados, as áreas serão remodeladas para criar as
formas definidas pelos planos e especificadas pelo arquitecto. Ao procederem ao
nivelamento, será importante respeitar os declives existentes nos terrenos em volta, para
que as novas formas se integrem bem. Nos terrenos mais planos a maior das novas
inclinações serão mais rasas do que 1:6. Em terreno mais íngreme, poderão ser usados
declives maiores, mas estes nunca serão mais acentuados em 1:3. Serão utilizados
operadores de máquinas qualificados com experiência de trabalho em locais de campos de
golfe sensíveis.
c. Os fairways serão cobertos por uma profundidade de 150 milímetros de uma areia
importada / mistura de solo para fornecer o meio de cultura.
Os bunkers necessitam de ser tratados com cuidado, ou então podem ser a característica
mais proeminente de um campo de golfe. Os estilos de bunkers variam de campo para
campo, mas na Alápega, a ideia é que sejam usados com moderação. Outros campos têm
dez vezes ou mais a área de areia que será necessária na Alápega.
Serão modelados com faces cobertas de erva e encostas relativamente íngremes para que a
areia fique principalmente na base garantindo que não é muito visível de longe. A areia para
o preenchimento dos bunkers será importada.
Existem várias maneiras de os golfistas circularem num campo de golfe: a pé ou num
carrinho de golfe. Será necessário um sistema completo de caminhos para os carrinhos de
golfe em todo o campo. A superfície dos caminhos ainda está por decidir, mas será um
material poroso.
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 33
ADITAMENTO
Em termos de rega do campo de golfe, refere-se que o objectivo do sistema a
implementar será fornecer uma rega muito eficiente (em termos de cobertura) aos greens,
tees, fairways e áreas semi incultas (uma faixa de 4,5m em torno dos fairways). Este
objectivo será atingido através da utilização de um grande número de aspersores, e os
localizados nas margens da área irrigada (o limite semi inculto / inculto) só girarão
parcialmente regando apenas para o interior. Isto irá assegurar que o lançamento de água
para as áreas incultas será reduzido ao mínimo. No entanto, estes aspersores nas margens
poderão operar num círculo completo durante o período de estabelecimento do campo e em
condições muito secas, quando a relva nas áreas incultas poderá morrer sem rega.
Este sistema utilizará aspersores "pop-up", que serão controlados individualmente por um
sistema central de comando informatizado. Este utilizará toda a flexibilidade da
informatização moderna e terá um sofisticado programa de controlo de fluxo para garantir
que para obter o efeito máximo é aplicada a quantidade mínima de água usando a menor
quantidade de energia. Este permitirá um registo preciso a ser mantido das quantidades de
água que são diariamente utilizadas pelo sistema.
A boa cobertura de irrigação uniforme é essencial num projecto, e é vital para a viabilidade
do campo a longo prazo.
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 34
ADITAMENTO
Figura 6 – Apresentação esquemática da localização do campo de golfe no empreendimento
Charcos e albufeiras
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 35
ADITAMENTO
O empreendimento prevê a construção de seis lagos, que corresponderão, dada a topografia
local, a albufeiras criadas por pequenas barragens de terra, que terão as características a
seguir descriminadas.
Quadro 1 – Características dos 6 lagos a construir
A localização de cada um destes lagos poderá ser visualizada nas peças desenhadas
apresentadas no Anexo IV.
Ao nível dos aterros, o coroamento terá 5 m de largura, o talude de montante será inclinado
a 3,0/1,0 (h/v) e talude de jusante a 2,5/1,0 (h/v)
Admite-se a escavação no interior das albufeiras, de modo a criar a capacidade de
armazenamento necessária, seguida do revestimento a geomembrana impermeável se
necessário. O material resultante daquela escavação será utilizado na construção dos
aterros. O material sobrante será usado na modelação do campo de golfe, não havendo lugar
à exportação de terras para o exterior do Empreendimento.
No que se refere aos órgãos hidráulicos, todos os lagos serão equipados com descarga de
fundo e descarregador de superfície.
A descarga de fundo será constituída por uma câmara de entrada, construída no fundo do
lago junto ao aterro, protegida com grelha. Seque-se uma conduta em PEAD envolta em
betão, que atravessa inferiormente o aterro, e que termina, a jusante, numa válvula de
seccionamento, que esgota para a linha de água. Esta válvula será aberta sempre que se
queira esvaziar o lago, para efeitos de manutenção e limpeza.
Lago
Altura
TOTAL - - 79.600 469.900 20,02
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 36
ADITAMENTO
O descarregador de superfície será constituído por uma soleira descarregadora em poço, à
qual se segue uma conduta de descarga com o diâmetro compatível com o caudal de ponta a
escoar. Esta conduta termina a jusante numa bacia de dissipação de energia, antes de
entregar os caudais na linha de água.
Quanto à drenagem das zonas envolventes, nomeadamente a drenagem sub-superficial das
áreas do campo de golfe a ela sujeitas, como sejam os greens, tees e bunkers, aponta-se
para que as mesmas sejam desviadas dos lagos e encaminhadas para jusante para a linha
de água, no sentido de evitar que caudais com nutrientes promovam a eutrofização dos
lagos. Neste sentido, não se considera necessário adoptar-se sistemas de tratamento.
O enchimento destes lagos será efectuado a partir de bombagem da água da Barragem do
Pego do Altar.
A água armazenada nestes lagos funcionará como reserva estratégica a utilizar em ano
crítico. Assim, estas albufeiras de armazenamento apresentam uma função de regularização
inter-mensal, guardando água de Inverno para a distribuir durante o Verão, e de
regularização inter-anual, guardando água nos anos húmidos, para distribuir nos anos secos.
Aldeamentos e Estabelecimentos Hoteleiros
Prevê-se a criação de 10 aldeamentos turísticos designados de A1 a A10, com categoria
mínima de 4 estrelas. Estes espaços compreendem áreas destinadas à constituição de
unidades de alojamento, espaços de utilização comum, equipamentos, vias de circulação
viária, pedonal, estacionamentos privativos e comuns, espaços verdes ornamentais e
espaços afectos à Estrutura Ecológica.
Os Aldeamentos A1 e A2, situam-se a poente do CM1063-1 sendo constituídos por unidades
de alojamento que integram lotes para a construção de moradias isoladas. Trata-se das
unidades de alojamento de maior dimensão com lotes a variar aproximadamente entre os
1500m2 e os 4000 m2, que privilegiam uma vivência mais naturalizada, marcada pela
envolvente. O Aldeamento A1, ocupa uma área com aproximadamente 40 ha para o qual
está previsto a criação de 86 lotes que integram tipologias T3, T4 e T5, que correspondem a
uma área de construção máxima de 27605 m2. A zona central do aldeamento é marcada pela
presença de um lago que ocupa cerca de 20 ha, ao qual se encontra associado o lote
destinado ao apoio comercial e recreativo do aldeamento.
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 37
ADITAMENTO
O Aldeamento A2, com características de ocupação muito semelhantes ao A1, ocupa uma
área com cerca de 16,6 ha, para o qual se prevê a criação de 36 lotes destinados à
constituição de unidades de alojamento. Como referido e à semelhança do Aldeamento A1,
apenas a tipologia de moradia isolada está prevista, em que a dimensão do lote varia entre
os 1500m2 e os 4000 m2 com tipologias, T3, T4 e T5, que correspondem a uma área de
construção máxima de 12720 m2. O aldeamento A2, situa-se a sul do A1, tendo na
envolvente Sul, o estabelecimento hoteleiro H1 que compreende a unidade de spa
(correspondendo a cerca de 88,261 m2 de área de implantação). Este estabelecimento
hoteleiro compreende cerca de 100 camas.
Os Aldeamentos A3, A4, A5, A6, A7, A8, A9 e A10, situam-se a nascente do CM1063-1,
encontrando-se os aldeamentos A3, A4, A5, entre o CM1063-1 e a EN253, e os restantes a
oriente da EN253. Em complementaridade aos aldeamentos A1 e A2, estes desenvolvem-se
em núcleos de menor dimensão, e apesar de alguns integrarem moradias isoladas, mais
afastadas das zonas centrais do aldeamento, seguiu-se na maior parte da sua área
construída um modelo de ocupação mais concentrado, sugerindo a ideia de pequenas
“aldeias”, procurando aproximar-se do modelo típico do povoamento alentejano. As unidades
de alojamento integram moradias isoladas, moradias em banda e apartamentos com
diferentes tipologias a variar entre T1 (só para apartamentos) e T4.
A dimensão dos lotes de moradias isoladas varia em média entre os 350m2 e os mais de
2500 m2 e para as moradias em banda 150m2 e 350 m2. Os lotes de apartamentos
concentram diferentes tipologias, T1, T2, T3 e T4 e as suas áreas brutas de construção
variam em média entre 90 e 180 m2.
A implantação destes aldeamentos verifica-se em perfeita articulação com o campo de golfe
que se desenvolve longitudinalmente na herdade. Para o Aldeamento A5, pela sua
centralidade prevê-se a constituição de uma área de uso misto, que visa assegurar um
conjunto de funções comerciais associado a unidades de alojamento e tirando partido da
presença de um lago que lhe confere um enquadramento cénico valorizado. Este lote ocupa
uma área com cerca de 1,14 ha, estando previstos 1400 m2 de área de construção para
estabelecimentos comerciais e 1980 m2 para 18 apartamentos (T1, T2 e T3). Embora nesta
fase conceptual seja precoce apresentar o seu programa detalhado pretende-se assegurar a
criação de um percurso de Fitness associado a um ginásio/fitness centre, com uma extensão
de 300m e com 5 estações de fitness/exercícios.
A altura máxima de fachada prevista para a globalidade dos aldeamentos é de 7 metros.
Estudo de Impacte Ambiental da Herdade da Alápega Página 38
ADITAMENTO
Todos os aldeamentos dispõem de uma área de utilização comum e equipamentos, de
apoio à actividade turística, dinamizador com funções de Praça, Largo ou Praceta com uma
capacidade edificativa média de 200 m2, onde é expectável a construção dos edifícios e
equipamentos para o desenvolvimento de actividades recreativas e de lazer, prevendo-se
igualmente a instalação de algum comércio nomeadamente restaurantes e pequenas
unidades comerciais. Para cada uma destas áreas prevê-se ainda áreas com piscina e pelo
menos um equipamento de desporto e lazer conforme previsto no artigo 16º do DL 39/2008,
por força do estatuído no artigo 13.º, n.º 3, do mesmo diploma.
A acessibilidade aos diferentes espaços dos Aldeamentos é assegurada pela rede viária e
pelas áreas de circulação pedonal propostas.
Para cada aldeamento está igualmente prevista a criação de espaços verdes ornamentais que
visam o enquadramento paisagístico da intervenção. Estas áreas correspondem aos espaços
intersticiais no interior das pequenas “aldeias” dos aldeamentos A3 a A10, caracterizando-se
por serem espaços permeáveis, com utilização de material vegetal e inerte. Destinam-se a
constituir pequenas zonas verdes dentro dos núcleos edificados, com funções dominantes de
enquadramento (ornamentais), devido sobretudo à sua reduzida dimensão.
São áreas que, para além de enquadrarem paisagisticamente as construções, contribuem
para o estabelecimento de um contínuo natural entre as áreas edificadas e os espaços de
transição e enquadramento, favorecendo assim a ligação com a paisagem e a amenização do
ambiente urbano.
Os materiais vegetais a utilizar deverão ser constituídos por espécies herbáceas, arbustivas e
arbóreas adaptadas às condições edafo-climáticas da região, privilegiando-se o uso de
espécies autóctones dos sistemas secos mediterrânicos.
Por se tratar de áreas ornamentais, admite-se uma maior artificialização e a utilização de
espécies vegetais exóticas, desde que bem adaptadas às condições edafo-climáticas da
região e não possuam grandes exigências em termos de rega. Os sistemas de rega deverão
ser automatizados, de baixo débito, preferencialmente do tipo gota-a-gota.
Os materiais e técnicas de construção com inertes a aplicar nestes espaços, especialmente
no que respeita aos revestimentos, devem ter em atenção a manutenção da permeabilidade
do solo.
No Quadro 2 sistematiza-se a informação referente aos Aldeamentos descritos.
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ADITAMENTO
ID
Aldeam
Total Equipamentos de utilização
Piscina e Percurso de fitness associado a um ginásio, com
uma extensão de 300m e com 5 estações de exercícios.
Possibilidade de incluir o lago para algumas actividades de recreio (remo, canoagem).
A2 166.266 35.276 12.920 36 37
Piscina e Parque/circuito de reflexologia (relacionado com o conceito de “Vida Interior” que se quer associar a esta parte
do empreendimento).
A3 74.558 17.881 15.810 103 94 Piscina e campo de ténis;
A4 81.197 18.675 13.495 75 50 Piscina e dois campos de ténis;
A5 91.703 28.841 13.865 78 106 Piscina e campo de ténis;
A6 28.648 3.517 7360 46 29
Piscina e percurso de fitness associado a um ginásio/fitness centre, com uma extensão de
300m e com 5 estações de fitness/exercícios;
A7 52.530 15.723 8770 52 31
Piscina e percurso de fitness associado a um ginásio/fitness centre, com uma extensão de
300m e com 5 esta&