Hippocampus reidi - .recém-nascidos (10 espécimes), 3 dias de vida (dv, 10 espécimes), 7 dv (5

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Text of Hippocampus reidi - .recém-nascidos (10 espécimes), 3 dias de vida (dv, 10 espécimes), 7 dv (5

Desenvolvimento osteolgico de Hippocampus reidi Ginsburg (Pisces, Syngnathiformes, Syngnathidae),

em laboratrio. 11. Perodo juvenil

Rosana Beatriz Silveira 1,2

ABSTRACT. Osteologic development of Hippocampus reidi Ginsburg (Pisces, Syngnathiformes, Syngnathidae), under laboratory conditions. 11. Juvenile pha-se. The sequence of evenls oflhe ossificalion process in lhe newly bom specimens of HippocGmpus reidi Ginsburg, 1933 up lo 37 days oflife has been described, mainly lhe ossificalion in the ethmoid plate, palatine, pectoral girdle, and postorbital bones and bony struclures such as mesoethmoid, articular and six suborbilals. Observation on adult specimens are presented too. KEY WORDS. HippocGmpus, seahorse, osteology

Poucos so os trabalhos realizados com cavalos marinhos. No Brasil, exceo do Projeto Hippocampus (SILVEIRA 1998a,b, 1999), inexistem publicaes a respeito destes peixes, e no mundo, poucos so os pesquisadores que, com expresso, estudam este tema, destacando-se VINCENT (1992, 1994a,b, 1995), VINCENT et aI. (1992), VINCENT & SADLER (1995), entre outros. O presente artigo descreve o desenvolvimento sseo de Hippocampus reidi Ginsburg, 1933 na fase juvenil, do recm-nascido at 37 dias de vida e complemento seqencial de SILVEIRA (2000) que descreve o desenvolvimento sseo na fase embrionria.

MATERIAL E MTODOS

Os espcimes foram provenientes da Barra de So Miguel, Macei, AL, Brasil. Os animais foram mantidos em quarentena e receberam tratamento profil-tico com CUS04 (sulfato de cobre, soluo estoque a I %), na diluio de 0,5 ml da soluo estoque para cada litro de gua do aqurio. A alimentao dos reprodutores constou de espcimes adultos de Artemia sp. (Crustacea, Anostraca), cultivados em laboratrio e oferecidos trs vezes ao dia. Aps o perodo de quarentena e concludos os exames de pele e fezes, que constituem rotina em piscicultura, foram selecionados espcimes com o seguinte aspecto: boa colorao, o que consiste num padro uniforme, sem manchas assimtricas, plidas ou escurecidas; movimentos natat-rios regulares na inteno de caar ou investigar uma possvel presa; quando em posio de descanso, cauda enrolada em alguma superfcie e bom apetite. Este item pode levar mais de um ms para se manifestar, pois alguns indivduos levam mais

1) Laboratrio de Aqicultura Marinha. Avenida Delmar Rocha Barbosa 563, Parque Santa F, 91180-490 Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: labaquac@yahoo.com

2) Departamento de Zoologia, Instituto de Biocincias, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Avenida Paulo Gama, Prdio 12105, 90040-600 Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil.

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tempo para aclimatarem-se a esta nova vida, em cativeiro. Por este motivo, todos os aspectos citados devem ser avaliados conjuntamente. Ao trmino da seleo, foram colocados em aqurio comunitrio para formao dos casais (escolha feita entre os prprios peixes). Aps, separados novamente, conforme tal escolha, para acasalamento.

O primeiro acasalamento ocorreu em temperatura de 25 loC, densidade variando entre 1020 e 1022 e fotoperodo de 12L: 12E. Os nveis de amnia, nitrito, nitrato e pH foram monitorados com kils para medies em aqurios marinhos e seguiram BROWNELL (1980a,b). Os trabalhos concentraram-se neste primeiro casal. A incubao dos ovos, pelo macho, durou 21 dias. Ao nascimento, contou-se uma prole de 502 alevinos, dos quais 250 espcimes foram cultivados, observando cinco espcimes por litro.

A tcnica de diafanizao, a terminologia adotada para os estgios do desenvolvimento, bem como a terminologia osteolgica est citada em SILVEIRA (2000).

Os espcimes diafanizados totalizaram 74 indivduos nas seguintes idades: recm-nascidos (10 espcimes), 3 dias de vida (dv, 10 espcimes), 7 dv (5 espci-mes), 10 dv (2 espcimes), 16 dv (3 espcimes), 20 dv (8 espcimes), 25 dv (8 espcimes), 30 dv (10 espcimes), 37 dv (8 espcimes) e 10 espcimes adultos. O comprimento total (CT, do pice da cabea extremidade da cauda) dos espcimes foi medido em ocular de medio e com paqumetro.

Os espcimes analisados esto retidos junto ao autor.

RESULTADOS

Recm-nascido Nesta fase, os juvenis apresentam mdia de 6,36 mm de CT. Com a placa

etmide em um plano linear (Fig. 3), sem a curvatura presente no embrio (Fig. 2), o focinho alongado suporta, em sua poro distai, as maxilas, palatino, quadrado, ectopterigide e cartilagem rostral (Figs I, 3). O pr-maxilar e maxilar, estruturas pares, de ossificao intramembranosa, colocam-se de cada lado, a partir da carti-lagem rostral em direo ao dentrio. Nenhum destes elementos possuem dentes (Fig. 3). Os palatinos, ainda cartilaginosos, so estruturas muito evidentes pelo seu tamanho, projetam-se da cartilagem rostral em direo ao quadrado, colocando-se na face dorsal do ectopterigide dermal. A cartilagem de Meckel encontra-se envolvida pelo dentrio, este de origem drmica (Figs 1,3). O angular posiciona-se na face posterior da cartilagem de Meckel e o retroarticular na face pstero-lateral da mesma, o primeiro como ossificao endocondral e o segundo como intramem-branosa (Fig. I). O articular coloca-se em posio pstero-lateral ao angular. O supra-etmide apresenta-se como uma fraca ossificao drmica (Fig. 4). A placa etmide cartilaginosa e as placas ectemides, tambm cartilaginosas, fusionam-se para formar o arco ectemide que se lana para dentro, entre as cpsulas pticas (Fig. 4). Na regio olfatria, na altura do arco ectemide, est o pr-frontal, ainda cartilaginoso (Fig. 4) e o etmide lateral. No observamos o vmer, mas est se modelando uma longa e fina estrutura que vai da regio anterior da cartilagem rostral at os pr-frontais, constituindo-se no mesetmide.

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Fig. 1. Hippocampus reidi, um dia de vida. (AE) Arco ectemide, (AN) angular, (AR) articular, (BH) basi-hial, (C) cauda, (CA) coracide, (CH) cerato-hial, (CHS) cartilagem hiosimpltica, (CL) cleitro, (CM) cartilagem de Meckel, (CO) cpsula tica, (CR) cartilagem rostral , (O) dentrio, (EC) ectopterigide, (EN) endopterigide, (EP) epitico, (ES) esfentico, (F) frontal , (HH) hipo-hial, (IH) inter-hial , (M) maxilar, (ME) metapterigide, (NA) nadadeira anal, (NO) nadadeira dorsal, (NP) nadadeira peitoral, (O) oprculo, (P) paresfenide, (PA) palatino, (PE) placa etmide, (PM) pr-maxilar, (PO) pr-oprculo, (POR) ps-orbital, (POS) placa ssea, (PTO) ptertico, (Q) quadrado, (RA) retroarticular, (RAO) radial distai, (RAM) radial mesial, (RAP) radial proximal, (RAPE) radiais peitorais, (RB) raios branquiostegais, (RNA) raio da nadadeira anal, (RNO) raio da nadadeira dorsal, (S) simpltico, (SE) supra-etmide, (SO) supra-occipital , (T) tubrculo, (UH) uro-hial.

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Figs 2-7. Hippocampus reidi, desenvolvimento de embrio at sete dias de vida . (2) Sincrnio embrio; (3) regio oromandibular com um dia de vida; (4) regio orbital com um dia de vida; (5) neurocrnio lateral com um dia de vida; (6) sincrnio com um dia de vida; (7) sincrnio com sete dias de vida . (AE) Arco ectemide, (BH) basi-hial, (CH) cerato-hial, (CHS) cartilagem hiosimpltica, (CM) cartilagem de Meckel, (CO) cpsula tica, (D) dentrio, (EC) ectopterigi-de, (F) frontal, (HH) hipo-hial, (M) maxilar, (ME) metapterigide, (O) oprculo, (P) parasfenide, (PA) palatino, (PE) placa etmide, (PF) pr-frontal, (PM) pr-maxilar, (PTO) ptertico, (Q) quadrado, (QJ) quadradojugal, (SE) supra-etmide, (SO) supra-occipital, (UH) uro-hial.

o metapterigide dermal encosta sua face dorsal na cpsula ptica (Fig. 4), continuando seu crescimento nadireo do quadrado, porm apresentam-se bastante distantes um do outro. O quadradojugal, osso drmico, cresce, inicialmente, sobre o lado dorsal do simpltico; este ltimo encontra-se em ossificao endocondral.

O paresfenide um osso drmico, indo do basioccipital at a regio dorsal do quadrado, ventralmente placa etmide. (Figs 4, 5). O quadrado, ainda cartila-

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ginoso, coloca-se na regio anterior do focinho tubular (Fig. 6) e sobre o qual, quase imperceptvel, est o endopterigide intramembranoso.

O arco hiide exibe os primeiros sinais de ossificao em suas peas pares, cerato-hiais, hipo-hiais e inter-hiais. O basi-hial est completamente cartilaginoso. O uro-hial osso dermal, assim como os raios branquiostegais. O oprculo osso drmico e articula-se com a face ltero-posterior do hiomandibular (Fig. 6). O pr-oprculo, de mesma origem, comea a ser formado a partir da parede lateral posterior do hiomandibular, posicionando-se em direo ao simpltico. Tanto o oprculo como o pr-oprculo apresentam projees sseas em forma de cristas. Os arcos branquiais, em nmero de quatro, esto cartilaginosos.

O simpltico e o hiomandibular formam uma pea nica, em forma de um "L" invertido (Fig. I). A face simpltica, nesta fase, ventral extenso do quadradojugal, enquanto que a face hiomandibular, em sua poro dorsal, conecta o crnio.

As nadadeiras peitorais apresentam 15 raios no ossificados. A dorsal varia entre 17 e 18 raios, cujos radiais proximais, em nmero de 16, apresentam fuso entre o 15 e 16 elementos. A nadadeira anal apresenta quatro raios cartilaginosos, quatro radiais distais e quatro proximais com fuso entre o 3 e 4. O c1eitro, osso dermal, articula-se com a primeira vrtebra, descendo obliquamente na altura da nadadeira peitoral e bifurcando-se, em ambos os lados, ventralmente. Os radiais da nadadeira peitoral, o coracide e a escpula esto cartilaginosos e conectam na face ventral do cleitro. Crescem, por todo o corpo do animal, estruturas que designamos tubrculos sseos; sobre a nadadeira dorsal aparecem trs destes, de cada lado,