HISTÓRIA E ANTOLOGIA DA LITERATURA PORTUGUESA .rácter didáctico-moral ou hagiográfico (por exemplo:

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    SERVIO DE EDUCAO E BOLSAS

    N. 31

    FUNDAOCALOUSTE

    GULBENKIAN

    H I S T R I AE A N T O L O G I ADA L I T E R AT U R AP O R T U G U E S A

    S c u l o

    XVII

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    HALP N. 31

    Professores/Investigadores

    Joan Estruch TobellaJoel SerroJos V. Pina MartinsMaria de Lourdes Correia FernandesPedro Serra

    Agradecimentos

    Angelus NovusCmara Municipal de SantarmCentro Calouste GulbenkianImprensa Nacional Casa da Moeda

    Ilustrao Capa:

    Imagem de um mostrador de relgio mecnicoda 1. metade do Sc. XVII, em azulejos pol-cromos: rplica do mostrador original, contidona edio da Cmara Municipal de SantarmTorre das Cabaas. Ncleo Museolgico do Tempo.Fotografia de Pedro Aboim.

    Ficha Tcnica

    Edio da Fundao Calouste GulbenkianServio de Educao e BolsasAv. de Berna 45A - 1067-001 LisboaAutora: Isabel Allegro de MagalhesConcepo Grfica de Antnio Paulo GamaComposio, impresso e acabamentoG.C. Grfica de Coimbra, Lda.Tiragem de 11.000 exemplaresDistribuio gratuitaDepsito Legal n. 206390/04ISSN 1645-5169Srie HALP n. 31 - Dezembro 2004

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    D. FRANCISCOMANUEL DE MELO

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    ndiceNota Prvia ....................................................... 7

    ESTUDOS, INTRODUES:

    A Obra PoticaJos V. Pina Martins .......................................... 13

    Aplogos Dialogais e dilogos alegricosPedro Serra ...................................................... 15

    El Dualismo de O Fidalgo AprendizJoan Estruch Tobella ......................................... 17

    A Carta de Guia de CasadosMaria de Lurdes Correia Fernandes ................. 21

    As EpanforasJoel Serro ....................................................... 23

    TEXTOS LITERRIOS:

    SONETOS E OUTROS POEMAS ............ 27

    O CANTO DA BABILNIA ................. 34

    CLOGAS ..................................................... 44

    CARTAS ........................................................ 46

    AUTO DO FIDALGO APRENDIZ ............ 53

    APLOGOS DIALOGAIS .......................... 58 Relgios Falantes ...................................... 60 O Escritrio Avarento ............................... 64 A Visita das Fontes ..................................... 68 O Hospital das Letras ................................ 75

    CARTA DE GUIA DE CASADOS .............. 77

    CARTAS FAMILIARES ................................ 84

    EPANFORAS .............................................. 87 Naufrgio da Armada: Epanfora Trgica ...... 87 Descobrimentos da Ilha da Madeira. Epanfora

    Amorosa ........................................................ 89

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    Nota Prvia

    Esta antologia inteiramente dedicada Obrade D. Francisco Manuel de Melo (1608-1666):autor multifacetado, polgrafo, e seguramenteum dos maiores da literatura portuguesaseiscentista. Segundo Menndez y Pelayo, a se-guir a Quevedo, a maior figura da literatura dapoca. E no apenas pela dimenso da Obra,escrita tanto em portugus como em castelhano,mas sobretudo pela sua diversidade e qualidadeliterria. O prprio autor chama a ateno paraessa pluralidade, onde encontramos poemas denatureza muito variada, teatro, cartas, dilogosencenados sobre diversas matrias, textos de ca-rcter didctico-moral ou hagiogrfico (porexemplo: Obras Morales, de 1664); textos de na-tureza historiogrfica social e poltica (alm deoutras, Historia de los movimientos y separacin deCatalua, de 1645, O Eco Poltico, de 1649, ascinco Epanforas de Vria Histria Portuguesa, de1660). Escreveu ainda um tratado sobre a Cabalajudaica Tratado da Cincia Cabala, de 1724 ealgumas biografias (de D. Joo IV, por exemplo).

    Para alm de breves excertos de textos introdu-trios sobre o Autor e sua Obra, aqui apresen-tada uma seleco de diversos textos. Apesar darelativa extenso destes boletins, o espao nopermite incluir excertos de todas as obras doAutor, o que sem dvida seria interessante paradar uma ideia mais plena da diversidade das suascomposies. E o certo que grande parte delas ainda hoje de difcil acesso; por exemplo, muitada sua poesia, e outras obras, apenas podero serlidas a partir de primeiras edies Reservadase de micro-filmes, existentes na Biblioteca Na-cional. o caso de Obras Mtricas, A Feira dosAnexins, Tratado da Cincia Cabala, entre outras.

    1 Para termos uma noo da forma da organizao de ObrasMtricas e da diversidade dos nomes dados s suas colectneaspoticas, eis os ttulos e subttulos das diferentes partes daObra: as trs Partes, ou Trs Musas, em que o livro estorganizado subdividem-se, por sua vez, cada uma delas, nou-tras trs partes, ou Musas, formando um conjunto de novelivros:A Parte I, Las Trs Musas del Melodino contm: LaCtara de Erato, El Harpa de Melpomene. Segunda Musadel Melodino e La Tiorba de Polymnia, Tercera Musa delMelodino.A Parte II, As Segundas Trs Musas, est dividida em: ATuba de Calope, IV Musa, A Sanfonha de Euterpe. VMusa, Viola de Talia. VI Musa.A Parte III, El Tercer Coro de las Musas, contm: Lyra deClio, Avena de Tersicore, Sstola de Urania.

    A Poesia, em portugus e em castelhano, foiquase toda ela coligida em Obras Mtricas, edita-da por um espanhol e editada em Frana em1665.De vrias das colectneas de poesia compiladasem Obras Mtricas 1, lemos aqui alguns dos seusSonetos, profanos e sacros (cerca de 30),Madrigais, Redondilhas, Dcimas, uma Ode, trsCartas em verso, uma cloga: um total de 41poemas.Sobressai nesta poesia um profundo sentido es-piritual da reflexo, um desapego das vaidadesterrenas, um desprezo pelos convenciona-lismos sociais (Pina Martins), temas como a li-berdade e o amor, sempre numa conscincia dafragilidade humana que apela ao Divino. Surgepois a permanncia de um isolamento e de umasolido vividos, que s o sentido de Deus acolhe.O to camoniano motivo da mudana comoque atravessa toda a sua poesia, sendo que OCanto de Babilnia, que reescreve o deCames, d conta dessa espiritualidade que radicanum sofrimento vivenciado na primeira pessoa.A linguagem assume traos claramente barrocos,em que a ambiguidade e a agudeza marcam aforma de elaborao potica.

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    Do Teatro: para alm de outras peas aparen-temente escritas e porventura perdidas, temos afarsa Auto do Fidalgo Aprendiz, escrita em 1646 eum caso singular no panorama do teatro portu-gus de seiscentos. De par com uma intriga c-mico-amorosa, num registo de linguagem co-loquial e popular, em verso, encontramos napea uma violenta e sagaz crtica social, de certomodo com inspirao vicentina. O enredoapresenta semelhanas ao de Molire, no seu LeBourgeois Gentilhomme, de 1670, posterior, por-tanto, obra de D. Francisco. Simultaneamente,e apesar da sua forte ligao s convenes tea-trais de Lope de Veja, h aqui um anticastelha-nismo explcito em vrias falas.

    Dos seus quatro Aplogos Dialogais (s publi-cados em 1721), figuram breves excertos quepermitem entrar no ambiente de cada um dostextos. So eles: Relgios falantes, O Escrit-rio avarento, A Visita das fontes e O Hospitaldas letras (existe ainda um quinto dilogo, oumelhor, um esboo apenas, intitulado A Feira dosAnexins, publicado apenas em 1875).Trata-se de dilogos encenados na tradio daCorte na Aldeia, de Rodrigues Lobo e onde patente a presena, sempre reinventada, deQuevedo. Por exemplo, no primeiro dilogo, en-tre relgios diferentes, da cidade e da aldeia,vo sendo comentados os costumes de umapoca, numa reflexo cheia de humor sobre avida e a morte, a condio dos humanos; ou, naVisita das Fontes, uma conversa entre fontes a velha e a nova , que comenta quem delas seaproxima e distancia, proporcionando um retra-to da vida e costumes de uma poca e de umlugar; por sua vez, Hospital das letras centra-senuma reflexo sobre livros e literatura. Este e osoutros dilogos inscrevem pois uma posio re-flexiva e crtica, de grande ironia, por vezes sar-cstica, perante a sociedade e os seus mecanismose instituies (a Justia, sobretudo), numa esp-

    cie de construo alegrica da sociedade, davida humana com seus vcios e virtudes. Apa-rentemente, tambm aqui ficam inscritos ele-mentos da experincia de vida do seu Autor.

    Da vasta coleco das suas Cartas, compiladasem Cartas Familiares (1664), em geral escritasdurante os anos de priso (na Torre Velha) edirigidas sobretudo a figuras de relevo da poca(portuguesas e castelhanas), a ttulo apenas re-presentativo, lemos aqui alguns excertos. Comoo nota Pina Martins, tambm em muitas destascartas se revela um dos mestres da prosa portu-guesa do sculo XVII.

    Carta de Guia de Casados (1650): um textode natureza moralista, atravessado de humor eironia, mas mesmo assim expressando uma pers-pectiva extremamente conservadora no que smulheres, ao casamento e famlia diz respeito.Elaborado em forma epistologrfica, incluindotraos de ensaio e tambm de autobiografia,o texto dirige-se aos homens, aos maridos, tra-tando dos modos mais adequados de lidaremcom as mulheres e de como estas se devemcomportar em famlia e na sociedade. Na mesmalinha de outros textos do gnero na PennsulaIbrica, anteriores e posteriores, as mulheresaparecem aqui reduzidas a um estatuto deminoridade mental, afectiva e cvica.

    As cinco Epanforas de Vria Histria Portuguesa(1660) descrevem diferentes episdios ou acon-tecimentos da histria portuguesa contempor-nea do Autor, e em alguns dos quais participoudirectamente ( excepo da terceira Epanforaque trata uma matria de quatrocentos).Elas assumem diversas tonalidades: trgica, amo-rosa, poltica, blica e triunfante, sendo cada umadelas reveladora da compreenso do mundo e daHistria, da mundividncia, de um Autor portu-gus de seiscentos. Esta antologia inclui apenas

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    dois breves excertos de duas das Epanforas: asegunda, Trgica, sobre o Naufrgio da Arma-da Portuguesa em Frana, em 1627, e a terceira,Amorosa, sobre o Descobrimento da Ilha daMadeira, na primeira metade do sculo XV.

    De novo a