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HISTRICO DA EXTENSO RURAL NO BRASIL

Antonio Lzaro SantAna (Prof. Unesp Ilha Solteira)

UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

JLIO DE MESQUITA FILHO

CMPUS DE ILHA SOLTEIRA

Disciplina Comunicao e Extenso Rural

Curso de Graduao em Engenharia Agronmica

UNESP

Abril de 2018

Histrico da Extenso Rural no Brasil

PRIMEIRAS INICIATIVAS

Institutos Imperiais de Agricultura (1859-60):

Bahia, Pernambuco, Sergipe e Rio de Janeiro;

foco era pesquisa e ensino, mas inclua difuso de

informaes;

previam exposies, concursos e publicao de peridicos

com resultados de pesquisas;

criao de escolas agrcolas (proposta);

assistncia tcnica realizada por agricultores profissionais;

na Bahia formou 273 engenheiros agrnomos at 1904

(PEIXOTO, 2008).

PRIMEIRAS INICIATIVAS

Estatuto do Imperial Instituto Fluminense de Agricultura:

Previa criao de peridico para publicar artigos, tradues

e notcias em linguagem acomodada inteligncia da

generalidade dos agricultores.

Ministrio dos Negcios da Agricultura, Comrcio e

Obras Pblicas (1906):

uma das atribuies: tratar de assuntos relativos

agricultura e indstria animal, por meio da comunicao

de informaes, propaganda e divulgao de tudo quanto

interessar agricultura (PEIXOTO, 2008).

PRIMEIRAS INICIATIVAS

1910: criao e regulamentao do ensino agronmico

(ensino agrcola, de medicina veterinria, zootecnia e

indstrias rurais). Decreto com 591 artigos!

cursos ambulantes de agricultura;

conferncias agrcolas com demonstraes prticas;

campos de demonstrao;

instalao de fazendas experimentais.

(PEIXOTO, 2008).

No Estado de So Paulo, Bordenave (1985) cita as

seguintes iniciativas:

1900: Boletim da Agricultura, revista da Secretaria

de Agricultura do Estado de So Paulo;

Distribuio de publicaes diversas (folhetos,

peridicos);

1917: foram distribudos mais 415 mil folhetos e outras

publicaes.

PRIMEIRAS INICIATIVAS

Primeira ao institucionalizada de extenso rural no

Brasil:

1929: Semana do Fazendeiro na Escola Superior de

Agricultura de Viosa - atual UFV (PEIXOTO, 2008);

outras semanas ruralistas tambm comearam a ser

realizadas a partir da dcada de 1940;

Dcada de 1940: criao de 200 postos agropecurios

(funcionavam como fazendas demonstrativas)

(OLINGER, 1996);

PRIMEIRAS INICIATIVAS

Dcadas de 1940-50:

O Servio de Informao Agrcola (SIA), do Ministrio

da Agricultura:

desenvolveu amplo programa de informao;

1958: Rdio Rural (emissora prpria);

Cinema: SIA produziu cerca de 350 filmes;

Estratgia: difuso direta de informao via meio de

comunicao de massa (BORDENAVE, 1985).

obrigava todos os municpios a criar uma associao de

produtores rurais;

sede das associaes eram chamadas de Casas Rurais;

permitia subveno estatal para estas organizaes,

para realizarem difuso de ensinamentos e promover a

aprendizagem agropecuria;

manter museu com os tipos padres de produtos locais.

(PEIXOTO, 2008)

Decreto Lei de Vargas dispunha sobre a organizao

da vida rural (1945):

Origem do sistema de extenso rural no Brasil

Cooperao tcnica Brasil Estados Unidos nas

reas da sade, educao, agricultura, etc.

Na agricultura buscaram transferir o seu bem sucedido

modelo de extenso rural, baseado no contato pessoal.

Associao Internacional Americana para o

Desenvolvimento Social (AIA), entidade filantrpica

ligada famlia Rockfeller.

Origem do sistema de extenso no Brasil

Criao de entidades autnomas de extenso rural:

1948: Associao de Crdito e Assistncia Rural

(ACAR), em Minas Gerais.

1954: ANCAR (CE, PE, BA)

1955: ASCAR-RS, ANCAR (RN, PB)

1956: ACARESC e Associao Brasileira de Crdito e

Assistncia Rural (ABCAR). Coordenava as diversas

associaes estaduais (PEIXOTO, 2008).

Meios de Comunicao

de Massa

Extensionistas Lderes

Servio Mensagens Agricultores

SIA e ABCAR: metodologia diferentes, mas o objetivo

de ambas era a difuso de inovaes tecnolgicas que

aumentassem a produo e produtividade da agricultura.

1974: criao do Sistema Brasileiro de Assistncia

Tcnica e Extenso Rural (SIBRATER).

EMBRATER: Empresa Brasileira de Assistncia

Tcnica e Extenso Rural (governo federal)

EMATERs: as Empresas de Assistncia Tcnica e

Extenso Rural formadas em cada estado (exceto So

Paulo) eram coordenadas de EMBRATER.

Dcada de 1980: surgimento do movimento social

extensionista, que resultou na criao da FASER

(Federao das Associaes e Sindicatos dos

Trabalhadores de Assistncia Tcnica e Extenso

Rural).

Questionamento do modelo de extenso rural

baseado na difuso verticalizada de tecnologias, sem

sustentabilidade ambiental e social.

Romeu Padilha assume a presidncia da Embrater

em 1985, propondo priorizar os pequenos e mdios

agricultores.

Com a extino da EMBRATER em 1990 (Governo

Collor), a coordenao do sistema passou para a

EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa

Agropecuria), mas esta empresa no conseguiu exercer o

mesmo papel de coordenao e no disps de recursos

para esse fim.

As EMATERs em vrios estados entraram em uma

crise profunda, pois dependiam fortemente de recursos

federais, cujos repasses que foram cortados integralmente.

Aps vrias mudanas de atribuies entre ministrios e

dentro destes, em 1994 foi criado o Departamento de

Assistncia Tcnica e Extenso Rural (DATER), no

Ministrio da Agricultura, do Abastecimento e Reforma

Agrria.

A partir da criao do Ministrio do Desenvolvimento

Agrrio (MDA), em 1999, as atribuies legais de ATER

passaram a ser competncia dos dois ministrios (MDA e

Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento -

MAPA). Com a extino do MDA em 2016, suas

atribuies passaram para a Secretaria Especial de

Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrrio, ligada

Casa Civil.

Pesquisa realizada por meio de Cooperao Tcnica

MDA-FAO em 2002 constatou que havia no Brasil*,

trabalhando com ATER:

27 instituies estaduais de ATER;

495 ONGs

498 instituies como STR, federaes, MST e associaes;

867 cooperativas de produo agropecuria;

397 instituies de ensino e pesquisa;

131 cooperativas de crdito;

78 agroindstrias;

80 outras instituies pblicas;

43 do Sistema S (SENAR, SEBRAE)

* Pesquisou-se 22% dos municpios, 56% das cooperativas agropecurias, 10% coop. de crdito.

Em 2003, foi construda pelo MDA uma nova Poltica

Nacional de Assistncia Tcnica e Extenso Rural

(PNATER), aps um processo de discusso envolvendo

extensionistas, lideranas de organizaes ligadas aos

agricultores familiares e movimentos sociais, e

especialistas das universidades.

A partir das diretrizes do PNATER foi elaborado o

Programa Nacional de Assistncia Tcnica e Extenso

Rural (PRONATER), em 2005.

Por meio da Lei 12.188/2010 foi criada, oficialmente, a

Poltica Nacional de Assistncia Tcnica e Extenso Rural

para a Agricultura Familiar e Reforma Agrria

PNATER e o Programa Nacional de Assistncia Tcnica e

Extenso Rural para a Agricultura Familiar e na Reforma

Agrria PRONATER.

Em 2012 foi realizada a 1 Conferncia Nacional de

Assistncia Tcnica e Extenso Rural (CNATER) e em

2016 ocorreu a II CNATER para discutir diretrizes e

objetivos em termos de polticas de ATER.

O estado de So Paulo manteve durante todo perodo

uma rede prpria, as Casas da Lavoura que passaram

a ser denominadas Casas da Agricultura com a

criao da CATI (Coordenadoria de Assistncia

Tcnica Integral), ligada a Secretaria da Agricultura,

em 1968.

Quando foi formado o SIBRATER, a CATI fez a

opo de ficar fora do sistema de extenso rural federal,

sofrendo menor influncia das mudanas na filosofia da

Extenso Rural que estavam sendo propostas naquelas

instituies, a partir da dcada de 1980.

A ASBRAER (Associao Brasileira das Entidades

Estaduais de Assistncia Tcnica e Extenso Rural):

abrange os 27 Estados;

presena em 5.359 municpios (96% do pas);

16 mil extensionistas e mais de 9 mil

profissionais na rea administrativa;

2,3 milhes de beneficirios (53% do total

de agricultores familiares do pas)

Fonte: ASBRAER, 2014.

Linha do tempo

REFERNCIAS

ASBRAER Assistncia Tcnica e Extenso Rural no Brasil: um debate nacional

sobre as realidades e novos rumos para o desenvolvimento do Pas. Belo

Horizonte: Emater/MG, 2014.

BORDENAVE, J. D. O que comunicao rural. 2 ed. So Paulo: Brasiliense,

1985. 104p.

OLINGER, G. O. Ascenso e decadncia da extenso rural no Brasil.

Florianpolis : EPAGRI, 1996, 523 p.

PEIXOTO, M. Extenso rural no Brasil - uma abordagem histrica da

legislao. Braslia: Senado Federal, 2008. (Textos para discusso 48). Disponvel

em: http://www.senado.gov.br/conleg/textos_discussao.htm