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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS ESCOLA DE EDUCAÇÃO FÍSICA, FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL NÍVEL DE APTIDÃO FÍSICA RELACIONADA À SAÚDE DE POLICIAIS MILITARES DA 17ª COMPANHIA DO 34º BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS. GEZIEL AGUIAR MAGALHÃES Belo Horizonte – MG 2009

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  • UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

    ESCOLA DE EDUCAO FSICA, FISIOTERAPIA E TERAPIA OCUPACIONAL

    NVEL DE APTIDO FSICA RELACIONADA SADE DE

    POLICIAIS MILITARES DA 17 COMPANHIA DO 34 BATALHO DE

    POLCIA MILITAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS.

    GEZIEL AGUIAR MAGALHES

    Belo Horizonte MG 2009

  • GEZIEL AGUIAR MAGALHES

    NVEL DE APTIDO FSICA RELACIONADA SADE DE

    POLICIAIS MILITARES DA 17 COMPANHIA DO 34 BATALHO DE

    POLCIA MILITAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS.

    Monografia apresentada no curso de Educao Fsica da Escola de Educao Fsica, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial para a obteno do ttulo de Graduao em Educao Fsica.

    Orientador: MS. Alexandre Paolucci

    Belo Horizonte MG 2009

  • RESUMO

    O objetivo do estudo foi analisar o nvel de aptido fsica relacionada sade de policiais militares, do gnero masculino, na faixa etria de 20 a 52 anos, integrantes da 17 Companhia do 34 Batalho de Polcia Militar de Minas Gerais. A amostra constitui-se de um grupo de 40 policiais militares. Na coleta de dados, foram utilizadas as medidas antropomtricas para verificar a massa corporal, a circunferncia da cintura, a circunferncia do quadril, as dobras cutneas do peito, subaxilar, trceps, bceps, subescapular, abdominal, suprailaca, coxa e perna. Para avaliar a aptido fsica foram realizados os seguintes testes: resistncia muscular localizada abdominal (n de rep. por min), flexibilidade (cm) e cardiorrespiratrio (ml.kg.min). Foi avaliada ainda a presso arterial sistlica e diastlica (mmHg). Os dados foram analisados pela estatstica descritiva mdia e desvio padro atravs do programa SPSS verso 10.0 e da planilha eletrnica do Excel. No que se referem s caractersticas antropomtricas, os resultados evidenciaram que, em relao ao IMC, os avaliados obtiveram valores mdios considerados elevados, sendo que 45% se encontram pr-obesos. Em relao ao percentual de gordura corporal, a mdia obtida foi insatisfatria com 25% excessivamente obesos. Em relao razo cintura-quadril, o grupo apresentou valores mdios considerados satisfatrios, no entanto 32,5% apresentaram alto risco. Na avaliao da presso arterial, os resultados mostraram uma mdia positiva, mas com 12,5% dos avaliados apresentando hipertenso leve. No que se referem s medidas neuromusculares, os resultados mostraram que em relao resistncia muscular localizada 58,33% do grupo foi classificado como excelente no teste abdominal. Na varivel flexibilidade, os avaliados obtiveram uma mdia ruim no teste de sentar e alcanar com 31,57% classificados como muito fraco. J em relao capacidade cardiorrespiratria, a mdia foi positiva no Shutlle Run test, com apenas 8,33% classificados como fraco. Para que possam estar protegidos de doenas crnico-degenerativos e desenvolver satisfatoriamente a sua atividade fim de proteo a sociedade, interessante que os policiais militares atinjam bons nveis no apenas em um, mas em todos componentes da aptido fsica relacionada sade. Palavras Chave: aptido fsica, sade, policial militar.

  • LISTA DE TABELAS Tabela 1 Tabela normativa de capacidade aerbica (VO2 max) masculino..........18 Tabela 2 Tabela normativa para teste abdominal 1 minuto masculino...................20 Tabela 3 Tabela normativa do teste sentar e alcanar masculino..........................22 Tabela 4 Tabela normativa do ndice de massa corporal (Kg/m) masculino.........23 Tabela 5 Tabela normativa do percentual de gordura masculino...........................24 Tabela 6 Tabela normativa do ndice cintura quadril masculino.............................25 Tabela 7 Tabela normativa da presso arterial adultos..........................................26 Tabela 8 Valores de mdia (X) e desvio padro (DP) do ndice de massa corporal (IMC), Percentual de gordura, do ndice de cintura-quadril (ICQ), abdominal (Abd),

    flexibilidade (Flex), consumo mximo de oxignio (VO2 max) e da presso arterial

    (PA) sistlica (S) e diastlica (D) masculino............................................................37

  • LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Proporo de sujeitos classificados quanto ao ndice de massa corporal.......................................................................................................................38

    Figura 2 - Proporo de sujeitos classificados quanto ao percentual de gordura corporal.......................................................................................................................39

    Figura 3 - Proporo de sujeitos classificados quanto relao cintura-quadril......40

    Figura 4 - Proporo de sujeitos classificados quanto presso arterial.................41

    Figura 5 - Proporo de sujeitos classificados quanto resistncia muscular localizada abdominal..................................................................................................42

    Figura 6 - Proporo de sujeitos classificados quanto ao nvel de flexibilidade........43 Figura 7 - Proporo de sujeitos classificados quanto ao nvel de capacidade cardiorrespiratria.......................................................................................................44

  • LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Demonstrativo da aptido fsica relacionado sade e s habilidades Esportivas...................................................................................................................15

    .

  • SUMRIO 1. INTRODUO.......................................................................................................07

    1.1 O Problema e sua Importncia..................................................................07 1.2 Objetivo Geral............................................................................................09

    1.3 Objetivos Especficos.................................................................................10

    1.4 Relevncia do Estudo................................................................................10

    2. REVISO DE LITERATURA.................................................................................12 2.1 Atividade Fsica.........................................................................................12

    2.2 Sade........................................................................................................13

    2.3 Aptido Fsica............................................................................................14

    2.4 Aptido Fsica Relacionada Sade.........................................................15

    2.4.1 A Resistncia Cardiorrespiratria...........................................................16

    2.4.2 A Resistncia Muscular Localizada Abdominal......................................18

    2.4.3 A Flexibilidade.........................................................................................20

    2.4.4 A Composio Corporal..........................................................................22

    2.4.5 A Razo Circunferncia Cintura-Quadril................................................24

    2.4.6 Hipertenso: Fator de Risco Relacionada Sade...............................25

    2.5 Histrico da Polcia Militar de Minas Gerais..............................................26

    2.6 O Trigsimo Quarto Batalho de Polcia Militar.........................................28

    2.7 O Policial Militar.........................................................................................29

    3. METODOLOGIA....................................................................................................30 3.1 Delineamento do Estudo...........................................................................30

    3.2 Populao e Amostra................................................................................30

    3.3 Instrumento de Coleta de Dados...............................................................31

    3.3.1 Massa Corporal.......................................................................................31

    3.3.2 Circunferncia da Cintura.......................................................................31

    3.3.3 Circunferncia do Quadril.......................................................................32

    3.3.4 Avaliao da Presso Arterial.................................................................32

    2.3.5 Avaliao do Percentual de Gordura Corporal.......................................33

    3.3.6 Medidas Neuromusculares.....................................................................34

    3.4 Tratamento e Anlise de Dados................................................................36

    4. RESULTADOS E DISCUSSO.............................................................................37 5. CONCLUSO........................................................................................................46 6. REFERNCIAS BIBLIOGRAFICAS.....................................................................47

  • 7

    1. INTRODUO

    1.1 O Problema e sua Importncia O avano tecnolgico ocorrido nas ltimas dcadas, juntamente com o

    processo de urbanizao e industrializao e as facilidades do mundo moderno,

    contriburam para a reduo dos nveis de aptido fsica, j que as mquinas

    passaram a substituir grande parte das atividades e do trabalho fsico, que antes

    eram realizados pelos homens (BEZERRA FILHA, 2004). Mesmo com a grande

    difuso e o conhecimento dos benefcios de um estilo de vida mais ativo, os

    indivduos tm procurado cada vez menos a prtica de atividades de lazer mais

    ativas, adotando um estilo de vida mais sedentrio (OLIVEIRA, 2005).

    Dessa forma, o sedentarismo, que influncia direta no desenvolvimento

    de diversas doenas, como a obesidade, diabetes, hipertenso, osteoporose e

    doenas cardiovasculares, se intensificou, afetando a maior parte da populao

    mundial com graves conseqncias (BEZERRA FILHA, 2004). Segundo Nahas (2001), uma pessoa sedentria tem uma maior

    probabilidade de sofrer infarto que outra praticante de atividades fsicas

    regularmente. Nesse sentido, principalmente nos pases industrializados, a

    inatividade fsica representa uma causa importante na queda da qualidade de vida,

    mortes prematuras e debilidade fsica.

    Powers & Howley (2000), em suas investigaes, tambm evidenciaram

    que indivduos sedentrios alm de ter quase o dobro de chance de desenvolver

    doena coronariana, quando comparados a indivduos praticantes de atividades

    fsicas, apresentam risco relativo similar ao de hipertensos, tabagistas e de

    indivduos com altos nveis de colesterol srico.

    Nesse contexto, Melndez et al. (2004) defendem que entre os diversos

    fatores de risco relacionados com o sedentarismo, a obesidade parece apresentar

    uma relao mais estreita que o restante, j que desencadeante de outros fatores

    secundrios, como diabetes melito tipo 2, doenas cardiovasculares. Distrbios no

    aparelho locomotor, entre outros. Alm disso, a obesidade descrita como um grave

    problema de sade pblica em pases desenvolvidos e crescentes em pases em

  • 8

    desenvolvimento, por decorrncia da reduo do nvel de atividade fsica habitual e

    pela ingesto de alimentos de alto teor calrico, tendo em adultos brasileiros acima

    de 18 anos um aumento na prevalncia do sobrepeso.

    Desse modo, vrios estudos tm demonstrado a importncia da atividade

    fsica para a qualidade de vida e sade do homem (CARVALHO, 2003; ESTRELA,

    2004; PITANGA, 2001). Pitanga (2001) define atividade fsica como qualquer

    movimento corporal, produzido pela musculatura esqueltica, que resulte em gasto

    energtico alem do gasto energtico em repouso, tendo componentes e

    determinantes de ordem biolgica, psicolgica, social, cultural e comportamental.

    Nesse sentido, Pate (1988) define a aptido fsica voltada sade como a

    capacidade de realizar as tarefas dirias com vigor sem demonstrar sinais de fadiga

    excessiva, sendo um dos fatores que passam a completar um estado de bem-estar

    do indivduo.

    Segundo Nahas (2001), a aptido fsica relacionada sade a prpria

    aptido para a vida, pois inclui elementos fundamentais para uma vida ativa, com

    menos risco de doenas hipocinticas, tais como: obesidade, problemas articulares,

    doenas cardiovasculares, e perspectiva de uma vida mais longa e autnoma.

    Segundo Pate (1988) alguns componentes bsicos compem a aptido

    fsica voltada sade e mantendo-se em nveis satisfatrios e desenvolvidos

    adequadamente, garantem aos indivduos possibilidades melhores de sade. Esses

    componentes bsicos so: composio corporal, capacidade aerbica, fora e

    flexibilidade; alm desses fatores funcionais motores, as variveis fisiolgicas:

    presso arterial, glicemia e nveis de gordura no sangue complementam a aptido

    fsica voltada sade.

    Assim, a aptido fsica um componente do estilo de vida que tem sido

    associado a menores nveis de risco para o desenvolvimento de doenas e morte

    por todas as causas. Contribuindo efetivamente para a preveno e promoo da

    sade (BLAIR et al., 1989; LEE & BLAIR, 2002a e 2002b; CASPERSEN, et al., 1985;

    PATE, 1995).

    Para Guedes (1998), resistncia cardiorrespiratria, flexibilidade,

    resistncia muscular localizada e composio corporal so elementos que compem

    um bom nvel de aptido fsica relacionada sade. So, ainda, considerados

    fundamentais a fim de diminuir os riscos no desenvolvimento de doenas crnico-

    degenerativas.

  • 9

    Dessa forma, a prtica regular de exerccios fsicos est diretamente

    relacionada aos benefcios para a sade. J o sedentarismo e a inatividade fsica

    tm evidenciado uma forte correlao com os fatores de risco, como doenas

    coronarianas, entre outras alteraes cardiovasculares (ASSUNO et al., 2002).

    Segundo Severo (2002), surge na sociedade preocupao em manter a

    aptido fsica como um meio de prevenir certos tipos de doenas. A prtica de

    atividades fsicas entre funcionrios comeam a ser estimuladas por algumas

    empresas, pois algumas delas obtiveram benefcios econmicos adicionais quando

    desenvolveram programas de promoo de atividades fsicas em virtude da reduo

    do absentesmo e do aumento da produtividade dos trabalhadores.

    Nesse sentido, Danna & Griffin (1999) afirmam que trabalhadores com

    baixos nveis de sade podem ser menos produtivos, ficarem mais predispostos ao

    absentesmo e apresentarem menor capacidade de deciso, trazendo

    conseqncias danosas tanto para o indivduo quanto para a empresa.

    Assim como para essas empresas, na atividade Policial Militar, ento, a

    aptido fsica de fundamental importncia para que o policial possa apresentar um

    resultado satisfatrio na preservao da ordem pblica face s diversas situaes

    apresentadas no desempenho de suas funes.

    Dessa forma, conforme o exposto acima, cria-se uma preocupao que

    nos subsidia na elaborao do seguinte problema: Qual o nvel de aptido fsica

    relacionada sade, em policiais militares do sexo masculino, pertencentes 17

    Companhia do 34 Batalho de Polcia Militar do Estado de Minas Gerias?

    1.2 Objetivo Geral Descrever o nvel de aptido fsica relacionada sade de policiais

    militares, do gnero masculino, na faixa etria de 20 a 52 anos, integrantes da 17

    Companhia do 34 Batalho de Polcia Militar do Estado de Minas Gerais.

  • 10

    1.3 Objetivos Especficos a) Medir as variveis morfolgicas, a massa corporal e dobras cutneas

    do peito, bceps, trceps, subescapular, subaxilar, abdominal, supra-ilaca, coxa e

    perna;

    b) Identificar os nveis das variveis funcionais motoras: capacidade

    aerbica, resistncia muscular localizada abdominal e flexibilidade;

    c) Verificar o percentual de gordura corporal, ndice de massa corporal

    e a presso arterial.

    1.4 Relevncia do Estudo crescente o nmero de estudos investigando os efeitos da prtica

    regular de exerccios fsicos na preveno e/ou controle de doenas. Desse modo,

    os efeitos benficos da atividade fsica sobre a sade j foram comprovados por

    diversos autores (CARRAMIA & PREZ, 1992; GUIMARES et al., 1997;

    HADDAD et al., 1997; GUEDES & GUEDES, 1998; NIEMAN, 1999; PINHO &

    PETROSKI, 1999; NEGRO et al., 2001; BRASIL, 2002).

    No entanto, estudos realizados com policiais militares obtiveram

    resultados negativos, demonstrando a necessidade de graus elevados de aptido

    fsica bsica necessria ao exerccio dessa profisso. Assim, deve-se resguardar a

    sade e o bem-estar dos mesmos, para que estes desenvolvam satisfatoriamente

    sua funo de proteo sociedade (RODRIGUEZ-AEZ, 2003).

    Segundo Barboza & Sandes (2002), deve-se conhecer a aptido fsica de

    Policiais Militares, a fim de ter condies de prescrever atividades fsicas

    especficas, buscando os seguintes objetivos: a) manter a sade preventiva; b)

    desenvolver, manter e recuperar a condio fsica geral; c) cooperar no

    desenvolvimento das qualidades morais e profissionais e; d) proporcionar uma

    reduo dos nveis de stress adquiridos no cotidiano do trabalho.

    Como o 34 Batalho no possui uma estrutura organizacional de

    programas especficos de atividades fsicas, cada membro tem a liberdade para

  • 11

    planejar o seu prprio programa de atividades fsicas, o que pode trazer

    resultados negativos para a Instituio.

    Quando a ordem pblica quebrada na sociedade, o Policial Militar o

    primeiro a ser chamado a fim de restaurar a paz social. Desse modo, apesar da

    importncia do tema, poucos foram os estudos realizados com tal populao para

    investigar aptido fsica relacionada sade dos mesmos, o que justifica a

    realizao dessa pesquisa.

  • 12

    2. REVISO DE LITERATURA 2.1 Atividade Fsica O exerccio fsico sempre esteve presente no cotidiano do homem, desde

    os tempos primitivos, no entanto essa pratica vem diminuindo em decorrncia da

    vida cada vez mais facilitada, proporcionada pelo processo de urbanizao e

    industrializao juntamente com a grande evoluo tecnolgica. Esse

    desenvolvimento contribuiu muito para as modificaes na qualidade de vida do

    homem, tendo em vista que, as pessoas se exercitam cada vez menos, e

    conseqentemente esto mais sedentrias, contribuindo para o aparecimento de

    vrias doenas como coronarianas e obesidades (NAHAS, 2001).

    Nesse sentido, alguns autores investigaram o nvel de atividade fsica dos

    brasileiros e obtiveram resultados negativos. Assim, segundo Bloch, citado por Silva

    e Malina (2000), estudos com amostras de diversas localidades do Brasil revelaram

    que aproximadamente 70% dos adultos esto sedentrios durante o seu tempo de

    lazer. Tambm, segundo Nahas (2001), mais de 60% dos adultos que vivem em

    reas urbanas no esto envolvidos em um nvel suficiente de atividade fsica.

    Nesse contexto, devido a sua relao inversa com doenas

    degenerativas, pois indivduos ativos tendem a apresentar menor mortalidade e

    morbidade por essas doenas (CDC/National Center for Chronic Disease Prevention

    and Health Promotion, 1996), a Organizao Mundial de Sade (BIJNEN et al.,

    1994) e o Colgio Americano de Medicina Desportiva (PATE et al., 1995) tm

    enfatizado a importncia da adoo de atividade fsica regular para a melhoria dos

    nveis de sade individual e coletiva, especialmente para a preveno e reabilitao

    da doena cardiovascular.

    Desse modo, segundo Leite (2000) inmeros benefcios so alcanados

    pela prtica regular de exerccios fsico: a) aumento da capacidade

    cardiorrespiratria; b) aumento do metabolismo aerbico (incluindo melhor oxidao

    de gorduras) e maior demanda de nutriente aos tecidos ativos; c) fortalecimento das

    estruturas esquelticas, msculo e articulaes sseas; d) aumento da aptido fsica

    com melhora da fora, flexibilidade, coordenao; e) atuao benfica sobre vrios

  • 13

    fatores de risco coronariano, tais como: estresse emocional, obesidade,

    hiperlipidemia, sedentarismo, hipertenso arterial; f) bem-estar fsico, melhora da

    auto-estima e reduo de nveis de ansiedade e depresso; g) melhora da qualidade

    de vida; h) educao e integrao social.

    2.2 Sade

    A Organizao Mundial da Sade define sade como o completo estado

    de bem-estar fsico, mental e social e no apenas a ausncia de doena ou

    enfermidade (WHO, 1998).

    Analisada sob diferentes perspectivas, ela pode ser vista como ausncia

    de doenas e/ou como completo bem-estar fsico-psquico-social, como a

    capacidade de superao de dificuldades fsicas sociais, psquicas, culturais e

    simblicas (ASSUMPO, MORAIS e FONTOURA, 2002).

    As doenas do corao fazem parte do quadro das doenas crnico-

    degenerativas, com destaque para a hipertenso arterial, colesterol, tabagismo,

    diabetes, sedentarismo e obesidade, as quais so possveis de se diminuir ou at

    mesmo eliminar (BARBANTI, 1991; NIEMAN, 1999).

    Segundo com Rego (1990), o sedentarismo o fator de maior prevalncia

    na populao, independentemente do sexo. Portanto, fica evidente a importncia de

    se adotar um estilo de vida ativa que, de alguma forma, pode tambm ajudar a

    controlar e a diminuir os outros fatores de risco, como a obesidade.

    A obesidade, mais recentemente, tem sido definida no somente excesso

    de peso corporal pra uma determinada estatura, mas como o excesso de gordura

    corporal no peso corporal total, devendo ser considerada como doena, pois est

    associada morbidade e mortalidade em relao a no obesidade (LEITE, 2000).

    Segundo Nahas (2001), a obesidade que atinge um nmero elevado de

    pessoas, considerada um problema mundial pela organizao da Sade. Nesse

    fator de risco o indivduo apresente uma quantidade excessiva de gordura,

    aumentando significativamente a probabilidade de desenvolver doenas

    cardiovasculares (WILMORE & COSTILL, 2001).

  • 14

    No entanto, segundo Consenso da Sociedade Brasileira de Medicina

    Desportiva (1999), a prtica regular de atividades fsicas pode trazer inmeros

    benefcios para a sade de um indivduo, minimizando o risco do aparecimento de

    determinadas doenas, como: Doena aterosclertica coronariana, diabetes melito

    tipo II, hipertenso arterial sistmica, osteoporose e osteoartrose, acidente vascular

    enceflico - AVC, obesidade, doenas vascular perifrica, ansiedade e depresso,

    cncer de clon, mama, prstata e pulmo.

    2.3 Aptido Fsica

    Segundo Pate (1988), a aptido fsica um estado caracterizado por uma

    capacidade de executar atividades dirias com vigor e demonstrao de traos e

    capacidades associadas com o baixo risco de desenvolvimento prematuro das

    doenas hipocinticas.

    Sobre esse assunto, o comit de sade Escolar e o comit de medicina

    esportiva dos estados unidos enfatizaram que a aptido implica timo funcionamento

    de todos os sistemas fisiolgicos do corpo, particularmente o cardiovascular, o

    pulmonar e o musculoesqueltico, nas condies de repouso e de exerccio (LEITE,

    2000).

    Ainda segundo Leite (2000), para se adaptar as vrias tarefas que do

    cotidiano, todas as pessoas necessitam de um mnimo de aptido fsica, sendo que

    a prtica regular de atividades fsicas tem sido comprovadamente um fator de

    proteo contra diversos processos degenerativos e distrbios metablicos, como

    aterosclerose, obesidade, envelhecimento precoce, obesidade, hipertenso arterial e

    estresses emocionais.

    A aptido fsica, segundo Nahas (2001), pode ser entendida tambm

    como um fenmeno multidimensional que esta relacionada com a capacidade que

    os indivduos tm para realizar atividades fsicas, pois engloba um conjunto de

    caractersticas que as pessoas tm ou desenvolvem.

    Segundo AAHPERD/ (1988), a aptido fsica constituda das seguintes

    qualidades fsicas: resistncia cardiorrespiratria, resistncia e potncia muscular,

  • 15

    velocidade, flexibilidade, agilidade, equilbrio, tempo de reao, alm da composio

    corporal.

    No entanto, segundo Gonalves (2006), estas variveis diferem em

    importncia para a sade e para o desempenho atltico, tendo sido feita uma

    distino entre aptido fsica relacionada sade e as habilidades esportivas.

    QUADRO 1 Demonstrativo da aptido fsica relacionado sade e as habilidade esportiva.

    APTIDO FSICA RELACIONADA :

    Sade Habilidades Esportivas Resistncia cardiorrespiratria Agilidade Composio corporal Equilbrio Flexibilidade Velocidade Fora e resistncia muscular localizada

    Potncia tempo de reao coordenao

    Fonte: Guedes; Guedes, 1998

    Desse modo, este estudo se ater somente ao tema principal da

    pesquisa: o desenvolvimento da aptido fsica relacionada sade. Assim, se

    realizar uma descrio das variveis utilizadas nos testes que compem a aptido

    fsica relacionada sade.

    2.4 Aptido Fsica Relacionada Sade

    Segundo Pate (1988) a aptido fsica relacionada sade a capacidade

    de realizar tarefas dirias com vigor e demonstrar traes e caractersticas que esto

    associados com um baixo risco de desenvolvimento prematuro de doenas

    hipocinticas.

    Segundo Guedes & Guedes (1995) esse conceito mede a qualidade da

    sade que pode ser representada ao longo de um continuum, onde ns oscilamos

    dentro, com plos negativos e positivos em acamado, com nenhuma possibilidade

    de fazer qualquer atividade, e de outro, ele estaria com uma sade tima, com

    grande capacidade funcional, em todos os aspectos da vida.

  • 16

    Assim, segundo esse mesmo autor, os componentes da aptido fsica

    relacionados sade ao abrigar atributos biolgicos, induzidos pelo estilo de vida

    sedentrio, oferecem alguma proteo ao aparecimento e ao desenvolvimento de

    distrbios orgnicos. Desse modo, esses componentes tornam-se extremamente

    sensveis prtica de atividades fsicas constantes.

    Nesse sentido, para Bezerra Filha (2004), podem ser aplicados exerccios

    especficos ao desenvolvimento de cada componente da Aptido Fsica Relacionada

    Sade. Assim, cada componente pode ser treinado separadamente e um

    componente pode no interferir no desenvolvimento do outro componente, ou seja,

    uma pessoa pode ter boa flexibilidade, mas ter uma baixa resistncia

    cardiorrespiratria e necessitar de fora muscular. Esse mesmo autor aponta que

    cada componente da aptido fsica relacionada sade deveria apresentar bons

    nveis para o desenvolvimento total dessa aptido.

    2.4.1 A Resistncia Cardiorrespiratria

    Segundo o American College Of Sports Medicine (2003), os baixos nveis

    de aptido cardiorrespiratria foram ao longo do tempo associados ao risco de morte

    prematura, principalmente por doena cardiovascular. Por isso tem-se considerado

    que a aptido fsica esteja relacionada sade.

    Nesse sentido, j consenso no mundo cientifico que o treinamento

    aerbio traz benefcio para a sade de um indivduo, atravs de alteraes

    fisiolgicas favorveis que reduzem o risco de infarto do miocrdio, incluindo as

    artrias coronrias maiores, aumento do tamanho do corao, aumento da

    capacidade de bombeamento, reduo da gordura corporal, melhorando o

    metabolismo das gorduras e dos carboidratos e diminui a presso arterial

    (WILMORE & COSTILL, 2001; COOPER, 1972; KOKINOS et al., 1995).

    Para Pitanga (2004), na resistncia cardiorrespiratria h a participao

    de grandes grupos musculares de um modo dinmico, onde o organismo tem a

    capacidade de se adaptar a estmulos moderados por perodos de tempo mais

    prolongados.

  • 17

    Em um programa de exerccios aerbios existem componentes integrais

    que interferem do desenvolvimento da capacidade aerbia: a intensidade, a durao

    e a freqncia (GAESSER & RICH, 1984). O American College Of Sports Medicine

    (1995) sugere uma intensidade 60-90% da freqncia cardaca mxima, uma

    freqncia de 3-5 vezes semanais e uma durao de 20 a 60 minutos por sesso.

    Segundo Guedes & Guedes (1995) a fim de manter os esforos fsicos do

    msculo de uma maneira eficiente, os sistemas cardiovascular e respiratrio

    participam significativamente a fim de suprir a demanda de oxignio atravs do

    sistema circulatrio.

    Nesse contexto, Fletcher et al., 2001 apontaram que o consumo mximo

    de oxignio (VO2max), que durante o exerccio mximo determinado atravs da

    mensurao da composio do ar expirado e do volume respiratrio, o melhor

    critrio da aptido cardiorrespiratria. Esse ndice (VO2max), devido a sua

    importncia na relao com o desempenho, tem sido muito utilizado em estudos do

    metabolismo aerbio, principalmente em esforos moderados e perodos de tempo

    prolongados (POWERS & HOWLEY, 2000).

    Para Denadai (1995), esse ndice (VO2max), durante contrao muscular,

    representa a capacidade mxima de integrao do organismo na captao,

    transporte e utilizao do oxignio, a fim de produzir energia aerobicamente.

    No entanto, a avaliao do (VO2max), que pode ser feita atravs da

    utilizao de diversos ergmetros (instrumentos que medem capacidade de

    trabalho), necessita de tcnicos treinados com custos relativamente onerosos,

    limitando, assim, o seu uso em grandes estudos epidemiolgicos (FLETCHER et al.,

    2001).

    Segundo Arajo (1983), a avaliao do consumo mximo de oxignio

    pode ser feita atravs da utilizao de diversos ergmetros (instrumentos que

    medem capacidade de trabalho). Os mais usados so o banco, a bicicleta, a pista e

    a esteira rolante (ARAJO, 1983).

    No entanto, os testes de pista e campo tm sido utilizados na avaliao

    de grandes grupos, devido simplicidade de sua aplicao e ao pequeno tempo

    despendido para cada avaliao (DUARTE, 2001).

    Como o Vo2 aumenta proporcionalmente com a velocidade de corrida,

    Luc Lger & Lambert (1982) propuseram o 20 m Shuttle-run test ou navette de 20

  • 18

    m, conhecido tambm como teste aerbico de corrida de Vaie-Vem de 20 m

    (DUARTE, 2001).

    Entretanto esse teste pouco conhecido no Brasil, mas faz parte de

    baterias de teste importantes em outros pases como EUROFIT (1988),

    FITNESSGRAM (2003), onde tem sido aplicado na Europa e nos EUA na avaliao

    de escolares, como tambm pela Federao Internacional de Basquetebol (FIBA)

    para seleo de rbitros.

    Um estudo produzido por Duarte (2001) que procurou determinar a

    validade concorrente do teste aerbico de corrida de Vai-e-Vem de 20 m., como

    indicador do consumo mximo de oxignio, em uma amostra de indivduos adultos,

    de ambos os gneros, teve resultados confiveis.

    Conforme demonstrado na tabela 1, a American Heart Association

    (1972), apud Pitanga (2004), sugere uma classificao por faixa etria do consumo

    de (VO2 max), que so: muito fraco, fraco, regular, boa, e excelente.

    Tabela 1: Tabela normativa de capacidade aerbica (VO2 max) masculino: Idade Muito fraco Fraco Regular Boa Excelente20 -- 29 At 25 25 33 34 42 43 52 > 52 30 39 At 23 23 30 31 38 39 48 > 48 40 49 At 20 20 26 27 35 36 44 > 44 50 59 At 18 18 24 25 33 34 42 > 42 60 69 At 16 16 - 22 23 30 31 40 > 40 Fonte: American Heart Associaton (1972), apud Pitanga (2004).

    2.4.2 A Resistncia Muscular Localizada Abdominal

    A resistncia muscular localizada definida por Dantas (1998) como a

    qualidade fsica que dota um msculo de executar uma quantidade numerosa de

    contraes sem que haja diminuio na freqncia, amplitude de movimento, fora e

    velocidade, com resistncia a fadiga muscular localizada.

    Segundo Guedes (2002) a resistncia muscular a capacidade de manter

    o nvel de fora submximo alcanado por um perodo de tempo maior em um grupo

    muscular especfico.

  • 19

    A resistncia muscular importante porque o dficit nas atividades

    funcionais dos indivduos parece ter uma relao com a incapacidade em manter

    esforos repetitivos no cotidiano. Assim, a sua melhora em adultos em adultos pode

    levar melhora na habilidade para desempenhar tarefas submximas (ADAMS,

    2000),

    Achour Jnior (2004) aponta que dficits na fora e flexibilidade, podem

    ocasionar problemas posturais e disfunes na coluna. Sendo que, algumas queixas

    esto freqentemente relacionadas a determinadas profisses e at mesmo tarefas

    do lar.

    Nesse sentido, baixos ndices de fora em determinados grupos, como a

    musculatura abdominal, associados deficincia de amplitude de movimento na

    regio do quadril, tem sido apontada como causa de desequilbrio postural, aumento

    de leses, possveis quedas e causas de dor aguda e crnica na coluna lombar

    (AAHPERD, 1988; FAULKNER et al 1989; PATE, 1983).

    Ainda, segundo Faulkner et al., (1989), o enfraquecimento de

    determinados grupos musculares da regio do glteo e abdominal, somado ao

    encurtamento dos msculos flexores do quadril, pode causar aumento da lordose

    lombar.

    Assim, desempenha um papel importante no equilbrio da regio

    abdominal, pois a metade do peso corporal, aproximadamente, encontra-se em

    equilbrio estvel sobre a coluna lombar (PINTO et al., 2000). Colaborando com essa

    afirmativa, Lapierre (1982) afirma que a digesto, a respirao e a esttica esto sob

    a dependncia da cinta abdominal.

    Desse modo, Pinto et al. (2000) enfatizaram que um dficit de fora na

    regio abdominal, pode ocasionar uma atitude postural desequilibrada e patolgica,

    uma m respirao e uma predisposio ptoses.

    Segundo Morris et al. (1961) citado por Astrand (1980), a musculatura da

    regio do tronco muito importante na proteo da coluna vertebral. . Msculos

    abdominais flcidos podem expor a coluna a uma tenso nociva; por outro lado,

    msculos abdominais bem desenvolvidos representam um dispositivo protetor

    extremamente valioso

    Sendo assim, Leito (1995) aponta que 90% das pessoas sofrero dor na

    regio lombar, pelo menos uma vez na vida.

  • 20

    Nesse contexto, Katch (1996) aponta que grupos musculares

    enfraquecidos, aliado a baixa flexibilidade articular no dorso e membros inferiores

    so os principais fatores relacionados sndrome da dor lombar.

    No entanto, exerccios de fora e flexibilidade tm sido prescritos a fim de

    prevenir e reabilitar um indivduo com tal patologia (KATCH, 1996). Esse mesmo

    autor relata ainda que a utilizao de exerccios contra resistncia, se realizado de

    forma adequada, pode ser uma excelente ferramenta a fim de fortalecer os msculos

    do abdome e da regio lombar, de modo a sustentar e proteger a coluna vertebral.

    Segundo Mendes (1988) a importncia da dor lombar pode ser verificada

    atravs da prevalncia na populao geral de adultos e em comunidades de

    trabalhadores, podendo ocorrer desde a infncia de um indivduo.

    Ento, vrios testes foram desenvolvidos a fim de verificar o nvel de

    resistncia muscular localizada, sendo que o mais utilizado baseado no maior

    nmero de repeties ocorrido em 1 minuto.

    Pollock; Wilmore; Fox (1994), citado por Pitanga (2004) sugere uma

    classificao por faixa etria para a resistncia muscular localizada, que so: fraco,

    regular, mdio, bom e excelente, de acordo com a tabela 2.

    Tabela 2: Tabela normativa para teste abdominal 1 minuto masculino: Idade (anos) Excelente Bom Mdio Regular Fraco 20-29 >48 43-47 37-42 33-36 0-32 30-39 40-47 35-39 29-34 25-28 0-24 40-49 35-39 30-34 24-29 20-23 0-19 50-59 30-34 25-29 19-24 15-18 0-14 >60 25-29 20-24 14-19 10-13 0-9 Fonte: Pollock, Wilmore; Fox (1994), apud Pitanga (2004).

    2.4.3 A Flexibilidade

    A flexibilidade descrita por Gettman (1994) como a capacidade de

    movimentao das partes do corpo, atravs de uma grande variao de

    movimentos, mas sem distenso excessiva das articulaes e ligamentos

    musculares.

  • 21

    Dantas (1998) define flexibilidade como qualidade fsica responsvel pela

    execuo voluntria de um movimento de amplitude angular mxima, por uma

    articulao ou conjunto de articulaes, dentro dos limites morfolgicos, sem o risco

    de provocar leso.

    Segundo De Vroes (1986) a flexibilidade articular pode ser influenciada

    por vrios fatores, entre eles, o nvel de atividade de um indivduo pode favorecer

    positivamente o nvel de flexibilidade. Outro fator diz respeito ao sexo e a idade, pois

    ao que tudo indica mulheres so mais flexveis que homens, sendo que a

    flexibilidade geral tende a reduzi com o aumento da idade (POLLOCK et al., 1993;

    ACHOUR JNIOR, 1996).

    Segundo Guedes & Guedes (1995) a diminuio da flexibilidade na regio

    lombar e nos msculos posteriores da coxa pode ser associada ao risco de

    desenvolvimento de dor lombar crnica, podendo provocar dor, desconforto, e uma

    diminuio do rendimento no dia-dia, podendo ocasionar, ainda desvios posturais

    (RIIHIMAKI, 1991).

    Portanto, para Weineck (2000), devem-se incluir nas atividades das

    pessoas exerccios preventivos e de reabilitao, a fim de promover no indivduo a

    manuteno de uma boa flexibilidade, principalmente na regio lombar, mantendo

    ou elevando a capacidade de extenso muscular. Dessa forma, tambm tem sido

    empregados, eficientemente, exerccios de alongamentos em programas de

    reabilitao de problemas msculo-articular (ASHMEN et al.; 1993).

    Sendo assim, alguns autores tm considerado a flexibilidade com um

    importante componente para descrio do nvel de aptido fsica relacionado com a

    sade e o desempenho atltico (NIEMAN, 1999; WILSON, ELLIOTT &

    WOOD,1992).

    Nesse contexto, vem sendo desenvolvidas diferentes tcnicas a fim de

    avaliar o nvel de flexibilidade articular de um indivduo, que podem ser de forma

    direta ou indireta.

    Nas medidas de forma direta tem-se utilizado o gonimetro (ASHMEN et

    al., 1996) e o flexmetro de Leighton (SILVA et al., 1985), pois expressam os

    resultados em graus, respeitando especificidade articular e descrita pela literatura

    como os mais precisos (GETTMAN,1994). No entanto, por haver uma demanda de

    tempo e dinheiro na aplicao dessas tcnicas em estudos epidemiolgicos

  • 22

    (GETTMAN, 1994), tem-se adotado outras formas de medidas como os testes de

    campo (WELLS & DILLON,1952).

    Nas medidas de forma indireta tem-se utilizado o flexiteste (ARAJO,

    1987) e o teste de sentar e alcanar (WELLS & DILLON,1952). Este teste muito

    difundido por alguns fatores como: ser de baixo custo, ser de fcil aplicao e

    confiabilidade (SILVA et al., 1985).

    O teste de sentar e alcanar objetiva a medio do nvel de flexibilidade

    articular dos msculos posteriores da coxa (isquiotibiais) e a regio lombar.

    Dessa forma, ACSM (2000) citado por Pitanga (2004) tem sugerido uma

    forma de classificao por faixa etria para flexibilidade, que so: muito fraco, fraco,

    regular, alta e muito alta, de acordo com a tabela 3.

    Tabela 3: Tabela normativa do teste sentar e alcanar masculino: Idade (anos) Muito fraco Fraco Regular Alta Muito alta 20-29 38 30-39 37 40-49 34 50-59 32 >60 30 Fonte: ACSM (2000), apud Pitanga (2004).

    2.4.4 A Composio Corporal

    Segundo Gettman (1994) a composio corporal a associao do peso

    magro ao de gordura corporal, que da origem ao peso corpreo, sendo expressa em

    porcentagem de gordura corporal (NIEMAN, 1999).

    Segundo Pollock et al. (1993) a alta incidncia de doenas

    cardiovasculares pode ter associao com o excesso de gordura acumulada na

    regio central do corpo humano, sendo desse modo, a quantificao e a distribuio

    da gordura corporal os pontos mais analisadas nos estudos sobre a composio

    corporal.

    Para Gonalves (2006), importante a avaliao da quantidade de

    gordura corporal, pois se pode classificar um indivduo em obeso ou no obeso.

  • 23

    Essa relevncia baseada em resultados de pesquisas que concluram

    que a obesidade um dos grandes problemas de sade pblica.

    Conforme Mcardle (1985), a obesidade uma quantidade de gordura

    corporal aumentada excessivamente, ou o excesso de acumulo de energia no tecido

    adiposo. Esse fator de risco defino tambm como porcentagem de gordura

    corporal capaz de aumentar o risco do desenvolvimento de doenas (ACSM, 1996).

    Nesse sentido, estudos recentes demonstraram que a associao do

    excesso e da distribuio do peso esta vinculada ao surgimento de doenas

    cardacas, hipertenso, distrbios no metabolismo de glicdios e dos lipdios,

    doenas sseas, doenas articulares e renais, diabetes, asma, e doenas

    pulmonares (POLLOCK et al., 1993).

    O ndice de Massa Corporal (IMC) um mtodo prtico, confivel e de

    baixo custo, e por isso muito utilizado para estimar a composio corporal de

    pessoas adultas.

    H evidncias de que baixos valores de IMC possuem relao com o

    desenvolvimento de doenas pulmonares obstrutivas, tuberculose e cncer de

    pulmo e que altos valores esto associados com hipertenso arterial, doenas

    cardiovasculares, hipertenso arterial, diabete mellitus e outras (FERNANDES

    FILHO, 1999).

    Para se determinar ndice de massa corporal, utiliza-se a seguinte

    equao IMC=PESO/ALTURA (KEYS et al., 1972). O portal CDOF sugere uma

    classificao modifica de Fernandes Filho (1999), onde o ndice de massa corporal

    expresso em: baixo peso, normal, pr-obesidade, obesidade nvel I, obesidade nvel

    II e obesidade nvel III (mrbida), conforme demonstra a tabela 4.

    Tabela 4: Tabela normativa do ndice de massa corporal (Kg/m) masculino: Classificao IMC (Kg/m) Baixo Peso 40 Fonte: O.M.S - 1997

    Segundo Mcardle et al. (2003) a composio corporal pode ser

    modificada pela realizao de atividade fsica, que resulta no aumento das massa

  • 24

    muscular, do volume de lquido extracelular e da massa ssea. Dessa forma, o

    mtodo de avaliao da composio corporal atravs das dobras cutneas pode ser

    uma forma mais segura desse tipo de aferio.

    Mcardle (1992) sugere uma classificao do percentual de gordura em:

    Gordura essencial, gordura ideal, limite normal, moderadamente obeso,

    excessivamente obeso, conforme demonstra a tabela 6.

    Tabela 5: Tabela normativa do percentual de gordura masculino: Classificao Porcentagem Gordura essencial 3% - 9% Gordura Ideal 10%-14% Limite Normal 15%-20% Moderadamente Obeso 20%-25% Excessivamente Obeso 25%-30% Fonte: Mcardle (1992)

    2.4.5 A Razo Circunferncia Cintura-Quadril Segundo Nahas (2001) o coeficiente entre as medidas de circunferncia

    de cintura e quadril outro indicador muito utilizado a fim de determinar o padro de

    obesidade.

    Em outro estudo, a razo circunferncia cintura-quadril foi relacionada

    com o aumento do risco de desenvolvimento de doenas, tais como: derrame, infarto

    do miocrdio e morte prematura (LARSON et al., 1984).

    Dessa forma, de grande importncia a localizao do acmulo da

    gordura corporal, j que a obesidade representa um risco para a sade de um

    indivduo. Relacionados com essa localizao foram sugeridos duas classificaes:

    a primeira tipo andrides (tipo maa), caracterizada pelo acmulo de gordura na

    regio do abdmen, localizada tanto entre os rgo quanto subcutneo; a segunda

    tipo genide (tipo pra), caracterizada pela acumulao de gordura na regio glteo-

    femoral (quadril, ndegas e pernas) (WILLIAMS, 1995).

    Bray; Gray (1988); Heyward; Stolarczyk (1996), citado por Pitanga (2004),

    sugerem uma classificao do ndice de circunferncia cintura-quadril em: baixo,

    moderado, alto e muito alto, conforme demonstra a tabela 5.

  • 25

    Tabela 6: Tabela normativa do ndice cintura quadril masculino: Idade Baixo Moderado Alto Muito alto At 29 0,94 30-39 0,96 40-49 1,00 50-59 1,02 >59 1,03 Fonte: Bray; Gray (1988); Heyward; Stolarczyk (1996), apud Pitanga (2004).

    Para Nahas (2001), a atividade fsica regular pode ajudar a controlar o

    peso corporal e o desenvolvimento steo-muscular, pois a composio corporal

    ideal para a sade de um indivduo inclui um baixo percentual de gordura corporal,

    um bom desenvolvimento da musculatura e uma boa estrutura ssea.

    2.4.6 Hipertenso: Fator de Risco Relacionada Sade A hipertenso o termo utilizado pelos mdicos para definir presso

    arterial alta, em uma situao em que ela encontra-se elevada (crnica), em

    patamares indesejveis, de acordo com tamanho, a idade e o peso corporal de um

    indivduo (WILMORE & COSTILL, 2001). Ainda, segundo esse mesmo autor, a

    hipertenso pertence classe dos fatores de risco para doenas coronarianas

    primarias que podem ser controladas.

    A hipertenso pode levar o corao falncia ao representar uma carga

    excessiva sobre esse rgo, podendo levar ainda a rupturas dos vasos sanguneos

    renais, cerebrais ou de outros rgos vitais (GUYTON, 1976). Esse fator de risco

    conhecido como assassina silenciosa, pois no adverte o indivduo com efeitos

    precoces (NIEMAN, 1999).

    Nesse sentido, diversos estudos foram realizados a fim de relacionar a

    atividade fsica ao controle da hipertenso arterial e embora alguns deles sejam

    inconclusivos, existem evidncias significativas de que a diminuio do

    sedentarismo tende a reduzir a hipertenso (WILMORE & COSTILL, 2001).

    Em estudos com indivduos normotensos, foi observado que a execuo

    de uma nica sesso de 45 minutos de exerccio em cicloergmetro em 50% do

  • 26

    VO2pico reduziu a presso arterial, que perdurou por um perodo prolongado ps-

    exerccio de aproximadamente 24 horas (FORJAZ et al., 2000a).

    Segundo Forjaz et al. (2000) a reduo da presso arterial aps o

    exerccio est demonstrada em resposta aos exerccios aerbios que influenciado

    por uma durao mais prolongada resulta em efeitos hipotensores maiores e mais

    duradouros. Dessa forma, Brum, P.C. et al. (2004) demonstraram em seus estudos

    o efeito hipotensor agudo do exerccio fsico sobre a presso arterial em indivduos

    hipertensos.

    O III Consenso de Hipertenso Arterial sugerem uma classificao da

    presso arterial em: normal, normal limtrofe, hipertenso leve, hipertenso

    moderada, hipertenso moderada, hipertenso grave e hipertenso sistlica,

    conforme demonstra a tabela 6.

    Tabela 7: Tabela normativa da presso arterial adultos: Presso Arterial (mmHg) Sistlica Diastlica Categoria < 130 < 85 Normal 130-139 85-89 Normal Limtrofe 140-159 90-99 Hipertenso Leve 160-179 100-109 Hipertenso Moderada > 180 > 110 Hipertenso Grave > 140 < 90 Hipertenso Sistlica Fonte: III Consenso de Hipertenso Arterial - SBC

    2.5 Histrico da Polcia Militar de Minas Gerais

    No incio do sculo XVIII, a cobia pelo ouro e pedras preciosas fez com que

    aflussem para a provncia das Minas Gerias expedies com origem em outros

    lugares mais desenvolvidos, como So Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e

    at mesmo Portugal, formando uma massa humana heterognea, onde a nica lei

    que prevalecia era do mais forte. No entanto a nica questo que preocupava a

    coroa portuguesa era a fraude fiscal (Portal Corporativo Polcia Militar de Minas

    Gerais, 2009).

    Nesse contexto, a segurana das vilas, das autoridades e das riquezas

    extradas da terra, exigia a presena de uma tropa que fosse estruturada nas bases

  • 27

    da hierarquia e disciplina militares, prontamente disposta a cumprir as misses a ela

    impostas e que no se deixasse levar pela cobia e pelo brilho do ouro (Portal

    Corporativo Polcia Militar de Minas Gerais, 2009).

    Dessa forma, Portugal envia ao Governador de Minas Gerais, Pedro

    Miguel de Almeida, a fim de impedir a sonegao de impostos e acabar com o clima

    de agitao, duas Companhias de Drages, formada unicamente de portugueses

    que assim que chegaram trocaram suas armas pelas bateias e almocafre,

    contaminados pelo sonho de riqueza fcil (Portal Corporativo Polcia Militar de

    Minas Gerais, 2009).

    Diante disso, o ento Governador de Minas Gerais, Dom Antnio de

    Noronha, extinguiu as Companhias de Drages, insatisfeito com o seu

    enfraquecimento e o seu desempenho insatisfatrio, criando o Regimento Regular

    de Cavalaria de Minas Gerais, em 09 de junho de 1775, composto somente de

    mineiros (Portal Corporativo Polcia Militar de Minas Gerais, 2009).

    Caberia a essa fora recm-criada cumprir as misses de natureza militar

    e policial, prevenir e reprimir os crimes, a manuteno da ordem pblica, atravs de

    aes e operaes de enfrentamento de tumultos, insurreies e defesa da

    Capitania e da Ptria, a fim de resguarda a extrao, o transporte e a exportao do

    ouro para Portugal (Portal Corporativo Polcia Militar de Minas Gerais, 2009).

    Com o passar do tempo, estabelecida a Repblica, aps a contratao do

    Coronel Robert Drexler, do Exrcito Suo, presenciado a militarizao da Fora

    Pblica Mineira, onde os soldados eram treinados na arte da guerra (Portal

    Corporativo Polcia Militar de Minas Gerais, 2009).

    No entanto, a Fora Pblica Militarizada se mantinha aquartelada,

    surgindo ento as chamadas Guarda Civis, encarregadas do policiamento

    ostensivo na Capital e em algumas cidades maiores (Portal Corporativo Polcia

    Militar de Minas Gerais, 2009).

    Mas o Decreto-Lei 667 e suas modificaes mudaram novamente a face

    da PM, pois foi garantido s Polcias Militares a Misso Constitucional de

    Manuteno da Ordem Pblica, sendo, tambm, extintas outras foras policiais

    fardadas, como: Guarda Civil, Guardas Rodovirios do DER, Copo de Fiscais do

    DET e Guardas Noturnos. Assim, foi dada a Polcia Militar exclusividade no

    planejamento e execuo do policiamento ostensivo, sendo substancialmente

  • 28

    reformulado o conceito de autoridade policial (Portal Corporativo Polcia Militar de

    Minas Gerais, 2009).

    Dessa forma, a Constituio da Repblica de 1988, em seu artigo 144,

    estabeleceu um Sistema de Segurana Pblica, com estruturas prprias e

    independentes, mas interligados funcionalmente, personalizando o esfora do Poder

    Pblico, para prevenir e combater a violncia e a criminalidade, garantindo os

    direitos do cidado e da coletividade (Portal Corporativo Polcia Militar de Minas

    Gerais, 2009).

    2.6 O Trigsimo Quarto Batalho O Trigsimo Quarto Batalho de Polcia Militar, 34 BPM, foi criado em 19

    de dezembro de 2000, fruto da rearticulao operacional implementada na Oitava

    Regio da Polcia Militar - atualmente primeira regio-, onde foi atribuda nova

    Unidade de Execuo Operacional, a responsabilidade territorial pelas subreas das

    8 e 9 Cias do 5 BPM; 17 Cia PM do 13 BPM e 21 Cia PM do 16 BPM, com a

    finalidade de executar um policiamento ostensivo, amenizar os efeitos da

    criminalidade e manter em nveis satisfatrios e tolerveis a tranqilidade pblica, de

    forma a atender aos anseios da comunidade local.

    Em sntese, o 34 BPM tem, hoje, a nobre incumbncia de coordenar e

    dinamizar o policiamento nas regies Pampulha e Noroeste da capital mineira, onde

    se verificou a existncia de uma demanda operacional elevada e crescente, devido

    ao expressivo nmero populacional residente e tambm mvel (este ltimo

    decorrente do funcionamento de vrios centros comerciais existentes nas subreas)

    e grande extenso territorial a ser contemplada com o policiamento.

    Dentre as demandas operacionais da UEOp, destacam-se aquelas

    motivadas pelos inmeros eventos programados no complexo da Pampulha, assim

    constitudo pelos Estdios Governador Magalhes Pinto Mineiro e Felipe Horta

    Drumont Mineirinho, Praa e Igrejinha So Francisco de Assis, Lagoa e Parque

    Ecolgico da Lagoa, os quais recebem um elevado nmero de pessoas em suas

    dependncias, com o objetivo de assistir aos jogos, shows e maratonas ali

  • 29

    realizados, ou simplesmente para visitao destes cartes postais, ensejando numa

    preocupao constante, sobretudo com relao ao aspecto da segurana pblica.

    Devemos salientar, tambm, a existncia de um mega centro comercial

    (Shopping Del Rey) localizado s margens do Anel Rodovirio onde, alm do

    funcionamento dirio do comrcio, tambm destina um espao (estacionamento

    panormico), para a realizao de eventos de natureza semelhante queles

    realizados no complexo esportivo da Pampulha.

    O Comando do 34 BPM vem dando continuidade elaborao e

    implementao de mecanismos para combater os delitos mais comuns e freqentes

    em dias de realizao de eventos, na sua rea de responsabilidade territorial.

    Estamos falando do emprego de uma sistmica atividade operacional com intuito de

    se fazer o policiamento ostensivo mais evidente, com enfoque preventivo.

    Agregada a essa dinmica operacional, a constante parceria e o apoio

    das demais unidades da 1 RPM j deram resultados bastante satisfatrios e

    percebidos pela populao. Assim, o 34 BPM continuar cumprindo a sua misso

    Institucional.

    2.7 O Policial Militar Para ingressar na carreira policial militar, realizado um concurso pblico,

    onde os indivduos so submetidos a vrios exames, dentre eles, os testes de

    aptido fsica. Para serem aprovados nesses testes, os indivduos devem apresentar

    um desempenho fsico superior, quando comparado com a populao em geral.

    Dessa forma, o policial militar estar apto a desempenhar os diversos

    tipos de misses a ele impostas, tendo que dar uma resposta eficiente sociedade,

    muitas vezes, com um desempenho fsico acima da mdia, seja de dia ou de noite.

  • 30

    3. METODOLOGIA 3.1 Delineamento do Estudo Procurou-se analisar, de forma descritiva e transversal, o nvel de aptido

    fsica relacionados sade dos policiais militares do 34 Batalho da cidade de Belo

    Horizonte, empregados no servio operacional.

    Segundo Hulley (2003), nos estudos transversais as variveis so todas

    medidas uma nica vez, fornecendo informaes descritivas sobre prevalncia, e

    possui alguns benefcios como: simplicidade e baixo custo, rapidez e objetividade na

    coleta, pois os dados referem-se a um nico momento e podem ser coletados em

    curto espao de tempo. Ainda, no necessrio acompanhamento das pessoas

    envolvidas, facilidade para obteno de amostra representativa, boa opo para

    descrever as caractersticas dos eventos na populao e nico estudo possvel de

    se realizar em diversas situaes, para obter informaes relevantes, em virtude da

    limitao de tempo e de recursos (PEREIRA, 1997).

    3.1 Populao e Amostra A populao alvo do presente estudo foi constituda por 112 policiais

    militares da cidade de Belo Horizonte, que trabalham no servio operacional da 17

    Cia do 34 BPM.

    Para compor a amostra foi escolhido por convenincia um grupo de 40

    indivduos pertencentes a 17 Cia do 34 BPM da Polcia Militar de Minas,

    representado por policiais militares, do gnero masculino, no portador de nenhum

    problema de sade aparente, na faixa etria de 20-52 anos de idade, onde os

    militares foram informados sobre o objetivo do estudo, dos procedimentos da

    pesquisa, dos possveis desconfortos, riscos e benefcios antes de assinarem o

    Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, garantindo-lhes o anonimato sobre o

    uso das informaes obtidas no estudo.

  • 31

    3.3 Instrumento de Coleta de Dados Para o estudo, foram levantadas informaes sobre: idade, sexo, peso,

    altura, ndice de Massa Corporal (IMC), Percentual de gordura, Presso arterial (PA),

    Circunferncia da cintura (CC), Circunferncia do Quadril (CQ), ndice-cintura-quadril

    (ICQ), Flexibilidade, Resistncia Muscular Localizada Abdominal (RMLA) e

    Capacidade Cardiorrespiratria (VO2max). Informaes como idade, sexo e altura

    foram referidas pelo prprio avaliado.

    Os testes foram procedidos na quadra de esportes do prprio batalho,

    onde foram realizadas uma coleta de dados no turno da manh e outra tarde, no

    ms de setembro de 2007. Cada militar trajava roupa folgada e confortvel,

    condizente com os testes.

    3.3.1 Massa Corporal Para medir a massa corporal, utilizou-se uma balana analgica marca

    Lightex com capacidade para 130 kg, onde o avaliado deveria se posicionar na

    plataforma de pesagem de forma suave com um p de cada vez, postura ereta com

    a cabea orientada no plano de Frankfurt, braos ao longo do corpo e em ligeiro

    afastamento lateral de pernas estando o peso corporal dividido entre estas, sendo

    feita uma nica medio.

    3.3.2 Circunferncia da Cintura Na verificao do permetro da cintura foi utilizada uma fita antropomtrica

    da marca Sanny, com preciso de 01 mm. Atravs do procedimento descrito por

    Callaway et al. (1991), o avaliado permanece de p com abdmen relaxado, os

    braos descontrados ao lado do corpo, a fita colocada horizontalmente no ponto

    mdio entre a borda inferior da ltima costela e a crista ilaca, sendo as medidas

  • 32

    realizadas com a fita firme sobre a pele; todavia, sem compresso dos tecidos,

    sendo tomada apenas uma medida.

    3.3.3 Circunferncia do Quadril Para avaliar o permetro do quadril, foram seguidos os mesmos passos

    descritos por Callaway et al. (1991), entretanto, a fita mtrica foi colocada

    horizontalmente em volta do quadril na parte mais saliente dos glteos, sendo

    tomada apenas uma medida.

    3.3.4 Avaliao da Presso Arterial

    Seguindo orientaes da American Heart Association, British

    Hypertension Society e do Consenso Brasileiro para o Tratamento da Hipertenso

    Arterial, foi realizada a avaliao da presso arterial dos militares, utilizando uma

    cadeira, um estetoscpio e um manguito.

    Aps descansar por 5 a 10 minutos, o indivduo sentava numa cadeira,

    onde por palpao se localizava a artria braquial. Com o brao do paciente na

    altura do corao, colocou-se o manguito no brao, firmemente, cerca de 2 a 3 cm

    acima da fossa antecubital, centralizando a bolsa de borracha sobre a artria

    braquial.

    Aps colocar o estetoscpio no ouvido com a curvatura voltada para

    frente e posicionar a campnula do estetoscpio sobre a artria, na fossa

    antecubital, evitando compresso excessiva, inflou-se rapidamente, de 10 em 10

    mmHg, at ultrapassar 20 a 30 mmHg o nvel estimado da presso sistlica. Logo

    aps, foi feita a deflao na velocidade de 2 a 4 mmHg por segundo. Aps a

    determinao da presso sistlica, aumentou-se a velocidade para 5 a 6 mmHg por

    segundo, evitando congesto venosa e desconforto ao paciente.

    Primeiro, foi determinada a presso sistlica no momento do

    aparecimento do primeiro som, que fraco seguido de batidas regulares. Segundo,

  • 33

    foi determinada a presso diastlica no desaparecimento do som, auscultando cerca

    de 20 a 30 mmHg abaixo do ltimo som para confirmar seu desaparecimento e

    depois procedida a deflao rpida e completa.

    Foi tomada apenas uma medida, sendo no final registrados os valores da

    presso sistlica e diastlica.

    3.3.5 Avaliao do Percentual de Gordura Corporal Para a avaliao do percentual de gordura corporal foi utilizado um

    compasso especfico, da marca Cescorf, com preciso de 0,1 milmetros, onde

    foram mensuradas as seguintes dobras cutneas (CDOF):

    PEITO: toma-se uma dobra diagonal na metade da distncia entre a parte

    superior do peitoral e o mamilo;

    SUB-AXILAR: Toma-se uma dobra vertical na linha axilar mdia ao nvel

    do apndice xifide no esterno ;

    TRCEPS: Toma-se uma dobra vertical na linha mdia da parte superior

    do brao, a meio caminho entre o ombro e o cotovelo;

    BCEPS: Toma-se uma dobra vertical na linha mdia da parte superior do

    brao a meio caminho entre o ombro e a fossa cubital, sobre o bceps braquial, ao

    nvel do mamilo;

    SUBESCAPULAR: Toma-se uma dobra oblqua mdia imediatamente

    abaixo da extremidade inferior da escpula;

    ABDOMINAL: Toma-se uma dobra vertical medida a uma distncia lateral

    de aproximadamente 2 cm do umbigo ;

    SUPRAILACA: Toma-se uma dobra ligeiramente oblqua medida

    imediatamente acima do osso do quadril, coincidente com uma linha imaginria

    descida da linha axilar anterior;

    COXA: Toma-se uma dobra vertical na regio anterior da coxa na metade

    da distncia entre o quadril e as articulaes do joelho;

    PERNA: Toma-se uma dobra vertical no lado medial da perna no local de

    maior circunferncia (meio do gastrocnmio, ou panturrilha). Para facilitar deve-se

    pedir que o testado apie seu p em um banco voltado para o examinador.

  • 34

    Na avaliao, utilizou-se o compasso para medir a distncia entre dois

    pontos. Com este aparelho foi pinado firmemente com o polegar e o indicador uma

    camada de tecido, formando uma prega cutnea. O mostrado do compasso l em

    milmetros a espessura da dupla camada de pele e tecidos subcutneos.

    Todas as medidas foram feitas utilizando o lado direito do corpo com o

    indivduo na posio de p e com vestimenta apropriada a fim de facilitar as

    medidas, onde foram feitas uma nica medida, esperando um tempo de pelo menos

    2 segundos para que o compasso pudesse pressionar a dobra corretamente

    (GARCIA et al col.,1989).

    O programa Kinesis, foi utilizado para fornecer o percentual de gordura

    corporal.

    3.3.6 Medidas Neuromusculares A) Teste Abdominal Para verificao da resistncia muscular localizada, foi usado o protocolo

    da EUROFIT (1988), com o objetivo de mensurar a fora do abdmen, onde o

    avaliado realizou o maior nmero de repeties, flexo do tronco, em um minuto.

    O material utilizado foi: Colchonete de aproximadamente 10 x 40

    centmetros; cronmetro e material bsico de anotaes.

    No teste, o indivduo assume a posio decbito dorsal sobre o

    colchonete, com joelhos fletidos a 90 graus e braos ao lado do corpo. Com os

    dedos tocando na fita adesiva, colada no solo e outro pedao de fita colado a 8 cm

    de distncia da primeira fita, para indivduos com idade igual ou maior que 45 anos,

    e 12 cm para indivduos com menos de 45 anos. So dados trs comandos ao

    testando: o primeiro, preparatrio, Pronto; o segundo, para inicio do teste, Vai; e o

    terceiro, para o trmino do teste, Pare. Aplica-se o teste em 60 segundos e faz-se a contagem dos movimentos corretos nesse tempo cronometrado.

  • 35

    B) Teste de Flexibilidade Para a avaliao da flexibilidade, utilizou-se o protocolo de Wells & Dillon

    (1952), atravs do teste de sentar e alcanar que tem como objetivo mensurar a

    flexibilidade traco-lombar e plvica de forma ativa, em sujeitos de qualquer idade,

    verificando a maior distncia horizontal possvel alcanada pelo avaliando partindo

    de um ngulo de 90 formado pelo tronco e membros inferiores.

    Utilizando um caixote de madeira (flexmetro), medindo 30 x 30 x 30

    centmetros em cuja parte superior fixada uma escala mtrica de 43 centmetros, o

    avaliado senta com as pernas completamente estendidas sem calados, encostando

    as plantas dos ps na caixa de avaliao; mantm os joelhos completamente

    estendidos, os braos para frente e as mos para baixo; o indivduo flexionou o

    tronco sem insistncias at alcanar a maior distncia possvel, sendo realizada

    apenas uma tentativa.

    C) Medida Cardiorrespiratria Para a avaliao da medida cardiorrespiratria, utilizamos os seguintes

    itens: quadra de esporte plana, cones, um notebook, duas caixas de som, material

    de anotao, e um programa bep-teste.

    Nesse teste, utilizou-se o protocolo de Luc Lger & Lambert (1982), que

    propuseram o 20 m Shuttle-run test ou navette de 20 m, conhecido tambm como

    teste aerbico de corrida de Vaie-Vem de 20 m.

    Este teste pode ser aplicado em grupos de at 10 pessoas, que correndo

    juntas num ritmo cadenciado pelo programa bep-teste, cobriram um espao de 20

    metros, delimitado entre duas linhas paralelas. O programa emite bips, a intervalos

    especficos para cada estgio, sendo que a cada bip o avaliado deve estar cruzando

    com um dos ps uma das duas linhas paralelas, ou seja, saindo de uma das linhas

    corre em direo a outra, cruza esta com pelo menos um dos ps ao ouvir um bip e

    volta em sentido contrrio. O trmino de um estgio sinalizado com dois bips

    consecutivos.

  • 36

    A durao do teste depende da aptido cardiorrespiratria de cada

    pessoa, sendo mximo e progressivo, menos intenso no inicio e se tornando mais

    intenso no final, perfazendo um total possvel de 21 minutos (estgios).

    No primeiro estgio a velocidade de 8,5 km/h, que corresponde a uma

    caminhada rpida, sendo acrescida de 0,5 km/h a cada um dos estgios seguintes.

    Cada estgio tem a durao de aproximadamente 1 minuto. Em cada estgio so

    realizadas de 7 a 15 idas e vindas de 20 metros. O ajuste de velocidade pela pessoa

    facilmente conseguido em 2 ou 3 idas e vindas. Uma distncia de 2 m, antes das

    linhas paralelas, a rea de excluso (limtrofe) do teste, ou seja, toda pessoa que

    estiver antes dessa faixa ao som do bip, ser avisada, para acelerar a corrida, mas

    se ela no conseguir acompanhar mais o ritmo e no atingir a linha por trs vezes

    consecutivas ser ento excludo do teste. O ltimo estgio atingido deve ser

    anotado, para se obter o V02 em ml/kg/min, atravs das equaes publicadas por

    Lger et al (26).

    Como a velocidade inicial foi de 8,5 km/h, com incremento de 0,5 km/h a

    cada 1 minutos, possibilitou a predio do VO2max, atravs da equao de

    regresso y = - 24,4 + 6,0 X, em ml/kg/min, onde y= V02 em ml/kg/min e X =

    velocidade em km/h (no estgio atingido). No entanto, o programa bip-teste fornece o Vo2max no decorrer do teste,

    sendo realizada apenas a anotao dessa estimativa no momento em que o

    indivduo era desclassificado no teste.

    3.4 Tratamento e Anlise dos Dados Para analisar os dados foram empregadas as ferramentas de informtica

    (planilha eletrnica do Excel e pacote estatstico SPSS-10.0) e aplicados os

    procedimentos da estatstica descritiva (mdia e desvio padro).

  • 37

    4. RESULTADOS E DISCUSSO Neste estudo, foi utilizada uma amostra de 40 indivduos (policiais

    militares), todos do sexo masculino, que trabalham no servio operacional (rdio-

    patrulhamento) da 17 Cia do 34 Batalho de Polcia Militar, com idade

    compreendida entre 20 e 52 anos, com valores mdios de 32,85 7,31.

    A Tabela 7 apresenta os valores de mdia (X) e desvio padro (DP) do

    ndice de massa corporal (IMC), Percentual de gordura, do ndice de cintura-quadril

    (ICQ), abdominal (Abd), flexibilidade (Flex), consumo mximo de oxignio (VO2

    max) e da presso arterial (PA) sistlica (S) e diastlica (D), dos policiais militares

    que trabalham no servio de Rdio-patrulha da 17 Cia do 34 BPM da cidade de

    Belo Horizonte:

    Tabela 8: Valores de mdia (X) e desvio padro (DP) do ndice de massa corporal (IMC), Percentual de gordura, do ndice de cintura-quadril (ICQ), abdominal (Abd), flexibilidade (Flex), consumo mximo de oxignio (VO2 max) e da presso arterial (PA) sistlica (S) e diastlica (D) masculino:

    Variveis X DP IMC 25,26 3,69 Percentual de gordura 20,18 7,53 ICQ 0,88 0,069 PA 130 S : 90 D 11,31 S : 8,46 D Abdominal (rep/min) 45,47 8,89 Flexibilidade (cm) 27,89 10,23 VO2MAX (Kg.min)- 39,41 7,18 Fonte: Dados da Pesquisa

    Ao comparar os valores mdios do ndice de massa corporal (IMC)

    apresentados pelo grupo, verificou-se que o grupo apresentou, para a populao

    adulta, valores acima da mdia que de 18,5 24,9 kg/ m, proposto pela

    Organizao Mundial de Sade em 1997.

    Como no possvel conhecer pela mdia a proporo de sujeitos que se

    enquadram nos critrios dos nveis de aptido fsica relacionada sade, pode-se

    verificar atravs da figura a seguir a proporcionalidade de cada varivel.

  • 38

    Obesidade Mrbida - 0%

    Obesidade Nvel II - 0%

    Obesidade Nvel I - 10%

    Pr-Obesidade - 45%

    Normal - 37,5%

    Baixo Peso - 7,5%

    Figura 1 - Proporo de sujeitos classificados quanto ao ndice de massa corporal Fonte: Dados da Pesquisa

    Atravs da figura 1, pode-se verificar que em relao ao ndice de massa

    corporal, 45% dos avaliados apresentaram sobrepeso e 37,5% apresentaram peso

    normal.

    Em comparao a outros estudos, Bezerra Filha (2004) constatou que

    42% e 3% dos policiais militares pertencentes ao Quartel do Comando Geral da

    Paraba apresentavam resultados de sobrepeso e obesidade, respectivamente.

    Oliveira (2002), estudando policiais militares integrantes do peloto de

    choques de Joo Pessoa, constatou que o efetivo estava 47% com sobrepeso e

    14% obesos.

    Outro estudo realizado por Gonalves (2006) com policiais da Companhia

    Especial de Choque do Estado de Rondnia (COE), verificou que os mais jovens de

    20 a 29 anos de idade apresentavam sobrepeso em relao ao grupo controle.

    Segundo Nahas (2001), indivduos que apresentam sobrepeso e

    obesidade tendem a apresentar maior predisposio para o desenvolvimento de

    diversas doenas como: hipertenso arterial, acidente vascular cerebral, infarto do

    miocrdio e diabetes.

    Para Adams (2000), a obesidade um problema de sade pblica, pois

    suas conseqncias para a sade so muitas, afetando diretamente a qualidade de

    vida dos indivduos. Ela constantemente associada com diabetes mellitus tipo 2 e

    hiperlipedemia, que so condies relacionadas com o desenvolvimento de doenas

    cardiovasculares.

    Dessa forma, indivduos com sobrepeso tm uma diminuio muito

    importante da sua expectativa de vida, pois apresentam severo risco para o

  • 39

    desenvolvimento de uma srie de doenas e distrbios, ainda mais quando so

    portadores de obesidade mrbida (COITINHO, 1991).

    Ao comparar os valores mdios do percentual de gordura corporal

    apresentados pelo grupo, verificou-se que o grupo apresentou valores acima do

    normal, que de 15%-20%, para a populao adulta (MCARDLE, 1992).

    Excessivamente Obeso - 25%

    Moderadamente Obeso - 35%

    Limite Normal - 12,5%

    Gordura Ideal - 15%

    Gordura Essencial- 12,5%

    Figura 2 - Proporo de sujeitos classificados quanto ao percentual de gordura corporal

    Fonte: Dados da Pesquisa

    Atravs da figura 2, pode-se verificar que em relao ao percentual de

    gordura corporal, 35% e 25% dos avaliados estavam moderadamente e

    excessivamente obesos, respectivamente, enquanto 12,5% estavam no limite

    normal.

    Em seu estudo, Bezerra Filha (2004) verificou que 65% dos militares que

    trabalham no servio de radiopatrulhamento do 5 Batalho de Joo Pessoa

    apresentaram um percentual de gordura acima do normal com tendncia para a

    obesidade, enquanto que 35% dos avaliados apresentaram um percentual de

    gordura considerado normal.

    Gonalves (2006), avaliando policiais da Companhia Especial de Choque

    do Estado de Rondnia, constatou que todas as faixas etrias dos grupos

    analisados estavam com o percentual de gordura acima da mdia preconizado na

    literatura especfica.

    A distribuio da massa corporal adiposa, em associao com o grau de

    obesidade, um importante fator para o desenvolvimento de doenas associadas ao

    sobrepeso de um indivduo. Alm disso, o corpo possui uma mdia de 82% de

    massa corporal magra, que indispensvel para o sustento da vida diria e as

  • 40

    atividades fsicas, e 18 % de massa corporal adiposa, que um estoque de energia

    para situaes de emergncia (KNAZAWA et al., 2002).

    Em relao ao ndice cintura-quadril, foi verificado que o grupo

    apresentou valores mdios considerados satisfatrios para a sade, que de at

    0,94 para homens (BRAY & GRAY, 1988; HEYWARD & STOLARCZYK, 1996, apud

    PITANGA, 2004).

    Muito Alto - 5%Alto - 32,5%Moderado - 45%Baixo - 17,5%

    Figura 3 - Proporo de sujeitos classificados quanto relao cintura-quadril.

    Fonte: Dados da Pesquisa

    De acordo com os dados representados na figura 3, verifica-se que

    apenas 17,5% dos avaliados dos apresentaram baixo risco, enquanto que 32,5%

    apresentaram alto risco para o desenvolvimento de desenvolverem doenas

    cardiovasculares.

    Bezerra Filha (2004), avaliando policiais militares que trabalham no

    servio de radiopatrulhamento do 5 Batalho de Joo Pessoa, verificou que o grupo

    apresentou valores mdios de 0,90 para a relao cintura-quadril, o que demonstra

    nveis compatveis com o da pesquisa realizada.

    Segundo ACSM (2003), ao se comparar indivduos igualmente gordos,

    aqueles que apresentam uma maior quantidade de gordura na regio abdominal

    correm um maior risco para o desenvolvimento de problemas relacionados sade

    como morte prematura, hipertenso, diabetes tipo II e coronariopatia.

    Para a OMS, o aumento da deposio de gordura abdominal na

    populao pode fornecer um indicador sensvel dos problemas de sade pblica

    relacionados com o sobrepeso e suas conseqncias (WHO, 1995), sendo o padro

  • 41

    de distribuio da gordura corporal reconhecido como um prognosticador importante

    dos riscos da obesidade para a sade (ACSM, 2003).

    Em relao presso arterial, foi verificado que o grupo apresentou

    valores mdios considerados normais para a sade, que de at 13:09 mmHg,

    conforme III Consenso de Hipertenso Arterial SBC.

    Normal- 62,5%

    Normal Limtrofe- 22,5%

    Hipertenso Leve- 12,5%

    Hipertenso Moderada- 2,5%

    Hipertenso Grave- 0%

    Hipertenso Sistlica- 0%

    Figura 4 - Proporo de sujeitos classificados quanto presso arterial.

    Fonte: Dados da Pesquisa

    De acordo com os dados representados na figura 4, verifica-se que 62,5%

    dos avaliados dos apresentaram uma presso arterial normal, enquanto que 12,5%

    apresentaram uma hipertenso arterial leve.

    Conforme apresentado nesse estudo, 45% da tropa avaliada

    apresentaram sobrepeso, o que poderia influenciar a presso arterial de uma parte

    dos avaliados, j que a associao do excesso de peso e sua distribuio podem

    estar vinculadas ao desenvolvimento da hipertenso e outras doenas (MCARDLE,

    1992).

    Nesse sentido, Brum, P.C. et al. (2004), em seus estudos, demonstraram

    que a perda de peso corporal leva diminuio dos nveis plasmticos de leptina e

    insulina, diminuio da atividade nervosa simptica e queda na presso arterial.

    Ao comparar os valores mdios da resistncia muscular localizada

    abdominal apresentado pelo grupo, verificou-se que o grupo apresentou valores

    acima da mdia que de 35 a 39 rep/min (PITANGA, 2004).

  • 42

    Excelente - 58,33%Bom - 19,44%Mdio - 16,66%Regular - 5,55%Fraco - 0%

    Figura 5 - Proporo de sujeitos classificados quanto resistncia muscular localizada

    abdominal

    Fonte: Dados da Pesquisa

    Ao analisar a figura 5, foi verificado que 58,33% apresentaram nveis

    excelentes quanto resistncia muscular localizada abdominal, enquanto apenas

    5,55% apresentaram nveis regulares.

    No entanto, um estudo desenvolvido por Oliveira (2002) constatou que os

    valores mdios obtidos por militares do peloto de choque de Joo Pessoa ficaram

    abaixo da mdia.

    J um estudo realizado por Bezerra Filha (2004) com policiais militares

    que trabalham no servio de radiopatrulhamento do 5 Batalho de Joo Pessoa,

    constatou que o grupo apresentou valores mdios considerados satisfatrios no

    teste abdominal.

    Gonalves (2006) tambm obteve resultados positivos avaliando policiais

    da Companhia Especial de Choque do Estado de Rondnia, onde constatou que a

    maioria de seus integrantes estava na classificao mdia e acima da mdia para a

    fora abdominal, o que demonstra nveis compatveis com o da pesquisa realizada.

    A fraqueza dos msculos abdominais tem sido associada ao desequilbrio

    postural, dficit de amplitude de movimento do quadril, dor na coluna lombar, e

    leses nessa regio (PATE, 1983). No entanto ndices positivos de fora abdominal

    levam o sujeito a uma qualidade de vida superior, pois as atividades com uma maior

    demanda da regio abdominal sero facilmente desempenhas, e conseqentemente

    menos sentidas pela coluna lombar.

  • 43

    Em relao flexibilidade, constatou-se neste estudo que o grupo

    apresentou valores considerados abaixo da mdia que de 28 a 32 para os homens

    (ACSM, 2003).

    Muito Fraco - 31,57%

    Fraco - 23,68%

    Regular - 10,52%

    Alta - 10,52%

    Muito Alta - 23,68%

    Figura 6 - Proporo de sujeitos classificados quanto ao nvel de flexibilidade

    Fonte: Dados da Pesquisa

    Conforme os dados descritos na figura 6, possvel verificar que 31,57%

    dos avaliados apresentaram nveis muito fraco de flexibilidade, enquanto 23,68%

    apresentaram nveis muito altos de flexibilidade.

    Bezerra Filha (2004), avaliando policiais militares que trabalham no

    servio de radiopatrulhamento do 5 Batalho de Joo Pessoa, constatou que o

    grupo apresentou valores mdios de flexibilidade abaixo do que tem sido encontrado

    na literatura, com 67% do grupo apresentando baixos nveis e apenas 33%

    apresentaram nveis satisfatrios.

    Gonalves (2006), verificando o nvel de flexibilidade de policiais militares da Companhia de Operaes Especiais (COE) do Estado de Rondnia, tambm

    constatou que a maioria do grupo avaliado encontra-se na classificao abaixo da

    mdia. possvel que em decorrncia da prpria atividade policial, onde o militar,

    durante o seu patrulhamento, passa vrias horas sentado dentro de uma viatura,

    aliado a baixos nveis de atividade de alongamento, possa contribuir para os baixos

    nveis de flexibilidade encontrados em estudos com esse tipo de populao.

  • 44

    Baixos nveis de flexibilidade dos msculos posteriores da coxa podem

    trazer diversos malefcios para a sade do indivduo, pois h uma diminuio da

    amplitude de movimento do quadril, limitando as atividades, aumenta a sobrecarga

    da coluna lombar e at mesmo torcica, podendo provocar dor nessas regies e

    leso.

    Quanto capacidade cardiorrespiratria, foi verificado que o grupo

    apresentou valores mdios satisfatrios, conforme prev a literatura, que considera

    bons nveis valores de 39 a 48ml (Kg.min) (PITANGA, 2004).

    Muito Fraco - 0%Fraco - 8,33%Regular - 52,77%Boa - 27,77%Excelente - 11,11%

    Figura 7- Proporo de sujeitos classificados quanto ao nvel de capacidade

    cardiorrespiratria.

    Fonte: Dados da Pesquisa

    Baseando-se nos dados apresentados na Figura 7, verifica-se que

    52,77% dos avaliados apresentaram nveis regulares de VO2max, enquanto 8,33%

    apresentaram nveis fraco de resistncia cardiorrespiratria.

    Um estudo realizado por Gonalves (2006) mostrou que policiais militares

    da Companhia de Operaes Especiais (COE) do Estado de Rondnia estavam com

    um bom condicionamento aerbico.

    No entanto, Bezerra Filha (2004), verificou que policiais militares do 5

    Batalho de Joo Pessoa apresentaram valores mdios de VO2max abaixo da

    mdia, sendo que 45% dos avaliados apresentaram nveis satisfatrios, enquanto

    que 55% apresentaram nveis baixos.

  • 45

    Outro estudo realizado por Oliveira (2002) mostrou que 44% dos

    avaliados (policiais militares da companhia de choque de Joo Pessoa),

    apresentaram nveis insuficientes de resistncia cardiorrespiratria.

    Indivduos que apresentam bons nveis de resistncia cardiorrespiratria,

    VO2max, apresentam algumas alteraes que influenciam positivamente como:

    menor sobrecarga do corao durante o exerccio, aumento da capacidade

    oxidativa dos msculos, aumento do volume sistlico de ejeo, menor freqncia

    cardaca durante o exerccio e no repouso, melhora do retorno venoso, reduo da

    presso arterial sistlica e diastlica, melhora do transporte de oxignio para os

    msculos, melhora da capacidade de oxidao de gorduras (MCARDLE, KATCH E

    KATC, 2003), conseqentemente, melhora a capacidade de realizar as tarefas

    cotidianas, diminui significativamente o risco de infarto do miocrdio e de morte

    precoce por doenas cardiovasculares.

  • 46

    5. CONCLUSO Levando em conta os objetivos especficos deste estudo, podemos fazer

    as consideraes finais, aps analisar os resultados obtidos.

    Com relao ao ndice de massa corporal, podemos classificar o grupo

    com sobrepeso, pois apresentou valores mdios considerados elevados.

    O percentual de gordura corporal apresentado pelo grupo demonstra que

    35% esto moderadamente obesos e 25% esto excessivamente obesos,

    demonstrando nveis insatisfatrios para a literatura especfica.

    Em relao ao ndice cintura-quadril, o grupo apresentou valores mdios

    considerados satisfatrios para a sade.

    No que se referem presso arterial, os nveis mdios apresentados pelo

    grupo foram considerados normais.

    Nas variveis de resistncia muscular localizada, 58,33% demonstrou

    nveis excelentes, enquanto 0% demonstrou nveis fracos.

    Quanto flexibilidade, foi verificado que a maioria encontra-se na

    classificao abaixo da mdia.

    Na capacidade cardiorrespiratria, o grupo demonstrou apresentar nveis

    mdios satisfatrios em relao ao que prev a literatura.

    Diante das observaes feitas neste estudo, pode-se concluir que os

    militares pertencentes a 17 Companhia do 34 Batalho de Policia Militar de Minas

    Gerais, necessitam de um programa de atividade fsica mais estruturada, que

    possibilite a pratica regular de atividades, visando recuperao a manuteno e a

    melhoria de todos os componentes da aptido fsica relacionados sade, o que

    trar benefcios tanto para a sade quanto para o desempenho da atividade policial.

  • 47

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS AAHPERD, American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance. Physical best. Reston, Virginia, 1988. ACHOUR JR, A. Bases para o exerccios de alongamento relacionado com a sade e no desempenho atltico. Londrina, PR: Midiograf, 1996.

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