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Nádia João Estante Universidade Politécnica Maputo, 2009 HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO: Estudo de Caso sobre Conhecimentos, Atitudes e Práticas (CAP) em relação ao HIV/SIDA no Hotel Southern Sun de Maputo

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO · Nádia João Estante Universidade Politécnica Maputo, 2009 HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO: Estudo de Caso

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Ndia Joo Estante

Universidade Politcnica Maputo, 2009

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO: Estudo de Caso sobre Conhecimentos, Atitudes e Prticas (CAP) em relao ao HIV/SIDA no Hotel Southern Sun de Maputo

Ndia Joo Estante

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO

TURISMO: Estudo de Caso sobre Conhecimentos, Atitudes e

Prticas em relao ao HIV/SIDA no Hotel Southern Sun Maputo

Monografia apresentada Escola Superior de

Gesto, Cincias e Tecnologias da Universidade

Politcnica, como parte dos requisitos para a

obteno do grau de Licenciada em Turismo e

Gesto de Empresas Tursticas.

Tutora: Dra. Andrea Folgado Serra

MAPUTO

2009

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

iii

Parecer do tutor:

Eu, Andrea Folgado Serra, Tutora da Monografia de Licenciatura da estudante Ndia

Joo Estante, intitulada HIV/SIDA no Local de Trabalho no Sector do Turismo:

Estudo de Caso sobre Conhecimentos, Atitudes e Prticas em relao ao HIV/SIDA

no Hotel Southern Sun Maputo, outorgo mesma a minha apreciao favorvel.

Por estes motivos, considero o presente trabalho de Licenciatura da candidata, apto

para ser submetido avaliao e defesa pblica perante o Jri nomeado para o efeito.

Maputo, 10 de Agosto de 2009

________________________

Andrea Folgado Serra

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

iv

Declarao de Autoria

Eu, Ndia Joo Estante, declaro por minha honra, que este trabalho nunca foi

apresentado, na sua essncia para a obteno de qualquer grau acadmico, e que ele

constitui o resultado da minha investigao, estando indicadas no texto e na

bibliografia, as fontes por mim utilizadas para o efeito.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

v

Em memria ao trabalhador do Hotel Southern

Sun Maputo, Alexandre Jos Cossa, que faleceu

vtima da Sida. Que Deus lhe d um eterno

descanso.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

vi

O HIV/SIDA tornou-se numa terrvel ameaa para o mundo do trabalho: atinge o

segmento mais produtivo da mo-de-obra, reduz os seus lucros, aumenta

consideravelmente as despesas das empresas de todos os sectores de actividade

porque reduz a produo, aumenta os custos do trabalho, conduz a uma perda de

competncias e de experincia. Representa, por outro lado, uma ameaa para os

direitos fundamentais no trabalho, nomeadamente com a discriminao e a

estigmatizaro de que so vtimas os trabalhadores e as pessoas que vivem com o

HIV/SIDA ou que por ele so afectadas.

Organizao Internacional do Trabalho (2001)

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

vii

AGRADECIMENTOS

A realizao deste trabalho simboliza um perodo de grande esforo e empenho no

intuito de aprimorar os meus conhecimentos. Contudo, apenas pude concluir a minha

caminhada, pois obtive o apoio, a compreenso e a colaborao de diversas pessoas

especiais.

Agradeo primeiramente a Deus por abenoar-me, dar-me foras e proteger-me a cada

minuto da minha vida. Em seguida, presto o meu agradecimento minha me, Sra.

Felezelina Massingue, pois s foi possvel a realizao deste trabalho graas melhor

educao, para ela vai o meu agradecimento por tudo que sempre me transmitiu.

O meu agradecimento estende-se tambm minha tutora, Mestre Andrea Folgado

Serra, por compartilhar comigo o seu conhecimento. Seu auxlio, pacincia e ateno

foram elementos fundamentais para a concluso deste trabalho.

Impossvel de esquecer do meu marido Dinis, que durante longas horas discutiu

comigo assuntos relevantes para este trabalho. Seus conselhos e percepes em muito

me ajudaram a organizar as minhas ideias. Sua pacincia e carinho para comigo foram

a fonte de energia e de motivao para que este trabalho pudesse ser concludo. A ele

deixo aqui o meu especial agradecimento.

No poderia de deixar de agradecer aos funcionrios do Hotel Souther Sun, em

destaque Sra. Anastcia Mucavele, pela abertura e sugestes que muito serviram

para a recolha de informao.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

viii

Agradeo, ao Ricardo Xavier que sempre esteve disposto para qualquer que fosse a

necessidade relacionada ao trabalho.

De forma especial, agradeo a todos os meus docentes do primeiro ao quarto ano que

tiveram a dura misso de transmitir os seus conhecimentos para que eu pudesse

desenvolver-me intelectualmente.

Por fim, agradecer a todos os meus colegas de grupo, os famosos Guis foram e so

todos to importantes para o meu crescimento pessoal, em especial ao Marino, ris

Vanessa e ao Vasco Manhia.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

ix

RESUMO

Este trabalho de investigao cientfica, teve como objectivo analisar o HIV/SIDA no

local de trabalho, tomando o Hotel Southern Sun Maputo como estudo de caso. O

estudo visou identificar e analisar o nvel de conhecimentos, atitudes e prticas em

relao ao HIV/SIDA junto ao universo de trabalhadores do referido Hotel atravs de

uma abordagem quantitativa e pesquisa do tipo exploratria e descritiva. Por outro

lado, o estudo prope algumas medidas que a direco podia tomar em considerao

na fase de implementao da sua poltica do HIV/SIDA no local de trabalho. Os

resultados do estudo mostram que todos os trabalhadores do hotel tm um nvel

considervel de conhecimentos sobre o HIV/SIDA, uma parte notvel tm atitudes

discriminatrias a pessoas vivendo com HIV/SIDA, quase todos praticam sexo

desprotegido e tm parceiros mltiplos e concorrentes independentemente do seu sexo,

idade, estado civil, nvel acadmico e cargo que ocupam na organizao. Por outro

lado, o estudo revelou que, em relao ao uso do preservativo, nem sempre a deciso

tomada de forma conjunta. Na implementao da poltica do HIV/SIDA no local de

trabalho em desenvolvimento at altura da realizao deste estudo, prope-se o

seguinte: Para a reduo do estigma e discriminao contra os trabalhadores vivendo

com o HIV, a aco deve incidir mais sobre os que discriminam, tm poder e no

esto infectados, pois estes que podem evitar a discriminao, encorajar os

trabalhadores a manterem a sua atitude solidria para com os seus colegas vivendo

com o HIV, e incluir tanto os trabalhadores como os cnjuges na educao e

sensibilizao. Por outro lado, para a reduo do risco de infeco pelo vrus causador

do SIDA, as aces de sensibilizao e educao devem incidir na mudana de

comportamento, particularmente na reduo do nmero de parceiros sexuais e uso

consistente do preservativo no seio de todos os trabalhadores da instituio, incluindo

os seus parceiros sexuais regulares.

Palavras-chave: Estudo CAP, HIV/SIDA, Local de Trabalho, Comportamentos de

Risco, Hotel Southern Sun, Maputo

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

x

LISTA DE QUADROS

Quadro 1. Desafios para o Desenvolvimento do Turismo em Moambique ........................................ 38

Quadro 2. Anlise SWOT do Turismo em Moambique ................................................................... 39

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

xi

LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Fluxo Turstico Receptivo Internacional (2000 2005) em milhes .................................... 20

Tabela 2. Indicador de Referncia por Motivo de Visita .................................................................... 23

Tabela 3. Receitas do Turismo Internacional em Moambique ........................................................... 23

Tabela 4. Total de Dormidas (nacionais+estrangeiros) ...................................................................... 24

Tabela 5. Taxa de Ocupao (%) ....................................................................................................... 24

Tabela 6. Receitas nos Estabelecimentos Hoteleiros e Similares (MT)................................................ 25

Tabela 7. Receitas nos Estabelecimentos Hoteleiros por Categoria ..................................................... 26

Tabela 8. Volume de Investimentos em Projectos de Turismo ............................................................ 26

Tabela 9. Contribuio do Turismo para o PIB .................................................................................. 27

Tabela 10. Estatsticas Mundias sobre o HIV em 2007 ...................................................................... 29

Tabela 11. Taxas Estimadas de Prevalncia do HIV em Adultos (15-49 anos) por Provncia, Regio e

Nacional em Moambique 2007 ................................................................................................ 31

Tabela 12. Reanlises das Taxas Histricas de HIV (Regionais e Nacionais) ...................................... 31

Tabela 13. Reanlises das Taxas Histricas de HIV (Provinciais) ....................................................... 32

Tabela 14. Existncia de Poltica de combate ao HIV/SIDA em oito empresas Moambicanas ........... 44

Tabela 15. Opinio de trabalhadores de oito empresas sediadas em Moambique sobre a Poltica de

HIV-SIDA ................................................................................................................................ 45

Tabela 16. reas de cobertura do programa na opinio de gestores e de trabalhadores ........................ 47

Tabela 17. Servios Oferecidos pelo Hotel Southern Sun Maputo ...................................................... 56

Tabela 18. Indicadores e Sub-indicadores da Pesquisa ....................................................................... 61

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

xii

LISTA DE GRFICOS

Grfico 1. Evoluo do HIV a nvel Mundial (1990-2007) ................................................................ 30

Grfico 2. Tendncia da Prevalncia do HIV a nvel nacional ............................................................ 33

Grfico 3. Tendncia da Prevalncia do HIV a nvel regional ............................................................. 33

Grfico 4. Distribuio dos participantes por Sexo ............................................................................. 57

Grfico 5. Distribuio dos participantes por Faixa Etria .................................................................. 58

Grfico 6. Distribuio dos participantes por Estado Civil ................................................................. 58

Grfico 7. Distribuio dos participantes por Nvel de Formao ....................................................... 59

Grfico 8. Distribuio dos participantes por Cargo ........................................................................... 60

Grfico 9. Atitudes de Estigma e Discriminao a PVHS segundo o Sexo .......................................... 73

Grfico 10. Atitudes de Estigma e Discriminao a PVHS segundo o Cargo ...................................... 74

Grfico 11. Comportamento Sexual de Risco dos Trabalhadores segundo o Sexo .............................. 75

Grfico 12. Comportamento Sexual de Risco dos Trabalhadores segundo a Idade .............................. 77

Grfico 13. Comportamento Sexual de Risco dos Trabalhadores segundo Estado Civil ...................... 78

Grfico 14. Comportamento Sexual de Risco dos Trabalhadores segundo o Nvel Acadmico ............ 79

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

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LISTA DE ABREVIATURAS

ACP Trabalhadores que no aceitam acolher em sua casa e cuidar dum parente vivendo

com o HIV

AED Academia para o Desenvolvimento Educacional

BAT British American Tabaco

BM Banco de Moambique

CAP Conhecimentos, Atitudes e Prticas

DINATUR Direco Nacional do Turismo

DTS Doena de Transmisso Sexual

ECOSIDA Associao de Empresrios contra a Sida

FDC Fundao para o Desenvolvimento da Comunidade

CPI Centro de Promoo e Investimentos

ILO International Labor Organization

INE Instituto Nacional de Estatstica

HIV Vrus de Imunodeficincia Humana

OIT Organizao Internacional do Trabalho

OMS Organizao Mundial da Sade

OMT Organizao Mundial do Turismo

ONUSIDA Programa das Naes Unidas para a SIDA

PIB Produto Interno Bruto

PNCS Programa Nacional de Controlo do SIDA

PVHS Pessoas Vivendo com o HIV

PRP Trabalhadores que no aceitam partilhar uma refeio com uma pessoa vivendo com

o HIV

RETOSA Organizao Regional de Turismo da frica Austral

SADC Comunidade para o Desenvolvimento da frica Austral

SIDA Sindroma de Imunodeficincia Adquirida

SPSS Statistical Package for Social Sciences

TSCT Trabalhadores que no aceitam que um trabalhador manifestando sintomas de

HIV/SIDA continue a trabalhar

UIP Uso Inconsistente do Preservativo

UNAIDS United States Agency for Internacional Development

WTTC Conselho Mundial de Viagens e Turismo

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

xiv

SUMRIO

1 INTRODUO................................................................................................. 1

1.1 ENQUADRAMENTO ....................................................................................... 1 1.2 PROBLEMA DE INVESTIGAO ...................................................................... 2

1.3 JUSTIFICATIVA ............................................................................................. 6 1.4 OBJECTIVOS ................................................................................................. 8

1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO .......................................................................... 9

2 FUNDAMENTAO TERICA .................................................................. 11

2.1 O TURISMO NO MUNDO E EM MOAMBIQUE ............................................... 11 2.2 HIV/SIDA NO MUNDO E EM MOAMBIQUE ................................................ 27

2.2.1 Evoluo do HIV/SIDA .......................................................................... 27 2.2.2 Estimativas do HIV/SIDA a Nvel Global............................................... 28

2.2.3 Situao actual da Epidemia em Moambique ....................................... 30 2.2.4 Impacto do HIV/SIDA............................................................................ 34

2.2.5 Legislao sobre o HIV/SIDA nas organizaes .................................... 40 2.2.6 Estratgias de Resposta ao HIV/SIDA nas Organizaes....................... 42

3 METODOLOGIA ........................................................................................... 51

3.1 DESENHO DA PESQUISA .............................................................................. 51

3.2 TCNICAS DA PESQUISA ............................................................................. 53 3.3 POPULAO ............................................................................................... 55

3.4 INSTRUMENTO DE PESQUISA ....................................................................... 60 3.5 PROCEDIMENTOS........................................................................................ 62

4 APRESENTAO E DISCUSSO DOS RESULTADOS ........................... 64

4.1 APRESENTAO DOS RESULTADOS ............................................................. 64

4.2 DISCUSSO DOS RESULTADOS .................................................................... 80

5 CONCLUSES E RECOMENDAES ...................................................... 83

5.1 CONCLUSES ............................................................................................. 83 5.2 RECOMENDAES ...................................................................................... 84

REFERNCIAS ..................................................................................................... 86

ANEXOS ................................................................................................................. 90

ANEXO 1: INSTRUMENTO DE PESQUISA ................................................................... 90

ANEXO 2: TABELAS DE ANLISE ESTATSTICA ....................................................... 93

1 INTRODUO

1.1 Enquadramento

O SIDA uma questo moral; uma questo empresarial s que todos ns devemos tomar nos

nossos locais de trabalho... quanto mais cedo tornaremos acessveis os nossos recursos para

lutar contra ela, melhor ser para as empresas de amanh1.

O HIV/SIDA afecta particularmente as faixas etrias mais produtivas (15-49 anos de idade)2,

onde a epidemia mais grave. Afecta tambm a economia nacional, a produtividade e a

produo, incluindo a segurana alimentar dos agregados familiares das comunidades.

Nove em cada dez pessoas vivem com HIV/SIDA e so adultos que se encontram na fase mais

produtiva das suas vidas. A fora de trabalho mundial j perdeu 28 milhes de pessoas por

causa do SIDA, um nmero que pode crescer substancialmente se no houver uma resposta

mais forte de todos os sectores da sociedade. (OIT, 2006; ONUSIDA e Empresas, 2007)

Segundo a ONUSIDA e Empresas (2007) a epidemia reduz a disponibilidade da mo-de-obra,

especialmente a especializada, aumenta os custos de operao, reduz a produtividade,

desacelera o crescimento econmico, ameaa vidas de trabalhadores e empregadores e pe em

perigo os direitos humanos.

Simultaneamente, o local de trabalho um dos locais mais importantes e mais efectivos para

responder epidemia, mesmo em pases onde a prevalncia do HIV/SIDA baixa. Duas em

cada trs pessoas vivendo com o HIV/SIDA deslocam-se diariamente ao seu local de trabalho,

fazendo com que o seu local de trabalho, seja ideal para a promoo da preveno do HIV,

tratamento, assistncia e apoio. A capacidade nica do local de trabalho juntar indivduos que

1 Olusina Falana, Secretrio Executivo da Coligao Empresarial da Nigria Contra a SIDA 2 Instituto Nacional de Estatstica (INE), Ronda 2007.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

2

se encontram nos grupos etrios de maior risco, constitui uma situao inigualvel para a

consciencializao, educao, acesso ao tratamento e promoo da no discriminao contra

pessoas vivendo ou em risco de adquirir o vrus. (ONUSIDA e Empresas, 2007)

A demonstrao visvel de liderana do HIV/SIDA pelas empresas, pode influenciar o

comportamento do trabalhador e do cliente, e desta forma, ajudar a conter o estigma e a

discriminao relacionada com a epidemia. Polticas de trabalho bem informadas sobre a

doena, tais como, as que asseguram prticas de no discriminao e acesso equitativo aos

benefcios legais, mdicos, de invalidez entre outros servios; podem ter um impacto

significativo no processo da epidemia na comunidade, a nvel nacional e regional. Da fazer

parte duma resposta efectiva contra o HIV/SIDA no local de trabalho gera boa vontade e

demonstra o empenho das empresas para com uma forte cidadania institucional e o bem-estar

dos seus trabalhadores. (ONUSIDA e Empresas, 2007)

1.2 Problema de Investigao

H 25 anos desde que a Sindroma da Imunodeficincia Adquirida (SIDA) surgiu como a maior

emergncia de sade, a epidemia tem tido um srio efeito devastador no desenvolvimento

humano. Em muitos pases a epidemia tem minado o progresso nos objectivos do

desenvolvimento do milnio, particularmente, em reas como reduo da pobreza, promoo

da igualdade de gnero, reduo da mortalidade infantil e aumento da qualidade de vida das

mes. (UNAIDS, 2006)

De acordo com o relatrio da UNAIDS (1999), o vrus da Imunodeficincia Humana (HIV)

continua a disseminar-se por todo o mundo, atingindo comunidades que eram pouco

vulnerveis a epidemia, e a sua virulncia est a aumentar em reas nas quais a SIDA j a

principal causa de morte em adultos (15-49 anos de idade).

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

3

No existem explicaes simples para o facto de alguns pases serem mais afectados pelo vrus

HIV. Supe-se que a pobreza, o analfabetismo, o comportamento de risco so alguns factores

importantes para a epidemia. (UNAIDS, 1999)

O HIV repercute-se directamente nas empresas, ao atingir a sua fora de trabalho. Os elevados

custos da SIDA no mundo do trabalho: perda de produtividade, contratao e formao de

novos empregados, prmios de seguros e assistncia mdica mais caros reforam a

argumentao a favor do investimento em programas de preveno do HIV para homens e

mulheres no seu local de trabalho. (ONUSIDA, 2000)

O HIV/SIDA est concentrado entre adultos em idade produtiva: estima-se que dos 40 milhes

de pessoas que actualmente vivem com o HIV, 80% so adultos, e pelo menos, 26 milhes so

trabalhadores com idade entre 15-49 anos de idade. (OIT, 2003)

O estabelecimento de um programa e de uma poltica relativa ao HIV/SIDA no local de

trabalho uma soluo eficiente e reduzir o alastramento e o impacto futuro da doena.

(ONUSIDA, 1998)

Segundo um estudo da capacidade de resposta das empresas SIDA (Frum Econmico

Mundial, 2005-2006) aproximadamente 11 mil lderes de empresas em 117 pases revela que

poucas empresas se tem esforado em responder ao HIV/SIDA no local de trabalho, apesar do

impacto que este tem sobre as suas actividades.

Enquanto que a preocupao [sbida dos ndices do HIV/SIDA e seu impacto sobre as

actividades das empresas] continua a crescer, muitas empresas ainda no tomaram medidas

apropriadas para fazer face a esta situao. Menos de 10% de empresas afirmaram ter

realizado uma avaliao quantitativa de risco de HIV/SIDA, e menos de uma em cada cinco

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

4

empresas desenvolveram polticas que lidam com questes de discriminao na promoo,

pagamento ou benefcios sociais sobre o estado de HIV/SIDA. (ONUSIDA e Empresas, 2007)

O agravamento da pobreza absoluta e das condies de sade da populao torna-se uma

questo mundial que afecta directamente o sector empresarial. Na frica Subsahariana,

particularmente na frica Austral de que Moambique parte, o HIV/SIDA tornou-se uma

epidemia que desafia no s o desenvolvimento econmico e social do pas como tambm gera

repercusses na produtividade e nos custos com os trabalhadores, pois, medida que a

epidemia do HIV/SIDA progride, maiores so os problemas que as organizaes enfrentam

com a mo-de-obra devido ao absentismo, s faltas por doena, degradao da sade do

pessoal e reforma antecipada. Esta situao resulta na baixa produtividade e fraca qualidade

de mo-de-obra.

As empresas so cada vez mais chamadas a encontrar respostas responsveis e eficazes para

lidarem com o crescente ndice de seroprevalncia na populao no geral e nos seus

trabalhadores para reduzir o impacto negativo desta epidemia nos seus negcios. (ONUSIDA e

Empresas, 2007)

Apesar do desenvolvimento tecnolgico, a mo-de-obra continua sendo o recurso mais

precioso das organizaes. Por isso, a aposta das empresas na motivao da sua mo-de-obra

constitui uma das estratgias chave para um bom desempenho, proviso de servios de

qualidade e aumento da produtividade.

Actualmente, o sector do turismo em Moambique apresenta-se em franco desenvolvimentoe

continuar a s-lo nos prximos anos. (MITUR, 2004) Contudo, este desenvolvimento enfrenta

entre outros, dois grandes desafios: o HIV/SIDA e a integrao regional.

Sem uma fora de trabalho estvel e saudvel que assegure servios padronizados e constantes,

o turismo no registar o desenvolvimento desejado nem poder competir ao nvel dos pases

da regio a despeito da sua localizao estratgica e privilegiada para a prtica do turismo.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

5

Por outro lado, sabe-se que entre os anos 1999/2000, a Associao Empresrios contra a Sida

(EcoSida), vrios actores sociais, e o Conselho Nacional de Combate ao SIDA (CNCS)

desenvolveram um levantamento na linha de base das percepes do HIV/SIDA junto de 1000

empresas sediadas em Moambique. Conforme indica a ILO (2003), do total das 1000

empresas contactadas apenas 64 responderam ao referido estudo, tendo o mesmo concludo

que:

Nenhuma das empresas tinha um ponto focal de HIV/SIDA.

Nenhuma das empresas tinha realizado alguma avaliao das questes de HIV/SIDA na

empresa.

Nenhum programa de HIV/SIDA no local de trabalho tinha sido desenvolvido por

alguma empresa respondente.

Nenhuma tinha jamais realizado actividades para promover a conscientizao entre a

fora de trabalho com relao a HIV/SIDA.

Nenhuma tinha algum programa de distribuio de preservativos entre os trabalhadores.

Face aos resultados do estudo acima, e tendo em conta que pouco se sabe sobre as prticas e

polticas de combate ao HIV/SIDA pelas empresas em Moambique, particularmente nos

ltimos anos, dado no existirem dados estatsticos e estudos cientficos a respeito, urge

diagnosticar a situao no interior das empresas, particularmente no sector turstico, com

elevado impacto econmico no pas e, apartir da sustentar, de forma consistente, potenciais

polticas e programas de interveno relativamente ao HIV nas organizaes.

O Hotel Southern Sun, instituio do sector de Turismo objecto do presente estudo est em

processo de desenvolvimento da sua poltica de HIV no Local de Trabalho. Contudo, esta

poltica est a ser desenvolvida, em conjunto com uma estratgia de programas de interveno,

sem qualquer estudo de base junto dos seus trabalhadores que possa sustentar alternativas ou

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

6

opes de se adoptar determinados programas ou ainda aces de reduo da pandemia no seio

da organizao.

Sabe-se que a operacionalizao de qualquer poltica sobre o HIV no Local de Trabalho deve

preceder estudos que possibilitem, entre outros aspectos, diagnosticar conhecimentos, atitudes,

crenas e comportamentos individuais e de grupo no seio dos trabalhadores de uma

organizao. S a partir destes estudos, designados por estudos CAP Conhecimentos,

Atitudes e Prticas, se torna possvel direccionar aces concretas e viveis aos diversos sub-

grupos alvo nas organizaes que sustentem mudanas efectivas de comportamentos em

relao ao HIV/SIDA com impacto na sade dos indivduos, das organizaes, das

comunidades que as circundam e, por ltimo, da sociedade em geral.

precisamente neste contexto que se coloca a seguinte questo que nortear a presente

investigao: que nvel de conhecimentos, atitudes e prticas em relao ao HIV/SIDA

possuem actualmente os trabalhadores do Hotel Southern Sun da cidade de Maputo?

1.3 Justificativa

O HIV/SIDA constitui uma ameaa de grande magnitude para as empresas dos sectores

pblico e privado. Segundo a OIT (2002) algumas empresas sabem que mais de metade dos

seus trabalhadores vivem com HIV. Em Moambique, poucos estudos e dados estatsticos so

realizados e publicados a respeito dos ndices de HIV/SIDA no sector empresarial, embora a

imprensa divulgue, muitas vezes, alguma informao a respeito originando alguma inquietao

e alarme junto da sociedade. Dados sobre o assunto oriundos de empresas do ramo de Hotelaria

e Turismo so escassos no pas, pelo que o presente estudo constitui uma contribuio

importante.

O mundo do trabalho est cada vez mais afectado, pois sofre no apenas com o custo humano

da fora de trabalho, mas tambm com a reduo dos lucros e da produtividade. Isso resulta em

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

7

novos desafios tanto para os empregadores quanto para os trabalhadores. Respostas

construtivas e pr-activas ao HIV/SIDA no local de trabalho podem contribuir para uma

melhoria das relaes de trabalho e para garantir a continuidade da produo (OIT, 2002). A

realizao deste estudo serve tambm este propsito, alertar os empregadores, gestores e

trabalhadores do sector turstico para as consequncias negativas de se olhar a fora de trabalho

como um custo e no um investimento, do ponto de vista estratgico, para garantir uma

qualidade de vida no trabalho sustentvel e, consequentemente, excelncia na qualidade dos

produtos e servios prestados.

De acordo com a reunio Tripartida de Peritos sobre o HIV/SIDA e o mundo do trabalho do

Bureau Internacional do Trabalho (OIT, 2001), de forma a garantir a coerncia dos programas

nacionais de luta contra a SIDA, de avaliar os custos da epidemia nos locais de trabalho,

planificar medidas que visam atenuar o impacto socioeconmico da SIDA, as autoridades

competentes devem encorajar, apoiar, realizar pesquisas e difundir os resultados. O presente

estudo enquadra-se neste contexto, ao procurar trazer ao de cima informao que fomente a

conscincializao de empregadores e tomadores de deciso, sobre a importncia de

diagnosticar o seu constexto organizacional produzindo dados concretos que favoream a

tomada de deciso relativamente a aces e estratgias que visem reduzir o impacto de pessoas

vivendo com o HIV/SIDA no seio das suas organizaes.

Por outro lado, a falta de tomada de medidas adequadas para fazer face prevalncia do

HIV/SIDA, particularmente, no sector empresarial, conforme refere a ONUSIDA e Empresas

(2007) justifica uma anlise das razes que levam as empresas a esta posio ou a procurarem

respostas efectivas no combate ao HIV/SIDA no local de trabalho.

O sector do turismo, particularmente o hoteleiro, tambm se ressente do custo humano da fora

de trabalho, reduo dos lucros e da produtividade resultantes da crescente incapacidade

laboral do trabalhador afectado pelo HIV/SIDA. A este factor, acresce-se o desafio de a gesto

ter que gerir o absentismo dos trabalhadores vivendo com o HIV/SIDA e preservar a imagem

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

8

da instituio junto dos seus clientes, perante trabalhadores que j manifestem sintomas

visveis da doena.

Deste modo, poque o Hotel Sourthen Sun Maputo ainda no tem o conhecimento sobre o

comportamento, atitudes e prticas dos seus trabalhadores em relao ao HIV/SIDA, o presente

estudo torna-se pertinente dado que desde o incio das suas actividades, o Hotel nunca realizou

algum tipo de pesquisa desta natureza, por forma a deliniar estratgias de interveno

apropriadas situao existente.

Espera-se, portanto, que o presente estudo contribua para o Hotel Southern Sun melhor

delinear os aspectos a ter em ateno no que diz respeito finalizao da sua poltica de HIV

no Local de Trabalho e, posteriomente, sua operacionalizao, atravs de programas e aces

que visem responder s necessidades de conhecimentos, a atitudes pouco adequadas e a

prticas de risco relativamente ao HIV/SIDA no seio da sua fora de trabalho.

Finalmente, a relevncia do presente estudo centra-se no facto do mesmo trazer no apenas

informao exploratria e descritiva das diversas variveis em estudo, como tambm, fomentar

alguma anlise cruzada sobre o comportamento de algumas variveis. A referida perspectiva

poder sustentar o levantamento de algumas hipteses que podero ser objecto de futuras

investigaes sobre o tema, particularmente no contexto empresarial do turismo em

Moambique.

1.4 Objectivos

Objectivo Geral

Contribuir para a melhoria de estratgias de resposta ao estigma e discriminao de pessoas

vivendo com HIV/SIDA (PVHS) e comportamentos de risco de infeco pelo HIV nas

empresas tursticas.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

9

Objectivos Especficos

1. Apresentar uma breve reviso da literatura relativamente situao actual do Turismo e

da legislao e prevalncia do HIV/SIDA em Moambique e no Mundo.

2. Explorar, medir e descrever o nvel de conhecimentos, atitudes e comportamentos

relativamente ao HIV/SIDA junto da fora de trabalho do Hotel Southern Sun de

Maputo;

3. Comparar o nvel de conhecimentos, atitudes e comportamentos relativamente ao

HIV/SIDA junto da fora de trabalho do Hotel Souther Sun da cidade de Maputo em

relao s variveis scio-demogrficas: sexo, idade, estado civil, nvel acadmico e

cargo.

4. Sugerir empresa em estudo algumas estratgias de combate ao HIV/SIDA junto da

sua fora de trabalho.

1.5 Estrutura do Trabalho

O presente trabalho, est dividido em 5 captulos. No primeiro captulo faz-se um breve

enquadramento e introduz-se o tema central do presente estudo, contextualizando o problema

de investigao, a justificativa e os objectivos que se pretende alcanar com o mesmo.

No segundo captulo apresenta-se a fundamentao terica, na qual se discute o contexto actual

do sector de turismo em Moambique, a problemtica do HIV/SIDA no Mundo e em

Moambique, a legislao internacional e nacional a respeito da pandemia e o seu impacto a

nvel econmico e se destaca algumas das estratgias e prticas comuns que se tem adoptado

para a reduo da mesma no seio das organizaes.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

10

O terceiro captulo apresenta a metodologia usada para o desenvolvimento do presente estudo

destacando-se o tipo de investigao, as tcnicas adoptadas, a populao alvo e, finalmente, o

instrumento e procedimentos da pesquisa.

No quarto captulo, procede-se apresentao dos resultados do estudo procurando responder

aos principais objectivos do mesmo e faz-se a discusso dos resultados confrontando os dados

do estudo com os apresentados no captulo da fundamentao terica e realando as principais

descobertas e suas implicaes prticas.

Finalmente, no quinto e ltimo captulo, tecem-se as principais concluses da pesquisa em

funo dos objectivos previamente definidos e dos resultados obtidos e deixam-se algumas

sugestes empresa objecto de estudo.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

11

2 FUNDAMENTAO TERICA

2.1 O Turismo no Mundo e em Moambique

A presente seco cumpre apresentar o Turismo no Mundo em Moambique abordando o

turismo como fenmeno econmico, seus efeitos macroeconmicos, sua importncia, impactos

positivos e seu crescimento na economia, ilustrando os indicadores de referncia na rea do

turstica.

Segundo Cunha (1997, p.227), o turismo uma actividade horizontal que influencia e

influenciada pela generalidade das actividades humanas qualquer que seja a sua natureza. Na

maior parte das actividades humanas encontra-se uma relao directa com o turismo, assim

como, uma dependncia mais ou menos profunda com a generalidade das outras actividades.

O turismo um sector econmico em constante crescimento em todo o Mundo. uma

actividade econmica internacional, que em 2001, contribuiu com 4.2% para o Produto Interno

Bruto (PIB) da economia global e empregou 8.2% da populao economicamente activa do

mundo, Plano Estratgico para o Desenvolvimento do Turismo em Moambique (2004-2013).

Portanto, como refora Cunha (1997, p.227), medida que o turismo se desenvolve, torna-se

numa actividade que responde satisfao de necessidades mltiplas de ordem intelectual,

fsica, psicolgica, cultural, social e profissional, mediante o desenvolvimento de novas

actividades e a renovao das actividades existentes.

Assim, o turismo uma actividade multi-sectorial e se relaciona com todos os organismos

produtivos da economia, isto , no um ramo econmico independente, mas sim um ramo

que esta interligado a outros sectores.

O turismo uma indstria que propicia rpido crescimento econmico em ofertas de empregos,

nvel de vida e activao de outros sectores produtivos do pas receptor, Oliveira (2002, p.46).

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

12

A Organizao Mundial de Turismo (OMT), citada por Oliveira (2002, p.46), divulgou que no

ano de 1996, a actividade turstica teve um crescimento de 4,5% no nmero de viagens

internacionais, acima de 3,8% de 1995 em relao a 1994. Quanto entrada de divisas nas

naes, o incremento foi de 7,6% ultrapassando a US$ 423 bilies. Em todo o mundo, cerca de

592 milhes de viajantes deslocaram-se entre os pases em 1995 e 1970, o nmero aumentou

para 257%. Em 2010 o nmero de viajantes ir atingir 1 bilio e para 2020, as estimativas da

OMT apontam para mais de 1,6 bilho de viagens internacionais.

A OMT publicou ainda, que o nmero de empregos no sector de turismo cresa, isto , o

turismo deve criar entre 2,2 milhes e 3,3 milhes de empregos na Europa at o ano de 2010,

com uma taxa de crescimento anual de 1% a 1.5%. Ao mesmo tempo, a indstria contribuiu

com mais de US$ 3,5 trilhes para a receita global. (Oliveira, 2002, p.47)

A OMT prev que as correntes tursticas triplicaro nas prximas dcadas. O nmero de

turistas que, por volta do ano 2020, se deslocaro de pas a pas, ser de 1,6 bilho, com gastos

que somaro mais de US$ 2 trilhes ou US$ 5 bilhes por dia. Espera-se tambm que o

nmero de empregos cresa proporcionalmente. (Oliveira, 2002, p.49).

Neste contexto, a indstria do turismo grande promotora de riquezas e aparece em todo o

mundo, como um dos mais importantes segmentos geradores de empregos e postos de trabalho.

(Steinbruchi, 1988) No entanto, necessrio adoptar mecanismos para gerir o mercado de

trabalho, seus obstculos que bloqueiem a criao de empregos e tambm de melhorar as

informaes disponveis sobre a localizao e as oportunidades de empregos existentes,

Oliveira (2002, p.49).

Em todo o mundo, o turismo um sector que revela uma crescente importncia econmica.

(MITUR, 2003) Em 2007 o nmero de turistas que visitou Moambique cresceu 21% em

relao ao ano anterior, permitindo ao pas arrecadar receitas de 103, 4 milhes de euros. No

mesmo ano, entraram em Moambique 1 259 000 turistas3.

3 Disponvel em (31/01/2009 ) em: www.notciaslusofonas.com/view.php

http://www.notciaslusofonas.com/view.php

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

13

De acordo com a Poltica do Turismo e Estratgia da sua Implementao, o turismo um dos

sectores que pode trazer crescimento e emprego e nele esto associados vrios benefcios

directos:

Rendimento o acto de satisfazer um turista implica a compra de uma variedade de bens e

servios que podem ocorrer em diferentes momentos e locais, facto que resulta em uma srie

de rendimentos significativos para uma economia.

Emprego o turismo um sector de trabalho intensivo que integra todos os graus de

habilidade, do mais complexo ao mais simples, envolvendo todas as camadas sociais. Dada

a sua caracterstica transversal, estimula o mercado de emprego nos outros sectores da

economia.

Conservao quando gerido de forma adequada, o turismo fortalece a viabilidade

econmica das reas protegidas e reduz a presso sobre o ambiente.

Investimento a intensidade do capital no sector cria uma larga carteira de oportunidade de

investimentos para os sectores pblico e privado.

Infraestruturas o potencial e a dinmica de crescimento do sector turstico aliados aos

benefcios econmicos associados, dita a necessidade de criar e investir em infraestrutuas.

Prestgio o prestgio internacional e, finalmente a conquista de um lugar na lista dos

destinos preferidos tem implicaes comerciais e econmicas positivas.

Criao de pequenos negcios o turismo esta directa e indirectamente ligada a uma

diversidade de sectores da economia e, por isso, cria oportunidades para pequenos negcios.

Ao mesmo tempo, para alm dos benefcios anteriormente mencionados pertinente destacar

alguns dos efeitos macro-econmicos do Turismo. Por exemplo, em mbito nacional, o turismo

provoca a transferncia de recursos financeiros, produzidos numa regio de um pas para outras

do mesmo pas, por meio da movimentao de turistas nacionais viajando internamente.

Quanto perspectiva internacional, o turismo considerado como uma exportao invisvel de

bens e servios. O efeito econmico obtido o mesmo das exportaes, resultando no ingresso

de moeda no pas receptor. (Oliveira, 2002, p.61)

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

14

Por outro lado, a actividade que, segundo Oliveira (2002, p.61), oferece mais emprego do que

qualquer outra actividade econmica em todo o mundo. Segundo a WTTC (Conselho Mundial

de Viagens e Turismo), so 333 milhes de empregos directos, o que equivale a uma entre

nove pessoas economicamente activas. Entretanto, o turismo traz vantagens como fonte

geradora de empregos, nomeadamente:

Alto grau de impacto em toda a economia;

A facilidade com que promoes e investimentos geram novos empregos;

Diversidade qualitativa nos empregos gerados;

Gerao de primeiros empregos, principalmente para o pblico jovem;

Gerao de empregos sazonais para pessoas com outras ocupaes;

Gerao de empregos em reas com desemprego estrutural, como por exemplo, reas

rurais;

Possibilidade de criar empregos em determinadas regies, tanto por meio de aces

promocionais, assim como, pela construo de infraestruturas e

Predominncia e empregos de micro, pequenos e mdios empreendimentos.

O turismo, tem ta,bm um efeito multiplicador, ou seja, pode repercutir em outros sectores da

actividade econmica, provocando uma verdadeira reaco em cadeia. Actua indirectamente,

gerando renda no s na indstria turstica complementar, mas tambm em quase todos os

outros sectores econmicos. Seu reflexo se faz sentir na construo civil, na indstria

alimentar, na produo de mveis e utenslios domsticos, nos servios de profissionais liberais

e no movimento bancrio. (Oliveira, 2002, p.65).

Deste modo, o sector turstico beneficia tambm, aos outros sectores, nomeadamente, ao sector

pblico que afectado pela realizao de obras no incremento do comrcio em geral, ligado

especialmente aos produtos tpicos de artesanato e suvenires, toda a rede de indstrias e

servios relacionados ao transporte tais como, os postos de gasolina, oficinas mecnicas e

actividades vinculadas aos veculos automotores. (Oliveira, 2002, p.65).

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

15

A Organizao Mundial de turismo (OMT, 1998), define o turismo como o conjunto dos

resultados de carcter econmico, financeiro, poltico, social e cultural produzidos numa

localidade, decorrentes do relacionamento entre os visitantes com os locais visitados durante a

presena temporria de pessoas que se deslocam de seu local habitual de residncia para

outros, de forma espontnea e sem fins lucrativos.

De facto, o turismo produz efeitos econmicos globais entendendo-se como tais, a incidncia

que provoca sobre os objectivos gerais da poltica econmica, que abrangem o conjunto do

sistema econmico, sendo, ao mesmo tempo, objectivos do prprio turismo, Cunha (1997,

p.239). Isto significa que, o turismo provoca efeitos econmicos que incidem sobre a poltica

econmica de qualquer pas, alcanando em simultneo com os objectivos do prprio turismo.

Assim, possvel distinguir cinco efeitos nomeadamente, os efeitos directos e indirectos,

efeitos induzidos, efeitos resultantes dos investimentos tursticos e efeitos sobre o

desenvolvimento regional.

Efeitos Directos

Por efeitos directos entendem-se as incidncias exercidas pelo consumo turstico sobre as

actividades tursticas e sobre as actividades fornecedoras dos bens e servios consumidos pelos

turistas, e que constituem em primeiro ciclo as transaces, Cunha (1997, p.239).

Por exemplo, o aumento das despesas tursticas d origem a criao de empregos (emprego

directo) pelo aumento da capacidade turstica nos estabelecimentos de alojamento, restaurao

ou de outros servios. Por outras palavras, os efeitos directos resultam das despesas tursticas

pelo aumento da capacidade produtiva do turismo, nos estabelecimentos de alojamento,

restaurao, etc.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

16

Efeitos Indirectos

Por efeitos indirectos consideram-se as incidncias sobre os sectores produtivos fornecedores

de bens e servios s actividades que permitem satisfazer directamente os consumos tursticos

e estas incidncias constituem o segundo ciclo de transaces, Cunha (1997, p.239).

Ou seja, os efeitos indirectos resultam do aumento da capacidade produtiva que arrasta a

expanso de outras actividades gerando empregos indirectos que fornecem bens e servios. A

produo mobiliria, a produo de alimentos, equipamentos industriais, a maquinaria, a

cermica, a agricultura, a electricidade, o gs, txteis, entre outros, so alguns exemplos destes.

Efeitos Induzidos

So os efeitos induzidos que correspondem ao emprego gerado pala produo activada pela

procura para o consumo dos receptores do valor acrescentado, gerado pela produo de bens e

servios tursticos. Esta produo gera um rendimento para os respectivos produtores que, com

ele, adquirem outros bens, activando uma produo distinta da que se destina os consumidores

tursticos, daqui derivando efeitos que so induzidos pelo consumo inicial de bens e servios

tursticos. Ou seja, parte dos rendimentos gerados pela produo turstica aplicada pelos

respectivos receptores na procura dos bens e servios, que por sua vez, impulsiona outros

sectores de actividade ao corresponderem ao aumento da procura assim gerada. Assim, a

expanso destes sectores origina novos empregos de forma induzida (empregos induzidos),

Cunha (1997, pp.240, 264).

Efeitos Resultantes dos Investimentos Tursticos

Segundo Cunha (1997, p.262), os investimentos constituem uma varivel estratgica do

desenvolvimento econmico, na medida em que, no h acrscimo da riqueza e do emprego

sem investimentos pblicos ou privados.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

17

Entretanto, em virtude das construes, equipamentos, infraestruturas, meios de transporte,

equipamentos, etc., necessrios produo de bens e servios tursticos que exigem elevados

investimentos, o turismo contribui para elevar a taxa de investimento, ou seja, para aumentar a

formao bruta de capital fixo, Cunha (1997, p.262).

De acordo com Bull (1996) citado por Cunha (1997, p.262), os investimentos no sector

turstico apresentam algumas diferenas em relao aos investimentos realizados noutros

sectores:

Uma boa parte dos investimentos tursticos no so realizados por razes comerciais, mas

antes por razes de carcter social, educativo ou ambiental, como os investimentos em

centros de informao, parques nacionais ou proteco do ambiente.

Frequentemente, os investimentos tursticos so compartilhados com outros sectores,

como no caso dos centros desportivos ou de convenes em relao aos quais o turismo

se comporta como um inquilino.

Alguns investimentos tursticos so efectuados com vista realizao de acontecimentos

de curta durao, como os festivais e acontecimentos desportivos, que posteriormente

deixam de ter utilizao turstica ficando disponveis para a utilizao pelas populaes

locais.

Finalmente, um certo nmero de investimentos realizados no turismo deve-se a razes

relacionadas com o modo de vida das populaes.

Efeitos sobre o Desenvolvimento Regional

Segundo Cunha (1997, p.283), quatro razes levam com que o turismo seja um motor de

desenvolvimento regional e, simultaneamente, um factor de exploso econmica global:

A primeira, porque o turismo uma actividade que melhor pode usar os recursos locais,

sejam eles naturais, humanos, histricos ou culturais. a actividade econmica que

melhor se pode inserir no processo de desenvolvimento regional que resulta do

aproveitamento do patrimnio e dos valores locais, proporcionando maior valor

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

18

acrescentado ao espao rural e ao patrimnio natural e cultural garantindo maior valor

econmico.

A segunda, o turismo permite uma transferncia de rendimentos das regies mais

desenvolvidas para as menos desenvolvidas, assim como a exportao de bens e servios

para outras regies.

A terceira, o turismo a nvel regional proporciona a construo de infraestruturas e de

equipamento social, tais como: a construo de vias de comunicao, as redes de

saneamento bsico entre outros servios pblicos; beneficiando a populao local. Isto

porque, o turismo para uma regio uma actividade bsica em virtude dos servios

prestados serem quase inteiramente exportados para outras regies ou para o estrangeiro,

o que estimula o desenvolvimento da regio.

A ltima razo porque, o turismo contribui para a dinamizao e modernizao da

produo local. Proporciona o aparecimento de novas actividades, como os servios

pessoais, revigora as produes artesanais que de outro modo tendem a desaparecer e

desempenha o papel de factor de atenuao dos desequilbrios regionais, permitindo

alcanar uma distribuio mais equitativa do nvel de vida entre regies desenvolvidas e

regies mais desfavorecidas.

Deste modo, a participao do turismo no desenvolvimento regional assume, segundo Cunha

(1997, p.284), o carcter de:

Desenvolvimento integrado quando o turismo surge como promotor dominante do processo

de desenvolvimento sem, contudo, monopolizar, isto , as actividades a desenvolver devem

ser compatveis com o turismo no podendo afectar o seu desenvolvimento.

Desenvolvimento cataltico quando as actividades tursticas surgem com estimuladoras de

desenvolvimento assumindo um papel complementar e, neste caso, estas tm de ser

compatveis com todas as outras.

Desenvolvimento crstico quando as actividades tursticas podem ser teis ao

desenvolvimento regional e constiturem um meio de diversificao da actividade

econmica, mas no o influenciam.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

19

O Turismo produz impactos econmicos positivos. Oliveira (2002, p.185) afirma que, os

visitantes ao se deslocarem do seu local habitual de residncia para outros locais, no pas ou no

exterior, com o objectivo de passear, divertir-se, visitar parentes e amigos ou por outras razes

diferentes das de trabalhar, fixar residncia e/ou cumprir compromissos profissionais gastam,

normalmente, mais dinheiro do que os viajantes comuns. Ou seja, os turistas ao fazerem as

suas viagens gastam com meios de transportes, alojamento, alimentao, compras, servios de

divertimento, comunicao, entre outros. No entanto, os recursos financeiros produzidos nas

origens dos turistas transferem-se para o pas receptor como reforo econmico devido a

presena dos visitantes.

O impacto na economia do pas receptor proveniente da despesa turstica, afectado de forma

positiva, produzindo o chamado efeito cascata. Isto significa que, os turistas consomem bens

e servios de empresas e de profissionais que, por sua vez, gastaro tais recursos na aquisio

de outros bens e servios necessrios para exercer suas profisses. O outro facto interessante

o efeito multiplicador. Por exemplo, uma empresa compra de outras empresas bens e servios

de que necessita. A renda familiar ampliada havendo investimento na melhoria do padro de

vida de seus membros. (Oliveira, 2002, p.185-186).

Ou seja, os turistas ao fazerem as suas viagens gastam com meios de transportes, alojamento,

alimentao, compras, servios de divertimento, comunicao, entre outros. No entanto, os

recursos financeiros produzidos nas origens dos turistas transferem-se para o pas receptor

como reforo econmico devido a presena dos visitantes.

O impacto na economia do pas receptor proveniente da despesa turstica, afectado de forma

positiva, produzindo o chamado efeito cascata. Isto significa que, os turistas consomem bens

e servios de empresas e de profissionais que, por sua vez, gastaro tais recursos na aquisio

de outros bens e servios necessrios para exercer suas profisses. O outro facto interessante

o efeito multiplicador. Por exemplo, uma empresa compra de outras empresas bens e servios

de que necessita. A renda familiar ampliada havendo investimento na melhoria do padro de

vida de seus membros. (Oliveira, 2002, p.185-186)

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

20

O turismo destaca-se como um dos fenmenos mais significativos do mundo contemporneo

influenciando o desenvolvimento econmico, social, poltico e ambiental de diversos pases e

regies nele inseridos. (Lopes, 2009)

De acordo com a Organizao Mundial do Turismo (OMT), a actividade turstica gera em

Produto Interno Bruto (PIB) 10,9% sendo responsvel por uma receita de US$ 3,78

trilhes/ano, conseguindo arrecadar cerca de 11% de impostos, conforme indica Lopes (2009).

uma indstria que gera directa ou indirectamente cerca de 300 milhes de empregos, o que

equivale a mais de 10% da fora de trabalho do mundo. (Fernandes, 2007)

Tabela 1. Fluxo Turstico Receptivo Internacional (2000 2005) em milhes

Regies 2000 2001 2002 2003 2004 2005

Europa 396,2 395,8 407,4 408,6 425,6 443,9

sia e Pacfico 111,4 116,6 126,1 114,1 145,4 156,2

Amricas 128,2 122,2 116,7 113,1 125,8 133,1

Oriente Mdio 25,2 25,0 29,2 30,0 35,9 38,4

frica 28,2 28,9 29,5 30,7 33,3 36,7

Mundo 689,2 688,5 708,9 696,6 766,0 808,3

Fonte: WTO Janeiro, 2006

O turismo em Moambique est gradualmente a recuperar o seu potencial na economia

nacional. O crescimento dos investimentos ao longo dos ltimos anos que resultaram na

expanso da capacidade de alojamento e dos servios inerentes ao turismo e no melhoramento

da qualidade do produto4.

O nmero de turistas tem crescido consideravelmente no pas, essas correntes tursticas

internacionais so originadas pelas caractersticas relevantes dos seus recursos naturais,

culturais e valor histrico das zonas que mais interesse turstico tem despertado aos entusiastas

de cultura ou que procuram aventura, laser, negcios, ecoturismo, turismo religioso dentre

4 Fonte: http://www.mozambique.org (Acesso a 31/01/2009)

http://www.mozambique.org./

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

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outros atractivos que representam o produto turstico, Plano Estratgico para o

Desenvolvimento do Turismo em Moambique (2004-2013).

De acordo com a Estratgia de Moambique para o processo de Integrao Regional na SADC,

a abertura do comrcio estimula toda a economia da seguinte forma:

Aumenta as receitas dos pases exportadores e proporciona aos consumidores dos pases

importadores uma escolha mais vasta de bens e de servios a preos baixos, graas a

uma maior concorrncia e

Permite que os pases possam reduzir a exportar os bens e servios em que so mais

competitivos.

A integrao econmica regional pode, portanto potenciar o crescimento econmico. Mas pode

tambm ter efeitos negativos. O acesso aos mercados mais vastos e abertos implica uma maior

concorrncia entre empresas e entre pases. Ao colocar em competio economias com

diferentes graus de desenvolvimento, a integrao pode, se no for devidamente controlada,

aumentar o fosso entre os pases mais avanados e os pobres e marginalizar ainda mais

economias pobres da regio5.

Nos ltimos tempos, dirigentes do Governo, empresrios, analistas e outros interessados tm

apelado para que a indstria moambicana se prepare para os desafios que a integrao

regional, mais propriamente o Protocolo da SADC sobre o Comrcio Livre, representa. Os

apelos tm sido no sentido de tornar a indstria nacional mais competitiva, para que o pas no

seja invadido por produtos oriundos de outros pases. Moambique tem uma imensa vantagem

competitiva em reas como o turismo, a agricultura e energia e tem igualmente um gigantesco

potencial de industrializao em zonas prximas dos seus trs principais portos, com

perspectiva de exportao para mercados extra-regionais. Mas a explorao destas vantagens

no seu mximo potencial requer uma estratgia que assenta em vrias frentes. Uma delas a

educao e formao tcnico-profissional. A profissionalizao do sector pblico e o

estreitamento dos procedimentos institucionais criam um maior nvel de previsibilidade e

5 Estratgia de Moambique para o processo de Integrao Regional na SADC.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

22

confiana no funcionamento das instituies, e estabelece um mecanismo que permite que todo

o sistema funcione quase que em piloto automtico6.

O negcio e destinos tursticos que florescero no futuro sero os actores globais competindo

com o puder da marca e economias de escala ou pequenos actores com uma orientao clara e

produtos especializados, capazes de sobreviver devido baixa concorrncia e por

compreenderem os seus produtos melhor do que os intervenientes globais, Poltica do Turismo

e Estratgia da sua Implementao (2003).

Assim, sendo o turismo uma das reas com elevado potencial em Moambique, deve tomar em

conta as seguintes medidas prioritrias7:

Envolvimento de Moambique na Organizao Regional de Turismo da frica Austral

(RETOSA) e garantir a implementao do protocolo do turismo da SADC;

Prosseguir com a eliminao da necessidade do visto de entrada para cidados dos

estados membros da SADC;

Promover a melhoria da qualidade dos servios tursticos;

Vender a imagem do pas na regio;

Criar uma rede de pesquisa, estatsticas e troca de informaes;

Harmonizar e desenvolver polticas, estratgias e legislao ao nvel da regio e

Encorajar investimentos no sector.

Neste contexto, importa fazer meno a alguns indicadores de referncia na rea do Turismo

em Moambique. Por exemplo, de 2004 a 2008 regista-se uma tendncia de crescimento no

nmero de chegadas internacionais8, turistas ao pas, assim como nas receitas do turismo

internacional9, conforme ilustram as tabelas abaixo.

6 Jornal Savana de 01 de Junho de 2007.

7 Estratgia de Moambique para o processo de Integrao Regional na SADC.

8 Chegadas Internacionais nmero de viajantes que entraram no pas durante um determinado perodo.

9 Receitas do Turismo Internacional os gastos em valores monetrios feitos pelos turistas vindos do exterior durante um certo perodo.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

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Tabela 2. Indicador de Referncia por Motivo de Visita

Por motivo de visita 2004 2005 2006 2007 2008 Var (08/07)

Turistas 470,000 578,000 664,300 771,000 1,025,554 33.02

Negcio/Conferncia 131,000 175,000 310,000 351,000 220,600 -37.15

Lazer e Frias 254,000 275,000 214,000 261,000 670,000 156.70

Visita a Familiares e Amigos 85,000 128,000 140,300 159,000 134,954 -15.12

Outros Visitantes 241,000 376,000 430,700 488,000 482,500 -1.13

Total de Chegadas Visitantes 711,000 954,000 1,095,000 1,259,000 1,508,054 19.78

Fonte: INE/Migrao

Tabela 3. Receitas do Turismo Internacional em Moambique

Ano 2004 2005 2006 2007 2008* Var (08/07)

Milhes de USD 95,3 129.6 139.7 163.4 185.4 13.46

Fonte: Banco de Moambique/INE

* Previso Anual

Ao mesmo tempo, os resultados do Inqurito nos Estabelecimentos Hoteleiros no pas revelam

uma tendncia de crescimento no nmero de dormidas e taxa de ocupao entre 2004 e 2006,

registando a partir daqui uma estagnao at ao ano de 2008. Note-se que, enquanto as

Provncias de Inhambane, Gaza e Maputo mostraram uma tendncia de declnio de dormidas e

taxa de ocupao, as Provncias de Manica, Maputo e Cabo Delgado registaram a tendncia

contrria (vide as tabelas abaixo).

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

24

Tabela 4. Total de Dormidas (nacionais+estrangeiros)

Provncia 2004 2005 2006 2007 2008 Var (08/07)

Niassa 24,348 26,428 25,889 25,214 26,403 4.72

Cabo Delgado 39,711 41,378 44,839 37,139 46,594 25.46

Nampula 22,256 26,250 24,083 24,111 28,643 18.80

Zambzia 35,797 36,710 37,663 43,275 44,523 2.88

Tete 28,746 26,917 24,385 19,586 22,589 15.33

Manica 13,719 11,356 11,634 13,964 21,090 51.03

Sofala 40,455 42,147 53,986 70,002 79,241 13.20

Inhambane 52,271 75,743 89,956 91,763 67,695 -26.23

Gaza 39,986 37,907 46,737 36,528 32,566 -10.85

Maputo Prov. 29,564 23,213 46,319 35,937 49,465 37.64

Maputo Cid. 373,897 358,194 488,150 474,784 474,077 -0.15

TOTAL 700,751 706,242 893,642 872,302 892,888 2.36

Fonte: INE

Tabela 5. Taxa de Ocupao (%)

Provncias 2004 2005 2006 2007 2008 Var (08/07)

Niassa 21.6 22.7 22.1 20.7 21.4 3.24

Cabo Delgado 26.1 26.9 28.2 20.7 24.8 19.69

Nampula 17.9 19.5 17.0 16.0 16.3 1.64

Zambzia 24.3 23.3 23.5 25.9 28.0 8.30

Tete 39.0 34.6 31.0 33.9 38.1 12.53

Manica 10.7 8.8 8.0 8.1 12.3 51.52

Sofala 21.3 22.3 28.2 33.9 38.8 14.29

Inhambane 12.1 17.9 18.5 18.3 13.4 -26.90

Gaza 12.5 13.0 15.4 11.3 10.2 -9.37

Maputo Prov. 17.5 15.0 29.2 23.3 32.0 37.59

Maputo Cid. 30.2 28.8 40.3 40.4 39.5 -2.13

Total 22.7 23 28.3 27.2 27.4 0.85

Fonte: INE

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

25

Por outro lado, Moambique registou uma tendncia global de crescimento nas receitas nos

estabelecimentos hoteleiros e similares de 2004 a 2008. Contudo, enquanto as Provncias do

Niassa, Manica e Maputo Cidade e Provncia contriburam de forma significativa neste

crescimento, as Provncias de Tete, Zambzia, Gaza e Inhambane registaram o contrrio,

conforme a tabela que se segue.

Tabela 6. Receitas nos Estabelecimentos Hoteleiros e Similares (MT)

Provncias 2004 2005 2006 2007 2008 Var( 08/07)

Niassa 6,756,159.53 7,582,494.46 7,629,141.03 11,935,258.26 19,091,286.44 59.96

Cabo Delgado 58,746,718.75 70,169,256.68 67,046,777.08 97,744,397.79 102,734,167.11 5.10

Nampula 23,453,399.33 29,270,560.45 24,185,957.02 49,128,891.87 54,913,271.76 11.77

Zambzia 20,408,419.28 16,711,404.92 19,451,504.97 43,663,526.57 38,314,807.18 -12.25

Tete 10,596,405.44 9,137,342.32 8,507,176.87 40,717,454.84 12,441,022.80 -69.45

Manica 15,889,792.93 12,741,328.35 15,368,460.06 20,155,755.04 27,886,955.63 38.36

Sofala 49,108,175.98 56,972,866.46 57,365,415.75 85,892,955.18 88,517,527.76 3.06

Inhambane 51,638,264.67 64,458,465.27 95,372,208.92 85,432,434.33 81,636,642.73 -4.44

Gaza 29,814,804.46 31,065,107.27 51,285,087.46 59,253,938.89 55,298,977.47 -6.67

Maputo Prov. 17,520,366.89 18,002,305.20 32,487,358.45 30,275,380.35 34,496,483.98 13.94

Maputo Cid. 515,309,111.76 568,417,406.29 862,922,600.63 875,628,290.96 1,011,938,532.01 15.57

Total (MT) 799,241,619.02 884,528,537.67 1,241,621,688.27 1,399,828,284.06 1,527,269,674.88 9.10

Fonte: INE

De 2004 a 2008 verifica-se um lento crescimento no nmero de lugares disponveis nos quartos

dos estabelecimentos de alojamento para pernoita dos hspedes no pas. Note-se que a maior

taxa de crescimento registou-se em hotis de 2, 4 e 5 estrelas, como mostra a tabela seguinte.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

26

Tabela 7. Receitas nos Estabelecimentos Hoteleiros por Categoria

Categoria 2004 2005 2006 2007 2008 Var (08/07)

Hotis de 4 a 5 estrelas 2,421 2,505 2,505 2,879 2,966 3.02

Hotis de 3 estrelas 2,715 2,810 3,125 3,197 3,207 0.31

Hotis de 2 estrelas 2,480 3,125 3,614 3,985 4,342 8.96

Outras 6,191 6,387 6,496 6,974 6,990 0.23

Total 13,807 14,827 15,740 17,035 17,505 2.76

Fonte: INE/DINATUR

Registou-se um crescimento no volume de investimentos em projectos de turismo10

entre 2004

e 2007, seguido de um decrscimo no volume de investimento no ano subsequente, conforme

ilustra a tabela adiante.

Tabela 8. Volume de Investimentos em Projectos de Turismo

Descrio 2004 2005 2006 2007 2008 Var (08/07)

Propostas analisadas 116 169 169 171 265 54.97

Propostas aprovadas 55 95 105 133 237 78.20

% das aprovaes 47.4% 56.20% 61.90% 78% 78.90% 1.15

Quartos 1,855 2,704 2,855 8,040 7,756 -3.53

Camas 3,171 2,951 5,283 15,668 13,205 -15.72

Emprego 1,922 2,232 3,896 17,936 5,448 -69.63

Valor (103 USD) 67,159.00 83,690.00 604,252.40 977,201.00 739,634.83 -24.31

Fonte: DINATUR

Postos de Emprego: o nmero de postos de emprego oficialmente registados estimado

actualmente em cerca de 34,928 (o sector informal no entra).

10

Projectos de Investimentos no Turismo os projectos em referencia incluem os de aprovao de mbito central, como instalao de estabelecimento de alojamento e agencias de viagens e operadores tursticos.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

27

Apesar da estagnao do sector do turismo durante os 16 anos da guerra civil em Moambique,

nota-se uma tendncia de crescimento na sua contribuio ao PIB conforme indicam as taxas

na tabela abaixo.

Tabela 9. Contribuio do Turismo para o PIB

ANO 91 92 93 94 95 96 97 98 99 2000 01 02 03

% 0.5 0.6 0.8 0.8 0.8 0.8 1.0 0.9 0.9 0.9 0.8 1.8 2.5

Fonte: Banco de Moambique

2.2 HIV/SIDA no Mundo e em Moambique

Esta seco cumpre apresentar sobre o HIV/SIDA no mundo e mostra estimativas e tendncias

a nvel global. Aborda igualmente o HIV/SIDA em Moambique, ilustra estimativas de

prevalncia nacional e regional. Descreve tambm sobre o impacto do HIV/SIDA na

economia, no local de trabalho e no sector do turismo, apresenta a legislao sobre o

HIV/SIDA e aborda sobre as estratgias de resposta do HIV/SIDA nas organizaes

apresentando um quadro de mudana de comportamento (BEHAVE) e suas aplicaes.

2.2.1 Evoluo do HIV/SIDA

A evoluo do HIV no mundo est marcada por cinco fases. A primeira vai at 1981, quando

no se suspeitava da presena da doena e o vrus disseminava-se de forma despercebida. A

segunda compreende o perodo de 1981 at 1985, marcado pelas pesquisas que culminaram na

descoberta do vrus e das formas de transmisso. (Valentim, 2003, p.43-44)

A terceira fase corresponde ao perodo do incio da mobilizao global contra a doena, a partir

da qual foram criados programas nacionais e mundiais de resposta pandemia, despertando a

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

28

solidariedade internacional na Sesso Especial da Assembleia das Naes Unidas, realizada em

Outubro de 1987. No mesmo ano, a Organizao Mundial da Sade criou uma estratgia global

de resposta ao HIV/SIDA, que foi universalmente adoptada como projecto padro.

A quarta fase compreende o comeo da dcada de 90, quando inicia a fase de efectiva de

aplicao de recursos financeiros, na ordem internacional de resposta doena e vai at

meados do segundo quartel da mesma dcada. Inicia a quinta fase, na qual a doena, nos pases

desenvolvidos, encontra-se controlada, o que no se verifica nos pases em vias de

desenvolvimento, particularmente nos pases localizados na frica e no Caribe.

2.2.2 Estimativas do HIV/SIDA a Nvel Global

As ltimas estatsticas mundiais sobre a epidemia do HIV foram publicadas pela

ONUSIDA/OMS em Novembro de 2007, e referem-se ao fim de 2007.

Segundo a UNAIDS (2007) mais de 25 milhes de pessoas morreram devido ao vrus

associado SIDA11

desde 1981 e que s em frica, existem 12 milhes de rfos. Esta mesma

fonte refere ainda que no fim de 2007, as mulheres representavam 50% de todos os adultos

vivendo com o HIV12

a nvel mundial, e 61% na frica Subsahariana.

De igual forma, os jovens (abaixo dos 25 anos de idade) representam metade de todas as novas

infeces a nvel mundial enquanto que, nos pases em desenvolvimento ou em transio, 7.1

milhes de pessoas necessitam de medicao que lhes salvem a vida com urgncia; e, destas,

apenas 2.015 milhes efectivamente recebe medicao. (UNAIDS, 2007)

11

Guia de Terminologia da ONUSIDA usa o guia da terminologia da OMS para todas as questes relativas ao esti lo editorial. Maro de 2007. 12

Mesma nota anterior.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

29

Tabela 10. Estatsticas Mundias sobre o HIV em 200713

Pessoas Vivendo com HIV/SIDA Estimativa Variao

Pessoas vivendo com HIV em 2007 33.2 milhes 30.6-36.1 milhes

Adultos vivendo com HIV em 2007 30.8 milhes 28.2-33.6 milhes

Mulheres vivendo com HIV em 2007 15.4 milhes 13.9-16.6 milhes

Crianas vivendo com HIV em 2007 2.5 milhes 2.2-2.6 milhes

Novas pessoas vivendo com HIV em 2007 2.5 milhes 1.8-4.1 milhes

Novos adultos vivendo com HIV em 2007 2.1 milhes 1.4-3.6 milhes

Novas crianas vivendo com HIV em 2007 0.42 milhes 0.35-0.54 milhes

Mortes devido ao vrus associado SIDA em 2007 2.1 milhes 1.9-2.4 milhes

Mortes em adultos devido ao vrus associado SIDA em 2007 1.7 milhes 1.6-2.1 milhes

Mortes em crianas devido ao vrus associado SIDA em 2007 0.33 milhes 0.31-0.38 milhes

Fonte: 2007 Epidemiology Report on November 20, UNAIDS

O nmero de pessoas vivendo com HIV subiu de cerda de 8 milhes em 1990 para mais de 33

milhes em 2007, e continua a crescer (vide grfico 1). Cerca de 69% das pessoas vivendo com

HIV esto na frica Subsahariana (UNAIDS, 2007).

13 De referir que na tabela foi usada a linguagem com base no Guia de Terminologia da ONUSIDA.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

30

Grfico 1. Evoluo do HIV a nvel Mundial (1990-2007)

Fonte: ONUSIDA (2007)

2.2.3 Situao actual da Epidemia em Moambique

Segundo Cauldwell, et al (2002), o primeiro caso de SIDA em Moambique foi identificado

em 1986 e at Dezembro de 1998 constatou-se 10.687 casos ao Programa Nacional de

Controlo do SIDA (PNCS). Estima-se que mais de 1.200.000 moambicanos eram

seropositivos14

at ao final de 1998.

Os resultados da Ronda 2007 (INE) indicam que a epidemia do HIV em Moambique continua

em crescimento, embora existam diferenas nas tendncias regionais. A prevalncia do HIV15

em Moambique em 2007, de 16% e esta estimativa tem um intervalo de plausibilidade de

14% e 17% respectivamente (vide tabela 11).

14

Guia de Terminologia da ONUSIDA usa o guia da terminologia da OMS para todas as questes relativas ao estilo editorial. Maro de 2007. 15

Mesma nota anterior.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

31

Tabela 11. Taxas Estimadas de Prevalncia do HIV em Adultos (15-49 anos) por Provncia,

Regio e Nacional em Moambique 2007

Provncia Taxa de Prevalncia ajustada Regio Taxa de Prevalncia (IP)

Maputo Cidade 23% (18%-29%)

Sul 21% (16%-23%)

Maputo Provncia 26% (18%-34%)

Gaza 27% (18%-35%)

Inhambane 12% (7%-16%)

Zambzia 19% (12%-29%)

Centro 18% (17%-21%)

Sofala 23% (17%-33%)

Manica 16% (10%-23%)

Tete 13% (11%-21%)

Niassa 8% (4%-14%)

Norte 9% (7%-10%) Nampula 8% (6%-12%)

Cabo Delgado 10% (6%-14%)

Nacional 16% (14%-17%)

Fonte: INE( 2007)

Tabela 12. Reanlises das Taxas Histricas de HIV (Regionais e Nacionais)

Regio 2001 2002 2004 2007

Sul 15% (10%-17%) 16% (12%-18%) 19% (14%-21%) 21% (16%-23%)

Centro 18% (16%-20%) 18% (17%-20%) 19% (17%-21%) 18% (17%-21%)

Norte 7% (6%-8%) 8% (6%-9%) 9% (7%-10%) 9% (7%-10%)

Nacional

(UA fit) 14% (12%-14%) 15% (13%-15%) 16% (14%-16%) 16% (14%-17%)

Fonte: INE( 2007)

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

32

Tabela 13. Reanlises das Taxas Histricas de HIV (Provinciais)

Provncia 2001 2002 2004 2007

Maputo Cidade 17% (12%-20%) 18% (13%-23%) 21% (16%-23%) 23% (18%-29%)

Maputo Provncia 16% (10%-24%) 18% (12%-23%) 22% 15%-31%) 26% (18%-34%)

Gaza 19% (12%-26%) 21% (14%-29%) 25% (17%-33%) 27% (18%-35%)

Inhambane 8% (6%-14%) 9% (6%-15%) 10% (7%-16%) 12% (7%-16%)

Zambzia 16% (9%-23%) 17% (10%-25%) 18% (12%-28%) 19% (12%-29%)

Sofala 25% (15%-31%) 24% (16%-32%) 24% (17%-33%) 23% (17%-33%)

Manica 18% (10%-23%) 17% (10%-23%) 16% (10%-23%) 16% (10%-23%)

Tete 16% (11%-21%) 15% (11%-21%) 14% (11%-21%) 13% (11%-21%)

Niassa 6% (3%-11%) 7% (4%-12%) 8% (4%-14%) 8% (4%-14%)

Nampula 8% (5%-10%) 9% (6%-11%) 9% (6%-12%) 8% (6%-12%)

Cabo Delgado 8% (4%-12%) 9% (5%-3%) 9% (6%-14%) 10% (6%-14%)

Nacional (UA fit) 14% (12%-14%) 15% (13%-15%) 16% (14%-16%) 16% (14%-17%)

Fonte: INE, 2007

Segundo INE (2007), a epidemia parece estar a atingir o seu pico e a estabilizar nas regies

centro e norte do pas, onde na regio sul as estimativas indicam que a prevalncia do HIV

continua a aumentar e no h indicaes de que haja diminuio da prevalncia em qualquer

regio do pas, conforme ilustram os grficos abaixo.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

33

Grfico 2. Tendncia da Prevalncia do HIV a nvel nacional

0

2

4

6

8

10

12

14

16

18

1970

1972

1974

1976

1978

1980

1982

1984

1986

1988

1990

1992

1994

1996

1998

2000

2002

2004

2006

2008

2010

Pre

va

ln

cia

(%

)

Taxa estimada

Limite superior

Limite inferior

Tendncia da Prevalncia Tendncia da Prevalncia

NacionalNacional

Fonte: INE, Ronda 2007

Grfico 3. Tendncia da Prevalncia do HIV a nvel regional

0

2

4

6

8

10

12

14

16

18

20

22

24

1970

1972

1974

1976

1978

1980

1982

1984

1986

1988

1990

1992

1994

1996

1998

2000

2002

2004

2006

2008

2010

Pre

va

ln

cia

(%

)

Taxa Estimada Norte

Taxa Estimada Centro

Taxa Estimada Sul

Tendncia da Prevalncia Tendncia da Prevalncia

RegionalRegional

Fonte: INE, Ronda 2007

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

34

2.2.4 Impacto do HIV/SIDA

O HIV/SIDA gera impacto negativo em diferentes sectores econmicos da sociedade. No

entanto, pelo objecto do presente estudo, iremos abordar o impacto da pandemia a nvel do

sector econmico e social, do sector do Turismo e do impacto no local de trabalho.

O HIV afecta o desenvolvimento social e econmico que passam pela fora de trabalho e pelo

nvel e distribuio de poupanas. No primeiro caso, os efeitos decorrem pelo facto de a

epidemia causar um impacto negativo na populao activa, onde se concentra a incidncia da

epidemia e mortalidade relacionadas com o vrus associado SIDA. Assim, pessoas com

importantes papis econmicos e sociais (tanto homens como mulheres) deixam de dar sua

plena contribuio para o desenvolvimento do pas.

Os efeitos, naturalmente, no se limitam a simples clculo de perdas de mo-de-obra, mas tm

implicaes muito mais profundas na estrutura das famlias, na sobrevivncia das comunidades

e problemas a longo prazo de sustentabilidade da capacidade produtiva.

Portanto, o declnio da poupana provoca um impacto negativo na economia com seus efeitos

nos nveis de acumulao de capital, inclusive de investimento humano. Assim, com nveis

mais baixos de poupanas familiares afectam investimentos nos sectores do turismo, educao,

entre outros.

O SIDA vai mais longe nos seus efeitos negativos. Apesar de, o ltimo conflito armado ter

agravado a situao da pobreza em Moambique, o SIDA um factor que agrava ainda mais a

situao da pobreza. de notar que famlias, empresas e comunidades inteiras so

empobrecidas devido reduo da produtividade dos seus membros e devido aos custos da

doena e morte. Este empobrecimento, que resulta num impacto negativo, na economia, alm

de dificultar a montagem de campanhas efectivas de educao, aumenta a probabilidade de

algumas mulheres e poucos homens trocarem o sexo por dinheiro, alimentos e abrigo.

(Macuamule, 2002, p.7).

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

35

Os governos e os empregadores no se devem sentir confortados com as sugestes de que o

impacto real do SIDA afecta no crescimento econmico, particularmente, no PIB Per Capita. O

Relatrio do Banco Mundial (1997) explica que as mortes so em grande nmero de pessoas

que tm baixo rendimento e de um pequeno nmero no grupo de pessoas de alto rendimento.

Segundo Jackson (2004, p.33), a pandemia do HIV causa impactos sobre os agregados

familiares, nomeadamente:

A perda de rendimentos e receitas enviadas pelos familiares a trabalhar no exterior, e da

mo-de-obra produtiva, levando a uma maior pobreza e nutrio inferior;

Aumento de despesas sobre os servios de sade, transportes e funerais;

Reduo da despesa sobre os gneros alimentares, tais como, vesturio, ensino e outros

servios;

Maior carga de trabalho sobre as mulheres e crianas;

Recurso s economias e venda de patrimnio;

Presso emocional e perda e

Riscos de estigma, isolamento e rejeio.

Para alm disso, a epidemia do HIV causa impactos no desenvolvimento humano e social

afectando na capacidade de um pas em aumentar a produtividade e o investimento pblico e

privado. A morte de um ou de ambos os pais devido a doena associada ao HIV implica que

os jovens sejam forados a ir para o mercado de trabalho cedo, sacrificando a sua educao. A

sustentabilidade do crescimento econmico em pases em vias de desenvolvimento como o

caso de Moambique so ameaadas, num mercado de consumo em regresso, resultante do

declnio do crescimento populacional e da reorientao das despesas de consumo para o

tratamento das pessoas vivendo com o HIV.

O HIV/SIDA produz tambm um impacto sobre as organizaes. O HIV/SIDA est mudando a

distribuio etria e sexual da fora de trabalho, uma vez que, a taxa de infeco

comparativamente mais alta justamente na faixa etria produtiva. Cada vez mais, tem

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

36

aumentado o nmero de vivas (os), rfs e velhos, que se vm forados a assumir o papel

principal de provedor de rendimento familiar, dada a incapacidade ou morte do membro

provedor, esta situao pode e tem levado que crianas rfs se vm pressionadas a aceitar e se

submeterem a pssimas formas de trabalho infantil. Tambm so reportados casos de pessoas

velhas que tm de voltar ao trabalho devido a necessidades de sustento pessoal e/ou familiar.

(FDC, 2005)

De acordo com a Proposta Tcnica de Campanha de Formao e Educao para a Preveno e

Combate ao HIV/SIDA (FDC, 2005), a doena ou morte de pessoal qualificado e experiente

pode levar a reduo considervel de produtividade e de rendimentos duma empresa. Esta

situao pode ser resultante de situaes como:

Aumento do absentismo devido s doenas relacionadas com o HIV/SIDA;

Aumento dos custos associados com o recrutamento e treinamento (formao) dos

novos trabalhadores;

Declnio da moral entre os trabalhadores devido s mortes prematuras de seus colegas;

A perda de pessoal qualificado;

O aumento da rotao do pessoal: a produtividade afectada durante o tempo

necessrio para substituir os trabalhadores mais experientes ou mais qualificados em

particular;

A baixa produtividade dos novos trabalhadores: os novos colaboradores precisam de

tempo para aperfeioar o trabalho;

Ambiente no local de trabalho: o medo em relao aos colegas infectados pode levar a

um ambiente de tenso, suspeita e descriminao no local de trabalho, afectando ainda

mais a produtividade e a moral dos trabalhadores e

O aumento dos custos de operao com os cuidados de sade e assistncia mdica,

seguros, assim como, compensaes no caso de morte por incapacidade, o pagamento

de penses.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

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Os efeitos, naturalmente, no se limitam a simples clculo de perdas de mo-de-obra, mas tem

implicaes muito mais profundas na estrutura das famlias, na sobrevivncia das comunidades

e nos problemas de sustentao da capacidade produtiva a longo prazo. Portanto, o caso para

as empresas assenta num interesse completamente elucidado por parte das prprias empresas.

Precisamos duma mo-de-obra saudvel16

.

Neste contexto, quanto mais progride a epidemia do HIV mais problemas de mo-de-obra

tero as empresas, ou seja, quanto mais danos o SIDA causar aos trabalhadores, mais as

entidades patronais tero de enfrentar problemas de mo-de-obra como o absentismo, as faltas

por doena, a degradao da sade do pessoal e a reforma antecipada17

.

O aspecto mais crtico da epidemia a sua concentrao na populao em idade activa (idade

entre 15-49 anos)18

, de modo que pessoas com importantes papis sociais e econmicos so

directa ou indirectamente afectadas.

Mas a evoluo do HIV-SIDA no apenas produz um impacto negativo na economia em geral

de um pas, como particularmente, no sector do turismo, mbito do presente trabalho de

investigao.

sabido que Moambique um pas com um dos recursos costeiros mais fortes da frica

Austral. O seu litoral permanece inexplorado e muito diversificado em paisagem, flora e

fauna. A vida marinha est presente em grandes quantidades e o mergulho e a pesca

correspondem aos padres internacionais de alta qualidade. (MITUR, 2004)

Todavia, a transformao deste potencial em riqueza efectiva para o pas depende de vrios

factores, sobretudo dos seus recursos humanos como destaca o MITUR (2006):

16 GUPTA, Raj, et al.; Fundo Global de Combate ao HIV/SIDA, Tuberculose e Malria 17 dem 18 INE, Ronda 2007.

HIV/SIDA NO LOCAL DE TRABALHO NO SECTOR DO TURISMO 2009

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O desenvolvimento que o sector do turismo est a registar no pas nos ltimos anos, pode ser

interrompido pelo HIV/SIDA se medidas srias no forem tomadas. O sucesso do turismo passa

pela existncia de infraestruturas, quadros especializados na matria do turismo,

empreendedores e trabalhadores no geral. No entanto, se parte deste grupo (trabalhadores

incluindo quadros especializados) infectado pelo vrus HIV/SIDA e depois perde a vida,

quanto tempo ser preciso para preparar novas pessoas?.

Entre os principais desafios para o desenvolvimento do Turismo em Moambique apontados

pelos MITUR (2004) est a baixa qualidade e quantidade de recursos humanos com formao

especializada nas diversas reas deste sector, conforme indicado no Quadro abaixo. Ora, se o

pas j apresenta escassez de profissionais nesta rea, torna-se urgente proteger os actuais

quadros no sector com vista sustentabilidade econmica e produtiva do tursmo em

Moambique.

Quadro 1. Desafios para o Desenvolvimento do Turismo em Moambique

Constrangimentos

Desenvolvimento

Institucional

Falta de planeamento, zoneamento e de planos directores para reas estratgicas do turismo;

Fraca capacidade de interveno institucional,

Falta de comunicao, coordenao e interligao entre sectores e entidades administrativas, etc.

Recursos Humanos

Baixa qualidade e quantidade de pessoas formadas em matria de conservao, de hotelaria e turismo;

Limitadas instituies de formao e de educao e sua distribuio geogrfica;

Fraca conscincia sobre a importncia do turismo no seio da populao local, especialmente junto das

comunidades rurais;

Fraco envolvimento das comunidades nos processos de desenvolvimento de empreendimentos

tursticos e

Falta de comunicao interna acerca do significado do turismo e seus benefcios associados para a

economia e para as comunidades locais.

Ambiente

Sade; doenas e situao de higiene (malria, clera, HIV/SIDA) e qualidade e quantidade de

hospitais e clnicas;

Eroso;

Uso no sustentvel dos recursos naturais (produo mineral, caa furtiva, desflorestao), etc.

Conservao e Turismo

Falta de fiscais treinados nas reas de conservao;

Baixo nmero de fauna bravia na maioria das reas de conservao;

Falta de planos