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HONORRIOS ADVOCATCIOS FRENTE LEI

FALIMENTAR

Eduardo Dorfmann Aranovich

CONSIDERAES INICIAIS

Discrepa a jurisprudncia dos tribunais ptrios, a

propsito do cabimento de condenao em verba honorria no processo

falimentar. Essa divergncia refere-se ao que respeita condenao em

honorrios no pedido de falncia, seja em processo acessrio ou em

processo principal de falncia.

Deixemos de lado, por ora, os julgados que entendem

cabveis os nus de sucumbncia frente aos processos regidos pela Lei

de Falncias e tratemos daquele que negam este princpio.

A esfera de onde os MM. Julgadores obtm o contedo de

suas razes, para negao da verba honorria, assenta-se no que

dispe o 2 doa RT. 208 do Decreto-Lei n 7.661, de 21 de junho de

1945, a chamada Lei de Falncias.

Firme no pensamento de que o direito se fundamenta em

um sistema binrio, segundo o qual as normas jurdicas no podem ser

examinadas isoladamente, mas sim emparelhadamente, isto , duas a

duas, com a obteno da resultante final, a mais consentnea com a

exegese que o caso requeira, passa-se ao exame de aspectos atinentes

ao Instituto de Falncia e suas normas.

NATUREZA JURDICA DA LEI DE FALNCIAS

Em dado momento histrico, entendeu-se que o devedor

no mais deveria ficar escravizado a sua dvida e leva - l pelo resto de

seus dias como uma pecha infmia. Passou-se, desde a, a dar-se

importncia quase que exclusiva ao aspecto econmico do patrimnio

do devedor.

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Esse aspecto econmico nada mais que reflexo da

situao em que se encontram os direitos (massa ativa) do devedor, em

relao as suas obrigaes (massa passiva), isto na logicidade de que

os bens do devedor se constituem na garantia dos credores.

Com efeito, toda a pessoa, seja ela natural ou jurdica,

possui, em regra, um patrimnio que o Cdigo Civil Brasileiro, em seu

art. 57, define como uma universalidade.

Encaremos, pois, esse patrimnio (universalidade)

objetivamente, em seus elementos constitutivos, sob o aspeto por que

se revela na falncia, como sendo a pluralidade de direitos e

obrigaes, de valor pecunirio, segundo excelente ensinamento de

TRAJANO DE MIRANDA VALVERDE (in A Falncia no direito Brasileiro.

Freitas Bastos, Rio, 1931. Vol. I 1 parte, p. 31).

O mesmo ilustre comercialista, tratando do assunto acima

enfocado, diz que o patrimnio sofre mltiplas transformaes no

decorrer dos negcios, os quais atuam sobre os direitos ou obrigaes e

exteriorizam-se em trs posies: (a) enriquecimento, que se coaduna

com a prosperidade (uma grande massa ativa direitos e uma

pequena massa passiva obrigaes); (b) equilbrio, que diz com o

enfraquecimento (massa passiva mais acentuada que a massa ativa) e

(c) o empobrecimento, que a runa do patrimnio (uma massa passiva

muitas vezes superior massa ativa).

Economicamente ensina ainda TRAJANO DE MIRANDA

VALVERDE s a ltima situao positiva a impossibilidade em que se

encontra o dono do patrimnio de movimentar, com regularidade, os

seus negcios, pois a massa ativa (direitos), de que dispe, no cobre a

massa passiva (obrigaes), que precisa solver. H, no cmputo total

dos valores ativos e passivos, um saldo devedor, que no pode ser

eliminados com os prprios recursos patrimoniais. Mas, enquanto a

pluralidade dos direitos apresenta carter heterogneo, pela intrnseca

diversidade de todos ou de laguna dos direitos que Forman a massa

ativa, a pluralidade das obrigaes, que constitui a massa passiva, tem

aspecto homogneo, por corresponder, unicamente, a direitos

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creditrios, pertencentes a outros patrimnios, e derivantes das

relaes de negcio que os aproximaram. H, no caso em apreo,

desequilbrio interno do patrimnio, que vai repercutir naqueles que

com ele estavam relacionados. Surge, ento, o conflito de interesses

que o instituto de falncia tem por objetivo resolver, definindo a posio

jurdica de cada um dos interessados no desenvolvimento do processo

at seu termo final (grifamos) (Op. cit. p. 32).

O ltimo aspecto enfocado p VALVERDE, ou seja, o

conflito de interesses que o instituto da falncia tem por objetivo

resolver traduz-se, tambm, no princpio falimentar da par conditio

creditorum que, por sua vez, consiste em dar tratamento igualitrio a

todos os crditos guardando-se a igualdade entre os iguais dos

credores do devedor insolvente. Nesse particular, de ser observado o

princpio da universalidade do Juzo da falncia, extrado dos arts. 7 e

23 da lei em questo.

Repita-se que a lamentvel situao econmica em que

se encontra o devedor comerciante clama, em tais circunstncias por

uma liquidao geral de seu patrimnio avariado, em benefcio dos

credores e at do prprio devedor; urge o decreto judicial de falncia.

Com a declarao judicial da falncia, pois, tem incio a

execuo coletiva, onde todos os credores do devedor comum,

comerciais ou civis devero comparecer ao processo, alegando e

provando seus direitos, para obterem a satisfao, valendo-se, para

tal, dos bens do devedor comum.

Ao comparecerem ao processo concursal ou

simplesmente concurso de credores sujeitam-se execuo coletiva

universal, pois que abrange todos os bens do devedor ( universalidade

objetiva) e se estende a todos os credores do devedor comerciante

executado (universalidade subjetiva).

Assim, no dizer de FRIEDRICH LENT, fundamento da

falncia a circunstancia de que, no podendo os credores obter integral

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pagamento, deve ser satisfeitos na mesma medida, constituindo uma

espcie de comunho de destino e de perdas (LENT, Friedrich.

Zwangsvollstrekungs-und konkursrecht.Neubearbeitet Von Otmar

Jaurnig. C.H.BeckSche Verlagsbuchandlung, Mnchen uns Berlim,

1963,p. 115, 38;1).

Acrescente-se, agora, que o direito falimentar ptrio

assenta a figura da insolvncia do comerciante em uma presuno de

insolvncia que se extrai da impontualidade que, por sua vez, acontece

quando aquele tem titulo protestado por falta de pagamento (art.11 da

LF), ou ainda da ocorrncia de circunstancia equivalente (casos do art.

2 da LF), para podermos dizer, como R. PROVINCIALI, que falncia

o procedimento que, baseado no pressuposto do estado de insolvncia,

d lugar execuo coletiva, ou seja, execuo promovida no

interesse da universalidade dos credores e que incide sobre todos os

bens do devedor; uma execuo, pois, universal(subjetiva e

objetivamente). (Novssimo Digesto Italiano, 3. ed., Torinesse,

Torino-Itlia, 1967, verbete Fallimento).

Cabe, pois, indagar se o instituto da falncia, que visa

evitar um conflito de interesses, dando tratamento igualitrio a todos os

credores do devedor comum em um procedimento de execuo coletiva

universal, descansa em uma legislao puramente de direito

substantivo ou puramente de direito processual.

Antes de passarmos ao exame do supra questionado, no

demais repetir que o Decreto-Lei n 7.661/45 uma Lei Especial

colocada dentro de um Direito Especial, o Direito Comercial.

sabido que, na legislao brasileira de antanho, existia

uma separao relativa s partes substantiva e adjetiva, porquanto o

Decreto (Regulamento) n 737, de 25 de novembro de 1850, regulava o

respectivo processo (intitulado O Processo das Quebras). A Lei n

859, de 16 de agosto de 1902, tambm foi seguida de um regulamento,

mandado observar pelo Decreto n 4.855, de 2 de junho de 1903.

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Com a Lei n 2.024, de 17 de dezembro de 1908, ocorreu

a unificao da parte material com a formal, pois a mesma determinou

que ela prpria no dependeria de nenhum regulamento, dizendo

finalmente que todas as reclamaes e aes relativas ao juzo da

falncia sero processadas na forma que se determina nesta lei.

Esse dispositivo da Lei 2.024/08 elaborada com a

colaborao de J.X.CARVALHO DE MENDONA- foi mantido no Decreto

n 5.746, de 9 de dezembro de 1929, que antecedeu ao atual Decreto-

Lei n 7.661.

A atual Lei Falitria conservou o principio editado

primeiramente na Lei 2.024/08, ao dispor no 2 do art. 7 que: O

juzo da falncia indivisvel e competente para todas as aes e

reclamaes sobre bens, interesses e negcios da massa falida, as

quais sero processadas na forma determinada nessa lei.

Um exame, ainda que perfunctrio, da lei Falimentar,

leva-nos a encontrar ora regras de direito material ora regras de direito

formal.

Diante disso, exsurge novamente a pergunta: o Direito

Falimentar um Instituto de direito material ou de direito processual? E

mais: um direito autnomo?

Para J.X.CARVALHO DE MENDONA, mestre do Direito

Comercial, as respostas so singelas: impossvel separar-se a Lei de

Falncias em diplomas legislativos distintos, ou seja, a parte formal da

material, originando-se da a autonomia do Direito Falimentar (in

Tratado do Direito Comercial Brasileiro, 7 ed., Freitas Bastos, Rio-SP,

1964, vol. 7, PP. 29 a 31).

Para BEN