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HUTCHEON, Linda - Uma Teoria Da Parodia

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A paródia que constitui o tema central desta obra, tem um significado distinto daquele que normalmente lhe é atribuído. Paródia neste livro de Linda Hutcheon, é a imitação de um modelo real, tendo em vista a ironia, o ridículo, a sátira e até outras formas.

Text of HUTCHEON, Linda - Uma Teoria Da Parodia

  • LINDA HUTCHEON

    CUMATEORIA DA PARDIA .

  • DEDALUS -Acervo - FFLCH-LE

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    21300110118

    Ttulo original: A Theory of Parody

    1985, Linda Hutcheon

    -Publicado originalmente por Methuen & Co, Ltd.

    Traduo de Teresa Louro Prez

    Capa de Edies 70

    Depsito legal n. 32702/89

    Todos os direitos reservados para a lngua portuguesa por Edies 70, Lda., Lisboa- PORTUGAL

    EDIES 70, LDA.- Av. Elias Garcia, 81 r/c -1000 LISBOA Telefs. 762720 I 762792 I 762854

    Telegramas: SETENTA Telex: 64489 TEXTOS P

    DISTRIBUIO NO NORTE EDIES 70, LDA.- Rua da Rasa, 173

    4400 VILA NOVA DE GAlA

    EDIES 70 (BRASIL), Ltda. Rua So Francisco Xavier, 224-A, Loja 2 (Tijuca)

    CEP 20550 RIO DE JANEIRO, RJ Telef. 2842942

    Esta obra est protegida pela Lei. No pode ser reproduzida, no todo ou em parte, qualquer que seja o modo utilizado,

    incluindo fotocpia e xerocpia, sem prvia autorizao do Editor. Qualquer transgresso Lei dos Direitos de Autor ser passvel

    de procedimento judicial

  • LINDA HUTCHEON

    CUMATEORIA DAPARdDIA ENSINAMENTOS DAS FORMAS

    DE ARTE DO SCULO XX

    TOMB0::10815B

  • NDICE

    Agradecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9

    1 Introduo 11

    2 Definio de pardia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45

    3 O alcance pragmtico da pardia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69

    4 O paradoxo da pardia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89

    5 Codificao e descodificao: os cdigos

    comuns da pardia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107

    6 Concluso: o mundo, o texto pardico e

    o teorizador . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 127

    Bibliografia 149

  • AGRADECIMENTOS

    Um dos prazeres mais reais ao trabalhar um tema to vasto como este durante tantos anos tem a ver com o nmero de pes-soas com quem entrei em contacto e que partilham o meu inte-resse e entusiasmo pela pardia nalgumas das suas formas. Pelo seu trabalho, j por si inspirador, nesta rea e pela forma ina-precivel como corresponderam aos meus prprios esforos, gos-taria de agradecer a Daniel Bilous, da Universidade de Constantine, Arglia; Clive Thomson e ao da Queen's University, Kingston; a Bernard Andres e ao Sminaire Inters-miotique, de 1982, na Universidade do Quebeque, em Montreal; a Michael Riffaterre e a Grard Genette no colquio sobre po-tica, em 1981, na Universidade da Colmbia; aos participantes de I. S. I. S. S. S., de 1984, e, entre os mais chegados, aos meus amigos Magdalene Redekop, da Universidade de Toronto, Dou-glas Duncan e Mary O'Connor, da Universidade de McMaster, em Hamilton. Tenho tambm a agradecer aos que me auxilia-ram, transmitindo-me as suas pardias preferidas: Deborah Leba-ron, Jim Brasch, Joann Bean, Alison Lee, Geert Lernout e muitos outros. Estou tambm em dvida, a nvel mais geral, em relao ao interesse e conselho de amigos e colegas: Gabriel Moyal, Janet Paterson, Laurel Braswell e Ron V ince. Para Janice Price e para os seus leitores annimos e perspicazes da Methuen vo os mais sinceros agradecimentos que um escritor pode apresentar. E, como no podia deixar de ser, o meu marido, Michael, que merece a minha gratido pelo constante encorajamento e tambm

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  • tem o mrito de ser o crtico mais analtico e provocador que seria possvel desejar.

    Muito pblico ouviu, ao longo dos ltimos cinco ou seis anos, ideias isoladas deste livro numas primeiras tentativas de formu-lao. Por me terem dado a oportunidade de debater a minha teoria em pblico, gostaria de expressar os meus agradecimen-tos s seguintes instituies: Universidade da Colmbia, Centro Internazionale di Semiotica e Linguistica (U rbino), Universidade de Queen's, Universidade de McGill, Universidade Estatal de Nova Iorque, em Binghamton, Universidade do Quebeque, em Montreal, Departamento Francs da Universidade de Toronto, Universidade de Otawa, Universidade de Ontrio Ocidental, Uni-versidade de McMaster e Crculo Semitico de Toronto. Sinto-me particularmente em dvida para com a resposta da audincia nestas conferncias e na Conferncia Internacional da Associao de Literatura Comparada, em 1982, nos encontros de 1980 e 1981 da Modero Language Association of America, na reunio dos membros da Canadian Semiotics Association, de 1980, nas ses-ses de 1983 da Canadian Comparative Literature Association e na reunio de 1984 da A. C. U. T. E.

    Algumas das ideias que surgem neste livro foram tambm, ao longo dos anos, publicadas em forma, contexto e, por vezes, at lnguas muito diferentes numa srie de publicaes (Potique, Diacritics, Texte, The Canadian Review ofComparative Litera-ture). Poucas dessas ideias sero, provavelmente, reconhecveis no tratamento subsequente que tiveram aqui, se bem que as figuras 1 e 2 sejam uma reproduo, em ingls, de Potique, 46 (Abril de 1981).

    Autor e editor desejam agradecer a Faber & Faber, Ltd., pela autorizao concedida para a citao de um poema de Making Cocoa for Kingsley Amis, da autoria de Wendy Cope.

    LINDA HUTCHEON Toronto, 1984.

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  • 1

    INTRODUO Somos exploradores que olhamos para o passado c a

    pardia a expresso central do nosso tempo.

    Dwight Macdonald

    Como indica o ttulo deste livro, este um estudo das impli-caes tericas da prtica artstica moderna. A pardia no de modo nenhum um fenmeno novo, mas pareceu-me que a sua ubiquidade em todas as artes deste sculo exige que reconside-remos tanto a sua natureza como a sua funo. O mundo ps--moderno>>, como Lyotard (1979) chama ao nosso Ocidente ps-industrial desenvolvido, pode muito bem estar a padecer, hoje em dia, de uma falta de f em sistemas que requerem vali-dao extrnseca. Mas isto tem sido verdadeiro em relao ao sculo inteiro. As formas de arte tm mostrado cada vez mais que desconfiam da crtica exterior, ao ponto de procurarem incor-porar o comentrio crtico dentro das suas prprias estruturas, numa espcie de autolegitimao que curto-circuita o dilogo cr-tico normal. Tambm noutros campos - da lingustica filoso-fia da cincia- a questo da auto-referncia tornou-se o centro da ateno. O mundo moderno parece fascinado pela capacidade que os nossos sistemas humanos tm para se referir a si mesmos

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  • num processo incessante de reflexividade. Por exemplo, inspirando-se na lgica matemtica, nos sistemas computoriza-dos, nos desenhos de Escher, nas pinturas de Magritte e na msica de Bach, o livro de Douglas Hofstadter (1979), Godel, Escher, Bach: An Eterna! Golden Braid, um estudo que demonstra a mecnica que permite aos sistemas referirem-se e reproduzirem-se a si mesmos. At o conhecimento cientfico parece hoje em dia

    . caracterizar-se pela inevitvel presena no seu interior de alguma : forma de discurso sobre os prprios princpios que os validam. A omnipresena deste nvel metadiscursivo levou alguns obser-vadores a postular um conceito geral de execuo que serviria para explicar o carcter auto-reflexivo de todas as formas cultu-rais - de anncios televisivos a filmes, da msica fico.

    no contexto geral desta interrogao moderna acerca da natu-reza da auto-referncia e da autolegitimao que surge o inte-resse contemporneo pela pardia, gnero que foi descrito simultaneamente como sintoma e como ferramenta crtica do epis-tema modernista (Rose, 1979). certo que os formalistas rus-sos utilizaram textos pardicos como modelos e, evidentemente, Don Quixote a obra que melhor revela, segundo Foucault ( 1970), a separao entre o epistema moderno e o renascentista. Desde Pound e Eliot at aos artistas de performance contempo-rneos e aos arquitectos ps-modernos, a intertextualidade e a auto-representao foram dominando a ateno crtica. Com este centro de interesse, surgiu uma esttica do processo, da activi-dade dinmica da percepo, interpretao e produo de obras de arte (ou textos, como as referirei aqui).

    Muitas pocas competiram pelo ttulo de . Por certo que o entusiasmo demonstrado no sculo XIX por uma pardia especfica e ocasional aos poemas e novelas do Roman-tismo tardio forneceu uma fonte de opinio contempornea sobre um movimento literrio importante (Priestman 1980). A mescla de elogio e censura faz de tal pardia um acto crtico de reava-liao e acomodao. Dado que neste perodo existia um pblico leitor e literato da classe mdia, os parodistas podiam aventurar-se e utilizar para alm de textos cannicos familiares (a Bblia, os clssicos), os contemporneos. Mas no sculo XX a pardia ultrapassou esta funo conservadora de pr os modismos na ordem. Ao contrrio de Dryden ou at de J. K. Stephen, T. S. Eliot parecia sentir que talvez no fosse capaz de confiar no conhecimento dos seus leitores - o conhecimento necessrio

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  • compreenso da sua poesia alusiva ou pardica - mas obri-gava o leitor a trabalhar no sentido de readquirir a herana lite-rria ocidental (e tambm alguma da oriental) ao ler The Waste Land. Por outras palavras, a pardia , neste sculo, um dos modos maiores da construo formal e temtica de textos. E, para alm disto, tem uma funo hermenutica com implica-es simultaneamente culturais e ideolgicas.

    A pardia uma das formas mais importantes da moderna auto--reflexividade; uma forma de discurso interartstico. Basta pen-sarmos na obra de romancistas como Italo Calvino ou John Fowles para vermos a formulao mais aberta e explcita da sua natu-reza c funo na fico. Mas a pardia igualmente importante noutras formas de arte: A Traio das ImaKem,' ou Isto no um Cachimbo (Ceci n 'est pas une Pipe), de Magritte, , entre outras coisas, uma pardia forma emblemtica medieval e bar-roca -- a imagem, ttulo e mote, contudo, no tendem para a sua habitual